terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Polícia alemã 'não tem certeza' de que paquistanês preso seja autor de ataque

Agência France-Presse

A polícia de Berlim ainda não tem certeza de que o único detido pelo atentado de segunda-feira (19) contra uma feira de Natal, um requerente de asilo paquistanês, seja realmente o autor do ataque. As informações foram divulgadas hoje (20) pela Agência France-Presse (AFP).

"Na verdade, não é certo que se trate do motorista", disse o chefe da polícia, Klaus Kandt, sugerindo que o verdadeiro responsável poderia estar foragido. "O suspeito nega os fato", tuitou paralelamente a polícia, pedindo que a população permaneça vigilante.

A tragédia, que a chanceler alemã Angela Merkel classificou de "atentado terrorista" e que fez 12 mortos e 48 feridos, traumatizando o país e aumentando a polêmica sobre sua política de imigração, lembra, pelas circunstâncias, o ataque com um caminhão no dia 14 de julho na cidade costeira francesa de Nice. Na ocasião, 86 pessoas foram mortas.

O suspeito é, a priori (à primeira vista), paquistanês. Ele chegou à Alemanha, em Saint Sylvestre, em 31 de dezembro de 2015, e foi registrado antes de ir para Berlim em fevereiro", havia afirmado durante a tarde o ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière.

"Ele nega o crime. A investigação continua", disse o ministro, ao lembrar que o ataque ainda não foi reivindicado. No entanto, uma fonte da polícia de Berlim assegurou ao jornal Die Welt: "Temos o homem errado". "O verdadeiro autor do ataque ainda está foragido e armado e pode causar mais danos", acrescentou a fonte.

Segundo a polícia, uma testemunha do atentado teria ajudado na prisão do suspeito paquistanês perto de um parque. O homem teria corrido cerca de 2 quilômetros atrás do suposto autor do ataque, mantendo deste uma distância segura. Durante a perseguição, ele manteve contato por telefone com a polícia, indicando a localização do suspeito até a avenida que leva ao Portão de Brandeburgo.

Enquanto a investigação foi confiada à Procuradoria de Combate ao Terrorismo, a polícia fez buscas nesta terça-feira em um dos principais centros de refugiados de Berlim, no antigo aeroporto de Tempelhof, informaram vários meios de comunicação alemães.

Angela Merkel
Antes de surgirem as dúvidas da polícia, a chanceler Angela Merkel afirmou que, para os alemães, "será particularmente difícil suportar se for confirmado que esse ato foi cometido por uma pessoa que pediu proteção e asilo na Alemanha".

Logo após o ataque, a chanceler recebeu uma enxurrada de críticas sobre sua política de imigração generosa.

"Estes são os mortos de Merkel", denunciou em sua conta no Twitter um dos líderes do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AFD), Marcus Pretzell. "A Alemanha não é mais segura" face "ao terrorismo do Islã radical", acrescentou outro membro da AFD, Frauke Petry, questionando a decisão da chanceler de abrir as portas do país em 2015 para quase 900 mil refugiados que fugiam de conflitos e da pobreza, originários principalmente do mundo muçulmano. Aproximadamente 300 mil chegaram ao país neste ano.

A tragédia ocorreu perto da Igreja Memorial, monumento da capital alemã cujo campanário foi destruído pelos bombardeios na segunda guerra mundial. O caminhão foi retirado do local na manhã desta terça-feira.

"Eu só vi este enorme caminhão preto que cruzou o mercado e atropelou muitas pessoas. Então, todas as luzes se apagaram e tudo estava destruído", relatou uma turista australiana, Trisha O'Neill. "Havia sangue e corpos por toda parte", incluindo de crianças e idosos, acrescentou.

"Nós vimos pessoas sendo transportadas em ambulâncias, uma e outra vez, e parecia não ter fim", declarou outra turista, Sabrina Glinz, ao canal britânico Sky News.

