segunda-feira, 24 de junho de 2013

Nossa geração e o Brasil do futuro

Por: Pedro Valls Feu Rosa*, no site do Jornal O Porrete

Há pouco mais de um ano, escrevi o artigo que segue abaixo:

"Eis uma boa notícia para todos aqueles brasileiros que se preocupam com o país que será entregue à geração seguinte: segundo um relatório do Conselho Nacional de Inteligência dos EUA, sobre como estará o planeta em 2025, a economia do Brasil crescerá muito.

Sim, este estudo traz uma boa notícia. Previu-se que dentro de poucos anos nossa economia receberá um vigoroso impulso em função da crescente produção de petróleo, gás natural, biocombustíveis e até de alimentos.

Porém, o que há de mais importante neste relatório é um alerta sério para a nossa geração: se o Brasil não conseguir, a curto prazo, ter instituições mais eficientes e índices de criminalidade menores, toda esta riqueza que está por chegar pouco significará.

A aposta dos norte-americanos é que não conseguiremos. Afirmam que “a competitividade da América Latina continuará inferior à da Ásia”, e que “partes [do continente] continuarão entre as áreas mais violentas do mundo. Organizações criminosas voltadas para o tráfico de drogas e quadrilhas locais continuarão a comprometer a segurança pública”, sendo que “estes fatores, somados à fraqueza do sistema legal”, se traduzirão em países falidos.

Nada mais verdadeiro. Nossa geração está a um passo de ver o crescimento real do Brasil – mas, no entanto dele está abrindo mão por conta de uma omissão quase criminosa. Esta apatia me traz à memória uma famosa frase de Martin Luther King: “nossa vida começa a acabar quando nos calamos frente às coisas que realmente importam”.

Vergonhosamente, grande tem sido o nosso silêncio! Vivemos em um país embrutecido, no qual são gastos US$ 16 bilhões a cada ano só com a criminalidade, e achamos ingenuamente que “as vítimas é que deram bobeira”. Por conta dos vergonhosos índices de criminalidade perdemos 11% do nosso PIB. E preferimos “mudar de assunto e falar de coisas mais agradáveis”.

Nosso sistema legal está falido e não sabe – apenas 2,5% dos crimes acabam em processo, e somente 1% dos condenados cumprem suas penas até o fim. Mas evitamos falar nisso – preferimos ir linchando os criminosos pelas ruas, na incrível média de quatro por semana. O Brasil perde US$ 100 bilhões a cada ano só com a morosidade do Poder Judiciário, mas nossa geração resiste a simplificá-lo - prefere se perder na perfumaria dos formalismos inúteis.

A administração pública vai mal - segundo diversos estudos, somos o país que tem a maior carga de burocracia do mundo! Por conta disso nossos imóveis são até 425% mais caros, e deixamos de aumentar nosso PIB 2,2% a cada ano. Mas nossa geração já concluiu que "isso é assim mesmo", e prefere ir buscando seus já tradicionais "jeitinhos".

Perdemos outros 5% do nosso PIB com a corrupção. Segundo o IBPT, 32% de todos os impostos pagos no Brasil são desviados por conta desta falta de vergonha. E tudo indica que nossa geração não deixará para a seguinte sequer a proibição de que pessoas que respondam a processos por corrupção possam se candidatar a cargos públicos!

Temos visto a riqueza sorrir como nunca para o nosso país - arrisco dizer que se não formos omissos nossos filhos habitarão o Brasil grande com o qual sempre sonhamos. Se falharmos, seja nosso epitáfio a advertência de Martin Luther King: "nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos".

Hoje, com alegria, ao contemplar nosso povo nas ruas, posso dizer que estava errado: o Brasil acordou!

Pedro Valls Feu Rosa* e Desembargador e Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo

Movimento pede veto total de Dilma ao Projeto do Ato Médico

O movimento Não ao Ato Médico, que mobiliza profissionais e estudantes de 14 setores da área de saúde, que se sentem prejudicados com a aprovação do Projeto de Lei 268/02, decidiu encaminhar à presidenta Dilma Rousseff pedido de veto integral ao texto aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados.

Integrantes do movimento se reuniram hoje (24), sob os pilotis da Biblioteca Nacional, e aprovaram a formação de uma comissão integrada por representantes das 14 profissões que integram a mobilização e um dos estudantes. A comissão pretende entregar documento à Casa Civil da Presidência da República, além de organizar uma passeata até o Palácio do Planalto na próxima quarta-feira (26). Outro protesto está marcado para sexta-feira.

