quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Crises cíclicas do capitalismo e a intervenção do Estado

As crises cíclicas do capitalismo têm marcado a história do sistema econômico desde o século XVIII. Para lidar com essas crises, o Estado teve que adotar medidas anticapitalistas, como a regulação do mercado e a intervenção na economia.

Dag Vulpi - 18 de abril de 2023
Desde o surgimento do capitalismo no século XVIII, as crises econômicas têm sido uma característica marcante do sistema. Desde então, ocorreram diversas crises cíclicas, que afetaram a economia global e tiveram consequências sociais e políticas significativas.
As crises cíclicas do capitalismo têm origem em desequilíbrios no sistema econômico, como a desproporção entre produção e consumo, a especulação financeira e a concentração de riqueza nas mãos de poucos. Esses desequilíbrios geram crises de superprodução, queda na demanda, recessão e desemprego.
Ao longo dos séculos, o Estado tem sido chamado a intervir na economia para resolver essas crises. A primeira grande intervenção estatal ocorreu com a Grande Depressão dos anos 1930, quando os governos adotaram políticas intervencionistas para lidar com a crise econômica e social. Nos anos seguintes, o Estado passou a desempenhar um papel cada vez mais ativo na economia, regulando o mercado e intervindo em setores estratégicos.
No entanto, essas medidas anticapitalistas não foram adotadas sem resistência. Grupos econômicos e políticos conservadores se opuseram às políticas intervencionistas, argumentando que elas limitavam a liberdade de mercado e desestimulavam o empreendedorismo.
Apesar das resistências, as medidas anticapitalistas adotadas pelo Estado foram cruciais para conter as crises econômicas e promover a estabilidade econômica e social. A regulação do mercado, a intervenção na economia e o investimento em setores estratégicos se tornaram estratégias comuns de gestão da economia em muitos países.
Atualmente, o mundo vive uma nova crise econômica, agravada pela pandemia da COVID-19. O Estado tem novamente sido chamado a intervir na economia, adotando medidas anticapitalistas para lidar com a crise. A pandemia trouxe à tona a necessidade de repensar o sistema econômico global, buscando alternativas mais justas e sustentáveis para lidar com as crises cíclicas do capitalismo.
Fonte de pesquisa e sugestão de leitura:

A Moeda Estável como Alicerce do Comércio Internacional: O Caso do Brasil e da China



Dag Vulpi
A estabilidade da moeda desempenha um papel crucial nas economias de países como o Brasil e a China, que são gigantes tanto na exportação quanto na importação. Neste texto, exploraremos a importância da manutenção de moedas estáveis para sustentar o comércio internacional e o desenvolvimento econômico dessas nações.
A globalização transformou o cenário econômico mundial, com países como o Brasil e a China emergindo como atores-chave no comércio internacional. Ambos desfrutam de uma posição única, sendo grandes exportadores de produtos variados, de commodities a produtos manufaturados. No entanto, também compartilham um desafio comum: a necessidade de manter moedas estáveis para sustentar seu comércio.
A estabilidade da moeda é um pilar fundamental para qualquer economia. Quando a moeda de um país é volátil, as consequências podem ser devastadoras. Isso afeta diretamente os preços de importação e exportação, tornando difícil para as empresas fazerem planos de longo prazo. Para países que são grandes exportadores e importadores, como o Brasil e a China, a estabilidade da moeda é ainda mais crítica.
Primeiramente, vamos olhar para o Brasil. Como um dos maiores exportadores de produtos agrícolas, minerais e manufaturados, a estabilidade do real é essencial. Uma moeda instável pode tornar os produtos brasileiros mais caros para os compradores estrangeiros, reduzindo a competitividade. Além disso, afeta o poder de compra do país no mercado internacional, tornando as importações mais caras e potencialmente prejudicando setores que dependem de insumos estrangeiros.
A China, por sua vez, é conhecida como a "fábrica do mundo", exportando uma vasta gama de produtos manufaturados. A moeda chinesa, o renminbi (RMB), também deve ser mantida estável. Uma moeda fraca pode prejudicar a competitividade das exportações chinesas, enquanto uma moeda forte pode tornar as importações mais baratas, beneficiando a economia interna. A estabilidade do RMB é vital para manter o equilíbrio comercial e a estabilidade econômica do país.
Além disso, a estabilidade da moeda é importante para atrair investimentos estrangeiros. Tanto o Brasil quanto a China têm buscado investimentos estrangeiros diretos para impulsionar o crescimento econômico. Moedas instáveis podem desencorajar investidores em potencial, pois representam riscos adicionais.
Conclusão: a manutenção de moedas estáveis desempenha um papel crítico para países como o Brasil e a China, que desempenham papéis de destaque no comércio internacional. A estabilidade da moeda não é apenas uma questão econômica, mas também uma questão estratégica para manter a competitividade, sustentar o crescimento econômico e atrair investimentos. Portanto, essas nações devem continuar a adotar medidas que promovam a estabilidade de suas moedas como parte integrante de suas estratégias econômicas.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

