sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Economia para pagar juros da dívida chega a R$ 2,9 bilhões em agosto


Superávit primário chega a R$ 2,9 bilhões em agosto

Kelly Oliveira
O superávit primário, esforço para o pagamento de juros da dívida, do setor público consolidado – governos federal, estaduais e municipais e empresas estatais – chegou a  R$ 2,997 bilhões, em agosto, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados hoje (28). O esforço fiscal no mês passado foi menor do que o registrado em agosto de 2011 (R$ 4,561 bilhões).
Nos oito meses do ano, o  superávit primário ficou em R$ 74,225 bilhões, menor do que o resultado de igual período de 2011 (R$ 96,54 bilhões). Em 12 meses encerrados em agosto, o resultado ficou em R$ 106,395 bilhões, o que representa 2,46% de tudo o que o país produz – Produto Interno Bruto (PIB). A meta para este ano é R$ 139,8 bilhões.
O esforço fiscal do setor público não foi suficiente para cobrir os gastos com os juros que incidem sobre a dívida. Esses juros chegaram a R$ 19,118 bilhões, em agosto, e acumularam R$ 147,58 bilhões, nos oito meses do ano, ante R$ 21,663 bilhões e R$ 160,207 bilhões, respectivamente em iguais períodos de 2011. Com isso, o déficit nominal, formado pelo resultado primário e pelas despesas com juros, ficou em R$ 16,121 bilhões, no mês passado, e em R$ 73,355 bilhões, de janeiro a agosto. Em agosto do ano passado, o déficit nominal ficou em R$ 17,101  bilhões, e nos oito meses de 2011 em R$ 63,667 bilhões.
Nos oito meses do ano, o Governo Central (Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência Social) registrou superávit primário de R$ 53,069 bilhões, enquanto os governos regionais (estaduais e municipais) apresentaram R$ 19,357 bilhões e as empresas estatais, excluídos os grupos Petrobras e Eletrobras, registraram R$ 1,799 bilhão.
Somente em agosto, o superávit primário do Governo Central foi R$ 1,173 bilhão. Os governos regionais registraram superávit de R$ 1,483 bilhão, e as empresas estatais de R$ 341 milhões.

Caixa reduz juros de financimento de veículos novos e usados


A Caixa Econômica Federal anunciou hoje (28) redução de juros para o financiamento de veículos novos e usados. As novas taxas variam de 0,75% a 1,51% ao mês. Segundo a Caixa, a taxa máxima anterior era 1,63% ao mês.
Para veículos com até dois anos de fabricação, o índice máximo foi reduzido de 1,55%  para 1,34% ao mês. A linha de financiamento está disponível nas agências da Caixa, nas concessionárias e nas lojas credenciadas ao Banco PanAmericano.
“As taxas são definidas em função de fatores como cota de financiamento, idade do veículo, prazo e nível de relacionamento do cliente com a Caixa”, destaca nota divulgada pelo banco. O valor financiado pode ser até 100% para veículos zero quilômetro. O prazo pode chegar a 60 meses para aqueles com até cinco anos, e a 48 meses para os com até dez anos.
A Caixa informou ainda que, em conjunto com o Banco Pan-Americano, encerrou agosto com contratações de R$ 668 milhões em financiamento de veículos. O valor é 143% superior ao de abril deste ano, quando foi anunciada a estratégia de redução de taxas de juros do banco. Naquele mês, foram contratados R$ 274 milhões.
Até agosto, a participação em volume de contratação mensal da Caixa e do Banco Pan-Americano representava 7,04% do mercado. O objetivo é que a operação conjunta atinja 10% da produção total do mercado até dezembro de 2012.  O saldo da carteira de veículos dos dois bancos, que hoje é R$ 9,3 bilhões, deve chegar a R$ 10,6 bilhões até o final do ano.

Colômbia ganha adesão de um dos líderes das Farc para o acordo de paz em negociação no país


O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, recebeu ontem (27) à noite uma adesão considerada relevante ao acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Juvenal Ovidio Ricardo Palmera, conhecido como Simón Trinidad, apontado como um dos líderes da guerrilha, disse estar disposto a negociar com as autoridades o fim dos confrontos com o governo.
Preso nos Estados Unidos, Simón Trinidad apareceu em uma audiência no Tribunal Penal Especializado de Valledupar, no Nordeste da Colômbia, para responder sobre os crimes de sequestro e assassinato de tenente da Marinha Álvaro Morris. Ele disse durante a audiência que está disposto a “colaborar” para o “fim da violência no país”.
O procurador-geral da Nação da Colômbia, Eduardo Montealegre, disse que o governo pode aceitar o apoio de Simón Trinidad e integrá-lo à mesa de negociações. Mas não pode suspender os mandados de prisão emitidos contra ele.
No último dia 27, Santos confirmou a retomada das negociações entre o governo e as Farc para tentar colocar um fim ao conflito armado. Anteontem, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente reiterou os esforços feitos em busca da paz na região. Há cerca de meio século os guerrilheiros atuam na Colômbia. Para Santos, as negociações em curso não põem em risco a segurança dos cidadãos.
Pelas negociações, o governo e o comando das Farc se comprometem a  cumprir sete pontos, como a reintegração dos guerrilheiros à vida civil, o desenvolvimento rural, garantias de participação da oposição, o fim do conflito armado, o combate ao narcotráfico, assegurar os direitos das vítimas e a realização de julgamentos dos envolvidos em assassinatos, sequestros e torturas.
No próximo dia 8, haverá uma reunião, em Oslo, na Noruega. Os noruegueses, chilenos, venezuelanos e colombianos fazem a mediação dos acordos entre o governo Santos e o comando das Farc. Em entrevista coletiva, concedida há dois dias, a presidenta Dilma Rousseff elogiou a iniciativa de Santos e demonstrou confiança nos resultados das negociações.

