domingo, 4 de junho de 2017

Três terroristas são mortos por polícia britânica e 12 suspeitos são detidos

A Polícia Metropolitana de Londres confirmou hoje (4) que oito agentes armados abriram fogo contra os três terroristas que cometeram o atentado de ontem, que deixou sete vítimas mortais e 48 feridos, 21 deles em situação crítica. A polícia deteve até agora 12 pessoas supostamente envolvidas com os ataques, após ter efetuado várias operações policiais no bairro de Barking, ao sul da capital.

Saiba mais:

Em um breve pronunciamento à imprensa, o chefe da unidade antiterrorista de Scotland Yard, Mark Rowley, declarou também que a partir de agora haverá mais "medidas físicas" nas pontes da capital britânica com a intenção de proteger os cidadãos. A informação é da Agência EFE.

Rowley revelou que os oito policiais dispararam no total "cerca de 50 balas", um número "sem precedentes", para deter os três autores do atentado, que aparentemente usavam coletes com explosivos.

Ao descarregar as balas contra os agressores, que foram atingidos, um cidadão também foi ferido acidentalmente, segundo este porta-voz. "A situação enfrentada por estes agentes era crítica, uma questão de vida ou morte, com três homens armados que levavam aparentemente coletes suicidas", argumentou Rowley.

"Ao lidar com os terroristas, um cidadão também sofreu um ferimento de bala", acrescentou.

Também destacou que as autoridades policiais realizaram "progressos significativos" para tentar estabelecer a identidade dos terroristas, que ainda não foi divulgada.
Segundo informou Rowley, o veículo empregado para atropelar os pedestres na London Bridge, de cor branca e da marca Renault, "tinha sido alugado recentemente" por um dos terroristas.

Entre as 48 pessoas internadas em cinco hospitais de Londres logo após os incidentes na London Bridge e no Borough Market, quatro são agentes da polícia , segundo as últimas informações.

Condolências do Brasil

O presidente Michel Temer manifestou ontem (3) as condolências ao povo e ao governo britânico por meio das redes sociais. "É com grande tristeza que tomamos conhecimento de mais um atentado no Reino Unido. Reiteramos nossa condenação a todo ato de terrorismo. Voltamos nossos pensamentos para as vítimas, suas famílias e amigos", afirmou, em sua conta no Twitter.

ONU condena ataque terrorista em Londres e pede esforço internacional

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou com firmeza neste domingo (4) o ataque terrorista que deixou sete mortos e 48 feridos em Londres e pediu esforço internacional para localizar os terroristas. A informação é da Agência EFE.

O português manifestou o desejo de que os "responsáveis por esta violência injustificada sejam encontrados rapidamente e levados à Justiça", disse o porta-voz do secretário-geral, Stephane Dujarric, por meio de comunicado.

Além disso, Guterres se solidarizou com todos os cidadãos do Reino Unido, "na luta contra o terrorismo e o extremismo violento".

Segundo o texto, esse esforço "obriga a comunidade internacional a unir esforços para levar à justiça os que utilizam táticas inumanas, ao mesmo tempo que se protege e promove os valores fundamentais, direitos e princípios, que os terroristas tenam debilitar."

O diplomata expressou condolências as famílias dos sete mortos no atentado e desejou pronta recuperação aos 48 feridos, dos quais, 36 seguem hospitalizados e 21 em estado crítico.


Esta é a terceira investigação a ato terrorista de grande porte feita pelas forças de segurança britânicas em apenas três meses, após ataque em frente ao Parlamento, que deixou cinco mortos, e o atentado em Manchester há duas semanas, com 22 vítimas.

sábado, 3 de junho de 2017

Violência não é fruto da pobreza, mas a colheita da desigualdade social


Como um brasileiro enxerga a Holanda. "Pescado" no Facebook

Algumas pessoas idealizam a Holanda como um lugar paradisíaco. Nada mais longe da verdade; as ‘terras baixas’ não são nenhum paraíso e têm diversos problemas. E nada, também, comparável ao que acontece com o Brasil e em relação ao resto do mundo, de uma maneira geral. Por isso, é tão didática (e deliciosa) essa narrativa de Daniel Duclos, o Daniduc, um ‘brazuca’ que vive por aquelas bandas.


Limpe você mesmo o seu banheiro

A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade.

Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem. Há censura e desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como Norte na bússola social holandesa.

Um porteiro na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor “doutor”. Todos trabalham, levam suas vidas normalmente e cada profissão é tão digna quanto à outra.

Fora do expediente nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heineken juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima.

