sábado, 5 de março de 2016

Dilma critica vazamentos e rebate suposta delação de Delcídio




A presidenta Dilma Rousseff fez, nesta tarde, um pronunciamento em que se disse inconformada e indignada com a notícia de um suposto acordo de delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e contestou as informações sobre o que teria dito o parlamentar nos depoimentos. Dilma afirmou que é "absolutamente subjetiva e insidiosa a fala do senador, se [é que] ela foi feita", e considerou descabidos alguns fatos relatados por Delcídio, segundo a revista IstoÉ.

Dilma convocou a imprensa para fazer uma forte defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos alvos da 24ª etapa da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira (4). No pronunciamento, a presidenta reafirmou o teor de nota publicada na tarde de hoje, manifestando "absoluto inconformismo" com a condução coercitiva do ex-presidente e classificando de "desnecessária" a medida.

Pelo menos três citações da revista IstoÉ sobre o suposto depoimento de Delcídio no âmbito da Lava Jato foram contestadas pela presidenta. Dilma negou ter conversado com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, na tentativa de "mudar os rumos" da Lava Jato. Disse que os esclarecimentos sobre a compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras, em 2014, já foram devidamente prestados, embasados em documentação do Conselho de Administração da Petrobras, e que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento da investigação.

A presidenta considerou "lamentável" a ocorrência do vazamento ilegal de uma hipotética delação premiada, que, se foi feita, teve como motivo único a tentativa de atingir sua pessoa e seu governo. "Provavelmente, pelo imoral e mesquinho desejo de vingança e de retaliação de quem não defendeu quem não poderia ser defendido pelos atos que praticou", ressaltou.

Ela disse também que não pediu ao senador petista para conversar com juristas antes de indicá-los ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), com o objetivo de convencê-los a votar a favor do governo. Dilma declarou ter nomeado três ministros na turma do STJ a que teria se referido o senador, dos quais apenas um votou favoravelmente a seu governo.

Dilma enfatizou “jamais” ter falado com Delcídio sobre o assunto e negou ter tentado negociar “de forma imoral” a nomeação dos ministros, com o objetivo de conseguir a libertação de investigados da Lava Jato, que na época estavam presos preventivamente.

“O ministro Marcelo Navarro, o presidente do STJ, Francisco Falcão, os desembargadores Newton Trisotto e Nelson Schaefer negaram peremptoriamente a existência de quaisquer tratativas do governo a respeito. A afirmação atribuída ao senador, assim, restou claramente desmentida”, afirmou Dilma.
A presidente fez o pronunciamento ao lado de dez ministros de sua equipe. O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, também estava presente na hora do  pronunciamento.

CPI dos Bingos
Dilma negou ainda que o encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, no Congresso Nacional, tenha ocorrido para “beneficiar, de alguma forma”, a sua campanha presidencial de 2010. Sobre esse assunto, a presidenta disse que a afirmação “se desmente pela própria temporalidade”.

“A CPI dos Bingos teve início em 29 de junho de 2005 e foi encerrada em 20 de junho de 2006, ou seja, foi aberta praticamente a uma semana da minha posse como ministra-chefe da Casa Civil e distante quatro anos da minha indicação à Presidência da República. Sem dúvida, ninguém, em 2006, tinha a possibilidade de supor que eu seria candidata à Presidência da República, e antever essa situação. É, portanto, descabida, é, portanto, absurda qualquer associação entre o encerramento dessa CPI com a minha campanha eleitoral de 2010”, enfatizou Dilma.

Vídeo
Abaixo, veja trechos do pronunciamento da presidenta Dilma no Palácio do Planalto após o depoimento do ex-presidente Lula à Polícia Federal.


sexta-feira, 4 de março de 2016

Base diz que nova fase da Lava Jato é política; oposição reforça o impeachment




A 24ª etapa da Operação Lava Jato movimentou os corredores da Câmara dos Deputados, bem como os próprios partidos políticos, seja com a oposição defendendo o impeachment da presidenta Dilma Rousseff ou a base aliada criticando a ação da Polícia Federal e classificando-a de ação política.

