quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cachoeira e Demóstenes podem ter armado gravação que deu origem ao Mensalão


Marco Damiani, do Brasil 247 – O Mensalão, maior escândalo político dos últimos anos, que pode ser julgado ainda este ano pelo Supremo Tribunal Federal, acaba de receber novas luzes. Elas partem do empresário Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, cidade natal do contraventor Carlinhos Cachoeira e base eleitoral do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

“Estou convicto que Cachoeira e Demóstenes fabricaram a primeira denúncia do mensalão”, disse o ex-prefeito em entrevista ao 247. Para quem não se lembra, trata-se da fita em que um funcionário dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo uma propina de R$ 5 mil dentro da estatal. A fita foi gravada pelo araponga Jairo Martins e divulgada numa reportagem assinada pelo jornalista Policarpo Júnior. Hoje, sabe-se que Jairo, além de fonte habitual da revista Veja, era remunerado por Cachoeira – ambos estão presos pela Operação Monte Carlo. “O Policarpo vivia lá na Vitapan”, disse Ernani de Paula ao 247.

O ingrediente novo na história é a trama que unia três personagens: Cachoeira, Demóstenes e o próprio Ernani. No início do governo Lula, em 2003, o senador Demóstenes era cotado para se tornar Secretário Nacional de Segurança Pública. Teria apenas que mudar de partido, ingressando no PMDB. “Eu era o maior interessado, porque minha ex-mulher se tornaria senadora da República”, diz Ernani de Paula. Cachoeira também era um entusiasta da ideia, porque pretendia nacionalizar o jogo no País – atividade que já explorava livremente em Goiás.

Segundo o ex-prefeito, houve um veto à indicação de Demóstenes. “Acho que partiu do Zé Dirceu”, diz o ex-prefeito. A partir daí, segundo ele, o senador goiano e seu amigo Carlos Cachoeira começaram a articular o troco.

O primeiro disparo foi a fita que derrubou Waldomiro Diniz, ex-assessor de Dirceu, da Casa Civil. A fita também foi gravada por Cachoeira. O segundo, muito mais forte, foi a fita dos Correios, na reportagem de Policarpo Júnior, que desencadeou todo o enredo do Mensalão, em 2005.

Agora, sete anos depois, na operação Monte Carlo, o jornalista de Veja aparece gravado em 200 conversas com o bicheiro Cachoeira, nas quais, supostamente, anteciparia matérias publicadas na revista de maior circulação do País.

Até o presente momento, Veja não se pronunciou sobre as relações de seu redator-chefe com o bicheiro. E, agora, as informações prestadas ao 247 pelo ex-prefeito Ernani de Paula contribuem para completar o quadro a respeito da proximidade entre um bicheiro, um senador e a maior revista do País. Demonstram que o pano de fundo para essa relação frequente era o interesse de Cachoeira e Demóstenes em colocar um governo contra a parede. Veja foi usada ou fez parte da trama?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

BALANCE CAPIXABA 23/05/2012

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BALANCE CAPIXABA 23/05/2012
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Remuneração de depósitos judiciais: Ana Rita vota contra Ferraço 
Os senadores capixabas Ana Rita (PT) e Ricardo Ferraço divergiram na manhã desta quarta-feira durante a votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) que aprovou o projeto de lei da Câmara (PLC 24/12) que estabelece a aplicação dos depósitos judiciais preferencialmente em bancos estaduais ou, na falta desses, na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil. 

Ana Rita defendeu parecer favorável do senador José Pimentel (PT-CE). Para a senadora, a aprovação do projeto irá regulamentar uma prática que já existe. 

"Isso já é praticado, o projeto só vai regulamentar algo que já é feito em todo o país. Todos as cidades brasileiras têm bancos públicos, essa decisão só vai proteger a população", disse Ana Rita. 

O voto em separado do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) pretendia permitir a captação desses depósitos também por bancos privados. O senador saiu em defesa de emenda apresentada pelo senador José Agripino (DEM-RN). 

O parlamentar pelo Rio Grande do Norte pretendia atrelar a aplicação dos depósitos judiciais a investimentos lastreados em títulos da dívida pública da União e dirigi-la a qualquer instituição financeira habilitada junto ao Banco Central. 

"Reconheço a importância dos bancos públicos, sempre defendi o banco do meu estado. Mas depósito judicial não é recurso do governo, portanto não pode o governo lançar mão desse recurso que são das partes. O que proponho é que a gente pense no contribuinte que só tem a se beneficiar com a possibilidade da aplicação desses recursos no banco que for melhor para ele", disse Ferraço. 

Depois de muita discussão, com argumentos de inconstitucionalidade atribuídos tanto ao parecer quanto ao voto em separado, a CCJ acabou aprovando o relatório de José Pimentel. A matéria segue, agora, para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). 

O projeto possibilita o Poder Judiciário voltar a investir depósitos de cidadãos envolvidos em causas na Justiça. Solucionada a questão judicial, uma parte dos rendimentos obtidos seria liberada para aplicação em melhorias na estrutura física e na capacitação de servidores não só do Judiciário, mas também do Ministério Público, das Defensorias Públicas e das Procuradorias-Gerais de Justiça.
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Pedro Valls reduz despesas com pessoal, mas gastos com regalias dão salto no TJES
Depois de registrar altas sucessivas nos últimos cinco anos, as despesas do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) tiveram uma queda nos quatro primeiros meses de 2012. No período, foram gastos R$ 197,26 milhões entre gastos com pessoal e de custeio do Poder, uma queda de 8,76% na comparação com 2011 (R$ 216 milhões). Mesmo com a redução, os valores gastos com regalias fecharam o primeiro quadrimestre do ano em R$ 26,97 milhões, uma alta de 16,5%

De acordo com dados do Portal da Transparência, publicado no site do TJES, as despesas com os salários de magistrados (juízes e desembargadores) e servidores caiu de R$ 187,21 milhões em 2011 para R$ 166,42 milhões este ano. Já as despesas de custeio que incluem benefícios e gastos operacionais tiveram uma pequena alta de R$ 28,79 milhões para R$ 30,85 milhões.

