sábado, 3 de junho de 2017

Violência não é fruto da pobreza, mas a colheita da desigualdade social


Como um brasileiro enxerga a Holanda. "Pescado" no Facebook

Algumas pessoas idealizam a Holanda como um lugar paradisíaco. Nada mais longe da verdade; as ‘terras baixas’ não são nenhum paraíso e têm diversos problemas. E nada, também, comparável ao que acontece com o Brasil e em relação ao resto do mundo, de uma maneira geral. Por isso, é tão didática (e deliciosa) essa narrativa de Daniel Duclos, o Daniduc, um ‘brazuca’ que vive por aquelas bandas.


Limpe você mesmo o seu banheiro

A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade.

Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem. Há censura e desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como Norte na bússola social holandesa.

Um porteiro na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor “doutor”. Todos trabalham, levam suas vidas normalmente e cada profissão é tão digna quanto à outra.

Fora do expediente nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heineken juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima.

A profissão não define o valor da pessoa, trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos.

Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.

Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto.

Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1.300 euros por mês. Um bom salário de profissão especializada fica de uns 3.500 a 4.000 euros mensais.

E ganhar mais do que alguém não torna esse alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando.

Todos ali estão em uma equipe, da qual você faz parte tanto quanto os outros, mesmo que a sua função dentro do time seja o de tomar decisões.

Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade.

Entre os brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum, há exceções, estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos. O chefe não te olha de cima e o garçom não te olha de baixo.

Brasileiros quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializada do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?

Descendo do pedestal                         

Os salários pagos para profissões especializadas no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time.

Os salários pagos à mesma profissão na Holanda não são suficientes pra esse luxo e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague bem mais do que pagaria a um ajudante no Brasil, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poeirinha sua, servindo cafezinho.

É assim: eles vêm, dão uma ajeitada e se mandam para cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você.

De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio e, pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável, seja por mérito de ter “estudado mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade.

Porém, a igualdade social holandesa tem outro efeito que é muito atraente pra quem vem de uma sociedade profundamente desigual como a do Brasil: a relativa segurança.

Igualdade social

É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência, pessoas são assassinadas, há roubos. Nessa comparação, “menos violenta” não quer dizer “não violenta”.

O curioso é que aqueles brasileiros que se queixam amargamente de limpar o próprio banheiro elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas.

Violência social não é fruto de pobreza; violência social é colheita da desigualdade social.

A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade.

Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um MacBook de 1.400 euros no ônibus sem medo.

Vá limpar seu banheiro!

Eu, pessoalmente, acho excelentes os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não tem qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito.

Não enxergo superioridade moral num trabalho honesto sobre outro, não importa qual. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei”, pois não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não.

O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior mas não te torna superior a quem não tenha estudado – por opção, ou por falta dela. Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser o dono da cocada preta.

Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem qualquer relação com valor pessoal.

Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde.

Limpar o banheiro é um preço a ser pago pela saúde social. E um preço bastante barato, na verdade.

Ex-deputado Rocha Loures é preso em Brasília


No pedido de prisão, Janot diz que ex-parlamentar é o executor das ordens de Temer

O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures foi preso na manhã deste sábado, segundo informou a Polícia Federal. Ele foi preso em sua casa em Brasília.

O Ministério Público Federal reapresentou o pedido de prisão de Rocha Loures na quinta-feira, depois que foi formalizada a posse do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) que saiu do Ministério da Justiça e retornou à Câmara. Com a posse de Serraglio, Loures perdeu a vaga por ser apenas suplente de deputado.

No pedido de prisão, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que Rocha é "verdadeiro longa manus do presidente Michel Temer". A expressão em latim é usada para descrever aquele que atua como executor das ordens de outro.

Em sua defesa, o ex-deputado argumentou que o novo pedido de prisão é uma forma de pressioná-lo para fazer delação premiada. “Por que não diz a verdade, isto é, que quer a prisão para forçar uma delação, como tem sido usual nos últimos tempos?”, questionou o advogado Cezar Bitencourt na peça encaminhada ao relator da Lava-Jato, ministro Edson Fachin.


Em depoimento de delação, o dono da JBS Joesley Batista afirmou que Rocha Loures foi indicado pelo presidente Michel Temer para tratar de assuntos de interesse da empresa. O ex-deputado foi flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil em propina da JBS, em ação controlada da Polícia Federal.