O balanço preliminar do drama era de pelo menos 12 mortos e 48 pessoas hospitalizadas, algumas em estado crítico. Nenhuma indicação foi dada sobre a identidade das vítimas. Um deles, encontrado na cabine do caminhão, foi "morto com um tiro", e poderia ser o verdadeiro motorista do caminhão que teria sido roubado pelo atacante, informou um porta-voz do Ministério regional do Interior.
Reações

As reações de solidariedade se multiplicaram, da França aos Estados Unidos, enquanto a Europa tem sido alvo frequente de ataques reivindicados por grupos extremistas islâmicos.

O presidente russo, Vladimir Putin, se disse "chocado" com a "brutalidade e o cinismo" do ataque.

O uso de veículos, especialmente caminhões, para atropelar multidões de "infiéis" e fazer o máximo possível de vítimas é uma tática defendida pelos grupos extremistas.

A Alemanha havia sido até agora poupada de ataques de grande magnitude, mas vários incidentes  foram recentemente cometidos por indivíduos isolados.


O Estado Islâmico reivindicou dois ataques em julho, que deixaram vários feridos, um com bomba e outro com uma faca, cometidos por um sírio de 27 anos e por um requerente de asilo de 17 anos, provavelmente afegão.

Suspeito de ataque em Berlim é paquistanês e refugiado



Da Agência Ansa Brasil

O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maiziere, confirmou que o suspeito de cometer o ataque contra o mercado de Natal em Berlim foi preso ontem (19), é originário do Paquistão e tinha solicitado asilo. 

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De acordo com o ministro, o homem chegou à Alemanha em 31 de dezembro, foi registrado como refugiado e "desapareceu" do rastro das autoridades em fevereiro, na capital. A análise de seu pedido de asilo ainda não foi concluída, mas seu nome também não aparece em nenhum banco de dados de terrorismo, informou Maiziere.

Merkel confirma que ataque em Berlim foi ato terrorista



Da Agência Ansa Brasil

A chanceler alemã, Angela Merkel, confirmou hoje (20) em um pronunciamento que o ataque ocorrido ontem (19) contra um mercado de Natal em Berlim foi um ato terrorista. Ao menos 12 pessoas morreram e 48 ficaram feridas quando um caminhão foi lançado contra o público.

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"Este é um dia muito triste", disse a chanceler, em uma coletiva de imprensa na capital do país. "Devemos presumir de que se trata de um atentado terrorista", anunciou. Até então, as autoridades da Alemanha estavam evitando tomar posições e declarar que o acidente pudesse ter sido planejado e executado por terroristas.

As investigações apontam que o caminhão lançado contra o público tinha placa da Polônia e teria sido sequestrado por volta das 16h de ontem. O ataque, na Praça  Breitscheidplatz, onde o mercado de Natal tinha sido montado, ocorreu às 20h40 locais, deixou ao menos 12 mortos e 48 feridos, a maioria em estado grave.

"Penso, antes de tudo, nos mortos e feridos, nas 12 pessoas que estavam entre nós, que festejavam e tinham planos para os dias de festa, e que não estão mais aqui. Quero que saibam que estamos todos com eles", lamentou Merkel. "Eu, como milhões de pessoas na Alemanha, estou horrorizada, chocada e profundamente triste pelo que aconteceu ontem à noite", afirmou.

A chanceler também se referiu à possibilidade do atentado ter sido cometido por um refugiado, como tem sido publicado pela imprensa local. De acordo com o jornal "Bild", o principal suspeito é um paquistanês de 23 anos, identificado como Navid B., nascido em 1 de janeiro de 1993, em Turbat. Ele teria chegado à Alemanha no dia 11 de fevereiro de 2016, pela fronteira com a Áustria. "Sei que, para todos nós, seria particularmente difícil tolerar se for confirmado que quem cometeu este ato é uma pessoa que pediu proteção e asilo na Alemanha", disse Merkel, que nos últimos três anos defendeu a política de acolhimento de imigrantes e refugiados no país, apesar de críticas de partidos da oposição.

Segundo o "Bild", o paquistanês teria abandonado o caminhão após o ataque, fugindo na direção leste de Berlim. O homem teria atravessado a pé o parque Tiergarten, no centro da cidade, e teria sido interceptado pela polícia, que recebeu alertas de moradores da região, a uma distância de 1 quilômetro da Praça Breitscheidplatz.