O Maestro da Desinformação: Joseph Goebbels e Sua Nefasta Influência no Brasil Atual


Dag Vulpi

O legado sombrio de Joseph Goebbels ressoa até os dias atuais, destacando as trágicas consequências da propagação de falsas informações. A maestria do ministro da propaganda de Hitler em manipular a verdade deixou um legado sinistro, alertando sobre os perigos inerentes à disseminação irresponsável de narrativas distorcidas.
No turbilhão da história, o nome de Goebel ressoa como um sinistro maestro da desinformação, conduzindo uma orquestra de falsidades que reverberaram na sociedade de sua época. Sua prática refinada de difusão de informações distorcidas moldou uma narrativa tóxica que envenenou mentes e corroeu os alicerces da verdade.
No coração de uma era tumultuada, Goebel emergiu como um arquiteto sinistro, habilmente tecendo teias de mentiras para manipular a opinião pública. Seu legado sombrio serve como um lembrete alarmante dos perigos intrínsecos à disseminação irresponsável de informações falsas e da influência devastadora que pode exercer sobre uma sociedade vulnerável.
Em um mundo envolto nas sombras da Segunda Guerra Mundial, a prática maquiavélica de Goebel transcendeu as fronteiras do jornalismo distorcido, transformando-se em uma arma poderosa na guerra psicológica. Sua mestria na manipulação de informações, habilmente misturando verdades com mentiras, criou uma realidade alternativa que serviu aos interesses de uma ideologia nefasta.
Goebel, dotado de um entendimento afiado da psicologia humana, explorou as vulnerabilidades emocionais de uma sociedade traumatizada. Seus artifícios retóricos e estratégias de propaganda desonesta visavam não apenas enganar, mas também incutir dúvidas e semear a desconfiança nas mentes dos cidadãos.
A disseminação de notícias falsas, cuidadosamente projetada por Goebel, não foi apenas um ataque à verdade objetiva, mas uma investida direta contra a integridade da sociedade. À medida que suas mentiras se espalhavam como um vírus insidioso, a confiança nas instituições erodiu, pavimentando o caminho para o caos.
O legado de Goebel permanece como um lembrete sombrio da fragilidade da verdade em tempos de crise e da necessidade imperativa de discernimento crítico. Sua história serve como um eco do passado, alertando as gerações futuras sobre os perigos inerentes à manipulação da informação e as consequências devastadoras que podem surgir quando a sociedade sucumbe ao canto enganador de falsas narrativas.
Na era tumultuada em que Goebbels emergiu como um arquiteto sinistro, habilmente tecendo teias de mentiras para manipular a opinião pública, encontramos ecos preocupantes nos tempos atuais do Brasil. O fenômeno do Bolsonarismo e sua disseminação de informações falsas, notadamente pelo que ficou conhecido como "gabinete do ódio", espelham uma estratégia semelhante de manipulação e divisão na sociedade brasileira. Como Goebbels, os propagadores modernos buscam controlar narrativas, criando um terreno fértil para a polarização e a desconfiança, deixando marcas profundas na coesão social.

