terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cadela que foi queimada e teve olhos perfurados recebe alta


O filhote resgatado após ser queimado e ter os olhos perfurados, em Osasco (SP), recebeu alta na segunda-feira - após 54 dias de internação. Batizada como Victória, ela foi encontrada no dia 10 de julho, após ter 80% do corpo queimado. Agora, o animal está à procura de um adotante.

Victória foi encontrada pela secretária Vanessa Alencar, 25 anos. A cadela, de três meses, andava pela avenida dos Autonomistas com o corpo coberto de lama quando foi vista pela secretária, que passava de ônibus pelo local e desceu para prestar o socorro. A secretária levou a vira-lata até o Hospital Veterinário Cães e Gatos e, ao tirar a terra do corpo, foi constatado que ela tinha sido queimada.

O animal perdeu a visão e teve suas orelhas amputadas. Ontem foi encaminhado para um hotel, para que possa continuar o tratamento e a adaptação. A cachorra teria ficado traumatizada e com medo de pessoas e outros animais.

Emocionada, Eliana Calmon diz ter conhecido 'entranhas' do Judiciário


Emocionada após a conclusão dos dois anos de mandato como corregedora nacional de Justiça, a ministra Eliana Calmon afirmou nesta terça-feira, em sua última sessão no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que conheceu as "entranhas" do Poder Judiciário brasileiro durante o período. Calmon, que foi criticada durante a presidência de Cezar Peluso no CNJ, disse, em um discurso esperançoso, que conheceu o melhor trabalho de sua vida.

"Tive a oportunidade de conhecer as entranhas do Poder Judiciário. Tive a possibilidade de constatar aquilo que eu já vinha falando há muitos anos: é possível mudar. Nós, magistrados, podemos mudar o destino dessa nação. Basta nós querermos, basta nós acreditarmos. Principalmente após a Constituição de 88, que nos deu o poder de fiel da balança", disse a ministra. "Chega de falar da imposição que o ministro tem de ser reconhecido na sociedade porque é juiz. O juiz tem de ser respeitado pelo que ele faz para a sociedade. É um prestador de serviço", completou.

Conhecida por ser dura contra juízes acusados de corrupção, Calmon teve de assistir ao Supremo Tribunal Federal (STF) julgar o poder de investigação do CNJ, decisão que acabou favorável à atuação da ministra. As afirmações da corregedora na mídia provocaram mal-estar com o então presidente do STF, Cezar Peluso, cargo que acumula a chefia do CNJ. Em nota, o ex-ministro chegou a sugerir que a corregedoria havia investigado ilegalmente ministros do Supremo quando apurou pagamentos irregulares por parte do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

"Fui feliz aqui. Não tenho absolutamente mágoas. Não tenho débitos, nem tenho créditos. (...) Fui indiscreta enquanto corregedora, porque precisei ser indiscreta. Precisei usar a mídia. Precisei fazer com que a população soubesse o que passava no Poder Judiciário", afirmou. "Posso dizer aos senhores que foi o cargo mais maravilhoso que exerci nesses 34 anos de magistratura".

Em uma postura diferente da de seu antecessor, o presidente do STF e do CNJ, Carlos Ayres Britto, elogiou o trabalho de Eliana Calmon nesta terça-feira e entregou uma placa de reconhecimento à ministra, que retorna ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na sessão de hoje, diversos casos relatados pela ministra foram colocados em julgamento, como um "mutirão".

"Essa sessão operou como o retrato falado de sua excelência que esteve aqui desempenhando um trabalho a todo vapor, a toda corda, incansavelmente", disse Ayres Britto, que classificou a colega como "corajosa" e "engajada". "Sua excelência, por me permitir uma metáfora, monta relâmpago em pelo, como um desassombro, uma coragem pessoal inquebrantável, mas tudo isso movido por um dom da indignação", discursou.

Por onde andarás aquele Partido dos Trabalhadores?



