Por Maria Inês Nassif, no site do Jornal GGN
Pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Opinião Pública (NEOP) da Fundação Perseu Abramo, de 20 de abril a 6 de maio deste ano – portanto antes das manifestações de rua que tomaram todo o país no mês de junho – mostram um sentimento difuso de simpatia à reforma política. Teoricamente, 75% consideram a reforma muito importante – que, junto aos 14,1% que a consideram mais ou menos importante, somam a esmagadora parcela de 89,1% a favor da reforma política. O que ela vem a ser, todavia, acaba sendo o produto de outra soma, a de desconfiança na política e na relação dos políticos com o setor privado.
Se o plebiscito tivesse ocorrido quando a pesquisa foi feita, o financiamento de campanha continuaria misto (público e privado), mas as empresas seriam proibidas de contribuir para a eleição dos candidatos; o voto seria proporcional e nominal, tal como é hoje, mas as coligações para eleger candidatos e vereadores seriam proibidas. Mais do que isso: se fossem consultados, esses brasileiros teriam preferido a Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para a reforma política do que o plebiscito.