Deputados. “A partir do dia 18, abre-se a oportunidade de repactuação
real”, disse Wagner em entrevista ao programa Brasilianas.org.
Wagner aposta na vitória do governo na votação do parecer sobre a continuidade do impeachment
no plenário da Câmara, que deve começar na sexta-feira (15) e se
estender pelo fim de semana. “Querem colocar na cadeira de presidente da
República alguém que não teve a benção do povo e do voto. Tenho
absoluta segurança que a gente vence no domingo no plenário da Câmara
dos Deputados, barrando o impeachment. Estamos fazendo conta entre 208 e 212 votos [contra o impeachment].
Temos consciência de que não vamos chegar acima dos 257 [votos], mas
temos um número com uma certa folga para barrar esse processo.”
Para que o impeachment seja aprovado no plenário da Câmara, e
posteriormente encaminhado ao Senado, são necessários, no mínimo, 342
votos do total de 513 deputados. Ou seja, para barrar o andamento do
processo, o governo precisa garantir 172 votos contra o impedimento.
“Aí
a grande pergunta é o dia seguinte: o que fazer? Eu acho que o que
fazer é: reaglutinar bem essa base que está nos apoiando, conversar com
segmentos sociais, com o segmento empresarial também. Conversar ou, pelo
menos, já deixar aberta a conversa mesmo com aqueles que escorregaram
nesse processo de impeachment, mas que resolvam botar um ponto
final nessa luta sem fim que já dura 15 meses e ter a presidenta no
lugar que o povo a colocou”, disse o ministro.
Segundo Wagner, o governo está trabalhando nas frentes jurídica e política para barrar o impeachment, mas não descarta ir ao Supremo Tribunal Federal caso o processo avance na Câmara e no Senado.
“Estamos
na casa de 208 [votos]. Isso muda a cada dia. Porque são sempre
conversas que são feitas, convencimento que é feito, de mostrar para
aqueles que estão na dúvida que esse processo está carregado de
ilegitimidade. Mas ninguém vai esquecer de uma possibilidade concreta de
ir ao Supremo Tribunal Federal porque o texto da Constituição é muito
claro: é preciso um crime de responsabilidade no exercício do mandato e
já está mais do que provado que não há crime de responsabilidade. O
importante para nós é ter a vitória política neste domingo.”
Lava Jato
Na
entrevista, que vai ao ar hoje (11), Wagner disse que o governo não
está preocupado com uma possível delação premiada do ex-presidente da
Odebrecht, Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato.
“O que
alguém pode falar é das relações da sua empresa com o governo. Do ponto
de vista do governo e da presidenta Dilma, não há essa preocupação.
Aqui a gente vê delações premeditadas, calculadas, que servem para fazer
linchamento público das pessoas sem que haja a efetiva investigação. Na
minha opinião, tem outras delações que podem chegar, mas a presidenta
está bastante tranquila.”
O ministro defendeu as investigações da
Lava Jato, mas criticou o que considera um “espetáculo na destruição e
na criminalização da política como um todo”.
“Já está sobrando esse espetáculo da investigação”.
O Brasilianas.org vai ao ar nesta segunda a partir das 23h na TV Brasil e é apresentado pelo jornalista Luis Nassif.