sexta-feira, 29 de dezembro de 2023
O Leviatã Necessário: Entre a Desconfiança e a Mediação Estatal
Regime, Sistema, Forma de Governo e de Estado
Dag Vulpi
Você conhece as peculiaridades políticas entre regime, sistema, forma de governo e de estado? Se sim, ótimo, você poderá colaborar comentando e enriquecendo este conteúdo. Se não, essa poderá ser uma ótima chance para você entender o básico dessas peculiaridades.
No cenário político, termos como regime, sistema, forma de governo e de estado são frequentemente utilizados, mas nem sempre compreendidos em sua totalidade. Neste texto buscarei lançar luz sobre esses conceitos, explorando suas definições e destacando a importância de compreendê-los para uma análise precisa da estrutura política de uma nação.
Para compreender a complexidade do panorama político, é fundamental desvendar os conceitos que moldam as estruturas de governo. Quatro termos frequentemente utilizados nesse contexto são "regime", "sistema", "forma de governo" e "forma de estado". Cada um desses termos carrega significados distintos, contribuindo para a compreensão da organização política de uma nação.
O "regime" refere-se ao conjunto de regras que determinam como o poder é adquirido, exercido e transferido em uma sociedade. Essas regras podem abranger aspectos legais, políticos e sociais, delineando a natureza do governo em vigor. Por exemplo, um país pode adotar um regime democrático, autocrático ou totalitário.
O "sistema" político, por sua vez, descreve a maneira como as instituições políticas interagem e operam. O sistema pode ser presidencialista, parlamentarista, monárquico, entre outros. Essa categorização define a distribuição de poderes e responsabilidades entre os diferentes órgãos do governo.
A "forma de governo" refere-se à organização específica do poder executivo em uma nação. Neste contexto, discutimos se o país possui um governo presidencial, parlamentar ou monárquico. Cada forma de governo tem suas próprias características e implicações no exercício do poder.
Finalmente, a "forma de estado" aborda a estrutura política territorial de um país. Estados podem ser unitários, onde o poder é centralizado em uma autoridade nacional, ou federativos, onde há divisão de poderes entre entidades subnacionais e uma autoridade central.
Resumindo, entender a diferença entre regime, sistema, forma de governo e forma de estado é essencial para analisar e interpretar a dinâmica política de uma nação. Cada um desses elementos contribui para a riqueza e diversidade das estruturas políticas ao redor do mundo, sendo peças fundamentais no quebra-cabeça da governança.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2023
USP dá diploma honorífico a dois estudantes mortos na ditadura militar
Segundo a instituição, ao todo 33 estudantes serão homenageados
Publicado em 24/12/2023 - 13:57 Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil - São Paulo
Cinquenta anos depois de serem assassinados na ditadura militar brasileira, dois estudantes da Universidade de São Paulo (USP) foram homenageados pela universidade com diplomas honoríficos neste mês. Mortos em 1973, Alexandre Vannucchi Leme e Ronaldo Mourt Queiroz foram alunos do Instituto de Geociências (IGc) na década de 1970 e também militantes do movimento estudantil da USP.
A homenagem faz parte do projeto Diplomação da Resistência, uma iniciativa da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) e da vereadora paulistana Luna Zarattini (PT), em parceira com o Instituto de Geociências da USP.
As duas diplomações póstumassão as primeiras entre 33 homenagens que a universidade deve promover por meio do projeto para estudantes que foram assassinados pela ditadura militar. O objetivo, informou a instituição, é “reparar as injustiças e honrar a memória dos ex-alunos”.
“Diplomar estudantes que foram assassinados na ditadura significa reparar uma dívida histórica que a universidade tem com esses estudantes. Muitos deles se destacaram academicamente, politicamente e, por razões óbvias, não puderam finalizar seus estudos porque estavam mortos”, disse Renato Cymbalista, coordenador da Diretoria de Direitos Humanos e Políticas de Memória, Justiça e Reparação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento. “É muito importante que a universidade reconheça essa enorme ruptura, essa tragédia, e se coloque em uma posição de solidariedade e de empatia com os familiares, com os amigos e com os parentes das vítimas e também consiga se colocar como uma instituição que não aceita a violação de direitos humanos”, acrescentou, em entrevista à Agência Brasil.
Em 2013, a universidade criou a sua própria Comissão da Verdade para examinar e esclarecer as graves violações aos direitos humanos que foram praticadas contra docentes, alunos e funcionários da universidade durante a ditadura militar brasileira. No relatório final, a Comissão da Verdade concluiu que a ditadura militar foi responsável pela morte de 39 alunos, seis professores e dois funcionários da universidade.
“Uma das recomendações da Comissão da Verdade da USP foi justamente a diplomação honorífica. Algo que nós agora estamos seguindo”, disse Cymbalista.
Alexandre Vannucchi Leme
Alexandre Vannucchi Leme tinha apenas 22 anos e estudava Geologia da USP. quando foi preso, torturado e morto por agentes do Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) paulista, um órgão subordinado ao Exército.