O PT completou 32 anos, muito diferente daquele que Lula criou dentro do movimento sindical nos idos de 1980. Eram outros tempos e o Brasil exigia democracia. Lula, um operário, transformou-se numa luz, cada vez mais forte, que o país enxergava, na direção de novos rumos, de mais justiça social, da diminuição do abismo entre ricos e pobres. Era, em síntese, a voz de uma democracia que precisávamos para recomeçar, depois da escuridão do regime militar e da ditadura. Até chegar ao poder, o PT foi um brilho de esperança no imaginário dos brasileiros. Obrigou aos poderosos de plantão a rever conceitos, cobrou novos rumos nas políticas sociais, exigiu um duro combate à corrupção, foi voraz nas denúncias contra os que não cumpriam com suas funções públicas corretamente. Quem não era do PT, temia o PT, se escondia, tentava não ser atingido pelas duras lanças dos discursos arrasadores dos seus representantes. Mas daí, o PT chegou ao poder. Então........

......Começou uma nova fase. Lula chegou à Presidência. Sabia que não conseguiria governar sem amplas alianças. Teve que mudar o discurso e se aliar a quem combatera durante anos a fio. Talvez por ingenuidade, imaginando que os políticos profissionais, acostumados a viver encastelados junto aos cofres públicos e deles arrancar tudo o que podiam,  poderiam mudar, Lula não teve escolha. Se endurecesse, poderia levar o país a uma crise ou até a coisas piores. Como não o fez, teve que abaixar a cabeça e conviver com essa amálgama de interesses. Lula conseguiu fazer o país avançar, tanto na economia como nas questões sociais. Seu duplo mandato levou o PT às alturas, mas hoje tão mesclado, tão misturado com gente que nada tem a ver com a filosofia inicial do partido, que já não se sabe mais quem é petista de raiz e quem está nele apenas para benefício próprio. O Brasil avançou muito com Lula e o PT, mas chegou agora num momento inusitado: não se sabe qual será seu rumo daqui para frente. Terá que decidir, provavelmente: ou volta às suas raízes, ou se transforma em definitivo num partido igual aos que combateu lá no início, quando começou......

BALANCE CAPIXABA 04/09/2012


Leia as matérias na íntegra clicando nos títulos

Ministério Público do ES divulga salários. Maior valor pago foi de R$ 75 mil a procurador
Como parte da Lei de Acesso à Informação, o Ministério Público do Espírito Santo divulgou, no Portal da Transparência, na noite de segunda (03), os nomes dos 1.404 servidores (efetivos e comissionados) e seus respectivos vencimentos. O maior salário é o do procurador de Justiça, Sergio Dario Machado, que recebeu em agosto o total de R$ 75.379,37, incluindo o salário bruto de R$ 30.674,81, mais R$ 1.662,34 em indenizações e R$ 43.042,22 referente a “outras remunerações retroativas/ temporárias”.

O candidato do PRTB à Prefeitura de Vitória, Montalvani Lima, fez novas menções a seus adversários em programas veiculados na televisão e no rádio, ontem. Dessa vez, Montalvani falou que há uma concentração de receitas entre empresas de fora do Estado, as quais vencem as licitações e são contratadas para executar serviços da prefeitura.
Os alvos de Montalvani foram o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), o deputado Luciano Rezende (PPS) e a deputada federal Iriny Lopes (PT).
Segundo o candidato do PRTB, 30% do total de gastos ficam com empresas capixabas.
“Isso vem desde o tempo do Luiz Paulo prefeito, Luciano vereador e dona Iriny, hein, que já era deputada, nunca reclamou desta concentração de renda”, disse o narrador do programa.

