sexta-feira, 4 de março de 2016

Rui Falcão: operação contra Lula é política, midiática e policialesca



O presidente do PT, Rui Falcão, classificou a ação da Polícia Federal (PF) deflagrada hoje (4) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma “operação política, midiática e policialesca”. Ele conclamou a militância petista a fazer “mobilização e vigilância” em apoio ao ex-presidente e sua família, em vídeo divulgado na página do PT no Facebook. Além de mandados de busca em endereços do ex-presidente e de sua família, a Operação Aletheia cumpriu mandado de condução coercitiva para Lula, que presta depoimento, desde as 8h, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

“Estamos fazendo conclamação à militância, neste momento grave em que se monta uma operação política, um espetáculo midiático em torno do presidente Lula e da sua família, para que todos os diretórios em seus estados entrem em vigília aguardando o desdobramento do depoimento do ex-presidente, que está sendo feito neste momento e, em seguida, haverá uma orientação nacional para cada um dos nossos militantes. O momento é de reflexão, de mobilização e de vigília e essa é a orientação que passamos para todos os diretórios estaduais do PT”, disse Falcão.

Segundo o presidente do PT, a Central Única dos Trabalhadores está dando a mesmo orientação para seus militantes.

“Estamos reunindo os nossos deputados e senadores aqui em São Paulo, em solidariedade ao presidente Lula, e aguardando o desdobramento dessa operação midiática, policialesca sem nenhuma necessidade. Todas as vezes que o presidente Lula foi convocado a depor, ele o fez. Então é um espetáculo político que mostra o verdadeiro caráter dessa operação: não se trata de combater a corrupção, mas simplesmente de atingir o PT, o presidente Lula e o governo da presidenta Dilma”, concluiu Falcão.

Vicentinho
O deputado federal Paulo Vicente da Silva (SP), o Vicentinho, atribuiu hoje (4) a uma manobra política a deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato. “Eles mentem quando disseram que fizeram aquilo para proteger o Lula [levá-lo para depor em Congonhas], quando disseram que não tem ingrediente político. Está claro desde o vazamento seletivo [da suposta delação de Delcídio do Amaral, publicada ontem na imprensa] até a coersão do presidente [Lula]”, disse ele no Diretório Regional do Partido de São Paulo. No local, estão reunidos vários dirigentes do partido, entre eles, o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, além de militantes da legenda.

As ações da 24ª fase da Operação Lava Jato estão sendo cumpridas hoje nos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia. O nome Aletheia vem do grego e significa a busca pela verdade. A operação inclui buscas em Guarujá, Diadema, Santo André, Manduri e Atibaia. A casa do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo, em São Paulo, e o Instituto Lula também são alvos da operação.

Imprensa dos Estados Unidos repercute ação da PF que tem Lula como alvo



A imprensa norte-americana repercute hoje (4) a nova fase da Operação Lava Jato, realizada hoje (4) no Brasil, e que resultou na condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As páginas dos jornais na internet destacaram que operação se deve a investigação de corrupção na Petrobras.

O New York Times publica que ex-presidente está sendo interrogado pela polícia, que investiga “um esquema de corrupção colossal envolvendo a Petrobras, a empresa nacional de petróleo”.

The Washington Post informa que as autoridades brasileiras estão interrogando o ex-presidente e fazendo buscas “em sua casa como parte do caso de corrupção que atinge a gigante do petróleo Petrobras”.

O Los Angeles Times diz que a operação constitui “um dos desenvolvimentos mais dramáticos do caso de corrupção que atinge a gigante do petróleo Petrobras”.

Já Miami Herald publica uma foto de Lula e destaca que a polícia fez buscas em endereços relacionados com o ex-presidente, incluindo o Instituto Lula, sua organização sem fins lucrativos.

