Comumente
ouvimos as pessoas dizerem que são contra a corrupção. Perfeito! Afinal ela é o
câncer que corrói o alicerce do país e das instituições.
No entanto, parafraseando Hamlet, percebo que há algo de podre no reino da
moralidade.
O discurso anticorrupção da atualidade apresenta um argumento falacioso e
prejudicial à verdade; pois se uma pessoa bradar a todos pulmões que é contra a
corrupção, mas for seletiva em sua indignação, ela demonstrará que é guiada por
sentimentos diversos à repulsa que pronuncia.
Nestes casos, ou a pessoa é hipócrita, ou desconhece fatos (graças à mídia e a
seu empenho gigantesco em demonizar um partido e poupar o outro) ou
simplesmente odeia o PT.
Se a pessoa disser que deseja a queda do governo por odiar o partido, ela
estará sendo sincera em seu sentimento, mas sarcástica em relação à corrupção,
pois demonstra que esta nunca foi sua preocupação. Se fosse, certamente
bradaria contra todos os escândalos e não apenas contra os escolhidos pela
mídia.
A corrupção não é algo novo no Brasil. Livros de história e pesquisas
demonstrarão isso. Ela sempre esteve presente e sempre assolou o país. Vale
salientar que o que estamos vivenciando hoje não é o auge da sujeira, mas, como
dito por Mário Sérgio Cortella, o "começo da limpeza". E é isso que
devemos desejar: que TUDO se apure, que tudo se investigue e que tudo se puna,
afinal não existem PARTIDOS CORRUPTOS, pois eles não tem vida própria. Partidos
são formados por pessoas e essas diferem uma das outras em todos os aspectos e
em todos os lugares, desde partidos políticos até a igrejas.
Se somos contra a corrupção, devemos lutar contra ela como um todo e não
seletivamente, pois não há repúdio contra corrupção quando o sentimento que o
move é o cinismo e a demagogia.