domingo, 14 de outubro de 2012

Não vou comentar 'ataques' de Serra, diz Haddad


Para o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, tucano 'distorce a informação' quando fala sobre o 'kit gay' e afirma que prefere discutir propostas para a cidade

SÃO PAULO - O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse neste domingo, 14, que não vai mais "comentar os ataques pessoais" do candidato do PSDB, José Serra. Durante rápida entrevista à imprensa pouco antes de uma carreata no bairro Jaçanã, na zona norte da capital paulista, ele evitou responder às críticas de Serra sobre o "kit gay", material anti-homofobia que o Ministério da Educação estudou distribuir nas escolas quando o petista comandava a pasta.

Em entrevista ao Estado, o tucano afirmou que a intenção do material era "doutrinar, em vez de educar". "É um ataque pessoal. Porque ele sempre distorce a informação; e eu não vou comentar", disse Haddad. "Eu já estou cansado deste tipo de ataques", declarou, acrescentando que prefere discutir propostas para a cidade, em vez de "coisa sem importância e que já está resolvida".

Questionado se pretende distribuir, se eleito, algum tipo de kit similar, o candidato petista respondeu que já existe algo semelhante. "A Prefeitura tem o material. Tanto a Prefeitura quanto o Estado têm materiais, é constitucional", disse. Após falar com a imprensa e antes de iniciar a carreata pelo bairro da zona norte, Haddad fez um breve pronunciamento ao público presente. Entre as propostas apresentadas, prometeu mais uma vez acabar com a taxa de inspeção veicular e foi bastante aplaudido quando tocou no polêmico tema.

O candidato do PT também aproveitou o discurso para pedir à militância do partido para não ficar acomodada com os resultados recentes das pesquisas eleitorais para o segundo turno, que apontam Haddad na liderança. "Não confiem em números de pesquisa. Se estávamos lá atrás e fomos para o segundo turno, praticamente empatados em primeiro lugar, não vamos dizer que o Haddad está na frente e ficar em casa descansando. São mais duas semanas de trabalho para termos quatro anos de sossego", disse.

Com as ruas apertadas da região, a passagem de Haddad complicou o trânsito do bairro, já que muitas pessoas tentavam seguir o candidato, algumas delas atravessando as ruas no meio dos carros. O candidato do PT tirou fotos com crianças, idosos e demais simpatizantes do partido.

Depois do evento na zona norte da capital, Fernando Haddad tem agendados apenas compromissos internos neste domingo. De acordo com a assessoria de imprensa do candidato, entre estes compromissos há, por exemplo, a gravação de programas de TV para a campanha. No segundo turno das eleições municipais de 2012, o horário eleitoral gratuito começa nesta segunda-feira, 15.
Por Flavio Leonel, da Agência Estado

Audiência para por fim à invasão em Belo Monte é suspensa


Como os índios não deixaram área da usina, empresa responsável pela obra decidiu cancelar encontro com representantes da Funai, que apresentariam reivindicações das comunidades indígenas

A tentativa de acordo para por fim à invasão de um dos canteiros de obra da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), fracassou. A Norte Energia, empresa responsável pela construção da usina, suspendeu a audiência pública que aconteceria nesta segunda-feira, 15, para tentar por fim ao impasse.

A realização da audiência, determinada pelo juiz federal Marcelo Honorato, estava condicionada à desocupação da área invadida na segunda-feira passada. Como os cerca de 60 invasores não deixaram o canteiro de obras, a empresa decidiu cancelar o encontro.

O canteiro do Sítio Pimental, um dos três da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, está ocupado com índios de cinco etnias diferentes. Entre eles estão indígenas das etnias xipaia, kuruaia, parakanã, arara do Rio Irir, juruna e assurini.

A decisão de suspender a audiência foi tomada no sábado, 13, após um oficial de justiça sobrevoar a área ocupada e constatar que os invasores não haviam deixado o local. "A Justiça deve avaliar o descumprimento de sua decisão e proferir nova sentença", afirmou a Norte Energia em nota.

A audiência deveria ser presidida pelo Ministério Público Federal, com participação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e de representantes da Norte Energia. O objetivo era que as comunidades indígenas e demais ocupantes apresentassem uma pauta de reivindicações para a direção da empresa.


Luciano tem 56,8%, e Luiz Paulo, 30,8%, diz Futura do segundo turno


Levantamento com 600 pessoas foi realizado no dia 11 de outubro.
Margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.

O Instituto Futura divulgou, no sábado (13), a primeira pesquisa de intenção de voto sobre o segundo turno da disputa pela Prefeitura de Vitória, nas eleições deste ano.
A pesquisa foi encomendada pela Rede Gazeta.

