sexta-feira, 30 de novembro de 2012

STF deu o golpe e assumiu o poder



Por Rui Martins - Berna
A mais recente tentativa de golpe pelo STF foi no julgamento do italiano Cesare Battisti, ameaçado de extradição a pedido do governo Berlusconi. Num artigo publicado na época, alertei quanto à tentativa de golpe pelo STF. O objetivo do Supremo, presidido então por Gilmar Mendes, era o retirar do presidente Lula o direito, que lhe era garantido pela Constituição, de decidir se Battisti seria ou não enviado ao governo italiano.

Antes disso houve, e o ex-ministro da Justiça,  Tarso Genro, denunciou diversas vezes, a inconstitucionalidade da decisão tomada pelo STF, ultrapassando seus poderes, de ignorar a decisão do ministro da Justiça negando expatriar Cesare Battisti. Gilmar Mendes e Peluso tudo fizeram para expatriar Battisti, julgando-se mais competentes na matéria que o Ministério da Justiça e, atingido esse objetivo, queriam se sobrepor ao direito do presidente Lula dar a última palavra. Essa tentativa de somar mais poder e desmoralizar o presidente se frustrou e Lula deu acolha ao italiano, que tinha passado mais de dois anos ilegalmente preso.

Porém ficou evidente - o STF era incompetente na questão Battisti, seu longo julgamento deve ser considerado nulo e desnecessário, pois a questão já havia sido resolvida pelo ministro da Justiça. Em todo caso, desrespeitando o princípio constitucional da equiparação dos Poderes, o STF decidiu por maioria de um voto pela extradição de Battisti sem dispor de provas, optando pela versão unilateral do governo italiano. Não me lembro qual foi a posição do ministro Joaquim Barbosa quanto a Battisti, mas me parece não ter votado por estar em licença por doença.

O jurista Carlos Lungarzo, que publica nos próximos dias um livro sobre o caso Battisti, demonstrou com base em documentos europeus a inconsistência dos argumentos italianos contra Battisti e a leviandade de ministros do STF em condenar sem provas o italiano à extradição. Mas nessa primeira tentativa do STF se sobrepor ao Executivo, um precedente foi criado - a última instância judiciária do país, em desrespeito ao princípio básico de Direito, de que não pode haver pena sem prova de crime ou delito, criou a perigosa jurisprudência de que se pode condenar sem provas concludentes.

Tal procedimento lembra os do Tribunal Especial na França ocupada e que consistia em dar a aparência de julgamentos legais a condenações pré-decididas pelo governo de Vichy contra personalidades francesas contrárias à Ocupação nazista. Uma constante é a de que toda vez que o Judiciário se prestou a maquiar perseguições políticas como julgamentos legais foi em obediência a ditaduras de direita ou de esquerda. Ora, no Brasil, ocorre uma diferença fundamental - a última instância do Judiciário assumiu autonomia própria e age inclusive contra o governo, com o intuito de desmoralizá-lo e de assumir suas prerrogativas e seu poder, para confiná-lo apenas na governança.

O exemplo mais recente de golpe legal, é o do ocorrido no Paraguai, onde o Parlamento, interpretando à sua maneira um texto da Constituição, decretou o impeachment do presidente eleito pelo povo, derrubou-o e passou o poder ao vice-presidente. Ou seja, o Legislativo, contanto com a complacência do Judiciário, deu o golpe no Executivo.
Agora no Brasil, a condenação do principal articulador do governo petista, José Dirceu, visa diretamente o governo e o PT, e é um recado claro do STF de que assume o poder, mesmo se seus ministros-juizes não foram eleitos pelo povo. A partir de agora, todas as questões importantes do governo poderão ser decididas pelo STF e não pela presidenta Dilma e isso pode implicar até na privatização de estatais, como a cobiçada Petrobras, como no impeachment de governadores, prefeitos e até numa inelegibilidade do ex-presidente Lula.

Outro aspecto importante na condenação de José Dirceu está na exigência de ser colocado em cela comum, desobedecendo-se outro preceito legal, que beneficia com tratamento diferente a todos os universitários e ao qual Dirceu teria direito como bacharel em Direito. Essa exceção reforça a suspeita de não se tratar de um julgamento equitável, mas de um ajuste de contas, alguma coisa parecida com vingança ou revanchismo de perdedores.

