terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Invasão da Baía dos Porcos




Ofensiva dos EUA na invasão da Baía dos Porcos

Por Tales Pinto

O episódio da invasão da Baía dos Porcos por tropas treinadas pela CIA deteriorou as relações com Cuba, além de ter sido um fracasso militar dos EUA.

A invasão da Baía dos Porcos foi um dos eventos da Revolução Cubana que intensificaram a hostilidade entre EUA e o novo governo da ilha caribenha. A invasão da ilha cubana por tropas comandadas pelo governo dos EUA foi uma tentativa de desestabilizar o regime recém-instaurado por Fidel Castro, tentando garantir os interesses financeiros dos estadunidenses na ilha.

Em janeiro de 1959, os revolucionários cubanos puseram fim à ditadura de Fulgêncio Batista, governo que era apoiado pelos EUA, dando início a um regime de caráter nacionalista e anti-imperialista. Essa orientação política e econômica resultou na tomada de terras de proprietários estadunidenses na ilha e na animosidade diplomática entre os dois países. O governo de Fidel Castro havia expropriado terras e empresas de investidores dos EUA, com o objetivo de orientar a utilização desses meios de produção em um sentido que beneficiasse o interesse do novo Estado e da população cubana. No âmbito político, os revoltosos cubanos ensaiavam uma aproximação com a URSS.

Frente a essas situações, o presidente dos EUA, John F. Kennedy, adotou um plano de desestabilização do regime criado pela Central Intelligence Agency (CIA) no governo de seu antecessor Dwight David Eisenhower. O plano consistia na invasão da ilha por tropas de mercenários e também de dissidentes cubanos que haviam emigrado para Miami após a queda de Batista.

Porém, a tentativa foi frustrada. Uma tentativa inicial de ataque aconteceu em 15 de abril de 1961, com dois aviões camuflados com as cores da bandeira cubana, bombardeando a força aérea de Fidel. Esse ataque não conseguiu êxito, sendo que um avião foi derrubado e um segundo voltou a Miami com vários tiros feitos pelas forças de defesa cubana.

A segunda ação ocorreu no dia 17 de abril de 1961 com a invasão de duas praias da Baía dos Porcos, Playa Larga e Girón. As tropas especiais formadas pelo governo dos EUA, treinadas desde os últimos meses do governo de Eisenhower e compostas por mais de mil combatentes, foram contidas pelas tropas cubanas em menos de 72 horas de combate. Cerca de 20 mil cubanos cercaram os invasores, após algumas perdas, infligindo um grande revés ao presidente Kennedy, que havia autorizado o ataque.

O evento criou as condições para a definitiva aproximação entre Cuba e a URSS, que iria perdurar por trinta anos. Os cubanos passaram a adotar o modelo soviético de organização socioeconômica, baseado na propriedade estatal dos meios de produção e na dominação política pelo Partido Comunista Cubano. A relação entre EUA e Cuba iria se deteriorar mais ainda no ano seguinte, quando os soviéticos encaminharam à ilha alguns mísseis capazes de transportar ogivas nucleares, no evento conhecido como Crise dos Mísseis. Em meio a essa situação, Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA), sendo que o governo dos EUA iniciou um embargo econômico à ilha, vigente até o início da segunda década do século XXI.

* Crédito da Imagem: acervo.oglobo.globo.com

*Tales Pinto - Graduado em História

Revolução Cubana




Por Rainer Sousa*
Desde o seu processo de independência, a ilha de Cuba viveu sérios problemas políticos decorrentes da instalação de governos ditatoriais e a intervenção norte-americana no país. No ano de 1901, quando os cubanos estabeleciam sua primeira carta constitucional, os Estados Unidos promoveram uma ação interventora com a criação da chamada Emenda Platt. Segundo o acordado, esse dispositivo jurídico garantiria aos norte-americanos o direito de interceder nas questões políticas cubanas.

De fato, em várias ocasiões os Estados Unidos realizaram invasões militares que pretendiam garantir a hegemonia do “Tio Sam” na região. Na década de 1950, a penosa situação social e econômica do país foi agravada com a instalação do regime golpista imposto pelo general Fulgêncio Batista (1901 – 1973). Em meio aos desmandos e a subserviência desse governo, um movimento de oposição armada ganhava força dentro de Cuba.