Neste item, as regalias concedidas aos membros do Judiciário tiveram uma elevação significativa de 16,5% no período – saltando de R$ 23,15 milhões para R$ 26,97 milhões. Os principais vilões entre os benefícios foram o custeio dos auxílios médico-odontológico que cresceram 356% (de R$ 688 mil para R$ 3,14 milhões) e com indenizações de ajuda de custo que cresceram quase a metade do registrado no ano anterior (de R$ 2,3 milhões para R$ 3,4 milhões).

Em relação aos demais gastos com regalias, as despesas com auxílio alimentação saltou de R$ 9,15 milhões para R$ 10,87 milhões neste ano, enquanto as despesas com diários praticamente se manteve estável (R$ 859 mil no ano passado contra os atuais R$ 967 mil). A única redução foi registrada nos gastos com auxílio transporte, que caiu 42% no período – de R$ 149 mil foi para R$ 85 mil.

Na série histórica entre os anos de 2007 e 2012 – único divulgado no portal –, a gestão do desembargador Pedro Valls Feu Rosa demonstra um recuo ao registrado durante a passagem do ex-presidente Manoel Alves Rabelo (2010/2011). Em relação aos anos anteriores, a atual gestão revela despesas de cerca de 20% superior às registradas no final da gestão do ex-presidente interino Álvaro Bourguignon.

Entre os anos de 2007 e 2010, as despesas do Judiciário capixaba apresentaram uma pequena variação no primeiro quadrimestre – partindo de R$ 135 milhões a R$ 163 milhões. Em 2011, os gastos chegaram a R$ 216 milhões devido à forte elevação no custeio de pessoal (incluído os encargos legais) que cresceram R$ 51,1 milhões no intervalo de apenas um ano. | Nerter Samora  | Foto capa: Nerter Samora 

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Deputado toca campanha em Linhares enquanto tenta reverter perda de mandato 
O deputado estadual José Carlos Elias (PTB) não pensa, no momento, em uma alternativa do partido dele para a disputa à prefeitura de Linhares, no norte do Estado. O parlamentar tenta reverter a decisão da juíza da Vara dos Feitos da Fazenda de Linhares, Cristina Eller Pimenta, enquanto isso, mantém seu nome no páreo para a disputa. Ele diz estar confiante de que vai conseguir uma reviravolta no caso.

A defesa de Elias vai protocolar um agravo no Tribunal de Justiça, alegando que há jurisprudência no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que garante o foro privilegiado de deputado estadual, quando caso é de improbidade administrativa.
A juíza condenou Elias pela acusação de ter utilizado cores de campanha em 2005 para pintar a cidade. A condenação em primeira instância não afetaria o mandato do deputado, muito menos sua participação no pleito, pois poderia o parlamentar recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado (TJES).
Mas o fato de as custas do recurso, no valor de R$ 133,00 não terem sido pagas pela defesa de Elias, impediu que o processo subisse. Mesmo assim, Elias está confiante que vai conseguir reverter a situação e não acredita que vá perder o mandato.
Em Linhares, a instabilidade política se agravou com a situação de Elias. Desde o início do processo eleitoral, a população vem sofrendo com boatos e ameaças sobre os principais concorrentes na disputa.
No início do processo eleitoral, o eleitorado chegou a ser avisado que Elias não disputaria a eleição, o que se intensificou durante a pesquisa do Instituto Futura na cidade. Já o prefeito Guerino Zanon (PMDB) chegou a ser afastado do cargo por irregularidades na distribuição de bolsas de ensino, pela mesma juíza. Zanon tem vários processos na Justiça e também tem uma eleição de risco.
No município, as lideranças políticas começam a discutir a captação de votos do eleitorado do deputado estadual. Mas, Elias não cogita colocar outra pessoa na disputa ou apoiar um dos outros nomes que estão no páreo. Ele afirmou que seus eleitores estão revoltados com o que chamou de “baixaria” de sua defesa, que segundo o deputado está a serviço de seus adversários. Ele afirma que foi vítima de armação, mas que confia na resolução do problema.- Renata Oliveira | Foto capa: Gustavo Louzada

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O QUE FOI COMENTADO NO FACEBOOK SOBRE O Programa Nacional de Banda Larga?


Programa Nacional de Banda Larga é discutido na Assembléia Legislativa
A Assembléia Legislativa do Estado (Ales) recebeu, audiência pública “Programa Nacional de Banda Larga: Implantação e Desenvolvimento no ES - Por uma autonomia digital cidadã”, para a discussão do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), lançado pelo governo federal em 2010. O objetivo do PNBL é massificar o acesso em banda larga à internet.
O debate foi proposto pela Comissão de Cultura e Comunicação da Assembléia e teve a participação do vice-presidente da Comissão, o deputado estadual Cláudio Vereza (PT), da senadora Ana Rita Esgário (PT-ES) e teve apoio do Observatório da Mídia Regional da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
O PNBL já é considerado um avanço na política de inclusão digital, mas para os especialistas. 
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Acompanhe os comentários 
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Adalva Galvão Marangon Que bom seria se pudéssemos dar e tirar o poder quando esse não satisfizesse os anseios do povo...Isso sim seria democracia. Mas enquanto isso não fiquemos inertes, acho ate que a sociedade como um todo nunca foi tão participativa...

