sábado, 10 de novembro de 2012
Como se tornar o melhor deputado do país, revela Jean Wyllys
Recém-eleito melhor deputado federal
do ano, Jean Wyllys afirma que foi premiado, entre outras razões, porque
"trabalha". E critica quem acha que famosos não podem se candidatar
Jean Wyllys: Eu trabalho, acho que isso que agrada. Em alguns momentos, certas pessoas e certos setores tentam me estigmatizar com a pauta LGBT, mas eu também defendo amplamente os direitos humanos e liberdades individuais. Meu trabalho envolve os direitos dos povos indígenas, educação para diversidade, enfrentamento do racismo e do estigma de pessoas com doenças raras. Essas questões são mais amplas. Além disso, existe o trabalho com o movimento social de fiscalização do executivo através de políticas públicas. Tenho um mandato amplo e acho que isso agradou às pessoas. Embora eu represente o Rio de Janeiro, sou um deputado federal e trabalho pela federação.
Wyllys: O reality show me tornou popular e trouxe uma empatia com as pessoas que acabaram se interessando pelo meu histórico de vida. Eu acho legítimos os casos dos famosos. A constituição garante a todo cidadão o direito de concorrer e representar a sociedade. O povo é soberano e vai decidir. Não vejo problema. Da mesma maneira que pensaram que analfabetos e mulheres não deveriam votar, hoje se pensa que os famosos não podem se candidatar.
Wyllys: Acho que a minha atuação melhora a imagem da política. Iniciativas como a do Congresso em Foco são boas, também, porque a grande imprensa só dá destaque a escândalos de corrupção e generaliza o comportamento de um político corrupto. Claro que nós temos responsabilidade, mas também acho que estou cumprindo muito bem a minha parte. A imprensa também deveria abrir mais espaço para atuações positivas na Câmara dos Deputados. Falta também política pública de educação. A educação básica tem de incorporar a ideia de que nós somos atores políticos não só na hora do voto, mas no dia a dia em cobrar, mandar críticas, participar.
Wyllys: Eu saí do ativismo do movimento social de pressionar o poder público e me tornei o poder público. Você tem que entender que o deputado não necessariamente tem a solução. A política é um enfrentamento, um debate, uma luta mesmo. E por mais que um deputado queira, às vezes ele se torna impotente porque ele não pode agir sozinho. Eu descobri minhas limitações.
Wyllys: Ainda tem muita coisa pela frente: o casamento civil igualitário, a proposta da lei Gabriela Leite, que regulamenta a prostituição e distingue de exploração sexual, dando direitos trabalhistas aos profissionais do sexo. Estou na maior expectativa para ela ser aprovada. Tem o projeto da criminalização da homofobia que está no Senado e a lei de identidade de gênero, que é fundamental para transexuais.
| O deputado Jean Wyllys: "Da mesma maneira que pensaram que analfabetos e mulheres não deveriam votar, hoje se pensa que os famosos não podem se candidatar" |
São Paulo – O deputado federal Jean
Wyllys não é simplesmente deputado federal. Ou pelo menos é isso que ele
costuma dizer. “Eu não sou. Eu estou deputado federal”, brinca o parlamentar e
mestre em Letras em entrevista por telefone a EXAME.com.
No currículo, atividades tão
diversificadas quanto as de professor universitário, jornalista, escritor e
ainda vencedor da quinta edição do reality show global Big Brother Brasil.
Agora, mais um prêmio na carreira: venceu nesta semana a votação online no
site Congresso em Foco e foi eleito o melhor deputado federal de 2012.
“Vencer pelo voto popular me deixou
muito feliz. Não me envaidece, mas me deixa com um senso de responsabilidade
muito grande”, diz o deputado, que já estava na lista dos 25 melhores políticos
da Casa feita por jornalistas que cobrem a Câmara dos Deputados.
Descontraído, Wyllys respondeu às
perguntas de EXAME.com entre uma ponte aérea e outra, e revelou que aprendeu,
desde eleito, que o poder de um deputado tem "limitações".
EXAME.com: A eleição foi com base no
voto do internauta. O que o senhor acha que tem feito para agradar tanto a
população?
