segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Desafiando a Democracia - Reforma Política

Por Rodolpho Motta Lima


O deputado Miro Teixeira sugeriu submeter a plebiscito popular a deliberação sobre o sistema a ser levado a efeito nas eleições para a Câmara Federal, se voto de lista, se voto distrital, se voto misto, com as decorrentes implicações sobre o financiamento das campanhas, se público ou privado.

"Depois de tudo que ouvi/li a respeito, mantenho minha posição a favor do voto de lista – aquele em que o eleitor vota em um partido, tendo este, previamente, através de deliberações internas, organizado uma lista de seus candidatos, em ordem preferencial. Penso que esse sistema  revalorizará as agremiações partidárias, tão combalidas na atualidade, dando novas forças ao processo político. Os partidos, mais do que nunca, serão obrigados a apresentar uma plataforma política – ou ideológica, se preferirem o termo -, submetendo-a aos eleitores, que votarão segundo seus princípios, sem o risco de comerem gato por lebre. Aos eleitos cumpriria a rigorosa observância dos programas partidários, sob pena de perderem o mandato , por infidelidade (que configuraria, no caso, um estelionato eleitoral). Defendo também  esse sistema, não o nego, porque valoriza mais o coletivo do que o individual.  Não creio em super-homens no geral, e, principalmente, não acredito neles na política. 

O voto em lista traria, também,  outra vantagem: o financiamento público das campanhas, que democratizaria o processo eleitoral, inibindo, ou pelo menos diminuindo consideravelmente, o poderio econômico de uns sobre os outros. Não é difícil perceber que o apoio com dinheiro das grandes corporações a este ou aquele candidato não surge a troco do nada. Trata-se, escancaradamente, da antecipada compra dos votos futuros do parlamentar, e amparada por lei. Nos Estados Unidos, existe o PAC, o Super PAC, que garantem esses procedimentos, mas é só acompanhar o processo americano para perceber que lá,  como cá, dinheiro particular em eleição  serve a interesses estranhos à democracia."

Pois bem, o assunto  está posto e, é claro, há ferrenhos defensores de tese contrária a esta, que argumentam que , com a lista, o eleitor deixará de exercer o “sagrado direito” da escolha e, em consequência, não terá meios de acompanhar o destino do seu voto. Pode ser. Mas eu acho até mais fácil  acompanhar  o desempenho de um partido e a fidelidade a seus princípios do que esperar  muito de “salvadores da pátria” particularmente ungidos pelo financiamento oriundo de interesses nem sempre confessáveis. E como me parece que não se deva deixar essa decisão a cargo dos próprios interessados, os congressistas, penso que é, mesmo, um excelente tema para um plebiscito nacional.

O jornal  “O Globo”, em artigo de opinião a respeito (“É um erro plebiscito para reforma política”, de 31.01.12 ) é contra. Como eu ainda acredito em ideologias e nos conceitos de esquerda e direita,  talvez  pudesse, mesmo sem ver as suas razões,  concluir que, se o Globo é contra, o certo é ser a favor... Mas não adoto esse tipo de raciocínio, que desqualifica sem aprofundar.  O fato é que o Globo considera, entre outras coisas, que deve haver “o necessário cuidado toda vez que se pensar em acionar algum mecanismo de democracia direta”, argumentando que a complexidade do assunto é “obstáculo insuperável a que a população vote de forma consciente, sabedora em detalhes de todas as implicações” e concluindo que “o melhor é mesmo partir para revisões tópicas, nada heróicas e radicais”, um eufemismo para deixar tudo praticamente como está... 

Uma linha argumentativa desse tipo, que atribui a poucos maior qualificação para opinar sobre assunto que interessa a todos, tem o velho viés elitista (e estou evitando a palavra “fascista”). Considerar que o povo não decidiria corretamente sobre essa matéria é repetir – para tentar consolidar – a ideia de que o povo não sabe votar e que só os esclarecidos, detentores sei lá de que prerrogativas,  devem decidir as coisas mais sérias. Para quem pensa assim, um eleitor, então, não pode discernir sobre complexos problemas eleitorais, mas pode tentar “adivinhar”  os intrincados meandros desse jogo político sujo e mesquinho , na hora de dar o seu voto a um parlamentar... Fico aqui pensando que a estrondosa votação do deputado Tiririca, dentro do estado mais “esclarecido” do país,  jamais se daria com o voto em lista, pois o partido que colocasse o Tiririca nas primeiras posições de uma lista ou teria, de cara,  o repúdio do eleitor, ou assinaria uma sentença de morte a curto prazo.