Na Câmara dos Deputados, lideranças oposicionistas manifestaram apoio à ação da Polícia Federal de hoje (4), como a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já os governistas defenderam o posicionamento de que a nova etapa comprova o aspecto político da operação.

O PSB divulgou nota em que reafirma a “sua postura crítica em relação ao governo federal”. O partido reiterou sua intenção em “marchar em definitivo para a oposição a este governo”, segundo nota assinada pelo presidente do partido, Carlos Siqueira, para quem a mudança deverá ser aprovada pela Executiva Nacional.

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) disse que esta sexta é um “dia histórico” que representará o “renascimento da República Brasileira”, com o Brasil mostrando ao mundo que “ninguém está acima da lei em nosso país”.
Também por meio de nota, o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), defendeu a mobilização da oposição para votar o impeachment no Congresso Nacional, e conclamou a população a sair às ruas para se posicionar em defesa da investigação da Operação Lava Jato.

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), disse que a nova fase da Lava Jato trouxe à luz “a existência de uma organização criminosa”, o que, segundo ele, representa “o começo do fim desse projeto”. Para ele, há reforço tanto o processo de impeachment da presidente Dilma em discussão na Câmara, como nas ações que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral, que apuram o financiamento da campanha da presidenta à reeleição.

Vice-presidente nacional do PSDB, Carlos Sampaio (SP) disse que Lula “sempre foi o maior responsável por esses anos todos de corrupção” e que agora chegou a hora dele prestar contas à Justiça. O ex-líder da oposição na Câmara dos Deputados, Bruno Araújo (PSDB-PE) defendeu a retomada do processo de impeachment da presidenta Dilma na Câmara, antes mesmo de o Supremo Tribunal Federal concluir sua avaliação sobre o caso.

Mais cedo, o líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (PT-BA), disse que a condução de Lula para prestar depoimento confirma que a Lava Jato é uma operação política e ilegal. “Ilegal porque o ex-presidente Lula prestou depoimento sucessivas vezes e não há nenhuma pista e nem prova contra ele”.

O petista avalia que existe uma ação politicamente coordenada com a oposição porque a tese do impeachment da presidente Dilma Rousseff teria perdido força. “Estaremos em vigília em todos os estados durante o dia e tomaremos um conjunto de iniciativas para defender a democracia e o presidente Lula”, adiantou.

Deputados e senadores do PT foram a São Paulo para uma reunião no Diretório Nacional com o presidente da legenda, Rui Falcão. A ideia é discutir o cenário político diante da repercussão da suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e para prestar solidariedade ao ex-presidente Lula. Uma das maiores preocupações no partido, neste momento, é mobilizar a militância em defesa do ex-presidente e da presidenta Dilma Rousseff.

"Não precisava levar uma coerção. Era só ter comunicado", diz Lula na sede do PT



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse há pouco que jamais se recusou a dar depoimentos à Polícia Federal nas investigações da Operação Lava Jato. "A minha bronca é com o MP Estadual [Ministério Público Estadual]. Não precisaria levar uma coerção à minha casa, dos meus filhos. Não precisava, era só ter me comunicado. Antes dele, já fazíamos a coisa correta nesse país.

A gente já lutava para fazer a coisa certa nesse país. Lamentavelmente preferiam usar a prepotência, a arrogância, o show de pirotecnia. É lamentável que uma parte do Judiciário esteja trabalhando com a imprensa", disse em entrevista coletiva, na sede do PT, em São Paulo. O ex-presidente depôs hoje (4) por cerca de três horas no escritório da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, zona sul paulistana. Depois do depoimento, o ex-presidente foi para a sede nacional do PT. A PF deflagrou hoje a 24ª fase da Lava Jato. 

