O Ministério da Saúde vai reduzir de 21 para 18 anos a idade mínima para que um transexual possa fazer cirurgia de mudança de sexo na rede pública e de 18 para 16 a idade para início do tratamento hormonal e psicológico. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a rede pública também passará a pagar a operação de troca de sexo feminino para masculino - o que ainda não era contemplado. A portaria, que será publicada nesta semana no Diário Oficial da União, vai incluir o pagamento de cirurgias para retirada de mamas, útero e ovários, além da terapia hormonal para crescimento do clitóris. O investimento inicial será de R$ 390 mil por ano. A cirurgia para construção do pênis (neofaloplastia) não será paga, pois a técnica ainda é considerada experimental pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Viúva de suspeito morto em Boston se torna testemunha chave
Tamerlan Tsarnaev, o jovem de origem chechena suspeito pelos atentados na Maratona de Boston no dia 15 de abril e morto após perseguição policial dias depois, deixou mulher e filha americanas. Katherine Russell era uma estudante de 21 anos quando abandonou a faculdade, se casou e engravidou. Ela agora é testumunha chave na investigação que tenta determinar as motivações que podem ter levado os irmãos Tsarnaev ao posto de principais suspeitos pelo ataque.
Políticos desqualificados e militantes desmotivados.
Debate
bate papo no facebook, fórum do grupo Consciência Política Razão Social em 18 Janeiro de 2012
Aline Yasmin Eu
fico me perguntando o motivo de tanta desqualificação nos quadros políticos do
nosso país. É possível chegar a algumas conclusões, mas o que é pior delas é o
círculo vicioso que nos embola, num ciclo infinito. Realmente para os poucos
sérios, ter que abrigar companheiros partidários que estão continuamente em
discursos politiqueiros, não deve ser fácil. Isso nos leva a impedir ou
intimidar pessoas comprometidas que poderiam se engajar e participar de
movimentos políticos, representando suas categorias, de forma realmente
colaborativa. A questão não é ser absolutamente técnico, nem apartidário, mas
não é possível que um puxa saco profissional seja decisor em nossas vidas, sem
qualquer conhecimento de causa. Outro dia ouvi de um amigo com uma inclinação política
(dessa mesma, verdadeira, filosófica idealista) alegar que não poderia se
candidatar porque não tem dinheiro pra participar do processo e do jogo. O
outro motivo seria não ter um histórico de militância (de coisa nenhuma)
partidária, ainda que atuante em seu meio. Aí, imagino a busca por quadros
qualificados nos partidos ficamos reféns de negociatas e outros jogos que
definem nossa vida. E isso é sério amigos, quando definimos nossos políticos
(ou não definimos) é o nosso cotidiano que está em jogo. Então, vamos fazer
militância sim, de verdade, assumindo o risco do discurso, ainda que esse
des-conformismo nos tire de instâncias privilegiadas (porque temos medo das
retaliações no estado da paupéria). E mais ainda - vamos unificar essas
eleições pares que não tenhamos somente um ano de gestão executiva enquanto nos
outros temos joguinhos camuflados para garantir uma (re) eleição. Você se
lembra em quem votou nas últimas eleições.
O Fogo Que Nos Transforma
Por Rubem
Alves
Como o milho
duro, que vira pipoca macia, só mudamos para melhor quando passamos pelo fogo:
as provações da vida.
A
transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação
por que devem passar os homens, para que eles venham a ser o que devem ser.
O milho da
pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, mas que, pelo
poder do fogo, podemos, repentinamente, voltar a ser crianças!
Mas a
transformação só acontece pelo poder do fogo. O milho de pipoca que não passa
pelo fogo, continua a ser milho de pipoca.
Assim acontece
com a gente.
As grandes
transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa
pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
O fogo é
quando a vida nos lança em uma situação que nunca imaginamos.
Pode ser fogo
de fora: perder um amor, perder um filho,ficar doente, perder um emprego, ficar
pobre.
