sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Dilma tenta 'drenar o lamaçal' político, diz 'Economist'
Artigo da próxima edição da revista britânica "The Economist" afirma que a presidente Dilma Rousseff, depois de oito meses à frente do governo, "se viu sugada para dentro do lamaçal político que é Brasília".
De acordo com a revista, a reação de Dilma tem sido firme, com tentativas de "cortar a gordura do orçamento" e indicar pessoas para cargos com base no mérito, e não em conexões políticas. E a recompensa dela, para a "Economist", é sinais de motim por parte da base aliada.
"Com a economia mundial em deterioração, a capacidade da Sra. Rousseff de impor sua autoridade aos seus aliados importa muito para as prospecções do Brasil", afirmou a publicação.
A revista lembra os episódios que culminaram nas quatro trocas ministeriais de seu governo até agora.
De acordo com o artigo, Dilma "demorou para dispensar" o ministro Antonio Palocci (Casa Civil). Mas, desde então, tem sido rápida em "cortar qualquer escândalo na raiz", como após denúncias nos ministérios dos Transportes, Agricultura e Turismo.
"Em tudo isso, a Sra. Rousseff vai lentamente colocando seu próprio selo em um governo que herdou do predecessor e mentor político Luiz Inácio Lula da Silva. Mas os escândalos múltiplos estão tencionando sua coalizão em ruínas. Ela consiste em mais de doze partidos, desde comunistas aos populistas de direita, que lhe garantem o apoio de cerca de três quartos do Congresso", afirmou o texto.
Mas, para a "Economist", o maior interesse dos pequenos membros da base aliada não é a ideologia, mas os cargos e o dinheiro --tanto para uso pessoal quanto para financiar suas siglas. A revista afirma que eles estão irritados porque Dilma "tentou reescrever as regras do jogo".
O texto citou a saída do PR da base, nesta semana, mas afirmou que mais perigosa é a insatisfação do próprio partido da petista e, também, do seu grande aliado, o PMDB. Ambos, de acordo com o artigo, consideram a presidente "perigosamente ingênua" por começar um embate contra a corrupção que ela não poderá parar.
"Políticos sob fogo têm o hábito de golpear de volta com denúncias de irregularidades cometidas por outros", disse a publicação britânica.
Mas, segundo a "Economist", o grande teste de Dilma será conseguir prorrogar a DRU (Desvinculação de Receitas da União). O mecanismo foi criado em 1994 e garante maior liberdade dos gastos do governo. Como a DRU em vigência vence no fim de 2011, ela precisará ser aprovada no Congresso.
"Se a Sra. Rousseff conseguir colocar o Congresso de volta na linha usando uma misturas de ameaças, promessas e apelos, sua recompensa poderá ser uma política mais limpa", afirmou a revista.
A central tucana de dossiês
Mais de 50 mil documentos encontrados no Arquivo Público de São Paulo mostram como a polícia civil se infiltrou e investigou partidos políticos, movimentos sociais e sindicatos em pleno governo de Mário Covas
Pedro Marcondes de Moura
Agentes infiltrados em movimentos sociais, centenas de dossiês sobre partidos políticos, relatórios minuciosos com os discursos de oradores em eventos políticos e sindicais. Tudo executado por policiais, a mando de seus chefes. Estas atividades, típicas da truculenta ditadura militar brasileira, ocorreram no Estado de São Paulo em plena democracia, há pouco mais de dez anos. Cerca de 50 mil documentos, até então secretos e que agora estão disponíveis no Arquivo Público do Estado, mostram como os quatro governadores paulistas, eleitos pelas urnas entre 1983 e 1999, serviram-se de “espiões” pagos com o dinheiro dos contribuintes para monitorar opositores. Amparados e estimulados por seus superiores, funcionários do Departamento de Comunicação Social (DCS) da Polícia Civil realizavam a espionagem estatal. Até o tucano Mário Covas, um dos maiores opositores do regime militar e ele mesmo vítima de seus métodos autoritários, manteve a “arapongagem” durante todo o seu primeiro mandato e por um período de sua segunda gestão. Entre os alvos preferidos na administração do PSDB aparecem o PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), organização sindical fundada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há dezenas de dossiês com informações sobre as duas entidades e seus principais expoentes. Já as investigações a respeito dos tucanos e seus aliados foram suspensas a partir de 1995, quando Covas assumiu o governo de São Paulo.