MEUS PROFESSORES ME ENGANARAM (Ficção não longe da realidade)

Por  Rui Rodrigues no  Bar do Chopp Grátis

Em casa nos ensinavam a sermos umas crianças boazinhas. A única maldade que aprendíamos em casa era a bater. Naquela época nos batiam para que fossemos crianças boazinhas. Não pensavam, não raciocinavam, e produziam revoltados. Eu vi mais tarde, aqueles que mesmo apanhando diziam que eram culpados, bem mais tarde, ainda bendizer as surras que apanharam de cinto, de chinelo, de palmatória. Mas isso era na escola. 

Apanhei bastante apesar de ser sempre o primeiro ou o segundo da turma, até o dia em que comecei de espontânea vontade a oferecer a minha mão para a palmatória da minha querida professora dona Ermelinda. Digo querida, porque sem ela, meu pai não me teria posto na escola para estudar e muito menos para me formar. Já ouvi falar do complexo de Édipo, do complexo de Electra, e agora temos que inventar o complexo de “inveja paternal”. Podia pagar com folga. Porque não queria que eu estudasse? Não valia a pena o sacrifício, que nem era sacrifício nenhum? Mas quando me formei ficou orgulhoso e me apresentou aos amigos como “meu filho engenheiro”. Ah... Os professores... Então... Todos... Todos eles me ensinaram os bons modos, a ser um sujeito decente, competente, com a recomendação de que seria mais um cidadão do futuro a desenvolver a minha pátria. Como tenho duas pátrias, tenho que desenvolver duas, por isso que não recomendo a ninguém a dupla nacionalidade. 

OAB-RJ cria comitê de mobilização pela reforma política

A seção do Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) promoveu na manhã de hoje (24) um ato a favor da reforma política. No evento, a entidade anunciou a criação de um comitê de mobilização pela reforma política, que vai ter representantes da sociedade civil.

A crise de representatividade dos partidos e a promoção de ações para resgatar o compromisso dos governos com a sociedade serão temas do comitê. O grupo será integrado por centrais sindicais, movimentos estudantis, partidos políticos e por representantes da OAB-RJ. A iniciativa da entidade surge após a onda de manifestações que tomou as ruas do país nos últimos dias. Na reunião desta segunda-feira, participaram representantes de partidos, sindicatos e de estudantes.

De acordo com o presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, a entidade vai cumprir seu papel institucional de cobrar das autoridades soluções para os problemas da prestação dos serviços públicos. "Temos que dar uma resposta concreta ao grito de alerta que está sendo dado. Os governantes brasileiros devem compreender que os canais democráticos de representação política estão sendo deixados de lado. A sociedade não entende a atuação dos Poderes estabelecidos. Queremos que esses protestos nas ruas, que são episódios históricos no nosso país, representem a volta da nossa democracia", disse Santa Cruz. 

Dilma se reúne com MPL e ministros no Palácio do Planalto

Dilma se reúne com representantes do Movimento Passe Livre (MPL) para debater a pauta dos protestos
Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil
Começou com meia hora de atraso a reunião da presidente Dilma Rousseff com ministros e representantes do Movimento Passe Livre, no Palácio do Planalto, em Brasília. Marcada para as 13h30, o encontro só começou às 14h, e não há hora prevista para acabar.

Estão presentes, além da presidente, o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e os representantes do MPL Matheus Nordon, Mayara Longo e Rafael Bueno.

Ainda hoje, Dilma se reunirá com prefeitos das capitais brasileiras e governadores. Esta é a primeira vez que a presidente recebe manifestantes após duas semanas do início da onda de protestos que acontecem em todo o País.
O movimento pede o fim da corrupção, questiona o uso de dinheiro público na construção de estádios para a Copa das Confederações e do Mundo, protesta contra a PEC 37 (Proposta de Emenda à Constituição que limita os poderes de investigação do Ministério Público), entre outras pautas.
Terra

Entidades lançam projeto de reforma política inspiradas na Lei da Ficha Limpa

Em apoio às manifestações que tomaram conta das ruas do País, três entidades da sociedade civil apresentaram, nesta segunda-feira, um projeto de lei de iniciativa popular para a reforma política. Entre as propostas estão o fim do financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas, limite para doação de pessoa física para partidos e eleição para o Legislativo em dois turnos.

Estimulados pela aprovação da Lei da Ficha Limpa, que também partiu de uma mobilização popular, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) propõem que a eleição para deputados federais, por exemplo, ocorra em dois turnos. Em uma primeira votação será definido o número de cadeiras por partido e, no segundo escrutínio, serão escolhidos os candidatos dispostos em uma lista, que deverá ter o dobro do número de cadeiras que cada legenda obteve.

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