Deste a implantação do sistema democrático de votos diretos conquistados graças ao advento dos expressivos manifestos populares em favor das "Diretas Já" àquele que se várias eleições trabalhei voluntariamente como presidente de mesa nas eleições no meu município. Passei por varias experiências, desde as primeiras eleições ainda com o sistema de voto em cédula e posteriormente com o sistema de urnas eletrônicas. O que pude comprovar durante minhas experiências é a de que as urnas eletrônica são seguras sim. Justifico. Todas elas são previamente auditadas antes do dia da votação, fator que as caracterizam como sendo seguras e licitas, Elas não possuem comunicação com o ambiente externo, seja através de blootoof, wi fi ou cabo de internet, Portanto, é praticamente impossível que alguém consiga inserir ou extrair dados do seu interior durante o sistema de votação. Esse tipo de fraude somente poderia ser articulado durante a auditoria das urnas, situação improvável, dada a forma com a qual a auditoria é realizada. Outra hipótese plausível, porem pouco provável, seria uma transgressão pactuada entre o agente interessado na fraude com a conivência dos responsáveis pela seção eleitoral. Além da auditoria prévia, antes de iniciar o processo de votação, o presidente da mesa imprime a zerésima que é a prova de que naquela urna não foi registrado nenhum voto. A zerésima deverá ser afixada em local visível do lado externo da seção correspondente. Durante o processo de votação somente poderão votar naquela urna os eleitores devidamente credenciados pela justiça eleitoral, sendo que aqueles, obrigatoriamente precisarão apresentar o titulo eleitoral e/ou um documento com foto que o identifique como apto a votar naquela seção. Outro processo que considero o mais seguro e já foi implantado na maioria dos colégios eleitorais do Brasil, é o voto através da identificação via biometria do eleitor. Ao terminar a votação de acordo os horários pré-estabelecidos pela justiça eleitoral, o presidente da mesa imprimirá as listas com o total de votantes, Nelas deverão constar o numero total de votantes, numero esse que deverá coincidir com o numero de eleitores que compareceram na seção e assinaram o livro de presença. O numero total de votantes será considerado a soma de todos os votos válidos, acrescidos dos votos em branco e nulos. Essas vias deverão obrigatoriamente ser entregues da seguinte forma para a junta apuradora além da que é entregue na junta apuradora, também distribuídas para os fiscais dos partidos devidamente identificados com crachás distribuídos pelo justiça eleitoral.
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
De novo esse papo de urnas eletrônicas fraudáveis
Deste a implantação do sistema democrático de votos diretos conquistados graças ao advento dos expressivos manifestos populares em favor das "Diretas Já" àquele que se várias eleições trabalhei voluntariamente como presidente de mesa nas eleições no meu município. Passei por varias experiências, desde as primeiras eleições ainda com o sistema de voto em cédula e posteriormente com o sistema de urnas eletrônicas. O que pude comprovar durante minhas experiências é a de que as urnas eletrônica são seguras sim. Justifico. Todas elas são previamente auditadas antes do dia da votação, fator que as caracterizam como sendo seguras e licitas, Elas não possuem comunicação com o ambiente externo, seja através de blootoof, wi fi ou cabo de internet, Portanto, é praticamente impossível que alguém consiga inserir ou extrair dados do seu interior durante o sistema de votação. Esse tipo de fraude somente poderia ser articulado durante a auditoria das urnas, situação improvável, dada a forma com a qual a auditoria é realizada. Outra hipótese plausível, porem pouco provável, seria uma transgressão pactuada entre o agente interessado na fraude com a conivência dos responsáveis pela seção eleitoral. Além da auditoria prévia, antes de iniciar o processo de votação, o presidente da mesa imprime a zerésima que é a prova de que naquela urna não foi registrado nenhum voto. A zerésima deverá ser afixada em local visível do lado externo da seção correspondente. Durante o processo de votação somente poderão votar naquela urna os eleitores devidamente credenciados pela justiça eleitoral, sendo que aqueles, obrigatoriamente precisarão apresentar o titulo eleitoral e/ou um documento com foto que o identifique como apto a votar naquela seção. Outro processo que considero o mais seguro e já foi implantado na maioria dos colégios eleitorais do Brasil, é o voto através da identificação via biometria do eleitor. Ao terminar a votação de acordo os horários pré-estabelecidos pela justiça eleitoral, o presidente da mesa imprimirá as listas com o total de votantes, Nelas deverão constar o numero total de votantes, numero esse que deverá coincidir com o numero de eleitores que compareceram na seção e assinaram o livro de presença. O numero total de votantes será considerado a soma de todos os votos válidos, acrescidos dos votos em branco e nulos. Essas vias deverão obrigatoriamente ser entregues da seguinte forma para a junta apuradora além da que é entregue na junta apuradora, também distribuídas para os fiscais dos partidos devidamente identificados com crachás distribuídos pelo justiça eleitoral.