Por que tanto ódio contra José Dirceu ? Não pertenço ao PT e me sinto à vontade para comentar. Mesmo se muitos petistas fundadores deixaram o partido por divergir das concessões feitas pelo governo Lula, não se pode negar ter sido Dirceu o principal articulador da eleição de Lula para a presidência. Além disso, foi um resistente contra a ditadura militar. E, embora acusado sem provas mas por ilação como envolvido no episódio do Mensalão, não se tratava de enriquecimento pessoal.

Se nos reportarmos ao ano 2005, quando estourou o caso Mensalão, fica evidente que o alvo daquela campanha era o presidente Lula - o objetivo principal era o de se provocar um impeachment e derrubar Lula. Eu fazia a correção das provas do meu livro sobre Maluf (Dinheiro Sujo da Corrupção - Geração Editorial), e tive tempo de incluir um capítulo sobre o que considerei como um escândalo de excessivas proporções. Não se tratava de se justificar o ato de compra dos votos do parlamentares, mas de uma observação realista.

E eu citava, como costumo citar, o exemplo suíço, país considerado dos mais honestos, onde existe uma versão legal de um tipo de mensalão. Todo deputado ou senador eleito recebe imediatamente o convite das grandes empresas suíças, desde bancos a laboratórios farmaceuticos, para ser vice-presidente do conselho de administração. O objetivo é o de evitar leis que prejudiquem tais bancos ou empresas e o de criar leis que os beneficiem. Trata-se de uma compra indireta dos votos dos parlamentares, que poderia também ser considerada como lobby, mas que implica no pagamento de um salário mensal ao parlamentar.
O então presidente do equivalente à nossa Câmara Federal, Peter Hess, era em 2005, vice-presidente de 42 conselhos de administração de empresas suíças, o que lhe garantia mais de 400 mil dólares mensais. E isso sem qualquer escândalo.
A diferença é que, na Suíça, não é um partido que compra o voto de parlamentares mais ou menos honestos, porém as empresas privadas. O fato de na Suíça haver uma versão local de mensalão não justifica essa prática, mas pode lhe dar a verdadeira dimensão.
É evidente que, no Brasil, não se condena o Mensalão como prática desonesta, trata-se de um jogada política para se desmoralizar os petistas, que acabou não surtindo efeito nas eleições (por que diabo o STF escolheu a época das eleições para julgar o Mensalão?), mesmo porque dizem ter havido compra de votos na emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC. Iria o STF julgar agora, sem provas, também o FHC? Outro aspecto importante - estão condenando os chamados corruptores de parlamentares, mas não punem os parlamentares corruptos ?
E agora ? O STF deixou de interpretar as leis, de manter ou anular julgamento, para aplicar sentenças e mesmo acusados não parlamentares não tiveram direito a julgamentos normais em primeira e segunda instâncias. Deve-se aceitar a humilhação de José Dirceu e os riscos que correrá em prisão comum, quando dentro de dois anos a Suíça devolverá os milhões bloqueados de Maluf, por não ter havido condenação pelo STF ? Quando Pimenta Neves vive tranquilo em prisão domiciliar depois de ter matado a sangue frio a jornalista Sandra Gomide ?
Em termos de recursos, as possibilidades de se adiar a execução da pena de José Dirceu são mínimas. Que tribunal acima do STF poderá arguir da condenação sem prova formal ? E da inconstitucionalidade do Judiciário ultrapassando sua competência ? Só um Conselho Constitucional, caso existisse, como na França, onde leis e sentenças ou decisões judiciárias podem ser anuladas em caso de inconstitucionalidade.
Ou será que José Dirceu é culpado por ter contribuído à diminuição da desigualdade social no Brasil, à ascenção dos negros às escolas e universidades, à projeção do Brasil como sexta potência mundial ? ou de ter articulado a eleição à presidência de um operário quebrando a hegemonia das elites brasileiras ?
Talvez o Brasil ainda não tenha se curado dos repetitivos golpes e tentativas de golpe, constantes da história da República. Getúlio se matou porque havia movimento de tropas para derrubá-lo; Café Filho e Carlos Luz queriam invalidar a eleição de Juscelino e Jango; depois da renúncia de Jânio, Jango só assumiu com a criação do parlamentarismo, um golpe indireto para anular seu poder presidencial; mesmo assim, foi derrubado pelos militares para não concretizar as reformas de base; depois da ditadura militar corremos agora o risco de uma ditadura light ou soft ditada pelo STF ?
Em todos esses episódios, os golpes e tentativas visavam governos populistas ou reformistas interessados em dar mais direitos aos trabalhadores ou excluídos e restringir os privilégios da elite dominante.