Veja os números do Futura para a pesquisa estimulada:

Luciano Rezende (PPS) –  56,8% das intenções de voto
Luiz Paulo (PSDB) – 30,8%
Em branco/nulo - 5,3%
Não sabe - 7%
A pesquisa foi realizada no dia 11 de outubro. Foram entrevistadas 600 pessoas na cidade de Vitória. A margem de erro é de 4 pontos percentuais, para mais ou para menos.
A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), sob o número ES- 00220/2012.
No primeiro turno, Luciano Rezende teve 39,14% dos votos válidos, e Luiz Paulo, 36,69% 

Supondo uma Suposta Suposição.


Por Afonso Corrêa*
‎"Eu sei que não existe uma prova sequer INCONTESTÁVEL. Todavia minha consciência e minha vocação me permitem SUPOR que ele seja culpado".

Parabéns Ministra. A partir de agora o "EM DÚBIO PRO RÉU", uma das maiores garantias do cidadão, conseguidas na Constituinte de 1988, foram simplesmente ignoradas e jogadas Deus sabe onde.
Quem somos nós, míseros mortais, para questionarmos a vossa capacidade de "SUPOSIÇÃO". Só esperamos, todavia, que os demais 14.000 Juízes espalhados neste nosso País, tenham CERTEZA absoluta, na hora de SUPOR alguma coisa contra alguém.

Nossos "Generais", em passado recente, também SUPUNHAM um bocado de coisas contra o povo brasileiro. Em nome de uma SUPOSIÇÃO de que havia o intento de se implantar o comunismo no Brasil, as Garantias Constitucionais foram VIOLADAS, e os direitos do Cidadão foram jogados no ESGOTO. 

A polícia Especial da época, partindo também da SUPOSIÇÃO de que todo mundo era bandido, já "pré-julgava" e "julgava" a todos indiscriminadamente.

Uma parte de nossa imprensa (aquela que apoiava aos Generais) até os dias de hoje não se esqueceram do aprendizado: CONTINUAM PRÉ-JULGANDO E JULGANDO aqueles que, de acordo com SUPOSIÇÃO deles, podem vir a ser-lhes um estorvo no futuro.

Em assim sendo Excelentíssima Ministra, ESPERO que minha SUPOSIÇÃO de que haveremos de enfrentar muitos e grandes problemas em futuro breve, esteja totalmente equivocada.

Até prova em contrário, este meu "esperar", não é SUPOSIÇÃO.
Afonso Corrêa É aposentado

sábado, 13 de outubro de 2012

Manter viva a causa do PT: para além do “Mensalão”


Leonardo Boff*
Há um provérbio popular alemão que reza: “você bate no saco mas pensa no animal que carrega o saco”. Ele se aplica ao PT com referência ao processo do “Mensalão”. Você bate nos acusados mas tem a intenção de bater no PT. A relevância espalhafatosa que o grosso da mídia está dando à questão, mostra que o grande interesse não se concentra na condenação dos acusados, mas através de sua condenação, atingir de morte o PT.

De saída quero dizer que nunca fui filiado ao PT. Interesso-me pela causa que ele representa pois a Igreja da Libertação colaborou na sua formulação e na sua realização  nos meios populares. Reconheço com dor que quadros importantes da direção do partido se deixaram morder pela mosca azul do poder e cometeram irregularidades inaceitáveis. Muitos sentimo-nos decepcionados, pois depositávamos neles a esperança de que seria possível resistir às seduções inerentes ao poder. Tinham a chance de mostrar um exercício ético do poder na medida em  que  este poder reforçaria o poder do povo que assim se faria participativo e democrático. Lamentavelmente houve a queda. Mas ela nunca é fatal. Quem cai, sempre pode se levantar. Com a queda não caiu a causa que o PT representa: daqueles que vem da grande tribulação histórica sempre mantidos no abandono e na marginalidade. Por políticas sociais consistentes, milhões foram integrados e se fizeram sujeitos ativos. Eles estão inaugurando um novo tempo que obrigará  todas as forças sociais a se reformularem e também a mudarem seus hábitos políticos.

Por que muitos resistem e tentam ferir letalmente o PT? Há muitas razões. Ressalto  apenas duas decisivas.

A primeira tem a ver com uma questão de classe social. Sabidamente temos elites econômicas e intelectuais das mais atrasadas do mundo, como soia repetir Darcy Ribeiro. Estão mais interessadas em defender privilégios do que garantir direitos para todos. Elas nunca se reconciliaram com o povo. Como escreveu o historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma no Brasil 1965,14) elas “negaram seus direitos, arrasaram sua vida e logo que o viram crescer, lhe negaram, pouco a pouco, a sua aprovação, conspiraram para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continuam achando que lhe pertence”. Ora, o PT e Lula vem desta periferia. Chegaram democraticamente ao centro do poder. Essas elites tolerariam Lula no Planalto, apenas como serviçal, mas jamais como Presidente. Não conseguem digerir este dado inapagável. Lula Presidente  representa uma virada de magnitude histórica. Essas elites perderam. E nada aprenderam. Seu tempo passou. Continuam conspirando, especialmente, através de uma mídia e de seus analistas,  amargurados por sucessivas derrotas como se nota nestes dias, a propósito de uma entrevista montada de Veja contra Lula. Estes grupos se propõem apear o PT do poder e  liquidar  com  seus líderes.