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Fontes de informações da PF no caso Flávio Bolsonaro
Principais sites de notícias
UOL (republicado pelo Estado de Minas)
UOL: e-mails indicam conta de Flávio com suspeito de lavar dinheiro do INSS
https://www.em.com.br/politica/2026/10/7518572-uol-e-mails-indicam-conta-de-flavio-com-suspeito-de-lavar-dinheiro-do-inss.html
O Globo (coluna de Malu Gaspar)
Flávio Bolsonaro era 'usuário master' de conta de offshore sócia do jato usado por Vorcaro
https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/10/flavio-bolsonaro-era-usuario-master-de-conta-de-offshore-socia-do-jato-usado-por-vorcaro.ghtml
Estadão (Blog do Fausto Macedo)
E-mails indicam que Flávio dividiu conta bancária com advogado investigado na fraude do INSS
https://www.estadao.com.br/politica/blog-do-fausto-macedo/e-mails-indicam-que-flavio-dividiu-conta-bancaria-com-advogado-investigado-na-fraude-do-inss/
CBN / Globo
PF identifica Flávio Bolsonaro como 'usuário master' de conta de offshore ligada a jato usado por Vorcaro
https://cbn.globo.com/politica/noticia/2026/10/14/pf-identifica-flavio-bolsonaro-como-usuario-master-de-conta-de-offshore-ligada-a-jato-usado-por-vorcaro.ghtml
Revista Fórum
Flávio Bolsonaro dividia conta bancária com Willer Tomaz, investigado por movimentar R$ 13 bilhões em bets, indicam e-mails
https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-conta-willer-tomaz-emails/
Revista Fórum
Flávio Bolsonaro seria sócio oculto de offshore ligada a jatinho de Daniel Vorcaro, investiga PF
https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-socio-oculto-jatinho-vorcaro/
Revista Fórum
Flávio Bolsonaro é alvo de pedido de convocação na CPMI por elo com "Careca do INSS"
https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-e-alvo-de-pedido-de-convocacao-na-cpmi-por-elo-com-careca-do-inss/
Jornal do Brasil
Flávio Bolsonaro tinha conta conjunta com advogado alvo da Polícia Federal por fraudar descontos indevidos no INSS, revela site
https://midias.jb.com.br/brasil/policia/2026/10/1061180-flavio-bolsonaro-tinha-conta-conjunta-com-advogado-alvo-da-policia-federal-por-fraudar-descontos-indevidos-no-inss.html
Jornal do Brasil
Flávio Bolsonaro era 'usuário master' de conta bancária de suposto fraudador do INSS, e não correntista coadjuvante
https://www.jb.com.br/brasil/policia/2026/10/1061225-pf-cita-flavio-bolsonaro-como-usuario-master-de-conta-de-empresa-de-advogado.html
Jornal de Brasília
E-mails indicam que Flávio Bolsonaro dividia conta com suspeito de lavar dinheiro do INSS
https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/politica-e-poder/emails-indicam-que-flavio-bolsonaro-dividia-conta-com-suspeito-de-lavar-dinheiro-do-inss/
A TARDE
Flávio dividia conta com suspeito de lavar dinheiro do INSS, apontam e-mails
https://atarde.com.br/politica/flavio-dividia-conta-com-suspeito-de-lavar-dinheiro-do-inss-apontam-e-mails-1405274
A TARDE
Amigo de Flávio Bolsonaro apostou R$ 5 bi em bet e pediu devolução
https://atarde.com.br/eleicoes/amigo-de-flavio-bolsonaro-apostou-r-5-bi-em-bet-e-pediu-devolucao-1403907
Diário do Centro do Mundo
PF aponta Flávio Bolsonaro como usuário master de conta ligada a sócio de jato de Vorcaro
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pf-flavio-bolsonaro-usuario-master-conta-jato-vorcaro/