Jean Wyllys: Eu trabalho, acho que isso que agrada. Em alguns momentos, certas pessoas e certos setores tentam me estigmatizar com a pauta LGBT, mas eu também defendo amplamente os direitos humanos e liberdades individuais. Meu trabalho envolve os direitos dos povos indígenas, educação para diversidade, enfrentamento do racismo e do estigma de pessoas com doenças raras. Essas questões são mais amplas. Além disso, existe o trabalho com o movimento social de fiscalização do executivo através de políticas públicas. Tenho um mandato amplo e acho que isso agradou às pessoas. Embora eu represente o Rio de Janeiro, sou um deputado federal e trabalho pela federação.
EXAME.com: O senhor se tornou muito
conhecido depois do Big Brother Brasil de 2005. O que pensa sobre esse fenômeno
de legisladores famosos?
Wyllys: O reality show me tornou popular e trouxe uma empatia com as pessoas que acabaram se interessando pelo meu histórico de vida. Eu acho legítimos os casos dos famosos. A constituição garante a todo cidadão o direito de concorrer e representar a sociedade. O povo é soberano e vai decidir. Não vejo problema. Da mesma maneira que pensaram que analfabetos e mulheres não deveriam votar, hoje se pensa que os famosos não podem se candidatar.
Há gente famosa bem intencionada. O
Romário é um bom exemplo. Ele entrou na política por uma causa nobre, de
defender as pessoas com síndrome de Down, que é a causa da vida dele e está
fazendo um mandato bacana. A mesma coisa que o Tiririca, que embora tenha a
campanha baseada na ignorância, com aqueles slogans de “pior que tá não fica” -
que eu não concordo - chegou lá e está cumprindo um papel. A gente não pode
deixar nossos preconceitos impedirem a renovação.
EXAME.com: Por que o senhor acha que
o povo tem tanta aversão à política e aos políticos brasileiros? Como melhorar
a imagem do Congresso?
Wyllys: Acho que a minha atuação melhora a imagem da política. Iniciativas como a do Congresso em Foco são boas, também, porque a grande imprensa só dá destaque a escândalos de corrupção e generaliza o comportamento de um político corrupto. Claro que nós temos responsabilidade, mas também acho que estou cumprindo muito bem a minha parte. A imprensa também deveria abrir mais espaço para atuações positivas na Câmara dos Deputados. Falta também política pública de educação. A educação básica tem de incorporar a ideia de que nós somos atores políticos não só na hora do voto, mas no dia a dia em cobrar, mandar críticas, participar.
EXAME.com: Esse já é o seu segundo
ano de mandato. Houve alguma mudança na maneira como o senhor vê a política e a
maneira de se fazer política?
Wyllys: Eu saí do ativismo do movimento social de pressionar o poder público e me tornei o poder público. Você tem que entender que o deputado não necessariamente tem a solução. A política é um enfrentamento, um debate, uma luta mesmo. E por mais que um deputado queira, às vezes ele se torna impotente porque ele não pode agir sozinho. Eu descobri minhas limitações.
EXAME.com: Quais são seus próximos
projetos na sua carreira política, tanto como deputado e após o fim do seu
mandato?
Wyllys: Ainda tem muita coisa pela frente: o casamento civil igualitário, a proposta da lei Gabriela Leite, que regulamenta a prostituição e distingue de exploração sexual, dando direitos trabalhistas aos profissionais do sexo. Estou na maior expectativa para ela ser aprovada. Tem o projeto da criminalização da homofobia que está no Senado e a lei de identidade de gênero, que é fundamental para transexuais.
Agora, quando acabar, vou te dizer
que eu fico dividido entre minhas questões pessoais e minhas responsabilidades
públicas. Esse mandato tem um efeito positivo na vida das pessoas e elas querem
que eu continue. Ao mesmo tempo, eu sou uma pessoa e as coisas me afetam, como
a difamação, as ofensas, as ameaças de morte que eu sofri. Minha família sofre
com isso. Vou te dizer que eu ainda não decidi se vou me candidatar em 2014.
