sábado, 14 de julho de 2012

Socol é aperitivo capixaba com sabor e história dos imigrantes italianos


Tipo de presunto cru é produzido por famílias de Venda Nova do Imigrante.
Aperitivo é feito com lombo de porco temperado com sal, pimenta, alho.

O socol, tipo de presunto cru produzido por famílias de Venda Nova do Imigrante, região Sudoeste Serrana do Espírito Santo, é um aperitivo que traz, além do sabor característico, a história dos descendentes italianos do estado. O jeito artesanal desenvolvido pelos imigrantes continua praticamente o mesmo, mas ganhou melhorias.

O aperitivo é feito com lombo de porco temperado com sal, pimenta, alho e nada mais. O segredo está no preparo. A primeira etapa é a escolha da carne, que deve ser fresca. Cacilda Caliman Lorenção, 76 anos, faz parte da família pioneira na exploração do socol no agroturismo. Ela aprendeu a receita com os avós, que vieram da Itália.
Cacilda Lorenção aprendeu a receita com os avós italianos. (Foto: Valdinei Guimarães/G1 ES)
Tia Cacilda, como é conhecida, conta que era hábito das famílias de imigrantes fazer o ossocolo, nome original do socol. A iguaria era uma forma de conservar a carne. Com o tempo e diferenças de pronúncia, o ossocolo passou a se chamar socol. Depois que ficou conhecido por turistas, ele mudou um pouco. "Passamos a usar uma carne menos gordurosa para agradar ao paladar do consumidor", conta Cacilda.

Quando chega à propriedade da família Lorenção, o lombo fica dois dias no sal para perder água. Depois ele é lavado, secado e então temperado com pimenta do reino e alho. Os condimentos e o modo de preparo são os mesmos dos nonos italianos, mas foram aperfeiçoados. "Nós erramos bastante no início até chegarmos a essa receita e maneira de fazer", conta Bernadete Lorenção, que ajuda a preparar o socol.

Uma vez temperado, o lombo é envolvido em uma membrana que reveste os órgãos abdominais do porco. "O segredo é a escolha dessa membrana. Já experimentamos outros materiais, mas essa é a que deu melhor resultado", conta Cacilda. Depois, o lombo é colocado em uma rede elástica, que ajuda a dar o formato do produto final. Para terminar, a carne é passada na pimenta do reino, que serve como um repelente natural.

O lombo leva cerca de seis meses para curar e se transformar no socol. Então, ele é lavado e colocado para secar por algumas horas. Aí já pode ser levado à mesa. Deve ser servido em fatias bem finas, para realçar o sabor.
Lombo é colocado em uma rede elástica, que ajuda a dar o formato do produto final. (Foto: Valdinei Guimarães/G1 ES)
Lombo leva cerca de seis meses para curar e se transformar no socol. (Foto: Valdinei Guimarães/G1 ES)



Candidatura em risco: Gildevan será julgado pela Justiça Federal

O deputado estadual Gildevan Fernandes (PV), candidato a prefeito de Pinheiros, norte do Estado, será julgado pela Justiça Federal na ação penal proposta pelo Ministério Público Estadual. Gildevan é acusado de utilizar ilegalmente recursos do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Fundamental e de Valorização do Magistério).


A decisão monocrática do desembargador José Luiz Barreto Vivas de remeter a ação para a instância federal, pois a verba malversada era federal, foi questionada pelo deputado, que interpôs agravo interno, acolhido pelo desembargador substituto Ewerton Schwab Pinto Júnior. Na sessão da quinta-feira (12), do Pleno, entretanto, o voto do desembargador Vivas, relator do processo, manteve sua posição, seguida pelos demais desembargadores.


A verba que deveria ser investida na área de educação fundamental do município de Pinheiros foi empregada para o pagamento de pedreiros, auxiliar de pedreiros e garis contratados pela administração municipal no período em que Gildevan estava à frente da prefeitura. O atual deputado também responde por uma apelação criminal ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPES) e que está em pauta do Pleno do TJES.

