Roldão Arruda do Estadão
O PT atravessa uma das piores crises de sua história. Desde o início das grandes manifestações de rua, em junho, a perda de apoio ao partido e ao governo da presidente Dilma Rousseff parece uma sangria desatada. Isso todo mundo já sabe. O fato curioso – e ainda pouco destacado dessa história – é que nada disso favorece diretamente seu maior inimigo, o PSDB.
Nas pesquisas sobre intenção de voto, os eleitores que estão deixando de declarar apoio a candidatos petistas não migram para as bandas tucanas. O que aumenta é o número de brancos, nulos e indefinidos (na última pesquisa Ibope/Estadão esse contingente quase duplicou).
Na avaliação do cientista político Ricardo Antunes, da Unicamp, a rebelião das ruas não foi direcionada a um partido específico, mas a todos que simbolizam o atual estado de coisas. “Foi um tsunami em relação aos partidos da ordem”, diz ele. Até agora, a única personalidade política que ganhou com a crise foi a ex-senadora Marina Silva, que ainda não tem partido.