Fernanda Tardin II QUEREMOS UMA INTERNET LIVRE, COM PREÇOS JUSTOS, BOA QUALIDADE, IGUALITARIAMENTE PARA TODOS E TODAS E COM GARANTIA DE PARTICIPAÇÃO SOBRE SEU USO? OU VAMOS CONTINUAR DEIXANDO O ENTREGUISMO SEGUIR, POR FALTA DE PRESSÃO POPULAR SOBRE OS GOVERNOS PARA DEFINITIVAMENTE DECRETAR A BANDA LARGA COMO DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL PARA TODOS E TODAS? ' apoiado.
Só lembrando: Claudio Vereza, aqui presente, é deputado do PT ( lembram daquela bancada que na ultima hora fez ir por água abaixo o ESBLOG onde a Banda Larga CIDADA teria stand explicativo?) e sabe - se não por outros, POR MIM MESMA, que falei TETE a TETE com ele sobre o DIREITO FUNDAMENTAL DO POVO a banda larga Cidadã.Sessão solene e audiência publica , tá provado, não faz de mandatos , POPULARES e em muitos casos politiqueiros. Fica mais esta minha ' desobediência partidária'. Contesto, desaprovo e repudio. DE PÉ OH VÍTIMAS DA FOME.

Geraldo Silva Jardim Mas como tem pessoas aqui, que valem o titulo de "plantas raras"??? É brilho no olho, com certeza, do Agricultor Universal.

Rui Rodrigues Lança mais um satélite e resolvem-se tudo. Estamos com muito dinheiro em caixa. Eu li, Marcelo Saldanha. Mas não comentei porque teria que repetir algo que venho dizendo e não quis parecer negativista (sou positivista sempre que posso).

Marcelo Saldanha ‎:-) Rui Rodrigues até 2015 serão lançados 2 satélites, mas com o foco de atender as áreas mais remotas e de difícil acesso, quanto a sermos repetitivos, temos que ser sim, pq uma hora esta informação tem que entrar na cachola do povo. Efetivamente nesta batalha o poder do capital está levando a melhor, até porque a própria UIT defende modelos mercantilistas para se levar internet aos cidadãos deste planeta. Não que o mercado não possa explorar este serviço, mas, o “florida” é o povo ficar refém de serviço que só tem seu objetivo para o mercado, se transformando numa rede de controle em prol dos interesses capitais. Para reverter isso as redes precisam ser publicas de forma que existam redes de ultima milha que atendam ao mercado e aos interesses sociais e de soberania. E ao mesmo tempo o povo possa também fazer a gestão deste patrimônio, não deixando tudo entregue as empresas de telecomunicações. Sigamos e fiquemos de olhos abertos, porque a Anatel já quer discutir a mudança de regime colocando tudo como privado e entregar 80 bilhões em patrimônio publico pras teles.

Rui Rodrigues Tem toda a razão, Marcelo Saldanha. Minha sugestão para lançar um satélite é exatamente para dar solução fora do sistema: O satélite seria exclusivo para atender "pequena renda e escolas públicas", tipo passe de ônibus, bolsa família, auxílio maternidade... Querer dar solução dentro do sistema "delles" é Flórida no verão ao meio dia: quente pra K7 e com grande resistência das teles... Não creio que seja mais difícil de obter o que propus do que a proposta de solução conjunta. O que acha?

Marcelo Saldanha Solução conjunta será um osso, porque de um lado (do capital) residem somente os interesses pelo lucro e o resto que se exploda e do outro a garantia dos direitos onde toda a infra-essencial a continuidade e soberania devem ser publicas. O grande detalhe é que os contratos de concessão servem somente para exploração do serviço e as teles querem, dentro de sua sede e ganância infinitas, toda a infra, pois, com ela os governos ficarão reféns, sacou? é simples assim. O “florida” é que o Governo está jogando pra este lado.

Fernanda Tardin Marcelo “borá” trazer este debate pra cá “hermano”, por hora aqui pois tá difícil ir a outras comunidades com a freqüência que ia, neste momento. e tb. porque. ELES estão aqui. E claro não vão sair depois de destacados.

Fernanda Tardin ‎Dagmar Vulpi, Paulo Batista Gomes Gomes,Paulo Carneiro. Posso perguntar? Seria este motivo que a ' geopolítica' promove audiências públicas, omitem as opções POPULARES (NET BANDA LARGA SEM TELES a no máximo 5 reais , onde a comunidade é dona da antena.), e inibem os movimentos sociais a participarem de manifestações contra sistema opressor e corrupto no ES? Pronto perguntei. MILITANTES nós temos mais bandeiras ideológicas do que as hasteadas por poucos companheiros nas ruas na quinta. Isto antigamente FOI PRIORIDADE DO PT, partido que aprendi , vendo criarem, a saber, o que é IDEOLOGIA.

Marcelo Saldanha ‎Fernanda Tardin esta briga está se acirrando, a UIT irá debater tema similar e relevante no fim do ano, os governos estão escondendo ao máximo as premissas de possibilidade de participação social sobre as redes, pois, isso seria o estopim para a democracia direita, o que é lógico, os políticos temem mais que o diabo da cruz. Temos que insistir e usar todos os espaços possíveis para dar luz a este tema.
Estou aguardando o email do Adriano sobre o geo-referenciamento lá de JF, no mais, as lideranças comunitárias precisam entender que banda larga é um direito humano fundamental, pra que desta forma possam hastear esta bandeira de luta pela internet cidadã.

Fernanda Tardin II ‎Paulo Carneiro teria como em seu Jornal (que tem link direto com outros jornais, rs) fazer uma reportagem sobre a banda larga cidadã? Apresento-te Marcelo Saldanha, coordenador do projeto desenvolvido com a participação da Universidade Norte Fluminense (DARCI RIBEIRO - ' perdi todas as lutas que lutei, mas não gostaria de estar no lugar dos que ganharam)?
Dagmar Vulpi A meu ver o maior dificultador na expansão da banda larga cidadã é o próprio poder público. Não há interesses, primeiro em tornar a internet uma ferramenta de inclusão e conscientização, pois povo informado não é massa manipulada. O outro motivo tão importante quanto a não informação para eles, é o retorno que nossos digníssimos representantes obtém através de dividendos para suas campanhas eleitorais. Há aí uma critica não só aos escalões inferiores ou intermediários, a minha presidenta também passa a responder por com culpa, pois, não adianta querermos colocar a culpa só no meio ou no fim da "conexão", a chefe do executivo precisa também nesse caso, se posicionar favorável e energicamente ao lado povo.

