Blog Dag Vulpi
- Depois de as autoridades confirmarem a morte de um manifestante na madrugada
de ontem na região de Entre Ríos, governada por um aliado da presidente
Cristina Kirchner, o governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli —
cotado para disputar a Casa Rosada pela corrente kirchnerista, em 2015 —,
interrompeu uma viagem ao Brasil para anunciar um aumento no soldo dos
policiais. Com os agentes em greve, a onda de saques iniciada na semana passada
em Córdoba se estendeu para as províncias de Catamarca, San Juan, Río Negro,
Chubut, Neuquén, Santa Fé e La Rioja. Desde o início dos distúrbios, foram
registradas três mortes.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Hollande negociará caças com Dilma
Por Paulo
Silva Pinto
Blog Dag Vulpi
— Os franceses contam com a visita do presidente François Hollande ao
Brasil, na quinta e na sexta-feira, para destravar o processo de escolha dos
novos aviões de combate da Força Aérea Brasileira (FAB) de forma favorável à
venda do modelo produzido pelo país, o Rafale F3. Uma prova de que não há
chance de o assunto ser esquecido na pauta de conversas entre Hollande e a
presidente Dilma Rousseff é o fato de que a comitiva francesa inclui Éric
Trappier, o principal executivo da Dassault, empresa que lidera o consórcio
Rafale.
Os absurdos do caso dos trens em SP e como atua a máquina de “assassinar reputações” denunciada por Tuma Jr.
A Justiça Federal de São Paulo enviou nesta terça para o Supremo
Tribunal Federal (STF) o inquérito que investiga a eventual formação de cartel
e pagamento de propina a agentes públicos na compra de trens em São Paulo.
Vamos ver se consigo ser didático ao explicar por que isso acaba sendo uma
espécie de cereja no bolo da lambança jurídico-política — ainda que o juiz, em
si, não tenha nada com isso.
1 – Por que o inquérito está sendo enviado ao Supremo? Porque
envolve autoridades com foro especial por prerrogativa de função — há deputados
federais sendo acusados.
2 – Mas esperem: se só está indo ao STF porque existem essas
autoridades sendo acusadas, por que, então, o papelório todo não foi enviado,
desde o princípio, à Procuradoria-Geral da República? Ou será que a Polícia
Federal admite que fazia uma investigação ilegal de parlamentares com direito a
foro especial? E que se note: foro especial não é sinônimo de privilégio.
3 – As respostas às questões do item nº 2 são simples. O material
não havia sido enviado à Procuradoria-Geral da República porque, simplesmente,
as tais autoridades não haviam sido citadas por ninguém.
4 – No acordo de delação premiada que fez com a Polícia Federal e
no acordo de leniência que assinou no Cade, Everton Rheinheimer, ex-diretor da
Siemens, não havia citado autoridade nenhuma do governo de São Paulo. Parece
que isso tudo só se deu a posteriori, quando se achou que o caso não estava
sendo politizado o bastante.
5 – O que terá acontecido no percurso? Nas suas várias conversas com
a PF, será que Rheinheimer foi se lembrando do acontecido?
6 – Depois que o ministro José Eduardo Cardozo — que terá de
explicar à Comissão de Ética Pública — foi chamado às falas pela oposição, o
que houve? Começaram a aparecer as “provas” contra as autoridades, que antes
não existiam?
7 – A própria procuradora Karen Louise Kahn, do Ministério Público
Federal em São Paulo, manifestou-se contra o envio do inquérito para o STF.
Razão? Ela não vê indícios ou provas suficientes contra os políticos com foro
privilegiado citados nos depoimentos da investigação.
8 – O que se está procurando fazer, na verdade, é empurrar para a
frente um imbróglio que é de natureza política.
9 – A Justiça Federal, prudentemente, resolveu emitir uma nota em
que se lê: “A remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal não
implica reconhecimento pelo magistrado responsável pela supervisão do inquérito
da existência de indícios concretos de práticas criminosas pelas autoridades
referidas, fundamentando-se apenas no entendimento de que compete ao STF
supervisionar eventuais medidas investigatórias relacionadas a tais
autoridades.”
