quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Em memorial, defesa de Dirceu diz que Jefferson criou denúncias

Barbosa condenou Dirceu, Delúbio e Genoino por corrupção ativa

Gustavo Gantois
O advogado José Luis de Oliveira Lima, que defende o ex-ministro José Dirceu na ação penal do mensalão, protocolou nesta quinta-feira novo memorial no qual rebate os argumentos do relator Joaquim Barbosa. Na sessão de ontem no Supremo Tribunal Federal (STF), o relator condenou Dirceu por corrupção ativa, apontando o ex-ministro como personagem central do esquema de compra de apoio político ao primeiro mandato do ex-presidente Lula.

Na petição, Oliveira Lima critica a validade do depoimento do ex-deputado Roberto Jefferson, utilizado por Barbosa como uma das evidências mais contundentes da participação de Dirceu no valerioduto. "Os autos provam que Jefferson somente criou suas denúncias contra Dirceu após ser flagrado em episódio de corrupção nos Correios", cita o advogado, lembrando o caso envolvendo o flagrante recebimento de propina pelo ex-funcionário da estatal Maurício Marinho, ligado ao PTB de Jefferson.

O advogado também tece críticas a outros depoimentos utilizados por Joaquim Barbosa em seu voto, como os de Plauto Gouveia (vice-presidente do Banco Rural), Renilda Santiago (mulher de Marcos Valério), Maria Angêla Saragoça (ex-mulher de Dirceu) e José Borba (ex-deputado e réu condenado do mensalão). Para Oliveira Lima, os depoimentos foram pinçados e manipulados para que dessem forma ao voto do relator.
O documento também rebate as acusações de que Dirceu teria sido o mentor dos empréstimos feitos pelas agências de Marcos Valério junto ao Banco Rural, declarados fraudulentos pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em seu voto, Barbosa afirmou que Dirceu promoveu reuniões com a diretoria do Rural, com a participação de Valério e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, para tratar dos recursos.

"Restando devidamente comprovado que José Dirceu desconhecia os empréstimos, é inválida a criação de qualquer paralelo entre as datas das audiências oficiais e a concessão dos financiamentos bancários", conclui Oliveira Lima.
Segundo o advogado, Barbosa teria norteado seu voto tendo no horizonte a viagem feita por Marcos Valério, Rogério Tolentino e Emerson Palmieri a Portugal. Segundo Jefferson, a viagem teria como objetivo arrecadar dinheiro para o esquema. Oliveira Lima, no entanto, afirma que o ministro não levou em conta os depoimentos contraditórios prestados pelo presidente do grupo Espírito Santo, Ricardo Espírito Santo; pelo presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa; e pelo então ministro das Telecomunicações de Portugal, Antônio Mexia.

Oliveira Lima também acusa Joaquim Barbosa de ter utilizado um trecho do depoimento de Palmieri que não foi confirmado durante o processo judicial, o que inviabilizaria sua utilização como prova. "A absurda afirmação de Palmieri, lida no voto do Exmo. Relator, no sentido de que José Genoino telefonava para Dirceu buscando autorização para fechar acordos, não foi pronunciada em seu depoimento policial e nem mesmo em seu interrogatório judicial. É um depoimento não confirmado tanto na fase policial como na judicial!", aponta o advogado.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex- presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.
Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.
Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.
Via portal Terra

Lewandowski não vê prova de compra de votos e absolve Dirceu


Fernando Diniz | Direto de Brasília

O Ministério Público Federal (MPF) não conseguiu provar as imputações contra o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e a compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional, afirmou nesta quinta-feira o ministro Ricardo Lewandowski ao votar pela absolvição do acusado de liderar o esquema criminoso de compra de apoio parlamentar durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O revisor do processo do mensalão disse não ter encontrado "nada nos autos" contra Dirceu, entendendo que as imputações contra o réu "são muito mais políticas do que estritamente jurídicas".

Para minimizar a tese da compra de votos, e consequentemente o envolvimento de Dirceu no esquema, Lewandowski leu um estudo apresentado pelo deputado Odair Cunha (PT-MG) no qual tenta negar a relação entre repasses feitos a parlamentares da base aliada e votações na Câmara dos Deputados. "O estudo evidenciou que, no período eleitoral, o governo manteve o índice de infidelidade maior com os partidos da base", afirmou.