O GPS do automóvel indica que, na tarde de ontem, o aparelho foi desligado várias vezes e, depois, removido do carro. O caminhão tinha passado pela Itália e transportava estruturas de aço que deveriam ser descarregadas em Berlim. A empresa de transporte responsável pelo caminhão tem sede na cidade de Estetino, no nordeste da Polônia, em uma zona que faz fronteira com a Alemanha.

As autoridades polonesas e alemães disseram que o homem de origem polonesa que estava no banco de passageiros do caminhão foi morto a tiros, em mais um indício de que um suposto funcionário da companhia teria sofrido um sequestro ou um assalto.

"Não queremos viver paralisados pelo medo e pelo mal, mesmo que, nestas horas, seja difícil encontrar força para vivermos como desejamos na Alemanha, livres, juntos e abertos", comentou. Merkel convocou o gabinete de segurança da Alemanha para uma reunião extraordinária às 11h30 locais. Participarão do encontro os ministros do Interior, da Defesa, da Justiça e dos serviços de inteligência.

Ataque em Berlim deixa 9 mortos e mais de 50 feridos


Da AFP

Um caminhão lançado contra uma multidão em uma feira de Natal no centro de Berlim, nesta segunda-feira à noite (19), deixou pelo menos 9 pessoas mortas e 50 ficaram feridas, informa o último boletim da polícia, em um evento que já começa a ser considerado como um "ataque" pelo governo. As informações são da AFP.

De acordo com o ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, "muitas razões" levam a pensar que foi um ataque.

"Ainda não quero - por enquanto - pronunciar a palavra 'atentado', mesmo que muitas razões levem a pensar nisso", disse ele à emissora pública ZDF.

No Twitter, o ministro alemão da Justiça, Heiko Mass, informou que a investigação será conduzida pelo Ministério Público. Na Alemanha, o órgão é responsável por assuntos ligados ao terrorismo.

"Uma pessoa, que é claramente o motorista, foi detida. Um passageiro morreu", disse a Polícia à AFP, citando um boletim provisório de "ao menos nove mortos" e "pelo menos 50 feridos, quatro em estado grave".

"Examinamos a pista de um atentado terrorista, mas ainda não sabemos as motivações desse ato", disse um outro porta-voz policial.

A Polícia também pediu à população que "fique em casa", como medida de precaução.

De acordo com diferentes veículos da imprensa alemã, o motorista do caminhão, cuja placa é da Polônia, conseguiu fugir.

O proprietário da empresa dona do caminhão confirmou o desaparecimento do polonês.
"Não temos contato com ele desde esta tarde. Não sei o que aconteceu com ele. É meu primo. Eu o conheço desde a infância. Eu respondo por ele", declarou Ariel Zurawski por telefone à AFP.

Questionado pelo canal de notícias 24 horas TVN24 sobre se o motorista se sentia ameaçado, ou em perigo, Zurawski respondeu "de modo algum".

Segundo Lukasz Wasik, um diretor da empresa, o contato com o motorista, de 37 anos, foi perdido por volta das 15h locais (12h, horário de Brasília).

"Não sabemos no que ele se transformou, se foi sequestrado, morto, não sabemos de nada. Estamos muito preocupados com ele", declarou, acrescentando que "a última vez que estivemos com ele no telefone foi esta manhã, por volta das oito, ou nove".

O motorista transportava 25 toneladas de produtos metalúrgicos, procedentes da Itália.

Em Berlim, "a empresa onde ele devia descarregar não pode recebê-lo e disseram a ele para voltar na terça de manhã. Dissemos a ele para esperar em Berlim, em alguma parte", acrescentou Wasik.

Por enquanto, a Polícia descarta novas ameaças para a população.

"Não há atualmente indícios de outras situações perigosas" no centro de Berlim oeste, tuitou a Polícia.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar "em luto" pelos mortos.

"Estamos em luto e esperamos que os muitos feridos recebam a ajuda necessária", disse o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, em sua conta no Twitter, em alusão às "terríveis notícias" vindas de Berlim.