Laerte Henrique Fortes Braga Há dois aspectos nessa questão. A parte técnica e a parte política. Penso que tem que andar juntas, mas neste momento o debate político sobre a banda larga e a autonomia cidadã é decisivo para que as pessoas tenham consciência da luta que se trava e possam ser parte ativa no processo, saindo do esquema dos grupos econômicos. A percepção da própria individualidade no todo e da inserção nesse todo num projeto democrático e popular. A luta política é muito importante, colocar a mão na taça com consciência e isso exige um esforço imenso, pois os "donos" têm muito mais recursos para iludir, que as forças populares para conscientizar.

Fernanda Tardin II O Projeto é simples, dia 31 de maio aqui em Juiz de Fora, MINAS GERAIS terá a primeira antena instalada no estado, Campos tem 8 antenas instalada e o programa consiste em: uma comunidade de até 300 pessoas ( familias0 se juntam para montar uma antena que dá ( depende tamanho) para até 300 pontos. O Custo da antena é único: varia de 3500 reais a 8mil reais e é dividida pelo numero de famílias reunidas ( varia de 70 reais a 25 reais UMA UNICA VEZ) e daí instalada , compra-se o link que rateado por famílias dá um custo mensal de 3 a 5 reais..  LIBERDADE pois acesso barato, em tipo cooperativa, e com amplas possibilidades alem do acesso.

Fernanda Tardin Banda Larga CIDADA - 3 OBJETIVOS
Apoio a processos de inclusão digital de comunidades, rurais ou urbanas, menos favorecidas, no território nacional, e à convergência digital, para o desenvolvimento sócio-econômico e a redução dos desequilíbrios e desigualdades regionais no Brasil, mediante implementação, ampliação e manutenção das redes públicas de acesso à Internet; acesso aos serviços eletrônicos governamentais; interligação entre os órgãos públicos de interesse coletivo; promover a democracia plena, através do controle social em rede, da participação online sobre criação de políticas públicas de relevância popular e disseminação da educação, da cultura, da web cidadania e de modelos econômicos solidários.
Para atingir o objetivo geral do projeto, será necessário atingir os seguintes objetivos específicos:
• Soluções novas e criativas;
• Modelos econômicos de auto-sustentabilidade;
• Relevância imediata para a sociedade; e
• Potencial para impacto sócio-econômico.

Marcelo Saldanha ‎Dagmar Vulpi que belo resumo da tragédia grega. Completo com esta matéria da Presidenta: http://cafe.ebc.com.br/tpl_capa

Fernanda Tardin As metas do projeto são:
- criação de portais de transparência e dados abertos para os governos locais, seguindo os exemplos de países como os Estados Unidos (Data Gov), fornecendo ferramenta indispensável para o controle social das cidades;
- interação e poder de decisão em assuntos da comunidade perante o Poder Público;
- colaboração em massa, incentivando a disseminação do conhecimento entre seus usuários;
- estímulo a parcerias que agreguem desenvolvimento de empreendimentos populares e/ou solidários, aumentando a produtividade e a redução de custos de produtos e serviços;
- aquecimento de mercado e aumento da qualidade de serviços e produtos “concorrentes” dos oferecidos pelo projeto;
- criação de cooperativas de trabalhos, dentro das comunidades, para atender a demanda de serviços para empresas e geração de emprego e renda extra para a população;
- metodologia de ensino a distância (EAD) para a população, com conteúdo desenvolvido dentro de universidades e outras entidades de ensino que sejam parceiras do projeto;
- desenvolvimento de cursos de capacitação e treinamento específicos de empresas da região, através da metodologia de modelagem (PNL).
Agora porque nossos representantes NEGAM AO POVO ESTA CHANCE DE LIBERDADE? isto tem que ser exposto , as VICERAS das demagogias de quem usa de mandatos populares para manipular o POVO e omitir o que de fato interessa o POVO. Com a palavra: Claudio Vereza.

Marcelo Saldanha ‎Laerte Henrique Fortes Braga que bela reflexão e reafirmo, o maior empecilho é o político, pois, é através dele que as grandes corporações capitalistas e monopolistas estão vencendo esta batalha e para vencermos a guerra precisaremos fazer aquilo que nos cabe. Pressão popular sobre os governos, se não conseguirmos fazer isso, o nosso papel é só ficar levando porrada até o povo acordar. O “florida” é que banda larga no imaginário do povo é um serviço a ser consumido e não um direito a ser conquistado. Sema ajuda dos governos, cabe somente aos ativistas e cidadãos conscientes levar a luz deste tema para as massas. Sendo assim, para que não sejamos mártires levam as boas novas para todos e todas e lutarem por esta causa contra o monopólio de um direito e a favor da internet libertadora de mentes e corpos, já que a falta dela também mata, pois, internet é possibilidade de educação e educação, não preciso dizer o que é.  Reforço que temos que olhar para as cidades escolhidas nos editais de cidades digitais do governo e fazer campanha de divulgação de pelo menos duas iniciativas, sendo uma a criação dos conselhos locais de gestão da a internet publica e a garantia de existência, quiçá apoio inicial dos prefeitos para a execução de provedores comunitários, inclusive como premissa de sustentabilidade da internet na cidade. abs e sigamos fortes e juntos.

Dagmar Vulpi ‎Marcelo Saldanha eu ainda não tinha o conhecimento desta importante fala da presidenta, que, aliás, e por acaso foi dada hoje.
Mas o fato dela mostrar essa preocupação em fazer chegar a internet ao ensino básico e universidades, e com qualidade já é um enorme passo, mas ela refere-se neste caso a internet como um facilitador “somente” para os professores, para que esses usem a internet como meio facilitador de informação, indispensável para os alunos em sala, e não podemos deixar de enaltecer essa iniciativa, afinal nossos educadores precisam e muito de ferramentas cada vez mais atualizadas para o desenvolvimento de suas funções, mas, e quando esses alunos não estão no colégio, pois o ensino não se limita â sala de aula, ele deve ser constante, e devendo estar à disposição em toda parte, inclusive e principalmente em suas residências, que poderia inclusive servir além de ferramenta para o conhecimento, formação e inclusão, mas também como auxiliador no processo de tirar muitos de nossos jovens das ruas, pois esses teriam em seus lares ao menos um motivo para não sair para as ruas e ficarem a mercê da bandidagem.