Em sessão anterior, o relator do processo, desembargador Fábio Clem de Oliveira, não acolheu o pedido do Ministério Público para condenar o deputado estadual acusado de compra de votos de vereadores de Pinheiros, também na época que era prefeito. No entendimento do relator, não existem provas suficientes para condená-lo. O julgamento foi adiado, após o pedido de vista do revisor do voto, desembargador Samuel Meira Brasil Júnior.

Confira o perfil dos candidatos para a prefeitura de Vila Velha, ES


O cientista político da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), André Pereira, fez a análise de cada candidato. 

Em Vila Velha, cinco candidatos concorrem à administração. Por ordem alfabética, estão Alan Claudio Melo de Almeida do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL); o cirurgião dentista João Batista Babá, do Partido dos Trabalhadores (PT); o ex-prefeito Max Filho, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB); o atual prefeito Neucimar Fraga, do Partido da República (PR); e o deputado estadual Rodney Rocha Miranda, do partido dos Democratas (DEM).

Para o comentarista de política da TV Gazeta, Radanezi Amorim, a disputa estava acirrada entre dois candidatos conhecidos dos moradores, mas outros nomes prometem dividir as opiniões em Vila Velha. “A disputa principal tinha tudo para ser entre o prefeito Neucimar Fraga (PR), que tenta a reeleição, e o ex-prefeito Max Filho (PSDB). Mas entrada de Rodney Miranda (DEM) e Babá (PT) embolaram o quadro, tornando a eleição imprevisível e indicando um provável segundo turno", disse.

Alan Claudio Melo de Almeida – PSOL

De acordo com André Pereira, esse candidato registrou a campanha em cima da hora. “É mais um do partido de esquerda querendo aparecer. Totalmente desconhecido no meio político, ao contrário dos seus colegas do PSOL, que já são conhecidos pelo eleitorado”, disse o cientista político.

Alan Claudio Melo de Almeida não declarou seus bens no site do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES). O limite de gastos da campanha é de R$ 200 mil.

João Batista Babá – PT

O cirurgião dentista João Batista Babá, do Partido dos Trabalhadores (PT), tem formação na igreja católica e faz parte do sindicato dos dentistas. Ele já foi vereador em 2008. De acordo com André Pereira, o candidato corria o risco de perder a vaga devido às pressões do PT estadual. “O partido, em Vila Velha, abandonou a linha combativa que teve nos anos 1980 e 1990 em favor de uma política de alianças que o descaracterizou. De forma oportunista, a legenda rompeu com o governo do atual prefeito para se lançar neste pleito. Porém, fez uma avaliação incorreta da reação da sociedade canela verde com relação ao projeto de Plano Diretor Municipal (PDM)”, explicou Pereira.

Babá disse que seu partido fez parte da gestão do prefeito, mas ao longo da administração começou a questionar algumas ações. “A prefeitura não cuidava de alguns pontos do PDM que eram indispensáveis e por isso começamos a não concordar com as tomadas de decisões. Rompemos e viemos trabalhando para novos projetos democráticos e sustentáveis”, disse.

O candidato declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) que possui bens no total de R$187,260.16, entre casa, apartamento, poupança e veículos automotores. O limite de gastos de campanha é de R$ 3 milhões.

Max Filho – PSDB

O ex-prefeito de Vila Velha também está na disputa. Max Filho, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), é formado em direito, tem mestrado em políticas públicas e é servidor público federal. Max Filho já foi vereador, deputado estadual e prefeito de Vila Velha entre 2001 a 2008.

