quarta-feira, 24 de junho de 2015

A presidente Dilma mantem a indiferença apesar da eminência do golpe

Por Laerte Braga* no Facebook

Há um golpe em marcha. Prospera dia a dia e conta com a inércia da presidente Dilma Roussef.

As concessões que vem fazendo de forma irresponsável às forças mais retrógradas do País. Parece não perceber que está sendo empurrada a um abismo e nesse abismo despencam os trabalhadores brasileiros. Não são fatos isolados a operação Lava a Jato, a determinação do ministro Gilmar Mendes de reabrir as investigações sobre as contas do governador de Minas, Fernando Pimentel (terra da quadrilha de Aécio), o silêncio sobre o inquérito dos Zelotes, os escândalos do metrô em São Paulo, processos que correm no País inteiro contra tucanos (caso de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul), as ações de Eduardo Cunha e seus sequazes na Câmara dos Deputados, as idas e vindas de Renan Calheiros em troca de impunidade nos processos a que responde, o comportamento da mídia de mercado, sobretudo a GLOBO, VEJA e FOLHA DE SÃO PAULO.

A pesquisa divulgada no último fim de semana, real ou não, tem um objetivo golpista claro, todo um processo que visa interromper o curso democrático.

Pre sal e BRICS são os motivos principais, lógico a PETROBRAS, o golpe vem de fora para dentro.

O juiz Sérgio Moro não resistiria a uma simples investigação sobre sua conduta. É peça chave nesse golpismo e a prisão dos diretores da ODEBRECHT e da ANDRADE GUTIERREZ é um passo e tanto na direção do golpe. A ODEBRECHT é hoje uma das grandes empreiteiras mundiais e tem afetado negócios de empreiteiras norte-americanas, dentro do próprio território dos EUA, onde tem obras.

O Brasil é peça chave dentro da América do Sul. A aparente palhaçada de Aécio e outros senadores na Venezuela é parte dessa orquestra golpista, envolve FHC.

O efeito dominó de uma derrubada de Dilma, ou de sua total imobilização, é devastador. Afeta e desequilibra países que lutam por sua real independência em toda essa parte do mundo.

O porto Muriel em Cuba é outra problema. Norte-americanos não aceitam a primazia do País nas relações com o governo de Raul Castro. Não toleram os avanços da Rússia e da China na América Latina. As elites brasileiras são tacanhas e subordinadas a esses interesses. Tucanos e afins são agentes desse golpismo.

Boa parte da Polícia Federal não digere a perda de gratificações que eram pagas pelo FBI na farsa da política de combate ao tráfico (Aécio e Perrela estão soltos) e é aparelhada pela extrema direita, pelo tucanato.

O que fazer? Dilma não tem como se reconstruir. Está perdida, fraca, submissa e encurralada a despeito de frequentar casamentos e que tais. Vai aos EUA assinar a capitulação. O PT tem que entender que é preciso ir às ruas, retomar sua história de formação e luta e não se prender a defesas histéricas de um governo que acabou sem começar. Lula já percebeu isso é um alvo. Não querem correr riscos que volte em 2018. Cesar Benjamin em 2002, numa palestra, previu que o século XXI seria o da recolonização. Sua previsão está se confirmando. E pior, do fim da democracia em seu sentido lato senso. Ou acordamos e a luta é de resistência, ou vamos para o brejo.

Que Dilma não caia como Jango, afirmação de um amigo dos velhos tempos. Que tenha um impulso de coragem dos seus velhos tempos e resista. Os tempos Dilma de hoje são trágicos.

*Laerte Braga É jornalista, trabalhou no Diário Mercantil e no Diário da Tarde de Juiz de Fora, para os Diários Associados e pela agência Meridional (primeira grande agência de notícias do Brasil) e também dos Diários e Emissoras Associadas, tendo sido correspondente do Estado de Minas de Juiz de Fora e Zona da Mata, e também trabalhou como freelancer para revistas e jornais do Brasil e de outros países. Laerte escreve semanalmente ao Diário Liberdade. 