A classificação dos documentos, que vieram à tona em uma reportagem publicada pelo portal IG, deixa claro como a polícia a serviço dos políticos paulistas se utilizou exatamente das mesmas práticas que fizeram a fama dos órgãos de repressão militar. As informações coletadas eram organizadas em fichas por códigos alfanuméricos, como no temido Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde opositores do golpe de 1964 foram alvo de interrogatórios e sessões de tortura. Tarimbados profissionais do extinto Dops integravam também a equipe do Departamento de Comunicação Social da Polícia Civil. Delegados de cidades paulistas foram orientados a reportar qualquer acontecimento político-social ao DCS. Codinomes e infiltrações em assembleias grevistas também faziam parte da rotina dos agentes, que relatavam os acontecimentos aos superiores. Em um dos dossiês sobre a CUT, os investigadores autodenominados Gama 30 e Gama 38 relatam a tentativa frustrada de participar de uma assembleia dos funcionários da Fundação Florestal do Estado de São Paulo em 13 de março de 1995. Dizem que “cumpriram a determinação”, mas foram barrados por uma moça na portaria. Os crachás de empregados temporários de que dispunham os agentes trapalhões não eram aceitos na entrada.
Os agentes eram enviados para acompanhar até eventos públicos. “Em cumprimento à determinação de V.S., assistimos no local e constatamos a presença de aproximadamente 250 pessoas juntamente com um carro de som e de uma perua Kombi”, relatam os agentes Gama 45 e Gama 55 sobre manifestação da CUT realizada no dia 10 de março de 1995, na Praça da Sé, em São Paulo. No documento ainda identificam os proprietários dos veículos pelas placas e fazem questão de mencionar que o hoje deputado Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, presidente na época da entidade sindical, discursou no evento. Essa seria apenas uma das diversas arapongagens contra a Central Única dos Trabalhadores na gestão Covas.
FOCO : Tanto Lula, candidato a presidente contra Fernando Henrique
Cardoso, quanto Marta Suplicy, que disputava o governo de São Paulo com Mário Covas, foram
alvo da arapongagem estatal paulista em 1998
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Em algumas tentativas os arapongas paulistas pareciam conseguir antecipar alguma coisa. “A CUT e entidades alinhadas estão articulando para os dias 06, 07 ou 08/03/99, Praça da Sé, um grande “Ato Público” contra o desemprego e arrocho salarial. Distribuirão no ato, entre outros, o panfleto “Bloco do Bode”, que segue abaixo”, informa o documento sem assinatura ou destinatário. Em seguida, junto de recortes de jornal confirmando a manifestação, há uma lista com 15 policiais designados para ficar de plantão. Procurado pela reportagem de ISTOÉ, Vicentinho mostrou-se perplexo com a espionagem: “Na época do Covas, eles ainda faziam isso? Achei que tinha parado na ditadura. É inimaginável”, diz o ex-líder sindical. “É um absurdo gastar dinheiro público para violar a privacidade das pessoas, ainda mais com interesse político. Graças a Deus nada disso interrompeu a consolidação da democracia”, complementa.