Nascido em Sorocaba, era filho de professores e militava na Ação Libertadora Nacional (ALN) na época de sua prisão. Segundo a Comissão Estadual da Verdade, ocorrida na Assembleia Legislativa de São Paulo, Leme foi visto pela última vez no dia 15 de março de 1973, assistindo aulas na USP. No dia 16 de março, ele foi preso por agentes do DOI-Codi e submetido a intensas sessões de tortura. Um inquérito policial instaurado na época informava que ele foi preso “para apurar atividades subversivas da ALN”. No dia seguinte à sua prisão, Leme morreu em decorrência das torturas.
O estudante foi enterrado como indigente e a causa da morte divulgada pelo governo foi atropelamento, que teria ocorrido, segundo a versão militar, enquanto Vannucchi tentava fugir da polícia. Apenas em 2014 sua certidão de óbito foi retificada, com a informação de que havia sido morto no DOI-Codi por tortura.
Ronaldo Mourt Queiroz
Ronaldo Mourt Queiroz também era estudante de Geologia e vinculado à ALN. Foi presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP e, sob o pseudônimo de Mc Coes, produziu um jornal independente que fazia críticas políticas bem-humoradas.
Queiroz foi morto a tiros por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em 6 de abril de 1973, três semanas após a morte de Vannucchi, enquanto estava em um ponto de ônibus. A versão oficial dizia que Queiroz teria morrido após uma troca de tiros com militares, mas testemunhas que estavam no mesmo ponto de ônibus disseram ter visto ele ser executado.
Conceder o diploma honorífico a esses estudantes é um caminho para a memória e a reparação desse período. No entanto, os familiares e amigos das vítimas da ditadura militar no Brasil ainda prosseguem na luta por justiça e condenação. “O Brasil não foi capaz de fazer justiça. Ele não foi capaz de condenar explicitamente os algozes da ditadura. Isso porque, quando a gente teve a nossa lei da anistia, nós anistiamos tanto aqueles que tinham sido perseguidos pela ditadura, que estavam em exílio ou que estavam na clandestinidade quanto os torturadores. E isso teve algumas consequências bastante problemáticas porque a gente nunca conseguiu realmente fazer justiça como, por exemplo, aconteceu na Argentina, onde perpetradores foram para a cadeia e estão pagando por seus crimes. Isso não aconteceu aqui no Brasil”, disse Cymbalista.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2023
A Lição do Sapo na Festa Celestial
Por Dag Vulpi
Entre as lembranças dos meus tempos de estudante em um colégio de padres, guardo uma história que, apesar de sua simplicidade, carrega uma lição que atravessa gerações. É a conhecida fábula do sapo que, sem ter sido convidado, encontrou uma maneira de participar de uma festa no céu. Uma narrativa sobre astúcia e ousadia, mas também sobre os riscos de confundir esperteza com prudência.
Conta a história que o urubu, um dos convidados da festa, partiria para a celebração levando sua viola. O sapo, desejoso de participar, mas sem ter recebido convite, teve uma ideia: escondeu-se dentro do instrumento e, assim, conseguiu chegar ao céu sem ser percebido. Sua estratégia funcionou, e ele desfrutou da festa como se também fizesse parte daquele mundo ao qual não havia sido chamado.
Na hora de voltar, porém, a situação mudou. O urubu, depois de beber além da conta o vinho servido na celebração, deixou a viola escapar. O instrumento despencou do céu, levando consigo o sapo, que caiu em direção à terra. Segundo uma das versões da fábula, Deus havia criado o sapo com uma aparência bela, mas a queda transformou para sempre sua forma. Assim, a mesma astúcia que lhe permitira chegar à festa não foi suficiente para garantir seu retorno em segurança.
A história nos convida a refletir sobre a diferença entre ser esperto e agir com sabedoria. A esperteza pode abrir caminhos inesperados, contornar obstáculos e proporcionar vantagens momentâneas. A sabedoria, por sua vez, exige que consideremos os riscos, as circunstâncias e as consequências de nossas decisões.
Nem toda ousadia termina em queda, assim como nem todo atalho conduz ao fracasso. O problema começa quando o desejo de conquistar algo nos faz ignorar os perigos do caminho ou acreditar que a habilidade de entrar em uma situação também nos garante a capacidade de sair dela.
Talvez seja essa a lição mais duradoura da fábula: antes de nos deixarmos seduzir pelas oportunidades, convém pensar não apenas em como chegar ao destino desejado, mas também no preço que poderemos pagar para alcançá-lo. Afinal, há escolhas cujo custo só se revela quando já não temos como voltar atrás.
Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
"Para de ficar rezando e batendo no peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Para de me culpar da tua vida miserável: eu nunca te disse que há algo mau em ti, ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho… Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é a única que há aqui e agora, e a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho: vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Para de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Sentes-te olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro de ti. Aí é que estou."
*Francisco Javier Ángel Real - conhecido pelo pseudônimo de Anand Dilvar
Quem participa de uma bolha política possuí um código de barras estampado nas suas argumentações
Dag Vulpi - 30 de março de 2023
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