quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Orlando Eller - O estuário tinha dono


Por Orlando Eller*
Sem qualquer maldade, eu lhe pergunto, senhor rês da saga: pode alguém usufruir de decência achando-se dono inarredável do estuário de um rio, breve que seja o seu curso? Ou, indo além: reflita e, em nome da dignidade, responda-me: quem, dentre a espécie suicida, teria autoridade para conferir a qualquer outro dos mortais direito à propriedade de qualquer extensão territorial que pertença às águas, que é delas porque precisam cursar livres, espraiar-se e escoar na imensidão do mar?

Antes que lhe conte a história, saiba conterrâneo que não existe qualquer relação comum, que seja do bem, entre o que você deseja, dignidade de vida mesmo que em humildade, e o que o seu gestor propõe e faz, na maioria das vezes coisa de interesse escuso, sem amor e sem decência. Não é isso exatamente que vem ocorrendo há anos, habitualmente, na relação entre o desejo dos cidadãos e a conveniência dos amos que mandam no pedaço?

A evolução do povo brasileiro: de analfabeto político para semi politizado


Por Dag Vulpi - editado em 21/03/2017 e em 02/12/2023

O desenvolvimento da visão crítica é fundamental para a incorporação de valores democráticos e para a participação política significativa. Não é nenhum mistério que o nível de desigualdade e os problemas de um país estão associados ao nível de educação e cultura de seu povo.

Na avaliação de Adorno (1995), a organização social à qual vivemos continua sendo heterônoma, uma vez que ninguém mais pode existir na sociedade atual conforme suas próprias determinações. Por essa razão, ele pensa que somente a educação pode emancipar os sujeitos. No entanto, é imprescindível uma educação política que desenvolva nos sujeitos a consciência de que os homens são enganados de modo permanente. Ele acredita que, se todos ganhassem consciência em relação a essas questões, isso poderia resultar em uma crítica imanente da sociedade.

Graças ao advento da internet e ao aumento nos índices de escolaridade do seu povo, o Brasil começa a dar provas de que parte de seus cidadãos está evoluindo da condição de analfabetos políticos para cidadãos com uma conscientização política mínima, ou, como alguns preferem, tornaram-se semipolitizados. E essa evolução é responsável por um passo gigante no caminho da conquista de valores antes desconhecidos.

"Parte fundamental do exercício da cidadania refere-se à Consciência Política. Esta deve ser moldada no indivíduo desde sua infância, propiciando uma boa formação de caráter no seio familiar e que será desenvolvida ao longo da vida para ser multiplicada com a sociedade. Ou seja, educação e cidadania são interdependentes, e a Consciência Política é fruto dessa relação.” (Antonio Gasparetto Junior).

Apesar de o sistema educacional brasileiro ser deficiente e causar prejuízos de longa duração, afetando várias gerações, ainda assim, parte dos cidadãos está conseguindo retirar o tampão que, durante muitos anos, vendou seus olhos, despertando seu envolvimento cognitivo e afetivo, fazendo-o sentir que o conhecimento propicia-lhe a consciência para enxergar, entender e modificar as realidades de seu meio e não mais aceitar o fato de ser usado como massa de manobra.

Infelizmente, nem todo cidadão pode desfrutar dessa educação, ainda que inadequada, e esse fator faz com que a maioria permaneça à margem da evolução, tendo seu discernimento roubado, tornando-o uma presa fácil de ser induzida a lutar por interesses alheios às suas verdadeiras necessidades.

Considerando a escolaridade deficitária e o acesso à internet limitado como principais influências na formação da politização da nossa sociedade, é inegável que estamos engatinhando se comparados a alguns países da Europa e Ásia. Ainda assim, apesar das escassas condições, houve evolução, e a tendência é que ocorra um incremento na conscientização nas próximas décadas. Tanto a internet quanto o acesso e a qualidade da educação tendem a ser facilitados e melhorados, permitindo que, em médio prazo, boa parte dos cidadãos brasileiros possua uma conscientização política suficiente para capacitá-los a lutar por uma sociedade mais justa.

Por outro lado, se a expectativa para o futuro é positiva, a realidade atual mostra uma subdivisão neste grupo de cidadãos semipolitizados. Há aqueles que entendem que sua participação no processo democrático é fundamental para as mudanças necessárias e não admitem ser manipulados. Infelizmente, ainda existe aquele que se deixa influenciar, principalmente por parte de uma mídia que ao longo do tempo conseguiu manipulá-lo de forma sistemática, aproveitando-se da sua educação deficitária e da consequente interpretação equivocada da realidade política. Isso contribui para manobrá-lo de acordo com os interesses de uma minoria, sendo essa uma das razões pelas quais a maioria dos maus políticos ainda consegue seus mandatos.

Após opinar que a Consciência Política é um exercício da cidadania e que ela deve ser moldada no indivíduo desde sua infância, de forma a propiciar-lhe uma boa formação de caráter, e que o ideal seria que ela fosse desenvolvida ao longo da vida para ser multiplicada com a sociedade. Ou seja, educação e cidadania são interdependentes, e a Consciência Política é fruto dessa relação. No entanto, o sistema educacional brasileiro é deficiente e causa prejuízos de longa duração, pois afeta várias gerações. Opinarei também nas consequências que essa deficiência causa na prática do nosso dia a dia.