Imagens do jornal local Berliner Morgenpost publicadas on-line mostram várias barracas da feira de Natal destruídas pelo caminhão.

As forças da ordem estabeleceram um perímetro de segurança e bloquearam o acesso.

Reações

Por suas circunstâncias, esse evento remete ao atentado de 14 de julho de 2016, em Nice, na França, quando um caminhão atropelou várias pessoas no Passeio dos Ingleses, no dia da festa nacional do país. Nesse sentido, a França manifestou prontamente sua solidariedade.

Em nota divulgada pelo Palácio Eliseu, o presidente francês, François Hollande, declarou que "os franceses compartilham o luto dos alemães frente a essa tragédia que atinge toda a Europa".

O chefe de Estado francês manifestou "sua solidariedade e sua compaixão à chanceler (alemã, Angela) Merkel, ao povo alemão e às famílias".

O ministro francês do Interior, Bruno Le Roux, anunciou que a segurança foi "imediatamente reforçada" nas feiras de Natal no país.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse estar "entristecido" com o episódio de hoje.

Os americanos também reagiram, condenando o suposto "ataque terrorista".

"Os Estados Unidos condenam nos termos mais firmes o que parece ser um atentado terrorista em um mercado de Natal de Berlim", afirmou o porta-voz de Segurança Nacional da Casa Branca, Ned Price, em um comunicado.

"A Alemanha é um dos nossos mais fortes aliados, e estamos junto com Berlim na luta contra todos aqueles que atentam contra nossa forma de vida e ameaçam nossas sociedades", acrescentou.

"Estivemos em contato com funcionários alemães, e estamos prontos para oferecer ajuda, enquanto investigam e se recuperam desse horrível incidente", afirmou Price.

Alta tensão
O mercado natalino atingido pelo caminhão, que partiu para cima de transeuntes e rolou sobre a calçada, fica no centro da capital, a dois passos da Gedächtniskirche - a Igreja da Lembrança, uma das principais atrações turísticas berlinenses - e de uma movimentada avenida de comércio, a Kurfürstendamm.

No local, um turista entrevistado pela AFP disse não saber se o motorista "estava bêbado", ou se ele lançou o caminhão de forma deliberada, "mas ele não procurou parar, ele simplesmente continuou".

"Acabei de ver esse gigantesco caminhão preto, que embestou na direção do mercado e atropelou tantas pessoas, então, todas as luzes se apagaram, e tudo ficou destruído", relatou a turista australiana Trisha O'Neill, em entrevista à emissora Australian Broadcasting Corporation.

"Havia sangue e corpos por todos os lados", incluindo crianças e idosos, completou ela.

Em julho passado, em Nice, um tunisiano jogou seu caminhão contra uma multidão no Passeio dos Ingleses. Esse atentado deixou 86 mortos e mais de 400 feridos e foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI). O agressor foi morto pela Polícia.

Até agora, a Alemanha havia sido poupada do ataques extremistas de ampla envergadura, mas vários atentados islâmicos foram cometidos, recentemente, por "lobos solitários".

Em julho, o EI assumiu a autoria de um atentado cometido por um sírio de 27 anos, que deixou 15 feridos, e de um ataque lançado por um demandante de asilo, provavelmente de origem afegã, de 17 anos, que deixou cinco feridos.

Em outubro, um sírio se suicidou na prisão após ser detido. Segundo os investigadores, ele se preparava para lançar um ataque contra um aeroporto de Berlim.

Programa piloto cubano pretende conectar 2 mil casas à internet


Agência Xinhua

A empresa estatal cubana de telecomunicações Etecsa anunciou nessa segunda-feira (19) que lançará um programa piloto para conectar 2 mil casas na capital, Havana, à internet. A informação é da Agência Xinhua, da China.
Até agora, o acesso à internet em casa era um luxo concedido apenas a funcionários superiores e profissionais como médicos, jornalistas e acadêmicos, principalmente devido à falta de infraestrutura, com a média de cubanos se conectando a hotspots Wi-Fi e cibercafés.

