domingo, 18 de novembro de 2012

Imprensa britânica destaca condenação de Maluf em Jersey


BBC lembra que Maluf é procurado pela Interpol
Foto: BBC News/Reprodução
A condenação do ex-prefeito de São Paulo e deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) pela Corte de Jersey, paraíso fiscal britânico, a devolver US$ 22 milhões aos cofres públicos foi destaque neste sábado na imprensa do Reino Unido. Ontem, a justiça da ilha de Jersey anunciou a sentença em que considera Maluf "parte da fraude" cometida nas obras da avenida Água Espraiada no final dos anos 90. Segundo a Corte, Flávio Maluf, filho do ex-prefeito, esteve envolvido na gestão dos recursos desviados.

Usando a foto do ex-prefeito disponível no site da Interpol e lembrando que Maluf é procurado pela organização internacional desde que foi indiciado, em Nova York, por lavagem de dinheiro, a BBC News destaca que, além da condenação, o deputado já esteve preso, em 2005, por intimidar testemunhas. A reportagem destaca que Maluf nega as acusações e afirma que a competência para julgar se houve ou não irregularidades na obra deveria ser da Justiça brasileira.

O jornal matutino britânico The Independent também reportou o caso, destacando que o caso é considerado "vital" para o Brasil "limpar sua reputação" e esclarecer casos de corrupção às vésperas de receber a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos. O diário cita que "milhões" foram desviados da obra do que, na década de 90, "era a rua mais cara do mundo". O The Independent também lembra que Maluf não pode sair do País porque a Interpol emitiu um alerta vermelho pedindo sua prisão.

"Um dos homens mais ricos e poderosos do Brasil foi considerado culpado de roubar milhões de contribuintes brasileiros", destaca o The Guardian em extensa reportagem sobre o assunto. De acordo com o jornal, na decisão divulgada ontem, o juiz do caso afirma que "outras obras públicas também podem ter sido afetadas por fraudes similares" realizadas por Maluf e seu filho, Flávio.

O The Guardian diz que mesmo que Maluf seja considerado culpado em outros processos que responde, ele pode não ir para a prisão porque tem 81 anos. "Mas a derrota em Jersey irá reforçar sua imagem como representante de uma era corrupta que ainda não terminou", diz o jornal, citando, na sequência, a promessa da presidente Dilma Rousseff de reprimir a corrupção. O diário britânico ainda cita que o Brasil está no meio do julgamento do seu maior caso de corrupção - o mensalão (Big Monthly Allowance) -, no qual o "braço direito do ex-presidente Lula", José Dirceu, foi condenado a 10 anos de cadeia.

Maluf nega
Em nota oficial divulgada no início da tarde de ontem, a assessoria do deputado federal afirmou que a sentença "mostra claramente" que ele não é réu e não tem conta na ilha de Jersey. A assessoria ainda questiona o embasamento legal da ação porque "qualquer obra realizada em território brasileiro, se feita de forma irregular, o que não é o caso dessa, terá de ser julgada pela Justiça brasileira".


Banco Central Europeu deve aprovar acordo de 2 anos com Grécia

Membro do Banco Central Europeu, Joerg Asmussen, 

Por Madeline Chambers
BERLIM, 18 Nov (Reuters) - O membro do Banco Central Europeu, Joerg Asmussen, disse no domingo que a zona do euro deve concordar na próxima semana com financiamento de dois anos à Grécia, e deixar perspectiva de uma ajuda futura caso necessário, uma decisão que provavelmente irritaria o FMI, que quer uma solução permanente.

"Devemos na próxima semana fechar o financiamento para os anos de 2013 e 2014, mas tenho que ser honesto e dizer que realmente não espero que o país tenha acesso aos mercados em 2015 e 2016, o que significa que um outro programa de acompanhamento seria necessário", disse Asmussen à rede alemã ZDF.

Um contrato de dois anos seria adiar uma solução de longo prazo para a crise da dívida grega para depois das eleições gerais da Alemanha, em setembro 2013, quando seria politicamente mais fácil para a Alemanha, o maior emprestador da UE, tomar decisões difíceis.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), no entanto, não deve receber bem novos adiamentos.

Ministros das Finanças da zona do euro e a diretora do FMI, Christine Lagarde, irão se encontrar na terça-feira para tentar chegar a acordo sobre como fazer a dívida da Grécia administrável.

