O presidente
eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom conciliatório em seu
primeiro discurso, dirigido a integrantes do Partido Republicano em um salão de
baile de Nova York, onde ele passou a noite acompanhando o resultado das
eleições. Durante o tempo em que se dirigiu aos integrantes do partido, foi
interrompido várias vezes com os aplausos do público.
Ele reservou
também algumas palavras para elogiar a conduta de Hillary Clinton ao longo da
campanha. Trump disse que sua adversária do Partido Democrata prestou muitos
serviços ao país durante o período em que foi secretária de Estado, de 2009 a
2013, e também como senadora. Declarou ainda que os Estados Unidos têm uma
"dívida de gratidão" com Hillary Clinton.
Dirigindo-se a
todos os americanos, Donald Trump afirmou que o momento atual é de união.
"É hora de curarmos as feridas da divisão", disse.
Em seu
discurso, reafirmou que pedirá união a todos os democratas e republicanos e que
trabalhará pelos americanos "esquecidos". "Os homens e mulheres
esquecidos não serão mais esquecidos", disse.
Ele disse que
irá reconstruir a infraestrutura do país. Numa referência à criação de
empregos, Trump disse: "Vamos colocar milhões para trabalhar enquanto
reconstruímos [a infraestrutura]", disse. Segundo ele, os Estados Unidos
vão "dobrar o crescimento e ter a economia mais forte do mundo".
Sobre a
relação com outros países, Donald Trump disse que os Estados Unidos vão se
relacionar com os países que estiverem dispostos a manter a
reciprocidade.
Trump classificou
sua campanha como "um incrível e maravilhoso movimento, feito de milhões
de homens e mulheres que amam seu país e querem um futuro melhor". Ele
agradeceu a seus pais, irmãos, mulher e seus cinco filhos. Também agradeceu ao
ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani; ao republicano Ben Carson, que
abandonou a campanha presidencial; e ainda ao serviço secreto dos EUA e às
forças de segurança de Nova York.
Obs. “Há sinais que sugerem que o autor do áudio esteja embriagado ou algo
similar e, ao se expressar faz uso de termos chulos e de baixo calão. Portanto,
sugiro às pessoas mais sensíveis não acessa-lo”.
Ela se
contrapõe a Olavo de Carvalho. Critica fortemente Janaína Pachoal. Compartilha
um meme que diz facilitar a vida das pessoas ao indicar ‘personalidades’ que
devem ser bloqueadas: Kim Kataguiri, Reinaldo Azevedo, Fernando Holiday, Gilmar
Mendes.
Desce a lenha
nos movimentos que arquitetaram o impeachment. Uma “esquerdopata”, certo? Nada
disso. Trata-se de Daniela Schwery, uma ativa participante desses mesmos
movimentos, que divulgava vídeos dessa essa turma toda e era defensora
desse pessoal até ontem. O que está ocorrendo com a direita ‘vencedora’?
Há alguns dias
um áudio do revoltado online Marcello Reis vazou e o que se ouviu foi, além de
seu característico estilo pouco diplomático, aparentemente alterado, uma
lavação de roupa imunda que expõs o estágio atual de guerra declarada entre
aqueles que foram às ruas patrocinados por Fiesp e patota, atingiram o primeiro
objetivo (expulsar Dilma e o PT), mas que depois não encontraram vaga no
camarote.
Reis dirige-se
a Carla Zambelli, do “Nas Ruas”, outra ‘expoente’ verde-e-amarela da avenida
Paulista, como ‘vaca, filha da puta’ e por aí vai. De quebra, cita Daniela
Schwery. Daniela também sai atirando para todos os lados.
“Não deixem
não, amiguinhos, esfreguem na carinha deles que o bonitão da família da Carla,
o cunhadinho querido, com malas de dinheiro é o DONO da OAS e queria contar com
a morosidade da justiça e ministros de bolso para livrar a cara dos
companheiros, o que a Carla bota na prática alinhando e aparelhando os
protestos aos interesses das empresas ligadas a lava jato, como a Suzano, tendo
os Feffers como seu patrocinador – família que está aparelhando a FIESP –
contando com a ajudinha do industrial que não tem indústria, o Skaf, que tem
seu filho casado com a fefferlandia”, escreveu Schwery nas redes sociais,
revelando que ali todo mundo se conhece, tem relacionamento muito próximo. O
‘cunhadinho’ de Carla Zambelli é Bruno Brasil, da empreiteira OAS.
