sábado, 10 de novembro de 2012

Emir Sader: Antes, a direita recorria aos quartéis, agora usa a mídia para apelar ao Judiciário


Até 1930 a direita brasileira dispunha a seu bel prazer do Estado, colocava-o totalmente a serviço dos interesses primário-exportadores, desconhecendo as necessidades das classes populares. Getúlio fez a brusca transição de um presidente – Washington Luiz, carioca adotado pela elite paulista, como FHC – que afirmava que “Questão social é questão de polícia”, para o reconhecimento dos direitos dos trabalhadores pelo Estado.
Com o surgimento da primeira grande corrente de caráter popular, a direita passou a ficar acuada. A democratização econômica e social foi seguida da democratização política, com o processo eleitoral consagrando as candidaturas com apoio popular. Sucessivamente, em 1945, 1950, 1955, a direita foi derrotada e acostumou-se a bater na porta dos quartéis, pedindo golpe militar.
Sentido-se esmagada pelas derrotas, a direita chegou a pregar o voto qualitativo, em que, segundo eles, o voto de um médico ou de um engenheiro valeria 10, enquanto o de um trabalhador (“marmiteiro”, diziam eles, zombando dos trabalhadores que levavam marmitas pro trabalho) devia valer 1. Só assim poderiam ganhar.
A efêmera vitória de 1960, com a renúncia do Jânio, foi sucedida pela nova tentativa e golpe militar de 1961 e, logo depois, pelo golpe efetivamente realizado em 1964. Só pela força e pelo regime de terror a direita conseguiu triunfar e colocou em prática sua revanche contra o povo, pela repressão e pela expropriação dos direitos da grande maioria.
Foi no final da ditadura, com uma votação indireta, pelo Colégio Eleitoral, passando pela morte de Tancredo, que a direita deu continuidade a seus governos, agora com um híbrido de ditadura e de democracia, mas que favoreceu a eleição de Collor, outra versão da direita. Tal como Jânio, teve presidência efêmera.
O governo FHC foi a melhor expressão da direita, renovada, reciclada para a era neoliberal. Naqueles 8 anos a direita brasileira pode realizar seu programa, que terminou numa profunda e prolongada recessão e a derrota sucessiva da direita, por três vezes.
A direita repete, na Era Lula, os mesmos mecanismos da Era Getúlio. Enquanto os governos desenvolvem políticas econômicas e sociais que favorecem à grande maioria, recebem dela o apoio majoritário e derrotam sistematicamente a direita, resta a esta atividades golpistas. Se antes batiam às portas dos quartéis (eram chamadas de “vivandeiras de quartel”), agora usam a mídia para bater às portas do Judiciário.
São partidos e mídias cada vez mais minoritários, derrotados em 2002, em 2006, em 2010, voltaram a ser derrotadas agora em 2012. São governos que os derrotam com o apoio das grandes maiorias beneficiárias das suas políticas sociais. Quem não tem povo, apela para métodos golpistas, ontem com os militares e a mídia, hoje com a mídia e o Judiciário.

Extraído do Portal Luiz Nassif - http://blogln.ning.com/forum/topics/emir-sader-antes-a-direita-recorria-aos-quart-is-agora-usa-a-m

Os 10 times brasileiros com a marca mais valiosa de 2012

Valor consolidado das marcas de maior valor, segundo a BDO Brazil, foi de R$ 5,38 bilhões, 24% maior do que em 2011

São Paulo - O Corinthians lidera o ranking das marcas mais valiosas entre os clubes de futebol brasileiros em 2012, de acordo com a BDO Brazil. O time ultrapassou o valor de marca do Flamengo em 2010, e desde então se mantém na primeira posição.

Conforme a empresa, o valor consolidado das 10 marcas mais valiosas neste ano foi de R$ 5,01 bilhões, 24% acima do que foi em 2011.

As principais variáveis, segundo a metodologia usada no estudo, foram três: perfil das torcidas (tamanho, faixa etária, nível de renda, distribuição geográfica e hábitos de consumo), com valor consolidado de R$ 2,42 bilhões, representando 45% do valor total; receitas derivadas das marcas, com valor de R$ 1,66 bilhão (31%); e características do mercado em que o clube atua, com valor de R$ 1,30 bilhão (24%).


