segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Esquerda política




Esquerda política é “o grupo de pessoas ou de partidos que defendem os ideais do socialismo, em oposição ao capitalismo e a regimes de direita (bancada de esquerda)”, de acordo com o Dicionário Aulete.

Nas definições de Direita e Esquerda referentes ao campo da política, o segundo grupo mantém uma visão específica com ações diretas no campo social. Em geral, suas atividades centram esforços na defesa de cidadãos em desvantagem e acusam o sistema capitalista como maior causador das desigualdades sociais. Para eles, essas diferenças são injustificáveis e precisam deixar de existir.

A origem dos termos esquerda e direita remete ao período em que ocorreu a Revolução Francesa, entre os anos de 1798 e 1799. Naquela época, essas designações refletiam a posição que os políticos sentavam-se no parlamento da França. Os que ficavam à direita do presidente representavam a situação e os da esquerda eram os insatisfeitos. A utilização do termo esquerda ganhou mais notoriedade depois que a monarquia foi restaurada na nação francesa. Tempo depois, o termo aplicou-se a uma variedade de movimentos, notavelmente o anarquismo, o socialismo e o comunismo.

Dentro da esquerda política, as posições variam da centro-esquerda à extrema-esquerda. O primeiro grupo apresenta uma posição ideológica que se refere à política tradicional. Já os adeptos da ultra-esquerda, ou extrema-esquerda, estão ligados a um posicionamento mais radical, espelhando-se no comunismo de conselhos  e no trotskismo. Entre os grupos de centro-esquerda, os mais notáveis no sentido tradicional são os socialistas democráticos, os progressistas, os social-democratas e os ambientalistas. No caso da centro-esquerda, existe uma maior aceitação e alocação referente aos recursos econômicos para a criação de uma economia mista, baseada na prosperidade do setor privado aliada à área pública.

A partir da década de 1990, quando o regime socialista da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) entra em colapso, os adeptos da Esquerda começam a se questionar a respeito de sua aplicabilidade e eficiência. Por outro lado, se os Estados Unidos dominaram quase o mundo todo expandindo o capitalismo, a Direita também não conseguiu provar a legitimidade do regime devido à desigualdade social que sua aplicação provoca. Entra-se, então, em um período de dúvidas e análises sobre a existência de um modelo econômico perfeito.


Meritocracia




Meritocracia  é um sistema que considera o mérito dos envolvidos para que possam alcançar posições de maior destaque.

O termo Meritocracia surgiu em 1958 e foi cunhado por Michael Young, que publicou um livro intitulado Levantar da Meritocracia. A obra de Young apresentava um conteúdo negativo para o termo através de uma narração que retrata uma sociedade na qual as posições sociais são definidas pelo QI e pelo nível de esforço de seus indivíduos. Diferentemente do sentido positivo que a palavra mérito ganhou por seus defensores, no livro ela é usada de forma pejorativa. Michael Young acabou levantando uma questão é muito comum nos dias atuais, o debate que divide os defensores e os opositores da Meritocracia. Muito embora Young tenha fixado o termo e o solidificado na cultura popular, algo parecido com um sistema meritocrático já havia sido utilizado na Antiguidade e também por Napoleão Bonaparte.

A Meritocracia define as posições hierárquicas com base no merecimento, pelo menos em tese. Seus opositores argumentam que essa é uma ideia arbitrária em função da ausência de uma medida específica dos valores habilidade, inteligência e esforço. De toda forma, ela é adotada e está muito associada ao Estado burocrático, que faz uso do sistema para construir seu quadro de funcionários. No entanto, a Meritocracia não se expressa de modo puro e total em lugar nenhum, pois ela é misturada com outros métodos para escolha de suas autoridades.

Os defensores da Meritocracia argumentam que ela proporciona maior justiça do que outros sistemas hierárquicos existentes, já que as distinções não são feitas por gênero, por riqueza ou qualquer outro fator biológico e cultural. Ela decorre do merecimento. E por isso alguns defensores dizem que ela estimula a competição, o aumento da produtividade e a eficiência. O termo Meritocracia tem sido usado recentemente justamente para descrever uma sociedade na qual a riqueza, a renda e a classe social são resultados da competição, considerando que os vencedores são merecedores de suas posições. Logo, não é muito difícil de perceber o motivo da crítica de seus opositores, que consideram a Meritocracia a causa da formação de sociedades agressivamente competitivas e com grandes diferenças de riqueza e pobreza, logo, distantes do ideal de sociedades igualitárias. Os defensores enfatizam que elementos como talento, educação e competência substituem diferenças de classe, etnia e gênero. Ou seja, uma das maiores dificuldades do sistema meritocrático é definir o que cada pessoa entende por mérito. Por fim, se um sistema se intitula meritocrático e não o é na prática, ele certamente será utilizado para mascarar privilégios.

