sexta-feira, 24 de junho de 2016

Gleisi diz que prisão de Paulo Bernardo quer tirar foco de desvios do governo



Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que a operação que prendeu hoje (23) seu marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, e realizou busca e apreensão em seu apartamento, ocorreu para desviar o foco da opinião pública de problemas do governo do presidente interino, Michel Temer.

“Não me cabe outra explicação que não o desvio de foco da opinião pública deste governo claramente envolvido em desvios, em ataques aos direitos conquistados pela população. Garantir o impeachment é tudo o que mais lhes interessa neste momento”, disse Gleisi em carta lida no plenário por sua colega de partido, senadora Fátima Bezerra (PT-RN). Gleisi não foi hoje ao Senado porque decidiu passar o dia em casa com os filhos.

Na carta, a senadora disse que o marido foi vítima de injustiça, que Paulo Bernardo sempre se colocou à disposição da Justiça e que não vê motivos para sua prisão, tampouco para a busca feita pela polícia em suas residências em Brasília e Curitiba (PR).

"Mais de dez pessoas estranhas entraram na minha casa com ordem de busca e apreensão. Trouxeram também uma ordem de prisão preventiva contra o Paulo. Busca e apreensão quase um ano depois do início do processo? Prisão preventiva para prevenir o que? Uma fuga, um conluio, qual risco representa ele?”, questionou a senadora.

Gleisi também lamentou que a ação policial tenha ocorrido na presença de seus filhos resultando, inclusive, na apreensão do computador de um deles. “Vieram coercitivamente buscá-lo em casa, na presença de nossos filhos menores. Um desrespeito humano sem tamanho e desnecessário. Não havia nada em nossa casa que podia ser levado. Mesmo assim, levaram o computador de nosso filho adolescente. Fiquei olhando meu menino e pensei sobre a dor que sentia com aquela situação”, disse a senadora na carta.

Segundo Gleisi, o patrimônio da família foi construído com os próprios salários, sem fontes ilegais. “Quem nos conhece sabe que não fizemos fortuna, não temos conta no exterior. Levamos uma vida confortável, porém modesta. O patrimônio que nós temos, parte financiado, foi comprado com nossos salários”, escreveu.

Operação Custo Brasil
De acordo com a investigação, o ex-ministro Paulo Bernardo recebia recursos de um esquema de fraudes no contrato para gestão de empréstimos consignados no Ministério do Planejamento. Os serviços da Consist Software, contratada para gerir o crédito consignado de servidores públicos federais, eram custeados por uma cobrança de cerca de R$ 1 de cada um dos funcionários públicos que solicitavam o empréstimo. Desse montante, 70% eram desviados para empresas de fachada até chegar aos destinatários, entre eles o ex-ministro.

Senado reage à busca em apartamento de senadora e considera acionar STF



Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil
A Advocacia-Geral do Senado estuda acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a legalidade do cumprimento de mandados de busca e apreensão em apartamentos funcionais de senadores que não tenham sido emitidos pela própria Suprema Corte. A provocação será motivada pela Operação Custo Brasil que, hoje (23), prendeu o ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann, e cumpriu um desses mandados no apartamento do casal em Brasília.

Embora o mandado de busca em questão deixe explícito que os policiais federais deveriam fazer apreensões apenas de bens pertencentes ao ex-ministro, resguardando tudo que tivesse a ver com a senadora, a advocacia analisa se os apartamentos funcionais são uma extensão das dependências do Senado e, portanto, a mera entrada em um deles deveria ser autorizada pelo STF e deve se posicionar sobre o assunto até amanhã (24).

Hoje, após a conclusão da reunião da Comissão Processante do Impeachment, o líder do PSDB, senador Cássio Cunha Lima (PB) concordou com esse entendimento. “Para fazer busca e apreensão em um apartamento de um senador é só com autorização do STF. Essa crítica, no meu entender, tem fundamento”, disse.

Apesar disso, o líder tucano disse que a operação de hoje “mostra que as instituições estão funcionando” e que esse é “um novelo que não para de sair linha”. “Quanto mais se investiga, mais coisas descobrem”.

Questionado sobre o que achou da decisão, o advogado da presidenta afastada Dilma Rousseff e ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, preferiu não emitir opinião. “Eu não tenho condições de comentar essa decisão. Eu não vi a decisão, eu sei que existia um inquérito há muito tempo, não sei porque foi determinada a prisão preventiva. Eu tenho que tomar a devida cautela antes de emitir qualquer opinião”, disse.