Marcelo Saldanha ‎:-) Dagmar Vulpi apesar de suas colocações positivas, fiz esta postagem mais pra mostrar o quanto existe de falácias no texto. Poderia até crer que a presidenta não está totalmente a par da situação que envolve o tema banda larga, mas seria admitir que ela não está tendo ciência de fatos importantes. Dai é fundamentado dizermos que ela está apoiando um modelo de "políticas publicas" privatizadas, deixando de lado os interesses sociais em prol da situação relativamente cômoda de não ter que assumir responsabilidades sobre investimentos e gestão de direitos, ou seja, o Minicom esta desmantelando o resto que as privatizações não conseguiram fazer e tem endosso dela. Tem mais, ao entregar as redes estamos entregando um direito humano fundamental que seria capaz de mudar muita coisa no país, por fim, se continuar assim, será a 2 maior doação de recursos públicos pra fins privados, pois, somando aos 10 bilhões do FUST e mais os 13 bilhões que estão destinados no PPA, estes valores seriam suficientes para fazermos 3 PNBL com redes publicas...Mas sigamos e tenho fé que a nossa presidenta ainda poderá abrir os olhos para alem das cifras das grandes corporações financiadoras de campanhas e do conluio com a Nova Ordem Mundial em prol das garantias de poder.

Dagmar Vulpi ‎:) Marcelo Saldanha, minhas colocações positivas foram, e sei que você percebeu, acompanhada de criticas. Ponderei como positiva a inserção da internet nas escolas de ensino fundamental e universidades, MAS, a internet não pode ser SOMENTE ferramenta para os professores levarem informação DENTRO das salas de aula, MAS, também que essa esteja disponível nas casas desses jovens, servindo além do conhecimento didático, como auxiliador na área social contribuindo para tirar muitos de nossos jovens das ruas, pois esses teriam um incentivo para permanecerem mais tempo dentro de suas casas, e quanto menos eles ficarem nas ruas, menos estará à mercê da bandidagem.

Marcelo Saldanha Perfeito, e complemento que existe um perigo neste debate sobre levar internet nas escolas, principalmente nas rurais, onde através de uma mascara se pretende através do PL 1481/2007 (lei do FUST), dar os 10 bilhões para as teles construírem redes privadas para supostamente levar internet nas escolas. Diga-se de passagem, que o programa banda larga nas escolas, que hj se limita as escolas urbanas, foi uma troca entre teles e governo e por fim as teles não cumpriram a meta toda. Vale aqui reforçar com todos que averigúem se suas escolas publicas urbanas estão todas conectadas e funcionando, com link de internet de pelo menos 2 mega garantidos. Aqui vai o site da anatel pra esta verificação e validação das informações.http://sistemas.anatel.gov.br/sici/Relatorios/BandaLarga/tela.asp  Verifiquem se as escolas ditas no sistema estão realmente conectadas, pois, descobrimos que muitas escolas estavam como conectadas, mas as teles só levavam o cabo até o poste e informavam que estavam conectadas.

Paulo Carneiro Minha querida amiga, estou dando um tempo, não por vontade própria. Forcei a barra, pisei fundo no acelerador. Suspendi a medicação para retomar a razão. Dei-me mal. Abri o computador agora. Encontrei 89 mensagens novas. Não consegui compensar. Vou precisar de mais alguns dias. Vou procurar apenas acompanhar os companheiros para não perder o foco. Companheiro Marcelo. Nossa amiga Fernanda sugeriu uma reportagem com você tendo como pauta a banda larga. Ela garante que você é o cara. Vamos lá, vou fazer diferente, solicito de você um ensaio para publicar no nosso Jornal: wwww.oporrete.com.br Diga tudo e não nos esconda nada. Esperando que você aceite o convite, mande a matéria via email: prcproducoes@hotmail.com Obrigado, um abraço. 

Rui Rodrigues Tenho que ressaltar o comentário de Adalva Galvão Marangon. Certeza de mudar, só mudando o sistema que deve permitir a retirada do voto dado quando algum ministro ou político, ou ministro-político mijar fora do penico.  Pior que mijam fora do penico e Kham em nossas cabeças.

Marcelo Saldanha Esta na minha lista Rui Rodrigues ver se emplacamos o PRC 68/2011 que permite o voto direito via internet em propostas de iniciativa popular. Não é a democracia direita ainda, mas vai dar um ponto de vantagem pra gente. Só precisamos fazer duas coisas : botar pressão pra que a casa vote favorável e talvez até possamos dar umas pitacas na lei junto ao deputado Paulo Pimenta e depois extrair o mal fétido que assola a CLP, ou seja, tirar Garotinho da Presidência da Comissão de Legislação Participativa. :-) dai poderemos mijar de volta nas cabeças errantes do governo :-) Não é nobre mas vai dar o recado.

Adalva Galvão Marangon Que mude o sistema, façamos campanhas. Fora do penico e o que mais fazem os nossos políticos, Ufaaaaaa!!!! ai ai ai.

Rui Rodrigues Todo o passo na direção dos interesses dos cidadãos é passo bem dado e não pode nem deve ser desprezado. Que assim seja Marcelo Saldanha.

Paulo Carneiro Marcelo Saldanha, nosso Jornal é feito pelo povo e para o povo. O espaço é livre, sem censura. Você estará num palco de debates dos temas recorrentes da nossa sociedade. A democracia é lei, verdadeira, todos que participam e colaboram terão o direito e a garantia de concordar ou discordar de opiniões e conceitos publicados. Ninguém jamais será o dono da verdade, mais ou menos importante do que outro. Seja muito bem vindo. Sei que a amiga Fernanda vai esperar ansiosa para ler as suas primeiras matérias, eu também é claro. Olhares atentos do mestre Dagmar, do Samuel, do André, do Allan, da nossa editora chefa, Ane Duarte, do nosso colunista, desembargador Pedro Feu Rosa, do chefe de redação, Paulo Cesar Dutra, do nosso consultor jurídico, Dr Robson Jaccoud, e também dos assessores que monitoram tudo aquilo que O PORRETE publica. Boa sorte.