Insatisfeito com trecho do programa de seu adversário Max Filho (PSDB), o prefeito de Vila Velha e candidato à reeleição, Neucimar Fraga (PR), entrou com nova ação na 57ª Zona Eleitoral do município. Dessa vez, a equipe jurídica de Neucimar pediu a suspensão do programa de Max, no qual o tucano diz que “22 não vale nada”. Como o número de urna do prefeito republicano é 22, ele entendeu que houve uma tentativa de atingi-lo.
Max e a sua coligação serão intimados para se manifestar. Segundo o advogado do tucano, Altamiro
Thadeu Sobreiro, a juíza indeferiu a liminar de Neucimar ontem à noite. “Para me pronunciar sobre o
assunto, prefiro aguardar a notificação da juíza”, disse Altamiro.
Como a análise da magistrada é preliminar, há ainda a possibilidade de a situação se reverter em favor do prefeito.

Uma dúvida bastante comum entre os eleitores brasileiros é se existe ou não diferença entre votar em branco ou votar nulo nas eleições. Alguns eleitores acreditam que o voto em branco vai para o candidato que está ganhando e o nulo não vai para ninguém.
No entanto, de acordo com a legislação eleitoral, tanto os votos em branco quanto os votos nulos não são considerados válidos, são excluídos de qualquer contagem e não são contabilizados para qualquer candidato.
Os votos em branco são assinalados através de uma tecla específica existente nas urnas eletrônicas. Já o voto nulo acontece quando o eleitor digita um número que não é correspondente a nenhum candidato ou partido oficialmente registrado e confirma a combinação digitada.

Os honorários de R$ 4.953,00 passariam para R$ 7.400,00. 
Dos 10 vereadores de Viana, sete são candidatos a reeleição.
A votação para aprovar o aumento dos próprios salários acabou em bate-boca e troca de acusações entre os vereadores de Viana, município da Grande Vitória, na noite de segunda-feira (3). Durante a sessão, os ânimos se excederam após alguns políticos votarem contra o projeto, indo na contramão do acordo realizado verbalmente entre os vereadores para que a aprovação fosse unânime, segundo confessaram os políticos durante a briga no plenário. Dos 10 vereadores de Viana, sete são candidatos à reeleição.
Moradores compareceram na Câmara Municipal para acompanhar a sessão de votação de um aumento de 40% nos salários dos vereadores, ou seja, os honorários de R$ 4.953,00 passariam para R$ 7.400,00. Faixas demonstrando a insatisfação da população de Viana em relação ao projeto foram colocadas das do lado de fora do prédio.

Candidato a prefeito pretende administrar trechos da BR-101 e ES-010
O deputado federal Audifax Barcelos (PSB), de 48 anos, que concorre pela coligação 'A Serra em primeiro lugar' com os partidos PSB, PP, PT, PTN, PR, PTC, PV, PRP, PSD, PPL e PHS concedeu entrevista a um canal de TV do ES, Durante a entrevista, o candidato propôs municipalizar rodovias estaduais e federais que passam pela cidade, para tentar melhorar as condições do trânsito.
O candidato, que já foi prefeito da cidade, disse que pretende voltar à gestão municipal para investir na área de saúde. "Em um mandato não dá para concluir todas as suas tarefas. Entendemos também que precisamos de mais, a cidade precisa avançar mais, e no nosso entender e acompanhando a população nas ruas, ouvindo a população de uma forma muito direta, é que a saúde é a prioridade. Quero voltar a ser prefeito para concluir as nossas tarefas no campo da saúde", explicou o candidato.

Sistema vai passar por vias beneficiadas pelos corredores exclusivos para ônibus
O governo do Estado anunciou nesta terça-feira (4) que vai criar uma rede de ciclovias para interligar os municípios da Grande Vitória. A rede será desenvolvida dentro do Programa de Mobilidade Metropolitana (PMM) e vai passar pelas vias beneficiadas pelo BRT – o novo sistema de transporte coletivo que contará com corredores exclusivos para ônibus. A expectativa é de que a construção de toda a rede seja concluída junto das obras previstas pelo PMM, em 2016.
Algumas vias de acesso ao BRT também deverão contar com ciclovias. Nos locais onde elas já existem, serão feitas adequações para que atendam ao projeto do PMM. O anúncio foi feito ontem pelo governador Renato Casagrande e pelo secretário estadual de Transportes e Obras Públicas, Fábio Damasceno.