Sites de órgãos oficiais
Agência Brasil
Operação Sem Desconto: 48 pessoas são indiciadas por descontos do INSS
https://agenciabrasil.ebc.com.br/de/node/1696708
Agência Brasil
PF e CGU deflagram nova fase da Operação Sem Desconto
https://agenciabrasil.ebc.com.br/de/node/1682148
STF (Supremo Tribunal Federal)
A pedido da PF, STF determina prisão preventiva de investigados por fraudes contra aposentados do INSS
https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/a-pedido-da-pf-stf-determina-prisao-preventiva-de-investigados-por-fraudes-contra-aposentados-do-inss/
Partido dos Trabalhadores
Mesmo endereço, mesmo contador: os elos de Flávio Bolsonaro com o Careca do INSS
https://pt.org.br/mesmo-endereco-mesmo-contador-os-elos-de-flavio-bolsonaro-com-o-careca-do-inss/
Reportagens complementares
O Globo (coluna de Bela Megale)
PF investiga possível lavagem de dinheiro em apostas de R$ 4,8 bilhões de Willer Tomaz
https://oglobo.globo.com/blogs/bela-megale/post/2026/09/pf-investiga-possivel-lavagem-de-dinheiro-em-apostas-de-r-48-bilhoes-de-willer-tomaz.ghtml
Revista Fórum
Advogado de Flávio Bolsonaro movimentou R$ 13 bilhões em bets em 1 ano e meio
https://revistaforum.com.br/politica/advogado-flavio-bets/
Revista Fórum
EXCLUSIVO: Flávio Bolsonaro terá indiciamento pedido na CPMI do INSS
https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-indiciamento-cpmi-inss/
Observação: Entre os links acima, a reportagem original do UOL (do jornalista Fabio Serapião) foi republicada e confirmada por diversos veículos, incluindo Estadão, Jornal de Brasília e A TARDE. A busca não forneceu o link direto da matéria original do UOL, mas a versão republicada pelo Estado de Minas preserva integralmente as informações centrais. A coluna de Malu Gaspar, do O Globo, traz a análise técnica mais detalhada sobre a condição de "usuário master".
“Amigo íntimo, conta compartilhada, jatinho e offshores”: o que os e-mails da PF revelam sobre Flávio Bolsonaro e o “hub” do INSS
Obs. Imagem criada por IA
Por Dag Vulpi 15 de outubro de 2026
E-mails obtidos pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto indicam que uma conta bancária identificada com o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, esteve vinculada ao perfil de “usuário master” de uma empresa do advogado Willer Tomaz — investigado por lavagem de dinheiro no esquema que desviou bilhões de aposentados do INSS. Ambos negam. Mas os documentos contam outra história.
O que a PF encontrou
Durante a análise de arquivos armazenados no iCloud do advogado Willer Tomaz, a Polícia Federal localizou uma troca de e-mails entre o escritório do advogado e o Banco Santander. Em uma mensagem de 22 de maio de 2025, uma funcionária de Tomaz solicitou ao banco a desassociação da conta “Flávio Bolsonaro” do “usuário master” ligado ao advogado. No mesmo dia, o Santander confirmou a exclusão.
O detalhe técnico importa: em contas empresariais, o “usuário master” tem poder total de movimentação. Usuários secundários operam apenas com permissões restritas. A conta em questão estava ligada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, Portugal, da qual Tomaz é sócio — e que aparece na investigação sobre o esquema de lavagem de dinheiro do INSS.