Marcelo Saldanha ‎Paulo Carneiro estou empenhado em postar todos os tópicos vitais para o bom debate e até aguardo que apareçam as controvérsias, pois, até hj, ninguém, nem do governo e nem das teles se colocaram para o debate aberto no investimento de acharmos o consenso e a garantia efetiva deste direito rezado em lei. Sigamos meu nobre e com muita empolgação.

Rui Rodrigues Caro Marcelo Saldanha. Desejo todo o sucesso e acompanharei, Mas lembro que dentro do sistema, são tantas as dificuldades, muros e barreiras que nos colocam, incluindo enorme dose de burocracias, como nos sistemas totalitários - também se dizendo democratas - que só vejo uma solução política, com base em parte técnica já definida ou bem alinhavada: Discutir o sistema fora do sistema - indo para as ruas e exigindo o que é de direito reconhecido ou não


Plenário aprova PEC do Trabalho Escravo

O Plenário da Câmara aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438/01, do Senado, que permite a expropriação de imóveis rurais e urbanos onde a fiscalização encontrar exploração de trabalho escravo, e os destina à reforma agrária e a programas de habitação popular. A proposta é oriunda do Senado e, como foi modificada na Câmara, volta para exame dos senadores.

A votação da PEC do Trabalho Escravo só foi possível depois de um acordo dos líderes, em reunião na tarde desta terça-feira, na sala da Presidência da Câmara. A proposta passou com 360 votos a favor, 29 contra e 25 abstenções. O texto precisava de 308 votos para ser aprovado.

Depois de intensa negociação e participação da sociedade civil no debate público, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Trabalho Escravo comemora a votação da proposta em segundo turno.

“Como disse o ministro Vannucci, ‘a Casa Grande perdeu mais uma’. A aprovação da PEC na Câmara representa uma enorme vitória dos movimentos sociais e direitos humanos, do governo e da sociedade civil. Esta é a conquista de todos que coloriram os corredores do Congresso vencendo o debate contra aqueles que sob o manto da falsa indefinição do trabalho escravo trabalhavam em oposição. Agora a luta é no Senado e esperamos que a PEC continue a avançar”, comemora o deputado federal Cláudio Puty (PT-PA).

Puty também avaliou que a aprovação da PEC fortalece o trabalho da CPI. “A partir de agora, não só vamos apurar a situação do trabalho escravo no país, mas também teremos que regulamentar a aplicação da PEC”, disse o deputado.

A PEC do Trabalho Escravo foi aprovada em primeiro turno pela Câmara em agosto de 2004, como uma resposta ao assassinato de três auditores do Trabalho e de um motorista do Ministério do Trabalho, em Unaí (MG), em 28 de janeiro daquele ano. Os quatro foram mortos depois de fazerem uma fiscalização de rotina em fazendas da região, onde haviam aplicado multas trabalhistas. O processo criminal ainda corre na Justiça, e nove pessoas foram indicadas pelos homicídios, incluindo fazendeiros.

Durante a discussão, diversos deputados afirmaram que o Congresso precisa agora aprovar uma lei que regulamente o assunto, definindo o que é condição análoga a trabalho escravo e os trâmites legais da expropriação.

O presidente da Câmara, Marco Maia, disse que as duas Casas do Congresso vão formar um grupo de trabalho para redigir o projeto de lei de regulamentação. A criação da comissão é fruto de um acordo fechado há duas semanas entre Maia e a presidente interina do Senado, Marta Suplicy, que garantiu a votação da PEC.

ContextoO crime, que ficou conhecido como a chacina da Unaí, também motivou o Congresso a aprovar um projeto que transformou a data de 28 de janeiro em “Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo”. A proposta foi sancionada e virou a Lei 12.064/09.

Lei de acesso a informações públicas - O que esperar do jornalismo


A lei de acesso a informações públicas entrou em vigor no último dia 16 de maio, coroando de êxito mais de uma década de luta e empenho de entidades civis nacionais. Sancionada em novembro de 2011, a Lei nº 12527/11 tinha bases constitucionais desde o final dos anos 1980 e sua elaboração teve ampla participação da sociedade civil por meio do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas. A vigência da lei ganhou espaço no noticiário nacional, tomando contornos de vitória da sociedade, de amadurecimento do país. Nas redações, pode-se supor que houve uma certa contagem regressiva para que a lei finalmente passasse a valer, o que veio acontecer na mesma época em que o governo federal implantava uma Comissão da Verdade, dedicada a revisar um passado que a nem todos interessa reavaliar.

Do ponto de vista institucional, a Lei de Acesso fortalece a cidadania e ajuda a elevar os padrões da nossa cidadania. A partir de um novo marco jurídico, novas relações podem ser estabelecidas entre o Estado e os cidadãos. O “segredo”, as “razões de Estado” e a “segurança nacional” encolhem na extensão de suas semânticas, antes infinitas. Órgãos públicos e governos deslocam-se de posições antes inatingíveis para patamares em que podem ser inquiridos, questionados, cobrados de seus atos anteriores. Temos, então, a solução para todos os males do Brasil, certo?
Claro que não. A Lei de Acesso é apenas mais um instrumento que contribui para uma conciliação social, para uma reorganização dos atores no tecido conjuntivo que chamamos de país. A lei permite que o cidadão comum possa ter uma relação menos subalterna e precária com o Estado que sustenta. Possibilita que se atenuem algumas zonas cinzentas que separam as decisões governamentais do cotidiano rasteiro dos brasileiros. É pouco, mas tem o seu valor. Com uma lei como essa, pedir informações sobre atos que deveriam ser públicos escapa da esfera do favor e da concessão; passa a fazer parte de um processo, naturaliza-se. A lei não mata a fome de ninguém, mas permite saber porque recursos destinados à merenda escolar não foram usados para esse fim, por exemplo.