Dicas de como se comportar na internet ou NetQueta

Vivemos cercados de protocolos (socialmente falando), códigos de conduta e regras de comportamento. Não admira, pois vivemos em uma sociedade de valores múltiplos. Se se vai a uma festa, algumas regras básicas, aprendidas quase que empiricamente nos fazem nos comportar com elegância na citada festa. Por exemplo, sabemos que não devemos por os cotovelos sobre a mesa, não devemos pegar alimentos com as mãos, etc. Estas regras são conhecidas como Etiqueta. A posição dos talheres sobre a mesa faz parte deste conjunto de regras. As regras de Netiquette, por seu turno, precedem a Internet comercial, mas se tornaram, com esta, quase uma obrigação; como se disse, com o advento da Internet pública e comercial, fizeram-se necessárias regras que normatizassem certo padrão de conduta aos internautas. A este conjunto de regras de [bom] comportamento na Rede chamamos Netiqueta. Abaixo, vemos exemplos de algumas regras básicas de netiqueta:

"Quando alguém comete um erro no transcorrer de um debate, seja um erro de ortografia, uma pergunta estúpida ou uma resposta equivocada, o bom senso e a gentileza deverão prevalecer. Você não precisa dizer nada, mesmo que se sinta fortemente motivado para isso. Pense duas vezes antes de reagir, afinal, você irá constranger quem cometeu o erro e sua conduta certamente será reprovada pela maioria dos demais participantes. Caso você decida informar a alguém de um erro, faça-o educadamente, e de preferência por uma via privada, e-mail ou in box, e jamais em público. 

Evite fazer comentários, escrever mensagens ou postar em Blogs ou fóruns usando letras em maiúsculo: é COMO SE VOCÊ ESTIVESSE GRITANDO, para quem está do outro lado do nó (máquina, host). Se hoje dispomos de recursos avançados de formatação, na verdade, nem precisamos muito deles, por causa dos multimeios, nos primórdios da Internet não era assim. As pessoas escreviam em caixa alta para enfatizar trechos da conversação. Equivalia a falar mais alto, ou a negritar, recurso que apareceu bem depois da Internet Acadêmica;

Mantenha o cerne das discussões! Algumas pessoas estão pagando para acessar. Imagine como você se sentiria se você estivesse num “CyberCafé” e alguém remetesse a você um catatau de abobrinhas – você, “pagando para ler”, literalmente. Procure não tergiversar. Manter o foco no assunto que está em debate é a essência, desvirtua-lo é incoerência;

Lembre-se de que, ao postar num Blog ou num fórum ou até mesmo numa sessão de “Chat”, tudo o que você falar será público. Você nunca sabe quem lerá seus “Posts”. Alguém pode copiar uma frase de cunho íntimo dita por você e espalhá-la. Que desagradável, hein?;

Evite “Flames”. “Flames” São discussões, no sentido pejorativo do termo, que às vezes nascem de uma simples discussão sobre um tópico abordado, levando as pessoas a empreenderem verdadeira “batalha campal”, prejudicando a discussão propriamente dita, deixando-a em plano inferior. Os “flamers” ou “trollrers” são pessoas que passam a se tornar conhecidas nas rodas de discussões, não por agregar à discussão, e sim pelo diversionismo; a melhor forma de tratar com estes tipos é ignorá-lo, encerrando o bate-boca. É como matar um tumor de inanição. Sem alguém para discutir, no sentido ruim da palavra, ele cai fora;

Ao postar para um grupo de debates, identifique claramente o objeto do seu ‘Post’. Isto facilitará, pois quem não se interessar pelo tópico pode de antemão ignorá-lo;

Ao fazer uma postagem evite usar expressões que possam ser interpretados como provocativos para participantes específicos ou, para determinado grupo, nesse caso deve haver uma atenção especial quando o fórum em questão trate de assuntos relacionados à política, religião, opções sexuais, etnias e demais assuntos a esses assemelhados. Que, além de ser pouco educado; além do mais, há o grande risco de o moderador, em cumprimento das regras pré-estabelecidas, descartar a sua mensagem, tratando-a como um tipo de “Spam”, Lixo Eletrônico.