Voltando ao impasse eleitoral, alguém dirá que temos um Supremo, que pode dirimir as dúvidas , com isenção.  Será? Pelo que percebemos,  o nosso poder judiciário não anda lá muito bem das pernas. Aliás,  que tal a sociedade pensar em um plebiscito que, decida, por exemplo, se é justo que 11 pessoas – seja a que título for – , depois de indicadas por um poder político, ocupem  cargos vitalícios para “julgar”  todas as grandes questões nacionais?

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Lula, uma trajetória de muitas lutas e algumas glórias.


Em abril de 1985 posa para foto com a “vaca brava”
durante greve dos metalúrgicos pela jornada de 40
horas semanais. A tática da “vaca brava” consistia
em empregar vários tipos de greve simultaneamente
 Nasce o líder

Lula entrou na vida sindical pelas mãos do irmão mais velho, José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, quando trabalhava nas Indústrias Villares em 1966.

Com 15 anos, ele começou a trabalhar como aprendiz de torneiro mecânico e aos 18 perdeu o dedo mínimo da mão esquerda, por descuido de um colega. Entre 1975 e 1978 foi eleito duas vezes presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e liderou as greves do ABC, após dez anos sem paralisações no País. O movimento iniciado em 12 de maio de 1978 se espalhou rapidamente por outras empresas. Cerca de 150 mil metalúrgicos cruzaram os braços, causando a irritação do presidente da Volkswagen na época, Wolfgang Sauer. “Era uma desordem total. Não havia base legal para fazer greve”, diz hoje o alemão naturalizado brasileiro. Desavenças passadas, atualmente, quando se encontram, os antigos rivais se abraçam. “Concordamos que aprendemos muito com tudo aquilo”, conclui o empresário.

O PT foi fundado em fevereiro de 1980 com a 
participação de trabalhadores e intelectuais. 
Fernando Henrique queria que os petistas se 
juntassem ao MDB
Lula começa a dar as cartas


O dia 10 de fevereiro de 1980 já está na história. Naquela data, 128 pessoas – o mínimo era de 101 – assinaram a ata da fundação do Partido dos Trabalhadores. Entre elas, ilustres intelectuais como Sérgio Buarque de Hollanda, Mario Pedrosa e Apolônio de Carvalho. A fundação do partido era consequência do movimento sindical que chacoalhou o ABC em 1978 e 1979 com greves históricas. Luiz Inácio da Silva começava a alçar vôos mais altos e aumentar sua participação política no cenário nacional. O escritório do advogado Luiz Carlos Greenhalgh, deputado federal pelo PT, foi um dos primeiros lugares onde Lula se reuniu com seus militantes. Greenhalgh advogava no andar de baixo de um sobrado no centro de São Paulo. Os encontros de cerca de 30 pessoas aconteciam no andar de cima. “A decisão de criar o PT foi num hotel em São Bernardo. Fernando Henrique estava lá e pediu para nos juntarmos ao MDB. Dissemos não”, conta o deputado. São Bernardo é o coração do PT. Laerte Demarchi, 57, dono do tradicional restaurante Demarchi, testemunhou o nascimento do partido. “Eles varavam a noite discutindo o partido e comendo frango à passarinho com polenta”, conta Laerte, velho amigo de Lula.
No ano seguinte, Lula discursa na 
porta da Volkswagen, em São 
Bernardo do Campo, quando era 
presidente cassado do Sindicato dos 
Metalúrgicos
À frente das greves históricas do ABC