Mas, e o jornalismo?
Se uma lei como essa pode ajudar a transformar as relações entre Estado e cidadãos, imagine suas implicações junto a uma instituição que se orienta pelo trabalho de tornar visível o que é insistentemente ocultado... É mais ou menos assim que tento dimensionar o impacto da Lei de Acesso para o jornalismo.
Um questionamento esperado em território brasileiro é “será que a lei vai pegar?” Difícil responder agora, mas acredito que as condições políticas urdidas nas últimas décadas podem compor uma força que impeça a lei de naufragar. Este empuxo – alimentado por uma vontade coletiva de saber, por um desejo de mudanças nas relações sociais – faz com que a Lei de Acesso se torne um instrumento de empoderamento que tonifica a presença no cenário do cidadão comum (do eleitor, se quiserem). Assim, jornalistas podem esfregar as mãos porque a história pode estar apenas começando.

O que se pode esperar a partir de então?
Primeiro, penso que assistiremos a um período de acomodação para órgãos públicos e governos. Eles não estão preparados para atender e satisfazer os pedidos de informação de milhões de pessoas, quem estaria? Eles precisam se acostumar a isso. Neste período, portanto, é muito possível que haja atritos entre jornalistas, servidores e políticos, entre cidadãos e órgãos, enfim, entre quem se atreve a perguntar e quem tinha prerrogativas infinitas de negar informações.
À medida que a transparência enquanto valor social ganha músculos, uma quantidade razoável de poder que antes estava centralizada e encerrada nas mãos de alguns atores se fragmenta, e como sempre acontece quando algo se espatifa, há cacos que se perdem para sempre.

Assim que o sistema conquistar alguma estabilidade, novas relações devem emergir, muito possivelmente com cidadãos mais fortalecidos no palco político. Jornalistas e veículos de informação também podem se sobressair, caso reforcem suas vocações de cobradores de respostas. Caso insistam na encarnação de delegados do público para buscar dados e explicações. Mas para isso, não poderão abandonar o compromisso ético de checar informações, de contrapor versões, de ouvir os lados envolvidos, de investigar e conferir. Solicitar números e declarações por meio de formulários e publicar na seqüência o que se obtiver não será nada demais! Isso está longe de ser jornalismo, pois se aproximar mais dos serviços de um cartorário.

Relação ética
Será necessário investir na produção de informação qualificada, inédita, exclusiva e socialmente útil; será preciso oferecer relatos contextualizados, claros, bem explicados; será imprescindível que os jornalistas aprimorem técnicas de reportagem, que tornem mais sofisticados seus métodos de investigação e que não se contentem com os primeiros resultados de suas investidas às fontes.
O leitor mais atento poderá se contrapor: mas isso é básico do jornalismo! Sim, é. Mas diante de uma possível explosão de dados, selecionar e processar informações serão ações cada vez mais centrais no processo de comunicação e tradução do mundo. Os jornalistas não poderão prescindir desses cuidados. Em nome de uma relação ética com seu público e fontes, e em nome da sobrevivência disso que convencionamos chamar de jornalismo. 
Fonte: Observatório da Imprensa (22.mai.2012) | Autor: Rogério Christofoletti

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Leia abaixo um pouco mais sobre essa nova Lei
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A nova regra tem o objetivo de regulamentar o direito de acesso dos cidadãos às informações públicas e seus dispositivos aplicáveis aos três poderes da União: Legislativo, Executivo e Judiciário, segundo informações da CGU (Controladoria Geral da União). 

O especialista em direito administrativo Nestor Castilho Gomes, do escritório Bornholdt Advogados, avalia que a lei é importante, pois tem o objetivo de regulamentar o acesso às informações de forma a garantir a transparência, que é um dever da administração pública e um direito do cidadão.

A lei “concretiza o princípio da publicidade na administração pública. A Constituição Federal garante a todos o direito de receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral”, explica. 

O diretor do IASP (Instituto dos advogados de São Paulo), José Horácio Halfeld Rezende Ribeiro, concorda com a importância da nova regulamentação e destaca que “o grande mérito é que você realmente efetiva o acesso à informação”. Mas ressalta que é preciso que haja um bom treinamento dos servidores públicos que terão acesso a essas informações. “É preciso que eles estejam preparados e tenham o discernimento para garantir a proteção dos dados”. 

A lei também estabelece prazos para que sejam repassadas as informações ao solicitante. Segundo o governo federal, a “resposta deve ser dada imediatamente, se estiver disponível, ou em até 20 dias, prorrogáveis por mais dez dias”.

Abaixo, o advogado Gomes esclarece algumas dúvidas sobre a nova lei: 

- A quais informações o cidadão passa a ter direito de acesso?

A qualquer informação de interesse público. Podemos citar como exemplo informações relativas à agenda de autoridades, atividades exercidas pelos órgãos e entidades públicos, utilização de recursos públicos, licitações, contratos administrativos, resultado de inspeções, auditorias etc. O acesso a estas informações permite que a sociedade fiscalize a gestão pública, o que é central para o exercício pleno da cidadania.

- Caso não receba a informação solicitada, a quem o cidadão pode recorrer?

O cidadão poderá interpor recurso, que será dirigido à autoridade hierarquicamente superior àquela que se recusou a prestar a informação. Em última instância, o Poder Judiciário poderá ser acionado.

- O servidor público que se negar a conceder a informação sofre alguma punição?

Sim. A Lei prevê que o agente público que se recusar a fornecer a informação requerida, retardar deliberadamente o seu fornecimento ou fornecê-la intencionalmente de forma incorreta, incompleta ou imprecisa, comete infração administrativa, que deverá ser apenada, no mínimo, com suspensão. Dependendo do caso, há a possibilidade de o agente público também responder por improbidade administrativa.