Do G1.com

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Tabocas - ST – big bem – o início


Por Antonio Luiz Carlini escrito em 14/09/1997 publicado em 02/06/2017

Tudo era mata, MATA ATLÂNTICA maculada apenas por algumas picadas, por onde passaram os agrimensores e seus auxiliares. Sendo que já se passavam quinze anos, desde os primeiros lotes de terras, já estarem ocupados no Município, em Caldeirão por Carlini, duas famílias, Corteletti, três famílias, Zanotti, três famílias, Degásperi uma família e, em Tabocas só a Ziviani, mas ainda pensando estar em Caldeirão, devido terem acessado aos lotes, subindo pelo Vale do Rio Santa Maria e seus afluentes, quando Giácomo Corona, também vindo por aquela direção, recebeu e ocupou seu lote, seis quilômetros abaixo da nascente do Rio do Vale das Tabocas.

Foram informados, Giácomo e esposa, serem os primeiros a entrar naquele baixio do Vale, entre a primeira e a segunda cachoeira das Tabocas. 

Passaram-se quase três meses, desde a ocupação dos lotes, quando começou escassear demais os víveres para a sobrevivência, com alimentos, que combinados com caça e pesca, duraram mais, além de que, palmitos, ajudaram muito. Porém, nos dias sagrados, quando não trabalhavam na derrubada ou plantio de vegetais, como hortaliças e cereais, cuja colheita era planejada para menos de seis meses, a alimentação deles corria perigo, dada a distância que estavam do Patrimônio dos Polacos – Hoje Santo Antonio do Canaã – ou Boapaba, ou então Itapina, lá na margem direita do Rio Doce. Naquelas circunstâncias, caçar e pescar mantinha-os, mas a busca por palmito melhor, inclusive frutos de palmeiras, aos quais sabia o patriarca Corona serem comestíveis, por que observava os porcos selvagens, as cutias, os primatas, além das gordurosas antas e capivaras, deles se alimentarem. 

Em uma daquelas entradas pela MATA, seguindo na direção sul, depois que deixou seu barraco, naquela época, moradia, afastou-se da clareira já aberta, mais do que das vezes anteriores que o fizera. Estando no Alto de encosta, onde atualmente, esta a Capela de Nossa Senhora Auxiliadora – Tabocas -, Giácomo Corona ouviu o canto de um galo doméstico. Som vindo de um ponto mais baixo, mas bem próximo donde estava a concentração das Tabocas – taquara extinta no local -. Resolveu que almoçariam frango, pois, em sua concepção, alguém, dentre os colonizadores, havia perdido um galo, picadas afora. Foi se aproximando de onde vinha o som produzido pelo galo e ouviu um latido de cão. Irritou-se ao lembrar que ao receber o lote, as autoridades imperiais brasileiras lhe garantiram não haver lobos ou cães selvagens nas florestas capixabas. Empunhou a espingarda. Engatilhou, pois, sabia que agora teria que disputar aquele galo com os possíveis caninos, espreitando-o sob a árvore, onde ao certo o galo perdido se havia empoleirado para escapar aos predadores selvagens.

Aproximando-se mais, sem ter ainda localizado o galo pretendido, foi descoberto pelo cão doméstico que mais o recepcionava do que ameaçava. Tendo o cão seguido em retorno para a direção de onde viera, Corona o seguiu e visualizou a clareira, um barraco semelhante ao seu e crianças italianas naquele terreno sem vegetação o observando. O galo correu esconder-se no outro lado da cabana e foi acompanhado por umas galinhas. Quando uma das crianças gritou chamando pelo pai que no momento estava fora da clareira, aumentando a estradinha de acesso à margem do Rio Tabocas, ainda servindo-lhes de área de serviço e água para uso doméstico. Por uma abertura na cabana, à guisa de porta, saiu uma senhora jovem, que lhe acenou em cumprimentos italianos e do outro lado apareceu aquela caricatura de Bandeirante, só que muito mais jovem do que Domingos Borba Gato - O ANHANGUERA -. 

Era o encontro de Giuseppe Baptisti com seu primeiro vizinho de Tabocas, o pioneiro Giácomo Corona, este que depois de atravessar dois lotes, os quais, posteriormente couberam a Henrique Ferrari e Giocondo Zamprogno.
Por longo tempo conversaram. E entre os assuntos, surgiu a necessidade de ambos em mais encontros para as rezas, juntando as duas famílias, enquanto que ainda não se ajeitavam para planejar uma Capela, que só foi possível quando mais famílias chegaram, tais como os Loss, (quatro clãs), Zamprogno, Ferrari, Thommasini, Passamanai, Sperandio, Stinghel e outra vinda de Coser, por que os pioneiros estavam em Caldeirão. 