A profissão não define o valor da pessoa, trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos.

Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.

Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto.

Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1.300 euros por mês. Um bom salário de profissão especializada fica de uns 3.500 a 4.000 euros mensais.

E ganhar mais do que alguém não torna esse alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando.

Todos ali estão em uma equipe, da qual você faz parte tanto quanto os outros, mesmo que a sua função dentro do time seja o de tomar decisões.

Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade.

Entre os brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum, há exceções, estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos. O chefe não te olha de cima e o garçom não te olha de baixo.

Brasileiros quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializada do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?

Descendo do pedestal                         

Os salários pagos para profissões especializadas no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time.

Os salários pagos à mesma profissão na Holanda não são suficientes pra esse luxo e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague bem mais do que pagaria a um ajudante no Brasil, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poeirinha sua, servindo cafezinho.

É assim: eles vêm, dão uma ajeitada e se mandam para cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você.

De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio e, pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável, seja por mérito de ter “estudado mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade.

Porém, a igualdade social holandesa tem outro efeito que é muito atraente pra quem vem de uma sociedade profundamente desigual como a do Brasil: a relativa segurança.

Igualdade social

É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência, pessoas são assassinadas, há roubos. Nessa comparação, “menos violenta” não quer dizer “não violenta”.

O curioso é que aqueles brasileiros que se queixam amargamente de limpar o próprio banheiro elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas.

Violência social não é fruto de pobreza; violência social é colheita da desigualdade social.

A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade.

Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um MacBook de 1.400 euros no ônibus sem medo.

Vá limpar seu banheiro!

Eu, pessoalmente, acho excelentes os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não tem qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito.

Não enxergo superioridade moral num trabalho honesto sobre outro, não importa qual. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei”, pois não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não.

O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior mas não te torna superior a quem não tenha estudado – por opção, ou por falta dela. Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser o dono da cocada preta.

Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem qualquer relação com valor pessoal.

Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde.

Limpar o banheiro é um preço a ser pago pela saúde social. E um preço bastante barato, na verdade.

Ex-deputado Rocha Loures é preso em Brasília


No pedido de prisão, Janot diz que ex-parlamentar é o executor das ordens de Temer

O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures foi preso na manhã deste sábado, segundo informou a Polícia Federal. Ele foi preso em sua casa em Brasília.

O Ministério Público Federal reapresentou o pedido de prisão de Rocha Loures na quinta-feira, depois que foi formalizada a posse do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) que saiu do Ministério da Justiça e retornou à Câmara. Com a posse de Serraglio, Loures perdeu a vaga por ser apenas suplente de deputado.

No pedido de prisão, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que Rocha é "verdadeiro longa manus do presidente Michel Temer". A expressão em latim é usada para descrever aquele que atua como executor das ordens de outro.

Em sua defesa, o ex-deputado argumentou que o novo pedido de prisão é uma forma de pressioná-lo para fazer delação premiada. “Por que não diz a verdade, isto é, que quer a prisão para forçar uma delação, como tem sido usual nos últimos tempos?”, questionou o advogado Cezar Bitencourt na peça encaminhada ao relator da Lava-Jato, ministro Edson Fachin.


Em depoimento de delação, o dono da JBS Joesley Batista afirmou que Rocha Loures foi indicado pelo presidente Michel Temer para tratar de assuntos de interesse da empresa. O ex-deputado foi flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil em propina da JBS, em ação controlada da Polícia Federal.

Do G1.com

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Tabocas - ST – big bem – o início


Por Antonio Luiz Carlini escrito em 14/09/1997 publicado em 02/06/2017

Tudo era mata, MATA ATLÂNTICA maculada apenas por algumas picadas, por onde passaram os agrimensores e seus auxiliares. Sendo que já se passavam quinze anos, desde os primeiros lotes de terras, já estarem ocupados no Município, em Caldeirão por Carlini, duas famílias, Corteletti, três famílias, Zanotti, três famílias, Degásperi uma família e, em Tabocas só a Ziviani, mas ainda pensando estar em Caldeirão, devido terem acessado aos lotes, subindo pelo Vale do Rio Santa Maria e seus afluentes, quando Giácomo Corona, também vindo por aquela direção, recebeu e ocupou seu lote, seis quilômetros abaixo da nascente do Rio do Vale das Tabocas.

Foram informados, Giácomo e esposa, serem os primeiros a entrar naquele baixio do Vale, entre a primeira e a segunda cachoeira das Tabocas. 