Somente um em cada quatro candidatos a prefeito ou vereador espalhados pelo país recebeu doações para tocar a campanha deste ano. É o que mostra levantamento feito pelo Correio com base na primeira prestação de contas entregue pelos candidatos à Justiça Eleitoral. 
Dos 437 mil candidatos aptos à disputa em 7 de outubro, somente 124 mil (28%) foram contemplados com doações de empresas, pessoas físicas ou dinheiro repassado por padrinhos políticos, partidos e comitês financeiros. O restante dos candidatos, pouco mais de 313 mil, não declarou qualquer receita na primeira parcial de contas para custear despesas com água, alimentação, combustível, comícios, páginas na internet e material gráfico, entre outras.
De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os 124 mil candidatos receberam R$ 395,2 milhões para as campanhas. Muitos, inclusive, se bancaram.

O debate dos candidatos à prefeitura de SP aumentou a temperatura da disputa


Na noite passada (03/09), durante o segundo debate na televisão entre candidatos, assim como os números na pesquisa, a temperatura da disputa subiu. Embalada pela alta expressiva no prestígio do ex-ministro da Educação, as críticas suplantaram a apresentação das propostas de cada candidato. O debate ocorreu na Rede TV!, Em parceria com o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. Os ataques mais incisivos foram voltados ao tucano José Serra e ao petista Fernando Haddad. O candidato do PRB, Celso Russomanno, por sua vez, lidou com tentativas do petista de polarizar o debate em áreas como os transportes. Além disso, empenhou-se em se afastar do elo direto que o liga à igreja evangélica.

Participaram do encontro oito candidatos – além de Russomanno, Serra e Haddad, estiveram presentes também Gabriel Chalita (PMDB), Paulinho da Força (PDT), Soninha Francine (PPS), Levy Fidelix (PRTB) e Carlos Gianazzi (PSOL).

No primeiro bloco, passados alguns minutos, Chalita abriu fogo contra Serra. Adversário ferrenho do ex-prefeito desde os tempos em que integrava o governo estadual do PSDB em São Paulo, Chalita atacou o fechamento de escolas na administração do tucano, que respondeu:
– Eu fico espantado com a facilidade com que o candidato falta com a verdade.
Chalita ainda resgatou denúncias da campanha presidencial de 2010.
– Eu não tenho histórico de mentiroso. Não fui eu que disse que não conhecia Paulo Preto – disse, em referência à relação entre o tucano e Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, suspeito de ter fugido com R$ 4 milhões em recursos da campanha tucana.

Mais debate
Com Russomano à frente nas pesquisas, Haddad tentou, durante o debate, polarizar com o adversário do PRB sobre seus planos para o transporte público, citando um dos carros chefes da campanha petista – o Bilhete Único mensal. Russomanno devolveu a pergunta e aproveitou a oportunidade para ironizar a ideia de Haddad.
– Eu não sou contra a proposta (do bilhete mensal), desde que ela fosse viável. Eu não consegui entender quem vai pagar essa conta, o consumidor ou o poder público – rebateu.

Tradicional aliada de Serra, a candidata do PPS, Soninha Francine – sem chance alguma de seguir ao segundo turno, de acordo com as últimas pesquisas – transformou-se em braço auxiliar do ex-chefe tucano e dirigiu suas críticas a Haddad:
– E o Maluf, Haddad? – alfinetou, em referência à polêmica aliança entre o ex-ministro e o ex-prefeito pepista.
– Eu não sei se você tem encontrado com ele – devolveu Haddad, irônico, ao responder à adversária.
– Eu faço aliança com partidos políticos e disse desde o começo que vou fazer aliança com todos os partidos da base da presidenta Dilma – completou o petista.