A solicitação de exclusão ocorreu cerca de um mês após a deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto, que investiga desvios de até R$ 6,3 bilhões em aposentadorias e pensões.
Quem é Willer Tomaz
Tomaz não é um nome qualquer. A PF o descreve como um possível “hub financeiro, patrimonial e logístico” a serviço de beneficiários do esquema de fraudes contra aposentados do INSS. Ele foi alvo de busca e apreensão em agosto de 2026 por suspeita de lavar dinheiro desviado para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado.
Paralelamente, Tomaz é investigado por movimentar R$ 13 bilhões em apostas online até junho de 2026, com perdas de R$ 163 milhões em uma única plataforma, a Blaze. Diálogos transcritos pela PF mostram que ele e a Blaze combinaram formas de contornar a regulamentação federal de apostas.
O que dizem os envolvidos
Flávio Bolsonaro afirmou que “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas” e classificou as informações como “fake news” em período eleitoral.
Willer Tomaz negou que a conta lhe pertencesse e afirmou que “jamais criou usuário em nome do senador Flávio Bolsonaro em qualquer plataforma”. Segundo ele, a relação entre os dois é apenas de amizade, “sem relação comercial ou financeira”.
O que os documentos não provam — e o que provam
É preciso ser rigoroso: os e-mails, por si sós, não comprovam que Flávio movimentou recursos ilícitos ou recebeu dinheiro desviado. A própria PF reconhece essa limitação e aponta a necessidade de aprofundar a investigação sobre as movimentações financeiras de Tomaz e suas relações com agentes públicos.
O que os documentos demonstram é que o nome de um candidato à Presidência da República estava vinculado a um perfil de acesso bancário de alto nível em uma empresa ligada a um investigado por lavagem de dinheiro no maior escândalo de fraudes previdenciárias dos últimos anos. E que essa vinculação foi removida discretamente pouco depois de a operação estourar.
O contexto mais amplo
A ligação entre Flávio e Tomaz não se resume a e-mails. Empresas de Tomaz em Portugal — Alcazar Holdings e Cathedral Holdings — custearam voos em jatos executivos para Flávio e familiares em 2024 e 2025. O senador admitiu ter voado “de carona” a convite do amigo.
A Alcazar Holdings também detinha um terço de uma aeronave Legacy 650 que tinha entre os cotistas a Prime You, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Além disso, o escritório individual de advocacia de Flávio em Brasília é administrado por Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis, preso sob acusação de prestar serviços a Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador central dos desvios previdenciários.
Conclusão
A investigação da PF não encerra o caso — ela o aprofunda. O que está documentado até aqui não é uma prova cabal de crime, mas um padrão de proximidade entre um candidato à Presidência e uma estrutura empresarial investigada por lesar milhões de aposentados. Conta compartilhada, jatinho bancado por offshore, escritório administrado pela irmã de um preso no esquema: cada elemento isolado pode ter explicação. O conjunto, porém, exige respostas que vão além do “é fake news”.
Em um país onde R$ 6,3 bilhões foram subtraídos de quem mais precisa, a pergunta que fica não é apenas se Flávio Bolsonaro tinha ou não uma conta. É por que alguém com acesso master a uma empresa de um investigado por lavagem de dinheiro não considerou relevante mencionar essa conexão antes que a PF a encontrasse em um iCloud.
Fontes de pesquisa: (CLIQUEAQUI)
sábado, 10 de outubro de 2026
Para onde vai o dinheiro do Brasil? Entenda o orçamento público sem mitos

Antes de culpar apenas os programas sociais pelo rombo nas contas, é preciso olhar a foto inteira: serviços essenciais, incentivos, juros da dívida e o custo da máquina política com os dados consolidados de 2025.
Por Dag Vulpi - outubro de 2026
Sempre que o tema é o "tamanho do Estado brasileiro", a conversa costuma ir direto para os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. Para muitos, esse é o principal vilão das contas públicas. Mas será que olhar apenas para um pedaço da conta nos dá a resposta certa?