No dia 1º de abril de 1980, Lula convocou os trabalhadores a outra paralisação. Cento e quarenta mil metalúrgicos cruzaram os braços e o ato foi considerado ilegal. O ministro do Trabalho do governo Figueiredo, Murillo Macêdo, chamou Lula em sua casa, pediu-lhe para moderar o discurso e julgou tê-lo convencido. “Dias depois, pressionado pelos companheiros, ele voltou atrás”, diz o ex-ministro. No dia 17 de abril, sob pressão militar, Murillo decretou intervenção no Sindicato. “Não queria fazer isso”, recorda-se o ex-ministro, que tem na parede de seu sítio uma foto com Lula jogando bilhar. “Disse aos militares que se Lula fosse preso tornar-se-ia um herói popular. Não me escutaram.” Dois dias após a intervenção, Lula foi preso com base na Lei de Segurança Nacional. Para o coronel Erasmo Dias, vereador em São Paulo e que na época da prisão trabalhava no SNI, o objetivo do governo militar era esse mesmo: tornar Lula um messias. Certos da decadência do regime, os militares, assegura Dias, conspiraram na intenção de ser fiadores da nova força política do País, para tirar algum proveito dela. “Seu nome era visto com beneplácito e o Dops acompanhou com bons olhos a fundação do PT”, garante hoje o coronel.

Lula depõe na Justiça Militar em 18 de agosto de 1980. No ano
seguinte o STM anulou a sentença de três anos e meio de prisão
Enfrentamento com os militares 


Após comandar as greves históricas no ABC e ser preso por 31 dias com base na Lei de Segurança Nacional, Lula foi julgado pelo Tribunal de Justiça Militar. Um dia antes do julgamento de Lula e dos outros líderes sindicais, o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh foi ao local buscar as credenciais, quando viu uma cena absurda. “Um soldado já estava datilografando a sentença antes mesmo de o julgamento acontecer. Então pedi que me contasse de quanto tempo seria a condenação de Lula”, relata. “Três anos e meio”, disse-lhe o soldado. Na mesma noite, na reunião da diretoria do sindicato, Lula, ao saber do fato, bradou: “Não vamos a uma farsa!”. E aproveitou para convidar todos os advogados e réus para um café da manhã na casa dele, às 9h, horário do julgamento, que foi anulado. Eles compareceram ao julgamento seguinte, mas a sentença ainda foi a mesma: três anos e meio. No dia 2 de setembro de 1981, o Superior Tribunal Militar anulou a sentença contra Lula e pediu novo julgamento. No ano seguinte, o STM julgou-se incompetente e os processos foram prescritos.

Na campanha das Diretas Já com Fernando Henrique
Cardoso (à esq. no alto), entre Tancredo Neves e
Ulysses Guimarães (abaixo) e discursando durante a
Assembléia Nacional Constituinte em 1989
Nas Diretas e no Congresso


A primeira nota que Lula recebeu na política foi 10. A avaliação foi do Diap – Departamento Intersindical de Atividade Parlamentar. Eleito o deputado federal mais votado no Brasil, 650 mil votos, em 1986, Lula participou da Assembleia Nacional Constituinte e levou para a bancada do partido discussões sobre os direitos sociais dos trabalhadores. “Se não tem trabalhador no Congresso, como é que os trabalhadores querem defender seus direitos?”, comentava na época. 
 


Foi a única função pública que ocupou antes de chegar à Presidência do País. Dois anos antes, em 1984, Lula foi um dos expoentes da campanha das Diretas Já, que varreu o Brasil exigindo eleições democráticas para presidente da República. Representando o PT – era o presidente do partido –, esteve nos comícios ao lado do senador Fernando Henrique Cardoso, do governador de São Paulo Franco Montoro, do prefeito de São Paulo Mário Covas e de Roberto Freire, então deputado pelo PMDB. “Era um Lula atuante, vibrante. Ele já era uma liderança importante, presidia o PT, que era um partido emergente, e nos ajudou a mobilizar a população”, lembra Freire, hoje senador do PPS.

Qual o futuro do PT, o partido que revolucionou a política no Brasil?

O PT completou 32 anos, muito diferente daquele que Lula criou, dentro do movimento sindical, nos idos de 1980. Eram outros tempos e o Brasil exigia democracia. Lula, um operário, transformou-se numa luz, cada vez mais forte, que o país enxergava, na direção de novos rumos, de mais justiça social, da diminuição do abismo entre ricos e pobres. Era, em síntese, a voz de uma democracia que precisávamos para recomeçar, depois da escuridão do um regime militar e da ditadura. Até chegar ao poder, o PT foi um brilho de esperança no imaginário dos brasileiros. Obrigou aos poderosos de plantão a rever conceitos, cobrou novos rumos nas políticas sociais, exigiu um duro combate à corrupção, foi voraz nas denúncias contra os que não cumpriam com suas funções públicas corretamente. Quem não era do PT, temia o PT, se escondia, tentava não ser atingido pelas duras lanças dos discursos arrasadores dos seus representantes. Mas daí, o PT chegou ao poder. Então...