Lula foi levado de sua casa, em São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC, sob um mandado de condução coercitiva, para o aeroporto. De acordo com o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), foram abordados diversos assuntos durante o depoimento, como as palestras que o ex-presidente concedeu após deixar o Palácio do Planalto e a ligação com um sítio em Atibaia, no interior paulista.

Além da condução coercitiva, foram expedidos mandados de busca em diversos endereços do ex-presidente, como parte da 24ª fase da Operação Lava Jato. Segundo o procurador da República, Carlos Fernando Lima, da Operação Lava Jato, há indícios de que Lula recebeu pagamentos, seja em dinheiro, presentes ou benfeitorias em imóveis das maiores empreiteiras investigadas na operação policial. De acordo com o procurador, foram cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões em palestras de empresas que também financiaram benfeitorias do sítio em Atibaia e de um apartamento tríplex no Guarujá.

"Não devo e não temo", diz Lula a militantes do PT



O ex-presidente Luiz Luiz Inácio da Lula disse hoje (4) que não teme a investigação da Polícia Federal. "Eu já prestei vários depoimentos. Eu suspendi minhas férias para ir a Brasília prestar depoimento. Porque não devo e não temo. O que vale mais é um show midiático do que uma apuração séria", disse o ex- presidente a militantes, na sede do PT em São Paulo, em vídeo divulgado na internet. A Polícia Federal deflagrou hoje a 24ª fase da Lava Jato. O ex-presidente faz um pronunciamento neste momento na sede do PT. 

Lula depôs por cerca de três horas no escritório da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, zona sul paulistana. Depois do depoimento, o ex-presidente foi para a sede nacional do PT.

Lula foi levado de sua casa, em São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC, sob um mandado de condução coercitiva, para o aeroporto. De acordo com o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), foram abordados diversos assuntos durante o depoimento, como as palestras que o ex-presidente concedeu após deixar o Palácio do Planalto e a ligação com um sítio em Atibaia, no interior paulista.

Além da condução coercitiva, foram expedidos mandados de busca em diversos endereços do ex-presidente, como parte da 24ª fase da Operação Lava Jato. Segundo o procurador da República, Carlos Fernando Lima, há indícios de que Lula recebeu pagamentos, seja em dinheiro, presentes ou benfeitorias em imóveis das maiores empreiteiras investigadas na operação policial. De acordo com o procurador, foram cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões em palestras de empresas que também financiaram benfeitorias do sítio em Atibaia e de um apartamento tríplex no Guarujá.

Em frente ao local onde Lula prestava depoimento, houve confusão após a chegada de um grupo de militantes do PT e da Central de Movimentos Populares que trocaram agressões e ofensas com manifestantes que criticavam o ex-presidente. Também houve tumulto no saguão do aeroporto. Além de xingamentos e agressões verbais, houve empurrões e bandeiradas. Ninguém ficou ferido.

Gilberto Carvalho critica condução da PF e do Ministério Público na Lava Jato



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu durante toda a tarde na sede do Diretório Nacional do PT, no centro da cidade de São Paulo, para onde  se dirigiu logo após depor, sob condução coercitiva, no Aeroporto de Congonhas, na 24ª fase da Operação Lava Jato. Lula chegou ao local em um carro preto e entrou no prédio pela garagem.

Desde cedo, dirigentes do partido chegam ao Diretório, onde, daqui a pouco, às 14h, o presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-presidente darão entrevista.

Do lado de fora do prédio, militantes manifestam-se em solidariedade a Lula, gritando frases como “Lula, guerreiro do povo brasileiro” e “Não vai ter golpe”.
Ao chegar, o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho,  criticou a conduta do Ministério Público Federal e da Polícia Federal nas investigações. “Não sabemos a podridão que estão sendo as delações premiadas, que vão apenas para um lado”, disse Gilberto Carvalho.

“Eu chamo a atenção para o fato de que as empreiteiras doaram para todo mundo, mas isso só vale, quando é contra o PT”, afirmou o ex-ministro. “Essa poeira ainda vai baixar, e quem sairá desmoralizado não será o Lula”, afirmou Gilberto Carvalho.

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