Diante de tantas demonstrações de inconformismo por uma parcela da sociedade em relação à política praticada pelo governo de esquerda nos últimos treze anos, inconformismo esse que às vezes mistura-se e confundem-se com alienações, alienações essas que claramente formaram-se através de informações elaboradas com maestria e que se repetem dia após dia de forma a deturpar a integralidade da realidade, resolvi me afastar por um tempo das redes sociais e passei a observar o comportamento da sociedade fora da 'segurança' que o anonimato das redes sociais proporciona.

Foram quase três meses de experiência, outubro a dezembro de 2016, onde tive a oportunidade de conversar com antigos moradores e velhos amigos do bairro. Na maioria dos casos e por razões diversas, o destino furtou-nos a oportunidade do diálogo, oportunidade essa que felizmente eu consegui recuperar neste período.

Apesar de o assunto proposto não ser bem aceito por todos, ou seja, falar sobre política, ainda assim, foi possível entender o que pensam e como a grande maioria forma suas opiniões.

Constatei uma quase unanimidade entre os cidadãos com idade superior a 35 anos e com menor nível de escolaridade. Quase todos eles formam suas opiniões sobre política com base nas manchetes exibidas nos telejornais das TVs abertas. Eles afirmam confiar nas informações passadas pelos telejornais. No entendimento deles, as emissoras não 'teriam' motivos para mentir.

Além de confiarem cegamente nas informações repassadas nos telejornais, outro detalhe igualmente importante, e que preocupa, é a cognição desses cidadãos. Exemplifico com a seguinte notícia: 'Lili foi acusada pelo MPF de ter desviado 30 milhões do dinheiro público'. Ao ouvirem essa notícia da tal fonte 'confiável', automaticamente eles irão processar a informação de que Lili é ladra. Ou seja, o simples fato de haver uma DENÚNCIA contra alguém já é suficiente para que eles julguem aquela pessoa como sendo culpada.

Imaginemos então qual será o juízo formado por esse cidadão que, apesar de ser honesto, possui uma formação deficitária, e é bombardeado diuturnamente por essa fonte que ele considera confiável, afirmando em suas reportagens diárias que a tal 'Lili' está sendo acusada de dezenas de novos desvios de dinheiro público? Certamente que o sentimento de ódio formado contra Lili tomará proporções tamanhas que, mesmo que futuramente ela venha a ser INVESTIGADA, JULGADA e, por falta de provas, INOCENTADA por aquele mesmo MP, ainda assim, aquele cidadão terá a convicção de que a justiça foi comprada.

Há solução? Sim! A evolução para uma real Conscientização Política virá com a melhoria da qualidade do ensino, principalmente o ensino público, que é o responsável pela formação de 90% dos cidadãos brasileiros.

Dilma defende o rigor da lei contra vandalismo nas ruas

A Sociedade brasileira aprova e participa de manifestos legítimos e pacíficos, mas é terminantemente contrária a manifestações com viés político e com atos de vandalismo. Blog Dag Vulpi
Blog Dag Vulpi - Cumprindo uma de suas atribuições à frente do executivo nacional que é a de exigir o cumprimento da Lei para a garantia da ordem, a presidenta Dilma Rousseff defendeu o endurecimento das penas aplicadas aos condenados por crimes cometidos durante manifestações públicas. Como confirmado anteriormente pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, Dilma afirmou que o governo trabalha numa proposta de legislação que coíba toda forma de violência durante os protestos de rua.

“Defendo toda e qualquer manifestação democrática. Democratas são aqueles que exercem pacificamente seu direito e liberdade de exigir mudanças. São democratas aqueles que lutam por mais qualidade de vida e defendem com paixão suas ideias, que é a grande maioria dos manifestantes. Mas repudio o uso da violência em manifestações e acho inadmissível atos de vandalismo, violência, pessoas que escondem o rosto não são democratas. Os órgãos de segurança pública devem coibir a violência, cumprindo a lei, mas é preciso reforçar a lei e aplicar a Constituição, que garante a liberdade de manifestação, mas ela veda, proíbe o anonimato. Então estamos trabalhando numa legislação para coibir toda forma de violência em manifestações”, disse a presidenta em entrevista a rádios de Alagoas, lembrando que a violência já levou à morte de “um pai de família”, o cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Ilídio Andrade, ferido por um rojão em uma manifestação no dia 6 de fevereiro, no Rio de Janeiro.

Venezuela: chanceler vai defender na Celac não ingerência no país


O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Elias Jaua, se reunirá hoje (19) com os embaixadores dos países da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). O principal ponto que deverá ser defendido por ele é o fim da ingerência estrangeira com o objetivo de derrubar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por vias antidemocráticas. O governo da Venezuela tem argumentado que os protestos no país estão relacionados à intenção de grupos de direita ligados aos Estados Unidos de derrubar o presidente.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Caso Santiago: a vítima não foi a mídia, foi o jornalismo

Por Luis Nassif no GGN
Desde o início, tinham-se todos os elementos para não se dar credibilidade ao advogado Jonas Tadeu nas acusações de que o PSOL e o deputado Marcelo Freixo estariam por trás do suposto financiamento aos vândalos das manifestações.