Para o cientista político, o candidato é o representante de uma linha social-democrata na administração pública. “Ele é lembrado pelas suas administrações, mas seu grupo político vem sofrendo derrotas por conta do enfrentamento contra o esquema de apoios montado pelo ex-governador Paulo Hartung. Max tem proximidade ideológica com Renato Casagrande, mas foi impedido de entrar no PSB no ano anterior. Ele precisa dar uma resposta adequada à acusação de ter 'isolado Vila Velha', o que teria sido resolvido se não tivesse a porta do partido fechada para ele, por conta das reações da base do governador Casagrande”, disse André Pereira.

Em resposta à análise do cientista político, Max Filho disse que mantém normalmente a amizade com o governador Renato Casagrande. “Ele age como magistrado e isso deve ser respeitado. Eu acredito na democracia e na decisão do povo”.

No TRE, consta na declaração de bens de Max Filho dois apartamentos, uma casa, ações de linhas telefônicas e um carro, no valor total de R$ 289.539,45. O limite de gastos de campanha é de R$ 3.500 milhões.



Neucimar Fraga – PR

O atual prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga, do Partido da República (PR), nasceu na Bahia, e, em 1980, ingressou no movimento comunitário. Em 2000, foi eleito vereador de Vila Velha e dois anos depois foi deputado federal, cargo que ocupou por dois mandatos.


André Pereira disse que Neucimar implantou um mandato de linha neoliberal em Vila Velha, ou seja, priorizando os benefícios para empresas e o crescimento urbano das áreas mais privilegiadas. “Ele usa, como todos os prefeitos da cidade, o drama da chuvas. Desenvolveu uma linha de combate à criminalidade com as câmeras 'falantes', é competente no uso da sua imagem e no discurso. Ele está com a máquina na mão, mas teve problemas para manter a unidade da sua coalizão de governo”, analisou.

Já Neucimar alegou que o seu mandato teve investimentos significativos nas áreas mais carentes. "Só na região de Terra Vermelha investimos mais de 300 milhões de reais. Todos os bairros periféricos têm sido urbanizados, com investimento maciço em todas as áreas carentes. A região da Grande Cobilândia, por exemplo, recebeu 100% de urbanização. E com esses investimentos, Vila Velha tem tido uma grande valorização, com o setor da construção civil investindo em todo o município", disse o candidato ao G1.
Ele declarou ao TRE possuir bens que chegam ao valor de R$ 1.245.406,81, entre 3 apartamentos, um terreno, carro e um terreno. O limite de gastos de campanha é de R$ 5 milhões.

Rodney Rocha Miranda – DEM

O licenciado delegado da Polícia Federal e atual deputado estadual Rodney Rocha Miranda, do partido dos Democratas (DEM), também está na disputa pela administração de Vila Velha. Rodney foi secretário estadual de Segurança Pública no Espírito Santo e em Pernambuco. Ele tem graduação em administração, pós-graduado em Carreiras Jurídicas, em Gestão em Segurança Pública.

Para o cientista político, André Pereira, Rodney Miranda seria o 'candidato de Hartung em Vila Velha'. “Se o ex-governador subir em seu palanque, terá um belo trunfo nas mãos. Porém, a princípio, isto não ocorrerá. Não tem muitos recursos de comunicação, contando apenas com a imagem de 'cana dura'. Isto já foi suficiente para ser deputado. Se crescer nas intenções de voto, deverá ser atacado pelos resultados concretos que obteve como secretário de segurança”, disse André.

Rodney declarou ao TRE-ES que possui apartamento, carro e dinheiro em espécie no valor total de R$ 1.054.438,03. O limite de gastos de campanha é de 8 milhões.



sexta-feira, 13 de julho de 2012

Confira o perfil dos candidatos para a Prefeitura da Serra, ES

O cientista político da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), André Pereira, fez a análise de cada candidato. 