A Criação do Estado de Israel e o Conflito com os Palestinos


Dag Vulpi - 07 de novembro de 2023

A responsabilidade pela correção do ônus deve ser exclusiva daqueles que o provocaram, arcando, sem transferências, com a totalidade das suas consequências.
O Holocausto foi a perseguição sistemática e o assassinato de 6 milhões de judeus europeus pelo regime nazista alemão, seus aliados e colaboradores. O Holocausto foi um processo contínuo que ocorreu por toda a Europa entre os anos de 1933 a 1945
O antissemitismo foi a base do Holocausto. O antissemitismo, o ódio ou preconceito contra os judeus, era um princípio básico da ideologia nazista. Esse preconceito, que já era disseminado, piorou em toda a Europa.
O sionismo, por sua vez, foi um movimento que defendia a criação de um Estado judeu na Palestina como solução ao antissemitismo na Europa.
Após o Holocausto e o lobby de campanhas imigratórias promovidas pelos defensores do sionismo. Foi criado o Estado de Israel no dia 14 de maio de 1948, por intermédio da Organização das Nações Unidas. Dividindo a Palestina. Essa decisão resolveu um problema na Europa, mas desencadeou um conflito duradouro entre judeus e palestinos,
Essa decisão histórica resolveu um problema iminente na Europa, fornecendo um refúgio para os judeus europeus. No entanto, criou um problema igualmente significativo entre os judeus recém-chegados e a população árabe palestina, que habitava a região há gerações. O choque de interesses territoriais e culturais deu origem a um conflito complexo que persiste até hoje.
Uma das consequências diretas dessa divisão foi o controle da Faixa de Gaza, que inicialmente era parte da Palestina. O Hamas, um grupo islâmico palestino, emergiu como um ator importante no conflito. O grupo se opõe a Israel e defende a criação de um Estado palestino independente, usando métodos frequentemente violentos para buscar seus objetivos.
O conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza tornou-se uma das questões mais intratáveis no cenário internacional, com sérias implicações humanitárias e políticas. A criação do Estado de Israel em 1948 resolveu um problema urgente, mas gerou um conflito duradouro que continua a moldar a geopolítica da região e desafia a busca por uma solução pacífica.

A Criação do Estado de Israel: uma solução europeia que gerou um conflito no Oriente Médio


Por Dag Vulpi

Em 1948, a proclamação do Estado de Israel marcou o início de um dos conflitos mais longos e complexos da história contemporânea. A decisão da ONU de dividir a Palestina, então sob mandato britânico, foi vista por muitos como uma reparação moral ao povo judeu após o Holocausto. No entanto, para os árabes palestinos, significou o começo de uma tragédia nacional que perdura há mais de sete décadas.

Um refúgio que transferiu o conflito

Após o Holocausto, que dizimou milhões de judeus na Europa, a comunidade internacional buscou uma forma de garantir um território seguro para esse povo historicamente perseguido. Sob forte pressão do movimento sionista, a Organização das Nações Unidas aprovou, em 1947, a Resolução 181, recomendando a divisão da Palestina em dois Estados: um judeu e outro árabe.

O novo Estado de Israel foi proclamado em 14 de maio de 1948, liderado por David Ben-Gurion, poucas horas antes do fim do mandato britânico sobre a região. A proposta, porém, foi rejeitada pelos países árabes vizinhos e pelos próprios palestinos, que viam na decisão uma imposição externa sobre uma terra habitada majoritariamente por árabes há séculos.

A criação de Israel, embora amparada por razões humanitárias e religiosas, transferiu o epicentro do problema antissemita europeu para o Oriente Médio. A Europa livrou-se da culpa e da responsabilidade moral do Holocausto, mas o preço foi pago pela Palestina — uma região que não teve participação direta no genocídio.


O peso histórico da Nakba

O resultado imediato foi a Primeira Guerra Árabe-Israelense (1948–1949), que consolidou o Estado de Israel e provocou o êxodo de cerca de 700 mil palestinos, episódio conhecido como Nakba (“catástrofe”, em árabe). Desde então, o conflito israelo-palestino segue sem solução definitiva, marcado por guerras, ocupações, resistências e a negação mútua de soberania.

A Palestina permanece sem reconhecimento pleno como Estado, dividida entre a Faixa de Gaza, sob bloqueio israelense, e a Cisjordânia, fragmentada por assentamentos judaicos. Diversas organizações internacionais e vozes críticas classificam essa realidade como um regime de apartheid moderno.


Sionismo e as origens do Estado israelense

O movimento sionista, surgido no final do século XIX a partir das ideias de Theodor Herzl, defendia a criação de um lar nacional judeu na antiga Terra de Israel. A escolha da Palestina não foi apenas política, mas também simbólica, associada à narrativa bíblica do retorno à “Terra Prometida”.

A imigração judaica à região cresceu especialmente entre as duas guerras mundiais, intensificando tensões com os árabes palestinos. Durante o mandato britânico, surgiram grupos armados de ambos os lados, culminando em confrontos que prenunciaram a guerra aberta de 1948.