Tadeu não apresentou uma prova, apenas sua palavra, e de maneira cautelosa para se prevenir de futuros processos.

Bastava a informação de que foi advogado de Natalino Guimarães - o chefe de milícia alvo de uma CPI da Assembleia Legislativa do Rio, cujo principal nome foi o próprio Freixo - para, no mínimo, não se endossar de pronto as declarações.. Nem seria necessário a informação adicional, de que durante a CPI Tadeu e Freixo se desentenderam várias vezes.

Avaliação do governo Dilma antes e depois dos manifestos de 2013


Por Dag Vulpi
Os números que registram o desempenho do governo da presidenta Dilma Rousseff tem apresentado uma grande oscilação desde o evento dos manifestos populares de junho de 2013.

O alto índice de aprovação, e principalmente sua sustentação, conforme os números apresentados pelos órgãos oficiais de pesquisa nos primeiros anos da gestão Dilma, chamaram a atenção positiva da grande maioria dos analistas políticos, até pelo fato de esta ser a terceira gestão consecutiva do PT frente ao comando nacional, destes, dois mandatos foram do ex-presidente Lula e o primeiro mandato da presidenta Dilma.

A mudança no cenário que até então era completamente positivo para a gestão do PT teve uma reviravolta a partir dos manifestos populares de junho passado, movimento que começou com uma pressão para rever o reajuste das passagens dos ônibus urbanos e do metrô em São Paulo e se espalhou como um rastilho de pólvora por todo o país. Após estes eventos as avaliações positivas da presidenta e os números apresentados pelas pesquisas oficiais sucumbiram, e não se sustentaram no mesmo patamar diante da pressão que vinha das ruas.

No gráfico apresentado abaixo está à evolução dos números no desempenho da presidenta Dilma Rousseff. Para simplificar o entendimento da leitura do gráfico apresentarei somente os critérios de aprovação e avaliação negativa apurados nas pesquisas, e o período compreendido é de junho de 2013, mês dos manifestos até hoje 18/02/2014.


Como se pode observar, os números da avaliação que mede o desempenho positivo do governo do PT sofreram consequências diretas vindas dos manifestos populares, despencando dos 54,2% de aprovação em junho, para 31,3% em julho, uma queda de 22,9% em apenas um mês.

Quando tudo parecia conspirar contra o governo petista a tendência de queda de sua popularidade foi interrompida, e a motivação para isso foi a reviravolta que o movimento popular que havia tomado as ruas sofreria. A perda de autenticidade do manifesto, e sua consequente reprovação pela sociedade se fez graças à equivocada introdução do grupo blacks blocs, que transformou o manifesto popular e pacifico de antes, num evento dominado pela força do vandalismo.   

Em setembro os números da aprovação do governo já mostravam o quanto a participação dos blacks blocs havia interferido nos seus resultados, passando dos 31,3% de julho para 38,1% em setembro, um crescimento considerável de 6,8% em apenas dois meses. Os números de aprovação do governo não voltaram aos patamares de antes das manifestações, mas ainda assim continuaram evoluindo positivamente até janeiro, voltando a cair somente neste mês de fevereiro.

Logo entraremos na fase aguda do processo eleitoral, e este é um ano ainda mais atípico que os muitos anos atípicos vividos por esta República, não somente pelo fato da coincidência de, além de eleições, também ser ano de copa do mundo, afinal de contas copas do mundo sempre acontecem de quatro em quatro anos em algum lugar deste planeta. Mas desta vez a copa será aqui no Brasil, e todos os candidatos tentarão de alguma forma tirar proveito do evento, seja se promovendo graças ao clima de oba-oba que certamente tomará conta dos quatro cantos deste país no caso de um possível sucesso da seleção canarinho, seja por seu fracasso, onde, candidatos tentarão aproveitarem-se da mesma forma do clima de chororo.

Há ainda os que não pretendem aguardar os resultados finais da copa. Não pretendem correr o “risco” de o Brasil ser campeão e verem os louros sendo colhidos por seus opositores. Estes não estão medindo esforços para tentar promover um fracasso antecipado, afinal, seria impossível o Brasil ser campeão de uma copa que não aconteceu. Nos seus entendimentos a não realização da copa certamente lhes renderá dividendos políticos, e para conseguirem estes dividendos vale tudo, até dedo no olho. Seus adeptos já estão mobilizados nas redes sociais vendendo a ideia do quanto pior melhor.

Eu ficarei de camarote aguardando os resultados, primeiro o da copa, e como bom brasileiro torcerei fanaticamente para a seleção brasileira ser campeã do mundo pela sexta vez, depois aguardarei o resultado das urnas, e, sendo igualmente um bom brasileiro torço para que vença aquele que será melhor para o Brasil e consequentemente para todos os brasileiros.

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