quinta-feira, 8 de março de 2012

A Devassa da Devassa - "A Inconfidência Mineira"

"A Devassa da Devassa - A Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal 1750-1808"


“Delinear a ampla interação de Brasil e Portugal na segunda metade do século XVIII” (MAXWELL, p. 13) é, segundo Kenneth Maxwell, o objeto do seu “A Devassa da Devassa – A Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal 1750 – 1808”. (link para baixar o livro em PDF no final da postagem)

Lançado em 1973 na Inglaterra, país natal do autor, com o título original de “Conflicts and Conspiracies: Brasil & Portugal 1750 – 1808”, o livro chega aos 500 anos do Brasil na sua terceira edição, e com o status de leitura obrigatória sobre o período. Resultado de uma minuciosa pesquisa, que se faz presente na constante exposição de dados quantitativos, “A devassa da devassa” em nenhum momento corre o risco de ser mais um livro sobre a Inconfidência Mineira. Kenneth Maxwell vai muito além da simples exposição dos fatos que compuseram o episódio e tampouco se deixa levar pela livre especulação que as lacunas documentais tornam tentadora. O livro mostra um autor preocupado em colocar suas hipóteses mas sem nunca deixá-las sem o respaldo de um documento e/ou raciocínio que a sustente. E desta forma vai penetrando na História de um Brasil-Portugal imerso numa crise cuja solução extrapola o período selecionado, sem nunca esquecer de situá-la na Europa pré e pós-Revolução Francesa.

O livro mostra o eterno esforço de Kenneth Maxwell em tentar encontrar a versão mais lógica para os acontecimentos que nortearam a relação de brasil e Portugal entre 1750 e 1808. Daí a opção pela ordem cronológica dos fatos, que em alguns momentos chega a se aproximar da estrutura narrativa. O tempo é usado como fio condutor para a sucessão de informações costuradas por análises para chegarem à categoria de hipótese.

Dentro deste padrão geral que dá unidade à obra, “A Devassa da Devassa” é dividida em oito capítulos de títulos simples e diretos, sempre seguidos de duas citações documentais sobre o assunto a ser tratado, e quase sempre contemporâneas ao mesmo.

Tudo começa em julho de 1750, com a morte de D. João V, que leva D. José I ao trono. Está dada a deixa para o tema que permeará todo o primeiro capítulo e, de forma geral, todo o livro: Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marques de Pombal, e sua atuação no governo. Após uma apresentação da situação econômica e política de Portugal, o autor debruça-se sobre as façanhas pombalinas, sempre remetendo-se à relação entre Portugal e Inglaterra como fator imprescindível à compreensão do processo. É dado assim um panorama geral sobre a situação do Brasil das Companhias de Comércio, dos jesuítas, do contrabando. Os capítulos seguintes, “Mudança” e “Divergência”, continuam, cronologicamente, a expor os movimentos principalmente econômicos que geraram a situação que culminaria no episódio central do livro, a Inconfidência Mineira.

A crise do ouro aparece como fator de desenvolvimento não só de Portugal, mas também do Brasil, ambos impulsionados pela substituição de importações, o que acaba por gerar uma burguesia incompatível com a política pombalina de altamente mercantilista. A morte do Rei, a demissão de Pombal e a Independência dos Estados Unidos levam o autor a apresentar a década de 1780 como cenário quase óbvio para a Inconfidência: a nova política metropolitana era desastrosa e os interesses coloniais ganhavam força.

Nesse contexto, Kenneth Maxwell apresenta Minas Gerais com seus personagens. Terra de economia dinâmica e intelectualidade efervescente, entre outros atributos. Terra do grupo de Vila Rica, terra de Tiradentes, o tão proclamado herói da República. E é exatamente essa glorificação, essa imutabilidade nacionalista de uma História sedenta por heróis, como a nossa, que é questionada no livro. Questionamento que se dá via fatos, via raciocínio lógico, sem qualquer fúria tendenciosa. O autor começa descrevendo cada um dos participantes da chamada Inconfidência mineira, apresentando-os como endividados membros da plutocracia mineira, em conflito com um governo cada vez mais rígido principalmente no que cerne à cobrança de tributos. É a partir daí que se dá a desmistificação do movimento.