Daniela
Schwery agora se diz ‘empenhada em desmascarar essa gente, em denunciar suas
práticas’. Agora quer posar de indignada, que foi enganada. Daniela Schwery,
Marcello Reis e companhia limitada creem fielmente que somos idiotas ou eles é
que são? Não sabiam de nada?
O áudio de
Marcello Reis o contradiz bem rapidamente. Admite conhecer Carla há muito
tempo. “Muuuuuito tempo”, ele diz. Admite ter tido um convívio próximo ao
cunhado empreiteiro dela durante os anos de luta pelo impeachment de Dilma.
Cunhado que ele afirma ser quem levava malas de dinheiro (e aí, Polícia
Federal, vai chamar o cara para depor?).
Em tempo:
Carla Zambelli postou um esclarecimento em sua defesa (que no pedantismo típico
desse pessoal ela chamou de ‘Nota Oficial’) afirmando que Bruno Brasil é
em ex-cunhado e que não fala com ele ‘desde que começaram as prisões da Lava
Jato’.
Agora querem
dar uma de inocentes? Não sabiam do rabo preso, das segundas intenções? Agora
se referem ao MBL e demais golpistas como ‘bando de moleques’, ‘quadrilhas
financiadas’?
“Então podemos
considerar como Premissa (sic) de que (sic 2) qualquer um que lute contra o
Establishment jamais ganhará popularidade sem o apoio dos senhores do
capital?”, pergunta um aturdido seguidor de Daniela Schwery. “Podemos sim,
infelizmente”, responde ela em tom misto de Margarida Arrependida com Pedro Bó.
O admirador de
Daniela muito provavelmente tenha citado falta de popularidade em referência ao
fracasso de Schwery nas eleições. Ela candidatou-se a deputada estadual pelo
PSDB e não foi eleita. Obteve míseros 1.101 votos. Ela que sempre foi ligada ao
partido tucano, aliada de José Serra, agora publica na internet que o PSDB
‘deveria ser varrido’. Neste ano fez campanha para o Major Olímpio. Melhorou,
hein? Daniela é apoiadora dos militares faz tempo.
A ex-tucana se
esforça para desgrudar-se do cordão umbilical e está em campanha por uma ‘CPI
dos Movimentos Já!’. Diz não sofrer de indignação seletiva e quer investigados
o NAS RUAS, o MBL, CUT, MST. “Acompanhando as últimas notícias, vídeos e áudios
relacionados aos movimentos sociais ficou claro que tem muita coisa errada e
que não se encaixa dentro do contexto político que vivemos. São denúncias que
envolvem partidos políticos, empresas envolvidas na lava jato e muito dinheiro.
Acredito que os envolvidos devam se pronunciar e colocar tudo em pratos limpos,
caso contrário seremos a piada da esquerda”, postou ela e completou: “Não temos
bandidos de estimação.”
É curioso ver
a direita se batendo. Além da profundidade típica dos debates ‘políticos’
(se xingam, ameaçam, agridem fisicamente, ofendem, carregam argumentos
rasteiros, são reativos emocionais sem um pingo de respeito pelo contraditório)
é fundamental, entretanto, saber quais interesses deixaram de ser atendidos
para declararem guerra desse jeito.
Como louvaram
e idolatraram empresas e pessoas com a ficha tão suja durante tanto tempo e
agora vêm com esse mimimi auto-acusatório? É o roto falando do remendado.
Dizer que só
descobriu hoje que ‘Janaína Paschoal é uma articuladora para blindar o PSDB’ e
que tudo nasceu com o propósito de brecar a Lava Jato é um 171 fajuto demais.
Até para a direita golpista.
Por uma CPI
dessa pilantragem.
*Sobre o Autor
- Jornalista, escritor e fotógrafo nascido em São Paulo.
O candidato do
Partido Republicano, Donald Trump, venceu as eleições presidenciais nos Estados
Unidos, de acordo com os resultados provisórios divulgados hoje (9). A
candidata democrata Hillary Clinton já ligou para Trump e deu os parabéns pela
vitória. A informação foi confirmada por ele, em seu primeiro pronunciamento
como presidente eleito.
Nascido em 14 de junho de 1946 no bairro nova-iorquino do Queens, Trump é o
quarto dos cinco filhos de Fred Trump, um construtor de origem alemã, e Mary
MacLeod, uma dona de casa de procedência escocesa. Casou-se em 2005 com Melania
Trump. Antes disso, ele foi casado e se divorciou de Maria Trump e Ivana Trump.