As 10 marcas líderes de 2012

1. Corinthians     
Valor em 2012 (R$): 1.005,5 bilhão
Valor em 2011 (R$): 867 milhões
Forças da marca
Torcida: 51%
Mercado: 22%
Receitas: 27%

2. Flamengo
Valor em 2012 (R$): 792 milhões
Valor em 2011 (R$): 689,5 milhões
Forças da marca
Torcida: 56%
Mercado: 17%
Receitas: 27%

3. São Paulo
Valor em 2012 (R$): 771 milhões
Valor em 2011 (R$): 664,2 milhões
Força da marca
Torcida: 47%
Mercado: 24%
Receitas: 29%

4. Palmeiras
Valor em 2012 (R$): 481,2 milhões
Valor em 2011 (R$): 452,9 milhões
Forças da marca
Torcida: 56%
Mercado: 17%
Receitas: 27%


Confira a relação na íntegra (AQUI)

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Como fica a economia mundial nos próximos 48 anos?


China passará Estados Unidos e emergentes crescerão em ritmo acelerado, projeta OCDE

Apuração: Lilian Sobral
Design: Juliana Pimenta
Fonte: Relatório "Olhando para 2060 –
Perspectivas de crescimento de longo-prazo para o mundo", da OCDE

Como se tornar o melhor deputado do país, revela Jean Wyllys

Recém-eleito melhor deputado federal do ano, Jean Wyllys afirma que foi premiado, entre outras razões, porque "trabalha". E critica quem acha que famosos não podem se candidatar

O deputado Jean Wyllys: "Da mesma maneira que pensaram que analfabetos e mulheres não deveriam votar, hoje se pensa que os famosos não podem se candidatar"
São Paulo – O deputado federal Jean Wyllys não é simplesmente deputado federal. Ou pelo menos é isso que ele costuma dizer. “Eu não sou. Eu estou deputado federal”, brinca o parlamentar e mestre em Letras em entrevista por telefone a EXAME.com.

No currículo, atividades tão diversificadas quanto as de professor universitário, jornalista, escritor e ainda vencedor da quinta edição do reality show global Big Brother Brasil. Agora, mais um prêmio na carreira: venceu nesta semana a votação online no site Congresso em Foco e foi eleito o melhor deputado federal de 2012.

“Vencer pelo voto popular me deixou muito feliz. Não me envaidece, mas me deixa com um senso de responsabilidade muito grande”, diz o deputado, que já estava na lista dos 25 melhores políticos da Casa feita por jornalistas que cobrem a Câmara dos Deputados.

Descontraído, Wyllys respondeu às perguntas de EXAME.com entre uma ponte aérea e outra, e revelou que aprendeu, desde eleito, que o poder de um deputado tem "limitações".

EXAME.com: A eleição foi com base no voto do internauta. O que o senhor acha que tem feito para agradar tanto a população?

Jean Wyllys: Eu trabalho, acho que isso que agrada. Em alguns momentos, certas pessoas e certos setores tentam me estigmatizar com a pauta LGBT, mas eu também defendo amplamente os direitos humanos e liberdades individuais. Meu trabalho envolve os direitos dos povos indígenas, educação para diversidade, enfrentamento do racismo e do estigma de pessoas com doenças raras. Essas questões são mais amplas. Além disso, existe o trabalho com o movimento social de fiscalização do executivo através de políticas públicas. Tenho um mandato amplo e acho que isso agradou às pessoas. Embora eu represente o Rio de Janeiro, sou um deputado federal e trabalho pela federação.
EXAME.com: O senhor se tornou muito conhecido depois do Big Brother Brasil de 2005. O que pensa sobre esse fenômeno de legisladores famosos?