- É necessário justificar o motivo pelo qual determinada informação é solicitada? 

Não. Basta que o pedido contenha a identificação do cidadão interessado e a especificação da informação requerida. Vale lembrar que o pedido de informações é gratuito. Na hipótese de reprodução de documentos poderá ser cobrado exclusivamente o valor necessário ao ressarcimento do custo dos serviços e dos materiais utilizados. Ainda assim, as pessoas que não tenham condições econômicas de arcar com estes custos de reprodução estarão isentas da cobrança. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

População carcerária dobrou, mas cresce menos


Por Robson Pereira*
Se fosse uma cidade, a população carcerária brasileira estaria entre as maiores do país em número de habitantes. Ficaria entre Londrina, no Paraná, e Niterói, no Rio de Janeiro, embora sem o encanto e a relativa tranquilidade das duas. São 496.251 presos, 40% deles provisórios, à espera de julgamento, espalhados pelo território brasileiro. Todas as previsões feitas ao longo da década passada se confirmaram. Entre 2000 e 2010, o número de encarcerados no Brasil simplesmente dobrou de tamanho. A boa notícia é que na segunda metade da década a taxa média de crescimento caiu pela metade.
São presos demais e, a rigor, essa cidade nada fictícia poderia ser maior ainda do que as capitais Aracajú e Cuiabá, pois os números atuais não incluem os mandados de busca expedidos pela Justiça. Ninguém sabe ao certo quantos condenados à prisão estão foragidos. Só em São Paulo seriam 150 mil ordens de captura, mas não são raros os casos de vários mandados expedidos contra a mesma pessoa, uma falha que continuará se repetindo até que o país tenha um cadastro nacional de fugitivos, uma medida, por sinal, incluída na Lei 12.403, sancionada no mês passado.
Com tantos prisioneiros, haja presídios – e dinheiro para construí-los. Entre 2003 e 2009, segundo dados oficiais da Secretaria Nacional de Segurança Pública, o governo investiu mais de R$ 1 bilhãona construção de 97 estabelecimentos penais, além de ter ampliado e reformado outros 37, valor que não inclui equipamentos ou reaparelhamento na área de segurança. Tal esforço resultou em um crescimento expressivo no número de vagas, da ordem de 138%, de 135 mil em 2000 para as atuais 323.265. Mesmo assim, a conta não fecha e o país precisaria de 400 novos presídios para acomodar tantos presos. Ou de uma nova abordagem para o problema.
Antes de investir R$ 1 bilhão, o déficit de vagas no sistema penitenciário era de 60.714. Hoje, está em 140.411, um aumento de 122% - proporcionalmente menor do que a ampliação de vagas (138%), que, por sua vez, foi maior do que o crescimento no número de presos (113%) no período. Lembra um pouco a fábula do cão correndo atrás do próprio rabo. Em mais uma década e com mais alguns bilhões de reais gastos em novos presídios talvez faça sentido.
Além de construir, é preciso manter presos e presídios. Até pouco tempo, o Depen estimava em R$ 1.600 o custo médio mensal, pago pelo contribuinte, para a manutenção de um preso nas penitenciárias brasileiras. Em alguns estados, a conta chega a R$ 3 mil por mês. "É um investimento idiota: gastamos bilhões de reais para tornar as pessoas piores do que elas são", resume o ex-diretor do Departamento Penitenciário Nacional Maurício Kuehne.
Não fossem os mutirões carcerários organizados pelo Conselho Nacional de Justiça, a situação das penitenciárias brasileiras seria ainda mais grave. A marca do 100º mutirão não está longe de ser alcançada. Até o final do ano passado foram realizados 80 em praticamente todos os estados brasileiros. A temporada 2011 está em pleno andamento e o calendário para 2012 já está pronto.
Há quem compare a política de mutirões ao trabalho de secar gelo. Pode até ser, mas os números conseguidos até agora são expressivos. De agosto de 2008 a dezembro do ano passado cerca de 28 mil presos foram libertados – não por generosidade, tampouco com o objetivo de esvaziar presídios, mas por que legalmente não deveriam estar presos. São pessoas que já cumpriram a pena, mas foram esquecidas pelo sistema, ou que nunca foram condenados, mas que mesmo assim foram jogados no mesmo bolo. Vez por outra, um desses aparece no espaço nobre do noticiário.
Diz a prática que mutirões não devem ser analisados apenas sob o ponto de vista numérico. Mais do que isso, representam uma oportunidade única para desvendar os principais gargalos da Justiça criminal brasileira, incluindo a superlotação dos presídios, assim como garantir o devido processo legal. Em outras palavras, apontar onde o sistema não está funcionando e propor melhorias para que mutirões como esses sejam cada vez menos necessários. Parte da radiografia está pronta e exposta nos primeiros relatórios divulgados pelo CNJ sobre o trabalho realizado em 13 estados mais o Distrito Federal. O diagnóstico revela que os problemas não são poucos e aponta quem não está fazendo o dever de casa.
É possível que o balanço do sistema penitenciário brasileiro da década recém iniciada apresente resultados bem diferentes e que julho de 2011 venha a ser considerado um divisor de águas. Assim como acertaram nas previsões e análises feitas até agora, não são poucos os que apostam na Lei 12.403 (entra em vigor em poucas semanas) como um dos principais instrumentos das mudanças esperadas para os próximos anos.
O texto relaciona nove medidas cautelares, incluindo o monitoramento eletrônico e a prisão domiciliar também no decorrer da ação penal, que devem ser consideradas prioritariamente, em caso de crimes com previsão de pena de reclusão inferior a quatro anos, antes que o juiz decrete uma prisão preventiva – que passa a ser uma exceção e não mais a norma, como demonstram as estatísticas penitenciárias. Os números da década passada mostram que encher prisões não é a saída e que é no mínimo questionável a sensação de que fazer justiça é prender. Existem outras formas de punir mais adequadas à sociedade, sem que isso signifique impunidade. A bola está com o Judiciário.
*Robson Pereira é jornalista

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