Socialismo Utópico




Socialismo Utópico  é a primeira corrente do moderno pensamento filosófico socialista, surgida no primeiro quarto do século XIX e que desenvolvia conceitos e ideias definidas como utópicas para os pensadores socialistas que surgiriam posteriormente. Estes primeiros pensadores do moderno socialismo não reconheciam autoridade externa, além de subordinar a religião, a ciência, sociedade e instituições políticas a uma drástica e permanente crítica. Tudo o que era produzido pela humanidade deve justificar sua existência, ou seja, demonstrar sua utilidade ou então ser combatida até que deixasse de existir. A razão era a medida de todas as coisas. À toda forma de tradição, sociedade, governo, costume ou similar existente, toda velha noção tradicional deveria ser considerada irracional e combatida.

O cenário de nascimento do socialismo utópico, a França do início do século XIX, abundavam as crises provocadas pelo avanço do sistema liberal, que produzia miséria em série, proporcionando precárias condições de vida aos cidadãos que então chegavam recentemente do meio rural. A jornada de trabalho absurda e o uso de mão de obra infantil completavam o cenário de horror que a Revolução Industrial criou inadvertidamente.

Nesse ambiente onde as promessas da Revolução Francesa  acabaram de certo modo por não se concretizar, onde a única liberdade existente era a de mercado, com o capitalista tendo passe livre para realizar a exploração do trabalhador comum. De tal decepção e frente à uma realidade desesperadora, surgem os questionamentos por parte dos intelectuais. De uma dessas correntes de questionamentos temos a origem do socialismo utópico. O termo "utopia" é um resgate literário do título do livro de Thomas Morus, de 1516, e tal expressão passa assim a designar toda filosofia defensora da igualdade social, onde era pregado um modelo idealizado, mas a "receita" para se atingir tal caminho não era discutida.

Autores como Marx  mais tarde iriam distanciar-se de certo modo de tais fórmulas, rotulando-a de burguesas, assim como fariam outros pensadores de esquerda contemporâneos a ele, pois os pensadores do socialismo utópico tinham como expectatva a "iluminação" ou súbita consciência dos indivíduos das classes dominantes de, um determinado dia, esclarecidos da desigualdade e falibilidade do sistema em voga, fariam então as reformas que dariam igualdade social a todos os cidadãos. Marx e os socialistas modernos obviamente não viam desse modo a composição e funcionamento da sociedade em geral, e muito menos esperavam pela benesse das classes dominantes em um dia distribuir igualdades às suas respectivas populações.

Bibliografia:
http://www.marxists.org/archive/marx/works/1880/soc-utop/ch01.htm
http://tdvproducoes.com/site/?p=4

Socialismo Marxista




O Socialismo Marxista é uma ideologia baseada nos preceitos propostos por Karl Marx.

O Socialismo  é uma corrente ideológica oriunda no século XIX. O pensamento é fruto de um momento no qual o Liberalismo era a ideologia predominante na sociedade ocidental, marcando intensamente as conquistas capitalistas da Revolução Industrial. Este contexto solidificou o poder da burguesia na sociedade contemporânea, caracterizando uma fase da história da humanidade na qual a produção industrial ganhou grande incremento e junto com ela veio uma forte exploração do trabalho em favor do lucro. A crítica à ideologia liberal ganhou força com o advento das ideias socialistas. No entanto, os primeiros formuladores do pensamento socialista acreditavam que a burguesia reconheceria a exploração imposta aos operários e, a partir daí, se daria uma mudança no sistema vigente. Sendo que a burguesia compartilharia sua riqueza e seu poder e a sociedade alcançaria um modo de vida comunista. Esse tipo de formulação é uma utopia, ou seja, muito improvável, para não dizer impossível, que a classe burguesa abra mão de suas posses em prol de uma sociedade comunista. Com base nisso, a ideologia ficou conhecida como Socialismo Utópico. Em contrapartida à essa primeira corrente ideológica do Socialismo, o alemão Karl Marx  apresentou reflexões mais plausíveis para a sociedade alcançar o modo de vida de uma sociedade comunista. Apresentando métodos e condições mais adequadas, os pensamentos que apresentou se tornaram uma corrente ideológica muito influente, sobretudo, no século XX.

O Socialismo Marxista é uma ideologia que também almeja alcançar o comunismo, só que por caminhos diversos e mais plausíveis do que o Socialismo Utópico. Na formulação de Karl Marx, a sociedade precisa passar por etapas até obter as condições necessárias para o comunismo. Assim, a sociedade capitalista precisaria se desenvolver a tal ponto que pudesse permitir ao proletariado o controle dos meios de produção em uma sociedade socialista e, só depois de cumpridas as duas primeiras etapas, haveria condições necessárias para o comunismo. O pensamento de Karl Marx foi desenvolvido baseando-se nos estudos das obras de intelectuais franceses e do alemão Hegel, e, na verdade, recebeu também grande auxílio de outro alemão, Friedrich Engels.