Wyllys: O reality show me tornou popular e trouxe uma empatia com as pessoas que acabaram se interessando pelo meu histórico de vida. Eu acho legítimos os casos dos famosos. A constituição garante a todo cidadão o direito de concorrer e representar a sociedade. O povo é soberano e vai decidir. Não vejo problema. Da mesma maneira que pensaram que analfabetos e mulheres não deveriam votar, hoje se pensa que os famosos não podem se candidatar.
Há gente famosa bem intencionada. O Romário é um bom exemplo. Ele entrou na política por uma causa nobre, de defender as pessoas com síndrome de Down, que é a causa da vida dele e está fazendo um mandato bacana. A mesma coisa que o Tiririca, que embora tenha a campanha baseada na ignorância, com aqueles slogans de “pior que tá não fica” - que eu não concordo - chegou lá e está cumprindo um papel. A gente não pode deixar nossos preconceitos impedirem a renovação.

EXAME.com: Por que o senhor acha que o povo tem tanta aversão à política e aos políticos brasileiros? Como melhorar a imagem do Congresso?

Wyllys: Acho que a minha atuação melhora a imagem da política. Iniciativas como a do Congresso em Foco são boas, também, porque a grande imprensa só dá destaque a escândalos de corrupção e generaliza o comportamento de um político corrupto. Claro que nós temos responsabilidade, mas também acho que estou cumprindo muito bem a minha parte. A imprensa também deveria abrir mais espaço para atuações positivas na Câmara dos Deputados. Falta também política pública de educação. A educação básica tem de incorporar a ideia de que nós somos atores políticos não só na hora do voto, mas no dia a dia em cobrar, mandar críticas, participar.

EXAME.com: Esse já é o seu segundo ano de mandato. Houve alguma mudança na maneira como o senhor vê a política e a maneira de se fazer política?

Wyllys: Eu saí do ativismo do movimento social de pressionar o poder público e me tornei o poder público. Você tem que entender que o deputado não necessariamente tem a solução. A política é um enfrentamento, um debate, uma luta mesmo. E por mais que um deputado queira, às vezes ele se torna impotente porque ele não pode agir sozinho. Eu descobri minhas limitações.

EXAME.com: Quais são seus próximos projetos na sua carreira política, tanto como deputado e após o fim do seu mandato?

Wyllys: Ainda tem muita coisa pela frente: o casamento civil igualitário, a proposta da lei Gabriela Leite, que regulamenta a prostituição e distingue de exploração sexual, dando direitos trabalhistas aos profissionais do sexo. Estou na maior expectativa para ela ser aprovada. Tem o projeto da criminalização da homofobia que está no Senado e a lei de identidade de gênero, que é fundamental para transexuais.
Agora, quando acabar, vou te dizer que eu fico dividido entre minhas questões pessoais e minhas responsabilidades públicas. Esse mandato tem um efeito positivo na vida das pessoas e elas querem que eu continue. Ao mesmo tempo, eu sou uma pessoa e as coisas me afetam, como a difamação, as ofensas, as ameaças de morte que eu sofri. Minha família sofre com isso. Vou te dizer que eu ainda não decidi se vou me candidatar em 2014. Mas se não me candidatar ou se não for eleito, vou continuar no ativismo.

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Empresa cria a primeira cerveja de cana-de-açúcar do mundo


O mestre cervejeiro da The Brooklyn Brewery, Garrett Oliver, veio ao Brasil para ajudar na criação da cerveja de cana-de-açúcar, idealizada pela Wäls
São Paulo – As duas bebidas alcoólicas mais populares no Brasil, a cerveja e a cachaça, têm agora um elo mais forte. Neste sábado, a Wäls começa a produzir a primeira cerveja do mundo feita de cana-de-açúcar.

A invenção está sendo feita junto com o mestre cervejeiro da The Brooklyn Brewery Garrett Oliver, que também é editor-chefe do The Oxford Companion to Beer. O especialista americano está hoje na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, para acompanhar o processo de confecção da novidade.

Para produzir dois mil litros do lote inicial, serão usados cerca de 700 quilos de cana proveniente de uma parceria com a Vale Verde, uma das principais fabricantes de aguardente do país. Na receita, o caldo do ingrediente se juntará aos maltes especiais, lúpulo e levedura para criar uma bebida do estilo Saison (do interior da Bélgica).