O revisor leu uma série de depoimentos de parlamentares que negaram a compra de votos durante o primeiro mandato do governo Lula. "Não estou dizendo que não possa ter havido eventual compra de votos aqui ou acolá. Estou dizendo que há provas para todos os gostos neste acervo probatório de quase 60 mil páginas", disse Lewandowski, que considerou "frágeis" as provas do ponto central da denúncia. Segundo ele, a prova de pagamentos a parlamentares é encampada apenas pelo "inimigo declarado" de Dirceu, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, não sendo sustentada por nenhuma outra testemunha.
O voto de Lewandowski provocou questionamentos de colegas. O ministro Gilmar Mendes perguntou se não há haveria contradição na posição do revisor, que condenou réus por corrupção passiva, ou seja, pelo recebimento de vantagem indevida. "Eu disse que estava seguindo a orientação do Plenário no sentido de dizer que basta a oferta ou receptação da vantagem indevida para que fique configurada a corrupção passiva", respondeu Lewandowski.

Gilmar Mendes então afirmou que o Plenário viu o ato de ofício: o apoio político dos réus que receberam o dinheiro. "Não há nenhuma contradição no meu voto. Só que eu não identifico o ato de ofício, porque não acho que haja necessidade", disse. Em uma das divagações, Lewandowski desqualificou a denúncia, que só tenta provar a compra de parlamentares na Câmara na tentativa de aprovar as reformas da Previdência e a Tributária. ¿Compra-se a Câmara e não se compra o Senado?¿, questionou.
Responsabilidade
Lewandowski centralizou a responsabilidade dos repasses financeiros a parlamentares na figura do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o qual condenou ontem por corrupção ativa, chamando-o de "onipresente" no processo. Para o ministro, o tesoureiro coordenava sozinho as finanças do partido, não tendo sido provado o envolvimento do ex-presidente do partido José Genoino, o qual ele absolveu ontem, e o ex-ministro José Dirceu.

"Ficou constatado que José Dirceu afastou-se do PT ao assumir o cargo de ministro chefe da Casa Civil, não sendo responsável pelos atos do partido", disse o revisor. "O MPF não logrou produzir provas sobre a relação entre Dirceu e Delúbio, o qual agia com total independência no que toca as finanças do partido", acrescentou.

"Eu tenho que julgar o que está nos autos", repetiu diversas vezes durante seu voto, no qual classificou a acusação contra Dirceu de uma "atecnia" gritante. "Supor-se que ele estivesse manejando os cordéis de um teatro de fantoche é uma possibilidade, mas não é uma realidade processual", sustentou.
O Ministério Público também não provou a relação de Marcos Valério, apontado como operador do mensalão, e o ex-ministro da Casa Civil, disse Lewandowski, que tentou desqualificar o depoimento do presidente licenciado do PTB, Roberto Jefferson. O ex-deputado, já condenado pelo Supremo, relacionou o petista à viagem de Marcos Valério, o ex-secretário do PTB Emerson Palmieri e Rogério Tolentino a Portugal. O réu afirmou, em juízo, que Dirceu pediu a indicação de alguém do PTB para ir a Portugal tratar de interesses entre o partido e o PT.

"Esse réu (Roberto Jefferson) é o inimigo figadal de José Dirceu e tentou incrimina-lo e traze-lo para o bojo dos fatos", disse Lewandowski quando interrompido pelo presidente do STF, Carlos Ayres Britto, que leu parte do depoimento do petebista, ressaltando que o acusado não voltou atrás no seu depoimento. Para o revisor, a viagem Portugal destinou-se, exclusivamente, a discutir a venda da Telemig a Portugal Telecom.
As reuniões entre José Dirceu, Marcos Valério e a cúpula do Banco Rural não são indicativo de que o ex-ministro teve participação nos empréstimos fraudulentos que irrigaram o esquema, afirmou Lewandowski. Os encontros receberam destaque no voto do relator, Joaquim Barbosa, que votou pela condenação de Dirceu. "Ele compareceu a este encontro, mas (o executivo do Rural ouvido no processo) Plauto Gouvêa asseverou que os aludidos empréstimos não foram discutidos com José Dirceu", disse.
O revisor desqualificou outra prova apresentada no voto de Barbosa, a venda de um apartamento de Maria Ângela Saragoça, ex-mulher de Dirceu, com ajuda de Rogério Tolentino, advogado de Marcos Valério. "Ficou comprovada que Maria Ângela era amiga do ex-secretário do PT Silvio Pereira, e foi através dele que conseguiu contato com Marcos Valério", disse.

Domínio do fato
No fim de seu voto, Lewandowski afirmou que não cabe a aplicação da teoria do domínio do fato para condenar José Dirceu. Pela tese, o ex-ministro da Casa Civil tinha o completo domínio de sua função, de chefe da Casa Civil, e poderia ser condenado mesmo sem provas diretas de sua participação na compra de apoio parlamentar.
Lewandowski afirmou que a teoria do domínio do fato foi criada para punir os chefes dos soldados que matavam alemães que tentavam pular o Muro de Berlim. "Não estamos em guerra, felizmente, não estamos em situação de convulsão intestinal, como diriam os textos jurídicos antigos, para identificar revoluções, rebeliões", defendeu.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.
No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.
Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.
A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão. Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo. 