Lagarde disse à Reuters na noite de sábado que ela iria pressionar por uma solução definitiva para as dívidas da Grécia para evitar a incerteza prolongada e mais danos para a economia grega.

Funcionários do FMI argumentaram que admitir perdas de alguns títulos da dívida grega detidos por governos da zona do euro seriam necessário para fazer a Grécia solvente, mas a Alemanha, maior contribuinte para os fundos de resgate, tem repetidamente rejeitado a idéia de assumir uma perda de tais títulos, dizendo que seria ilegal.

Asmussen disse à ZDF que o problema era que os empréstimos somente não ajudam, já que eles levantam a dívida de longo prazo.

O verdadeiro significado de alguns ditados populares Parte I



Alguns ditados populares e suas devidas correções:

Dito Popular: “Quem tem boca vai a Roma”.
O correto seria: “Quem tem boca vaia Roma”. (do verbo vaiar).

Dito Popular: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro”.
O correto seria: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”.

Dito Popular: “Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão”.
O correto seria: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”.

Dito Popular: “Cuspido e escarrado”. (alguém muito parecido com oura pessoa).
O correto seria: “Esculpido em carraro”. (tipo de mármore).

Dito Popular: "Quem não tem cão, caça com gato".
O correto seria: "Quem não tem cão, caça como gato". (ou seja, sozinho, esgueirando, astutamente, traiçoeiramente).

Veja também como surgiram esses:

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura
Significado: A expressão louva a persistência como virtude que vence a dificuldade, ou seja, insista que você consegue.
Histórico: Há registro de dois milênios em Ovídio (43 a.C.-18 d.C.), poeta latino, autor de A arte de amar e Metamorfoses: “A água mole cava a pedra dura.” É tradição de várias culturas formar rimas nesse tipo de oração para facilitar a memorização. Foi o que nós, de língua portuguesa, fizemos com o provérbio.

O pior cego é o que não quer ver
Significado: Diz-se da pessoa que não quer ver o que está bem na sua frente. Nega-se a ver a verdade.
Histórico: Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D'Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

Salvo pelo gongo
Significado: Escapar de se meter numa encrenca por uma fração de segundos.
Histórico: O ditado tem origem na na Inglaterra. Lá, antigamente, não havia espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados para o ossário e o túmulo era utilizado para outro infeliz.
Só que, às vezes, ao abrir os caixões, os coveiros percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo (catalepsia – muito comum na época). Assim, surgiu a idéia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada num sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Desse modo, ele seria salvo pelo gongo.

Cor de burro quando foge
A frase original era “Corra do burro quando ele foge”. Tem sentido porque, o burro enraivecido, é muito perigoso. A tradição oral foi modificando a frase e “corra” acabou virando “cor”.

De cabo a rabo
Significado: Total conhecedor. Conhecer algo do começo ao fim.
Histórico: Durante o período das grandes navegações portuguesas, era comum se dizer total conhecedor de algo, quando se conhecia este algo de "cabo a rabah", ou seja, como de fato conhecer todo o continente africano, da Cidade do Cabo ao Sul, até a cidade de Rabah no Marrocos (rota de circulação total da África com destino às Índias). 

Presidente do STF rebate críticas e diz que julgamento foi técnico

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Britto, rebateu crítica do PT de que o julgamento do mensalão foi político

brasil  stf1 Presidente do STF rebate críticas e diz que julgamento foi técnicoO presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Britto, rebateu nesta quarta-feira (14) crítica do PT de que o julgamento do mensalão foi político. Questionado ao final da sessão por jornalistas sobre nota do partido divulgada nesta tarde, ele afirmou que a corte “julgou com toda tecnicalidade, com toda a consistência”.
“Claro que não acho [que julgamento foi politizado]. Acho que o Supremo julgou com toda tecnicalidade, com toda a consistência. Dizem que o STF inovou, modificou suas concepções sobre institutos jurídicos, atos de ofício, cumulação de lavagem de dinheiro com corrupção passiva. O Supremo não inovou em nada. É que esse caso é inédito. O novo é o caso. É incomparável, não há nenhum igual. Nunca se viu um caso com 40 réus no ponto de partida das coisas, com imputação de tantos crimes, imbrincamento disso, 600 testemunhas. O caso é que é inédito, é novidadeiro, é inssimilar. O caso sim. E o Supremo vem produzindo um julgamento afeiço a essa peculiaridade do caso”.
Mais cedo, a Executiva Nacional do PT divulgou documento contestando as decisões e teses adotadas pelo STF que levaram à condenação de seus filiados, dizendo que o julgamento foi “político” e “imputou penas desproporcionais”. O partido apresentou cinco argumentos principais: o STF não garantiu o amplo direito de defesa; deu valor de prova a indícios; o dominio funcional do fato não dispensa provas; criou risco de insegurança jurídica; e fez julgamento político.
Para Britto, a nota “faz parte da liberdade de opinião, da liberdade de expressão”. Na maioria das decisões, ele acompanhou as teses do relator da ação, ministro Joaquim Barbosa, que foi mais severo com os réus.
Penas
Ao final de sua última sessão no STF, Britto confirmou que não deixará as penas que havia estipulado individualmente para os 15 réus condenados que ainda não passaram pela fase de dosimetria, como fez o ex-ministro Cesar Peluzo, que deixou o tribunal no início de setembro.