Pensar no orçamento do país é parecido com olhar as contas de uma casa: não adianta cortar o pãozinho da manhã se o aluguel e os juros do cartão de crédito estão consumindo quase todo o salário.
Para entender se o Brasil gasta muito ou gasta mal, precisamos colocar todas as peças desse quebra-cabeça na mesa.
1. Quanto o Brasil gasta com os serviços essenciais?
Segundo os dados oficiais de contas nacionais e do Tesouro Nacional, as despesas totais do governo geral brasileiro (União, estados e municípios) alcançaram 46,9% do PIB em 2025, refletindo a dimensão da máquina pública em todos os níveis de governo.
Dentre as várias funções exercidas pelo Estado, áreas vitais para a população contam com grandes fatias de recursos na gestão pública, a exemplo do que indicam historicamente as programações orçamentárias e as estatísticas de despesas por função, onde os compromissos com saúde e educação lideram os grandes volumes estruturais.
Estes números mostram que uma parcela significativa do orçamento vai para hospitais, escolas e segurança. Mas o grande debate aqui não é só o valor investido, e sim a qualidade do retorno: o cidadão sente que o serviço recebido vale o imposto pago?
2. Bolsa Família: qual é o verdadeiro peso no orçamento?
O Bolsa Família permanece como uma das principais redes de proteção social do país, atendendo dezenas de milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Para dar dimensão prática:
Os programas sociais voltados à base da pirâmide garantem a subsistência de famílias inteiras, mas frequentemente viram alvo de debates fiscais.
Por outro lado, o valor total investido anualmente em transferência direta de renda representa uma fração pequena se comparado ao volume global das despesas obrigatórias da União (como os gastos previdenciários e de custeio geral).
Além do socorro imediato às famílias, esse dinheiro gira diretamente no comércio local de municípios menores (mercados, farmácias, feiras). A existência de programas sociais, contudo, não elimina a necessidade de fiscalização contínua: é legítimo e necessário cobrar atualização cadastral, combate a fraudes e avaliação rigorosa de resultados.
3. Subsídios e incentivos: as desonerações que poucos veem
Quando o Estado deixa de arrecadar impostos de certos setores da economia ou oferece condições especiais de crédito para empresas, isso se traduz em subsídios e renúncias fiscais.
Onde está esse dinheiro? Grande parte corresponde a reduções de impostos (subsídios tributários) concedidas a diferentes atividades produtivas, setores industriais, agricultores e incentivos regionais.
A pergunta necessária: Todos esses incentivos geram empregos e crescimento na mesma proporção do dinheiro que o governo deixa de arrecadar? Avaliar a eficácia dessas políticas de desoneração com rigor é fundamental para o equilíbrio das contas.
4. Juros da dívida pública: o custo de 2025
Um dos maiores pesos do orçamento brasileiro não vira hospital, estrada ou escola: são os juros da dívida pública.
Conforme as estatísticas fiscais do Banco Central, em 2025, os juros nominais pagos ou apropriados pelo setor público consolidado somaram R$ 1,0076 trilhão, o equivalente a 7,91% do PIB.
Esse valor expressivo — impulsionado pelo patamar da taxa básica de juros (Selic) ao longo do período — consome uma parcela colossal de recursos que poderiam estar sendo direcionados para investimentos produtivos ou melhorias nos serviços essenciais.
5. O custo da estrutura política
Por fim, a manutenção da engrenagem política também mobiliza recursos públicos relevantes que merecem escrutínio da sociedade:
Fundo Eleitoral (FEFC): O Fundo Especial de Financiamento de Campanha é fixado por leis específicas em anos eleitorais para custear os pleitos, gerando debates recorrentes sobre a razoabilidade dos valores públicos destinados à disputa partidária.
Fundo Partidário e Emendas: Soma-se a isso a verba de manutenção dos partidos políticos e os recursos direcionados via emendas ao orçamento, cuja aplicação exige transparência máxima e controle rigoroso por parte dos órgãos de fiscalização.