Na Serra, quatro candidatos disputam a vaga para a prefeitura. Por ordem alfabética, estão o deputado federal Audifax Barcelos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB); José Nicodemos Venturini do Partido Pátria Livre (PPL), que não foi localizado pelo G1; o professor Renato Almeida do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e o atual prefeito do município, Sérgio Vidigal, do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Para o comentarista de política da TV Gazeta, Radanezi Amorim, a Serra vai ter, provavelmente, a eleição mais disputada do Espírito Santo. “A disputa será entre Sérgio Vidigal (PDT), que tenta a reeleição, e o deputado Audifax Barcelos (PSB), que também já foi prefeito. Os dois vão medir forças pela primeira vez nas urnas e o resultado é imprevisível”, disse.
Audifax Barcelos (Foto: Reprodução/TV Gazeta)Audifax Barcelos (Foto: Reprodução/TV Gazeta)
Audifax Barcelos


O atual deputado federal, Audifax Barcelos, também está na disputa pela prefeitura da Serra, na Grande Vitória. Audifax é candidato pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ele é formado em economia e já foi eleito prefeito do município em 2004. Após ser prefeito, assumiu o comando da Secretaria Estadual de Planejamento e de Economia, a convite do então governador Paulo Hartung.
Para o cientista político da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), André Pereira, o candidato tem perfil ideológico. “Ele é do tipo social-democrata, com bases orgânicas no meio evangélico. É duvidoso se será capaz de tomar atitudes agressivas na campanha, explorando as denúncias de corrupção e os problemas administrativos derivados da queda de arrecadação”, disse André.
O candidato declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) que possui bens no total de R$ 511.380,11 entre duas casas, duas salas comerciais e carro. O limite de gastos de campanha é de R$ 3 milhões.
José Nicodemos Venturini (Foto: Igor Gonçalves/Globoesporte.com)José Nicodemos Venturini
(Foto: Igor Gonçalves/Globoesporte.com)
José Nicodemos Venturini


De acordo com André Pereira, esse candidato registrou a campanha em cima da hora. “É mais uma pessoa desconhecida que quer aparecer, sem intenção de sair vitorioso nesta disputa. Com esta candidatura ele pode se lançar para deputado estadual daqui a dois anos”, explicou André.
José Nicodemos Venturini é o vice presidente do Vitória Futebol Clube (VFC). O candidato declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) que possui bens no total de R$ 75.000,00 entre um terreno e dois carros. O limite de gastos de campanha é de R$ 300 mil.
Sérgio Vidigal, prefeito da Serra (Foto: Reprodução/TV Gazeta)Sérgio Vidigal, atual prefeito da Serra
(Foto: Reprodução/TV Gazeta)
Sérgio Vidigal


O atual prefeito quer manter sua vaga na administração da cidade. Sérgio Vidigal disputa a prefeitura pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Vidigal já foi prefeito em 1996, reeleito em 2000, candidato a governador do Espírito Santo, e voltou a ganhar as eleições na Serra em 2008. Ele é médico e especialista em psiquiatria.
“Ele é o candidato que desenvolveu uma ampla rede de apoios nos bairros da cidade e no meio evangélico. Apesar dos problemas administrativos, concentrou inaugurações para o fim do mandato e tem uma trajetória consolidada na cidade. Em termos programáticos e ideológicos, não tem inimigo à altura, já que ele e Audifax são semelhantes neste aspecto”, analisou o cientista político.
Sérgio Vidigal declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) que possui bens no total de R$ 785.482,76 entre casa, sala comercial, terreno e três carros. O limite de gastos de campanha é de R$ 3 milhões.
Professor Renato Almeida (Foto: Reprodução/TV Gazeta)Professor Renato Almeida
(Foto: Reprodução/TV Gazeta)
Professor Renato Almeida