Começou uma nova fase. Lula chegou à Presidência. Sabia que não conseguiria governar sem amplas alianças. Teve que mudar o discurso e se aliar a quem combatera durante anos a fio. Talvez por ingenuidade, imaginando que os políticos profissionais, acostumados a viver encastelados junto aos cofres públicos e deles arrancar tudo o que podiam, poderiam mudar, Lula não teve escolha. Se endurecesse, poderia levar o país a uma crise e até a coisas piores. Como não o fez, teve que abaixar a cabeça e conviver com essa amálgama de interesses. Lula conseguiu fazer o país avançar, tanto na economia como nas questões sociais. Seu duplo mandato levou o PT às alturas, mas hoje tão mesclado, tão misturado com gente que nada tem a ver com a filosofia inicial do partido, que já não se sabe mais quem é petista de raiz e quem está nele apenas para benefício próprio. O Brasil avançou muito com Lula e o PT, mas chegou agora num momento inusitado: não se sabe qual será seu rumo daqui para a frente. Terá que decidir, provavelmente: ou volta às suas raízes, ou se transforma em definitivo num partido igual aos que combateu lá no início, quando começou...

DITADURA

As graves estouram por todo o país. A bagunça começa a se institucionalizar. A quem interessa esse clima de terror, com as polícias ignorando ordens e alguns dos seus representantes se voltando para a população? Será que tudo isso é armação para prejudicar o governo de Dilma Rousseff? Ou será, como já aconteceu antes, a ante sala da derrubada da democracia? Tem gente torcendo para que fique pior. E vem fazendo de tudo para isso. Querem é mesmo a ditadura.

PT VERSUS HERMÍNIO

Nessa segunda, dia 13, a Justiça Eleitoral julga ação do diretório do PT rondoniense, que pede o mandato do agora presidente da Assembleia, José Hermínio Coelho, que foi eleito pela legenda, mas a trocou pelo PSD. Hermínio e a administração municipal petista estão em rota de colisão há meses. O Ministério Público Eleitoral, a princípio, teria considerada a troca de partido legal. O caso está na pauta do TRE para o início desta próxima semana.

MAIS GREVE

Em Rondônia, depois de uma longa greve dos policiais militares, agora é a vez dos professores. As propostas do governo não foram aceitas e tudo está se encaminhando para uma grande paralisação da categoria. Há, claro, razões importantes para que os professores exijam melhores salários. Mas é também claro o viés político da greve. Muitas lideranças gostariam que houvesse mais confusão e mais baderna. Não se sabe onde tudo isso vai parar.

PALANQUE

É incrível como a voracidade político-partidária se imiscui em tudo o que pode. Na eleição para novo reitor da Unir, onde se esperava uma campanha de alto nível, com debates de ideias e propostas (há local melhor do que uma Universidade para se dar lição de como uma campanha deve ser conduzida?), o que se vê é troca de ofensas, baixaria, pauleira pura. É que os reais interesses estão muito distante dos do mundo acadêmico. O buraco é mais embaixo. Literalmente.

PERGUNTINHA

O Congresso vai se apressar, de novo, para criar mais uma lei para anistiar policiais que participaram de atos de vandalismo e violência contra a população aterrorizada?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

PT quer avançar na “democratização dos meios de comunicação”

O Partido dos Trabalhadores (PT) ainda insiste em querer avançar com a “democratização dos meios de comunicação”. Em um debate que ocorreu ontem, 9,  em Brasília, o partido defende  a "campanha pela democratização dos meios de comunicação de massa em 2012". De acordo com o texto, essa campanha "aperfeiçoa nosso processo democrático
Rui_Falco
Rui Falcão presidente do PT, defende "democratização da mídia". (Imagem: Agência Brasil)
ao dar voz a todos os setores da sociedade", afinal o partido comemora esse ano o seu  32º aniversário.

Segundo nota do Estadão, esse é um assunto que está sendo muito discutido, além do mais no ano passado o PT já  tinha concordado com  "democratização", durante o 4º Congresso Nacional, que aconteceu em setembro. No documento, o PT defende a proibição de conceder rádio e TV para políticos, o veto à propriedade cruzada de mídia, principalmente para empresários e apoiar a criação de conselhos sobre o tema em todos os Estados, incluindo o Distrito Federal.