O capítulo “Conspiração” e uma descrição quase em tom de romance, não fossem os vários e precisos dados apresentados pelo autor, da preparação tentativa de revolução. Descrição física, detalhamento de horário, composição do cenário, números das dívidas. Tudo é descrito. E é nesse momento que aparece com força a tese do autor de que Inconfidência foi movida única e exclusivamente por motivos pessoais, por homens que viam na proposta de um Estado independente a única solução para seus problemas bem menos nobres que uma preocupação ideológica de fundo nacionalista. O nacionalismo era sim exaltado, mas como veículo natural para uma revolução que buscava a independência. E o povo também era convocado por razões não menos óbvias, como coloca o autor: “A conspiração dos mineiros era, basicamente, um movimento de oligarcas e no interesse as oligarquia, sendo o nome do povo invocado apenas como justificativa” (idem, p. 119).

A historiografia institucionalizou a versão de que , estando a revolução programada para a ocasião em que fosse imposta a derrama (já que era necessário um contexto de insatisfação popular), e sabendo-se que Joaquim Silvério dos Reis delatou a intenção do movimento para o governador de Minas Gerais, Barbacena, este último teria cancelado o imposto em função da
denúncia. A proposição de outra versão por Maxwell é talvez um dos pontos mais interessantes da sua tentativa de repensar o episódio. Diante de várias evidências por ele reunidas, o autor chega à conclusão de que a suspensão precedeu a denúncia, e que a atitude de Joaquim Silvério dos reis correspondeu a uma tentativa de ter sua dívida perdoada por fidelidade à coroa, já que com a suspensão da derrama a rebelião fracassaria.

Outro ponto que “A devassa da devassa” mostra-se uma obra inovadora é na apresentação de evidências de que, ao contrário do que mostram os documentos oficiais, Cláudio Manoel da Costa, um dos inconfidentes, teria sido assassinado, e não provocado suicídio.

Mas o ponto principal em que toca Kenneth Maxwell ao propor uma nova visão da Inconfidência mineira diz respeito a Tiradentes, hoje tido como grande herói da Inconfidência e, consequentemente, da Independência. O livro traz a tese de que o alferes Joaquim José da Silva Xavier trazia em si todas as condições para ser “eleito” bode expiatório, sendo o único a ter sua sentença efetivamente executada. Indivíduo em busca de ascensão social, elemento periférico dentre os plutocratas que compunham o grupo revolucionário. É assim que Tiradentes é mostrado, e o autor sugere até mesmo que aquele que viria a ser herói não atuava além das questões práticas, sendo posto de lado nas decisões do movimento, preterido pelos próprios companheiros. A sua morte, espetáculo público, usada como exemplo por um governo temeroso e ainda atônito, fez dele um símbolo. E Maxwell nos lembra que, ao ser interrogado, o inconfidente defendeu ferrenhamente os ideais de República e Independência, trazendo para si toda a responsabilidade da rebelião fracassada. E aí reside seu mérito incontestável: a coragem a e determinação que o transformaram em herói póstumo.

Mas não fossem as circunstâncias a coragem de um homem não teria força para firmar-se como feriado nacional séculos depois. Em “A devassa da devassa” fica claro o papel paradigmático que a fracassada Inconfidência mineira assume no momento de crise entre metrópole e colônia em que ela ocorre. O autor nos lembra que, dentre tantas revoltas, esta ganha destaque por ter sido pioneira no seu nacionalismo e na clareza com que atacava o sistema colonial. E o fato de não terem conseguido o que planejaram, ou a verdadeira natureza de suas motivações não fazem o grupo de Vila Rica menos importante como agente histórico. Nada voltaria a ser como antes. A morte de Tiradentes em nada intimidaria uma sociedade que passava a ver em Portugal um obstáculo, e não uma matriz incondicional. A Inconfidência trouxe à tona um sentimento cujo controle escapava às garras de um mercantilismo já senil.

Desde 21 de abril de 1792 seriam quase três décadas. Foi este o tempo da gestação de uma independência concebida na clandestinidade mineira.
Maxwell encerra o livro fazendo uma análise dos anos que se seguiram, até a vinda da corte portuguesa para o Brasil, em 1808. Anos de conflitos políticos na Europa e de incertezas quanto ao Brasil, movimentado pela Revolta dos alfaiates, na Bahia. E, como se já não bastasse a prolixidade com que expõe dados e ideias, o autor disponibiliza, ao final, mapas, gráficos e tabelas que ilustram todo o período tratado. Uma verdadeira devassa sobre Brasil-Portugal de 1750 a 1808.

