terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Crise dos Mísseis de 1962



Por Antonio Gasparetto Junior

A Crise dos Mísseis de 1962  gerou no mundo um enorme estado de tensão por causa das ameaças feitas entre os Estados Unidos e a União Soviética, as duas grandes potências à época. O episódio envolveu armamento nuclear e deixou a humanidade perto de uma nova guerra mundial.

A Segunda Guerra Mundial foi vencida pelos Estados Unidos e pela União Soviética, entretanto passaram a ocupar lados opostos ideologicamente no mundo. Com o fim da Segunda Guerra Mundial teve então início a Guerra Fria, a qual colocava de um lado os seguidores da ideologia capitalista dos Estados Unidos e de outro lado os seguidores da ideologia socialista da União Soviética. O armamento das duas potências mundiais era enorme e altamente destruidor, o que impedia um confronto direto entre elas.

Em 1962, um evento chamou atenção do mundo bipolarizado e atentou a humanidade para a possibilidade de uma nova guerra de proporções arrasadoras. No ano anterior os Estados Unidos instalaram mísseis nucleares na Turquia, a atitude gerou desagrado nos soviéticos. A existência de uma base nuclear em tal região causava preocupação aos soviéticos pela possibilidade de um ataque através de uma posição muito privilegiada. Os Estados Unidos tentaram ainda invadir Cuba, ilha da América Central com afinidades com o regime socialista.

No dia 14 de outubro de 1962, os Estados Unidos divulgaram fotos, coletadas através de um voo secreto sobre Cuba, que apresentavam instalações preparadas para abrigar mísseis nucleares soviéticos. O presidente norte-americano John Kennedy logo comunicou sua população do risco existente com a possibilidade de um ataque altamente destrutivo, encarando o fato como um ato de guerra. Do outro lado do Atlântico, o Primeiro Ministro soviético Nikita Kruschev alegou que a base com os mísseis resultavam apenas de uma ação defensiva e serviriam também para impedir um nova invasão dos Estados Unidos à Cuba.

A Crise dos Mísseis de Cuba soou o alarme no mundo para uma nova guerra durante treze dias, sendo um dos momentos de maior tensão durante a Guerra Fria. A Crise dos Mísseis de Cuba é conhecida pelos russos como Crise Caribenha e pelos cubanos como Crise de Outubro.

Os dias de tensão fizeram a população americana correr na construção de abrigos pela possibilidade de uma guerra nuclear. A situação era aguda, ambas as potências possuíam armamento nuclear em grande quantidade e a ocorrência de ataques seria capaz de destruir completamente o inimigo e até mesmo a população do planeta.

Após o delicado período de negociações, no dia 28 de outubro, Nikita Kruschev conseguiu secretamente fazer com que os Estados Unidos retirassem seus mísseis da Turquia, tendo em contrapartida a retirada dos mísseis soviéticos de Cuba. O evento, embora alarmante, foi importante para lembrar ao mundo a capacidade de destruição que as armas nucleares possuem, o que levou no ano seguinte, em 1963, à assinatura de um acordo firmado entre Estados Unidos, União Soviética e Grã-Bretanha proibindo os testes nucleares na atmosfera, no alto-mar e no espaço. Alguns anos mais tarde, em 1968, a medida foi ampliada e 60 países assinaram o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.

Fontes:
http://chandrakantha.com/articles/indian_music/filmi_sangeet/film_song_1962.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_dos_mísseis_de_Cuba
http://www.brasilescola.com/historiag/crise-dos-misseis.htm

Embargo dos Estados Unidos a Cuba




Por Felipe Araújo

Conhecido em Cuba como "el bloqueo", o embargo dos Estados Unidos em relação a Cuba  consiste em uma interdição de caráter econômico, financeiro e comercial imposta pelos EUA ao governo cubano no ano de 1962. Posteriormente, o bloqueio tornou-se lei no começo dos anos 90.

O então presidente Bill Clinton, no ano de 1999, aumentou a proibição comercial entre as duas nações ao limitar as comercializações de filiais estrangeiras de empresas americanas com Cuba em setecentos milhões de dólares por ano. Com a ampliação do esquema de interdição, o embargo a Cuba é considerado um dos mais longos do mundo contemporâneo.