Britto relatou a jornalistas que havia trazido planilhas ao plenário com as suas propostas de pena para todos os réus condenados, mas que não as apresentou porque cinco colegas da corte (Cármen Lúcia, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski) haviam manifestado que teriam de deixar a sessão mais cedo.
“Eu pretendia, mas o quórum baixou demais. Eu tinha feito tudo, mas em homengam aos que saíram, resolvi não fazer. Eu vim preparado para tudo, menos para decidir sobre a pena dos mandatos”, disse Ayres Britto.
Prisões
Ao sair, Britto também comentou sobre a discussão travada na sessão desta quarta sobre a pena de prisão, um dia depois de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ter dito que preferia morrer a ir preso, numa crítica às más condições das penitenciárias. Para Britto, Cardozo não se referiu ao julgamento do mensalão, mas teria feito um pronunciamento genérico sobre a situação.

“Ele [Cardozo] deve ter falado, quero crer – não sou porta-voz de sua excelência – que os nossos presídios vivem atulhados, não têm condições minimamente desejáveis de salubridade, de higiene. O nosso sistema penitenciário é muito falho àquilo que corresponde a uma das vertentes da pena que é a sociabilização. Quero crer que ele fez um pronunciamento sem relação com essa causa da AP 470 (processo do mensalão). Que fez genericamente, e não para se contrapor ao julgamento”, afirmou.
Para ele, a declaração de Cardozo serve como um “advertência”, na medida em que o ministro da Justiça é o responsável pelo sistema penitenciário brasileiro.
“Vale a declaração dele como uma chamada geral, uma advertência, que o obriga a contribuir decisivamente para a humanização de nossos presídios, para a adoção de medidas concretas”, disse.
Última sessão no STFA curta gestão do ministro Carlos Ayres Britto no comando do Supremo foi marcada por uma série de julgamentos polêmicos e importantes. O ministro assumiu a presidência da corte no dia 19 de abril de 2012, nove anos após ingressar no tribunal.
Ao longo dos sete meses em que ocupou a presidência da Suprema Corte, Ayres Britto colocou em pauta o processo que legalizou no país a união homoafetiva, a ação que autorizou o aborto de fetos anencéfalos e o julgamento que confirmou a validade das cotas para negros em universidades.
No entanto, o ato que marcaria, definitivamente, seu mandato foi ele levar a julgamento a ação penal contra os 38 réus suspeitos de envolvimento no esquema de compra de votos parlamentares em troca de apoio político ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, o processo do mensalão.
Apesar de ter ocupado mais da metade do mandato de Ayres Britto na chefia do Judiciário, a sentença final contra os réus condenados no mensalão acabará proclamada pelo seu sucessor na presidência do STF, o ministro Joaquim Barbosa.
PerfilNatural de Propriá, município do interior de Sergipe, Ayres Britto foi indicado para a mais alta corte do país pelo ex-presidente Lula, em 2003. Em seu discurso de agradecimento à homenagem que recebeu nesta tarde dos colegas, o chefe do Judiciário ressaltou que o ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos, advogado de um dos réus do mensalão e seu ex-colega no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), teve papel crucial em sua ida para o Supremo.
O atual presidente do STF assumiu a cadeira vaga com a saída do ex-ministro Ilmar Galvão. A posse de Ayres Britto na corte ocorreu em 25 de junho de 2003.
Casado e pai de cinco filhos, o magistrado se consolidou no meio jurídico como professor universitário e advogado. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Sergipe, ele atuou como professor de Direito Constitucional em instituições de ensino superior sergipanas e também na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), na qual foi assistente do atual vice-presidente da República, Michel Temer.
Em Sergipe, também exerceu os cargos de procurador-geral de Justiça e de procurador do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O ministro é autor de cinco livros sobre Direito Constitucional e Administrativo.
Juiz com veia poética, Ayres Britto é conhecido por recorrer a citações de poetas consagrados e metáforas em seus votos no STF. Em abril, durante o julgamento da descriminalização do aborto de fetos sem cérebro, o ministro não poupou metáforas para defender a legalização do procedimento cirúrgico.
“O feto anencéfalo é uma crisálida que jamais se transformará em borboleta, porque não alçará voo jamais. É preferível arrancar a plantinha ainda tenra no chão do útero do que vê-la precipitar no abismo da sepultura”, enfatizou.
Ayres Britto já publicou cinco livros dedicados a poesias. O mais recente deles, “Ópera do Silêncio”, saiu da gráfica em 2005. O presidente do STF afirma que já concluiu seu sexto livro de poesias, porém, adiou o lançamento da publicação para depois de sua aposentadoria para não coincidir com sua gestão à frente da Suprema Corte.
(Do G1 em Brasilia)