Com 'tsunami monetário', Copom corta Selic em 0,75 ponto porcentual

Trata-se do quinto corte consecutivo feito durante o governo Dilma. Questão cambial leva autoridade a aumentar velocidade da redução da taxa de juros

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, durante evento em 2011 Alexandre Tombini, presidente do Banco Central: questão cambial faz BC aumentar o corte (Dida Sampaio)
Na segunda reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2012, o Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto porcentual, para 9,75% ao ano. É o quinto corte consecutivo efetuado pelo Copom durante o governo da presidente Dilma e o maior desde junho de 2009. Também é a primeira vez, desde 2010, que a Selic recua a menos de 10% ao ano. Ao contrário das reduções anteriores, que não representaram surpresa alguma para o mercado, a de hoje levantava algumas dúvidas.
Até poucos dias atrás, a maior parte dos analistas apontava para um corte de 0,5 ponto porcentual. Esse impasse justifica o fato de, segundo o comunicado do BC, a decisão atual ter tido cinco votos a favor e dois votos pela redução da Selic em 0,5. O que mostra que o corte maior é visto com ressalvas até mesmo entre os próprios diretores do órgão. A autoridade monetária afirmou, em nota, que o corte dá "seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias" - o mesmo discurso usado para justificar as decisões anteriores.
Como o câmbio voltou a ser foco de ataque do Planalto, com direito até mesmo à criação de uma metáfora por parte da presidente - o "tsunami monetário" -, o mercado começou a considerar a possível intenção do BC de anunciar um corte  maior para a Selic. Tanto que, na manhã desta quarta-feira, o mercado futuro de juros mantinha apostas majoritárias em um corte de 0,75 p.p.
Enquanto alguns arriscavam esse palpite, outros mais vorazes já apostavam na redução de um ponto. Segundo o analista da Moody's para América Latina, Alfredo Coutiño, a Selic ideal para o momento é de 9,5%. "Se a política monetária continuar restritiva, a atividade econômica continuará fraca", afirma o analista. Já a escola mais ortodoxa não via razão ainda para um corte maior. "O Brasil não tem hoje fundamentos econômicos que justifiquem um corte de 0,75. A única justificativa é a intenção do governo de tirar a força do real", afirma o economista Robert Wood, da Economist Intelligence Unit (EIU).
Na avaliação do mercado, o corte de 0,75 é motivado não só pelo aumento da entrada de dólares no país - tema que vem causando a ira do governo nas últimas semanas - mas também pelo pífio resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011, divulgado na terça-feira, e que apontou crescimento de 2,7% para a economia brasileira. Outro número levado em consideração na decisão, na avaliação do mercado, é o dado da produção industrial de janeiro, divulgado na manhã desta quarta, e que apresentou retração de 2,1% - número abaixo do esperado para o período.
Inflação continua o cerne da questão -  O aumento da velocidade da redução da Selic aponta para um questionamento constante que ocorre desde meados de 2011. Até que ponto, para o governo, o crescimento do PIB é mais importante que o controle da inflação? A decisão de hoje mostra que, ainda que a economia brasileira dê sinais recentes de recuperação (o crescimento do PIB do quarto trimestre foi de 0,3%), e a inflação enfim comece a ensaiar uma volta a algo mais próximo do centro da meta (o mercado aponta para o IPCA a 5,24% em 2012), os números parecem não satisfazer a ânsia desenvolvimentista da equipe econômica. Se é preciso sacrificar o PIB para controlar a inflação, a presidente Dilma já deu sinais suficientes de que não irá fazê-lo.
Promessa de crescimento - Na terça, logo após o anúncio do dado, a presidente afirmou, ainda na Alemanha, que o governo anunciará medidas de estímulo à economia - além do corte ampliado da Selic. "O governo brasileiro terá uma posição proativa no sentido de ampliar, cada vez mais, a taxa de crescimento no Brasil de forma sustentável, respeitando o equilíbrio macroeconômico com finanças públicas e uma estrutura fiscal sólida", disse Dilma, em Hannover. Em coletiva de imprensa em Brasília, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostrou sintonia com a chefe do Executivo e afirmou que o governo tomará novas ações no decorrer do ano para garantir um crescimento mais forte. Mantega prometeu estímulos à indústria e disse que os bancos públicos continuarão reduzindo juros e o spread bancário.
O primeiro veículo de estímulo deverá ser o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governo já ordenou o barateamento das linhas de financiamento voltadas para novos investimentos e um aporte de 30 bilhões de reais para a instituição este ano. Com a Selic mais baixa, o governo irá revisar as linhas de financiamento do Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI), que contam com subsídios do Tesouro Nacional.
A presidente Dilma também determinou a ampliação das medidas do Plano Brasil Maior (a política industrial lançada no ano passado) para dar estímulos mais fortes ao setor que sofre com o câmbio desfavorável. Segundo assessores próximos, Dilma - e todo o empresariado - está insatisfeita com o programa, que ainda está longe de surtir os efeitos desejados para a indústria.