O assistente social e professor universitário Renato Almeida também disputa a prefeitura do município. Ele já foi candidato ao senado em 2010 e teve 270 mil votos. Disse que já participou de movimentos sociais e da federação da Associação de Moradores da Serra. Já foi filiado ao PT e saiu em 2005 na época das denúncias do mensalão.
André Pereira disse que o partido que o professor faz parte é muito pequeno. “Além de ser pequeno tem com pouca estrutura e baixa penetração no eleitorado devido à posição ideológica extremada. Lança suas esperanças na lembrança da eleição para o Senado, mas que é bem diferente de uma para prefeitura, numa cidade sem recurso à televisão”, disse.
Respondendo a análise do cientista político, professor Renato Almeida disse que a intenção é popularizar o partido. “Vamos passar em todos os bairros da Serra. Não teremos a televisão e nenhum candidato terá. A partir da eleição de 2010, é o eleitor que decide quem vai ganhar”, se defendeu.
O candidato declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) que possui bens no total de R$ 190.000,00 entre terreno, apartamento e dois carros. O limite de gastos de campanha é de R$ 250 mil.

Ministério Público quer barrar Luiz Paulo, Luciano Rezende, Max Filho e Marcelo Santos



Ministério Público Eleitoral (MPE) pretende barrar as candidaturas de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Luciano Rezende (PPS) à Prefeitura de Vitória. A impugnação é baseada nas contas referentes ao exercício de 2003, consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCES). Na época, eles ocupavam, respectivamente, os cargos de prefeito e de secretário municipal de Saúde.

Luiz Paulo, segundo a ação do MPE, não aplicou na Saúde percentual mínimo de recursos exigido pela legislação e desconsiderou dispositivos legais em licitações e contratos. Um dos casos citados é a contratação de uma empresa que não era do ramo para fazer a segurança no desfile das escolas de samba.

"Pela gravidade dos fatos narrados nos relatórios, não se pode admitir que o pagamento de multa de valor irrisório seja capaz de restabelecer a moralidade, probidade e danos provocados ao erário", sustenta a promotora eleitoral Arlinda Barros Monjardim.


Análise técnica do Tribunal de Contas também verificou irregularidades na contratação de agentes de saúde para o Programa Saúde da Família e de agentes para vigilância ambiental. A contratação se deu por meio de convênios, e não por concursos públicos. Essas irregularidades afetaram o então secretário de Saúde, Luciano Rezende.
Na época, a administração pública alegou como "não viável" a realização de concursos. Para o MPE, tratou-se de descumprimento constitucional. "Não podemos admitir de modo algum que as atividades-fim do Estado sejam terceirizadas", frisou o Ministério Público Eleitoral na ação de impugnação.
O deputado estadual Luciano Rezende (PPS) frisou não responder a nenhum processo. "Desconheço qualquer problema com relação a qualquer conta, não respondo a nenhum questionamento. Não tenho nenhuma informação até o momento", defendeu-se Luciano.
Luiz Paulo

Coordenador jurídico da campanha de Luiz Paulo, o advogado Marcellus Ferreira Pinto acredita que há uma orientação generalizada para que os promotores façam impugnação de todos os candidatos citados na lista do Ministério Público de Contas divulgada no final de junho.

Ele afirma que a promotoria citou como fundamento na ação de impugnação da candidatura questões que já foram apreciadas pelo Poder Judiciário e que possuem decisões favoráveis a Luiz Paulo, uma delas com trânsito em julgado.

"Nós vamos apresentar a defesa, porque não compete à Justiça Eleitoral reapreciar questões que já foram exaustivamente apreciadas pelo Tribunal de Contas e pelo Judiciário estadual", disse.
Agora, cabe aos juízes eleitorais avaliar se as irregularidades apontadas pela promotoria eleitoral são insanáveis. Se eles assim entenderem, as candidaturas serão indeferidas.
Vila Velha e Cariacica
O Ministério Público Eleitoral (MPE) também pediu a impugnação do registro das candidaturas do ex-prefeito Max Filho (PSDB), candidato em Vila Velha, e do deputado estadual Marcelo Santos (PMDB), que disputa a prefeitura em Cariacica.