O Wall Street Journal informou, em sua edição online, que a condução coercitiva do ex-presidente Lula, para depoimento, "aprofunda uma crise política que ameaça engolir partidários e adversários do governo". O jornal acrescenta que a investigação apura a suspeita de que o ex-presidente obteve benefícios relacionados com a reforma de apartamento tríplex e um sítio, no interior de São Paulo. Os benefícios teriam sido concedidos por construtoras investigadas pela Operação Lava Jato.

Manifestantes entram em confronto em frente ao prédio de Lula em São Bernardo



Militantes contrários e favoráveis ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram em confronto na cidade de São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, em frente ao prédio do ex-presidente, onde a Polícia Federal faz buscas desde o início da manhã de hoje (4). Três pessoas foram detidas pela Polícia Militar: uma por tentativa de lesão, outra por resistência e uma terceira por xingamento de racismo. Elas foram levadas para o 1º Departamento de Polícia. Ao menos um homem foi ferido, na cabeça.

A Avenida Francisco Prestes Maia, endereço de Lula, foi interditada em ambos os sentidos. PM montou um cordão para separar os grupos rivais, que trocam insultos e provocações. Manifestantes contrários a Lula gritam palavras de ordem como "Cadeia". Os militantes pró-Lula revidam com gritos de "Não vai ter golpe".

Em diversos momentos, militantes que conseguem furar o bloqueio partem para a agressão física. A polícia usa golpes de cassetete para apartar a confusão. A ação da PF faz parte da 24ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Aletheia. O objetivo é dar continuidade às investigações de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à Petrobras.

Do lado contrário ao ex-presidente, Zima Francisco Nascimento Filho, autônomo, diz que está indignado com o que ocorre no país. “Sou trabalhador, fui metalúrgico. Hoje, vejo o que está acontecendo aqui, um líder que nós confiávamos, e no partido que foi criado. O líder sindical que tivemos envolvido nessa lama de corrupção. Ele achava que estava acima da lei, que nunca isso fosse chegar nele.”

Em favor de Lula, o metalúrgico Paulo Ferreira Brasil destacou avanços da gestão de Lula. “Vim defender a maior liderança política desse país. O Brasil teve um crescimento importante e distribuição de renda. Eu tenho parentes no Nordeste, que hoje têm uma casinha para morar, graças ao governo do Lula. Há uma perseguição implacável e deplorável, nós não fomos tão perseguidos na Ditadura Militar como estamos sendo agora por setores da elite.”

Após sete meses de queda, produção industrial inicia 2016 com crescimento




A produção industrial brasileira cresceu 0,4% em janeiro em relação a dezembro de 2015, na série livre de influenciais sazonais, interrompendo um período de sete meses de quedas consecutivas, quando acumulou perdas de 8,7%. Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Brasil (PIM-PF), divulgada hoje (4).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados da pesquisa indicam que, quando comparada a janeiro de 2015, a indústria, no entanto, caiu 13,8%, a vigésima terceira taxa negativa consecutiva e a mais intensa desde os -14,1% de abril de 2009.

Já a queda de 9% no resultado acumulado nos últimos doze meses (a taxa anualizada) foi a mais intensa desde novembro de 2009, mantendo uma trajetória descendente iniciada em março de 2014 (2,1%).

Segundo o IBGE, o setor industrial, em janeiro de 2016, "volta a mostrar um quadro de maior ritmo produtivo, expresso não só no avanço de 0,4% na comparação com o mês imediatamente anterior, que interrompeu sete meses consecutivos de queda, mas também no predomínio de taxas positivas entre as grandes categorias econômicas e as atividades investigadas”.

Média global
O crescimento de 0,4% na atividade industrial reflete resultados positivos em três das quatro grandes categorias econômicas e em 15 dos 24 ramos pesquisados. Entre os setores, a principal influência positiva foi registrada por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com avanço de 2,8%, segunda taxa positiva consecutiva, acumulando expansão de 6,6%.