Tratam-se de despesas com finalidades específicas, mas que precisam estar sob o crivo atento do cidadão.
O desafio da eficiência
Debater as contas públicas exige olhar o mapa completo. O desequilíbrio fiscal do Brasil não é resultado de um único programa social ou de uma despesa isolada, mas sim da combinação compleja entre a carga tributária, o elevado custo de financiamento da dívida, a distribuição de subsídios e a eficiência na gestão dos recursos.
Mais do que perguntar se o Estado é grande ou pequeno, a pergunta central que precisamos fazer é: o dinheiro arrecadado está sendo distribuído e aplicado de forma justa, transparente e eficiente para toda a sociedade?
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
A Ilusão do Conflito de Classes: Por que a Democracia Exige Consciência Social
É cada vez mais frequente observar cidadãos de baixa renda defendendo pautas econômicas que perpetuam a própria desigualdade. Compreender como a desinformação e o discurso populista capturam a opinião pública é o primeiro passo para resgatar o verdadeiro sentido da democracia e garantir direitos fundamentais a todos.
Por Dag Vulpi - 30 de março de 2023
Não é raro ver trabalhadores e pessoas em situação de vulnerabilidade defendendo os interesses de elites econômicas cujas medidas impactam diretamente suas vidas. Frequentemente, essa postura decorre da falta de acesso a uma informação crítica e de uma compreensão mais aprofundada das dinâmicas econômicas e sociais do país.
Um exemplo claro ocorre quando a população de menor renda apoia pautas como a desregulamentação trabalhista irrestrita ou a isenção fiscal desproporcional para grandes corporações. Embora tais propostas costumem ser apresentadas sob a promessa de desenvolvimento e geração de empregos, muitas vezes resultam no enfraquecimento dos serviços públicos essenciais — como saúde, educação e segurança — e na perda de garantias trabalhistas cruciais para a subsistência digna.
Esse fenômeno é impulsionado por campanhas publicitárias persuasivas, discursos populistas e pela disseminação de notícias falsas. Sem ferramentas de análise crítica, muitos cidadãos passam a acreditar que estão protegendo suas próprias conquistas, quando, na realidade, contribuem para consolidar privilégios de grupos já favorecidos.
Quando a democracia é enfraquecida, a desigualdade cresce sem freios. A força democrática reside justamente na sua capacidade de nivelar oportunidades e dar voz tanto aos incluídos quanto, principalmente, aos marginalizados.
Para reverter esse cenário, é indispensável fomentar o letramento político e o acesso à informação transparente. O fortalecimento de movimentos sociais e a atuação ética das instituições públicas são pilares fundamentais para que a população reconheça seus verdadeiros direitos e reivindique políticas públicas efetivas.
Conclusão:
A construção de uma sociedade mais justa e equitativa depende do engajamento coletivo. Quando o cidadão compreende o seu papel e o impacto das escolhas políticas no seu dia a dia, a democracia deixa de ser um mero conceito abstrato e se torna um instrumento real de dignidade, oportunidade e transformação social.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Da Fila do Osso ao Prato Vazio um Legado Bolsonarista
Por Dag Vulpi — 07 de outubro de 2026
O impacto social e a dor das ruas no governo Bolsonaro (2019–2022)
Entre 2019 e 2022, o Brasil viveu um período em que os números da economia não correspondiam à realidade percebida por milhões de brasileiros. Enquanto Brasília discutia reformas, equilíbrio fiscal e indicadores econômicos, nas ruas cresciam os sinais de uma crise social marcada pela perda do poder de compra, pelo desemprego, pela informalidade, pelo encarecimento dos alimentos e do gás de cozinha e pelo retorno da fome em dimensões que o país havia conseguido reduzir. A chamada “fila do osso” tornou-se uma das imagens mais dolorosas daquele período. Mais do que uma fotografia da pobreza, ela representava a distância entre a capacidade econômica de um país e a capacidade de seu povo de colocar comida na mesa.
