Dos 65 membros
da Comissão Especial do Impeachment da Câmara dos Deputados que votaram o
parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO), 36 respondem ou já foram condenados
por algum crime na Justiça comum ou eleitoral. O levantamento foi feito pelo
Portal EBC em plataforma da ONG Transparência Brasil.
Os
questionamentos judiciais a que respondem ou já responderam os 36 deputados vão
desde problemas com prestações de contas eleitorais a ações de improbidade
administrativa, lavagem de dinheiro e questionamentos em licitações.
Entre os
parlamentares da comissão que possuem algum registro judicial durante a carreira
política, 20 votaram favoravelmente ao parecer que recomendou a abertura de
processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Os outros16 votaram
contra o relatório.
O presidente
da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), definiu ontem (12), em
reunião com o colégio de líderes, o rito de discussão e votação do pedido de
abertura de processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff pelo plenário
da Casa. As discussões serão iniciadas às 8h55 da próxima sexta-feira (15) e
finalizadas domingo (17) à noite, com a votação do parecer do deputado Jovair
Arantes (PTB-GO), favorável ao prosseguimento do processo de afastamento.
Eduardo Cunha
ainda não divulgou como será a ordem de votação. A base do governo defende a
adoção do mesmo critério usado na votação do impeachment do presidente Fernando
Collor, em 1992, que foi por ordem alfabética. Para os defensores do impeachment
de Dilma, não há relevância no critério.
Nos
bastidores, parlamentares da base aliada temem que Cunha adote a votação
alternada por estados de diferentes regiões. Isso, segundo governistas ouvidos
pela Agência Brasil, poderia provocar uma votação inicial grande a favor do
impeachment, influenciando deputados indecisos.
A ministra do
Superior Tribunal de Justiça (STJ) Assusete Magalhães negou um pedido de
liminar feito pelo PPS na ação em que questiona declarações do ministro da
Justiça, Eugênio Aragão, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
Na entrevista,
o ministro disse que não ia tolerar vazamentos de informações de operações da
Polícia Federal. Segundo o ministro, a substituição na equipe poderá ocorrer
caso seja identificado “cheiro de vazamento”, mesmo sem a necessidade de
provas, uma vez que a PF está sob sua supervisão.
Na ação, o PPS
tenta assegurar que o ministro não afaste sumariamente os agentes da corporação
para não prejudicar o andamento de uma operação policial.
Segundo informações
do STJ, a ministra disse que o afastamento preventivo de servidores públicos
deve ser feito no âmbito de processo disciplinar. Para a ministra, mesmo em
casos de vazamento de informação é preciso dar o direito do contraditório e de
defesa.
Sem mencionar
diretamente os nomes, a presidenta Dilma Rousseff afirmou ontem (12) que o
vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente da Câmara dos
Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), são os chefes do que ela classificou de
golpe em curso contra seu mandato.
“Se ainda
havia alguma dúvida sobre o golpe, a farsa e a traição em curso, não há mais.
Se havia alguma dúvida sobre a minha denúncia de que há um golpe de Estado em
andamento, não pode haver mais. Os golpistas podem ter chefe e vice-chefe
assumidos. Não sei direito qual é o chefe e o vice-chefe. Um deles é a mão não
tão invisível assim que conduz com desvio de poder e abusos inimagináveis o
processo de impeachment. O outro esfrega as mãos e ensaia a farsa do vazamento
de um pretenso discurso de posse. Cai a máscara dos conspiradores. O Brasil e a
democracia não merecem tamanha farsa ”, disse Dilma, em discurso no Palácio do
Planalto.
“Vivemos
tempos estranhos de golpe, farsa e traição. Usaram a farsa do vazamento para
difundir a ordem unida da conspiração. Agora, conspiram abertamente, à luz do
dia, para desestabilizar um presidenta legitimamente eleita. Caluniam enquanto
leiloam posições no gabinete do golpe, no governo dos sem-voto", afirmou a
presidenta.
Segundo Dilma ficou claro que existem dois chefes do golpe que agem em conjunto e
de forma premeditada. "Como muitos brasileiros, tomei conhecimento e
confesso que fiquei chocada com a desfaçatez da farsa do vazamento, que foi
deliberado, premeditado. Vazando para eles mesmos, tentaram disfarçar o que era
um anúncio de posse antecipada, subestimando a inteligência dos brasileiros.
Até nisso, são golpistas, sem respeito pela democracia, porque eu estou no
pleno exercício de minha função de presidenta da República”, acrescentou Dilma.
A presidenta
referiu-se ao vazamento de um áudio em que o vice-presidente Michel Temer fala
como se o processo de impeachment já tivesse sido aprovado pela Câmara dos
Deputados. No áudio, classificado por Temer como mensagem de “palavra
preliminar à Nação brasileira”, o vice-presidente diz que precisa estar
preparado para enfrentar os “graves problemas que afligem” o Brasil, caso os
senadores decidam a favor do afastamento de Dilma. Ele lembra, porém, que a
decisão do Senado deve ser aguardada e respeitada.