Com Melania, tem um filho chamado Barron. Com Maria, a filha Tiffany, com quem
se reconciliou recentemente, depois de um relacionamento conturbado. Com Ivana,
ele tem três filhos, Eric, Ivanka e Donald, que ocupam funções de comando em
suas empresas.
Bilionário
Fred Trump
morreu aos 93 anos, em 1999, deixando para Donald uma fortuna de US$ 250
milhões. Porém, os biógrafos consideram que Donald Trump já era milionário 20
anos antes, quando iniciou a compra de vários edifícios em Nova York. Essa foi
uma fase ascendente da vida do empresário porque ele comprou, em 1983, um
antigo prédio que depois se transformou no Trump Tower, e também o Trump Plaza,
e vários cassinos em Atlantic City, no estado de Nova Jersey.
Com
maioria em estados decisivos, Trump é eleito presidente dos Estados Unidos
O empresário
Donald Trump será o 45º presidente dos Estados Unidos da América. Ele alcançou
os 276 votos de delegados do colégio eleitoral na madrugada de hoje (9), depois
de uma acirrada disputa com a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton.
Trump assegurou maioria em estados decisivos como a Flórida, Carolina do
Norte, Ohi e a Pensilvânia. Ele assumirá o cargo em 20 de janeiro.
Donald Trump
declarou na manhã de hoje (9), em seu primeiro discurso como presidente eleito,
que Hillary Clinton telefonou para ele para cumprimentá-lo, admitindo a
derrota.
A vitória de
Trump encerra uma das campanhas mais polarizadas da história recente dos
Estados Unidos. A campanha foi marcada por acusações mútuas, envolvendo a vida
pessoal dos candidatos e atingiu o auge quando um vídeos, de 2005, mostrava o
candidato do Partido Republicano usando palavras desrespeitosas para se referir
às mulheres. O resultado eleitoral surpreende proque contraria as últimas
pesquisas que mostraram Hillary Clinton com ligeira folga na liderança da
corrida eleitoral.
Os mercados
financeiros desabaram em todo o mundo com a notícia da vitória de Donald Trump.
O índice Nikkei do Japão caiu mais de 800 pontos, ou seja quase 5%. O índice da
bolsa de Hong Kong perdeu 650 pontos, ou 2,8%. Enquanto isso, o peso mexicano -
que já apresentava um comportamento frágil quando o candidato republicano subiu
nas pesquisas durante a campanha - agora caiu para um mínimo de oito anos, de
acordo com a agência de notícias Bloomberg. As aplicações financeiras estão se
transferindo para o ouro. O peso mexicano está em queda livre.
Algumas
emissoras de televisão nos Estados Unidos mostraram a população mexicana, em
praças públicas, acompanhando com preocupação e tristeza a evolução da contagem
de votos e já pressentindo a vitória de Donald Trump. O México foi um dos
principais alvos dos ataques de Trump ao longo da campanha. Em agosto de 2015,
ele defendeu a construção de um muro na fronteira com o México, financiado pelo
governo mexicano, para evitar a entrada nos Estados Unidos de imigrantes
ilegais e traficantes.
Em setembro de
2016, na tentativa de fazer uma política de boa vizinhança, o presidente do
México, Enrique Peña Nieto, convidou o candidato Donald Trump para visitar o
país. Trump aceitou o convite e se comportou como chefe de nação e não como
candidato, ocupando o centro das atenções do cerimonial mexicano e colocando
Peña Nieto em segundo plano. A visita de Trump acabou sendo um constrangimento
para o presidente mexicano, que recebeu muitas críticas da oposição.
Logo após o
encerramento das votações, a diferença entre Donald Trump e Hillary Clinton já
aparecia muito pequena, indicando que as expectativas dos democratas de
derrotar facilmente Donald Trump estavam assentadas em bases fora da realidade.
A tendência de vitória do republicano ficou mais acentuada às 23h30 de ontem
(8), quando o candidato foi declarado vencedor na Flórida. Só aí Trump garantiu
29 votos a seu favor no colégio eleitoral.