A fome voltou a ocupar as ruas
A fome talvez tenha sido o retrato social mais contundente daquele período. Em 2021, imagens de pessoas esperando por doações de ossos e restos de carne em Cuiabá ganharam repercussão nacional. Eram famílias que dependiam daquela doação para complementar a alimentação. A cena ficou conhecida como “fila do osso” e acabou se transformando em um dos símbolos sociais do governo Bolsonaro.
Em 2022, o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, realizado pela Rede PENSSAN, estimou que 33,1 milhões de brasileiros estavam passando fome, enquanto 58,7% da população conviviam com algum grau de insegurança alimentar. O dado revelava uma contradição difícil de ignorar: um dos maiores produtores de alimentos do planeta tinha milhões de pessoas sem acesso regular à alimentação adequada.
Quando a comida ficou cara demais
A inflação dos alimentos atingiu especialmente as famílias de menor renda. Em 2020, enquanto o IPCA geral acumulou 4,52%, o grupo Alimentação e Bebidas subiu 14,09%. O arroz aumentou 76,01% e o óleo de soja, 103,79%. Em 2021, o IPCA fechou em 10,06%, enquanto o gás de botijão acumulou alta de 36,99%. Em 2022, mesmo com a inflação geral recuando para 5,79%, os alimentos continuaram pressionando o orçamento: Alimentação e Bebidas acumulou 11,64%, e a alimentação no domicílio aumentou 13,23%.
Para quem tinha renda suficiente, inflação significava trocar marcas ou reduzir o consumo. Para quem já vivia no limite, significava retirar alimentos da mesa. Quando a carne sobe, uma família de maior renda pode substituí-la; uma família pobre pode simplesmente deixar de comprá-la. Quando o gás aumenta, uma família com renda confortável absorve o reajuste; outra pode recorrer a lenha, carvão ou outras formas improvisadas de cozinhar. É nesse ponto que uma estatística econômica deixa de ser apenas um número e passa a representar sofrimento.
Desemprego, informalidade e renda
O mercado de trabalho também deixou marcas profundas. A taxa média anual de desemprego chegou a 13,2% em 2021, depois de atingir níveis ainda maiores durante a crise sanitária. Mas o problema não estava apenas na quantidade de desempregados, e sim também na qualidade do trabalho disponível. Em 2022, mesmo com a recuperação do mercado de trabalho, a taxa média de informalidade permanecia em 39,6%, envolvendo milhões de trabalhadores sem carteira assinada e sem a mesma proteção previdenciária e trabalhista dos empregados formais.
A recuperação do emprego, portanto, não significou automaticamente recuperação do poder de compra. Milhões de brasileiros voltaram ao mercado de trabalho por meio da informalidade, de atividades por conta própria ou de ocupações de baixa remuneração. O desemprego pode cair e, ainda assim, a vulnerabilidade permanecer. Afinal, emprego não é sinônimo automático de segurança econômica.
Aposentados também fizeram contas
Entre aposentados e pensionistas, a perda do poder de compra também teve consequências. Para quem depende de uma renda fixa, aumentos expressivos nos preços dos alimentos, medicamentos, aluguel, energia e gás reduzem diretamente a capacidade de consumo. Não se trata de despesas que possam simplesmente desaparecer do orçamento. Quando o dinheiro não alcança, a escolha frequentemente recai sobre aquilo que deveria ser preservado: alimentação, medicamentos ou outros cuidados essenciais.
Há ainda uma particularidade brasileira: em muitas famílias, a aposentadoria funciona como uma última barreira contra a pobreza de filhos e netos. Quando o mercado de trabalho não oferece renda suficiente, é comum que o aposentado passe a sustentar ou complementar a renda da família. Assim, a precarização do trabalho acaba alcançando também quem já deveria estar desfrutando de uma velhice mais protegida.
Transferência de renda e sobrevivência
Durante o período, o governo criou e ampliou programas de transferência direta de renda. O Auxílio Emergencial alcançou dezenas de milhões de brasileiros e tornou-se uma das principais ferramentas de proteção social durante a crise. Posteriormente, o Bolsa Família foi substituído pelo Auxílio Brasil, com aumento dos valores pagos.