Em tempos tucanos, o Partido dos Trabalhadores (PT) virou o principal alvo. Há pilhas e pilhas de documentos produzidos pelo Departamento de Comunicação Social (DCS) a respeito da sigla. Convenções, disputas internas, gestões municipais do partido e informações das principais lideranças e dos possíveis candidatos a eleições majoritárias eram coletadas pela “polícia política” em plena década de 90. Os nomes do ex-presidente Lula e da hoje senadora Marta Suplicy (PT-SP), que disputaria com Covas o primeiro turno da corrida pelo governo de São Paulo em 1998, aparecem constantemente nos “dossiês PT”. Já para Antônio Palocci, prefeito de Ribeirão Preto no período, criaram um dossiê exclusivo. Na pasta, o ex-ministro é apresentado como uma figura em ascensão no partido e favorável a privatizações.
Segundo o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio de Janeiro, Wadih Damou, as atividades realizadas pelo Departamento de Comunicação Social da Polícia Civil do Estado de São Paulo são ilegais, violam a Constituição e devem ser investigadas com extremo rigor. “Causa mais repulsa ainda que tenham sido feitas em um período democrático. Nunca vi nada parecido. Fico preocupado e penso se isso não continua acontecendo.” O DCS, pelo menos, acabou extinto em 24 de novembro de 1999.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Deputados reúnem propostas para mudar anteprojeto da reforma política
Um dia após a apresentação do anteprojeto pelo relator da Comissão Especial da Reforma Política, deputado Henrique Fontana (PT-RS), parlamentares de diversos partidos começam a sistematizar propostas para alterar o texto, que muda diversas regras eleitorais a partir das eleições de 2014.
O principal foco de divergência é a combinação do financiamento público exclusivo de campanha com o sistema misto de votação para eleições proporcionais. Pela proposta de Fontana, o eleitor votará duas vezes para deputado e para vereador. No primeiro voto (de legenda), escolherá a lista do partido de sua preferência. No segundo, votará diretamente no candidato, sem vinculação obrigatória com a legenda escolhida no primeiro voto.
Para o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que foi relator da proposta anterior de reforma política que tramitou na Câmara, o financiamento público só “faz sentido” se todos os candidatos estiverem em uma lista preordenada.
“Permitir que o eleitor tenha direito ao voto nominal quebra a coluna básica do projeto, que é acabar com a corrupção eleitoral e com a compra de votos”, declarou. “Com campanhas individuais, fica muito difícil fazer o controle das contas, e isso pode colocar em risco a credibilidade do anteprojeto”, acrescentou.
O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) anunciou que seu partido vai apresentar emenda para que a metade dos deputados seja escolhida por meio de uma lista fechada, sob financiamento público. A outra metade seria escolhida segundo as regras do chamado “distritão” com financiamento privado, como funciona hoje. “O anteprojeto é bom, mas não serve ao PMDB e, por isso, vamos apresentar um outro anteprojeto que acho que vai compreender o que a maioria da Casa pensa”, disse.
O deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) considerou o texto “impraticável” no trecho relativo ao sistema eleitoral, porque, segundo ele, vai duplicar o nível de dificuldade para se eleger e distanciar o eleitor do eleito.
“Nós imaginávamos que o voto misto fosse uma combinação do voto distrital de um lado, que aproxima os eleitores, e da lista fechada do outro. O anteprojeto é uma loucura e vai na contramão do que esperávamos, que é facilitar, diminuir o custo, tornar os representantes mais próximos dos eleitores, melhorar a qualidade da representação”, disse.
Ajustes
Já o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), diz que a sua bancada é favorável ao núcleo da proposta de Fontana – financiamento público de campanha e voto misto. Entretanto o líder vai sugerir alguns ajustes, como a previsão de segundo turno em municípios com mais de 50 mil eleitores. Hoje, ele só ocorre nas cidades com mais de 200 mil eleitores. “Queremos o fim do prazo de filiação partidária, para que cada partido, no seu estatuto, coloque o prazo que desejar", acrescentou Fontana.
Para fortalecer a presença feminina no Legislativo, o anteprojeto do deputado Henrique Fontana obriga a alternância de gênero na lista preordenada, de modo que, a cada grupo de três candidatos, haja representantes dos dois gêneros.