Depois disso,
quando os votos computados na Carolina do Norte e em Ohio indicavam vitória de
Donald Trump, os assessores da campanha de Hillay Clinton começaram a ficar
alarmados com a iminente derrota. Toda a estratégia que eles montaram para
ganhar em Ohio, que fica na região Centro-Leste dos Estados Unidos, e mais os
estados do Sul, fracassou. Ohio é um estado "oscilante", que sempre
indica o vencedor das eleições norte-americanas. Restava porém a Pensilvânia,
que fica na região Centro-Atlântico. Mas lá também Hillary perdeu. Com isso,
desmoronou o que restava de estratégia eleitoral de Hillary.
*Com informações da Agência Lusa e do correspondente da Agência Brasil José
Romildo
A Câmara dos
Deputados aprovou ontem (8) a Medida Provisória (MP) 741/16, que transfere às
instituições privadas de ensino superior a responsabilidade pelo pagamento aos
bancos dos encargos decorrentes da concessão do Fundo de Financiamento ao
Estudante do Ensino Superior (Fies) aos estudantes. De acordo com a MP, a
remuneração será de 2% sobre o valor dos encargos educacionais liberados. A MP
será agora encaminhada para apreciação do Senado.
Antes da MP, o pagamento dos encargos era bancado pela União. A lei que criou o
Fies estabeleceu a remuneração de 2% aos bancos sobre o valor dos encargos
educacionais liberados. Para o governo, a instituição de um modelo de
financiamento estudantil com maior participação das instituições de ensino,
beneficiadas no custeio do programa, irá fortalecer o fundo.
A MP que foi aprovada hoje pela comissão especial precisa ser votada pelo
Senado até o próximo dia 11, sob pena de perder a eficácia e ser arquivada. A
aprovação da MP foi possível graças a acordo firmado entre os líderes
partidários para que não houvesse obstrução à votação e retirassem do texto
aprovado pela comissão mista dispositivos que permitiam a inscrição do aluno
inadimplente nos cadastros de inadimplência federal (Cadin) e outros de
restrição de crédito de abrangência nacional.
Pré-sal
Com a discussão e votação das MPs do Fies e a que flexibiliza o horário de
transmissão do Programa a Voz do Brasil, o presidente da Câmara, deputado
Rodrigo Maia (DEM-RJ), transferiu para amanhã a votação dos dois destaques
ao projeto de lei do Senado que altera as regras de exploração do petróleo do
pré-sal. O projeto desobriga a Petrobras de ser operadora exclusiva da camada
Pelo exposto
nesta Nota Técnica, fica claro que a PEC 241 impactará negativamente o financiamento
e a garantia do direito à saúde no Brasil. Congelar o gasto em valores de 2016,
por vinte anos, parte do pressuposto equivocado de que os recursos públicos
para a saúde já estão em níveis adequados para a garantia do acesso aos bens e
serviços de saúde, e que a melhoria dos serviços se resolveria a partir de
ganhos de eficiência na aplicação dos recursos existentes. Ademais, o
congelamento não garantirá sequer o mesmo grau de acesso e qualidade dos bens e
serviços à população brasileira ao longo desse período, uma vez que a população
aumentará e envelhecerá de forma acelerada. Assim, o número de idosos terá
dobrado em vinte anos, o que ampliará a demanda e os custos do SUS.
Caso seja
aprovada, a PEC 241 tampouco possibilitará a redução das desigualdades na
oferta de bens e serviços de saúde no território nacional. Não só não haverá
espaço no orçamento para tanto, como o teto das despesas primárias, em um
contexto de aumento acelerado das despesas previdenciárias, levaria a um
processo de disputa das diversas áreas do governo por recursos cada vez mais
escassos. Como o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, a redução do
gasto com saúde e dos gastos com políticas sociais de uma forma geral afetará
os grupos sociais mais vulneráveis, contribuindo para o aumento das
desigualdades sociais e para a não efetivação do direito à saúde no país.
Não se
desconhece o problema da queda da arrecadação e da crise econômica no país. O
que se espera é que a solução para o déficit público seja pensada de acordo com
as suas reais e diversas causas. A proposta de um ajuste fiscal focado
exclusivamente nas despesas primárias, por vinte anos, afeta particularmente as
políticas sociais e desconsidera o efeito de tal medida para o desenvolvimento
econômico e social do país no médio e longo prazos.