Porém, o embargo não impede completamente que os EUA relacionem-se com a economia cubana. A partir do ano de 2000, a exportação de alimentos norte americanos para Cuba teve autorização com a condição de que o pagamento fosse realizado sempre à vista, sendo que os produtos deveriam ser pagos antes que as embarcações saíssem dos portos dos Estados Unidos. Desta forma, os EUA tornaram-se o 7º exportador de produtos alimentícios para Cuba, levando-se em consideração a ajuda humanitária.

Na comunidade internacional, o embargo dos Estados Unidos a Cuba é um assunto bastante delicado e gera controvérsias, além de não ser apoiado pelas Nações Unidas. Em 2007, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o embargo dos Estados Unidos a Cuba foi condenado pela décima sexta vez. Na ocasião, os países que se demonstraram favoráveis ao embargo foram os seguintes: EUA, Ilhas Marshall, Palau e Israel. Com este resultado, a Organização das Nações Unidas pediu pela "finalização do embargo financeiro, comercial e econômico dos EUA em relação a Cuba da forma mais rápida possível". Porém, apesar de influenciar a opinião pública em escala mundial, a proposta da ONU não pode ser legalmente imposta contra os Estados Unidos, tornando-se mais uma ação teórica e sem aplicação da ONU.

A interdição sofre críticas até mesmo dos que são contra o regime socialista cubano. Para eles, o embargo mais ajudou Fidel Castro do que qualquer outra coisa, pois lhe proporcionou uma desculpa para os reais problemas da ilha. Homens de negócios e empresários afirmam que, ao coibir as relações comercias entre Estados Unidos e Cuba, outros países podem levar vantagens caso o embargo seja suspenso, justamente por já conhecerem melhor o funcionamento da economia cubana . Outra razão alegada pelos contrários à medida é que, ao isolar Cuba, as relações dos EUA com as nações latino-americanas são prejudicadas, podendo endossar a criação de um bloco contra os Estados Unidos.

Invasão da Baía dos Porcos




Ofensiva dos EUA na invasão da Baía dos Porcos

Por Tales Pinto

O episódio da invasão da Baía dos Porcos por tropas treinadas pela CIA deteriorou as relações com Cuba, além de ter sido um fracasso militar dos EUA.

A invasão da Baía dos Porcos foi um dos eventos da Revolução Cubana que intensificaram a hostilidade entre EUA e o novo governo da ilha caribenha. A invasão da ilha cubana por tropas comandadas pelo governo dos EUA foi uma tentativa de desestabilizar o regime recém-instaurado por Fidel Castro, tentando garantir os interesses financeiros dos estadunidenses na ilha.

Em janeiro de 1959, os revolucionários cubanos puseram fim à ditadura de Fulgêncio Batista, governo que era apoiado pelos EUA, dando início a um regime de caráter nacionalista e anti-imperialista. Essa orientação política e econômica resultou na tomada de terras de proprietários estadunidenses na ilha e na animosidade diplomática entre os dois países. O governo de Fidel Castro havia expropriado terras e empresas de investidores dos EUA, com o objetivo de orientar a utilização desses meios de produção em um sentido que beneficiasse o interesse do novo Estado e da população cubana. No âmbito político, os revoltosos cubanos ensaiavam uma aproximação com a URSS.

Frente a essas situações, o presidente dos EUA, John F. Kennedy, adotou um plano de desestabilização do regime criado pela Central Intelligence Agency (CIA) no governo de seu antecessor Dwight David Eisenhower. O plano consistia na invasão da ilha por tropas de mercenários e também de dissidentes cubanos que haviam emigrado para Miami após a queda de Batista.

Porém, a tentativa foi frustrada. Uma tentativa inicial de ataque aconteceu em 15 de abril de 1961, com dois aviões camuflados com as cores da bandeira cubana, bombardeando a força aérea de Fidel. Esse ataque não conseguiu êxito, sendo que um avião foi derrubado e um segundo voltou a Miami com vários tiros feitos pelas forças de defesa cubana.