Ana Maria Mendez, funcionária da Etecsa, disse que nos próximos dias as residências selecionadas no bairro antigo da cidade serão ligadas, sem custo, para que os moradores possam se conectar de suas casas, de acordo com o site de notícias Cubadebate.

As residências foram escolhidas pelo acesso à infraestrutura já implantada pela Etecsa, disse ela. "Este programa piloto de acesso domiciliar à internet exige uma linha dedicada para cada cliente e tecnologia ADSL", acrescentou.

Os usuários terão acesso gratuito por mês e pagarão adicional de 1,50 CUC - a moeda cubana - (US$ 1,5) por hora, de acordo com a quantidade de uso de dados.

"Este programa permitirá à nossa empresa avaliar a possibilidade de expandir o serviço para outras áreas do país," disse Ana Maria.

Na semana passada, a Etecsa assinou acordo para acelerar o acesso local ao conteúdo online do Google.

A empresa cubana também informou ontem que está diminuindo o preço do acesso Wi-Fi de 2 CUC por hora para 1,5 CUC (US$ 1,5).

As sanções dos Estados Unidos contra Cuba obrigaram o país, durante anos, a se conectar à internet por satélite, o que era muito precário e limitou o serviço. Em 2013, a Venezuela ajudou a ilha a ter acesso à sua própria infraestrutura, colocando um cabo submarino de fibra óptica.

Washington oficialmente estreitou os laços com Havana em 2015, e as empresas de telecomunicações norte-americanas têm aproveitado a reaproximação para expandir seu mercado.

Atropelamento com caminhão deixa 12 mortos e 48 feridos em Berlim


Da AFP

Um caminhão lançado contra uma multidão em uma feira de Natal no centro de Berlim, nesta segunda-feira à noite (19), deixou 12 mortos e 48 feridos – um evento que já começa a ser considerado como um "ataque" pelo governo. As informações são da AFP.

"Doze pessoas morreram na Praça Breitscheid e 48 foram levadas aos hospitais, algumas com ferimentos graves", revela a polícia no Twitter.

De acordo com o ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, "muitas razões" levam a pensar que foi um ataque.

"Ainda não quero - por enquanto - pronunciar a palavra 'atentado', mesmo que muitas razões levem a pensar nisso", disse ele à emissora pública ZDF.

No Twitter, o ministro alemão da Justiça, Heiko Mass, informou que a investigação será conduzida pelo Ministério Público. Na Alemanha, o órgão é responsável por assuntos ligados ao terrorismo.

"Uma pessoa, que é claramente o motorista, foi detida. Um passageiro morreu", disse a polícia à AFP.

Segundo fontes do serviço de segurança citadas pela agência alemã DPA, o homem detido seria paquistanês ou afegão, e teria chegado à Alemanha como solicitante de asilo em fevereiro de 2016.

"Examinamos a pista de um atentado terrorista, mas ainda não sabemos as motivações desse ato", disse outro porta-voz policial.

A polícia pediu à população para "ficar em casa", como medida de precaução.

De acordo com diferentes veículos da imprensa alemã, o motorista do caminhão, cuja placa é da Polônia, conseguiu fugir.

O proprietário da empresa dona do caminhão confirmou o desaparecimento do polonês.

"Não temos contato com ele desde esta tarde. Não sei o que aconteceu com ele. É meu primo. Eu o conheço desde a infância. Eu respondo por ele", declarou Ariel Zurawski por telefone à AFP.

Questionado pelo canal de notícias 24 horas TVN24 sobre se o motorista se sentia ameaçado, ou em perigo, Zurawski respondeu "de modo algum".

Segundo Lukasz Wasik, um diretor da empresa, o contato com o motorista, de 37 anos, foi perdido por volta das 15h locais (12h, horário de Brasília).

"Não sabemos no que ele se transformou, se foi sequestrado, morto, não sabemos de nada. Estamos muito preocupados com ele", declarou Wasic. "A última vez que estivemos com ele no telefone foi nesta manhã, por volta das 8h, ou 9h".

O motorista transportava 25 toneladas de produtos metalúrgicos, procedentes da Itália.