Mas se não me candidatar ou se não for eleito, vou continuar no ativismo.
Empresa cria a primeira cerveja de cana-de-açúcar do mundo
| O mestre cervejeiro da The Brooklyn Brewery, Garrett Oliver, veio ao Brasil para ajudar na criação da cerveja de cana-de-açúcar, idealizada pela Wäls |
São Paulo – As duas bebidas alcoólicas
mais populares no Brasil, a cerveja e a cachaça, têm agora um elo
mais forte. Neste sábado, a Wäls começa a produzir a primeira cerveja do mundo
feita de cana-de-açúcar.
A invenção está sendo feita junto
com o mestre cervejeiro da The Brooklyn Brewery Garrett Oliver, que também é
editor-chefe do The Oxford Companion to Beer. O especialista americano está
hoje na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, para acompanhar o processo de
confecção da novidade.
Para produzir dois mil litros do
lote inicial, serão usados cerca de 700 quilos de cana proveniente de uma
parceria com a Vale Verde, uma das principais fabricantes de aguardente do
país. Na receita, o caldo do ingrediente se juntará aos maltes especiais,
lúpulo e levedura para criar uma bebida do estilo Saison (do interior da
Bélgica).
Esse tipo possui aromas frutados,
leve acidez, alta carbonatação e teor alcoólico de 6% a 8%. Não por acaso, o
nome da novidade será Saison de Caipira. O investimento da Wäls foi de 80 mil
reais e o produto tem previsão de chegar ao mercado consumidor brasileiro em
dezembro deste ano.
Cada garrafa terá 375 mililitros e o
preço será em torno de 15 reais. Os estados que poderão experimentar a cerveja
de cana em primeira mão são Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa
Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal e Goiás, apenas na cidade
de Goiânia.
Mas a chance de degustá-la não será
exclusividade de quem mora no país. Os sócios da Wäls José Felipe e Tiago
Carneiro já anunciaram que pretendem exportar o rótulo para os Estados Unidos.
Luciana Carvalho, de 
Juiz espanhol defende que corrupção seja tratada como crime internacional
Brasília - O juiz
espanhol Baltasar Garzón, conhecido por ter expedido mandado de prisão contra o
ex-presidente chileno Augusto Pinochet, disse hoje (10) que a corrupção e a
impunidade são questões diretamente relacionadas, que se retroalimentam e
viabilizam a execução de crimes contra a humanidade. Garzón ainda defendeu que
a corrupção seja tratada como crime internacional pelo Tribunal Penal
Internacional (TPI) e que a cooperação judicial entre os países seja mais
efetiva, sem a possibilidade de negação de execução judicial por questões
políticas - o que, segundo ele, contribui para que atividades corruptas fiquem
impunes.
O juiz espanhol participou de debate sobre o papel da sociedade no
combate à corrupção na 15ª Conferência Internacional Anticorrupção. A
participação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos
Ayres Britto, estava prevista, mas foi cancelada. No final do dia, o ministro
chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, deverá encerrar a
conferência, que aprovará uma declaração sobre o tema.
De acordo com o juiz Garzón, durante muitos anos, impunidade e
corrupção foram temas tratados de forma dissociada. Investigações conduzidas
mundialmente, no entanto, mostram que o aproveitamento econômico e a obtenção
de fundos viabilizados pela corrupção financiam crimes contra a humanidade,
crimes de guerra e genocídio - os três crimes tipificados pelo Estatuto de
Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional, em 2002, a única corte
internacional que tem competência para julgar e condenar pessoas por essas
violações. Por outro lado, a comunicação entre as instâncias
internacionais e os tribunais nacionais não é eficiente, o que dificulta as
investigações e a aplicação de penas.
Isso, segundo o juiz, deve ser investigado no sentido de se
avaliar se as autoridades judiciais e políticas são perseguidas por corruptores
ou têm colaboração com os atos de corrupção.
Para essa avaliação, Garzón defendeu a ampla participação da
sociedade civil organizada e da imprensa internacional, que, segundo ele, deve
ser ampla e sistematicamente protegida. O juiz disse que atentados contra a
imprensa devem ser catalogados como crime contra a humanidade - pois seriam
óbices à obtenção de informações e, consequentemente, empecilhos ao combate à
corrupção e à impunidade.