A deputada Erika Kokay (PT-DF) vê avanços nessa regra, mas espera mais: que a composição da lista fechada tenha número igual de homens e mulheres. “A alternância de gênero precisa avançar mais, ainda que não possamos negar os avanços do relatório, que significa pelo menos dobrar o número de mulheres na Câmara, mas ainda são insuficientes”, disse.
Os integrantes da Comissão Especial da Reforma Política têm até o dia 9 de setembro para apresentar emendas. O parecer final do relator está previsto para ser apresentado no dia 14 de setembro.
Reportagem - Rodrigo Bittar
Edição – Daniella Cronemberger
O principal foco de divergência é a combinação do financiamento público exclusivo de campanha com o sistema misto de votação para eleições proporcionais. Pela proposta de Fontana, o eleitor votará duas vezes para deputado e para vereador. No primeiro voto (de legenda), escolherá a lista do partido de sua preferência. No segundo, votará diretamente no candidato, sem vinculação obrigatória com a legenda escolhida no primeiro voto.
Para o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que foi relator da proposta anterior de reforma política que tramitou na Câmara, o financiamento público só “faz sentido” se todos os candidatos estiverem em uma lista preordenada.
“Permitir que o eleitor tenha direito ao voto nominal quebra a coluna básica do projeto, que é acabar com a corrupção eleitoral e com a compra de votos”, declarou. “Com campanhas individuais, fica muito difícil fazer o controle das contas, e isso pode colocar em risco a credibilidade do anteprojeto”, acrescentou.
O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) anunciou que seu partido vai apresentar emenda para que a metade dos deputados seja escolhida por meio de uma lista fechada, sob financiamento público. A outra metade seria escolhida segundo as regras do chamado “distritão” com financiamento privado, como funciona hoje. “O anteprojeto é bom, mas não serve ao PMDB e, por isso, vamos apresentar um outro anteprojeto que acho que vai compreender o que a maioria da Casa pensa”, disse.
O deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) considerou o texto “impraticável” no trecho relativo ao sistema eleitoral, porque, segundo ele, vai duplicar o nível de dificuldade para se eleger e distanciar o eleitor do eleito.
“Nós imaginávamos que o voto misto fosse uma combinação do voto distrital de um lado, que aproxima os eleitores, e da lista fechada do outro. O anteprojeto é uma loucura e vai na contramão do que esperávamos, que é facilitar, diminuir o custo, tornar os representantes mais próximos dos eleitores, melhorar a qualidade da representação”, disse.
Luiz Cruvinel
Erika Kokay quer lista fechada com igual número de homens e mulheres.
Já o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), diz que a sua bancada é favorável ao núcleo da proposta de Fontana – financiamento público de campanha e voto misto. Entretanto o líder vai sugerir alguns ajustes, como a previsão de segundo turno em municípios com mais de 50 mil eleitores. Hoje, ele só ocorre nas cidades com mais de 200 mil eleitores. “Queremos o fim do prazo de filiação partidária, para que cada partido, no seu estatuto, coloque o prazo que desejar", acrescentou Fontana.
Para fortalecer a presença feminina no Legislativo, o anteprojeto do deputado Henrique Fontana obriga a alternância de gênero na lista preordenada, de modo que, a cada grupo de três candidatos, haja representantes dos dois gêneros.
A deputada Erika Kokay (PT-DF) vê avanços nessa regra, mas espera mais: que a composição da lista fechada tenha número igual de homens e mulheres. “A alternância de gênero precisa avançar mais, ainda que não possamos negar os avanços do relatório, que significa pelo menos dobrar o número de mulheres na Câmara, mas ainda são insuficientes”, disse.
Os integrantes da Comissão Especial da Reforma Política têm até o dia 9 de setembro para apresentar emendas. O parecer final do relator está previsto para ser apresentado no dia 14 de setembro.