Organizando diversos focos de guerrilha, os combatentes liderados por Ernesto Che Guevara, Fidel Castro e Camilo Cienfuegos conseguiu bater as forças ditatoriais. Acuado pelo movimento revolucionário, Fulgêncio se refugiou na República Dominicana enquanto seus aliados eram fuzilados pelos guerrilheiros. Em janeiro de 1959, Fidel Castro foi aclamado como primeiro-ministro de Cuba e adotou medidas que contrariavam os interesses norte-americanos.

Entre outras ações, o governo revolucionário realizou a nacionalização das refinarias de açúcar, promoveu a reforma agrária e estatizou todo restante do setor industrial controlado pelos Estados Unidos. Inicialmente, os revolucionários tendiam a seguir uma linha política independente da ordem bipolar instalada após a Segunda Guerra Mundial. Contudo, as pressões políticas exercidas pelo governo de John Kennedy acabaram favorecendo a aproximação com o bloco soviético.

Temendo que a experiência cubana inspirasse outras revoluções, o governo norte-americano resolveu criar um programa de cooperação econômica às demais nações americanas conhecido como “Aliança Para o Progresso”. Além disso, os EUA impuseram um embargo econômico que pretendia enfraquecer o novo governo liderado por Fidel Castro. Antes disso, em 1961, os norte-americanos tentaram invadir Cuba no frustrado ataque à baia dos Porcos.

No final de 1962, a aproximação ao bloco socialista estabeleceu a instalação de mísseis soviéticos em Cuba. Tal ação causou uma enorme tensão diplomática com os EUA, que se sentiram ameaçados com a deflagração da chamada “crise dos mísseis”. Após a resolução do conflito, que acabou com a retirada do armamento soviético, o governo cubano tentou apoiar os movimentos guerrilheiros na América Latina. Essa política resultou na morte e execução de “Che” Guevara, em 1967, na Bolívia.

Na década de 1970, o alinhamento junto à URSS promoveu uma grande dependência da economia cubana junto aos socialistas. Duas décadas mais tarde, a crise do bloco socialista exigiu que o governo cubano – durante todo esse tempo controlado por Fidel Castro – remodelasse a economia cubana com a adoção de medidas que viabilizassem a sua recuperação. Apesar desses problemas, esse governo teve grandes avanços nos campos da saúde e na educação.

Nos últimos anos, a situação cubana se mostra indefinida com as pressões políticas favoráveis ao fim do embargo econômico ao país latino-americano. Em 2008, após a saída de Fidel Castro do governo, criou-se uma grande expectativa sobre a remodelação das relações entre Cuba e Estados Unidos da América. Enquanto isso, a experiência revolucionária cubana perde seu valor simbólico mediante as ações que promovem sua gradual abertura política e econômica.

*Rainer Sousa - Mestre em História

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A aranha e os chifres de unicórnio


Depois de mais de um ano deixado de lado, volto com essa que foi uma ideia iniciada nos primeiros meses de 2013, que teve e tem por objetivo, repostar aqui no Blog, postagens relevantes feitas nas redes sociais. Nesta quinta edição do“Pescado no Facebook” escolhi a publicação do Octavio Caruso, que é escritor, ator e critico de cinema.


Octavio Caruso trata com propriedade o fato do comodismo e o medo das mudanças tão presentes na sociedade contemporânea.

Boa leitura!

Octavio Caruso*

Existe uma grande parte da sociedade que se acostumou a ser como uma aranha constantemente amedrontada, posicionada no centro de um círculo de chifres de unicórnio. Misticismo e teatralidade, ferramentas utilizadas historicamente para controlar os seres humanos. São raras as aranhas que questionam e conseguem enxergar que unicórnios não existem, logo, entendem que o círculo místico que os limita, na verdade, é formado por mundanos e inofensivos ossos de galinha.