Segundo Garzón, o TPI deve abrir espaço para que seja feita uma
relação entre as causas e as consequências econômicas dos diferentes delitos. O
juiz deu os exemplos dos crimes cometidos na Líbia e no Quênia, recentemente
tratados pela corte, nos quais ele avalia haver fundamental origem econômica.
Ele elogiou as políticas brasileiras de combate à fome e à pobreza como forma
de atenuar esse tipo de motivação.
Baltasar Garzón também defendeu a jurisdição universal para o
tratamento dos crimes previstos pelo TPI. Jurisdição universal é um princípio
do direito internacional em que os Estados teriam o poder de julgar
e condenar pessoas independentemente do local onde o crime foi cometido ou
da nacionalidade do infrator. Em geral, para uma corte exercer jurisdição sobre
um indivíduo, deve haver relação entre a pessoa em questão ou o local onde o
crime foi cometido e a Justiça responsável pelo julgamento.
Em fevereiro deste ano, Garzón foi condenado pela Justiça
espanhola a 11 anos de afastamento da profissão por abuso de autoridade. O juiz
ainda é processado em outros casos relacionados aos períodos militares na
Espanha e em países da América Latina. Desde que foi impedido de exercer a
profissão, Garzón tem atuado como defensor dos direitos humanos e de outras
questões sociais.
Carolina Sarres - Agência Brasil
- Edição: Carolina Pimentel
Ruídos intensos causam mais de 30% das perdas de audição
Brasília - No Dia Nacional de Combate e Prevenção à Surdez, lembrado hoje (10), a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial (Aborl-CCF) alerta que até 35% das perdas de audição ocorrem por causa da exposição aos sons intensos, como fones de ouvido em aparelhos de MP3 e ruídos no ambiente de trabalho. De acordo com a associação, a surdez causada pela exposição aos sons intensos vai acumulando ao longo dos anos.
O presidente da Associação de Otorrinolaringologia do Distrito Federal, Diderot Parreira, alerta que a prevenção é “a melhor arma para a gente lutar contra a perda auditiva”. “A audição perdida não volta mais. Prevenir é a melhor opção,” recomenda Parreira.
Parreira aponta qual o volume ideal para ouvir música: “O volume adequado [no uso de fones de ouvido] é aquele que enquanto você está escutando uma música, uma notícia, você também escuta outra pessoa falando com você normalmente.”
“Provavelmente, vamos ter mais velhinhos com problemas de audição na nossa geração do que na anterior, dos nossos pais, justamente por causa da exposição a ruídos intensos,” ressalta Parreira.
O uso de fones que são inseridos no canal auditivo levam o som diretamente à membrana timpânica, sem nenhuma barreira de proteção às delicadas estruturas que compõem a orelha interna. Os fones tipo concha são os mais indicados pelos médicos, desde usados em uma intensidade sonora adequada, informa a associação.
Com relação aos ruídos no trabalho, os trabalhadores da construção civil são os que correm maior risco de ter a audição comprometida. Os profissionais que atuam em aeroportos e, em alguns casos, motoristas de ônibus também são afetados. “Na nossa cidade [Brasília], os motores dos ônibus ficam na frente, próximo ao motorista, do lado direito dele. Imagina, ele fica horas e horas com aquele ruído, sem proteção nenhuma, já que no trânsito não se pode usar. Ele vai ter essa perda de audição”, explica Parreira.
Para o presidente, uma boa opção para proteger a audição desses profissionais é retirar o motor dos ônibus do lado do motorista, como já é feito em algumas cidades brasileiras com leis nesse sentido.
A poluição sonora também pode afetar a audição. De acordo com a associação, ruídos a partir de 85 decibéis (nível de pressão sonora), intensidade registrada em uma avenida movimentada, são prejudiciais. A orientação é não permanecer por mais de oito horas em ambientes com sons em torno de 85 decibéis. A partir de 95 decibéis, a permanência recomendada cai para duas horas, por exemplo, ambiente onde alguém está tocando piano bem alto.