Os spammers utilizam bastante a técnica de envio de mensagens sem assunto. No campo “Corpo do Texto” (a mensagem em si) também é importante escrever, um mínimo que seja. Aquele anexo que você enviou ao seu chefe, mesmo já tendo sido referenciado no campo Assunto, deve sê-lo aqui também, por uma outra boa razão: os sistemas de localização de emails se valem deste e de outros campos da mensagem para localizar informações específicas; a propósito, você já parou para pensar no que significam aqueles campos CC e CCO (em inglês CC e BCC), na Tela de Composição de Mensagens do seu Mail System?

CC quer dizer Cópia Carbono (em inglês, idem, Copy Carbon). CCO quer dizer Cópia Carbono Oculta (em inglês, Blind Copy Carbon). Bom, se no campo do destinatário eu posso colocar vários endereços, separados por vírgula, a que servem estes dois campos? Estes dois campos têm funções bem diferentes do campo Destinatário. O primeiro, o Cópia Carbono, eu uso quando quero inteirar, intimar alguém, tornar alguém íntimo sobre determinada situação. Notificar, não discutir o assunto. No campo CC eu ponho nomes de pessoas que devem ter ciência do que está sendo tratado, no corrente e-mail. Observe-se que eu não estou discutindo com a[s] pessoa[s] do campo CC; só tornando-a[s] íntima[s] de determinado tópico. Então, para efeito de NetQueta, não responda diretamente a uma mensagem onde você figura no campo CC; ou o faça pedindo permissão para discutir o tópico. O campo CCO já tem, por seu turno, função bem diferente: ele oculta mutuamente as pessoas que nele figuram. Se eu envio um email para: “maria Ponto mesquita Arroba morvanzinho Ponto Com Ponto Br”, e coloco em CCO nove endereços de e-mail, Maria@Mesquita só verá o seu e-mail, não os outros nove, ou seja, não terá ciência dos outros nove destinatários. Nenhum deles saberá que o outro fora intimado da discussão. É uma forma de evitar muitos dissabores, como SPAM, lixo eletrônico. Use, sempre que apropriado, os campos CC e CCO;

Use abreviações com parcimônia. O bom uso da língua demonstra boa educação e respeito aos falantes daquela. Se for preciso abreviar por qualquer motivo, não abuse. Substituir qualquer por qq, você por vc, também por tb, etc., não facilita em nada a comunicação e ainda pode demonstrar ausência de domínio da língua. Lembre-se de que a pessoa está do outro lado da comunicação e, via de regra, não conhece o seu interlocutor;

Evite contar piadas, de preferência piadas étnicas ou de cunho religioso ou mesmo que ofendam eventualmente a algum grupo minoritário na sociedade. Já imaginou contar aquela do português para um “patrício”? como você se sentiria, se você fosse o lusitano? Não acharia pouco educado?;

Evite usar expressões chulas ou vulgares; lembre-se de que algo que pode ser normal e de bom uso para você pode ser ofensivo para o seu interlocutor;

Evite uso de jargões; os jargões devem se circunscrever à esfera dos especialistas da área. Se você acha presunçoso médicos tratarem a você como tal, enchendo seus ouvidos de jargões da medicina, o mesmo deve se dar com o interlocutor; ele não deve se interessar por assunto de “Geeks”, por exemplo. Pense bem: você pode estar achando que detonou e o interlocutor está achando você um presunçoso. Uma pequena diferença de pontos de vista, hã?; e

Não confie no mito de segurança da Internet; se esta é segura, com relação a bancos, transações eletrônicas em geral, desde que se observem algumas medidas para tal, o mesmo não se pode dizer da Internet dita pública. A regra é “Não publique na Internet algo que você não escreveria num cartão postal”. Alguém pode se aproveitar desta sua fragilidade, futuramente…