Esse tipo possui aromas frutados, leve acidez, alta carbonatação e teor alcoólico de 6% a 8%. Não por acaso, o nome da novidade será Saison de Caipira. O investimento da Wäls foi de 80 mil reais e o produto tem previsão de chegar ao mercado consumidor brasileiro em dezembro deste ano.

Cada garrafa terá 375 mililitros e o preço será em torno de 15 reais. Os estados que poderão experimentar a cerveja de cana em primeira mão são Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal e Goiás, apenas na cidade de Goiânia.

Mas a chance de degustá-la não será exclusividade de quem mora no país. Os sócios da Wäls José Felipe e Tiago Carneiro já anunciaram que pretendem exportar o rótulo para os Estados Unidos.


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Juiz espanhol defende que corrupção seja tratada como crime internacional


Brasília - O juiz espanhol Baltasar Garzón, conhecido por ter expedido mandado de prisão contra o ex-presidente chileno Augusto Pinochet, disse hoje (10) que a corrupção e a impunidade são questões diretamente relacionadas, que se retroalimentam e viabilizam a execução de crimes contra a humanidade. Garzón ainda defendeu que a corrupção seja tratada como crime internacional pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) e que a cooperação judicial entre os países seja mais efetiva, sem a possibilidade de negação de execução judicial por questões políticas - o que, segundo ele, contribui para que atividades corruptas fiquem impunes. 

O juiz espanhol participou de debate sobre o papel da sociedade no combate à corrupção na 15ª Conferência Internacional Anticorrupção. A participação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, estava prevista, mas foi cancelada. No final do dia, o ministro chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, deverá encerrar a conferência, que aprovará uma declaração sobre o tema.

De acordo com o juiz Garzón, durante muitos anos, impunidade e corrupção foram temas tratados de forma dissociada. Investigações conduzidas mundialmente, no entanto, mostram que o aproveitamento econômico e a obtenção de fundos viabilizados pela corrupção financiam crimes contra a humanidade, crimes de guerra e genocídio - os três crimes tipificados pelo Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional, em 2002, a única corte internacional que tem competência para julgar e condenar pessoas por essas violações. Por outro lado, a comunicação entre as instâncias internacionais e os tribunais nacionais não é eficiente, o que dificulta as investigações e a aplicação de penas.  
Isso, segundo o juiz, deve ser investigado no sentido de se avaliar se as autoridades judiciais e políticas são perseguidas por corruptores ou têm colaboração com os atos de corrupção.

Para essa avaliação, Garzón defendeu a ampla participação da sociedade civil organizada e da imprensa internacional, que, segundo ele, deve ser ampla e sistematicamente protegida. O juiz disse que atentados contra a imprensa devem ser catalogados como crime contra a humanidade - pois seriam óbices à obtenção de informações e, consequentemente, empecilhos ao combate à corrupção e à impunidade. 

Segundo Garzón, o TPI deve abrir espaço para que seja feita uma relação entre as causas e as consequências econômicas dos diferentes delitos. O juiz deu os exemplos dos crimes cometidos na Líbia e no Quênia, recentemente tratados pela corte, nos quais ele avalia haver fundamental origem econômica. Ele elogiou as políticas brasileiras de combate à fome e à pobreza como forma de atenuar esse tipo de motivação.

Baltasar Garzón também defendeu a jurisdição universal para o tratamento dos crimes previstos pelo TPI. Jurisdição universal é um princípio do direito internacional em que os Estados teriam o poder de julgar e condenar pessoas independentemente do local onde o crime foi cometido ou da nacionalidade do infrator. Em geral, para uma corte exercer jurisdição sobre um indivíduo, deve haver relação entre a pessoa em questão ou o local onde o crime foi cometido e a Justiça responsável pelo julgamento.

Em fevereiro deste ano, Garzón foi condenado pela Justiça espanhola a 11 anos de afastamento da profissão por abuso de autoridade. O juiz ainda é processado em outros casos relacionados aos períodos militares na Espanha e em países da América Latina. Desde que foi impedido de exercer a profissão, Garzón tem atuado como defensor dos direitos humanos e de outras questões sociais. 

Carolina Sarres - Agência Brasil - Edição: Carolina Pimentel 

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