Roberto Gurgel está 'fazendo política', afirma deputado do PT


Para petista, procurador-geral está 'extrapolando' ao dizer que 'saluta' por mensalão influenciar eleições
O deputado federal Paulo Teixeira (PT) reagiu nesta quinta-feira, 4, à afirmação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que no dia anterior disse "salutar" que o julgamento do mensalão influencie as eleições. Para Teixeira, Gurgel está "fazendo política" e "extrapolando" a sua competência como chefe do Ministério Público ao manifestar esse tipo de desejo.

Gurgel comanda a acusação contra os réus do mensalão, entre os quais estão diversos integrantes do PT. O ex-ministro José Dirceu corre o risco de ser condenado nesta quinta ou na sexta-feira, 5, às vésperas do pleito municipal.
"O Gurgel tem lado. Não é papel do procurador-geral da República fazer política. Para fazer política é preciso ter voto", disparou o deputado, antes de acompanhar o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, em carreata pelo Jardim Ângela, zona sul da capital.

Mais cedo, em sua página no Twitter, Teixeira disse que Gurgel fora "saliente" ao torcer para que o julgamento do mensalão interfira nas eleições. "Teria ele uma opção partidária?", questionou. Teixeira também afirmou que o PT, hoje, é "vítima de sua própria crença no ativismo judicial".
Haddad não quis comentar as declarações de Gurgel e disse que não estava acompanhando o julgamento do mensalão, por falta de tempo, e que seu foco são os problemas da capital paulista. "Se eu disser que estou acompanhando, eu estou mentindo. Não estou tendo tempo nem de respirar", disse.

No entanto, o petista questionou o nexo entre mensalão e eleições ao dizer que, em suas caminhadas pela cidade, não costuma ser questionado sobre o tema pela população. "Esse assunto não tem sido trazido pelo eleitor à minha consideração, essa que é a verdade. As pessoas me conhecem, sabem que eu estou dedicado a São Paulo".

Defesa faz último apelo por absolvição de Dirceu


Em memorial ao STF, advogado diz que ex-ministro não pode ser condenado por atos inerentes à chefia da Casa Civil

No último memorial em defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o advogado José Luiz Oliveira Lima faz um apelo contundente pela absolvição do petista ao Supremo Tribunal Federal (STF), que está julgando o processo do mensalão. No documento, com onze folhas, o advogado sustenta que Dirceu nunca manteve encontros clandestinos, "não sendo plausível a criminalização de atos próprios ao exercício do cargo de ministro da Casa Civil".

O relator do mensalão no Supremo, Joaquim Barbosa votou ontem pela condenação de Dirceu por crime de corrupção ativa e o chamou de "mentor" do esquema de pagamento de parlamentares para garantir a aprovação de projetos do governo Lula.
Para Oliveira Lima, o voto do relator "atenuou a inegável intenção do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) em prejudicar José Dirceu". No memorial, o advogado diz ainda que Jefferson - o delator do esquema de compra de votos no Congresso - "somente criou suas denúncias contra Dirceu após ser flagrado em episódio de corrupção nos Correios".

O advogado nega, mais uma vez, a existência de vínculo entre Dirceu e o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza - apontado como o operador do mensalão. "O voto do Exmo. Relator deu especial destaque ao fato de representantes de bancos e empresas terem afirmado que Marcos Valério fez o pedido de audiência com o ex-ministro da Casa Civil. Todavia, não era o próprio ministro da Casa Civil quem recebia as pessoas interessadas em solicitar o agendamento de audiências", insiste Oliveira Lima.
Na tentativa de absolver Dirceu, o advogado alegou que o então chefe da Casa Civil "não tinha contato direto e nem mesmo era informado da identidade do portador do pedido de reunião". Logo depois, fez um apelo para que as "inúmeras provas" nos autos sejam consideradas e adequadamente valorizadas.

"Ao contrário do que foi consignado no voto do Exmo. Relator, as reuniões (na Casa Civil) não se revestem de caráter clandestino; ao revés, foram registradas na agenda oficial do ex-ministro. Se os representantes dos bancos e empresas decidiram levar nas audiências Marcos Valério ou Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT e também réu no processo), seja como mero acompanhantes ou assessores, tal fato não é de responsabilidade de José Dirceu", argumentou.

