sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Maior cachorro do mundo nem precisa latir para assustar



O bicho gigantesco se chama Zeus e mede mais de 1 m de altura. Pobres gatos!
Você gosta de cachorros?
E de cavalos, você gosta?
Não estranhe a pergunta, mas é que Zeus é uma mistura dos dois.
O cão da raça Dogue Alemão entrou para a edição 2013 do Guinness - O Livro dos Recordes.
Ele foi eleito o maior cachorro do mundo, porque mede 111,76 cm.
Parece uma fera jurássica, mas a dona dele, Denise, garante que as aparências enganam.
Zeus é super dócil e come cerca de 14 kg de comida todos os dias.
Agora, se ele come tanto assim, imagina o quanto ele não... vai ao toilett!
Pesando 70 kg, Zeus assusta muita gente e nem precisa latir para isso.
Não se passeia com um cão desses. Ele passeia com você!
— Nós tivemos que comprar uma van para transportá-lo.
Denise diz que se Zeus der uma leve pisada em um de seus pés, você ficará com uma marca.
Se você jogar um graveto para Zeus buscar, ele deve trazer o tronco de uma árvore ou, talvez, um carro. Brincadeira. Ou não.

Misturar igreja com política partidária “extrapola a lei e o ideario republicano”


Por *Roldão Arruda
Um dos principais estudiosos do neopentecostalismo no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano, não vê novidade na aproximação entre a Igreja Universal, o PRB e a candidatura de Celso Russomano, líder nas pesquisas de intenção de voto em São Paulo. Na entrevista abaixo, ele observa que a Universal está envolvida com a política desde o final da década de 1980, participando diretamente de campanhas majoritárias e também para vereadores e deputados estaduais e federais, além de patrocinar a formação de partidos.

A principal novidade deste ano, segundo o especialista, é o acirramento da disputa política, partidária e midiática entre evangélicos e carismáticos, o que resulta na ocupação religiosa da área pública num ritmo cada vez maior. Na avaliação dele, é um quadro que contraria o ideario republicano, que pressupõe a separação entre igreja e Estado, entre religião e política.

Mariano é doutor em sociologia pela USP e autor do livro Neopentecostais: Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil. Ele coordena o o Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

A seguir, os principais trechos da conversa com o estudioso.

- Como o senhor vê o enorme destaque dado às igrejas evangélicas nas eleições deste ano?

O ingresso organizado dos evangélicos na política não é novo. Desde a segunda metade da década de 1980 ficou evidente o interesse desses religiosos pela política partidária, muito ávidos por recursos públicos, emissoras de rádio e TV, barganhas e alianças com candidatos e partidos e governantes. Eles participaram dos debates da Assembleia Constituinte, ajudaram o José Sarney a ampliar o mandato de quatro para cinco anos – em troca de concessões de emissoras e rádio e verbas públicas. No segundo turno das eleições de 1989, Fernando Collor de Mello conseguiu o apoio esmagador dos pentecostais contra a candidatura lulopetista. De lá para cá, a instrumentalização recíproca entre esses grupos, sobretudo pentecostais e neopentecostais, com candidatos, partidos e governantes tem se intensificado.

 - Em 1989 eles fizeram campanha contra Luiz Inácio Lula da Silva.
No segundo turno. No primeiro, como existiam vários candidatos, dentro de um leque variado, que incluía Lula, Collor, Mário Covas, Ulisses Guimarães, Leonel Brizola, o ativismo eleitoral dos evangélicos não apareceu. Nenhum candidato conseguiu galvanizar seu apoio. No segundo turno, porém, havia o temor, estimulado pela candidatura do PRN (extinto partido de Collor), de que Lula, numa aliança diabólica com o setor progressista da Igreja Católica, iria tolher a liberdade religiosa. Falava-se que os templos seriam transformados em armazéns e que os evangélicos seriam perseguidos e fuzilados em paredões.





- Esses boatos tiveram repercussão nas outras vezes em que Lula se candidatou?