Mantega diz que novas medidas de estímulo serão anunciadas na próxima semana


Apesar de considerar abaixo do esperado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou hoje (30) na capital paulista que está satisfeito com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,6% no terceiro trimestre, em comparação com os três meses anteriores, divulgado nessa manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, confirmou que novas medidas de estímulo estão sendo preparadas.
“A taxa não foi tudo aquilo que esperávamos, mas estamos na direção certa”, avaliou. Mantega anunciou que o governo federal, como forma de continuar estimulando a economia, tomará novas medidas de incentivo. Segundo ele, essas medidas serão no âmbito do financiamento. O anúncio oficial deve acontecer nos próximos dias. “Vamos deixar para a próxima semana”, disse.
Mantega salientou que a reação da economia brasileira durante os últimos trimestres reflete a recuperação de todos os setores econômicos. Porém, o crescimento do terceiro trimestre foi aquém do esperado. “Não foi tão alto quanto esperávamos. Nenhum analista previu um crescimento inferior a 1%”. Mantega referia-se às cerca de 40 consultorias que realizaram previsões a respeito do PIB.
De acordo com ele, o crescimento de 0,6% foi puxado pelo setor de agronegócios, que obteve crescimento de 2,5%. “Foi um bom resultado. Isso reflete que esse setor vai ter um recorde na produção de grãos”, avaliou.
A surpresa nos dados do IBGE, para o ministro, foi o desempenho do setor de serviços, que representa mais de 60% do PIB nacional. “A sua variação afeta o PIB e teve crescimento zero”, disse. Para o quarto trimestre, o ministro prevê um crescimento de 1% na economia e, para o próximo ano, o PIB deverá crescer 4%.
(Agência Brasil)

Divulgando Aloysio Biondi parte I


Pretendo fazer uma série de curtos textos divulgando parte do trabalho do Aloysio Biondi* 



Adianto que, caso haja entre os distintos leitores deste texto algum investidor, que não se empolgue, pois essa mamata foi anos atrás, e os espertos daquela época não perderam a oportunidade e hoje estão trilionários.

“Compre você também uma empresa pública, um banco, uma ferrovia, uma rodovia, um porto. O governo vende baratíssimo. Ou pode doar. Aproveitem a política de privatizações do governo brasileiro. “negócios da China” para os “compradores”, mas péssimos para o Brasil.” Escreveu Aloysio Biondi no seu livro - O Brasil privatizado Um balanço do desmonte do Estado.

Se o amigo leitor tiver um tempinho sugiro que pegue uma calculadora e faça as contas dos números que aparecerão na seqüência, não que você vá ganhar algo com isso, o máximo que poderá ganhar é uma sensação de ter sido roubado, mas vale o exercício para calcular quanto foi perdido.
Não que esse tenha sido o melhor negócio para aqueles que investiram na compra de empresas publicas, mas vamos começar pela telefonia.
Muito bem, antes de vender as empresas telefônicas, o governo investiu 21 bilhões de reais em dois anos e meio naquele setor.  O nosso representante máximo da época juntamente com seu ministro e sabe lá mais quem, concluíram que já estava na hora de sairmos daquela situação, onde, para os menos favorecidos a única forma de se comunicar via telefone era precariamente e através de orelhões públicos, pois comprar uma linha telefônica naquela época era privilégio para uma diminuta e afortunada parcela da população.
Depois do astronômico investimento de 21 bi, sabe-se lá por quais cargas d’água nosso senhorio resolveu vender tudo por uma “entrada” de 8,8 bilhões de reais ou menos – porque financiou metade da “entrada” para grupos brasileiros.
As empresas telefônicas realmente deixavam muito a desejar, eu tive o privilégio de estagiar numa delas, mais precisamente da Telest (Telecomunicações ES), e pude comprovar que a tecnologia era arcaica, se é que podemos chamar aquilo de tecnologia. Lembro da sala onde trabalhavam as telefonistas, com fones nos ouvidos e dezenas de cabos conectores nas mãos, ficava um amontoado de mulheres completando as ligações, não havia uma ligação feita naquela época que obrigatoriamente não passasse pelas mãos daquelas pobres mulheres.
E aí chegou a tecnologia, graças a aquele bendito investimento do governo federal. Eu que estava prestes a ser efetivado, completei o contrato de estágio e fui cantar em outra freguesia, aquelas mulheres da tal sala, muitas com mais de 20 anos de serviços prestados, foram colocadas em disponibilidade, mas essa não foi a parte ruim do investimento. Logo após as privatizações as coisas pioraram, irritada, tentando há 15 minutos utilizar um orelhão, Maria coloca o telefone no gancho e desabafa:

– Esse demônio só liga em número errado... É o terceiro orelhão com defeito em que estou tentando, e preciso falar urgente com meu filho, que vai sair para a escola...

– É, tá um inferno mesmo – retruca o Zé, no orelhão ao lado. – E olhe que já estou sendo forçado a vir fazer ligações no orelhão porque o telefone lá de casa está mudo há duas semanas...
E disseram que tudo ia melhorar com a tal privatização...
“Telefone instalado, já, já, até em São José da Tapera”.
Lembra do anúncio na televisão? Este país...
Diálogos igualmente indignados repetiram-se aos milhares, nas principais cidades brasileiras, nos últimos meses. Não apenas por causa das “telefônicas”, tristemente famosas, mas também em razão dos desastrosos “apagões” da Light, da Eletropaulo, do “raio de Bauru”... 
Ou dos postos de pedágios que brotaram como cogumelos nas rodovias de São Paulo, Paraná etc., antes mesmo de as empreiteiras “compradoras” terem executado um único centímetro de pista nova... Ou dos bancos, que fecham agências em cidades onde eram os únicos a atender à população... Ou das ferrovias, que não cumprem metas, mas aumentam os fretes... Ou dos fertilizantes, defensivos, remédios para o gado, antes produzidos no país e agora importados e, por isso mesmo, pagos em dólar pelos agricultores...
Todos esses desastres já criaram a convicção de que o famoso processo de privatização no Brasil está cheio de aberrações. Não foi feito para “beneficiar o consumidor”, a população, e sim levando em conta os interesses – e a busca de grandes lucros – dos grupos que “compraram” as estatais, sejam eles brasileiros ou multinacionais. Mas há mentiras ainda maiores a serem descobertas pelos brasileiros, destruindo os argumentos que o governo e os meios de comunicação utilizaram para privatizar as estatais a toque de caixa, a preços incrivelmente baixos.
A venda das estatais, segundo o governo, serviria para atrair dólares, reduzindo a dívida do Brasil com o resto do mundo – e “salvando” o real. E o dinheiro arrecadado com a venda serviria ainda, segundo o governo, para reduzir também a dívida interna, isto é, aqui dentro do país, do governo federal e dos estados. Aconteceu o contrário: as vendas foram um “negócio da China” e o governo “engoliu” dívidas de todos os tipos das estatais vendidas; isto é, a privatização acabou por aumentar a dívida interna. Ao mesmo tempo, as empresas multinacionais ou brasileiras que “compraram” as estatais não usaram capital próprio, dinheiro delas mesmas, mas, em vez disso, tomaram empréstimos lá fora para fechar os negócios. Assim, aumentaram a dívida externa do Brasil. É o que se pode demonstrar, na ponta do lápis, neste “balanço” das privatizações brasileiras, aceleradas a partir do governo Fernando Henrique Cardoso. 


Aloysio Biondi* - Jornalista econômico colaborou durante 44 anos com reportagens e análises para jornais e revistas. Começou na Folha de S. Paulo em 1956, ocupando o cargo de editor-executivo do caderno de Economia, que o jornal (já) mantinha na época. Ocupou os cargos de secretário de redação da Folha de S. Paulo e da Gazeta Mercantil. Foi diretor de redação do Jornal do Comércio (RJ) e do Diário Comércio & Indústria (SP). Também foi editor de economia das revistas Veja e Visão e editor de mercado de capitais (“pioneiro”, em 1969) de Veja e do jornal Correio da Manhã. Foi diretor editorial do grupo DCI/Shopping News. Ganhou dois Prêmio Esso de Jornalismo Econômico: 1967, revista Visão, e 1970, revista Veja. Faleceu em julho de 2000, na cidade de São Paulo.  