Conflito e desigualdade persistente

De lá para cá, a história do Oriente Médio tem sido marcada por guerras sucessivas — Crise de Suez (1956), Guerra dos Seis Dias (1967), Guerra de Yom Kippur (1973), além das Intifadas palestinas e das ofensivas recentes na Faixa de Gaza.
Enquanto Israel consolidou uma das forças militares mais poderosas do planeta, a Palestina luta pelo reconhecimento de sua soberania e por condições mínimas de dignidade humana.

Atualmente, cinco milhões de palestinos descendem dos refugiados da Nakba. Muitos vivem em campos ou sob bloqueio, enfrentando escassez de água, energia, remédios e liberdade de circulação — uma realidade que segue desafiando o conceito de direitos humanos universais.


Um olhar crítico

“A Europa solucionou seu problema, mas impôs as consequências sobre a Palestina.”
Essa reflexão continua atual. O antissemitismo europeu, nascido e cultivado no Ocidente, foi deslocado para o Oriente Médio como um fardo histórico.
A ONU poderia ter buscado outra alternativa? Talvez. Mas a escolha pela Palestina, além de política, foi simbólica e teológica — um gesto que, ao mesmo tempo, resgatou memórias e perpetuou feridas.


Reflexão

A criação do Estado de Israel foi uma vitória da diplomacia ocidental e da resistência judaica, mas também o início de uma injustiça histórica para o povo palestino. Setenta e sete anos depois, o mundo ainda paga o preço de uma decisão tomada sob o peso da culpa e da pressa.
O desafio que permanece é o de transformar uma terra dividida por muros e ideologias em um território de coexistência e reconhecimento mútuo — um sonho que, por enquanto, continua aprisionado entre as ruínas da história.


Fonte de referência

Trechos e base factual extraídos do artigo:
Daniel Neves Silva, Brasil Escola — A Criação do Estado de Israel: as origens históricas e as consequências geopolíticas
Formado em História pela UEG e especialista pela UFG.
https://brasilescola.uol.com.br/historia/a-criacao-estado-de-israel.htm

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

A Conferência de Bretton Woods, e a substituição do lastro do ouro por uma cesta das cinco moedas mais estáveis da economia mundial