O poder de um homem ideologicamente livre é impossível de ser contido pelos grilhões da ignorância consciente e meticulosamente administrada por aqueles que intencionam controlar outrem, movidos pela ganância ou por uma noção abstrata de um bem comum maior. A escuridão conduz à possibilidade de diversas interpretações, especialmente aquelas equivocadas, conduzindo ao radicalismo, ao torpor da cegueira intelectual.

A aranha se aproxima dos chifres de unicórnio, com a curiosidade natural que impulsionou o homem em cada descoberta importante, o desejo que motivou o atrito de pedras e a primeira faísca de fogo. O medo a detém, as lendas que foram nutridas através do tempo, a ira do unicórnio. Um sistema que dita costumes e fomenta preconceitos, que necessita segregar, no intuito de distinguir escolhidos e ignorados, especiais e aqueles que ainda não foram tocados pelo divino. O problema está na força que teoricamente prega a bondade mais acalentadora, o erro ocorre quando se limita a complexidade do ser humano a qualquer manual de regras. A aranha estende lentamente uma de suas patas, tentando tocar o universo desconhecido que se localiza além dos chifres do unicórnio. O conformismo a detém, a necessidade de se misturar na multidão, viver mentiras frágeis e defendê-las sem convicção. O hábito de falar incessantemente, uma balbúrdia de sons desconexos que não significam nada, usualmente debochando daqueles mais calados, que preferem escutar, tornando-os alvo de escárnio nos grupos sociais. Exatamente por estarem conscientes de que somam no coro da propagação de uma farsa, eles não ousam tornar público o pavor que sentem da pungência da verdade que reside no silêncio.

A pata da aranha toca o solo desconhecido, reconhecendo-o como tendo a mesma textura e temperatura daquele em que habitava até segundos atrás. O desconhecido é formado da mesma matéria que o conhecido. Não há mais medo, apenas coragem, a curiosidade natural desperta após um longo repouso. O ser humano finalmente evolui, até que novos sistemas voltem a ser criados na tentativa de controlá-lo. A aranha está livre.

***

"Que o unicórnio não amedronte mais as aranhas. Que o passar do tempo realmente signifique o acúmulo de conhecimento, não apenas a aproximação da inexorável finitude. Que não se disfarce a preguiça intelectual com coitadismo. Que o conforto seja temido mais do que a ousadia. Que eu possa continuar contando com o seu carinho, querido leitor. Obrigado pela companhia até este momento."

Postado no Facebook (Grupo Consciência Política Razão Social)

*Octavio Caruso – Ator, Escritor e Crítico de Cinema

Site: www.devotudoaocinema.com.br

Algas deixam lagoa Juparanã verde e imprópria para banho, no ES

Moradores e turistas reclamaram do mau cheiro da água.
Causa seria o lixo e o esgoto despejado no local, segundo biólogo.