Parreira lembra que os ruídos do dia a dia também podem alterar o lado emocional das pessoas. “A parte emotiva da pessoa vai ficar alterada. Chegando em casa, isso vai aflorar um pouquinho e pode fazer a pessoa ter diminuição de concentração, nervosismo, estresse, dificuldade pra dormir. Tudo isso pode estar relacionado à poluição sonora que a gente vive no dia a dia.”
Aline Leal - Agência Brasil - Edição: Carolina Pimentel
Isolamento de idoso pode ser sinal de problema de audição
Brasília - Cerca de 10% dos brasileiros sofrem de algum tipo de problema de audição, conforme estimativas da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial (Aborl-CCF). Depois dos 65 anos de idade, eles se tornam mais comuns e podem levar à depressão.
“Do mesmo jeito que nossa pele vai envelhecendo, nossos olhos vão tendo dificuldade para acomodar o foco visual, o ouvido também vai envelhecendo. É importante a família saber que aquele idoso que está amuado, no canto, que não gosta de falar e de sair, pode estar sofrendo de uma perda de audição,” diz Diderot Parreira, presidente da Associação de Otorrinolaringologia do Distrito Federal.
Nesses casos, a recomendação é que o idoso seja avaliado por um otorrinolaringologista. Se a perda for identificada, o ideal é usar um aparelho auditivo, que basicamente amplifica som. De acordo com Parreira, o idoso volta ao convívio social que tinha antes da perda.
“Um teste simples, audiometria, pode monitorar a necessidade daquele momento. Qualquer perda auditiva é passível de tratamento. Nós temos diversos tipos de exames pra detectar o tratamento que deve ser utilizado, que pode ser desde uma simples prótese auditiva até uma cirurgia de implante coclear, que é mais elaborada.”
No Dia Nacional de Combate e Prevenção à Surdez, lembrado hoje (10), Parreira adverte sobre o uso de cotonetes para a limpeza do ouvido. “Geralmente, as pessoas colocam o cotonete bem dentro do ouvido e isso pode lesar o tímpano, tira a proteção do ouvido que é a cera. Cera não é sujeira, é proteção. Isso deixa o ouvido mais exposto a infecções bacterianas ou fúngicas. A única limpeza que deve ser utilizada é a toalha depois do banho, só onde o dedo alcança,” aconselha.
Aline Leal -
Agência Brasil -
Edição: Carolina PimentelFux manda incluir aumento do Judiciário na proposta orçamentária de 2013
| Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) |
Brasília - O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Congresso Nacional inclua a proposta oficial do Poder Judiciário no Projeto de Lei Orçamentária para 2013. O documento previa aumento de 7,12% para o Judiciário da União, que teria impacto direto de R$ 285 milhões anuais.
A questão foi judicializada no início de setembro pelas três maiores entidades de classe de juízes do país. Elas contestaram o fato de o Executivo ter retirado o orçamento original elaborado pelo STF da proposta apresentada ao Congresso Nacional em agosto. Segundo as entidades, a interferência é uma afronta à autonomia entre os Poderes.
A Advocacia-Geral da União (AGU) saiu em defesa do Executivo argumentando que a proposta orçamentária do STF foi mantida, ainda que anexa ao documento principal. Segundo a AGU, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, justificou a necessidade de adequação devido ao complexo cenário econômico atual e a necessidade de manter a economia brasileira funcionando bem.
Os argumentos não convenceram o ministro Luiz Fux, que determinou a apreciação do orçamento do Judiciário tal como apresentado pelo STF. A decisão liminar deve ser cumprida enquanto o processo não foi apreciado definitivamente pelo plenário do STF.
O Ministério Público da União também acionou o STF, em setembro, para contestar os cortes do Executivo na proposta orçamentária encaminhada ao Congresso Nacional. A categoria previa reajuste de 29,53%. O processo está sob relatoria do ministro Joaquim Barbosa, mas ainda não houve decisão.
Débora Zampier -
Agência Brasil -
Edição: Talita Cavalcante
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