Para PT, busca na sede do partido foi "desnecessária e midiática"




Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
Por meio de nota à imprensa, o Partido dos Trabalhadores condenou as buscas da Polícia Federal realizadas na manhã de hoje (23) na sede nacional do PT em São Paulo, no âmbito da Operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato. A operação de busca durou sete horas e, para o partido, foi “desnecessária e midiática".

“Em meio à sucessão de fatos e denúncias envolvendo políticos e empresários acusados de corrupção, monta-se uma operação diversionista na tentativa renovada de criminalizar o PT”, diz a nota do partido. A nota diz ainda que o PT não tem nada a esconder e "sempre esteve e está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos”.

A Operação Custo Brasil foi deflagrada na manhã de hoje pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal. O objetivo é apurar o pagamento de propina, proveniente de contratos de prestação de serviços de informática, no valor de R$ 100 milhões, entre os anos de 2010 e 2015, a pessoas ligadas a funcionários públicos e agentes públicos no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Um dos presos na operação foi o ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A nota do partido também cita acusações a correligionários: “a respeito das acusações assacadas contra filiados do partido, é preciso que lhes sejam assegurados o amplo direito de defesa e o princípio da presunção de inocência”, diz o texto, assinado pela Executiva Nacional do PT.

Advogado do PT
O advogado do PT Luiz José Bueno de Aguiar também se manifestou sobre as buscas na sede do partido. Para ele, não havia necessidade do cumprimento de mandado de busca e apreensão e a ação foi “uma busca para tirar foco de outras coisas”.

Questionado por jornalistas, ao deixar a sede do PT, sobre o que seriam as "outras coisas", Aguiar explicou: “tirar o foco de investigações óbvias que estão sendo feitas no país inteiro e que não envolvem o Partido dos Trabalhadores. Não há que mencionar nenhuma, mas são todas de conhecimento público”, afirmou.

Segundo o advogado, os policiais recolheram documentos que já estão em órgãos oficiais e recibos que poderiam ser obtidas de outras formas. “São documentos públicos todos eles. Não vejo tanta razão para toda essa mídia, pessoal armado até os dentes. Acho que faz parte do espetáculo midiático”, disse Aguiar. Além de papéis, os policiais levaram, segundo o advogado, quatro computadores que ele não soube dizer a quem pertenciam.

Luiz José Bueno de Aguiar disse também não saber exatamente o que os policiais estavam buscando. “São dois inquéritos policiais: um de 2015 e um processo da 6ª Vara da Justiça Criminal de São Paulo de 2016”, completou. “Já estou providenciando procuração para tentar ter acesso aos autos o mais rápido possível para saber do que se trata”, disse.

De acordo com ele, os policiais não entraram na sala da presidência do PT paulista. “Achei o ato desnecessário, mas não houve violência. Não entraram na sala da presidência. Não houve nada na sala da presidência. [A ação] limitou-se a questões contábeis, o que faz parte do meu espanto, porque documentos contábeis são públicos e não há necessidade de busca e apreensão, bastaria uma simples requisição.”

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, chegou à sede do partido em São Paulo por volta das 13h, sem falar com a imprensa.

Bancada no Senado
A bancada do PT no Senado também divulgou nota questionando as reais motivações da prisão do ex-ministro Paulo Bernardo e reiterando que o objetivo da ação foi desviar a atenção da opinião pública de casos de corrupção que envolvem o governo presidente interino Michel Temer.

“A bancada estranha que tal prisão tenha ocorrido no momento em que a nação toma conhecimento de fatos gravíssimos de corrupção que atingem diretamente o governo provisório, o qual se instalou justamente para tentar paralisar as investigações da Lava Jato”, diz a nota emitida em solidariedade à senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), esposa de Bernardo.

O partido também criticou o fato de o ex-ministro ter sido preso no apartamento da senadora Gleisi por caracterizar, supostamente, uma violação à imunidade parlamentar da senadora. "A residência oficial da senadora Gleisi Hoffmann foi invadida, na presença de seus filhos menores, pela Polícia Federal, sem a devida autorização do Supremo Tribunal Federal. Com isso, usurparam-se atribuições constitucionais exclusivas do STF e da Procuradoria-geral da República”, diz o texto.

O secretário nacional de Organização do PT, Florisvaldo Souza, também se manifestou sobre a Operação Custo Brasil. Segundo ele, a iniciativa da Polícia Federal (PF) teve por objetivo desviar a atenção e tirar o foco do que ele chamou de “golpe” contra a presidenta afastada Dilma Rousseff.

“Tem um golpe em andamento e uma presidenta deposta sem motivo, sem crime e sem nada. E tem um governo montado com gente envolvida em atos de corrupção. Ou seja, o foco está lá. Não estamos entendendo a razão da Polícia Federal ter vindo à sede do PT. Não tem nenhum dirigente envolvido ou citado, não tem nenhuma questão direta envolvendo o Partido dos Trabalhadores”, afirmou Florisvaldo.