As piadas estão ficando sem graça?

Pânico chega à Band pedindo liberdade que Rafinha Bastos não teve; ele saiu do CQC depois de piada sobre Wanessa Camargo e o bebê; a trupe de Emílio, no entanto, acumula processos judiciais; humor precisa se reinventar?

Foto: Divulgação 

Por que trabalhar com humor ficou tão perigoso no Brasil? Dá processo, indenização, polêmica… O que está errado: o ofício dos humoristas, cuja vocação é fazer rir, ou a cultura do “politicamente correto”, que tenta higienizar deboche e ironia de todas as partes, inclusive dos programas humorísticos? A alta cúpula da Band está se deparando com essas questões e terá que bater martelo sobre um pedido de seus mais novos funcionários. Recém-chegada da RedeTV!, a irreverente galere do Pânico quer mais do que salários e bônus advindos de merchandising. A coluna Outro Canal, da Folha, informa nesta terça, 21, que os humoristas pediram “liberdade total” no programa.

A preocupação da gang do Pânico é tomar um pito da Band, que tirou do CQC Rafinha Bastos, em outubro do ano passado. O motivo foi a declaração de Rafinha no programa, considerada por muitos infeliz, de que “comeria” Wanessa Camargo e o filho. Os fãs do humorista acharam uma bobagem a dimensão que a brincadeira tomou… Virou caso de Justiça, com direito a feto como autor de ação e uma sentença proferida de maneira ligeiríssima, muito diferente de inúmeras ações que tramitam na Justiça brasileira, condenando Rafinha.



 

A repercussão desse episódio fez o Pânico se certificar de que não vai ser repreendido na nova casa. Para decidir se atende ou não à trupe bem-humorada, a Band poderá levar em conta o histórico judicial da trupe de Emílio, Carioca e Sabrina. O programa já perdeu ações na Justiça da ordem de milhares de reais para globais como Carolina Dieckmann, Luana Piovani e continua enfrentando outros processos, como da própria TV Globo (por uma hilária invasão no Big Brother Brasil).

Além de Band e RedeTV!, a própria TV Globo está na mira do que os humoristas consideram patrulhamento do “politicamente correto”. A dupla mais badalada do programa Zorra Total, Valéria e Janete, foi alvo de uma representação do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. A entidade defende que as cenas incentivam assédio sexual porque um homem sempre encosta e abusa de Janete no final do quadro “Metrô Zorra Brasil”. Segundo a Folha, a Globo rebate a carta do sindicato e frisa que nunca incitou abuso sexual e, ao contrário, sempre defendeu os direitos da mulher.

Um entretenimento de sábado à noite, para aqueles que ficaram em casa e não saíram para festa e farra é tão prejudicial assim? O espectador pode mesmo achar que é engraçado atacar Janetes no metrô e sair por aí abusando?



 

Não dá para culpar o humor por um crime… O que se pode discutir é o quanto o humor pode deseducar. Ou, até por causa disso, o quanto pode ser pedagógico. Um bom exemplo é o quadro de Valéria e Janete mesmo.

Ali, reforçam-se estereótipos. Por um lado, a travesti escandalosa está doida atrás de um homem. Por outro lado, a jovem “socialmente feia” não sabe falar direito e é desprezada pela espertalhona Valéria.

Ora, toda travesti faz escândalo e quer homem? Não seria possível fazer uma personagem diferente e tão engraçada quanto? Que tal uma travesti nerd e virgem? Muito inverossímil? Que tal uma jovem “socialmente feia”, Ugly Betty da vida, muito esperta e pegadora? Pegadora, tipo o mulherengo, e não tipo a piranha!