Passaram-se quase três meses, desde a ocupação dos lotes, quando começou escassear demais os víveres para a sobrevivência, com alimentos, que combinados com caça e pesca, duraram mais, além de que, palmitos, ajudaram muito. Porém, nos dias sagrados, quando não trabalhavam na derrubada ou plantio de vegetais, como hortaliças e cereais, cuja colheita era planejada para menos de seis meses, a alimentação deles corria perigo, dada a distância que estavam do Patrimônio dos Polacos – Hoje Santo Antonio do Canaã – ou Boapaba, ou então Itapina, lá na margem direita do Rio Doce. Naquelas circunstâncias, caçar e pescar mantinha-os, mas a busca por palmito melhor, inclusive frutos de palmeiras, aos quais sabia o patriarca Corona serem comestíveis, por que observava os porcos selvagens, as cutias, os primatas, além das gordurosas antas e capivaras, deles se alimentarem. 

Em uma daquelas entradas pela MATA, seguindo na direção sul, depois que deixou seu barraco, naquela época, moradia, afastou-se da clareira já aberta, mais do que das vezes anteriores que o fizera. Estando no Alto de encosta, onde atualmente, esta a Capela de Nossa Senhora Auxiliadora – Tabocas -, Giácomo Corona ouviu o canto de um galo doméstico. Som vindo de um ponto mais baixo, mas bem próximo donde estava a concentração das Tabocas – taquara extinta no local -. Resolveu que almoçariam frango, pois, em sua concepção, alguém, dentre os colonizadores, havia perdido um galo, picadas afora. Foi se aproximando de onde vinha o som produzido pelo galo e ouviu um latido de cão. Irritou-se ao lembrar que ao receber o lote, as autoridades imperiais brasileiras lhe garantiram não haver lobos ou cães selvagens nas florestas capixabas. Empunhou a espingarda. Engatilhou, pois, sabia que agora teria que disputar aquele galo com os possíveis caninos, espreitando-o sob a árvore, onde ao certo o galo perdido se havia empoleirado para escapar aos predadores selvagens.

Aproximando-se mais, sem ter ainda localizado o galo pretendido, foi descoberto pelo cão doméstico que mais o recepcionava do que ameaçava. Tendo o cão seguido em retorno para a direção de onde viera, Corona o seguiu e visualizou a clareira, um barraco semelhante ao seu e crianças italianas naquele terreno sem vegetação o observando. O galo correu esconder-se no outro lado da cabana e foi acompanhado por umas galinhas. Quando uma das crianças gritou chamando pelo pai que no momento estava fora da clareira, aumentando a estradinha de acesso à margem do Rio Tabocas, ainda servindo-lhes de área de serviço e água para uso doméstico. Por uma abertura na cabana, à guisa de porta, saiu uma senhora jovem, que lhe acenou em cumprimentos italianos e do outro lado apareceu aquela caricatura de Bandeirante, só que muito mais jovem do que Domingos Borba Gato - O ANHANGUERA -. 

Era o encontro de Giuseppe Baptisti com seu primeiro vizinho de Tabocas, o pioneiro Giácomo Corona, este que depois de atravessar dois lotes, os quais, posteriormente couberam a Henrique Ferrari e Giocondo Zamprogno.
Por longo tempo conversaram. E entre os assuntos, surgiu a necessidade de ambos em mais encontros para as rezas, juntando as duas famílias, enquanto que ainda não se ajeitavam para planejar uma Capela, que só foi possível quando mais famílias chegaram, tais como os Loss, (quatro clãs), Zamprogno, Ferrari, Thommasini, Passamanai, Sperandio, Stinghel e outra vinda de Coser, por que os pioneiros estavam em Caldeirão. 

Entretanto, dedicaram algum tempo fora de suas roças, para abrir a picada, subindo o Vale do Rio, transpor o Divisor de águas e acessar mata adentro, as cabeceiras do Rio São Lourenço, para chegarem mais fácil ao Núcleo Antonio Prado, onde já havia concentração de italianos querendo também, melhorias como eles nas condições de vida, já que as autoridades brasileiras os desassistiam por completo.
Giuseppe Baptisti, um dos pioneiros de Tabocas, fez muito esforço físico para a existência da Estrada Velha de Tabocas, pois, para alimárias de tropas, tinha que ser mais larga, agilizando a passagem dos lotes de café, ligando-a com Santa Teresa – Antigo Núcleo Antonio Prado ou Núcleo THIMBUHI. Porém, menos de trinta anos depois, estava ele ás voltas com esforço físico e financeiro para realizar uma estrada para caminhões, já que a de Santa Teresa e Figueira de Santa Joana –Itarana – se concluía. 