Entretanto, dedicaram algum tempo fora de suas roças, para abrir a picada, subindo o Vale do Rio, transpor o Divisor de águas e acessar mata adentro, as cabeceiras do Rio São Lourenço, para chegarem mais fácil ao Núcleo Antonio Prado, onde já havia concentração de italianos querendo também, melhorias como eles nas condições de vida, já que as autoridades brasileiras os desassistiam por completo.
Giuseppe Baptisti, um dos pioneiros de Tabocas, fez muito esforço físico para a existência da Estrada Velha de Tabocas, pois, para alimárias de tropas, tinha que ser mais larga, agilizando a passagem dos lotes de café, ligando-a com Santa Teresa – Antigo Núcleo Antonio Prado ou Núcleo THIMBUHI. Porém, menos de trinta anos depois, estava ele ás voltas com esforço físico e financeiro para realizar uma estrada para caminhões, já que a de Santa Teresa e Figueira de Santa Joana –Itarana – se concluía. 

TABOCAS = Espécie de taquara. Origem do nome= Tupi-guarani. O Vocábulo compõe-se de uma frase dos aborígenes, unindo taba, coletivo de casas e oca, a casa, pois, o Padre José de Anchieta escreveu que no original, seria o certo dizer tabaóca! Por que aquelas taquaras abrigavam inúmeras espécies dos animais silvestres do Vale.

ANHANGUERA = Diabo Velho! Anhangá, o espirito mau, que existe há muito tempo!

DOMINGOS BORBA GATO = Bandeirante Paulista que incendiou aguardente para amedrontar os silvícolas reticentes em lhe mostrar onde se iniciava o filão de Ouro nas Minas Gerais!


Quer queira ou não, os historiadores que passaram por Universidades, por mais que trabalharam em suas pesquisas, não conseguiram ver o brilho da alma, nos olhos de nossos colonizadores chorando a saudade da Itália ou Alemanha, com especial atenção aos pais que lá ficaram, por que não aguentariam a fatídica viagem!

Aspectos da psicologia na Hanseníase


Por Deisi Laiane* no blog oficial da DAHW Brasil
A descoberta de uma doença gera muitos impactos na vida de uma pessoa, como somos únicos, cada um vai reagir de acordo com a sua singularidade, porém na maioria dos casos poderá vir acompanhada de muita ansiedade, angústias e dúvidas, esses sentimentos são geralmente ainda maiores pela falta de informação gerando assim o medo do desconhecido. No caso da Hanseníase esses sentimentos são reforçados pelos estigmas e preconceitos que existem em relação à doença, tendo um impacto ainda maior na vida do indivíduo.

A Hanseníase é uma doença que existe a muitos séculos, representando ainda nos dias atuais um problema de saúde pública devido à grande prevalência da doença. Conhecida antigamente como “Lepra”, se tinha pouco conhecimento sobre ela, seja a sua causa, tratamento ou cura.

Naquela época os pacientes eram isolados do restante da sociedade e passavam a viver nos antigos leprosários, muitos viveram nestes locais até o fim da vida. Essas pessoas além de isoladas conviviam com a rejeição e o preconceito da sociedade, pois essa doença era vista por muitos por um cunho bastante religioso, onde era justificada como um “castigo divino”.

Muita coisa mudou, hoje já se sabe a sua causa e o tratamento para se chegar à cura, no entanto ainda existem estigmas e preconceitos que permeiam a doença; muitas vezes causados pela falta de informação , um exemplo disso são as duvidas quanto a transmissão, algumas pessoas não sabem que o paciente que está em tratamento não mais a transmite, dessa forma se afastam com medo de serem acometidas pela doença.

Muitos ao serem diagnosticados sentem vergonha, então não contam para seus familiares nem amigos, enfrentam sozinhos, pelo medo de serem rejeitados ou isolados, tornando assim o processo muito mais doloroso.

Dessa forma, se torna muito importante um acompanhamento psicológico, além da presença de outros profissionais de saúde, onde teriam um papel importante desde o momento do diagnóstico, onde poderiam contribuir para amenizar as angústias que surgirem, seja tirando dúvidas quanto à forma de tratamento, de transmissão, podendo também esclarecer mitos e preconceitos que existe em torno da doença.

