segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Produção industrial da China cai para o nível mais baixo dos últimos três anos


O índice de produção industrial na China continuou a cair em janeiro para 49,4 pontos, o nível mais baixo dos últimos três anos, acentuando o declínio de novas encomendas feitas à segunda maior economia mundial.

É o sexto mês consecutivo em que o índice que mede a atividade nas fábricas e oficinas do país registra queda. Segundo a agência Bloomberg, é o nível mais baixo desde agosto de 2012, quando ficou em 49,2 pontos.

A marca abaixo da linha dos 50 pontos indica contração da atividade, enquanto acima desse valor significa expansão.

Presidente de Cuba visita a França em nova etapa de relações com a Europa


O presidente de Cuba, Raúl Castro, inicia hoje (1º) visita de dois dias à França, em uma nova etapa na normalização das relações da ilha com os países ocidentais. Desde 1995 - quando Fidel Castro visitou o país, no fim do governo de François Mitterrand -, o chefe de Estado cubano não visitava a França.

A visita ocorre depois de o atual presidente francês, François Hollande, ter estado em Cuba em maio de 2015, sendo o primeiro chefe de Estado ocidental a visitar o país desde 1959.

O líder cubano chegou a Paris no sábado (30), mas sua agenda oficial começa hoje, dia em que a ministra francesa do Ambiente, Ségolène Royal, o receberá no Arco do Triunfo.

Castro e Hollande vão se reunir no Palácio do Eliseu, estando prevista, cerca de uma hora depois, a assinatura de acordos e de uma declaração conjunta. À noite, será oferecido um jantar.

Amanhã (2), estão previstos encontros com os presidentes da Assembleia Nacional e do Senado, com o primeiro-ministro, Manuel Valls, e com a presidenta da Câmara de Paris, Anne Hidalgo.

A França, segundo o governo, pretende se afirmar como o “principal parceiro” político e econômico de Cuba na Europa. Inúmeras empresas francesas têm investido em Cuba, mas com um volume de aproximadamente 180 milhões de euros anuais, considerado baixo. “Ainda não estão à altura das nossas ambições”, disse na sexta-feira (29) o ministro do Comércio Externo francês, Matthias Fekl.

Convenções de Iowa começam a selecionar hoje os candidatos a presidente dos EUA


As primeiras definições para as eleições presidenciais dos Estados Unidos, marcadas para 8 de novembro deste ano, serão decididas nesta segunda-feira (1), em convenções partidárias no estado de Iowa. Por ser a primeira escolha de delegados que vão ser enviados para as convenções nacionais, em julho, a mídia norte-americana vem dando grande destaque para o evento.

Para analistas, Iowa é um estado pequeno, com poucos eleitores e, portanto, não produzirá impacto forte nos Estados Unidos em termos de presença de delegados nas convenções nacionais. “O que faz a convenção de Iowa ter uma enorme exposição na mídia é que o evento será um filtro para os candidatos”, disse o professor da Escola de Mídia e Jornalismo da Carolina do Norte, Paul O'Oconnor.

“Imagine um torneio esportivo em que as primeiras rodadas servem para eliminar os competidores mais fracos: assim vai funcionar a convenção de Iowa e também a convenção de New Hampshire, que se realizará em 9 de fevereiro”, acrescentou O'Connor.

Segundo o professor, essas duas primeiras convenções vão desestimular os financiadores de campanha a repassar dinheiro e dar apoio aos candidatos com desempenho fraco. Depois de Iowa e New Hampishire, outros 48 estados escolherão seus delegados para as convenções nacionais.

Segundo o professor Ferrek Guillory, também da Escola de Mídia e Jornalismo da Universidade da Carolina do Norte, as convenções de Iowa alcançaram importância em 1976, quando os delegados do estado impulsionaram a candidatura de Jimmy Carter, um governador, até então, relativamente desconhecido do estado da Geórgia, em sua corrida à presidência dos Estados Unidos. Desde então, a importância das prévias de Iowa depende das circunstâncias do ano eleitoral.

Pesquisa do jornal norte-americano Des Moines Register informa que, entre os republicanos, o candidato mais cotado é Donald Trump, com 28%; seguido por Ted Cruz (23%), e por Marco Rubio (15%). Também foram avaliados os seguintes republicanos: Ben Carson (10%), Rand Paul (5%) e Chris Christie (3%). Jeb Bush, John Kasich e Carly Fiorina ficaram com 2% da preferência dos eleitores.