O presidente do PT, Rui Falcão, que apoia o projeto, inclusive é jornalista, chegou a passar pelos veículos A Gazeta, Folha de São Paulo, Notícias Populares, Jornal da Tarde e Diário da Noite, além de ter sido diretor de redação da revista Exame, entre  1977 à 1988. Ele reafirma que  o partido defende “ apenas um novo marco regulatório dos meios de comunicação, e não o controle social da mídia".

O que é a taxa básica de juros?

Para entender a taxa básica de juros, é preciso primeiro saber o que é o juro. O dicionário Houaiss o define como "quantia que remunera um credor pelo uso de seu dinheiro por parte de um devedor durante um período determinado, ger. uma percentagem sobre o que foi emprestado; soma cobrada de outrem, pelo seu uso, por quem empresta o dinheiro". Em linguagem mais simples, Carlos Antonio Luque, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), dá um exemplo de como isso funciona: "Se eu tiver à disposição uma maçã e se alguém quiser tomá-la emprestada, eu vou exigir que, no futuro, essa pessoa me devolva a maçã e mais um pedaço. Esse pedaço extra é o que representa os juros".
No Brasil, o governo federal emite títulos públicos e, por meio da venda deles, toma empréstimos para financiar a dívida pública no país e outras atividades como educação, saúde e infraestrutura. Quem compra esses títulos aplica seu dinheiro para, em troca, receber uma contrapartida: os juros. Mas quem define isso? "O Banco Central, que administra os leilões de títulos do governo, define uma remuneração sobre eles, que é a taxa básica de juros", explica o professor. Dentro desse órgão, existe outro chamado Comitê de Política Monetária, o Copom. Ele foi criado em 1996 e sua função é, como diz o próprio nome, definir as diretrizes da política monetária do país e a taxa básica de juros. Periodicamente, o Copom divulga a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), que é a média de juros que o governo brasileiro paga pelos empréstimos tomados de bancos. É a Selic que define a taxa básica de juros no Brasil, pois é com base nela que os bancos realizam suas operações, influenciando as taxas de juros de toda a economia.

Aumentar ou reduzir esse imposto pode trazer diferentes implicações à economia de um país. "Quando o Banco Central aumenta a taxa de juros, ele está nos dando a seguinte orientação: 'Não consumam hoje os bens, peguem seu dinheiro e apliquem no mercado financeiro, pois assim vocês poderão consumir mais no futuro'. Quanto ele a reduz, diz o contrário, que é mais conveniente comprar os bens hoje e não aguardar o futuro para obtê-los", diz Carlos Antonio Luque. Ou seja, o aumento na taxa básica de juros atrai mais investimentos em títulos públicos e a quantidade de dinheiro em circulação diminui. Com isso, as pessoas compram menos. A lei de mercado faz com que a queda na demanda baixe os preços dos produtos e serviços em oferta. Assim, consegue-se conter o avanço da inflação, mas o ritmo da economia desacelera. Porém, se a taxa for reduzida, acontece o inverso: os bancos diminuem os investimentos nos títulos do governo e passam a aumentar o crédito à população, o que eleva a quantidade de dinheiro circulando e estimula o consumo. O crescimento na demanda de produtos e serviços aquece o setor produtivo e, consequentemente, a economia como um todo. Em compensação, faz os preços se elevarem e possibilita o avanço da inflação.

Marta coloca o PT na parede: "De mãos dadas com o Kassab?"

Senadora paulista traduziu em seu Twitter um sentimento que parece comum a boa parte dos petistas e simpatizantes