Esses programas foram importantes para milhões de famílias, mas também revelaram uma contradição: era necessário ampliar significativamente a transferência de renda justamente quando pobreza e insegurança alimentar haviam avançado. O benefício podia impedir que uma família passasse fome, mas não eliminava necessariamente as causas de sua vulnerabilidade. Transferir renda pode garantir sobrevivência; não significa, por si só, autonomia econômica.
Saúde, educação e serviços públicos
Na saúde pública, o período deixou filas, procedimentos represados e dificuldades de acesso que atingiram principalmente quem dependia do SUS. Na educação, escolas, universidades e institutos federais enfrentaram dificuldades administrativas e orçamentárias, enquanto estudantes pobres foram particularmente afetados pela desigualdade de acesso às condições necessárias para acompanhar o ensino.
A questão, porém, não se resume ao volume de recursos. Um serviço público precisa ser avaliado também pelo resultado que entrega à população. Para uma família de baixa renda, uma consulta que demora meses, um exame que não é realizado ou uma interrupção na formação escolar pode representar uma consequência muito maior do que representa para uma família que dispõe de recursos para recorrer ao setor privado.
O Brasil que os números não mostram
Existe uma tendência no debate político de selecionar os indicadores que melhor favorecem cada narrativa. Um governo destaca o crescimento do PIB; outro, a queda do desemprego; outro, o resultado fiscal ou a arrecadação. Todos esses indicadores são importantes. Mas existe uma pergunta que nenhum governo deveria ignorar: quanto custa viver?
O trabalhador não paga suas contas com PIB. Não compra arroz com crescimento econômico, gás com superávit ou remédio com discurso político. Ele precisa de renda — e precisa que essa renda seja suficiente.
Por isso, uma avaliação social de governo precisa olhar também para aquilo que acontece dentro das casas. A mãe diante da prateleira do supermercado fazendo contas. O aposentado escolhendo entre o remédio e a feira. O trabalhador informal sem saber quanto ganhará no dia seguinte. A família que recebe um benefício para conseguir atravessar o mês. A pessoa que espera na fila por um pedaço de carne que, em outras circunstâncias, jamais imaginaria precisar receber como doação.
Essas imagens também são indicadores.
O legado social de 2019 a 2022
O período de 2019 a 2022 terminou deixando uma combinação difícil de ignorar: milhões de brasileiros em situação de fome, níveis elevados de insegurança alimentar, forte informalidade, perda do poder de compra e uma parcela expressiva da população dependente de programas de transferência de renda para atravessar a crise.
A pandemia faz parte dessa história, mas não explica sozinha todos os resultados. Governos existem para enfrentar crises, proteger os mais vulneráveis e definir prioridades. E é justamente pelas escolhas feitas diante das dificuldades que também devem ser julgados.
A “fila do osso” tornou-se símbolo porque mostrou, de maneira brutal, aquilo que algumas planilhas não conseguem revelar: havia brasileiros que não estavam discutindo qual corte de carne poderiam comprar. Estavam tentando conseguir qualquer alimento que pudesse chegar à mesa de suas famílias.
O prato também é um indicador
O período de 2019 a 2022 deixou uma marca social que não pode ser apagada por gráficos ou discursos. O Brasil terminou aquele ciclo com milhões de pessoas passando fome, uma parcela enorme da população enfrentando insegurança alimentar, elevada informalidade e famílias que precisaram recorrer a programas de transferência de renda para sobreviver.
No fim, talvez exista uma medida mais simples para avaliar uma política econômica: não apenas quanto cresceu a economia, mas quanto melhorou a vida de quem mais precisava dela.
O PIB pode crescer. A bolsa pode subir. A arrecadação pode aumentar. O governo pode anunciar reformas.
Mas, se uma mãe precisa escolher entre o gás e a comida, alguma coisa essencial está dando errado.
Porque o prato vazio também é um indicador econômico.
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