Aumento de crianças com necessidades especiais na rede pública expõe carências e preconceitos



Flávia Villela
De 2003 para 2011, o número de alunos com deficiência ou doenças crônicas, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação cresceu 164%. Segundo o Ministério da Educação, em 2003, 28% dos alunos que precisavam da educação especial estudavam em classes comuns e o restante, em classes especiais. Em 2007, o percentual desses alunos incluídos nas classes regulares passou para 54% e, no ano passado, para 74%, com 752 mil estudantes inscritos.

O número de escolas de educação básica com matrículas de estudantes que precisavam da educação especial cresceu 615%. Para pedagogos e especialistas, o aumento reflete a maior inclusão de grande parte desse grupo no ambiente escolar. Antes, esses estudantes viviam confinados em casa ou em escolas especiais. A chegada desses alunos na rede pública também revela as carências e preconceitos de quem lida com esse público.
A pedagoga Glória Fonseca Pinto trabalha com crianças e adolescentes com doenças crônicas e deficientes há mais de dez anos no Rio de Janeiro. Segundo ela, para incluir esse grupo na escola não basta apenas a matrícula. “O sistema precisa se preparar melhor para acolher essas crianças com mais qualidade. As escolas precisam entender que precisam se adaptar a essas crianças e não o contrário. Existem muitos exemplos [bem-sucedidos] de crianças com comprometimentos que conseguem se formar e ganhar muita independência”.
Ela lamentou o fato de diversas escolas ainda recusarem esse estudantes. “A criança especial pode e deve frequentar uma escola regular, mas infelizmente não é toda a escola que a aceita por não ter currículo, [não dispor de] rampa e de material humano. Mas não existe receita de bolo e as escolas precisam se predispor a aceitar essas crianças”.
No Rio de Janeiro, em um ano, esse grupo de estudantes aumentou 15% na rede estadual, de acordo com a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), com 3 mil alunos da educação especial no universo de 1 milhão de inscritos na rede estadual.
Para a professora Márcia Madureira, da equipe da Coordenação de Inclusão Educacional da Seeduc, o incremento na entrada dessas crianças e adolescente reflete um movimento de inclusão por parte da rede de ensino, mas traz enormes desafios. “O aumento do fluxo é um bom sinal e são muitos os desafios, mas estamos tentando ampliar os serviços para atender a essa demanda, como transformar todas as escolas acessíveis para cadeirantes”.
Segundo a Secretaria Estadual de Educação, 3.564 alunos com deficiência ou doenças crônicas foram inscritos na rede estadual de ensino no 1º semestre de 2012. São aproximadamente 200 Salas de Recursos que oferecem Atendimento Educacional Especializado (AEE) aos alunos com necessidades especiais e cerca de 150 profissionais atuam nestas salas.
Para a coordenadora do Núcleo de Apoio a Projetos Educacionais e Culturais, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Magdalena Oliveira, as escolas do país não estão estruturadas para receber as crianças e adolescentes com deficiência. “Com cerca de 40 alunos, é óbvio que a professora não terá estrutura para atender essa criança com deficiência. Uma escola capaz de receber uma criança com deficiências deveria ter uma fisioterapeuta motora, uma fisioterapeuta respiratória, uma fonoaudióloga, uma psicomotricista, uma terapeuta ocupacional, além de um psicólogo para poder dar apoio ao corpo docente e às crianças”.
Magdalena ressaltou que a exclusão dessas crianças e adolescentes do ambiente escolar prejudica seu desenvolvimento, pois ficam isoladas do convívio social. “A escola é o único lugar onde a gente começa a vida tendo que dar conta de ter que conviver com os amigos, aguentar a pressão dos professores e dos amigos. Isso dá para a criança uma independência e uma maturidade emocional que a gente enquanto mãe não consegue dar”. A pedagoga lembrou que a convivência das outras crianças com esse grupo também é frutífera, pois fortalece o respeito às diferenças.
(Agência Brasil) - Edição: Tereza Barbosa