01 Dez 2012
Divulgando Aloysio Biondi Parte II. Ainda com pretensões de fazer uma série de curtos textos divulgando parte do trabalho do Aloysio Biondi*, passo para a parte II. Se na primeira parte o Biondi explicou no seu livro - O ...
04 Dez 2012
Divulgando Aloysio Biondi Parte III. Prosseguindo com a série de curtos textos divulgando parte da obra do Aloysio Biondi*, passo para a parte III. Na primeira parte do seu livro O Brasil privatizado, Um balanço do desmonte ...




Brasil defende fim dos assentamentos israelenses e criação de Estado Palestino



A representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), a embaixadora Maria Luiza Viotti, defendeu ontem (29) a criação de um Estado independente da Palestina com o compromisso da “autodeterminação e a uma paz justa e duradoura no Oriente Médio”. Viotti condenou a violência e cobrou o fim do bloqueio à Faixa de Gaza. Ela também recomendou a suspensão dos assentamentos israelenses em Gaza e Jerusalém Oriental.
“O Brasil dá seu firme apoio à aspiração legítima do povo palestino a um Estado soberano, independente, democrático, contíguo e viável, com base nas fronteiras de 1967, convivendo em paz e segurança com o Estado de Israel”, ressaltou a embaixadora. “Insistimos, igualmente, na necessidade de retirar o bloqueio à Gaza.”
Viotti lembrou que há 65 anos a Assembleia Geral das Nações Unidas, presidida pelo embaixador brasileiro Oswaldo Aranha, aprovou a criação de dois Estados independentes no Oriente Médio – o de Israel e o da Palestina. Mas até hoje, segundo ela, a questão referente à Palestina está em aberto e é “uma das maiores ameaças à paz e à segurança internacionais”.
A embaixadora condenou os assentamentos israelenses, promovidos com o apoio do governo de Israel, nas áreas próximas à Faixa de Gaza e em Jerusalém Oriental. “Essa prática ilegal permanece sendo um sério entrave à paz na região e à realização da solução de dois Estados. O congelamento da construção de colônias, não é, entretanto, suficiente. A ocupação deve acabar”, disse.
Viotti reiterou ainda que o Brasil rejeita a violência cometida contra civis, como recentemente ocorreu durante os confrontos entre israelenses e o Hamas, movimento de resistência islâmica que ocupa parte da Faixa de Gaza, provocando mais de 160 mortos. 
“O Brasil rejeita firmemente o extremismo e todas as formas de violência contra a população civil. Exortamos todos os atores a comprometer-se completamente com a não violência, com o diálogo e com negociações efetivas”, disse a embaixadora. “Todas as partes no conflito têm obrigações sob o direito humanitário internacional e devem cumpri-las.”
Para a embaixadora, o Quarteto (formado pelos Estados Unidos, União Europeia, Rússia e China) é inoperante e demonstrou sua ineficiência, na semana passada, durante os confrontos na Faixa de Gaza. Segundo Viotti, o Conselho de Segurança deve assumir a responsabilidade de comandar o processo de paz entre israelenses e Hamas.
“A promoção da paz no Oriente Médio interessa a todos os membros das Nações Unidas e não pode ser delegada a terceiros. Um quarteto inoperante e um Conselho de Segurança omisso não servem aos interesses da paz no Oriente Médio”, ressaltou a diplomata, elogiando a concessão do status de Estado observador para a Palestina. “Expressamos nossa grande satisfação com a demonstração inequívoca de apoio da comunidade internacional a essa solicitação.”
(Agência Brasil)

E-mails da ex-chefe da Presidência não complicam Lula, diz ministro


Em mensagens, Rosemary Noronha trata das nomeações dos irmãos Vieira


O ministro da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, disse nesta segunda-feira que e-mails da ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa Noronha, obtidos pela Polícia Federal, não comprometem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nas mensagens, que constam no inquérito da Operação Porto Seguro, Rosemary diz ter tratado das nomeações dos irmãos Vieira com Lula.

- Não tem nenhuma complicação para o presidente Lula - afirmou Gilberto, ao chegar ao Ministério da Previdência Social para uma reunião do conselho do Sesc.
Rosemary indicou os irmãos Paulo Vieira, para a Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Vieira, para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ambos foram afastados dos cargos, no último sábado, acusados de integrar a quadrilha que vendia pareceres de órgãos federais para atender interesses privados. O esquema fazia favores a Rosemary, como pagamento de cirurgia e de cruzeiro.
Gilberto negou ainda ter informado o ex-presidente da operação da Polícia Federal.