Reportagem - Rodrigo Bittar
Edição – Daniella Cronemberger
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
A presidenta Dilma pode ser considerada hábil Politicamente?
Respostas à pergunta: A presidenta Dilma pode ser considerada hábil Politicamente?
Marco Lisboa
Lelo Coimbra
André Nunes
Marco Lisboa
Dagmar Vulpi
Eu sou daqueles brasileiros que acham que a Dilma não tem habilidade política. Ela esculacha em público e agrada em particular, quando deveria fazer o contrário. Deu um sabão nas algemas que a PF usou, para fazer um agrado ao PMDB. Pegou mal, porque o povão adora ver político escrachado e desconfiou que podia ser um começo de pizza. Depois tenta agradar a base aliada em particular. Nossos políticos adoram sair na foto com o presidente, serem recebidos em audiências, participarem de inaugurações e serem elogiados em público. A tal da base aliada começou a se desagregar, com o PR pulando fora. A oposição está pegando carona na operação faxina e dando apoio à presidente. É uma jogada esperta, para garantir que a pauta negativa permaneça, ao mesmo tempo que desgasta a base de apoio. Nessas manobras, a presidente acaba se perdendo. Lula está de novo em ação, ocupando espaços, em campanha aberta. Pelo orçamento, São Paulo é quase um estado do nordeste. Caberia ao presidente lançar uma candidatura à prefeitura. No entanto, é Lula que saiu na frente e lançou Hadad. Dilma ainda não pegou a embocadura do cargo. Continua uma gerentona, dando broncas e cobrando resultados, sem exercer plenamente o papel político do presidente.
Dilma e diferente do Lula, talvez seja a pôs FHC/Lula. Queremos que ela de certo. Precisa ter atenção com a complexidade da relação com o parlamento que não e facil, especialmente no Congresso Nacional, e isso não tem a ver apenas com um partido,mas com todos, inclusive o que a originou. Atenção tambem com a conjuntura econômica internacional, muito lábil, desde 2009/2010. Dag, recomendo a leitura de Miriam Leitão, " a saga dos brasileiros" e Guilherme Fiúza, " 3000 dias no bunker". Ambos tratam da busca da estabilidade da moeda brasileira, o primeiro desde fim dos anos 70, e o segundo trata do período específico do real. Ambos são uma só aula do Brasil recente. Valem a pena!
Eu tenho que concordar com nosso amigo Marco Lisboa. Como gestora a Presidenta Dilma é muito "quadrada", lhe falta realmente jogo de cintura e à julgar pela perda da base aliada só comprova isso. Talvez se sinta uma Margaret Thatcher. Quanto ao caso das "algemas nos intocáveis", ora; algemas são para pobres, para quem furta mercadoria quando um caminhão tomba à beira da estrada para matar sua fome - não estou defendendo o furto não. Não justifica tal ação. Mas só teremos esse país passado à limpo quando TODOS estiverem sob a lei. TODOS serem julgados pelos atos que cometem. Quando vejo situações como essa em nosso país me remoto à história dos "camisas negras" italianos. Puro fascismo em terras brasileiras. O crime do colarinho branco continua o mesmo, apenas trocando de bandeiras partidárias.
Ela vai ter 4 anos para aprender, antes de devolver o governo para o Lula (ou para o Aécio), dependendo do tamanho da crise. A grande meta de governo que ela escolheu, o combate a miséria, pode acabar se perdendo no meio do caminho. Ela já deu um passo errado ao vetar um ganho real das aposentadorias. É muito mais simples distribuir renda via salário do que que distribuir via programas de inclusão, onde as verbas passam por inúmeras mãos até chegar ao seu destino. Concordo com a Fernanda: ela é mesmo um corpo estranho no PT. Como é que a eleição do prefeito de São Paulo pode ser encaminhada sem a participação da presidente? Dos seus três porquinhos, um o Palocci saiu correndo e procurou abrigo na casa do Lula. O outro, o Cardozo, está conduzindo o MInistério da Justiça sem dar satisfações. O terceiro, o Dutra, surtou e é carta fora do baralho. E o lobo mau está lá fora, soprando.