A segunda razão está em seu arraigado conservadorismo. Não quererem mudar, nem se ajustar ao novo tempo. Internalizaram a dialética do senhor e do servo. Saudosistas, preferem se alinhar de forma agregada e subalterna, como servos,  ao senhor que hegemoniza a atual fase planetária: os USA e seus aliados, hoje todos em crise de degeneração. Difamaram a coragem de um Presidente que mostrou a auto-estima e a autonomia do país, decisivo para o futuro ecológico e econômico do mundo, orgulhoso de seu ensaio civilizatório racialmente ecumênico e pacífico. Querem um Brasil menor do que eles para continuarem a ter vantagens.

Por fim, temos esperança. Segundo Ignace Sachs, o Brasil, na esteira das políticas republicanas inauguradas pelo do PT e que devem ser ainda aprofundadas, pode ser a Terra da Boa Esperança, quer dizer, uma pequena antecipação do que poderá ser a Terra revitalizada, baixada da cruz e ressuscitada. Muitos jovens empresários, com outra cabeça, não se deixam mais iludir pela macroeconomia neoliberal globalizada. Procuram seguir o novo caminho  aberto pelo PT e pelos aliados de causa. Querem produzir autonomamente para o mercado interno, abastecendo os milhões de brasileiros que buscam um consumo necessário, suficiente e responsável e assim poderem viver um desafogo com dignidade e decência. Essa utopia mínima é factível. O PT se esforça por realizá-la. Essa causa não pode ser perdida em razão da férrea resistência de opositores  superados porque é sagrada demais pelo tanto de suor e de sangue que custou.
 
*Leonardo Boff é teólogo, filósofo, escritor e dr.h.causa em politica pela Universidade de Turim por solicitação de Norberto Bobbio

Haddad 'segue lição de Dirceu', diz Serra


Haddad vê 'ódio' em campanha tucana; petista 'segue lição de Dirceu', diz Serra

No dia em que ambos foram à missa em Itaquera, em horários diferentes, candidatos do PT e do PSDB trocam as acusações mais agudas desde o início do segundo turno

Na troca de acusações mais contundente desde o início do segundo turno da eleição paulistana, o candidato do PT, Fernando Haddad, disse nesta sexta, 13, que seu adversário do PSDB, José Serra, faz uma campanha para "promover o ódio" e "vai mobilizar trevas como fez em 2010". Em resposta, o tucano afirmou que o petista "está seguindo as lições" do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado pelo Supremo Tribunal Federal na terça-feira, pelo crime de corrupção ativa.

Haddad foi o primeiro a ter agenda pública no feriado de 12 de outubro: participou de missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Itaquera, zona leste, um dia após o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, divulgar um vídeo relacionando Haddad ao kit anti-homofobia. O material foi editado quando o petista comandava o Ministério da Educação (MEC) e apelidado de "kit gay" por setores evangélicos. No vídeo, Malafaia diz que Haddad "deu grana para ativistas gays fazerem esse lixo moral para ensinar homossexualismo (nas escolas)", questiona sua gestão à frente do Ministério da Educação e afirma: "Contra Haddad e o kit gay, Serra 45".

O petista disse que Serra estaria por trás do vídeo, com o objetivo de criar uma "cortina de fumaça" que desvie o debate sobre a gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que apoia o tucano. "Ele (Serra) fez isso com a Dilma (na campanha presidencial de 2010), ele vai fazer isso comigo. É a mesma estratégia de 2010. Só que deu errado. O que ele (Serra) tinha que entender é que esse tipo de prática vai dar errado", afirmou Haddad.
Serra, antes de visitar o Museu Catavento, no centro, citou a condenação de Dirceu pelo STF em resposta às críticas do adversário. "José Dirceu quando atacado, ataca o outro. Esse é o esquema do pega-ladrão, que ele fundou no Brasil. Ele bate carteira, sai correndo e grita: 'pega ladrão", afirmou. "O Haddad apenas está seguindo as lições de Dirceu, de quem é companheiro e camarada."

À tarde, após a entrevista de Serra, Haddad teve novo evento público, em Aricanduva. Um jornalista disse ao petista que Serra o havia comparado a um "chefe de quadrilha" - a campanha do tucano negou ter feito essa relação - e pediu um comentário. Haddad afirmou que o adversário estava "fora de si" e que pretendia "mobilizar as trevas" para vencer a eleição. O setorial jurídico do PT estadual cogitou entrar com ação contra Serra, mas recuou.
Por Bruno Lupion e Gustavo Porto - O Estado de S.Paulo

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