Dag Vulpi - 27/01/2023

O que foi a Conferência de Bretton Woods?
Quando a Segunda Guerra Mundial se aproximava de seu fim, em 1944, as maiores potências capitalistas, lideradas pelos Estados Unidos, sob o regime de Franklin D. Roosevelt, estavam em busca de revitalizar a economia mundial e a harmonia entre as nações.
Com o intuito de debater a reorganização do cenário econômico no período pós-guerra e acabar com as políticas de protecionismo econômico, organizou-se a Conferência de Bretton Woods, um dos acordos econômicos mais relevantes do cenário mundial, cujos impactos são sentidos até hoje.
Nesse contexto, mais de quarenta nações participaram da Conferência de Bretton Woods, que aconteceu em New Hampshire (EUA), na cidade de mesmo nome. O encontro diplomático durou três semanas e contou com debates de ilustres economistas, entre eles John Maynard Keynes, representante britânico no evento, e Harry Dexter White, funcionário de alto escalão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Keynes não conseguiu impor sua proposta de que se criasse uma união monetária dos países industrializados da época. Em vez disso, o resultado foi a fundação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, como sugerido pelo subsecretário de Finanças dos Estados Unidos, Harry Dexter White.
Vales destacar que naquele momento o cenário global olhava com entusiasmo para a nação norte-americana e como a Segunda Revolução Industrial tinha beneficiado os assuntos econômicos do país, especialmente no que dizia respeito à manufatura de bens de consumo e o sistema de produção fordista.
O que a reunião de Bretton Woods criou?
O acordo de Bretton Woods definiu que cada país deveria manter a taxa de câmbio de sua moeda “congelada” ao dólar, com limite de variação de cerca de 1%. A moeda estadunidense, por sua vez, estaria ligada ao valor do ouro em uma base fixa, com cada dólar equivalendo a 35 gramas de ouro.
Os desdobramentos de Bretton Woods deram espaço para que a política do Monetarismo de Milton Friedman se instalasse no cenário macroeconômico mundial, acompanhada do liberalismo, e para a consolidação de instituições financeiras mundiais.
Ademais, o fenômeno conhecido como Globalização ganhava traços mais firmes a partir do que foi definido na Conferência de Bretton Woods, bem como o estabelecimento do capitalismo como sistema econômico predominante e os Estados Unidos como a maior potência econômica mundial.
Por isso, neste conteúdo, nós te explicamos qual era o contexto histórico quando as Conferências de Bretton Woods foram realizadas, quais foram os impactos à época e como as decisões tomadas naquele momento impactam, ainda, a economia.
Bretton Woods: resumo do contexto histórico
O encontro de Bretton Woods possuía como objetivo central estabelecer a paz entre as nações depois de meio século de crises e disputas, sendo as Guerras Mundiais e a Grande Depressão de 1929 os eventos mais marcantes.
Na visão dos responsáveis pelo debate, o imperialismo era o grande causador dos conflitos internacionais e apenas o livre mercado e comércio era capaz de resolver as desavenças entre os países para finalmente estabelecer a animosidade entre todos os continentes.
Diante disso, as discussões que aconteceram nesse evento colocavam as políticas intervencionistas, do ponto de vista estatal, elaboradas por Keynes em uma situação muito sensível. Os economistas que lá estavam definiam tal sistema como falho e destacavam a importância de reformular a economia a nível global para evitar outro conflito.
O sistema econômico de Bretton Woods
Basicamente, as reuniões de Bretton Woods focaram em estabelecer os critérios para negociações comerciais e financeiras a nível internacional, especialmente para regular as relações entre as maiores economias naquela época, como os Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental, Austrália e Japão.
Os acordos focaram em estabelecer um equilíbrio entre as políticas monetárias dos países, de modo a manter a paridade com as moedas nacionais de um para um em relação ao ouro (o chamado padrão dólar-ouro). Nesse sistema, o valioso material mantinha a paridade com o dólar americano, já que os Estados Unidos possuíam três-quartos das reservas mundiais do minério.
Além dessa importante decisão, os países-membros do Acordo de Bretton Woods concordaram em evitar novos conflitos internacionais, além de erguerem algumas instituições financeiras mundiais para regular assuntos relacionados a investimentos internacionais e órgãos de fiscalização das economias para deixá-las estáveis.
Quais instituições se formaram com a Conferência de Bretton Woods?
Apesar de ter perdido a validade nos anos 70, a Conferência de Bretton Woods foi o marco do abandono do keynesianismo, ainda muito praticado entre as economias mundiais, em detrimento de uma política monetarista, bastante baseada nos ideais liberais. Além da influência ideológica, o encontro de Bretton Woods foi o responsável pela criação de algumas importantes instituições financeiras globais.
Porque Bretton Woods acabou?
O sistema de Bretton Woods acabou em 1971, quando os EUA abandonaram o lastro de ouro e o valor das moedas passou a flutuar ao sabor das taxas de câmbio. Mas as instituições ficaram e se tornaram pilares da globalização pós-Guerra Fria, a partir de 1990.
Nesse encontro, por exemplo, a Organização Mundial do Comércio (OMC) foi estruturada. Ela existe até os dias atuais e é a responsável por regular as trocas comerciais entre os países, justamente para evitar disputas entre as nações, sejam elas armadas ou ideológicas, por meio de sanções, multas e bloqueios econômicos em casos pontuais.