Para dar um toque mais humano, sem prejuízo de uma sutil dose de humor, você pode lançar mão de Smileys, também conhecidos por EmotIcons, que nada mais são do que expressões que você cria a partir de combinações de caracteres. Observe que os e-mails mais avançados, em termos de recursos, convertem os Emoticons em Emoticons gráficos e / ou animados, preservando o espírito da mensagem e ao mesmo tempo dando uma aparência mais bonita à mensagem; alguns mensageiros também o fazem, como o Pidgin e o Miranda. Observe abaixo uma pequena amostra de Emoticons e seus significados:





Basicamente, são estas as regras básicas de comportamento na Net. Procure integralizá-las paulatinamente e pode d´antanho se considerar cidad@[o] da Grande Rede. Não espere apr[e]endê-las de uma vez e em sua totalidade, pois, como no dia a dia, são coisas que você aprenderá com o próprio desenvolvimento e com a sucessão de uso da Internet.

Boa navegação, bom papo. Se você deseja se aprofundar mais ainda no assunto, procure ler a RFC (Request for Comments, conjunto de regras sobre protocolos) 1855 — NetQuette. Ela contém a o acervo de regras de conduta na Grande Rede. Dê uma olhada também na WikiPedia, NetQuette.

Boa “NetImpressão”

terça-feira, 23 de junho de 2015

Lava Jato: nova denúncia contra André Vargas e mais dois por lavagem de dinheiro


Esta é a segunda acusação criminal contra o ex-deputado. Foram denunciados também seu irmão Leon Vargas e sua companheira Eidilaira, por ocultação de bens no valor de R$ 480 mil

Com informações do site do Ministério Público Federal - 23/06/2015

A Força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal propôs nova denúncia contra o ex-deputado André Vargas, seu irmão Leon Vargas, e sua esposa Eidilaira Soares, por lavagem de dinheiro (ocultação de bens). A denúncia foi protocolada na 13ª Vara Federal de Curitiba nesta segunda-feira, 22 de junho. Esta é a segunda denúncia contra Vargas. A primeira foi proposta em 14 de maio deste ano.

Nesta nova acusação, o MPF afirma que Vargas, “com o objetivo de lavar parte do dinheiro gerado pelos seus crimes e não despertar a atenção das autoridades, adquiriu um imóvel de luxo em Londrina pelo seu valor de mercado (valor real), contudo registrou no contrato, na escritura pública e na declaração de imposto de renda um valor (nominal) bastante inferior ao preço real de aquisição, pagando a diferença informalmente (“por fora”, por “debaixo do pano da mesa”)". Para isto, contou com a ajuda do irmão, Leon (que negociou o valor com a imobiliária), e sua companheira Eidilaira (que emprestou seu nome para a aquisição do bem).

De acordo com a denúncia, Eidilaira assinou compromisso de compra do imóvel no valor de R$ 500 mil (uma entrada de R$ 20 mil seguida de uma parcela de pouco mais de R$ 303,5 mil e um financiamento dos R$ 176,5 mil restantes). No entanto, o vendedor do bem afirmou que o imóvel foi vendido, na realidade, por R$ 980 mil. Ou seja, ocultaram o valor de R$ 480 mil.

Lavagem de dinheiro - Para o MPF, esta “manobra” foi feita para lavar parte do dinheiro gerado pelos crimes já denunciados em maio – especialmente relacionado ao esquema criminoso que envolvia contratos de publicidade entre a Borghi Lowe e dois órgãos públicos: a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde. Segundo esses contratos, a agência deveria realizar “o estudo, o planejamento, a conceituação, a concepção, a criação, a execução interna, a intermediação e a supervisão da execução externa e a distribuição” das campanhas de publicidade do ministério e da Caixa. Esses contratos eram obtidos com a influência do ex-parlamentar.