Parte da lagoa Juparanã, localizada em Linhares, município da região Norte do Espírito Santo, foi tomada por uma proliferação de algas que deixam a água verde e imprópria para o banho. O biólogo Elber Tesch explicou que a causa do problema seria o lixo deixado na margem, além de esgoto despejado por sanitários. A prefeitura de Linhares informou que biólogos recolheram amostras em toda a extensão da lagoa para que seja feita a análise da água. O resultado sai nesta terça-feira (30).
A lagoa é uma das maiores em extensão do país e atrai um grande número de turistas durante o ano, número este que aumenta no verão. Porém, a água verde tem afastado alguns banhistas, que preferem não enfrentar o mau cheiro e os riscos. “A gente veio de Mucuri, na Bahia. Meu irmão trouxe a gente para visitar e está horrível, com mau cheiro. Não tenho coragem de entrar, vou deixar para quem tem”, contou uma turista baiana.
Lixo pode ser a causa do problema (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Lixo pode ser a causa do problema
(Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
O biólogo Elber Tesch explicou que a cor verde e o odor são causados pela proliferação de cianobactérias, que podem ter chegado ao local através de lixo e esgoto. “Tudo indica que é o lixo. Pode ser o esgoto, porque temos alguns sanitários aqui na margem da lagoa, que podem estar sendo lançados na lagoa sem tratamento”, disse.
O lavrador Raul Jhone contou que tem medo de pegar alguma doença ao entrar na lagoa e brincou com a cor da água. “Acho que o Incrível Hulk urinou aí dentro, está tudo verde e fede um pouquinho. Não entrei. Trouxe uns cinco litros de água e joguei no meu corpo, porque se entrar aí dá perigo.”
Fatores como o calor e a luminosidade influenciam na proliferação das cianobactérias, que podem causar doenças, segundo o biólogo. “Quanto mais sol e mais calor, maior a proliferação desses organismos. Eles produzem algumas toxinas, que podem causar desde uma simples diarreia a problemas hepáticos, problemas neurológicos”, explica.
Segundo Elber, um jeito de evitar que o problema persista é guardar o lixo em sacolas e dar o devido destino, além de tratar o esgoto que cai dentro da lagoa. O funcionário público Josías Rangel contou que leva uma sacola para colocar o lixo sempre que vai à lagoa. “Quando eu venho aqui procuro trazer sempre com minha família uma sacolinha para quando acabar de utilizar. Eu coloco e levo embora e jogo em casa, para manter sempre o lugar limpo, organizado”, disse.
A prefeitura de Linhares informou que biólogos recolheram amostras em toda a extensão da lagoa para que seja feita a análise da água. O resultado sai nesta terça-feira (30). Por isso, a prefeitura orienta que os visitantes evitem o banho no local até que seja liberado o resultado da análise dos índices de toxinas presentes na água.
Superfície da lagoa apresenta uma camada de alga verde (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Superfície da lagoa apresenta uma camada de alga verde (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

domingo, 28 de dezembro de 2014

Venina Velosa fez parte do conselho que administrava a refinaria Abreu e Lima



  
"diga-me com quem andas e eu te direi quem és"
ou
"A melhor defesa é o ataque"

São dois ditados simples e populares que podem ser aplicados com propriedade para ilustrar a atitude da ex-gerente da Petrobras Venina Velosa. Poderíamos ainda acrescentar "Um erro não justifica o outro" para o fato de que a culpabilidade da Venina não exime de culpa equivalente ou maior, seus superiores, no caso a senhora Graça Foster e o senhor Paulo Roberto Costa.

Entre 7 de março de 2008 e 21 de junho de 2009, Venina foi um dos três membros do Conselho de Administração da Refinaria Abreu e Lima S.A.

A ex-gerente da Petrobrás Venina Velosa da Fonseca - que afirma ter alertado o comando da empresa sobre irregularidades em contratos - foi uma das três integrantes do Conselho de Administração da companhia criada em março de 2008 para administrar a bilionária obra da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, alvo central da Operação Lava Jato, que desmantelou o maior esquema de corrupção e propina na estatal.

Em reuniões na sede da Petrobrás, no Rio, estiveram presentes nas deliberações das 19 atas do conselho o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, que era o presidente, e os membros Venina e José Carlos Cosenza (atual diretor de Abastecimento). O levantamento foi feito pelo Estado com base em 70 atas - de um total de 123 - do conselho da época em que era presidido por Costa, entre março de 2008 e janeiro de 2012.

Durante o período em que Venina integrou o conselho, a subsidiária da estatal assumiu os contratos bilionários da obra que eram de responsabilidade da Petrobrás, abriu concorrências com convite para empresas do cartel alvo da Lava Jato e assumiu o contrato que previa pagamento de R$ 4,2 milhões à Companhia Pernambucana de Saneamento de Pernambuco (Compesa) para serviços de realocação de adutoras de água.

A companhia de água é uma estatal do governo de Pernambuco, que tinha como governador o candidato à Presidência do PSB Eduardo Campos, morto em acidente de avião em agosto. Segundo Costa apontou em sua delação, Campos foi um dos beneficiários das propinas pagas do esquema que cobrava de 1% a 3% nos contratos da Petrobrás.

Iniciada em 2008, quando Costa assumiu a presidência do conselho, a obra da Refinaria Abreu e Lima tinha custo inicial estimado em R$ 2 bilhões; hoje, já consumiu mais de R$ 20 bilhões, sem ter sido concluída. O Tribunal de Contas da União contabilizou superfaturamento em duas frentes de apuração: obras de terraplanagem (R$ 70 milhões) e cláusulas contratuais de reajuste (R$ 367 milhões).