Mais dois votos para manter Donati fora da disputa

Outros dois juízes negaram o recurso do atual prefeito de Conceição da Barra,  Jorge Donati (PSDB), contra a cassação do registro de sua candidatura em sessão, na tarde de ontem.

O registro de Donati foi cassado no último dia 13 por propaganda institucional irregular. Depois do relator, o juiz Marcelo Abelha, votar para negar provimento, foi a vez do desembargador Annibal de Rezende e de Rachel Durão seguirem o voto. Julio César de Oliveira pediu vista. Ao todo, são três votos pela manutenção da cassação.

Já o recurso do prefeito cassado de Presidente Kennedy, Reginaldo Quinta (PTB), será julgado na próxima segunda-feira.

Na sessão do TRE-ES da última terça-feira, um jornal de Alfredo Chaves foi multado em R$ 5 mil por propaganda eleitoral antecipada, o que teria favorecido o candidato a prefeito Sérgio Bianchi (PSD). A assessoria do candidato informou que Bianchi não tem relação com o jornal e que não tinha conhecimento da propaganda.

SEGURANÇA NA ELEIÇÃO CAPIXABA

Reforço policial em oito cidades

TRE obteve a garantia de mais policiais nas ruas dos municípios em que há confronto. A Polícia Federal também irá atuar no dia 7

Nathalia Pompermaier
Contra a boca de urna, a compra de votos e para garantir a segurança dos eleitores no próximo dia 7 de outubro, oito municípios do Estado pediram reforço no policiamento durante as eleições e receberam o sinal verde da Polícia Militar.
Os juízes eleitorais de Colatina, Anchieta, Jaguaré, Linhares, Água Doce do Norte, Iconha, Pinheiros e Presidente Kennedy solicitaram reforço ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O motivo é que, a pouco mais de uma semana do pleito, o clima já esquentou nessas cidades.

Em Anchieta, por exemplo, campanhas de candidatos adversários estão entrando em choque nas ruas da cidade, e os cabos eleitorais chegam a usar foguetes durante as caminhadas, o que, segundo o TRE, coloca em rico a segurança das pessoas.

Membro do TRE, o juiz Marcelo Abelha contou que teve seu carro parado e “sacudido” quando passava pelas ruas da cidade há alguns dias.
Os pedidos de reforços foram apresentados pelo presidente do TRE, o desembargador Sérgio Bizzotto, ao secretário de Estado da Segurança, Henrique Herkenhoff, e ao comandante da Polícia Militar, o coronel Ronald Willian, em reunião, no início da tarde de ontem.

De acordo com o desembargador, o comandante da PM já confirmou os reforços. “Saímos com toda a convicção de que teremos uma eleição tranquila”, disse Bizzotto. A PM já confirmou, por meio de sua assessoria, que mais de 7.200 policiais irão atuar nas eleições.

Bizzotto adiantou ainda que na próxima semana irá se reunir com o superintendente da Polícia Federal, Erivelton Leão de Oliveira, que garante reforçar o policiamento no dia 7 de outubro nas cidades onde há delegacias da PF.
“Também queremos saber quais estão sendo as providências tomadas pela Polícia Federal para as eleições”, explicou Bizzotto.

Ainda participaram da reunião, o procurador regional eleitoral Carlos Mazzocco e o diretor-geral do TRE, Alvimar Dias Nascimento.
(para uma melhor visualização click na imagem)















Lei Seca vai ficar a cargo de cada juiz

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), o desembargador Sérgio Bizzotto, confirmou que o juiz eleitoral de cada cidade irá definir se proíbe ou não bebidas alcoólicas no dia da eleição,.
Bizzotto afirmou que irá publicar uma circular para comunicar os magistrados da decisão e justificou a autonomia dada a eles dizendo que “a realidade de cada cidade é muito diferente”. “Alguns municípios têm praia, outros são maiores e outros menores. Por isso, cada um sabe melhor o que cabe a situação do lugar”, explicou.
Segundo o desembargador, a maioria dos juízes já disse que irá criar portaria proibindo a venda de bebidas alcoólicas. No entanto, o magistrado considera a ação desnecessária.
“Todas as questões relacionadas à bebida já estão presentes em lei, como a proibição da venda a menores e a proibição do consumo antes de dirigir. Por isso, não acho que deveria haver uma nova lei para essa questão”, declarou.