A Borghi Lowe selecionava produtoras que eram então subcontratadas pelos órgãos e, como intermediária, recebia cerca de 10% dos valores pagos às subcontratadas, prática conhecida no mercado como “bônus de volume”. De acordo com a orientação do publicitário Ricardo Hoffmann, os bônus eram depositados nas contas das empresas Limiar Consultoria e Assessoria e LSI Soluções em Serviços Empresariais, controladas por André Vargas e seus irmãos, Leon e Milton Vargas.

As investigações comprovaram que tanto a Limiar como a LSI eram empresas “de fachada”, que só funcionavam para receber as vantagens indevidas prometidas ao ex-deputado pela influência na obtenção dos contratos de publicidade.

Na primeira denúncia oferecida contra Vargas, foram denunciados também seus irmãos Leon e Milton e o publicitário Ricardo Hoffmann, diretor da filial de Brasília da agência de publicidade Borghi Lowe, todos pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.


Crime e pena - Art. 1º da lei nº 9.613/98. Pena: reclusão, de três a dez anos e multa.

Medidas – O combate à corrupção é um compromisso do Ministério Público Federal. Por esta razão, o MPF apresentou ao Congresso Nacional um conjunto de dez medidas distribuídas em três frentes: investigação e punição efetivas da corrupção; implementação de controles internos, transparência, auditorias, estudos e pesquisas de percepção; e educação, conscientização e marketing. 


Lula não é investigado da Lava Jato neste momento, diz procurador do MPF


Por Caroline Stauffer na Reuters

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não faz parte das investigações da Lava Jato neste momento, disse à Reuters nesta terça-feira o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, do Ministério Público Federal (MPF).

“Neste momento, o ex-presidente não faz parte da investigação”, disse Santos Lima, que integra a força-tarefa da investigação do escândalo bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras, funcionários da estatal, executivos da empreiteira, políticos e partidos.

“O que nós temos até agora (sobre Lula) são só notícias da imprensa”, disse.
“O fato é que se encontramos elementos, investigaremos (Lula) como qualquer outro”, afirmou o procurador, ao ser indagado sobre o fato de o ex-presidente não ter mais foro privilegiado.

A prisão do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, na última sexta-feira gerou especulações na imprensa de que a Lava Jato estaria mais perto de alcançar Lula, devido à proximidade do ex-presidente com o influente empresário à frente do maior grupo de construção e engenharia da América Latina.

De acordo com Santos Lima, a operação Lava Jato ainda deve levar ao menos mais dois anos para ser concluída. As investigações já extrapolaram a Petrobras e, segundo o procurador, apontam para corrupção nos contratos de grandes empreendimentos no setor elétrico, como as usinas de Belo Monte e de Angra 3, ambas com participação da estatal Eletrobras.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Lava Jato - Escuridão no fim do túnel


Por Ricardo Melo na Folha de S.Paulo

Prisões de empreiteiros expõem as feridas do sistema que mantém o Brasil no atraso

Agora ficou mais interessante. As prisões dos presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez conferem uma melhor dimensão do apodrecimento do "pacto" que há séculos emperra o crescimento do Brasil.

Registre-se, a propósito, que a operação seguiu o roteiro agente 86 tão a gosto do juiz Sérgio Moro. Na exposição de motivos para encarcerar os milionários, pode-se ler frases como "não é possível afirmar, nem afastar" a possibilidade de que terceiros podem ter pago algo "que se constitui em pagamento de propinas". Alega, ainda, por antecipação, a possibilidade de delitos numa licitação que nem sequer aconteceu!

A mesma peça (no sentido amplo) faz referência a um e-mail supostamente enviado ao presidente da Odebrecht. Não há notícia da resposta; em Londrina isso não faz diferença. Imagine a situação: um sujeito entra numa lan house, monta um perfil num portal qualquer e passa a disparar mensagens. Por exemplo: "Caro Sérgio, tudo acertado. Os pés de alface combinados serão entregues em breve. São tenros e verdes do jeito que você queria. Sempre na caixa, como encomendado. Não se preocupe que a plantação é grande. Lembranças ao Beto pelo bom trabalho."