Outra medida que foi estabelecida em Bretton Woods foi a inauguração do Fundo Monetário Internacional (FMI). O objetivo da instituição era a reestruturação da nova ordem econômica e ajudar as nações que tiveram seus países arrasados pela guerra e que estavam em posição vulnerável desde a Crise de 1929 a se reerguerem, especialmente em questões de infraestrutura, através do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD).
Como as nações podiam contar diretamente com instituições monetárias internacionais, como o FMI e o BIRD, para resolver questões de crises econômicas e de problemas infraestruturas, a tensão entre os países diminuía, afastando a ideia de novos conflitos mundiais.
Vale mencionar que o FMI e o BIRD, que tinham a nação norte-americana como maior credora desde as suas fundações, ambas em 1944, exigiam medidas de austeridade bastante voltadas ao campo liberal para quitar dívidas contraídas pelas nações – como as privatizações e os cortes em gastos públicos. Dessa forma, tais iniciativas tenderam a beneficiar os EUA e o sistema capitalista naquele momento. Além disso, com os Acordos, o capitalismo se fortaleceu como o modelo econômico mais viável, em escala global, isolando os países socialistas e inviabilizando a participação de economias subdesenvolvidas no cenário mundial.
Apesar do capitalismo ter conhecido o seu apogeu durante os anos de vigência dos Acordos de Bretton Woods (1944 – 1971), o sistema foi quebrado pelo governo norte-americano, quando as reservas de ouro começaram a se esvair rapidamente do país e pelo conflito ideológico contra o sistema econômico da URSS. No próximo tópico, vamos entender a sequência de ações que resultaram na quebra dos Acordos.
O fim do Sistema de Bretton Woods
Na década de 1960, a harmonia entre as nações começava a ser ameaçada, colocando os tratados de Bretton Woods sob prova de fogo, especialmente com o agravamento do conflito entre a União Soviética e os Estados Unidos e as constantes críticas ao sistema capitalista, à produção em massa, ao lastreamento de moedas ao ouro e ao consumo inconsciente.
A derrota militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1965-1975) ameaçou a estabilidade do dólar e ajudou a colocar o sistema de Bretton Woods em vulnerabilidade ainda maior, à medida que as reservas de ouro dos norte-americanos caiaram drasticamente.
Vale lembrar que o dólar tinha paridade com o o ouro, em uma imposição importante de Bretton Woods. Ou seja, o governo dos Estados Unidos prometeu uma conversão fixa de ouro em dólar (aproximadamente 31 gramas do material tinha o valor de 35 dólares). Assim, todas as moedas atreladas ao dólar também fixavam o mesmo valor em ouro.
Em 1971, no entanto, esse pilar de sustentação dos acordos da Conferência foi alterado pelo então presidente Nixon depois que as reservas norte-americanas do minério terem diminuído significativamente, após três décadas de crescimento.
A decisão do presidente, conhecida como Nixon Shock, abalou o que havia sido estabelecido nos Acordos de Bretton Woods, de modo a dar ainda mais destaque ao dólar na economia mundial.
Dessa maneira, as moedas mundiais migraram, lentamente, entre a segunda metade da década de 70 até a entrada no novo milênio, ao câmbio flutuante, trazendo o dólar como referência em detrimento do ouro.
Conferência de Bretton Woods: qual é o legado?
Para firmar de vez a hegemonia dos Estados Unidos no pós-guerra, a Conferência de Bretton Woods adotou o lastro do dólar para moedas internacionais. Isso quer dizer que o ouro, mineral finito e escasso e que era usado para tal função desde a Primeira Guerra Mundial, seria atrelado ao dólar como o lastro – ou conversão – entre transferências internacionais. Isso conferiu à moeda norte-americana um papel de destaque a nível global.
Na década de 70, com a vertiginosa queda nas suas reservas de ouro, o governo dos EUA reconheceu que a proposta de keynes era a mais coerente e determinou s desvinculação da sua moeda do ouro, por problemas de baixa reserva do minério, em um movimento político-econômico que colocaria um fim aos acordos de Bretton Woods. Assim, o dólar permaneceria como câmbio para as moedas internacionais, enquanto as nações optavam pelo câmbio flutuante, que permanece até hoje.
Os Acordos estabelecidos em Bretton Woods tiveram sucesso entre 1945 a 1975, quando o cenário global experienciou crescimento econômico generalizado entre os países desenvolvidos e algumas nações emergentes.
Além disso, as iniciativas políticas e econômicas de Bretton Woods firmaram os Estados Unidos como potência hegemônica no cenário capitalista. Historicamente, esses 30 anos ficaram conhecidos como os anos gloriosos do sistema capitalista.
Diante disso, o legado de Bretton Woods praticamente ditou como seria a economia atual e as instituições criadas no evento permanecem defendidas por economistas de todo o mundo até os tempos atuais, garantindo uma pseudo estabilidade das economias das nações e a paz mundial, pelo menos no plano teórico. Mas as regras mudaram. Ao invés da paridade dólar/ouro que sustentou o capitalismo e mascarou a realidade, a partir ds década de 70, o FMI adotou a fórmula proposta por keynes em 44 e sua paridade passou a ser baseado em uma cesta das principais moedas internacionais, revista pelo FMI a cada cinco anos. Com base na revisão realizada em 30 de novembro de 2015, a cesta dos DES era composta pelas seguintes cinco moedas: dólar estadunidense ($) 41,73%, euro (€) 30.93%, libra esterlina (£) 8,09%, iene japonês (¥) 8,33% e, mais recentemente, o yuan chinês (¥) 10,92%. Os pesos atribuídos a cada uma das moedas na cesta de DES são ajustados de acordo com a sua importância atual em termos de comércio internacional e reservas nacionais de divisas.
REFERÊNCIAS
- John Maynard Keynes -
- História – Bretton Woods
De Bretton Woods à Globalização Financeira: Evolução, Crise e Perspectivas do Sistema Monetário Internacional
Instituições de Bretton Woods

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