Sim. O mesmo temor apareceu em 1994 e 1998. Foi só em 2002, no segundo turno da eleição presidencial, que o PT conseguiu apoio evangélico pra valer entre igrejas pentecostais. A Igreja Universal do Reino de Deus declarou apoio a Lula, enquanto a Convenção Geral da Assembleia de Deus do Brasil, do Belenzinho, em São Paulo, ficou ao lado de José Serra (PSDB). O líder da Assembleia era malufista, mas, quando Paulo Maluf passou a ter presença rarefeita nas disputas eleitorais, ele passou a apoiar os candidatos do PSDB. Tem feito isso sistematicamente. Nunca apoiou o PT, nem vai apoiar.

- Qual a principal novidade que o senhor detecta em anos mais recentes?

A novidade é que a ala carismática católica agora também está empenhada na eleição de candidatos com identidade católica. Uma vez que o Vaticano proíbe o lançamento de candidaturas de padres e bispos, leigos estão sendo estimulados a se candidatar com plataformas baseadas na moral e na doutrina social da igreja. O crescimento pentecostal – do ponto de vista demográfico, institucional, partidário, político e midiático – levou a Igreja Católica a uma contra-ofensiva, a uma concorrência tanto religiosa, quanto midiática e política. Essa concorrência entre pentecostais e católicos estimulou a ocupação religiosa da esfera pública.

- Em que momento o senhor detecta o início dessa concorrência?

Até o início dos anos 90, a Igreja Católica não tinha emissoras de TV, muito menos redes. Mas, a partir de 1993, com a criação da Rede Vida, o quadro mudou: hoje os católicos têm três redes nacionais de TV e um número crescente de emissoras. Vale notar que a Igreja Católica já tinha a maior rede de rádios no País. Houve, portanto, um estímulo ao avanço na mídia eletrônica, sobretudo na TV.

- E isso extrapolou para a política?

Sim. Há um ativismo crescente nas eleições e na política partidária, ainda que, tradicionalmente a Igreja Católica se apóie mais em seu lobby para a defesa de interesses institucionais e morais.




- Como vê essa ocupação religiosa da esfera pública?

Olhando as principais ideologias do século 19, o socialismo, o positivismo, o liberalismo, o republicanismo e outras, observamos que todas propõem a autonomia do Estado e da política em relação à religião. O socialismo e o positivismo previam, inclusive, o fim da religião. O liberalismo e o republicanismo sempre tiveram como meta o estabelecimento de uma autonomia recíproca entre Estado e igreja, religião e política. Havia um esforço para a criação de valores laicos, seculares, em torno da cidadania, da república, das liberdades democráticas.

- E o caso brasileiro?

Nossa república também nasceu sob esse signo. O modelo que adotamos foi um mix dos modelos francês e americano, com separação entre igreja e Estado. Até o fim do Império, o catolicismo era a religião oficial do Estado e também era tutelada por ele, o que significa que não tinha plena liberdade de ação. Com a constituição republicana ela passa a ter liberdade de ação e adquire um poder imenso, na Primeira República. Para a Constituinte de 1934 foi criada a Liga Eleitoral Católica, que elegeu muitos representantes da própria igreja. Em seguida, no texto constitucional, ela conseguiu uma série de privilégios. Um dos mais importantes foi o princípio de colaboração recíproca entre igreja e Estado em benefício do chamado bem comum. Isso foi mantido na Constituição de 1988, embora com outra formulação. No mesmo artigo em que aparece a separação entre igreja e Estado, vedando a concessão de subsídios e a realização de alianças com grupos religiosos, aparece esse princípio da colaboração. Nos anos 30, 40, 50 e outros, esse princípio de colaboração recíproca significou sobretudo uma série de subsídios para escolas católicas, hospitais, obras assistenciais.

- Não havia pluralismo religioso.

Nas últimas décadas, sobretudo a partir dos anos 80, é que o pluralismo religioso passa a vigorar de fato no Brasil e a Igreja Católica se vê tendo que competir no mercado religioso. Com o avanço pentecostal, os privilégios concedidos aos católicos começam a ser contestados.

- Não há reação a esse avanço do religioso sobre o público?

Há uma contestação crescente de setores laicos ou seculares da sociedade brasileira, envolvendo parte da imprensa, educadores, cientistas e ateus. Eles são minoritários mas estão se organizando. Os movimentos feministas e homossexuais aparecem entre os principais rivais dessa crescente ocupação religiosa da esfera pública, sobretudo no campo político partidário. Não é um movimento articulado, que junte todos esses grupos e movimentos, mas há uma grita crescente, defendendo sobretudo a laicidade do Estado. O mote central de todos os contestadores é a defesa da laicidade.