Em Berlim, "a empresa onde ele devia descarregar [o material transportado] não pôde recebê-lo. Disseram a ele para voltar na terça de manhã. Dissemos a ele para esperar em Berlim, em alguma parte", acrescentou Wasik.

Por enquanto, a polícia descarta novas ameaças para a população. "Não há atualmente indícios de outras situações perigosas" no centro de Berlim Oeste, tuitou a Polícia.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar "em luto" pelos mortos. "Estamos em luto e esperamos que os muitos feridos recebam a ajuda necessária", disse o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, em sua conta no Twitter, em alusão às "terríveis notícias" vindas de Berlim.

Imagens do jornal local Berliner Morgenpost publicadas online mostram várias barracas da feira de Natal destruídas pelo caminhão.

As forças da ordem estabeleceram um perímetro de segurança e bloquearam o acesso ao local.

Reações
Por suas circunstâncias, esse evento remete ao atentado de 14 de julho de 2016, em Nice, na França, quando um caminhão atropelou várias pessoas no Passeio dos Ingleses, no dia da festa nacional do país. Nesse sentido, a França manifestou prontamente sua solidariedade.

Em nota divulgada pelo Palácio Eliseu, o presidente francês, François Hollande, declarou que "os franceses compartilham o luto dos alemães frente a essa tragédia, que atinge toda a Europa".

O chefe de Estado francês manifestou "sua solidariedade e sua compaixão à chanceler (alemã, Angela) Merkel, ao povo alemão e às famílias".

O ministro francês do Interior, Bruno Le Roux, anunciou que a segurança foi "imediatamente reforçada" nas feiras de Natal no país.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse estar "entristecido" com o episódio de hoje.

Os americanos também reagiram, condenando o suposto "ataque terrorista". "Os Estados Unidos condenam, nos termos mais firmes, o que parece ser um atentado terrorista em um mercado de Natal de Berlim", afirmou o porta-voz de Segurança Nacional da Casa Branca, Ned Price, em um comunicado.

"A Alemanha é um dos nossos mais fortes aliados, e estamos junto com Berlim na luta contra todos aqueles que atentam contra nossa forma de vida e ameaçam nossas sociedades", acrescentou.

"Estivemos em contato com funcionários alemães, e estamos prontos para oferecer ajuda, enquanto investigam e se recuperam desse horrível incidente", afirmou Price.

Alta tensão
O mercado natalino atingido pelo caminhão, que partiu para cima de transeuntes e rolou sobre a calçada, fica no centro da capital, a dois passos da Gedächtniskirche - a Igreja da Lembrança, uma das principais atrações turísticas berlinenses - e de uma movimentada avenida de comércio, a Kurfürstendamm.

No local, um turista entrevistado pela AFP disse não saber se o motorista "estava bêbado", ou se ele lançou o caminhão de forma deliberada, "mas ele não procurou parar, ele simplesmente continuou".

"Acabei de ver esse gigantesco caminhão preto, que embestou na direção do mercado e atropelou tantas pessoas, então, todas as luzes se apagaram, e tudo ficou destruído", relatou a turista australiana Trisha O'Neill, em entrevista à emissora Australian Broadcasting Corporation. "Havia sangue e corpos por todos os lados", incluindo crianças e idosos, completou ela.

Em julho passado, em Nice, um tunisiano jogou seu caminhão contra uma multidão no Passeio dos Ingleses. Esse atentado deixou 86 mortos e mais de 400 feridos e foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico. O agressor foi morto pela Polícia.

Até agora, a Alemanha havia sido poupada do ataques extremistas de ampla envergadura, mas vários atentados foram cometidos, recentemente, pelos  chamados "lobos solitários".

Em julho, o Estado Islâmico assumiu a autoria de um atentado cometido por um sírio de 27 anos, que deixou 15 feridos, e de um ataque lançado por um demandante de asilo, provavelmente de origem afegã, de 17 anos, que deixou cinco feridos.

Em outubro, um sírio se suicidou na prisão após ser detido. Segundo os investigadores, ele se preparava para lançar um ataque contra um aeroporto de Berlim.

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