No comunicado,
Temer pede a pacificação do país, diz que é preciso um governo de “salvação
nacional”, com colaboração de todos os partidos para sair da crise, e defende
apoio à iniciativa privada como forma de gerar investimentos e confiança no
Brasil.
A presidenta
discursou para uma plateia formada por professores e estudantes no ato
intitulado Encontro da Educação pela Democracia.
Integrantes da
União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas (Ubes), da Confederação Nacional pelos Trabalhadores na Educação
(CNTE) e do Conselho Nacional de Educação (CNE) estão entre as entidades que
participaram do ato.
A Comissão
Especial do Impeachment da Câmara dos Deputados aprovou ontem (11) o parecer do
relator Jovair Arantes (PTB-GO) pela admissibilidade da abertura do processo de
afastamento da presidenta Dilma Rousseff. Foram 38 votos a favor e 27 contra.
A votação do
parecer sobre a continuidade do processo de impeachment no plenário da Câmara
deve começar sexta-feira (15) e se estender pelo fim de semana.
Os ministros
da Educação, Aloizio Mercadante, e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso
Pansera, estavam presentes à cerimônia.
Nas últimas
semanas, Dilma recebeu manifestações de apoio de grupos de intelectuais e
artistas, mulheres, integrantes de sindicatos, de movimentos sociais e de
juristas. O último encontro no Palácio do Planalto ocorreu na semana passada
quando mulheres de diversos movimentos sociais discursaram em defesa do mandato
da presidenta.
No dia
seguinte à aprovação do relatório favorável à abertura de processo de impeachment
da presidente Dilma Rousseff na comissão especial que analisou a
admissibilidade do pedido durante 25 dias, parlamentares da oposição e do
governo têm reuniões com o intuito de definir a estratégia para a votação no
plenário, prevista para começar na sexta-feira (15) e terminar no domingo (17),
e captar votos para cada lado.
Deputados que
defendem o impedimento da presidenta mantêm na manhã de hoje (12) encontros
informais e agora estão reunidos. Apesar de integrantes da oposição pedirem
cautela, o número de votos para o afastamento de Dilma já chegaria a 360 “com
os pés no chão”, afirmam assessores da oposição, o que seria suficiente para
dar continuidade ao processo e enviá-lo ao Senado.
Para o
ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Jaques Wagner,
o resultado da votação na comissão especial do impeachment indica que o
Planalto pode conseguir 213 votos no plenário da Câmara dos Deputados, no
próximo domingo, e, com isso, acabar com o processo. mas defendeu que o
governo, nesse caso, calce as "sandálias da humildade": ele
pediu serenidade e bom senso para que essa agenda não continue
"atrapalhando o Brasil".
Wagner
conversou com jornalistas após a comissão do impeachment aprovar, por 38 votos
a 27, o relatório favorável ao afastamento de Dilma do cargo. Segundo ele, a
proporção dos votos na comissão ficou dentro das expectativas do governo, e fez
com que a previsão de haver mais de 200 votos contrários ao impeachment se
mantivesse.
O ministro fez
uma conta segundo a qual na comissão os que são contrários ao impeachment
representam 41%, e que, se esse percentual for mantido no plenário, o governo
teria 213 votos, acima dos 172 necessários para derrubar o processo.
Segundo o
ministro, os 27 parlamentares que votaram contra o parecer do relator, deputado
Jovair Arantes (PTB-GO), são "heróis da democracia". Questionado se,
reprovado este pedido, a Câmara dos Deputados não poderia apreciar outras
denúncias contra a presidenta, ele pregou "humildade" do governo e
"serenidade do lado de lá".
"Acho que
todo mundo tem instinto de sobrevivência, e espero que depois de domingo,
encerrado e barrado esse processo do impeachment, o bom senso volte a reinar.
Da nossa parte, seguramente estaremos com a sandália da humildade. Que eu acho
que, após esse processo, não cabe rancor e raiva, ao contrário. Cabe
compromisso com o Brasil, com a nossa gente, com a economia brasileira",
declarou.
De acordo com
Wagner, o processo "pela derrubada" de Dilma tem atrapalhado o Brasil
nos últimos 15 meses e impedido uma agenda propositiva que resgate o
crescimento econômico e a geração de emprego.
“Os contra o
governo, ou se preferirem, os que pregam esse golpe dissimulado, podem
comemorar o número, mas eles têm consciência que esse número não dá a eles o
resultado que gostariam”, disse, acrescentando que outros dois deputados
declaradamente contrários ao impeachment não puderam votar por motivos de saúde
e orientação da bancada.
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