Por Graça Taguti
Ah,
quantos de nós temos coragem de traduzir em palavras as explosões de afeto,
fúria ou ódio, claramente estampadas em nossos olhos. Quantos de nós se
escondem atrás dos véus da conveniência, ardilosas maquiagens, máscaras de
bem-se-relacionar no cotidiano, guardando tudo o que nos ameaça ou fragiliza no
quarto escuro de emoções cansadas, amassadas e contraditórias.
Francamente.
Quase não há espaço para o amor e a ternura se acomodarem junto ao medo, a
insegurança e a frieza, pois o quarto é diminuto — do tamanho de uma solitária
prisional. Nele se empilham sentimentos opostos, paradoxos da alma.
A
dor e a ternura se acotovelam, exaustas. Durante os dias inteiros de nossa
existência, esses, dentre tantos outros sentimentos aglomerados no escuro e
sujo cubículo, se empurram, pisoteiam, à cata de algumas moléculas de oxigênio
que tragam um pouco de paz e conforto aos nossos conturbados corações.