Ao contestar a candidatura do ex-prefeito, o MPE destacou que ele teve contas rejeitadas nos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 pelo Tribunal de Contas. Entre as irregularidades está a divergência entre valores contabilizados como recebidos pelos entes municipais e pagos pela prefeitura.
Max Filho alegou que a competência para julgar as contas de prefeito é da Câmara Municipal. Segundo ele, todas as contas julgadas pela Câmara foram aprovadas.

No caso de Marcelo Santos, o MPE afirmou que ele teve contas reprovadas pelo TCES por dispensar a licitação do concurso público de 2006, quando era o 1º Secretário da Mesa Diretora da Assembleia.

O deputado disse que o MPE está equivocado. "Eu tenho uma certidão negativa emitida pelo TCES confirmando que não há qualquer irregularidade da minha parte".

Áreas degradadas do Brasil equivalem a duas Franças, diz Ministério do Meio Ambiente


Se o Brasil recuperasse suas áreas degradadas – terras abandonadas, em processo de erosão ou mal utilizadas – não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para a agropecuária. A avaliação foi de técnicos e pesquisadores que se reunião na quarta-feira, durante o 9º Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas (9º Sinrad), que ocorre até sexta-feira, no Rio de Janeiro.

O diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernando Tatagiba, estimou em até 140 milhões de hectares o total de terras nessa situação no país, área superior a duas vezes o tamanho da França. O ministério está finalizando seu novo plano plurianual, que dará grande importância à recuperação da terra como forma de evitar o empobrecimento das populações e prevenir a derrubada de mais áreas de florestas.

- Neste plano está estabelecida uma meta de elaborar, até 2015, um plano nacional de recuperação de áreas degradadas, que necessariamente deve ser feito com políticas integradas com outros setores da sociedade. Não existe um número preciso [de terras degradadas], mas gira em torno de 140 milhões de hectares. É um grande desafio que temos pela frente, de superar esse passivo, pois essas áreas geram prejuízos enormes para o país e trazem pobreza para o produtor rural – disse Tatagiba.

Segundo o diretor, existem áreas degradadas em todos os biomas e regiões do país.
- Obviamente, onde a ocupação humana é mais antiga, existem áreas mais extensas, como é o caso da Mata Atlântica. Mais recentemente, temos o Cerrado. Na Amazônia, as áreas degradadas estão localizadas em locais de mineração e no chamado Arco do Desmatamento [faixa de terra de pressão agrícola marcada por queimadas e derrubadas, ao sul da Amazônia, do Maranhão ao Acre] – explicou.

Tatagiba considerou que se as áreas degradadas forem recuperadas, não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para agricultura e pecuária, ainda que na prática nem toda área possa ser totalmente recuperada.

- Para reduzir a pressão sobre florestas, há necessidade de se recuperar pastagens degradadas, que são em torno de 15 milhões de hectares. Se você recupera a capacidade produtiva dessa pastagem, elimina a necessidade de suprimir uma área equivalente em florestas. Além disso, é preciso aumentar a produtividade da pecuária, pois não tem cabimento um boi por Maracanã [equivalente a um hectare] – comparou Tatagiba.

Para o chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), Eduardo Campello, o Brasil já detém tecnologia própria para reverter a degradaçãodas terras, por meio de processos de seleção e manejo e trocando produtos químicos por insumos biológicos. Com isso, ele considera ser possível reduzir ou até reverter a derrubada de florestas para a agropecuária.

- Várias dessas áreas podem se tornar mais rentáveis, tirando a pressão sobre as florestas e os remanescentes nativos. Já tivemos avanços incontestáveis com o plantio direto [técnica em que se roça a terra e se semeia em seguida, evitando a erosão]. É preciso integrar lavoura, pecuária e floresta, usando mecanismos naturais, como fixação biológica de nitrogênio, evitando o uso de adubo químico. Já temos áreas abertas suficientes, o que precisamos é recuperar o solo – explicou o pesquisador chefe.

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