- Em São Paulo, nos últimos dias, surgiram notícias de igrejas transformadas em comitês eleitorais.

Isso não é de agora. Há algum tempo temos visto a transformação de templos em comitês eleitorais e fundação de partido por igreja. O Celso Russomano, em São Paulo, é filiado ao PRB, partido que foi criado pela Igreja Universal. O presidente do partido é da Universal e toda a base de cabos eleitorais dessa candidatura é de gente da Universal. São fiéis, pastores, obreiros da Igreja. É um negócio impressionante: você tem um igreja que criou um partido, que tem uma concessão pública, uma rede de TV, a segunda mais importante do País, apoiando um candidato que tinha um programa nessa TV e que foi lançado por esse partido.



- Como vê isso?

Legalmente, as igrejas estão proibidas de dar apoio eleitoral. Mas isso tem sido feito. A Igreja Universal apoiou o Collor em 1989 e teve problemas com a Justiça Eleitoral. Isso ocorreu também nas campanhas de Crivella (Marcelo Crivella, bispo da Universal, atual ministro da Pesca), no Rio, para prefeito e governador. Não é de agora que a Universal funciona como comitê, às vezes para candidaturas majoritárias, como nos casos de Collor, Crivella, Russomano, mas, sobretudo, para seus candidatos a vereador, deputado estadual e federal. A Universal elege uma bancada própria, composta por representantes de seu partido e de outras legendas. Quando se pensa na ideia de República, que pressupõe a separação entre igreja e Estado, entre religião e política, essa mistura que estamos vendo extrapola a lei e o ideário republicano.

*Roldão Arruda
Roldão Arruda é jornalista e repórter da editoria de política do Estadão. Dedica-se, sobretudo à cobertura de temas relacionados a direitos humanos e questões de movimentos sociais. Já trabalhou nos jornais Movimento e Folha de S. Paulo e na revista Veja. É autor do livro 'Dias de Ira'.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Serra admite sobre caminhoneiro ter catarata também


Depois que a imprensa divulgou que cidadão sofre de catarata, tucano disse que PT mentiu sobre a doença

Por Bruno Boghossian,
O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, afirmou nesta quinta-feira, 13, que o caminhoneiro José Machado, que apareceu no programa do PT criticando o sistema público de saúde, "provavelmente tem catarata também". Em entrevista à TV Estadão no dia 31 de agosto, o tucano havia dito que Machado não tinha catarata. Nesta quarta-feira, 12, o Estado mostrou que um laudo do Instituto Cema, conveniado à Prefeitura, divulgado pela campanha petista, constata que Machado sofre de catarata.

Serra, no entanto, afirmou que a questão é a "mentira" que o PT levou ao ar, ao dizer que Machado estava há dois anos esperando uma cirurgia para curar a doença. "A grande mentira foi dizer que ele estava há dois anos esperando uma cirurgia de catarata. Segundo: ele tem outro problema na vista. Provavelmente tem catarata também, mas o problema era o outro, que estava segurando", disse, em referência ao pterígio, doença que provoca o crescimento da pele sobre a pálpebra. "O laudo prova que ele estava há dois anos na fila? Não", completou Serra.

O caso do caminhoneiro José Machado gerou polêmica depois que as informações de seu prontuário médico foram divulgadas pela Prefeitura para desmentir uma propaganda eleitoral do PT.

Mensalão
O tucano voltou a relacionar o escândalo mensalão ao PT e a Fernando Haddad, seu adversário na disputa. Depois de levar à televisão peças publicitárias em que exibe fotos do candidato petista ao lado de réus no processo do Supremo Tribunal Federal (STF), o tucano negou que tenha atacado o rival, mas destacou que os acusados de integrar o esquema "são do partido do Haddad".
"O José Dirceu, o Delúbio Soares e o João Paulo (Cunha) são do partido do Haddad e estão apoiando ele. Se eles têm problemas com a Justiça, o problema é deles, não é nosso. Eles são companheiros de partido e de jornada. Isso não é agressão", disse Serra.
O tucano afirmou que não houve um endurecimento de sua campanha contra o petista e que há um "excesso de suscetibilidade" por parte de Haddad - que chamou a propaganda do PSDB de "lastimável". "É uma coisa um pouco 'fazendo gênero'", disse o candidato tucano.
O tucano disse que não fez duras críticas à presidente Dilma Rousseff, que entrou na campanha de Haddad esta semana. Na quarta-feira, 12, Serra havia dito que Dilma "mal conhece São Paulo" e que "vem meter o bico" na eleição da capital paulista. "Eu não fiz duras críticas. Eu disse que ela tem todo direito de ter candidatos aqui. Outra coisa é vir aqui querer monitorar o voto", afirmou.