Por Glauco Faria
Hoje pela manhã, a senadora Marta Suplicy traduziu em seu Twitter um sentimento que parece comum a boa parte dos petistas e simpatizantes: “Como posso, neste momento, me integrar à campanha do Haddad se corro o risco, de uma hora para outra, de me ver de mãos dadas com o Kassab?” A dúvida pontual diz respeito não apenas a ela, mas à própria militância petista e a quem se interessa pelos rumos da política paulistana e nacional.
Em 1988, Luiza Erundina era a candidata oficial do PT à prefeitura de São Paulo. O processo de escolha, por meio de prévias, não foi exatamente pacífico. O candidato da Articulação, grupo do principal líder do partido, Lula, era Plínio de Arruda Sampaio, mas ele foi derrotado pela deputada estadual na escolha da militância. O resto da história, todos sabem: Erundina venceu, ainda que a contragosto de muitos petistas à época, e esteve à frente de uma gestão que teve grandes méritos, mas que também enfrentou conflitos internos bastante educativos para o partido. Dois anos depois, Plínio disputou o governo do estado, ficando em quarto lugar, com 12,1% dos votos.
Esse processo de ampla discussão interna sempre fez parte da vida do PT. Dinâmica que em algumas ocasiões prejudicou o partido; em outras, deixou evidente o acerto da decisão da maioria, como no caso citado acima. Há vários outros exemplos nos quais candidatos de correntes minoritárias conseguiram viabilizar suas candidaturas e vencer eleições. Em outras, não saíram vitoriosos, mas prepararam o terreno para triunfos futuros. Hoje, esse debate mingua cada vez mais no partido, que se iguala em seus processos decisórios a qualquer outra agremiação, à direita ou à esquerda, que concentra a determinação de seus rumos nas mãos de poucos. Em São Paulo, isso fica nítido.
Em plenárias e encontros do PT paulistano, segue a tentativa de convencimento de uma militância que bradou contra Kassab durante anos de que uma aliança com seu PSD é um bom negócio. A aliança é costurada por cima, e o cálculo é meramente eleitoral. Caso as negociações tenham êxito, o prefeito de São Paulo não traz somente o seu partido para a aliança, mas também teria influência para trazer outros que fazem parte da sua base aliada e que outrora foram aliados naturais do PT, leia-se PCdoB, PSB e PDT, aumentando seu tempo de televisão (nesse quesito, o PSD não agrega quase nada). Kassab também tem na manga lideranças populares da periferia que se aproximaram da sua gestão e que fizeram a diferença nas últimas eleições, em 2008. A estratégia isolaria o PSDB, que teria o enorme desafio de viabilizar qualquer um de seus pré-candidatos, todos sem densidade eleitoral.
Além do óbvio ônus político de carregar o alcaide paulistano no colo, constrangendo vereadores e ativistas que lutaram contra medidas elitistas, conservadoras e/ou higienistas da sua gestão, a aliança colabora ainda mais para confundir uma população que não vê na classe política nada além de um amontoado de interesses que se agrupam conforme as circunstâncias. Claro que o objetivo também envolve negociações em outras cidades do estado, assim como preservar a tal aliança para 2014, dando o tiro de misericórdia no mais importante bastião tucano, o governo paulista.
Mas, mesmo que se considere só a questão eleitoral imediata e de 2014, fica a dúvida: a estratégia é eficiente? Se a eleição não for decidida no primeiro turno, como pensam os estrategistas, imaginemos um segundo turno entre Fernando Hadadd e Gabriel Chalita, verdadeiro candidato do governador Geraldo Alckmin. Alguém acha realmente que será uma parada fácil ou ganha? Chalita não terá consigo o ônus da rejeição de Kassab (que deve diminuir, como sempre acontece na cidade com “investimentos pré-eleitorais”, mas não chegará a níveis de excelência) e poderá apontar o tempo todo a incoerência do rival. E não faltará ao peemedebista artilharia pesada de alguém que tem potencial de agregar muito mais o campo conservador do que o adversário.
Outro dado para entrar na conta, muito mais sério, é o “programático”. Que tipo de comprometimento com segmentos político-econômicos que estiveram no comando nos últimos anos vai existir em uma suposta gestão de Haddad? Projetos como o Nova Luz vão ser tocados? A cidade continuará entregue a interesses imobiliários? A ideia é derrotar um inimigo político, no caso, os tucanos, e alimentar um aliado circunstancial que se difere muito pouco do que pensa (e faz) o PSDB?
Mas o que o PT pode perder mesmo antes da disputa começar é a crença de militantes históricos que ainda acreditam que o partido pode voltar a ser diferente. Desde aquele longínquo 1988 que esse tipo de petista vem ficando cada vez em menor número, perdendo espaço para os “militantes profissionais” ou para outros que, por múltiplos interesses, tendem a defender toda e qualquer decisão que venha de cima, com baixíssima capacidade crítica. Perde o partido, perde o debate público e perde a cultura política.
Foto por Agência Senado

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