No enfrentamento de uma doença, como a Hanseníase, se torna fundamental um espaço, onde o paciente possa falar das suas fantasias e medos. Um espaço em que principalmente se sinta ouvido e acolhido. Outra forma eficiente de se trabalhar com os pacientes é através da terapia em grupo, onde permite a troca de experiência, onde um vai aprendendo com o outro, tanto sobre a doença, quanto as maneiras diferentes de enfrentá-la.

Se torna também interessante realizar um trabalho com os próprios profissionais que estão envolvidos no acompanhamento dos hansenianos , para reavaliarem alguns preconceitos que possam existir, e que de alguma maneira possa interferir no tratamento do paciente.

É necessário a realização de um trabalho também com os familiares, comunidade e
com a sociedade de maneira geral, pois quanto mais pessoas tiverem esclarecimentos, e o conhecimento correto sobre a hanseníase, menor será o preconceito, além de contribuir para o diagnóstico precoce, evitando assim as possíveis sequelas.

O importante é o engajamento de todos, seja comunidade, seja profissionais de saúde, todos que puderem multiplicar as informações, formando assim uma rede que cresça cada vez mais, permitindo que ocorram as mudanças necessárias.

*Deisi Laiane – Psicóloga

Feira em São Paulo apresenta novas tecnologias para pessoas com deficiência


Um carro acessível, que proporciona autonomia total para motoristas usuários de cadeiras de rodas, é um dos produtos para pessoas com deficiência que estão sendo apresentadas, de hoje (2) a domingo (4), na 15ª Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Reatech), na São Paulo Expo, localizada na Rodovia dos Imigrantes, na capital paulista.

Além do carro. estão sendo mostrados um dispositivo que possibilita alinhar a prótese com mais perfeição, um joelho biônico à prova d'água e um espaço para equoterapia, método que utiliza o cavalo como agente motivador para ganhos físicos e psicológicos.

Nesta edição, a feira conta com 300 expositores e espera atrair 52 mil visitantes. Segundo dados da organização do evento, com base na Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência (Abridef), produtos e serviços voltados para esse setor movimentam um mercado de R$ 5,5 bilhões por ano.

Entre os produtos que estão sendo lançados este ano na feira está a Lysa, um cão-guia robô. “A ideia surgiu quando fui professora de uma escola pública. Lá eu dava aula de robótica e uma aluna me falou: 'professora, e se fizéssemos um cachorro?'. Comecei a imaginar para que ele serviria e pensei que poderia ajudar muita gente. Comecei a entrevistar uma aluna, que tinha deficiência visual, para me falar sobre as dificuldades do dia a dia e ela me contou que eram os objetos aéreos. Grande parte dos deficientes visuais tem cicatriz no rosto porque a bengala não pega esse obstáculo”, contou Neide Sellin, 37 anos, fundadora da empresa Vixsystem, responsável pelo robô. O cão-guia robotizado, segundo ela, foi produzido por uma equipe de pesquisadores e contou com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O cão-guia robô detecta os obstáculos e avisa os deficientes visuais sobre essas dificuldades, por meio de mensagens sonoras tais como “objeto à frente” ou “obstáculo à direita”. Ele pesa em torno de 2,5 quilos, é portátil, equipado com sensores e tem uma bateria recarregável, que dura em torno de oito horas. A Lysa, explicou Neide, é totalmente autônoma. “O usuário não a empurra. Ela anda sozinha. Ela tem motores que andam à frente do usuário. Ela encontra os obstáculos e vai desviando deles”, explicou. A cão-guia Lysa custa hoje R$ 6,95 mil.
Segundo Neide, o cão-guia robô vem suprir uma necessidade, principalmente porque há poucos cães-guias no Brasil. “No Brasil, há 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual e apenas 100 cães-guias”, disse ela, em entrevista à Agência Brasil.

Cadeira infantil
Ana Paula, 3 anos, filha da fisioterapeuta Fernanda Cristina Teixeira, 35 anos, foi a inspiração para que ela e o marido desenvolvessem uma cadeira de rodas infantil, bem próxima ao chão, permitindo que a criança pegue seus brinquedos e explore o ambiente. “Temos uma filha que, aos 8 meses, teve uma lesão medular e começamos a ver que ela estava em uma fase em que não conseguia se deslocar e era primordial começar esse tipo de deslocamento, até mesmo para seu aprendizado. Começamos a procurar e não existia nada no Brasil desse tipo. Então, resolvemos botar a mão na massa para fazer uma cadeira, um carrinho, ou algo que pudesse atender às necessidades dela”, contou.