O Socialismo Marxista, também chamado simplesmente de Marxismo, no entanto, vai muito além. É um conjunto de ideias filosóficas, econômicas, políticas e sociais que conquistará vários seguidores. O Marxismo compreende o homem como um ser social e histórico e se baseia em concepções materialista e dialética da História. A vida social é interpretada segundo o modo de produção e a luta de classe que ela desencadeia. São conceitos muito importantes para compreensão do chamado Socialismo Marxista que, em contrapartida ao Socialismo Utópico, pode também ser chamado de Socialismo Científico.

A sociedade, segundo o Socialismo Marxista, é descrita da seguinte forma. A história humana é observada ressaltando os aspectos materiais, ou seja, dando importância fundamental para as relações econômicas que a permeiam. Para Marx, essa base econômica seria a determinante dos aspectos políticos, culturais e também religiosos. Dado esse significativo valor atribuído às questões econômicas, a sociedade é marcada por uma dialética que opõe dois grupos, a burguesia e o proletariado. Entendendo que o primeiro refere-se aos detentores do meio de produção e o segundo, sem tais posses, vendem seu trabalho, fazendo a engrenagem do sistema capitalista funcionar. No entanto, a burguesia explora o máximo possível da mão-de-obra para obter seus lucros, é a chamada mais-valia. O trabalhador gera produtos de alto valor agregado, porém o salário é reduzido e muitas vezes ainda é consumidor do que produz. É dessa situação de exploração capitalista promovida pela burguesia sobre o proletariado que nasce a chamada luta de classes, segundo Karl Marx. Para o Socialismo Marxista, a tensão existente na mais-valia promoveria uma união da classe proletária que, em busca de uma sociedade mais igualitária, tomaria posse dos meios de produção e os passaria ao controle do Estado, encarregado de representar a coletividade. Seria o contexto de uma Revolução Socialista. Com o tempo, o próprio Estado não seria mais necessário, levando-se em consideração que não haveria mais dominação de uma classe sobre outra, resultando no que é, para Karl Marx, a etapa mais desenvolvida das relações humanas, uma sociedade comunista.

Essas proposições do Socialismo Marxista influenciaram diversas atividades humanas no século XX, influenciando diversos movimentos. Dentre eles estão a Revolução Russa, a Revolução Cubana e a Revolução Chinesa. No entanto, os países que adotaram posturas ditas socialistas desvirtuaram significativamente os preceitos de Karl Marx. Ainda assim, o Marxismo foi muito influente nas Ciências Humanas ao longo da segunda metade do século XX. Embora não tão admirada quanto já fora, a ideologia Marxista permanece influente.

Fontes:
MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Edipro, 2010.
MARX, Karl. O Manifesto Comunista. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1998.

Socialismo Libertário




Socialismo Libertário é uma vertente filosófica do socialismo.

Desde a formulação das duas vertentes iniciais do socialismo, a utópica e a científica, no século XIX, muitas outras reformulações foram feitas, adaptando-se aos novos tempos. Das duas formas fundamentais, a que ganhou maior repercussão para a história da humanidade foi aquela apresentada por Karl Marx. Seus argumentos sobre o socialismo científico foram tão impactantes que influenciaram muitos acontecimentos do século XX no mundo todo, com destaque para a Revolução Russa e para a Guerra Fria. No entanto, novas ideias foram adicionadas ou conceitos foram revistos resultando em novas vertentes socialistas. Em outros casos, as ideias socialistas foram associadas a outras ideologias.

O Socialismo Libertário é uma dessas reformulações do socialismo original. Ele pode ser chamado também de Anarquismo Social ou mesmo de Libertarismo de Esquerda. De todo modo, representa uma ideologia contrária à existência de hierarquias sociais. Seus seguidores defendem a igualdade e a liberdade social abolindo as instituições que julgam autoritárias e que controlam os meios de produção.

Entender o termo Socialismo Libertário ou os termos que também são utilizados para identificá-lo é muito importante para entender suas pretensões. Antes de tudo, é preciso que não se confunda libertário com liberal, que são dois conceitos diversos. De forma simplificada, liberalismo é uma corrente de pensamento econômico, enquanto libertarismo é a defesa da expansão das liberdades individuais, em amplos sentidos. O Socialismo Libertário é também chamado de Anarquismo Social e, como tal, preza pelo desmantelamento das autoridades legítimas em todos os aspectos. Como típica ideia anarquista, há uma crítica contra qualquer forma institucionalizada de poder.

Os militantes do Socialismo Libertário acreditam na democracia direta e sem centralização. A maior parte de seus argumentos, na verdade, é muito mais atrelada ao que se entende como anarquismo do que socialismo. No entanto, os próprios anarquistas escolheram utilizar preferencialmente o termo Socialismo Libertário acreditando ser este mais explícito para a ideologia que queriam propagar. Porém, como é possível notar, sua filosofia política está repleta de anarquismo e envolve princípios de movimentos como anarcocomunismo, anarquismo coletivista, anarcosindicalismo, mutualismo e ecologia social. Também estão presentes os princípios do autonomismo e do comunismo de conselho.



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