Russomanno sobe e vai a 35%; Serra e Haddad continuam empatados


Segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, candidato do PRB venceria tanto o tucano quanto o petista se a eleição fosse hoje
Por Daniel Bramatti,
O candidato Celso Russomanno (PRB) ampliou sua vantagem sobre os adversários na corrida pela Prefeitura de São Paulo, segundo a última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo. Em duas semanas, ele passou de 31% para 35%, enquanto José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) oscilaram um ponto porcentual para baixo e mantiveram o empate técnico na segunda colocação, com 19% e 15%, respectivamente.

Em eventual segundo turno entre Russomanno e Serra, o primeiro venceria por 52% a 25% se a eleição fosse hoje. Se o adversário do líder fosse Haddad, o placar seria 50% a 25%. O representante do PT venceria o do PSDB por 37% a 33% no confronto direto.
O candidato do PRB está em ascensão desde a pesquisa Ibope feita na primeira quinzena de agosto, às vésperas do início da propaganda eleitoral de rádio e TV, quando obteve 26% e apareceu empatado com Serra.

Ele conseguiu crescer 9 pontos porcentuais em um mês mesmo tendo aproximadamente um quarto do tempo dos adversários no horário eleitoral.

Já o tucano está em trajetória de queda desde antes do início da campanha na TV, mas conseguiu evitar ser ultrapassado pelo adversário do PT, a quem escolheu como alvo preferencial de ataques. Haddad havia subido cinco pontos entre a metade e o fim de agosto, impulsionado por sua estreia na TV, mas perdeu fôlego nos últimos 15 dias.

Por regiões. A pesquisa mais recente revela que, nas regiões da cidade nas quais candidatos do PT venceram nas últimas três eleições majoritárias (para presidente, governador e prefeito), nada menos que 40% dos eleitores indicam Russomanno como seu preferido. É o dobro da taxa obtida por Haddad. Nas mesmas áreas, Serra tem apenas 10%.

Nas zonas antipetistas, onde o partido perdeu nas últimas três eleições, o candidato do PRB também está na frente, mas com índice menor: 31%. O tucano vem em seguida, com 25%, e Haddad aparece com 12%.
Entre os protagonistas da campanha, o candidato do PT é ainda o mais desconhecido. Apenas 52% dos entrevistados afirmam conhecê-lo ou ter alguma informação sobre ele. No caso de Serra e Russomanno, esses índices chegam a 75% e 70%.

Haddad é mais conhecido nas zonas anti-PT (55%) do que nas zonas pró-PT (48%). A desinformação sobre ele é maior entre os eleitores mais pobres – dos que ganham até dois salários mínimos, apenas 42% afirmam conhecê-lo.
Novato em eleições, o petista é o que mais depende do horário eleitoral para conquistar simpatizantes. Mas o universo que consegue atingir ainda é limitado: 57% dos ouvidos pelo Ibope afirmaram que ainda não assistiram às propagandas de campanha.

Governo Dilma aplica 70% da verba publicitária na imprensa conservadora e veta jornal independente



Por Paulo Roberto de Souza
Dados divulgados pela Presidência da República, nesta quinta-feira, mostram que apenas 10 empresas de comunicação concentram mais de 70% da verba federal para publicidade, em especial a TV Globo, à qual cabe a parte do leão no butim midiático do Planalto. O argumento da ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação, não variou desde o início do governo de Dilma Rousseff. Na opinião dela, “é inevitável que o maior volume de pagamentos seja dirigido a meios e veículos de maior audiência, que atingem um maior público, como é o caso da televisão”. Mas há quem discorde.