FBI: Depoimento do suspeito dos ataques em Boston
divulgada na pelo FBI Foto: FBI / Reuters |
A imprensa americana informou nesta segunda-feira que agentes do
FBI (a polícia federal americana) começaram a interrogar Dzhokhar Tsarnaev, o
único sobrevivente entre os dois suspeitos do ataque na maratona de Boston em
15 de abril. De acordo com o Departamento de Justiça, Tsarnaev, 19 anos, foi
indiciado pelo uso, resultando em mortes, de uma arma destinada a causar mortes
em massa. Caso seja condenado por esse crime, o jovem pode ser sentenciado à
pena de morte.
Tsarnaev
foi capturado na noite de sexta-feira após ter sido encontrado escondido em um
barco guardado em um quintal na cidade de Watertown, perto de Boston. O
adolescente teria sido baleado várias vezes e, depois de ser capturado, foi levado
para o hospital Beth Israel Deaconess em Boston, onde está sob vigilância de
policiais armados.
Quando o fogo arde na carne de um brasileiro invisível.

A barbárie é
hoje. E não estou falando do massacre de Realengo ou de outros casos que têm
sido noticiados de crianças e adolescentes com armas nas escolas. Isso tudo é muito
óbvio, ainda que igualmente bárbaro. Falo da barbárie que grita em
silêncio. Ou melhor: da barbárie que grita bem alto, mas nossos ouvidos estão
tampados por mãos alheias, e ouvir o grito desesperado é difícil.
As mãos que
tapam nossos ouvidos estão nas extremidades de tentáculos múltiplos, os
tentáculos dos conglomerados de mídia, que impedem a democratização da
comunicação, a pluralidade de informações e enfoques, o direito à expressão.
Nesse silêncio imposto, pouco podemos falar e menos ainda podemos ouvir. A
sociedade está coberta por um grande tampão criado pelo domínio da comunicação
por meia dúzia de famílias. Famílias essas aliadas às elites econômicas e
políticas nacionais e internacionais, que brigam diariamente para ter apenas
para elas o direito à voz e o poder de decisão sobre o que os brasileiros
podem escutar.
Como pode ser
ouvido, então, alguém que não pode nem morar? Alguém descartado pela sociedade,
alguém para quem todos viram o rosto, alguém que os outros não querem enxergar,
quanto mais ouvir. Como um morador de rua pode se fazer ouvir? Marginalizado
pela vida, criminalizado pelo medo da morte, animalizado pela janela do carro
fechada.
Quem mora na
rua não mora, vaga. Ou mora no mundo, se o leitor preferir poesia pobre. Quem
mora na rua não existe, se o leitor preferir a versão da mídia dominante.
Imagine a si mesmo andando na rua pela madrugada, ou melhor, voltando na rua
pela madrugada, aos tropeços, depois de uma noite na mesa do teu bar preferido,
talvez com bons amigos, talvez com aquela mulher perfumada. Mesmo com o teu
hálito de cachaça ela gostou de ti, e tu voltas contente, mas cansado. Sentas
dois minutos para descansar, e alguém põe fogo em ti. Depois daquela mulher te
incendiar de forma figurada (quase que não só) agora alguém te incendiou de
verdade, e saiu correndo e rindo. Tu tens 80% do teu corpo queimado.
No outro dia,
todos os jornais põe o teu caso na capa. A repercussão é enorme, a comoção
popular também. Os dias se sucedem com enxurradas de reportagens sobre o que
aconteceu, os responsáveis são severamente punidos, a população, em polvorosa,
tenta o linchamento. A mídia pergunta o que falta acontecer nesse país de
merda, clama por mais policiais nas ruas, mais armas, mais tudo. A classe média
foi atingida, está acuada, é o caos, é a barbárie.
Mas e se o
incendiado foi um morador de rua? A Agência Estado escreve uma nota com dois
parágrafos sobre o assunto, alguns portais reproduzem a nota, com uma ou outra
variação vocabular. Sidmar Xavier Miranda, de 35 anos, morador do mundo,
desmorador, foi incendiado na madrugada desta quinta-feira em Uberlândia, Minas
Gerais. Teve 80% do corpo queimado. E o silêncio de dois parágrafos tenta tapar
nossos ouvidos, que queimam. Alguém está falando de nós, mesmo que sejam apenas
dois parágrafos e mesmo que não percebamos que é de nós que eles falam.
Titulo
original: Todos os fogos o fogo – queimam nossos ouvidos | Origem
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