Em 11 de fevereiro de 2009, por exemplo, foram aprovadas transferências de 18 contratos da obra, de responsabilidade da Gerência de Engenharia, subordinada à Diretoria de Serviços, comandada por Renato Duque, outro alvo da Lava Jato. Ao todo eles somam R$ 1 bilhão,  8,7 milhões e US$ 4 milhões.

Entre esses contratos estava o do Consórcio Refinaria Abreu e Lima, formado pelas empresas Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Queiroz Galvão e Odebrecht, todas acusadas na Lava Jato por formação de cartel e corrupção. O valor previsto era de R$ 429 milhões para o projeto e serviços de terraplenagem. Tais serviços já foram alvo de auditoria pelo TCU que apontou sobrepreço e desvios.

Outras investigadas como o Consórcio Tomé, Alusa e Galvão, pelo valor de R$ 730 milhões, e do Consórcio Rnest O. C. Edificações (Engevix e EIT), por R$ 591 milhões, também tiveram contratos que passaram a ser geridos pela companhia, por deliberação do conselho presidido por Costa com a participação de Venina.

Na ata de número 13, realizada no dia 20 de março de 2009, foram transferidos mais 16 contratos no valor de R$ 1,1 bilhão, US$ 63 milhões e  118 milhões. Entre eles o de serviços de implantação da Casa de Força, feito com a Alusa Engenharia Ltda, por R$ 920 milhões, e outros dois com a Jaraguá, por R$ 185 milhões e R$ 36 milhões. As duas também são investigadas pela Lava Jato.

Além dos termos de gerenciamento e pagamentos dos contratos, no período em que Venina esteve no conselho, foram aprovadas concorrências para obras na refinaria que tinham como empresas convidadas acusadas de integrar o cartel alvo da Lava Jato, como Jaraguá e Iesa.

Em 12 de março, numa das últimas assembleias em que Venina participou, foi aprovado empréstimo de R$ 10 bilhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Todo montante gasto na obra, assim como os valores aportados nela, estão sob investigação.

Aprovações

Nessas 19 reuniões do conselho de Abreu e Lima com Venina como membro, feitas muitas delas com dispensa de convocação, foram nomeados diretores, aprovados salários para eles, aprovados aumentos de capital, bem como aprovados os balanços de 2008, ano em que a Lava Jato aponta que o esquema de corrupção já atuava. Além de ser membro, em algumas das reuniões a ex-gerente secretariou Costa na elaboração das atas.

Sob o comando de Costa, o Conselho de Administração da Abreu e Lima aprovou R$ 201 milhões em oito aditivos contratuais para empresas investigadas pela Polícia Federal na Lava Jato. O conselho ainda autorizou duas antecipações de pagamento, uma de R$ 200 milhões para o Consórcio CII Ipojuca Interligações (Queiroz Galvão e Iesa Óleo e Gás) e outra de R$ 4 milhões para o governo de Pernambuco.

O levantamento feito pelo Estado revela que Costa tinha amplos poderes para autorizar contratos (foram R$ 3 bilhões em novos serviços com as empresas investigadas na Lava Jato), empréstimos (R$ 10 bilhões do BNDES), negociar aumento de valores contratuais (R$ 201 mi), nomear diretores e estabelecer rendimentos da diretoria (R$ 4 milhões para 2010).

As atas foram anexadas ao processo da Lava Jato a pedido do juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso. "Costa persistiu recebendo e lavando valores dos desvios mesmo após deixar o cargo de diretor da Petrobras", diz Moro.

Via Estadão

Sobre o Blog

Bem‑vindo ao Blog Dag Vulpi!

Um espaço democrático e apartidário, onde você encontra literatura, política, cultura, humor, boas histórias e reflexões do cotidiano. Sem depender de visões partidárias — aqui prevalecem ideias, conteúdos e narrativas com profundidade e propósito.

Visite o Blog Dag Vulpi