A segunda ação ocorreu no dia 17 de abril de 1961 com a invasão de duas praias da Baía dos Porcos, Playa Larga e Girón. As tropas especiais formadas pelo governo dos EUA, treinadas desde os últimos meses do governo de Eisenhower e compostas por mais de mil combatentes, foram contidas pelas tropas cubanas em menos de 72 horas de combate. Cerca de 20 mil cubanos cercaram os invasores, após algumas perdas, infligindo um grande revés ao presidente Kennedy, que havia autorizado o ataque.

O evento criou as condições para a definitiva aproximação entre Cuba e a URSS, que iria perdurar por trinta anos. Os cubanos passaram a adotar o modelo soviético de organização socioeconômica, baseado na propriedade estatal dos meios de produção e na dominação política pelo Partido Comunista Cubano. A relação entre EUA e Cuba iria se deteriorar mais ainda no ano seguinte, quando os soviéticos encaminharam à ilha alguns mísseis capazes de transportar ogivas nucleares, no evento conhecido como Crise dos Mísseis. Em meio a essa situação, Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA), sendo que o governo dos EUA iniciou um embargo econômico à ilha, vigente até o início da segunda década do século XXI.

* Crédito da Imagem: acervo.oglobo.globo.com

*Tales Pinto - Graduado em História

Revolução Cubana




Por Rainer Sousa*
Desde o seu processo de independência, a ilha de Cuba viveu sérios problemas políticos decorrentes da instalação de governos ditatoriais e a intervenção norte-americana no país. No ano de 1901, quando os cubanos estabeleciam sua primeira carta constitucional, os Estados Unidos promoveram uma ação interventora com a criação da chamada Emenda Platt. Segundo o acordado, esse dispositivo jurídico garantiria aos norte-americanos o direito de interceder nas questões políticas cubanas.

De fato, em várias ocasiões os Estados Unidos realizaram invasões militares que pretendiam garantir a hegemonia do “Tio Sam” na região. Na década de 1950, a penosa situação social e econômica do país foi agravada com a instalação do regime golpista imposto pelo general Fulgêncio Batista (1901 – 1973). Em meio aos desmandos e a subserviência desse governo, um movimento de oposição armada ganhava força dentro de Cuba.

Organizando diversos focos de guerrilha, os combatentes liderados por Ernesto Che Guevara, Fidel Castro e Camilo Cienfuegos conseguiu bater as forças ditatoriais. Acuado pelo movimento revolucionário, Fulgêncio se refugiou na República Dominicana enquanto seus aliados eram fuzilados pelos guerrilheiros. Em janeiro de 1959, Fidel Castro foi aclamado como primeiro-ministro de Cuba e adotou medidas que contrariavam os interesses norte-americanos.

Entre outras ações, o governo revolucionário realizou a nacionalização das refinarias de açúcar, promoveu a reforma agrária e estatizou todo restante do setor industrial controlado pelos Estados Unidos. Inicialmente, os revolucionários tendiam a seguir uma linha política independente da ordem bipolar instalada após a Segunda Guerra Mundial. Contudo, as pressões políticas exercidas pelo governo de John Kennedy acabaram favorecendo a aproximação com o bloco soviético.

Temendo que a experiência cubana inspirasse outras revoluções, o governo norte-americano resolveu criar um programa de cooperação econômica às demais nações americanas conhecido como “Aliança Para o Progresso”. Além disso, os EUA impuseram um embargo econômico que pretendia enfraquecer o novo governo liderado por Fidel Castro. Antes disso, em 1961, os norte-americanos tentaram invadir Cuba no frustrado ataque à baia dos Porcos.

No final de 1962, a aproximação ao bloco socialista estabeleceu a instalação de mísseis soviéticos em Cuba. Tal ação causou uma enorme tensão diplomática com os EUA, que se sentiram ameaçados com a deflagração da chamada “crise dos mísseis”. Após a resolução do conflito, que acabou com a retirada do armamento soviético, o governo cubano tentou apoiar os movimentos guerrilheiros na América Latina. Essa política resultou na morte e execução de “Che” Guevara, em 1967, na Bolívia.

Na década de 1970, o alinhamento junto à URSS promoveu uma grande dependência da economia cubana junto aos socialistas. Duas décadas mais tarde, a crise do bloco socialista exigiu que o governo cubano – durante todo esse tempo controlado por Fidel Castro – remodelasse a economia cubana com a adoção de medidas que viabilizassem a sua recuperação. Apesar desses problemas, esse governo teve grandes avanços nos campos da saúde e na educação.