10 – Qual é o trâmite agora? No Supremo, o caso ganhará um
ministro relator. Ele enviará o material para a Procuradoria-Geral da
República, que dará o seu parecer, que pode ou não ser acatado pelo ministro.
Se a PGR disser “sim”, e o ministro achar que “não”, o órgão pode entrar com um
agravo para que o pleno se manifeste.
11 – Atenção! Ainda que o inquérito seja sigiloso — a despeito dos
vazamentos —, sabe-se que não traz absolutamente nada contra as autoridades
tucanas, a não ser a acusação feita pelo ex-diretor da Siemens, que depois
negou ser o autor das acusações.
Romeu Tuma Jr. está sacudindo os meios políticos com um livro em
que denuncia a máquina petista, incrustada no estado, de produzir e esquentar
dossiês contra adversários. Não só isso: também acusa o governo de fazer corpo
mole quando se trata de investigar os seus pares. O caso dos trens de São
Paulo, diga-se, está no livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de
Estado”.
Sobram evidências de formação de cartel na construção dos metrôs
de Belo Horizonte e Salvador. Para mais informações, leia post, que remete a outros links. Ora,
segundo o delegado da Polícia Federal que apurou o caso em São Paulo, um certo
João Roberto Zaniboni é só um lobista pagador de propina. É mesmo?
Ocorre que, como noticiou o Painel da Folha, o tal Zaniboni,
ex-diretor da CPTM condenado na Suíça por lavagem de dinheiro e indiciado no
Brasil sob suspeita de atuar em cartel em contratos de trens em São Paulo, “também recebeu da CBTU
(Companhia Brasileira de Trens Urbanos), empresa de economia mista ligada ao
governo federal. A Focco, empresa da qual Zaniboni era sócio até agosto, tem
contrato de R$ 4,6 milhões para consultorias em obras de metrô que integram o
PAC. A Focco tem 50% de participação no consórcio contratado em dezembro de
2012 para fazer consultoria técnica, apoio ao gerenciamento e supervisão dos
contratos de fornecimento de equipamentos para as regionais da CBTU em Belo
Horizonte, Natal e João Pessoa. Segundo o advogado de Zaniboni, Luiz Fernando
Pacheco, a empresa recebeu R$ 500 mil, ou 24,5% de sua parte do contrato. O
relatório de gestão da CBTU informa que os R$ 4,6 milhões já foram empenhados e
liberados e estão inscritos nos restos a pagar de 2012.”
E aí?
É só isso? Não! Informa também o
Painel: “O
contrato com a CBTU não apareceu até agora nem no inquérito da Polícia Federal,
no qual a Focco e Zaniboni são citados, nem na apuração aberta pelo Cade sobre
cartel. A empresa está com bens bloqueados em função das investigações sobre
contratos em São Paulo.”
É isso aí. O governo federal pagou a consultoria feita por aquele
que a PF chama “lobista”, condenado por lavagem de dinheiro na Suíça. A PF não
investiga nada. O Cade não quer saber. Quer dizer que, quando ele trabalha para
entes ligados ao PT, ele é “consultor”; quando trabalha para os tucanos, é
“lobista”, é isso?
Encerro
Notem: eu não pertenço a essa súcia que sai por aí defendendo criminosos em troca do rico dinheirinho de estatais. Que cada um pague por aquilo que fez. Em São Paulo ou em qualquer lugar. O que é inaceitável é que a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e o Cade selecionem os seus alvos, deixando de lado as investigações que comprometem o governo federal. Ah, sim: a minha recomendação NÃO É para livrar a cara de todos. É para não livrar a cara de ninguém.
Quanto ao inquérito que chega ao STF, ele é de tal sorte frágil
que dificilmente seguirá adiante. Ministros não costumam abrir inquérito só
porque um delegado da predileção de José Eduardo Cardozo é muito convicto.
Por Reinaldo Azevedo
STF avalia financiamento eleitoral
O Estado de S.