Documentos da ditadura revelam como aconteciam cassações de mandatos


Costa e Silva coordenava reuniões e, em caso de dúvida, decisão era contra o acusado

As atas das reuniões do Conselho de Segurança Nacional do governo militar registram detalhes de como se davam as cassações dos mandatos dos deputados e a suspensão de seus direitos políticos. No período mais duro da ditadura, após a edição do AI-5, em dezembro de 1968, essas reuniões eram coordenadas pelo então presidente, Costa e Silva. Os diálogos entre os integrantes do conselho, formado também pelos principais ministros do governo, demonstram que, na dúvida, a decisão era contra o acusado. Agora, a Câmara dos Deputados tomou a iniciativa de devolver simbolicamente o mandatos de 173 deputados cassados. Destes, 28 estão vivos.

A cassação de Israel Dias Novaes (Arena-SP), em janeiro de 1969, está expressa em uma dessas atas. Costa e Silva apresenta seu nome durante a reunião e o então ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho, pondera: "Há uma particularidade em relação a mim, que vai possivelmente ser o começo da minha ficha. Israel é o prefaciador do meu livro. Se ele for cassado, isso pode ser o começo da minha ficha".

Costa e Silva se interessa pelo livro de Passarinho: "Ele (o livro) vai ser editado? Sobre o que versa?". "É um romance" - responde Passarinho.

Costa e Silva, então, decide apenas cassar o mandato de Israel, já falecido, e não suspende seus direitos políticos.

Covas foi considerado comunista e líder entre agitadores

Mário Covas foi cassado em janeiro de 1969, e o procedimento para que ele perdesse o mandato está registrado nas atas. Costa e Silva disse que o conhecia pessoalmente, que simpatizava com ele, mas que se "excedeu demais". O então vice-presidente da República, Pedro Aleixo, citou um pronunciamento de Covas, então deputado do MDB, acusando-o de porta-voz de agitadores: "Embora seja muito inteligente, ele não tem capacidade literária para fazer discursos dessa natureza".

O ministro da Justiça, Gama e Silva, foi mais incisivo: "Posso dar meu testemunho, como homem de São Paulo, da ativa atuação comunista do senhor Mario Covas". O presidente ainda tentou aliviar a punição: propôs a cassação do mandato sem suspender os direitos políticos de Covas por dez anos. "Por ser religioso, desejo que não haja vingança pessoal. É um homem que ainda pode ser recuperado", apelou. Isolado, o marechal acabou aplicando a pena máxima a Mário Covas (MDB-SP): "É um homem que pode ser recuperado para a política nacional".

Outros casos relatados incluem o de Celso Gabriel Passos (MDB-MG), cassado em janeiro de 1969 e já falecido. Ele foi assim apresentado por Costa e Silva: "Esse deputado parece um bom rapaz. Moço ainda. Eu não o conheço pessoalmente. Ele tem uma ficha um pouco carregada. Vamos ouvi-la".

Ao decidir sobre a perda do mandato do deputado Padre Vieira (MDB-CE), já falecido, Costa e Silva argumentou: "Alguém vota a favor de Padre Vieira? Passemos a outro". Sobre Osmar de Aquino (MDB-PR), também já morto, o então presidente da ditadura comentou na reunião do conselho que tomou essa decisão: "É acusado de comunista. Os nortistas devem sabe quem é Osmar de Aquino, eu não o conheço. Alguém tem dúvidas sobre ele?".

Antônio de Almeida Magalhães (MDB-GO), entre os 28 vivos, foi cassado assim: "Alguém deseja ter conhecimento do conteúdo o processo? De uma maneira geral vamos cassar todos aqueles que são contra a revolução. É inimigo da revolução", concluiu Costa e Silva.

O ex-deputado João Herculino (MDB-MG), já falecido, também não escapou dos atos de exceção do regime militar: "Este homem, na minha opinião, poderia ser riscado da lista. É um homem de gestos teatrais. Por ocasião da minha eleição a presidente ele compareceu de preto e protestou daquele maneira. É teatral, ele faz as coisas e depois fica em situação difícil".

(Infoglobo Comunicação e Participações S.A.) 

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