Se você considera que o humor é de mau gosto, vale questionar se você não foi contagiado pela febre do “politicamente correto”. Ao mesmo tempo, se realmente os excessos (de ofensas e preconceitos) é que estão dominando a telinha e as redes, talvez seja o momento de o humor se reinventar. Mas esse é um trabalho duplo: do humorista e do público.

Afinal, o que é que te faz rir?


By: Brasil247

quarta-feira, 7 de março de 2012

Brasil pode passar França em 2012 e ser 5ª economia


PIB brasileiro superou o britânico em 2011 e, segundo consultoria britânica pode subir mais um degrau neste ano

Com mudanças, país perderá em tamanho somente para os PIBs dos EUA, da China, do Japão e da Alemanha

Por ÉRICA FRAGA,

A economia brasileira se tornou a sexta maior do mundo no ano passado, deixando para trás a britânica, e deverá alcançar a quinta posição ainda em 2012, ultrapassando a francesa.

Os prognósticos, da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit), indicam que o país avança no ranking de maiores economias a um ritmo rápido.

"Esses desenvolvimentos pareceriam improváveis há cinco anos, mas refletem como as economias avançadas foram atingidas pela crise e como a brasileira tem se expandido, impulsionada pelas exportações de commodities", diz Robert Wood, economista sênior da EIU.

"As mudanças também refletem um real mais forte." Embora tenha sido considerada fraca, a expansão brasileira de 2,7% em 2011 foi bem superior ao crescimento de 0,8% do Reino Unido.

Isso levou o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, medido em dólares, a ultrapassar o britânico por uma pequena margem.

O mesmo deverá ocorrer em relação à economia francesa em 2012, quando a consultoria espera que o Brasil crescerá 3,3% e que a França ficará estagnada. Movimentos das taxas de câmbio ajudarão o Brasil a ultrapassar o país europeu.

A EIU estima que o real fique relativamente estável em relação ao dólar ao longo deste ano, enquanto o euro deve se desvalorizar. Com as mudanças, a economia brasileira só perderá em tamanho para os PIBs dos EUA, da China, do Japão e da Alemanha.

Projeções de dados econômicos envolvem riscos significativos. Mas analistas dizem que o avanço do Brasil no ranking das maiores economias é bastante provável.

No entanto, prognóstico do economista indiano Arvind Subramanian mostra que, mesmo se tornando uma economia maior, a participação do Brasil no PIB mundial deve permanecer estagnada até 2030, próxima a 3,3%.

Isso porque o Brasil crescerá mais do que países desenvolvidos, mas menos que outros emergentes. O cálculo aparece em livro recente do economista ("Eclipse: Living in the Shadow of China's Economic Dominance").

Ele afirma que o indicador é importante porque é usado, por exemplo, no cálculo do poder de voto dos países no Fundo Monetário Internacional (FMI).

O economista Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial para a Redução da Pobreza, concorda que o peso da economia dos países no PIB global pode ajudar a fortalecer sua influência.

Mas ressalta que o aspecto mais importante do avanço do Brasil no ranking das maiores economias é a evolução da renda per capita:

"O fundamental é que o Brasil consiga se tornar um país de renda alta".

A renda per capita brasileira equivalia a cerca de um terço da britânica e menos de 30% da americana em 2011