O desequilíbrio na distribuição das verbas públicas, no entanto, ocorre no momento em que os dados mostram a discrepância entre o que é pago aos mais de 3 mil veículos cadastrados no Núcleo de Mídia da Secom. Do total de R$ 161 milhões pagos aos meios de comunicação, durante o governo Dilma, com base nos cálculos da audiência a que se refere a ministra Chagas, R$ 112,7 milhões couberam a apenas 10 empresas, enquanto as demais 2.990 dividiram os R$ 48,3 milhões restantes. O Correio do Brasil, embora apresente níveis de audiência e de leitura superiores à maioria dos veículos de comunicação, inclusive no “Grupo dos 10“, segundo auditorias internacionais, foi marcado por sua independência editorial e não integra sequer a lista dos 3 mil veículos de comunicação beneficiados com os recursos públicos.

Levantamento publicado nesta quinta-feira, no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, um dos 10 maiores receptáculos das verbas do governo, mostra que, desde o início da gestão Dilma Rousseff, um volume ainda não revelado; além dos R$ 161 milhões repassados para emissoras de TV, jornais, revistas, rádios, sites e blogs, saiu dos cofres das empresas estatais controladas pela União.

A Globo Comunicação e Participações S.A., responsável pela TV Globo e sites ligados à emissora, abocanhou quase um terço da verba aplicada pela Presidência da República entre janeiro de 2011 e julho deste ano: R$ 52 milhões. A segunda colocada é a Record, com R$ 24 milhões. A Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha, recebeu R$ 661 mil. A Infoglobo, que edita o jornal O Globo, R$ 927 mil. Outro diário conservador paulistano, O Estado de S. Paulo, arrecadou R$ 994 mil. O portal UOL, controlado pelo Grupo Folha, recebeu outros R$ 893 mil.

Vetado
Enquanto permanece o jogo agradável entre o governo federal e as 10 maiores empresas de comunicação do país, que concentram o poder de fogo da mídia conservadora, para os veículos independentes de comunicação o tratamento é o oposto. Para anunciar em jornais, impressos e digitais, a exemplo do Correio do Brasil, o Núcleo de Mídia da Presidência da República exigiu um desconto de 92% na tabela de preços, algo inimaginável no grupo dos 10 beneficiários da mídia estatal. Para se manter, ainda que nas fraldas dos recursos, a maioria dos demais veículos de comunicação, em níveis nacional, regional ou mesmo local, submeteu-se ao critério coordenado pela diretora do Núcleo de Mídia, Dalva Barbosa.

Procurada pelo CdB, Barbosa não atendeu às ligações, mas um de seus assessores revelou que “a política de descontos da Secom é confidencial”. Alertada pela reportagem de que, segundo a legislação em vigor, não há confidencialidade em negócios públicos, a ligação foi direcionada para a Secretaria de Imprensa da Presidência da República, que não conseguiu as informações requisitadas pelo jornal, até o fechamento desta matéria. Embora a maioria dos veículos de comunicação tenha aceitado as pesadas negociações do Núcleo de Mídia, com a desvalorização de suas tabelas em mais de 90%, este não foi o caso do Correio do Brasil.

– Rejeitamos, de pronto, esse tipo de exigência por considerá-la abusiva, desproporcional e uma completa falta de respeito aos nossos critérios comerciais. Caso concedêssemos um volume tão grande de descontos ao governo, seria óbvio que a tabela de preços praticada pelo Correio do Brasil não passaria de uma fraude. O CdB circula há mais de uma década diariamente, de forma ininterrupta, e não pode admitir sequer uma ilação neste sentido. Se ao Núcleo de Mídia, baseado em um critério sigiloso, coube graduar o custo do espaço publicitário no jornal, é de competência do CdB discordar, às claras, de tal avaliação e não vender os anúncios a um preço aviltado – afirmou a diretora Comercial do CdB, Suzana David.

Desde fevereiro deste ano, ao final do prazo estipulado para aceitar, ou recusar-se às exigências ditadas pelo Núcleo de Mídia, diante da resistência do CdB em não se submeter à exigência da Secom, o jornal foi marcado com um “Não” no banco de dados. Ao ser assinalado com a negativa, segundo correspondência oficial, passou a vigorar o veto, a total “impossibilidade do recebimento de mídias do Governo Federal”. O Correio do Brasil, que mantém um extenso elenco de colaboradores, repórteres e correspondentes nas principais capitais brasileiras, na Europa, EUA e Japão, por assegurar sua política de independência, patrocinada pela venda de assinaturas diretamente aos leitores, mantêm-se firme na decisão de apontar as falhas na política de comunicação da Presidência da República.