Educadora diz que pais devem denunciar escolas que não aceitam alunos especiais


 Psicóloga Helena Antipoff 

Flávia Villela
A diretora do Instituto Municipal Helena Antipoff, Kátia Nunes, responsável pela educação especial na cidade do Rio, disse que os pais devem denunciar nas Secretaria de Educação as escolas que não aceitarem o filho deficiente ou com doença crônica. “Se a escola não estiver preparada para esse aluno, nós vamos prepará-la. Mas a escola hoje precisa entender que ela deve se adaptar às necessidades da criança e não o contrário”.

Na prefeitura o professor, ao assumir uma turma, recebe um DVD multimídia com orientações sobre como melhor atender uma pessoa com deficiência e informando que a prefeitura oferece cursos específicos durante todo o ano. “Também temos salas de recursos multifuncionais com mais de 300 professores especialistas para dar suporte a esses alunos com deficiência”.
Segundo a educadora, não existem cursos específicos para crianças com doenças crônica, mas sim para pessoas com deficiência. “Damos acompanhamento, suporte pedagógico, mas [no que diz respeito às] questões mais fundamentais da saúde solicitamos que o pessoal da saúde caminhe junto com a gente”. Ela admitiu que faltam professores, mas informou que a prefeitura está investindo na formação de novos profissionais para sanar o problema.
A professora Márcia Madureira, da equipe de Coordenação de Inclusão Educacional da secretaria do estado do Rio, admite que faltam estrutura e mão de obra qualificada para receber esses alunos, mas que o preconceito é uma das principais barreiras para a inclusão efetiva das crianças e adolescentes com doenças crônicas e deficiências.
“O diferente sempre causa estranheza e tratar dessas questões no ambiente escolar é fundamental para acabar com preconceitos, por meio do conhecimento, e permitir que esse aluno possa participar do espaço da escola e não apenas estar nele”.
Para a representante da Secretaria Estadual de Educação os desafios são contínuos, mas a sociedade está evoluindo no caminho da inclusão. “E nós [governo] temos que encarar esses desafios e dar o suporte necessário e estamos trabalhando nisso”.
Para a professora municipal Karla Silva da Cunha Bastos, que trabalha com educação especial há nove anos, a sociedade e os governos passaram a enxergar essas crianças, que hoje têm alguns direitos garantidos, mas o desconhecimento e despreparo ainda são grandes.
“Em uma turma com 40 alunos, com tantas crianças, com tantos outros problemas sociais e mesmo patológicos, o crônico acaba dando medo. O aluno chega na aula com um balão de oxigênio, por exemplo, e o professor não sabe o que fazer. As pessoas ficam com medo de acontecer alguma coisa com a criança e elas serem culpabilizadas”.
A professora citou o caso de uma aluna com doença congênita na bexiga que precisava ir ao banheiro com frequência e, toda vez que chegava um professor novo ela precisava explicar sua condição. “Em outro caso, o aluno não podia fazer atividades físicas e o professor o chamava de preguiçoso e ameaçava dar nota baixa. Nossa formação seja no curso normal ou na faculdade não nos prepara para a realidade social que vivemos hoje”.
Karla acredita que é preciso um trabalho de conscientização sobre as especificidades das crianças com doenças crônicas. “Desde o professor, ao servente, à merendeira. Quando a criança com doença congênita se matricular, a escola precisa receber informação sobre essa doença e orientações”.
(Agência Brasil) - Edição: Tereza Barbosa

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