TABOCAS = Espécie de taquara. Origem do nome= Tupi-guarani. O Vocábulo compõe-se de uma frase dos aborígenes, unindo taba, coletivo de casas e oca, a casa, pois, o Padre José de Anchieta escreveu que no original, seria o certo dizer tabaóca! Por que aquelas taquaras abrigavam inúmeras espécies dos animais silvestres do Vale.

ANHANGUERA = Diabo Velho! Anhangá, o espirito mau, que existe há muito tempo!

DOMINGOS BORBA GATO = Bandeirante Paulista que incendiou aguardente para amedrontar os silvícolas reticentes em lhe mostrar onde se iniciava o filão de Ouro nas Minas Gerais!


Quer queira ou não, os historiadores que passaram por Universidades, por mais que trabalharam em suas pesquisas, não conseguiram ver o brilho da alma, nos olhos de nossos colonizadores chorando a saudade da Itália ou Alemanha, com especial atenção aos pais que lá ficaram, por que não aguentariam a fatídica viagem!

Aspectos da psicologia na Hanseníase


Por Deisi Laiane* no blog oficial da DAHW Brasil
A descoberta de uma doença gera muitos impactos na vida de uma pessoa, como somos únicos, cada um vai reagir de acordo com a sua singularidade, porém na maioria dos casos poderá vir acompanhada de muita ansiedade, angústias e dúvidas, esses sentimentos são geralmente ainda maiores pela falta de informação gerando assim o medo do desconhecido. No caso da Hanseníase esses sentimentos são reforçados pelos estigmas e preconceitos que existem em relação à doença, tendo um impacto ainda maior na vida do indivíduo.

A Hanseníase é uma doença que existe a muitos séculos, representando ainda nos dias atuais um problema de saúde pública devido à grande prevalência da doença. Conhecida antigamente como “Lepra”, se tinha pouco conhecimento sobre ela, seja a sua causa, tratamento ou cura.

Naquela época os pacientes eram isolados do restante da sociedade e passavam a viver nos antigos leprosários, muitos viveram nestes locais até o fim da vida. Essas pessoas além de isoladas conviviam com a rejeição e o preconceito da sociedade, pois essa doença era vista por muitos por um cunho bastante religioso, onde era justificada como um “castigo divino”.

Muita coisa mudou, hoje já se sabe a sua causa e o tratamento para se chegar à cura, no entanto ainda existem estigmas e preconceitos que permeiam a doença; muitas vezes causados pela falta de informação , um exemplo disso são as duvidas quanto a transmissão, algumas pessoas não sabem que o paciente que está em tratamento não mais a transmite, dessa forma se afastam com medo de serem acometidas pela doença.

Muitos ao serem diagnosticados sentem vergonha, então não contam para seus familiares nem amigos, enfrentam sozinhos, pelo medo de serem rejeitados ou isolados, tornando assim o processo muito mais doloroso.

Dessa forma, se torna muito importante um acompanhamento psicológico, além da presença de outros profissionais de saúde, onde teriam um papel importante desde o momento do diagnóstico, onde poderiam contribuir para amenizar as angústias que surgirem, seja tirando dúvidas quanto à forma de tratamento, de transmissão, podendo também esclarecer mitos e preconceitos que existe em torno da doença.

No enfrentamento de uma doença, como a Hanseníase, se torna fundamental um espaço, onde o paciente possa falar das suas fantasias e medos. Um espaço em que principalmente se sinta ouvido e acolhido. Outra forma eficiente de se trabalhar com os pacientes é através da terapia em grupo, onde permite a troca de experiência, onde um vai aprendendo com o outro, tanto sobre a doença, quanto as maneiras diferentes de enfrentá-la.

Se torna também interessante realizar um trabalho com os próprios profissionais que estão envolvidos no acompanhamento dos hansenianos , para reavaliarem alguns preconceitos que possam existir, e que de alguma maneira possa interferir no tratamento do paciente.

É necessário a realização de um trabalho também com os familiares, comunidade e
com a sociedade de maneira geral, pois quanto mais pessoas tiverem esclarecimentos, e o conhecimento correto sobre a hanseníase, menor será o preconceito, além de contribuir para o diagnóstico precoce, evitando assim as possíveis sequelas.

O importante é o engajamento de todos, seja comunidade, seja profissionais de saúde, todos que puderem multiplicar as informações, formando assim uma rede que cresça cada vez mais, permitindo que ocorram as mudanças necessárias.

*Deisi Laiane – Psicóloga

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