Oliveira Lima destacou, no memorial, que o Supremo não pode concluir que Dirceu é o "mandante" do esquema de compra de apoio parlamentar no Congresso sem prova nos autos e apenas por ter se reunido com parlamentares já condenados por corrupção passiva.
"Não há nada de anormal nestas reuniões e diversas testemunhas ouvidas nesta Ação Penal reforçam isso. Todos os corréus -- menos Jefferson, pelos motivos já expostos -- afirmam que estas audiências não envolviam o debate de questões financeiras", ressaltou Oliveira Lima. O advogado disse, ainda, que o interlocutor do governo na Câmara, na época da reforma previdenciária, era o então ministro da Previdência, Ricardo Berzoini. Oliveira Lima sustentou, também, que na reforma tributária as negociações foram conduzidas essencialmente pelo Ministério da Fazenda, na época comandado por Antonio Palocci.
"O então ministro da Fazenda confirmou ter participado diretamente das negociações da reforma tributária, acrescentando que 'a articulação dela envolveu diversas reuniões do presidente da República com governadores de Estado e partidos políticos", assinalou Oliveira Lima, citando trecho de depoimento de Palocci no processo.

10 quilos de cocaína com destino a Vitória são apreendidos em aeroporto de Cuiabá


policia  drogas 10 quilos de cocaína com destino a Vitória são apreendidos em aeroporto de Cuiabá A Policia Federal realizou na tarde de ontem (03), por volta das 15:00hs, a apreensão de aproximadamente 10 kg de cocaína. A substância entorpecente foi detectada através do Raio-X do Setor de Fiscalização de Bagagens do Aeroporto Internacional Marechal Rondon. A mala onde a droga estava escondida pertence ao nacional O. C. S. N, de 22 anos, o qual embarcou na cidade de Ji-Paraná/RO, com escala em Cuiabá/MT e o destino final seria Vitória, no ES. O. C. S. N negou, mas a etiqueta constante na mala confirmaram ser ele o proprietário da droga, razão pela qual o mesmo foi preso em flagrante por tráfico de substância entorpecente. Após a lavratura do flagrante, o mesmo foi encaminhado à Penitenciária Central do Estado (Pascoal Ramos).
(Comunicação Social da Polícia Federal em Cuiabá/MT)

Obras da Vale e interdição da Prefeitura tiram o sossego dos moradores de Jardim Camburi


destaque  DSC08857 Obras da Vale e interdição da Prefeitura tiram o sossego dos moradores de Jardim CamburiMoradores reclamam da obra realizada próxima a Atlântica Ville, pela mineradora Vale. As obras, iniciadas no mês julho, desviaram o trânsito da Rua Deputado Otaviano R. de Carvalho para as ruas José de Anchieta Fontana e Maria dos Santos Cunha, aumentando o fluxo de veículos dentro do bairro. As obras são para contenção do talude (barranco de areia) que fica na área da Vale. Segundo os moradores, as ruas da região ficaram mais perigosas e barulhentas após o início das obras.
Segundo o aposentado Sérgio Augusto dos Passos, o trânsito na região ficou ruim e com o aumento do fluxo de carros ficou praticamente impossível estacionar na Rua José de Anchieta. “Alguns carros estacionam até mesmo na frente das garagens. Antes os carros que precisavam ir para a Rua José Celso Cláudio passavam atrás dos condomínios e agora com o desvio os carros precisam passar entre os prédios”, disse Sérgio Augusto dos Passos, 67, aposentado.
Para a moradora Ângela Costa Santos, 60, ficou perigoso andar pelas ruas que ficam no entorno da obra, a falta de estacionamento é outro fator que incomoda a moradora. “Atualmente está praticamente impossível estacionar na rua, se a gente precisar pegar alguma coisa rápida em casa é preciso estacionar o carro na garagem. Está perigoso passear com as crianças por causa do aumento de carros que passam na região”, ressaltou.
Contudo, o funcionário público, Joel Araújo, 53, acredita que a interdição é necessária e que a população precisa entender que os transtornos fazem parte de obras que irão melhorar a infraestrutura do bairro. “Não vejo outra forma para realizar melhorias nas vias da cidade. Sabemos que é um transtorno temporário e necessário para o progresso”, opinou.
Obras necessárias
Por meio de nota a Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana (Setran) informou que a interdição é necessária para retirada de parte do talude. A secretaria disse ainda que, após as obras da Vale, a prefeitura dará início ao alargamento da Rua Deputado Otaviano R. de Carvalho. Durante esta interdição o trânsito está sendo desviado pelas ruas José Anchieta Fontana, Maria dos Santos Cunha e Carlos Romero Marangoni.
A Vale informou que tem utilizado as mais modernas tecnologias para reduzir os impactos para a população e que as obras serão finalizadas em dezembro deste ano. Segundo assessoria, a empresa destacou que a obra de contenção é uma maneira de garantir a segurança e trazer mais qualidade de vida para a população.

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