O e-mail acima é fictício. Até por isso inexiste reply do destinatário. Mas vaza propositalmente. Um investigador astuto da turma de intocáveis poderia dizer: Bingo! Sérgio é o juiz Moro, alfaces são dólares, o pagamento é em cash e há muito mais em estoque. Beto, claro, é aquele famoso doleiro premiado. Caso resolvido. Só falta mandar prender alguém.

Isso quer dizer que o pessoal do cimento é inocente? Jamais. Mostra apenas que a Justiça pode ser manipulada ao sabor do momento, como arma política em vez de instrumento de apuração da verdade.

Mais importante. As sucessivas acusações de envolvimento da plutocracia com o Estado expõem uma relação secular; variam os protagonistas. Marcelo Odebrecht, por exemplo, cerca de um mês antes de ser preso, era festejado em convescotes com Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff.

Vamos além: com o escândalo da Fifa, barões da mídia sobem ao palco de suspeitos de roubalheira generalizada e fingem que não têm nada a ver com isso. Quer mais? Grandes bancos, dia sim, outro também, aparecem na berlinda de malfeitos. Às vezes como escoadouros de sonegação internacional, outras como pagadores de propina a agentes da Receita para burlar o pagamento de impostos. Belos exemplos da nossa prezada elite.

A lista, na verdade, é interminável. A cada enxadada, uma minhoca. Erra, no entanto, quem pensa ser suficiente um Torquemada tabajara para debelar o assalto ao erário. Em questão está o sistema que propicia a proliferação da rapinagem. Má notícia: no fim deste túnel por enquanto surge apenas o breu, a escuridão.

PEGO NA MENTIRA
"O governo federal usa recursos da Caixa Econômica Federal para o pagamento de benefícios sociais desde o governo Fernando Henrique (1995-2002), mas foi no governo Dilma Rousseff que a prática aumentou de maneira mais acentuada". (texto de manchete da Folha, 26/04/2015).


Com base na série histórica, o Tribunal de Contas da União decidiu iniciar um movimento de pressão sobre o Planalto. Deduz-se que o problema não são as chamadas pedaladas fiscais, mas seu uso "mais acentuado". Ou então quem ocupa o cargo quando o expediente é utilizado.

A esposa do juiz Sérgio Moro, que está à frente da Operação Lava Jato, advoga para o PSDB do Paraná e para multinacionais de petróleo

Wikileaks revela: "esposa do juiz Moro advoga para o PSDB e multinacionais de petróleo"

Sergio Moro e Rede Globo unidos pelos mesmos objetivos

Sérgio Moro, um juiz a serviço da TV Globo e do PSDB

A esposa do juiz Sérgio Moro, que está à frente da Operação Lava Jato, advoga para o PSDB do Paraná e para multinacionais de petróleo. A denúncia foi publicada no Wikleaks.

Por Emanuel Cancella, na "Carta Maior"

"O fato já seria suficiente para inviabilizar a participação do juiz Moro no processo que apura a corrupção na Petrobras (Operação Lava Jato). O Código de Processo Civil, em seu artigo 134, manda arguir o impedimento e a suspeição do juiz: “ IV- Quando nele estiver como advogado da parte o seu cônjuge ou qualquer parente seu, consanguíneo ou afim, em linha reta: ou na linha colateral até o segundo grau”.

Mais claro impossível. Ora, quem são os principais interessados na Operação Lava Jato, que afeta diretamente a Petrobrás? O PSDB e as multinacionais do petróleo, clientes da mulher de Moro! São eles os grandes beneficiados com essa Operação.

Na véspera da eleição presidencial, a Revista "Veja" estampou uma foto da então candidata Dilma, afirmando: “Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras”. A TV Globo" repercutiu no "Jornal Nacional".