Nos últimos anos, a situação cubana se mostra indefinida com as pressões políticas favoráveis ao fim do embargo econômico ao país latino-americano. Em 2008, após a saída de Fidel Castro do governo, criou-se uma grande expectativa sobre a remodelação das relações entre Cuba e Estados Unidos da América. Enquanto isso, a experiência revolucionária cubana perde seu valor simbólico mediante as ações que promovem sua gradual abertura política e econômica.

*Rainer Sousa - Mestre em História

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A aranha e os chifres de unicórnio


Depois de mais de um ano deixado de lado, volto com essa que foi uma ideia iniciada nos primeiros meses de 2013, que teve e tem por objetivo, repostar aqui no Blog, postagens relevantes feitas nas redes sociais. Nesta quinta edição do“Pescado no Facebook” escolhi a publicação do Octavio Caruso, que é escritor, ator e critico de cinema.


Octavio Caruso trata com propriedade o fato do comodismo e o medo das mudanças tão presentes na sociedade contemporânea.

Boa leitura!

Octavio Caruso*

Existe uma grande parte da sociedade que se acostumou a ser como uma aranha constantemente amedrontada, posicionada no centro de um círculo de chifres de unicórnio. Misticismo e teatralidade, ferramentas utilizadas historicamente para controlar os seres humanos. São raras as aranhas que questionam e conseguem enxergar que unicórnios não existem, logo, entendem que o círculo místico que os limita, na verdade, é formado por mundanos e inofensivos ossos de galinha.

O poder de um homem ideologicamente livre é impossível de ser contido pelos grilhões da ignorância consciente e meticulosamente administrada por aqueles que intencionam controlar outrem, movidos pela ganância ou por uma noção abstrata de um bem comum maior. A escuridão conduz à possibilidade de diversas interpretações, especialmente aquelas equivocadas, conduzindo ao radicalismo, ao torpor da cegueira intelectual.

A aranha se aproxima dos chifres de unicórnio, com a curiosidade natural que impulsionou o homem em cada descoberta importante, o desejo que motivou o atrito de pedras e a primeira faísca de fogo. O medo a detém, as lendas que foram nutridas através do tempo, a ira do unicórnio. Um sistema que dita costumes e fomenta preconceitos, que necessita segregar, no intuito de distinguir escolhidos e ignorados, especiais e aqueles que ainda não foram tocados pelo divino. O problema está na força que teoricamente prega a bondade mais acalentadora, o erro ocorre quando se limita a complexidade do ser humano a qualquer manual de regras. A aranha estende lentamente uma de suas patas, tentando tocar o universo desconhecido que se localiza além dos chifres do unicórnio. O conformismo a detém, a necessidade de se misturar na multidão, viver mentiras frágeis e defendê-las sem convicção. O hábito de falar incessantemente, uma balbúrdia de sons desconexos que não significam nada, usualmente debochando daqueles mais calados, que preferem escutar, tornando-os alvo de escárnio nos grupos sociais. Exatamente por estarem conscientes de que somam no coro da propagação de uma farsa, eles não ousam tornar público o pavor que sentem da pungência da verdade que reside no silêncio.

A pata da aranha toca o solo desconhecido, reconhecendo-o como tendo a mesma textura e temperatura daquele em que habitava até segundos atrás. O desconhecido é formado da mesma matéria que o conhecido. Não há mais medo, apenas coragem, a curiosidade natural desperta após um longo repouso. O ser humano finalmente evolui, até que novos sistemas voltem a ser criados na tentativa de controlá-lo. A aranha está livre.

***

"Que o unicórnio não amedronte mais as aranhas. Que o passar do tempo realmente signifique o acúmulo de conhecimento, não apenas a aproximação da inexorável finitude. Que não se disfarce a preguiça intelectual com coitadismo. Que o conforto seja temido mais do que a ousadia. Que eu possa continuar contando com o seu carinho, querido leitor. Obrigado pela companhia até este momento."

Postado no Facebook (Grupo Consciência Política Razão Social)

*Octavio Caruso – Ator, Escritor e Crítico de Cinema

Site: www.devotudoaocinema.com.br

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