Para acalmar a insatisfação dos partidos da base aliada na Câmara, o governo definiu duas linhas: a promessa de liberação de verbas de interesse dos deputados e uma mudança na relação política com o Congresso.
A estratégia agora é que a própria presidente Dilma Rousseff vai participar ativamente das conversas com os líderes partidários. A aproximação começou ontem, em encontro com o PT e PMDB, principais partidos do governo. Hoje, a presidente deve receber PSB, PDT e PC do B. Na quinta, será a vez do PSD, partido a ser criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Mais uma vez, o PR não participou da reunião. Marco, parece que ela está começando a aprender a ciência, ou se preferir a essência da política. rsrs
A estratégia agora é que a própria presidente Dilma Rousseff vai participar ativamente das conversas com os líderes partidários. A aproximação começou ontem, em encontro com o PT e PMDB, principais partidos do governo. Hoje, a presidente deve receber PSB, PDT e PC do B. Na quinta, será a vez do PSD, partido a ser criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Mais uma vez, o PR não participou da reunião. Marco, parece que ela está começando a aprender a ciência, ou se preferir a essência da política. rsrs
Acesso à tecnologia não basta, é necessário alto grau de politização
Lamounier é cientista político e especialista do Instituto Millenium. Ele integra o Conselho Consultivo do Interamerican Dialogue e é autor dos livros “A classe média brasileira: ambições, valores e projetos de sociedade”, escrito em parceria com Amaury Souza (Campus /Elsevier, 2010), e “A democracia brasileira no limiar do século 21″ (Fundação Konrad-Adenauer, 1995), entre outros títulos.
Instituto Millenium – Pesquisa divulgada em junho revelou que 59% dos jovens brasileiros (com idades entre 18 e 24 anos) não têm preferência por um partido político, mas, por outro lado, 92% consideram que pequenas ações podem mudar a sociedade. Esses números indicam descrença no processo político ou mudança na forma de se atuar politicamente? Esse afastamento tem conseqüências para o sistema político?
Bolívar Lamounier - De fato, o momento que estamos vivendo contém muita perplexidade e descrença. Em parte, isso deve explicar os resultados da pesquisa. Devemos também observar que é bem baixo, atualmente, o grau de identificação da sociedade com os partidos – aqui estou me referindo a todos eles em conjunto: ao sistema partidário. O alto percentual de jovens que acredita em pequenas ações chama a atenção, sem dúvida. Para mim, esse fato não significa necessariamente que os jovens tenham sucumbido a uma descrença total. Vejo nisso um enriquecimento da participação, uma reação de certa forma realista ao que se pode esperar da política. Quer esteja funcionando bem ou mal, o sistema político não tem como processar todos os problemas e aspirações que surgem na sociedade. É, pois, natural que muitas pessoas estejam querendo ver o que se passa à sua volta e tentando encontrar formas de participar nesse nível.
Instituto Millenium – Qual é o impacto da corrupção para a relação do jovem com a política? A lentidão e a falta de punição pela Justiça, mesmo em casos de grande visibilidade, aumenta a descrença?
Bolívar Lamounier - Aumenta, sem dúvida, e não é para menos. Neste aspecto, nem dá para considerar os jovens como uma categoria em separado. A avalanche de corrupção que está ocorrendo é ressentida pelos cidadãos de todas as idades e grupos sociais. É uma coisa altamente desmoralizante, sem nenhuma dúvida.
Instituto Millenium – Os recursos tecnológicos foram fundamentais para o movimento 15M na Espanha, como para outros movimentos pelo mundo. Qual é o impacto desses novos recursos, tão bem dominados pelos jovens? No Brasil, o índice de pessoas com acesso à internet aumenta, mas não se vê grandes movimentos dessa natureza. A tecnologia é só um meio que necessita de uma juventude politizada para funcionar politicamente? O senhor identifica alguma especificidade na juventude brasileira?