Entre os nove ramos que reduziram a produção, o desempenho de maior importância para a média global foi assinalado por indústrias extrativas, com queda de 2,7%, quarto resultado negativo consecutivo, acumulando redução de 15,2%.

Já entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação com o mês imediatamente anterior, bens de capital, ao avançar 1,3%, e bens intermediários (0,8%) mostraram as expansões mais acentuadas em janeiro de 2016. O setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis fechou janeiro de 2016 com crescimento de 0,3%, a terceira expansão consecutiva, com ganho acumulado de 0,8%. Já o segmento de bens de consumo duráveis (-2,4%) teve o único resultado negativo em janeiro, após avançar 8% em dezembro, quando interrompeu quatro meses consecutivos de redução na produção.

Ainda segundo a pesquisa do IBGE, os segmentos de bens de consumo duráveis (0,7%) e de bens de consumo semi e não duráveis (0,2%) assinalaram taxas positivas em janeiro, com o primeiro interrompendo 13 meses consecutivos de queda e o segundo voltando a crescer, após comportamento negativo desde julho de 2015.

Indústria
Apesar de ter fechado janeiro com crescimento de 0,4% sobre dezembro de 2015, a indústria brasileira encontra-se 19,2% abaixo do nível recorde – 5,7% - do parque fabril do país, registrado em junho de 2013. Os dados da Pesquisa Industrial Mensal indicam que, em janeiro, a produção recuperou apenas uma pequena parte da perda de 8,7% acumulada no período junho-dezembro de 2015.

Ainda na série com ajuste sazonal, permanecem os sinais de menor intensidade da atividade industrial, que ficam evidenciados na evolução do índice de média móvel trimestral, que fechou os três meses encerrados em janeiro de forma negativa (0,9%), quando comparada com a média móvel trimestral de dezembro de 2015. “Mesmo reduzindo o ritmo de queda nos últimos três meses, prossegue com a trajetória descendente iniciada em outubro de 2014”, ressaltou o IBGE.

O IBGE destaca, ainda, o fato de que, quando a comparação se dá com janeiro do ano passado (0,4% contra -13,8%), a produção industrial, em janeiro, permaneceu com queda na produção, atingindo o vigésimo terceiro resultado negativo consecutivo, “com predomínio de taxas negativas entre as grandes categorias econômicas e as atividades pesquisadas, e com claro destaque para os recuos vindos dos setores associados à produção de bens de capital e de bens de consumo duráveis”.

Queda de 13,8%
Mesmo tendo fechado dezembro com uma pequena expansão de 0,4%, o parque fabril do país acumula em janeiro deste ano, na comparação com janeiro de 2015, uma queda de 13,8%. A retração tem perfil generalizado de resultados negativos, alcançando as quatro grandes categorias econômicas, 23 dos 26 ramos, 70 dos 79 grupos e 77,9% dos 805 produtos pesquisados.

Entre as atividades, figuram veículos automotores, reboques e carrocerias (recuo 31,3%) e indústrias extrativas (-16,8%). No primeiro caso, exerceram as maiores influências negativas automóveis, caminhões, veículos para transporte de mercadorias e carrocerias para ônibus e caminhões e, no caso da indústria extrativa, minérios de ferro e óleos brutos de petróleo. Ainda na comparação com janeiro de 2015, produtos do fumo (21,5%) e celulose, papel e produtos de papel (1%) foram as duas atividades que aumentaram a produção.

Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, bens de capital (-35,9%) e bens de consumo duráveis (-28,2%) assinalaram, em janeiro de 2016, as reduções mais acentuadas entre as grandes categorias econômicas. Os setores produtores de bens intermediários (-11,9%%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-7,2%) também mostraram resultados negativos, mas ambos com recuos abaixo da média nacional (-13,8%).