Demóstenes Torres: demo “ético” caiu

Por Altamiro Borges 
A revista Época, que sempre deu generosos espaços para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) posar de paladino da ética, acaba de perder mais um entrevistado. O demo foi flagrado em suas intimas relações com um dos maiores corruptos do país, o famoso Carlinhos Cachoeira. O próprio sítio da revista confirmou ontem a denuncia. Só falta agora sair no Jornal Nacional da TV Globo. Será?Vale à pena conferir trechos da reportagem de Andrei Meirelles e Marcelo Rocha, que deve ter decepcionado os filhos de Roberto Marinho. Quem as Organizações Globo irão entrevistar agora? Todos os “éticos” da direita estão sendo defenestrados.*****Na quarta-feira (29), a Polícia Federal deflagrou a Operação Monte Carlo, com a prisão do empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e dezenas de policiais civis e militares, acusados de envolvimento na exploração ilegal de máquinas caça-níqueis em Goiás e na periferia de Brasília…Segundo a apuração da PF, Carlinhos Cachoeira mantinha forte influência na política goiana. Nas cerca de 200 horas de gravações telefônicas, captadas com ordem judicial, Cachoeira conversa com freqüência e intimidade com deputados federais de vários partidos e com o senador goiano Demóstenes Torres, líder do DEM no Senado Federal.De acordo com os investigadores, em julho do ano passado Carlinhos Cachoeira deu um generoso presente de casamento para o senador goiano: uma cozinha completa. Época ouviu Demóstenes. O senador confirma ter recebido um fogão e uma geladeira do casal Cachoeira. “Sou amigo dele há anos. A Andressa, mulher dele, também é muito amiga da minha mulher”, diz Demóstenes.Segundo o senador, Cachoeira mantém conversa também com políticos de todas as tendências em Goiás. “Depois do escândalo Waldomiro Diniz, eu pensei que ele tivesse abandonado a contravenção, e se dedicasse apenas a negócios legais”, afirma Demóstenes. “Para mim, foi uma surpresa as revelações feitas por essa operação da Polícia Federal”.*****A desculpa esfarrapadaA reportagem também aponta que o “empresário de jogos” operava no governo tucano de Goiás. “Entre os presos na Operação Monte Carlo, o ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Wladimir Garcez, era interlocutor freqüente do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo investigadores, Garcez trocou dezenas de torpedos pelo celular com o governador”.Todos os envolvidos nas denúncias da PF agora tentam tirar o corpo fora. A desculpa mais esfarrapada, porém, foi a do líder dos demos no Senado: “Eu pensei que ele tivesse abandonado a contravenção, e se dedicasse apenas a negócios legais”. O paladino da ética, que ganhou os holofotes da mídia com suas falsas campanhas moralistas, diz desconhecer a atuação do mafioso. É hilário!Um mafioso com muito poderDe acordo com as primeiras revelações da Operação Monte Carlo, Carlinhos Cachoeira explorava uma rede de caça-níqueis e de cassinos ilegais em cinco estados brasileiros. Os seus cassinos em Goiânia e Valparaíso, nas cercanias de Brasília, rendiam cerca de R$ 3 milhões por mês, segundo os procuradores Daniel de Resende Salgado, Lea Batista de Oliveira e Marcelo Ribeiro de Oliveira. Além disso, o bicheiro preso mantinha jornalistas na sua folha de pagamento, possuía uma rede de espionagem ilegal e nomeou integrantes no governo tucano de Marconi Perillo. Segundo o juiz da 11ª Vara Criminal da Justiça Federal de Goiás, “descobriu-se a influência de Carlos Cachoeira na nomeação de dezenas de pessoas para ocupar funções públicas no Estado de Goiás”. A “inocência” dos paladinos da éticaCarlinhos Cachoeira ganhou os holofotes da mídia no primeiro mandato do ex-presidente Lula. Na época, ele liderava a campanha de bastidores pela liberação dos bingos. Num vídeo que ficou famoso, ele aparece com Waldomiro Diniz, ex-subchefe da Casa Civil, num flagrante de suborno. A mídia deu ampla repercussão para o caso. Será que agora ela dará o mesmo tratamento à Operação Monte Castelo, que envolve o demo “ético” Demóstenes Torres e o tucano Marco Perillo? Ou será que a mídia demotucana também acha, como o inocente senador, que o “empresário de jogos” havia “abandonado a contravenção”.

Assunto relacionado: Demostenes Torres desapareceu da midia

segunda-feira, 5 de março de 2012

O significado de ateu - (Arthur Virmond de Lacerda Neto)