O Poder de uma Mudança no Paradigma


Por Dag Vulpi

Talvez a mais importante lição que se possa extrair da percepção humana esteja na súbita e iluminadora mudança de paradigma — aquela experiência do tipo “Ah-ah!”, em que tudo se revela sob nova luz, e o que antes era certeza absoluta dissolve-se diante de uma compreensão mais ampla e verdadeira.


Quanto mais alguém se apega à antiga forma de perceber o mundo, mais intensa é a experiência do Ah-ah! quando o novo se revela. É como se uma centelha interior se acendesse, iluminando o que sempre esteve ali, mas de outro modo invisível.

O termo mudança de paradigma, cunhado por Thomas Kuhn em A Estrutura das Revoluções Científicas, marcou um ponto de inflexão na história do pensamento. Kuhn demonstrou que toda revolução científica nasce de uma ruptura — com tradições, com o modo antigo de pensar, com o conforto das verdades estabelecidas.

Assim foi com Ptolomeu, o grande astrônomo egípcio, para quem a Terra era o centro do universo. Sua concepção vigorou por mais de mil anos, até que, em 1543, Copérnico, mesmo sob perseguição e escárnio, ousou colocar o Sol no centro. Daquele deslocamento nasceu não apenas uma nova astronomia, mas uma nova forma de olhar a realidade.

O modelo de Newton, ainda hoje alicerce da engenharia moderna, também se revelou incompleto diante da genialidade de Einstein, cuja Teoria da Relatividade inaugurou um novo universo de compreensão.

O mesmo se deu na medicina: enquanto a teoria dos germes não fora elaborada, incontáveis mulheres e crianças morriam no parto, e soldados sucumbiam mais à infecção do que ao combate. Quando o novo paradigma da microbiologia se consolidou, um avanço dramático transformou o destino da humanidade.

O Brasil moderno também nasceu de uma mudança de paradigma. Por séculos, acreditou-se no direito divino dos reis — até que a noção de que o poder emana do povo fez nascer a democracia constitucional, libertando a energia criadora e a esperança coletiva.

Mas nem toda mudança é para o bem. A transição da Ética do Caráter para a Ética da Personalidade afastou-nos das raízes profundas que nutrem a integridade, a empatia e o verdadeiro sentido de sucesso.

Contudo, quer nos elevem ou nos desviem, quer ocorram subitamente ou ao longo de uma lenta travessia, as mudanças de paradigma são as grandes alquimias da consciência. São elas que redesenham a maneira como enxergamos o mundo e, por consequência, como vivemos nele.


Lembro-me de uma dessas transformações, ocorrida numa manhã de domingo, no metrô de São Paulo.
O vagão estava silencioso — jornais abertos, olhares distantes, sonolência de domingo.
De repente, um homem entrou com os filhos. As crianças corriam, gritavam, incomodavam todos. O pai, ao meu lado, mantinha os olhos fechados, imóvel, indiferente.

Minha irritação crescia. Por fim, não resisti:
— Senhor, seus filhos estão perturbando muita gente. O senhor não poderia fazer algo?

Ele ergueu lentamente o olhar e respondeu com voz mansa:
— Tem razão... Acho que deveria fazer alguma coisa. É que acabamos de sair do hospital... A mãe deles morreu há uma hora.

Nesse instante, tudo mudou. Meu paradigma desabou.
O que era incômodo transformou-se em compaixão. A irritação cedeu lugar a uma ternura silenciosa.
— Sinto muito — respondi, tomado por uma humildade nova. — Quer conversar sobre isso? Posso ajudar em algo?

Em um único segundo, o mundo se reposicionou.
E eu compreendi, profundamente, que quando muda o olhar, tudo muda — o pensamento, o sentimento, a ação.


Muitos de nós vivenciamos esse tipo de virada quando uma crise nos obriga a rever prioridades, ou quando assumimos papéis novos: pai, avô, líder, companheiro.
Podemos gastar anos tentando moldar atitudes e comportamentos pela superfície — mas a verdadeira transformação só acontece quando mergulhamos nas raízes do paradigma que nos sustenta.

Como disse Thoreau:

“Para cada mil homens cortando as folhas do mal, há apenas um atacando as raízes.”

O salto qualitativo de nossas vidas começa quando paramos de podar folhas e passamos a trabalhar o solo — o invisível que alimenta o visível.


Reflexão:

Mudar de paradigma é, em essência, um ato de humildade — o reconhecimento de que a verdade pode estar além daquilo que aprendemos a chamar de “verdade”. É o instante em que o Sol, antes orbitado, se revela o centro. É quando, enfim, o universo se reorganiza dentro de nós.

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