Se você sente fome, frio ou dor e
precisa de ajuda, o que fazer? Imagine você impossibilitado de dizer o que
quer, o que precisa? Se conseguiu imaginar, então entendeu um pequeno fragmento
do mundo de uma pessoa com autismo.
“O autismo me prendeu dentro de um
corpo que não posso controlar”, disse Carly Fleishmann. A menina canadense
quebrou uma espécie de barreira invisível e descobriu, aos 10 anos de idade,
como mostrar aos pais o que queria. Mesmo sem ter aprendido a escrever, Carly
encontrou no teclado de um computador a voz que lhe faltava.
Os comportamentos típicos do autismo
continuavam, entre eles gritar, balançar os braços violentamente e realizar
movimentos repetitivos. No entanto, esse comportamento passou a ter uma
explicação: “Se não fizer isso, parece que meu corpo vai explodir. Se pudesse
parar, eu pararia, mas não há como desligar. Sei o que é certo e errado, mas é
como se estivesse travando uma luta contra o meu cérebro”, disse.