Logo em seguida, foi a fez de Giannazi distribuir suas críticas a Serra, desta vez ao falar sobre o modelo de organizações sociais na gestão da saúde.
– É acabar com a privataria tucana na saúde, com a privatização tucana da saúde – disse.

Já o candidato Levy Fidelix aproveitou sua oportunidade para questionar as pesquisas e chegou a citar um estudo interno de seu partido, o PRTB, com a assinatura do instituto New Sense, em que ele apareceria com 5,7% das intenções de voto. Negou, ainda, que faça algum tipo de “dobradinha” com outro candidato.
– Não sou de fazer qualquer tipo de acordo. Meu acordo é com o povo de São Paulo – disse.

Gianazzi, por sua vez, citou o julgamento do ‘mensalão’ pelo Supremo Tribunal Federal (STF), alfinetando o PT de Haddad, e também o que qualificou como incoerências de Serra.
– Conheço todas as contradições do Serra. Sei o que ele fez no último verão e vou colocar isso no debate. E vamos falar de corrupção também, de ‘mensalão’ – avisou.

Paulinho também alfinetou os adversários e chegou a dizer que pediria mais explicações de Haddad sobre a proposta do Bilhete Único mensal.
– Ele tem que explicar melhor isso. Não ficou claro quanto é, se é de graça – disse.

Até o primeiro turno das eleições, dia 7 de outubro, os candidatos ainda irão se enfrentar em mais quatro oportunidades pela televisão. O próximo será no dia 17, promovido pela TV Cultura em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo e o Youtube. Em seguida, a TV Gazeta, no dia 24, a TV Record, no dia 1º, e a TV Globo, no dia 4, realizarão os debates eleitorais.

Medo do Mensalão e da CPI do Cachoeira afastam doações


Somente um em cada quatro candidatos a prefeito ou vereador espalhados pelo país recebeu doações para tocar a campanha deste ano.
É o que mostra levantamento feito pelo Correio com base na primeira prestação de contas entregue pelos candidatos à Justiça Eleitoral. 

Dos 437 mil candidatos aptos à disputa em 7 de outubro, somente 124 mil (28%) foram contemplados com doações de empresas, pessoas físicas ou dinheiro repassado por padrinhos políticos, partidos e comitês financeiros.

O restante dos candidatos, pouco mais de 313 mil, não declarou qualquer receita na primeira parcial de contas para custear despesas com água, alimentação, combustível, comícios, páginas na internet e material gráfico, entre outras.
De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os 124 mil candidatos receberam R$ 395,2 milhões para as campanhas. Muitos, inclusive, se bancaram.

No total, esses aspirantes a cargos eletivos nas cidades tiraram do próprio bolso pelo menos R$ 164 milhões, o que representa 42% do total arrecadado por eles.
Antes de fechar a primeira parcial de contas, o presidente do PT de São Paulo, deputado estadual Edinho Silva, admitiu que o partido — o segundo que mais recebeu doações este ano, atrás apenas do PMDB — estava com dificuldades para arrecadar fundos.

Ele atribuiu a fraca arrecadação ao ambiente negativo do julgamento do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF), e à CPI do Cachoeira, no Congresso Nacional.
Para o cientista político Cristiano Noronha, da consultoria Arko Advice, o julgamento no Supremo pode ter afastado os doadores de campanha.

Mas ele não acredita que esse seja o principal motivo da falta de dinheiro este ano.
"O Brasil não vive um bom momento econômico. A disponibilidade de caixa das empresas para financiar campanhas eleitorais vai para uma prioridade baixa”, explicou.

E ele também dá como exemplo o fato de que muitos dos que disputam uma cadeira para as câmaras municipais são novatos ou aventureiros.
“Sem projeção e sem nomes expressivos, não há interesse das empresas em financiar. As campanhas a vereador não atraem o grande empresariado, ao contrário das de pessoas expressivas”.