Marco zero
Mas o que ocorreu com o CdB não foi um fato isolado. Em sua página na internet, o jornalista Paulo Henrique Amorim também constatou que “sem incluir os investimentos das estatais, como a Caixa, o BB, os Correios e a Petrobrás, por exemplo – chegará à conclusão de que o Governo Federal põe R$ 55 milhões na Globo, por ano. Dá para sustentar 420 mil pessoas no Bolsa Família, num mês. O benefício médio mensal é de R$ 134, incluído o Brasil Carinhoso. Vezes 4 pessoas por família, 1 milhão e 700 mil pessoas”.
“Quando o ansioso blogueiro fala em Globo, fala na Rede Globo de TV,Globo Participações, Globosat Programadora, Radio Globo São Paulo, Infoglobo (jornal O Globo), jornal Valor (de que a Globo é sócia), Globo Comunicação (internet), e Editora Globo (revista Época). Tudo somado, o Governo trabalhista da Presidenta Dilma ‘aplica’ no centro do Partido da Imprensa Golpista (PIG), ou seja, no marco zero do Golpe, R$ 55 milhões por ano. O Bolsa Família, com o Brasil Carinhoso e o Brasil sem Miséria – tudo somado dá R$ 20 bilhões por ano, ou seja, 0,4% do PIB”, acrescentou.

“A TV lidera o recebimento (sic) de publicidade federal, diz a Folha, com uma verba anual de R$ 115 milhões. A Globo toda somada fica com a metade de toda a verba de publicidade em tevê. E a Globo é 2/3 de toda a publicidade gasta em outras mídias – rádios, jornais, internet e revistas. Para que? Com que retorno? Quem diz que a Globo entrega a audiência por que cobra na tabela de publicidade? A Globo cobra R$ 100 para entregar 50% de audiência. Quem diz que ela entrega 50% da audiência – e por isso merece os R$ 100? Quem diz que a Globo entrega a audiência por que cobra é o Globope” desvenda o jornalista, que coloca em cheque aqueles critérios de audiência aventados pela ministra Helena Chagas, junto com as normativas sigilosas adotadas para a exigência de descontos no Núcleo de Mídia.

Em outra página da internet, ainda nesta quinta-feira, o jornalista, escritor e editor do blog O Cafezinho, Miguel do Rosário, em artigo intitulado Secom abre caixa preta da publicidade, segue adiante nas informações quanto à aplicação da verba pública na mídia conservadora nacional.
“Eu venho fuçando o site da Secom há um tempo e não havia encontrado os valores por veículos. Fiz até um pedido, usando a lei da informação, o qual foi devidamente respondido, com dados e indicações, mas informando que ainda não abriam o gasto por veículo. Como o governo só faz publicidade através das agências licitadas, só aparecia o volume de recursos destinado às estas, e não por veículo. Agora o governo resolveu divulgar o quanto cada veículo de mídia ganha. Eu voltei lá, pesquisei, compilei, sintetizei e preparei uma tabela, com os gastos do governo com publicidade institucional desde o início da atual gestão até o primeiro semestre de 2012″, afirma o jornalista.

“Caras de pau”
Rosário não se surpreendeu, após consultar às informações liberadas pela Secom, “que os grandes grupos de mídia ganham enormes volumes de dinheiro”.
“Pena que a Secom só informa a partir de 2011. Analisando as informações, constata-se que, de fato, o governo ampliou barbaramente o número de veículos que recebem publicidade institucional: eram meia dúzia, agora são mais de oito mil”.
“Mesmo assim, eles (os grandes) não tem do que reclamar, sobretudo as organizações Globo. Esta semana, o blogueiro e colunista Noblat fez seu enésimo ataque à blogosfera, insinuando que blogs recebem dinheiro para defender o governo. O Merval (Pereira, colunista de O Globo) volta e meia fala a mesma coisa: já chegou a mencionar teorias conspiratórias sobre “rede de blogs” montada pelo PT ou governo para atacar a mídia”.