Paulo - 09/12/2013
O Supremo
Tribunal Federal agendoupara esta quarta-feira o julgamento de uma ação da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que visa declarar a inconstitucionalidade
do financiamento privado de campanhas eleitorais.
A OAB também
pretende que sejam proibidas doações de pessoas jurídicas a partidos políticos
e que haja novos limites para o financiamento de campanhas e de siglas por
pessoas físicas. A ideia é que o Congresso reformule posteriormente o teto
atual, no qual pessoas físicas podem doar até 10% dos seus rendimentos brutos
no ano anterior à eleição. A legislação atual também prevê que pessoas
jurídicas possam doar até 2% do faturamento bruto do ano anterior à eleição.
Tarso Genro rebate Tuma jr: não houve dossiês
Do site Brasil
247
Acusado pelo
ex-secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, de ter engavetado pedidos
de investigação que atingissem o governo na época em que era ministro da
Justiça, durante o governo Lula, Tarso Genro, hoje governador do Rio Grande do
Sul, afirma em nota ter encaminhado "todas as denúncias que recebeu com
indícios de corrupção formalmente para a Polícia Federal"; diz ainda que,
durante sua gestão, "não foi produzido qualquer dossiê contra qualquer
governador ou partido político", conforme acusa o delegado.
O governador
do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, rebateu as acusações que recebeu do
ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior em seu livro
"Assassinato de reputações – um crime de Estado", divulgado pela
revista Veja como um "livro bomba" neste final de semana. Segundo o
delegado, Tarso Genro, na época em que era ministro da Justiça, comandou uma
fábrica de dossiês contra inimigos políticos do governo Lula.
Em entrevista
à Veja, Tuma Júnior declarou ter enviado para Tarso Genro denúncia sobre uma
conta no exterior que serviria como "lavanderia para o mensalão".
"Mandei cópia para o ministro Tarso Genro apurar isso, e espero a resposta
até hoje", disse. O petista diz desconhecer detalhes da denúncia, mas nega
ter sido engavetador.
Em nota
divulgada neste domingo, o governador esclarece ter encaminhado "todas as
denúncias que recebeu com indícios de corrupção formalmente para a Polícia
Federal". O ex-ministro acrescenta ainda que "todas as secretarias do
Ministério da Justiça detinham total autonomia para encaminhar evidências de
crimes ou irregularidades diretamente à Polícia Federal".
A respeito da
produção de dossiês a pedido do governo, tema central do livro, Tarso Genro
afirma que "não foi produzido qualquer dossiê contra qualquer governador
ou partido político" enquanto ele comandou o ministério da Justiça (de
2007 a 2010). Segundo Tuma Júnior, os dossiês fabricados a pedido do governo
atingiram, entre outros nomes, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e
o ex-senador Tasso Jereissati (leia mais AQUI).
Romeu Tuma Júnior foi Investigador de polícia com apenas 16 anos?
Publicado
Originalmente no site Brasil 247
Blog Dag Vulpi - Romeu Tuma Jr.
afirma no livro promovido pela revista Veja que acompanhou pessoalmente
depoimentos do ex-presidente Lula em colaboração com o regime militar; isso é
falso; quando Lula foi preso, em 19 de abril de 1980, Tuminha tinha apenas 16
anos e seis meses de idade, o que impede qualquer pessoa de ter cargo público,
quanto mais o de "investigador subordinado"; antes, quando Lula se
tornou sindicalista, em 1972, o policial que perdeu o cargo de Secretario
Nacional de Justiça por comprovadas ligações com o contrabandista Li Kwok Kwen,
contava nove anos de idade; seus amiguinhos brincavam de polícia e bandido e
ele já saia em diligências políticas com o pai, o delegado Romeu Tuma, é isso? Acredita
quem quiser, mas a verdade é que a vendeta de Tuminha contra Lula não se
sustenta; mais uma vez, o pequeno Tuma mentiu.