É possível
melhorar o desempenho da administração pública no Brasil e, por conseguinte, do
SUS, mas é necessário haver decisão política para implementar medidas que
promovam o uso eficiente dos recursos em toda a federação. Não parece crível
que os recursos do SUS possam ser reduzidos na atual situação e que se possa ao
mesmo tempo melhorar sua eficiência. É preciso investir em pessoas e
tecnologias, além de melhorar a infraestrutura do sistema, algo difícil de
fazer no curto prazo. Para tanto, é necessário alocar recursos.
Por fim, o que
se espera é que a PEC 241 seja amplamente debatida e que seus efeitos sejam
avaliados não apenas para a economia, mas acima de tudo para as pessoas, para
os 206 milhões de cidadãos do país. Essa mudança constitucional reduzirá o grau
de liberdade da política fiscal dos dois próximos mandatos presidenciais, e não
deveria ser aprovada sem um amplo debate. Que visão de futuro se tem para o
Brasil? Espera-se ter um país socialmente mais desenvolvido daqui a vinte anos?
Então é preciso refletir sobre os impactos de uma decisão que ocasionaria o
desfinanciamento de políticas que promovem a saúde e a inclusão social no país.
A Social-democracia é
uma ideologia política surgida no fim do século XIX a partir de uma cisão
interna do socialismo. É difícil chegar a uma definição precisa do que é
que defendem os sociais-democratas, uma vez que as elaborações teóricas de
grupos e indivíduos que se identificam com esse termo foram se alterando
através da história. Como essa ideologia sempre esteve ligada a ideia de
necessidade de representação partidária, a definição do que se entende como
social-democrata acaba dependendo muito da interpretação que tem o partido que
adota esse termo.
Quando surgiu,
dentro do movimento operário de caráter marxista, a social-democracia
apontava para a importância de conquista da democracia através da
universalização do voto e da possibilidade de participação política por meio de
assembleias populares. Nesse período, os social-democratas também defendiam a
necessidade de ampliação da democracia para além da esfera política, apontando
para a emancipação da classe trabalhadora e a ruptura com o sistema de classes
sociais(o que significaria também a realização da democracia na esfera
econômica). Aos poucos, esses partidos ganharam mais adeptos, conquistando
espaço nos parlamentos europeus, sobretudo na Alemanha. O crescimento e a
massificação desses partidos trouxe algumas consequências; como a necessidade
de compor alianças com outros setores (não só a classe operária) e o
distanciamento entre a base dos partidos e os seus dirigentes, estes último
tornando-se cada vez mais alinhados aos interesses da burguesia.
Até meados da
década de 1910 os partidos social-democratas ainda se reconheciam – e eram
reconhecidos – como partidos revolucionários. No entanto, o início da I Guerra Mundial – quando os social-democratas apoiaram os dirigentes de
seus respectivos países – e o sucesso da revolução bolchevique na Rússia, mudam
o cenário, provocando uma divisão dentro do socialismo. De um lado, os comunistas,
influenciados por Lenin e pela Revolução Russa, continuaram a
defender a necessidade de uma revolução que rompesse de forma radical com o
modo de produção capitalista. De outro lado, os social-democratas
argumentaram que, através da via partidária, seria possível promover uma série
de reformas dentro do capitalismo, pequenas conquistas que poderiam se acumular
até a vitória do socialismo em si. Para esses últimos, o comunismo representava
uma forma autoritária do socialismo, enquanto a social-democracia seria sua
face democrática. Entretanto, com o tempo, o foco nas pequenas reformas e a
constante preocupação de garantir a representatividade nos parlamentos, foram
fazendo com que o horizonte socialista fosse se afastando das perspectivas
social-democratas. Ainda assim, deve-se notar que elas foram responsáveis por
muitos ganhos para a classe trabalhadora europeia.
Ao final da II Guerra Mundial, a social-democracia começa a ganhar outros sentidos,
afastando-se definitivamente da perspectiva de ruptura com o capitalismo. O
dilema entre reforma e revolução deixa de ser o centro do debate e os partidos
social-democratas passam a se diferenciar dos declaradamente liberais apenas
pela sua defesa do Estado de bem-estar social. Nos dias de hoje,
normalmente são partidos que se localizam no centro do espectro político e se
diferenciam da direita pela importância que dão a necessidade de defesa do meio
ambiente, dos setores mais vulneráveis da sociedade, dos direitos trabalhistas
e da regulamentação do mercado. Alguns países com ampla tradição
social-democrata são a Alemanha, Holanda, Grã-Bretanha, Nova Zelândia e
Bélgica.
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