A capa da "Veja" – um panfleto pró-Aécio – e o noticiário da emissora de maior audiência (ainda que decadente) manipularam até o final e, certamente, conseguiram arrancar alguns milhões de votos da presidenta, embora não o suficiente para derrotá-la.

Depois do estrago causado, a farsa montada pela "Veja" e pela "Globo" foi desmentida. O próprio advogado do doleiro Alberto Youssef (suposto delator) assegurou que “o seu cliente não fez declaração alguma envolvendo os nomes de Lula e Dilma”. Quem provavelmente “sabia” da manipulação montada, era o juiz Sérgio Moro.

Parcialidade e blindagens se revelam como um novo escândalo

A sociedade não deve nenhum respeito a um juiz que extrapola suas funções e, sem nenhuma base jurídica, destrata a autoridade máxima do país. É o que aconteceu no segundo turno das eleições presidenciais, quando foram veiculadas as acusações – depois desmentidas. Por esse fato, o juiz Sérgio Moro deveria se desculpar publicamente.

Por mais que os brasileiros queiram ver na cadeia corruptos e corruptores - também me incluo entre os indignados - não é possível aceitar que a Justiça tenha dois pesos e duas medidas. O juiz Sérgio Moro mantém preso o tesoureiro do PT, mas não mandou prender os tesoureiros dos demais partidos citados em delação premiada, dentro da mesma operação, dentre os quais havia políticos do PSDB, PMDB, PP e outros. O tesoureiro do PSDB, Marcio Fortes, que foi tesoureiro de campanha de FHC e de José Serra, além do envolvido com o PSDB na Lava Jato, é titular de conta para lavagem de dinheiro no HSBC da Suíça. Mas continua solto.

A parcialidade de muitos juízes se revela como um novo escândalo, tão grande quanto aqueles que apuram. Pior é a blindagem de personagens, como o atual presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha. Será ele refém ou artífice de um projeto conservador em andamento que pratica uma verdadeira devassa, derrubando conquistas históricas da sociedade civil e dos trabalhadores?

Por que não são investigados e punidos os empresários de comunicação que falam e escrevem o que bem entendem, contra tudo e contra todos, sem nenhuma regulamentação?

Por que esses escândalos não têm a mesma repercussão na mídia? O que se diz é que órgãos de comunicação também estariam envolvidos, em escândalos bilionários, como o "Swisslikes", "Zelotes" e "Trensalão".

A lei determina que todos os envolvidos em corrupção, corruptos e corruptores, depois da ampla defesa e, se condenados, sejam presos e os bens adquiridos por meio da corrupção sejam ressarcidos. Mas a regra deveria valer para todos os partidos!

A "TV Globo" deu ao juiz Sérgio Moro o título de personalidade do ano. A "TV Globo" apoiou e cresceu à sombra da ditadura, foi contra as eleições diretas e, no governo de FHC, na década de 1990, fez campanha pela privatização da Petrobrás, comparando a estatal a um paquiderme e chamando os petroleiros de marajás.

A Globo e o PSDB sempre defenderam a privatização da Petrobras. O seu projeto de país tem sido derrotado nas urnas. Mas, por vias transversas, está sendo retomado. É o que aponta o projeto do senador do José Serra/PSDB que retira a Petrobras como operadora única do pré-sal e acaba com o regime de partilha, retornando ao pior modelo, que é o de concessão, instituído em 1997 pelo entreguista PSDB/FHC.

Como funcionário da Petrobras e brasileiro não posso aceitar calado essa tramoia contra a empresa que é o maior patrimônio da nação e a única que pode pagar a dívida social que temos com nosso povo. A sociedade não pode permitir que a "Globo" e o PSDB destruam a Petrobras."

FONTE: escrito por Emanuel Cancella, na "Carta Maior". O autor é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), ex-diretor da CUT e da FUP técnico da companhia, funcionário a 37 anos, advogado e também ex-diretor do Dieese. Artigo publicado no portal "Vermelho"  

(http://www.vermelho.org.br/noticia/265979-6). [Título acrescentado por este blog 'democracia&política'].

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