Por:Arthur Virmond de Lacerda Neto

O vocábulo ateu apresenta três acepções:
1ª) Em sentido corrente, ateu é quem não crê na existência de um ser superior, tal como o concebem as religiões teológicas, ou seja, no que se chama de "deus", criatura onipotente (ele pode tudo quanto quer), onisciente (ele sabe tudo), onipresente (ele acha-se em toda a parte), onimisericordioso (é dotada de infinita bondade) e criador do universo e do ser humano. Neste sentido, todo positivista é ateu pois nenhum positivista acredita na existência de tal ser.
2ª) Ateu é quem nega a existência de deus. Enquanto no primeiro sentido, o ateu apenas não crê na sua existência, é incréu, caracteriza-se pela ausência de uma convicção, nesta segunda acepção ele caracteriza-se por uma afirmação, a de que deus não existe.
Há duas formas de negação: a) a negação relativa, em que se nega por falta de prova em contrário, ou seja, por jamais se haver demonstrado faticamente, com base na observação, a existência da divindade, b) a negação absoluta, em que o ateu afirma a inexistência de deus, mediante a confutação dos argumentos que pretendem provar-lhe a existência ou mercê da formulação de outros, que demonstram a impossibilidade desta existência.
A negação relativa corresponde a uma certa indiferença à idéia de deus; a negação absoluta, a uma atitude ativa, de caráter negador. Na primeira, o indivíduo aguarda que os deístas provem a existência de deus, na segunda, empenha-se em negá-lo. A primeira é o que se chama também de agnosticismo (e então, é-se agnóstico), enquanto que na segunda, é-se ateu em sentido ativo, ateu "militante" ou "praticante".
Algumas pessoas declaram-se agnósticas, porque indiferentes à existência de deus, da qual não cogitam nem para afirmá-la, nem para negá-la. Para estas pessoas, a idéia de deus simplesmente não interessa, sob aspecto nenhum. Alguns positivistas declaram-se agnósticos, outros, ateus militantes.
3ª) Ateu é quem, rejeitando as soluções da teologia, ocupa-se das suas questões.
Teologia é a área do pensamento humano relacionado com deus, que lhe afirma a existência, que pretende provar, e da qual deduz a política, a moral, a cosmogonia, a religião, as explicações da origem dos fenômenos etc. São questões teológicas, por excelência, a indagação das causas primeiras e das causas finais. As causas primeiras consistem em averigüar-se a origem do mundo, pela indagação: quem fez o mundo? As causas finais consistem em averigüar-se a finalidade do mundo: por que se fez o mundo? As causas também indagam porque os fenômenos acontecem: por que a maçã que se desprende da macieira, cai para baixo ao invés de tomar outro rumo ?
A teologia responde a tais questões com base em deus: ele criou o mundo, para a sua glória, ou para o seu divertimento, ou por desfastio etc. A maçã desloca-se para baixo, porque a este movimento corresponde a vontade divina, porque deus quer.
Ateus, nesta acepção, são os pensadores que formulam as mesmas indagações relativas às causas primárias, finais e dos fenômenos, rejeitando, porém, a solução teológica (a idéia de deus).
Eles caracterizam-se por uma nota negativa, a ausência de divindade nas suas especulações, e por uma positiva, a de especularem sobre as questões teológicas.
Neste sentido, nenhum positivista é ateu pois o Positivismo não se ocupa da investigação das causas primárias, finais e dos fenômenos. Ele ocupa-se de averigüar como os fenômenos se produzem, e não o porque desta produção; ele empenha-se em descobrir as leis naturais que constituem a ciência e que, permitindo a previsão dos fenômenos, é útil ao homem, sob a forma de tecnologia; ao passo que o ateu, neste sentido, especula sobre questões a cujo respeito pode-se pensar, porém jamais conhecer, ou seja, pode-se alcançar conclusões derivadas do puro pensamento embora inverificáveis pela experiência, ou seja, conclusões metafísicas.
Augusto Comte censurou o ateísmo da terceira acepção e para evitar a confusão entre ela e os positivistas, em que se chamasse os positivistas de ateus (na terceira acepção, que não lhes cabe), adotou o termo emancipados, como sinônimo de ateus nas primeira e segunda acepções (que lhes cabem). Emancipado é quem libertou-se da tutela mental da teologia, é aquele que rejeita a concepção de deus e tudo quanto se lhe relacione. Todo positivista é emancipado; todo aquele que rejeita deus também o é.
No primeiro significado, há incredulidade pura e simples; no segundo, há incredulidade por ausência de verificação da divindade, pela negação dos argumentos que lhe afirmam a existência ou pela afirmação dos que a negam; no terceiro, há a especulação em torno dos temas teológicos, sem a solução da teologia (é a metafísica).
Em nenhum dos três casos comparece a idéia de deus e os seus desdobramentos.
Os positivistas são ateus, sempre, no primeiro caso; são-no em o segundo, sob a forma de agnosticismo ou de ateísmo militante, dependendo das convicções de cada qual; jamais o são no terceiro.
18.VIII.2003
Arthur Virmond de Lacerda Neto é positivista ortodoxo.

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