Após prisão do marido, Gleisi Hoffmann não comparece à Comissão do Impeachment




A prisão do ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo na manhã de hoje (23) atingiu o núcleo de defesa da presidenta afastada Dilma Rousseff na Comissão Processante do Impeachment do Senado.

Em fase de oitiva de testemunhas de defesa, a comissão abriu a sessão desta quinta-feira sem a presença da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), esposa de Paulo Bernardo e integrante da linha de frente da defesa de Dilma na comissão, ao lado de Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Lindbergh Farias (PT-RJ).

“Hoje a senadora não vem, ela está em casa com os filhos”, confirmou Lindbergh. “Mas com certeza estará aqui amanhã, estará aqui na próxima semana e vai continuar participando da comissão da mesma forma”, acrescentou ele.

O senador petista questionou sobre possíveis motivações políticas no fato de a operação ter sido deflagrada no momento atual, em que o Senado julga o impeachment de Dilma, mas buscou negar que isso vá afetar a defesa da presidenta afastada. “Se acham que nós vamos mudar nossa posição aqui na Comissão do Impeachment estão enganados.”

Para o senador José Medeiros (PSD-MT), que integra o bloco que faz oposição a Dilma na comissão, a prisão de Paulo Bernardo terá grande influência no julgamento da presidenta afastada.

“Tenho em mente que isso encurta essa caminhada do impeachment. Vejo que isso tem um impacto direto nessas discussões”, disse Medeiros sobre a prisão de Bernardo. “Um fato dessa magnitude, ele impacta aqui no juízo de valor, no livre convencimento dos senadores que estão na comissão”

Nesta manhã, os senadores questionaram o subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Anderson Lozi da Rocha, uma das testemunhas de defesa de Dilma. Neste momento, a ex-secretária de Orçamento Federal, Esther Dweck, presta seu testemunho aos parlamentares.

Operação Custo Brasil
A Operação Custo Brasil é um desdobramento da Operação Lava Jato e investiga um esquema de pagamento de propina de mais de R$ 100 milhões para diversos funcionários públicos e agentes políticos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, entre os anos de 2010 e 2015. O ex-ministro Paulo Bernardo foi preso em Brasília e será levado para São Paulo.

Custo Brasil: secretário municipal de SP é preso por suspeita de fraude



Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
O secretário municipal de Gestão da prefeitura de São Paulo, Valter Correia da Silva, é um dos onze presos preventivamente pela Operação Custo Brasil, deflagrada hoje (23) pela Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal.

Correia é investigado por suposta participação no esquema que teria desviado cerca de R$ 100 milhões do Ministério do Planejamento, entre os anos de 2010 e 2015. Segundo a PF, o dinheiro era desviado por meio da assinatura de contratos fraudulentos com empresas prestadoras de serviços de informática.

Versão da polícia
“Ao longo da investigação, percebemos que havia uma concatenação de ideias e de vontades de manter a contratação da empresa Consist, que abria mão de parte de seu faturamento, cerca de 70%, que eram direcionados ao pagamento de propinas”, disse o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Rodrigo de Campos Costa, evitando atribuir a criação do esquema ao ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também preso esta manhã. "Não dá para dizer que foi criado pelo ex-ministro, mas que contou com a participação ativa dele, seguramente".

Correia ocupou o cargo de secretário de Gestão do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão de 2005 a 2007. De fevereiro de 2011 a novembro de 2012, ele ocupou a secretaria-executiva adjunta do ministério. E entre novembro de 2012 e fevereiro de 2015, chefiou a assessoria Especial para Modernização da Gestão da pasta. Em março de 2015, foi convidado para trabalhar com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Procurada pela reportagem, a prefeitura de São Paulo informou que, esta manhã, Correia pediu exoneração do cargo. O pedido foi encaminhado pelo advogado de Correia (cujo nome a prefeitura não informou) com o intuito de permitir que o ex-secretário possa se defender das acusações, “alheias à administração municipal”. Em nota, a Secretaria de Comunicação acrescenta que Correia “cumpriu suas funções com diligência, de forma transparente e republicana” durante o tempo em que esteve à frente da Secretaria de Gestão. A Agência Brasil não conseguiu contato com a defesa do secretário.

Sobre o Blog

Bem‑vindo ao Blog Dag Vulpi!

Um espaço democrático e apartidário, onde você encontra literatura, política, cultura, humor, boas histórias e reflexões do cotidiano. Sem depender de visões partidárias — aqui prevalecem ideias, conteúdos e narrativas com profundidade e propósito.

Visite o Blog Dag Vulpi