O editor de O Cafezinho concorda, então, que estes representantes da mídia conservadora “são uns delirantes e uns caras de pau”.
“Recebem milhões do governo e vem atacar blogueiros que não ganham um tostão, ou se ganham, como é o caso de dois ou três mais famosos, são valores pequeninos, modestos, irrisórios se comparados aos valores destinados aos veículos tradicionais. Na minha opinião, o governo tinha obrigação democrática de investir mais na blogosfera, fazendo publicidade institucional em centenas de blogs, que é pra fazer os mervais surtarem de vez”.
“Um dia desses eu gostaria de saber quanto dinheiro, exatamente, a Globo ganhou de governos desde que a empresa foi fundada, aí incluindo todos os financiamentos de bancos públicos. Em valores atualizados. Seria uma informação bem interessante. É muito fácil posar de independente depois de ganhar uns R$ 10 bilhões do Estado. Enquanto a Globo recebeu, por exemplo, R$ 68 milhões do governo Dilma, de 2011 até junho deste ano, via publicidade institucional, o blog do Nassif recebeu R$ 22 mil. A Agência Carta Maior, que emprega uma equipe numerosa de colunistas e alguns repórteres, recebeu R$ 39 mil. O grupo Abril recebeu R$ 2 milhões”.

Outra constatação relevante de Miguel do Rosário é a de que “os barões da mídia recebem ainda muita publicidade institucional de governos estaduais e prefeituras, não contabilizada pela Secom. Esperemos que todas as esferas de poder respeitem a lei da informação e publiquem o quanto gastam e onde gastam a verba de publicidade institucional.”

Reginaldo Quinta volta a ser candidato em Kennedy


O advogado do prefeito cassado, Marcelo Nunes, sustenta que "qualquer questionamento só pode ser feito após as eleições"

Por Ednalva Andrade
Cassado pela Câmara de Presidente Kennedy no último dia 5 e barrado da disputa pela Prefeitura de Kennedy pela Justiça Eleitoral da cidade, Reginaldo Quinta (PTB) obteve decisão liminar no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ontem, para se manter na corrida pela reeleição.

Autor da decisão, o juiz do TRE Marcus Botelho suspendeu os efeitos da decisão do juiz eleitoral de Kennedy, Ronaldo Domingues, que cancelou o registro de candidatura do petebista no último dia 6. O magistrado o considerou inelegível, com base na Lei da Ficha Limpa, por ele ter sido cassado pela Câmara, e notificou a coligação dele para que apresentasse substituto em 10 dias.

Para Botelho, "a determinação para que se exclua o candidato, retirando seu nome das urnas, poderá trazer problemas irreparáveis ao pleito eleitoral, e até mesmo ensejar a anulação das eleições no município de Kennedy", caso a decisão seja revertida, pois o sistema de registro será fechado na próxima segunda-feira.

Análise
Ao conceder a liminar ao petebista, Botelho ressalta que não analisou a possibilidade da cassação do mandato pelo Legislativo ser suficiente para cancelar o registro de candidatura ou não. Para ele, essa discussão será feita ao julgar o mérito do pedido ou numa eventual ação contra a expedição de diploma. Antes da votação no plenário do TRE, o procurador regional eleitoral, Carlos Mazzoco, irá se manifestar.

Acusado de comandar esquema de desvios e fraudes em Kennedy, Reginaldo foi cassado pela Câmara, mas a decisão não prevê suspensão dos direitos políticos. Pela Lei da Ficha Limpa, prefeito cassado fica inelegível oito anos após o término do mandato. Mas há divergências sobre o efeito da inelegibilidade após ter obtido o registro. 

O advogado do prefeito cassado, Marcelo Nunes, sustenta que "qualquer questionamento só pode ser feito após as eleições". Ele alega que o processo na Câmara tem várias irregularidades e vai pedir sua anulação na Justiça.

"Em hipótese alguma o PTB cogita trocar de candidato. Ele vai ser candidato, vai ser eleito e diplomado. Não existe prova de que ele cometeu irregularidade. O Judiciário não pode se basear em notícias de jornais. Está havendo prejulgamento", afirma o advogado.

Fonte: A Gazeta

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