No dia 19 de
abril de 1980, quando, às seis da manhã, o então sindicalista Luiz Inácio Lula
da Silva foi preso em sua casa, em São Bernardo, e levado para o Dops, em São
Paulo, onde passaria os 31 dias seguintes, o autor do chamado 'livro-bomba',
pela revista Veja, contava com 16 anos e seis meses de idade. Romeu Tuma Jr.,
filho do então delegado Romeu Tuma, só completaria 17 anos em 4 de outubro
daquele ano. Para a maioridade ainda faltavam para ele, na ocasião da prisão de
Lula, um ano e sete meses. Todos sabem que só se pode entrar para o serviço
público, em qualquer categoria, com um mínimo de 18 anos de idade.
A pergunta que
o tal 'livro-bomba' propagandeado por Veja não responde é: como conseguiu ainda
imberbe aos 16 anos e seis meses idade, o jovem Romeu Tuma Jr. saber por ele
próprio, como afirma no livro e em entrevista, que Lula fora um colaborador da
ditadura?
Tuminha, como
o policial é conhecido – também alcunhado pela própria Veja, anos atrás, como
"muambeiro" e "meliante" – seria um "gato", como
é conhecido o jogador de futebol que mente a idade para atuar em categorias de
base, mas às avessas? Ou seja, em lugar de mentir para menos a sua própria
idade, teria mentido para mais a fim de se tornar, como disse
"investigador subordinado" do Dops chefiado por seu pai e sair por aí
armado e com título de autoridade policial? Isso o livro não esclarece.
À altura de sua
prisão, Lula era visto como o adversário número 1 da ditadura militar. Não
havia o menor diálogo entre as duas partes. Afinal, desde 1977, quando os
metalúrgicos da Scania, em São Bernardo, pararam suas máquinas e cruzaram os
braços dentro do próprio chão da fábrica, Lula era a imagem da radicalização.
Pode-se
imaginar, com grandes doses de criatividade, que Lula, ao entrar para a
diretoria do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo, em 1972, tivesse
alguma interface com agentes do regime militar. O então presidente da entidade,
Paulo Vidal, era considerado um pelego – e bem poderia confirmar ou desmentir
informações procuradas pelos integrantes do regime. Mas Lula? Ele que decidiu
entrar para o sindicalismo e a política depois de saber que seu irmão mais
próximo, Frei Chico, fora torturado quase até a morte pelos agentes da
repressão?
Em 1972,
Tuminha, o autor do, repita-se, do 'livro-bomba', tinha então 9 anos de idade.
Quando seus amiguinhos deveriam estar brincando de polícia e bandido, pelo
jeito ele já carregava um distintivo de verdade no peito para sair ao lado do
pai, o Tumão, em diligências atrás de comunistas e que tais. Isso é plausível?
Tumão, como se
sabe, morreu em 2010. Ele não pode, assim, contar a sua versão, a não ser que
Tuminha consiga algum meio de colher seu depoimento, como dizem os
policiais.
Acreditar
nessa possibilidade, assim como crer que Tuminha, já aos 16 anos frequentava os
salões da repressão do Dops, é dar crédito demasiado a um personagem que, no
papel de chefe da área federal contra o contrabando, foi flagrado negociando um
salvo-conduto para um dos maiores contrabandistas do País, Li Kwok Kwen, o
chinês que controla o contrabando de produtos piratas em São Paulo.
Antes do
conluio com o chefe do contrabando, também pego no pulo, Tuminha fez da
Secretaria Nacional de Justiça uma central de favores para amigos e parentes,
tentando pilotar, inclusive, uma vaga na burocracia para a namorada de um
amigo.
Menos do que
ter conteúdo de verdade, o livro que Tuminha publica é, fora de dúvida, uma
pronta e acabada vendeta contra o mesmo Lula que lhe deu um cargo de prestígio
na máquina federal e teve de removê-lo de lá por péssimo comportamento.
E vinganças,
como se sabe, não precisam da verdade para se concretizar. Uma mentira republicada
em Veja pode ser dada como verdade - e o serviço está feito. É o que está em
curso com o tal "livro-bomba". Um traque.
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