A cadeira, da empresa que eles criaram, a Fly Children, é voltada para crianças de 1 a 4 anos que tenham deficiência motora, principalmente no membro inferior, ou doenças que acarretem dificuldades para que ela fique em pé ou sentada, sem apoio. A cadeira é feita em espuma de poliuretano e pesa em torno de 8 quilos.
“A criança toca sozinha a cadeira. Ela tem a capacidade de tocar com os braços ou com as mãos porque é uma cadeira leve, de fácil manuseio. Nossa ideia não é que os pais empurrem a criança, mas que ela tenha essa independência e possa se deslocar pela casa”, explicou. A cadeira custa R$ 1,5 mil e, a cada venda, Fernanda doa uma para alguma família de baixa renda.

Atletas
O primeiro dia da feira atraiu vários atletas brasileiros consagrados, como a ex-ginasta Laís Souza, que ficou tetraplégica em 2014 após sofrer um acidente treinando para as Olimpíadas de Inverno, e o nadador aposentado Clodoaldo Silva, vencedor de 14 medalhas paralímpicas. Eles foram bastante procurados para fotos durante o evento.

O estudante João José Paulino, 19 anos, é uma das pessoas que aguardaram para tirar foto ao lado da ex-ginasta. Aos 17 anos, ele sofreu um acidente de carro que o deixou tetraplégico. Paulino saiu da cidade de Paranaíta, no norte de Mato Grosso, para visitar a feira pela primeira vez. Uma das coisas que mais chamou a atenção dele foi o carro que pode ser conduzido por quem está em cadeira de rodas. “Ele dá bastante independência para a gente. Ele não tem um preço acessível, mas se tivemos condições, queremos”, disse. “Há muitos produtos novos aqui para melhorar a vida da gente. Estamos aqui para viver e ser feliz. Então, é tocar pra frente”, acrescentou.

Para Laís Souza, além da venda e apresentação de produtos, a feira é também uma forma de expressão. “É uma forma de fazer com que os deficientes, os cadeirantes, abram a mente e os conhecimentos para estar próximos de uma vida mais simples, mais prática e adaptada”, disse a ex-ginasta, que contou à reportagem que seu tratamento vem evoluindo bem. “Estou melhorando, acho. Pelo menos minha saúde está melhor, estou um pouco mais forte para encarar o dia a dia. Muitas vezes, acabo ficando mal, sentindo alguma dificuldade, mas está indo. Estou trabalhando bastante”,afirmou.

Veterano das piscinas e da feira, que costuma visitar sempre, Clodoaldo Silva disse que, apesar dos avanços, as pessoas com deficiência ainda se ressentem de produtos e mecanismos para que tenham mais acessibilidade em todo o mundo. O “tubarão” das piscinas, como foi apelidado, lembra que grande parte dessa tecnologia ainda não está disponível para todas as pessoas com deficiência.

Ele observou que infelizmente, [essa tecnologia] ainda não está acessível para a maioria das pessoas com deficiência, que o país vive atualmente uma crise sem precedentes e as pessoas com deficiência sofrem com esse desafio. “Mas acredito que essas condições podem evoluir, melhorar, para, aí sim, um dia, quem sabe, essa tecnologia e essa acessibilidade estarem disponíveis para todos”, ressaltou.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Janot pede ao Supremo prisão preventiva de Rodrigo Rocha Loures


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu, novamente, hoje (1º) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), flagrado pela Polícia Federal (PF) recebendo uma mala com R$ 500 mil na Operação Patmos, investigação baseada na delação premiada da JBS. O pedido foi feito após o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio voltar para o cargo de deputado federal. Com o retorno, Loures, que era suplente de Serraglio, perdeu o foro privilegiado.

No recurso, Janot afirma que a prisão de Loures é “imprescindível para a garantia da ordem pública e da instrução criminal”. O procurador justifica que há no inquérito aberto pelo Supremo escutas telefônicas e outras provas que demonstram que Loures atuou para obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

A decisão sobre o pedido de prisão será avaliada pelo ministro Edson Fachin, relator da delação da JBS no Supremo.


A Procuradoria-Geral da República havia feito, no dia 18 de maio,  um pedido de prisão preventiva de Rocha Loures quando ele era deputado federal. No mesmo dia, Fachin negou o pedido, mas afastou o parlamentar do cargo, mantendo suas prerrogativas, como o foro privilegiado.

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