Segundo o cientista político, nas eleições municipais, as doações são destinadas majoritariamente aos candidatos a prefeito.
“Não havendo interesse em financiar vereador, a sua campanha acaba sendo feita com muita ajuda de cabos eleitorais e de amigos, que acabam se mobilizando. Por isso, há chances de haver recursos não contabilizados (na prestação de contas). Boa parte dessas doações não é oficial”, esclareceu.

A tese de que os mais conhecidos atraem a atenção dos doadores pode ser observada em casos como o dos candidatos a vereador em São Paulo Aguinaldo Timotheo (PR), que declarou ter recebido R$ 13,4 mil — sendo R$ 8,4 mil do próprio bolso.

E do ex-ministro do Esporte Orlando Silva (PCdoB), que também disputa uma vaga para a Câmara Municipal. O comunista acusou o recebimento de R$ 16 mil, sendo R$ 11 mil depositados pelo próprio partido.
Há exceções. O candidato a vereador em Recife pelo PPS Raul Jungmann, por exemplo, que já foi ministro de Estado no governo Fernando Henrique Cardoso e deputado federal, não recebeu nenhum centavo para tocar a sua campanha.

Segundo Jungmann, isso se deve ao atraso em definir a sua candidatura a vereador.
“Como eu era candidato a prefeito, na última hora não continuei e mudei para vereador. A campanha já tinha efetivamente começado. Tive de renegociar todo os apoios. Isso fez com que eu só colocasse a campanha na rua recentemente. Para isso, fiz um empréstimo de R$ 50 mil. Na segunda prestação de contas terão as doações, que já começaram a pingar”, esclareceu.

Pobreza 
Para o coordenador do Núcleo de Estudos em Gestão Pública da Universidade de Brasília, João Paulo Machado Peixoto, a falta de recursos para a maioria dos candidatos espalhados pelo Brasil é, de certa forma, natural.
A maioria dos municípios brasileiros é pobre. Porém, segundo o professor, é curioso que os partidos ainda não tenham contribuído para impulsionar a campanha de seus candidatos.

“Vemos que os candidatos são deles próprios. Não têm capacidade de organizar comitê financeiro, como em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, entre outras cidades grandes. Por isso, deveriam ser alimentados pelos partidos, por menos que seja a quantia".

A divulgação do nome dos doadores e das quantias doadas ainda com a campanha em andamento — fato inédito na história eleitoral do país — só foi possível graças à Lei de Acesso à Informação.
Baseada na lei, regulamentada em maio, a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, determinou que a divulgação dos doadores ocorra já nas primeiras prestações de contas parciais.
Pela Lei Eleitoral, os candidatos são obrigados a indicar os nomes dos doadores e os respectivos valores doados somente na prestação final de contas, prevista para ocorrer depois do pleito.

Caixa de campanha
Recursos recebidos Recursos gastos
Candidatos R$ 395,2 milhões R$ 189,4 milhões
Partidos R$ 53,4 milhões R$ 36,1 milhões
Comitês R$ 51,6 milhões R$ 40,8 milhões

Quem mais arrecadou
Eduardo Paes (PMDB, Rio de Janeiro) R$ 2,88 milhões
Luciano Ducci (PSB, Curitiba) R$ 2,45 milhões
Edson Girotto (PMDB, Campo Grande) R$ 1,83 milhão
Geraldo Julio (PSB, Recife) R$ 1,58 milhão
José Serra (PSDB, São Paulo) R$ 1,54 milhão
Fernando Haddad (PT, São Paulo) R$ 1,46 milhão
Lacimar Campos (DEM, Várzea Grande-MT) R$ 1,11 milhão

Recursos de Campanha
Pela Lei da Ficha Limpa, o candidato que for condenado por abuso do poder econômico, doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha nas eleições de 2012, além da cassação do registro ou diploma, ficará inelegível para as eleições que se realizarem nos oito anos seguintes. A pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais consideradas ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral ficam inelegíveis pelo prazo de oito anos após a decisão. 
Fonte: primeira prestação de contas divulgada pelo TSE 

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