Para Instituto Lula, ação da PF foi violenta e agrediu Estado de Direito




Para o Instituto Lula, a ação da Polícia Federal deflagrada hoje (4) foi uma ação “violenta”, com o objetivo de provocar “constrangimento público” ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de mandados de busca em diversos endereços do ex-presidente, a Operação Aletheia cumpriu mandado de condução coercitiva para Lula, que presta depoimento, desde às 8h da manhã, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

“A violência praticada hoje contra o ex-presidente Lula e sua família, contra o Instituto Lula, a ex-deputada Clara Ant e outros cidadãos ligados ao ex-presidente, é uma agressão ao estado de direito que atinge toda sociedade brasileira. A ação da chamada Força Tarefa da Lava Jato é arbitrária, ilegal, e injustificável, além de constituir grave afronta ao Supremo Tribunal Federal”, diz trecho da extensa nota. “É uma violência contra a cidadania e contra o povo brasileiro, que reconhece em Lula o líder que uniu o Brasil e promoveu a maior ascensão social de nossa história”, diz a nota do instituto.

Para o instituto, as ações de hoje foram precipitadas e a Operação Lava Jato “cometeu uma grava afronta” ao Supremo Tribunal Federal, já que agiu antes que as liminares pedidas pelo ex-presidente fossem julgadas pelo órgão. Na terça-feira (1), advogados do ex-presidente protocolaram no STF uma manifestação sobre as informações espontaneamente prestadas na Operação Lava Jato. Os advogados do ex-presidente Lula pediram à ministra Rosa Weber que apreciasse o pedido de liminar, que tem por objetivo suspender os procedimentos investigatórios sobre o apartamento tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia, até que o STF defina quem terá competência para julgar Lula: se o Ministério Público Federal ou o Ministério Público Estadual de São Paulo.

“A defesa do ex-presidente Lula peticionou ao STF para que decida o conflito de atribuições entre o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal (Força Tarefa), para apontar a quem cabe investigar os fatos, que são os mesmos. Solicitou também medida liminar suspendendo os procedimentos paralelos até que se decida a competência conforme a lei. Ao precipitar-se em ações invasivas e coercitivas nesta manhã, antes de uma decisão sobre estes pedidos, a chamada Força Tarefa cometeu grave afronta à mais alta Corte do país, afronta que se estende a todas as instituições republicanas.

As ações da Operação Lava Jato estão sendo cumpridas hoje nos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia. O nome Aletheia vem do grego e significa a busca pela verdade. A operação inclui buscas em Guarujá, Diadema, Santo André, Manduri e Atibaia. A casa do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo, em São Paulo, e o Instituto Lula também são alvos da operação.

Para o instituto, não é justificável levar o ex-presidente para depor de forma coercitiva, uma vez que ele sempre colaborou com a Justiça. “Nada justifica um mandado de condução coercitiva contra um ex-presidente que colabora com a Justiça espontaneamente ou sempre que convidado. Nos últimos meses, Lula prestou informações e depoimentos em quatro inquéritos, inclusive no âmbito da Operação Lava Jato. Dezenas de testemunhas foram ouvidas sobre estes fatos alegados pela Força tarefa, em depoimentos previamente marcados”.

O instituto também reclamou da quebra de seus sigilos bancário e fiscal, alegando que a Operação Lava Jato já recebeu todas as informações referentes a suas contas, e das quebras de sigilo bancário e fiscal do ex-presidente. “Nada justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Lula, pois este sigilo já foi quebrado, compartilhado com o Ministério Público Federal e vazado ilegalmente para a imprensa – este sim um crime que não mereceu a devida atenção do Ministério Público”, diz a nota.

Segundo o instituto, Lula não deveria ser levado a depor sobre um apartamento, o tríplex no Guarujá, e um sítio, em Atibaia, que não são dele. “Além de esclarecer a situação do apartamento em nota pública – na qual chegou a expor sua declaração de bens – e em informações prestadas por escrito ao Ministério Público de São Paulo, o ex-presidente prestou esclarecimentos sobre o sítio de Atibaia em ação perante o Supremo Tribunal Federal, que também é de conhecimento público”.

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