Pelo lado dos democratas, Hillary Clinton é a primeira escolha com 45%, seguida de Bernie Sanders, com 42%, e Martin O'Malley, com 3%. O atual presidente Barack Obama é inelegível para um terceiro mandato.

Zika: OMS discute se declara emergência internacional em saúde pública


O comitê de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) para avaliar o risco de propagação do vírus Zika no mundo terá hoje (1º) sua primeira reunião em Genebra. O grupo discutirá se a propagação do vírus e sua possível relação com o aumento de casos de microcefalia constitui emergência em saúde pública de importância internacional, como aconteceu recentemente com a epidemia de ebola, detectada na África Ocidental.

Segundo o Ministério da Saúde, o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis da pasta, Cláudio Maierovitch, apresentará os dados brasileiros por videoconferência.

O comitê foi criado depois que os Estados Unidos emitiram alerta para que gestantes não viajassem a países onde circula o vírus e que governos aconselharam mulheres a não engravidar.

O comitê é formado por profissionais renomados, especialistas na área. Segundo a professora de direito internacional da Universidade de São Paulo, Deisy Ventura, o grupo pode se reunir por alguns dias, até definir se defende a declaração de emergência ou não. A decisão final é da diretoria-geral da OMS e pode ser mudada, dependendo das novas informações.


Durante sessão do conselho da organização na semana passada, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que a situação do vírus no mundo mudou drasticamente e que o Zika, após ser detectado nas Américas em 2015, se espalha agora de forma explosiva. Até o momento, segundo ela, 23 países já reportaram casos da doença

A situação é preocupante, segundo Margaret Chan, por conta de fatores como a ausência de imunidade entre a população; a falta de vacinas, tratamentos específicos e testes de diagnóstico rápido; e a possibilidade de disseminação global da doença, quando considerada a presença do mosquito Aedes aegypti em diversas partes do planeta. O mosquito é o transmissor do vírus.


Entenda o que é uma situação internacional de emergência em saúde pública

A professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Deisy Ventura, disse que, para decretar situação de emergência em saúde pública de importância internacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deve considerar a necessidade de ação coordenada entre os países e analisar se a situação apresenta risco à saúde global. O assunto começou a ser discutido pela entidade hoje, em Genebra. 

A criação de um comitê de emergência para avaliar a questão foi decidida depois que o governo brasileiro levantou a possibilidade de o vírus Zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, ser motivo do aumento de nascimentos de crianças com microcefalia. A informação mudou o perfil de risco do Zika, de uma leve ameaça a uma epidemia de proporções alarmantes. A decisão da OMS pode levar alguns dias.

A organização poderá fazer recomendações, como por exemplo nos cuidados em viagens, com bagagens e procedimentos. Além disso, há maior mobilização para a arrecadação de fundos destinados ao combate ao vírus. “A OMS tem que combater a propagação internacional da doença, causando o mínimo possível de danos à circulação de pessoas, de bens e mercadorias”, disse a especialista, que também é professora de direito internacional.

Para Deisy, a emergência em saúde pública de importância internacional tem um lado bom e um ruim. “Quando a OMS usa esse recurso, ela deixa todo mundo em estado de alerta, então reforça a importância daquela ameaça dentro dos Estados-Membros. Ela ajuda os ministérios da Saúde a receberem mais peso internamente. Ajuda a captar recursos internacionais e  dá uma orientação para os Estados - o que se quer é que todos andem no mesmo sentido. Por outro lado, a repercussão tem impacto sobre o turismo, sobre a compra de produtos, o que é natural quando o mundo toma conhecimento de uma situação de risco em alguns países”, acrescentou.

Desde a reformulação do Regulamento Sanitário Internacional, em 2007, foram decretadas três situações de emergência de importância internacional. A primeira em 2009, pelo vírus H1N1, em seguida pelo poli vírus selvagem, em 2014, e a mais recente, pelo ebola, também em 2014.

Mesmo com a situação do ebola, vírus transmitido pelos fluidos de pessoa para pessoa e que mata 80% dos infectados, a OMS recomendou que os países não restringissem a circulação de pessoas oriundas dos países da África Ocidental, onde havia epidemia da doença.