Bolívar Lamounier - Claro, as novas tecnologias são um meio poderoso, mas são só um meio. Movimentos de protesto – todas as formas de participação, na verdade- dependem de um grau relativamente alto de politização. Mas dependem também de muitas outras condições, sendo a situação econômica quase sempre uma das mais importantes. A situação brasileira tem estado confortável desde os anos 90, com a inflação controlada e índices razoáveis de crescimento. Em comparação com a Espanha, onde o desemprego está em níveis extremamente altos, o Brasil está bem. Comparando com os países árabes, muitos dos quais vivem uma situação econômica complicada e têm regimes políticos autoritários, pode-se dizer que estamos muito bem. Tudo isso ajuda a compreender por que não temos tido movimentos populares de grande expressão.
Mais distorções à vista na política econômica
Entretanto, os custos de reação à crise poderão levar a mais inflação no médio prazo. O cenário está montado para tal.
Nos últimos dias, o governo tem anunciado uma intenção clara em manter o padrão de crescimento utilizando o que não pode usar ativamente em 2008: a taxa de juros.
Naquela crise, o Banco Central parecia mais blindado contra investidas do restante da equipe econômica, o que era respaldado pelo presidente Lula. Tanto foi que a política fiscal foi usada intensamente.
Dessa vez, não há amarras nem na política monetária nem na fiscal. Deveríamos, assim, imaginar que a reação dessa crise poderá demandar mais queda de juros do que seria o necessário.
Isso significa dizer que é muito provável esperarmos que a Selic caia em 2012. Não devemos esperar, contudo, que a política fiscal faça o contraponto contracionista. Pelo contrário, um ativismo do BNDES junto com a volta dos gastos de custeio e capital em 2012 é mais do que esperado.
O governo usará como argumento dessa nova política a crise externa. Mas salvo uma piora significativa, que leve a uma quebra de banco e uma paralisação do crédito como em 2008, é mais provável um cenário de recessão forte, mas não de ruptura.
Sendo assim, parece mais provável que as condições domésticas de crescimento permaneçam. É verdade que parece haver uma intenção dos bancos em controlar um pouco o crescimento do crédito.
Mas a expansão da renda e do emprego não parecem ceder ao mesmo tempo em que há sugestões de novos programas, como um Bolsa Família para a classe média, na forma de abono salarial explicito no contracheque. Momento mais oportuno do que uma crise seria absolutamente impossível.
Toda essa vontade de querer ajustar a economia não deve funcionar a contento.
Primeiro, baixar muito a Selic agora tem empecilhos como a taxa de juros da poupança. Politicamente difícil de mudar a legislação com um governo que já se mostra tão fraco no Congresso.
Segundo, o resultado disso poderá ser uma inflação inexoravelmente mais forte em 2013 e 2014, anos pré-eleição presidencial e Copa.
O importante disso tudo é que a ideia de baixar a taxa de juros ao mesmo tempo em que se faz um forte ajuste fiscal é a política dos sonhos de todo economista. Exemplos de que funcionou não faltam, como na Irlanda da década de 80 e o Canadá na década seguinte.
O problema é acreditar que esse ajuste fiscal de fato se manterá com toda a programação esperada de gastos para os próximos anos e um governo muito desejoso de baixar a Selic rapidamente.
Além disso, a pressão do crescimento econômico também ocorre no déficit em transações correntes. Teremos menos exportação de manufaturados nos próximos anos por conta da desaceleração estrutural dos países desenvolvidos; uma tendência da China focar países que estão crescendo para suas exportações, como o Brasil.
Com todo esse cenário pelo caminho, 2015 promete ser um ano de ajuste forte.
Fonte: Brasil Econômico, 15/08/2011
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