Ainda no caso do ebola, a organização recomendou que os governantes tivessem um sistema de comunicação eficaz, que estruturassem uma rede nacional de respostas imediatas e de tratamento. “Às vezes, as recomendações têm dificuldades de implementação porque não existem sistemas nacionais de saúde estruturados. Foi o grande problema do ebola. A gente sabe o que tem que fazer com uma crise de ebola, mas o sistema de saúde desses Estados estava sucateado e foi preciso criar uma missão das Nações Unidas”, lembrou Deisy.

Segundo a especialista, no caso do vírus Zika, os países têm mais estrutura do que a Guiné, Serra Leoa e a Nigéria, os países mais atingidos pelo ebola, e isso torna a situação um pouco mais favorável. “Nossa capacidade de resposta já é bem maior”.

Até 2007, havia um recurso usado para evitar a propagação de doenças específicas, como a varíola, febre amarela e tifo. Porém, a organização percebeu que há situações desconhecidas que precisam de ações globais enérgicas. Para tomar a decisão, é montado um comitê técnico de emergência, formado por pessoas que tenham conhecimento do assunto, que dará à OMS os subsídios necessários.

Instituto Lula diz que adversários tentam criar escândalo contra ex-presidente


Em nota divulgada ontem (31), o Instituto Lula diz que adversários do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentam criar um escândalo, “a partir de invencionices” no episódio envolvendo a suposta propriedade de um apartamento em um condomínio no Guarujá, litoral paulista.

Na semana passada, o Ministério Público de São Paulo intimou o ex-presidente e a mulher dele, Marisa Letícia, para prestar depoimento como investigados, no dia 17 de fevereiro, sobre um imóvel tríplex, no Condomínio Solaris, no Guarujá. A suspeita do Ministério Público Federal é de que proprietários de apartamentos do condomínio usaram o nome de terceiros para ocultar patrimônio.

Na ocasião, o ex-presidente divulgou nota em sua página no facebook, afirmando serem infundadas as suspeitas dos promotores e levianas as acusações de suposta ocultação de patrimônio.

Mostrando imagens de documentos relativos ao processo, a nota faz um histórico a respeito da cota em um empreendimento da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop). Segundo o texto, a mulher de Lula, Marisa Letícia, pagou, entre maio de 205 e dezembro de 2009, as prestações mensais e intermediárias do carnê da Bancoop. "Como fez para cada associado, a Bancoop reservou previamente uma unidade no futuro edifício -  no caso, o apartamento 141, uma unidade-padrão, com três dormitórios (um com banheiro) e área privativa de 82,5 metros quadrados.

Ao fim desse período, de acordo com o texto, a Bancoop passava por crise financeira e estava transferindo vários de seus projetos a empresas incorporadoras, entre elas a OAS. A família, mesmo não tendo aderido ao novo contrato com a "incorporadora OAS, manteve o direito de solicitar a qualquer tempo o resgate da cota de participação na Bancoop e no empreendimento" e como não houve adesão ao novo contrato, a unidade foi vendida para outra pessoa.

Na nota, o instituto diz que o ex-presidente, na condição de cônjuge em comunhão de bens, declarou ao Imposto de Renda “regularmente a cota-parte do empreendimento adquirida por sua esposa” e que a informação consta da declaração de bens de Lula como candidato à reeleição, registrada no Tribunal Superior Eleitoral em 2006.

Segundo o texto, um ano depois de concluída a obra do Edifício Solaris, o ex-presidente Lula e Marisa Letícia visitaram, junto com o então presidente da OAS, Léo Pinheiro, o apartamento triplex que estava disponível para venda e que foi a única vez em que Lula esteve no local. “Marisa Letícia e seu filho Fábio Luís Lula da Silva voltaram ao apartamento, quando ele estava em obras. Em nenhum momento, Lula ou seus familiares utilizaram o apartamento para qualquer finalidade”.

O texto acrescenta que a família desistiu da compra, "mesmo tendo sido realizadas reformas e modificações no imóvel (que naturalmente seriam incorporadas ao valor final da compra) e que as "notícias infundadas, boatos e ilações romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento".

O instituto conclui afirmando que fracassaram todas as tentativas de envolver o nome do ex-presidente no processo da Lava Jato, “apesar das expectativas criadas pela imprensa, pela oposição e por alguns agentes públicos partidarizados, ao longo dos últimos dois anos”, que também fracassarão as tentativas de envolver o ex-presidente na suposta venda de medidas provisórias e que a denúncia “restará sepultada nos autos e perante a história”.

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