O primeiro
caso autóctone (contraído na própria cidade) do vírus Zika foi identificado na
cidade de São Paulo. A informação foi confirmada na noite de ontem (4) pela
Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.
O vírus foi
detectado em uma mulher, 28 anos, com 30 semanas de gestação. Ela é moradora do
bairro Freguesia do Ó, na zona norte da capital. O caso foi notificado no dia 3
de fevereiro. Segundo a secretaria, o exame ultrassom morfológico apresentou
normalidade no feto. Mesmo assim, a paciente foi encaminhada para fazer o
pré-natal no Hospital Escola e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, por ser
referência para gestação de alto risco.
A paciente,
cujo nome não foi informado, apresentou os primeiros sintomas no dia 30 de
janeiro e disse não ter viajado para fora do estado. No dia 3 de fevereiro,
foram coletados urina e sangue da paciente e, no dia 25 de fevereiro, o
resultado foi confirmado como positivo para o vírus. No dia seguinte, foi feita
uma nova coleta de sangue e novamente o resultado foi positivo.
O local onde
vive a gestante e todo o entorno foi visitado para exterminar criadouros do
mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus, informou a secretaria.
Em discurso
para a militância petista, na quadra do Sindicato dos Bancários do Estado de
São Paulo, o ex-presidente Lula disse na noite desta sexta-feira (4) que não
irá se calar mesmo ameaçado por perseguição política e denúncias infundadas. E
que para derrotá-lo, os opositores terão de enfrentá-lo nas ruas.
Lula falou em
ato organizado pelo PT, sindicatos e movimentos sociais sobre a situação
política após ter sido conduzido pela Polícia Federal ao Aeroporto de Congonhas
para depor nas investigações da Operação Lava Jato.
“Eu vim aqui
para dizer o seguinte: eu não sei se vou ser candidato, mas eu queria dizer a
todos que me ofenderam hoje pela manhã que foi uma ofensa; um ex-presidente que
fez por esse país o que eu fiz, não merecia receber o que eu recebi hoje de
manhã. Mas sem mágoa. Quero dizer para você aqui, se eles tiverem que me
derrotar, eles vão ter que me enfrentar nas ruas deste país”, disse o
ex-presidente.
Em nota
divulgada ontem (4), o Instituto Lula rebateu as acusações de que o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha recebido vantagens indevidas de
empresas investigadas na operação Lava Jato, conforme apontaram integrantes da
força-tarefa.
Em entrevista
concedida após a deflagração da 24ª fase da Lava Jato, o procurador da
República, Carlos Fernando Lima, integrante da operação, disse que Lula recebeu
cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões em
palestras de empresas investigadas na operação.
O instituto,
responsável pela preservação do acervo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, afirmou, em nota, que o financiamento é semelhante ao de instituições
ligadas a outros ex-presidentes no Brasil e em outros países, "exceto por
jamais ter recebido doações de empresas públicas, diferentemente do que ocorre,
por exemplo, com a Fundação FHC", e que todas as doações recebidas foram
declaradas às autoridades, desde a criação da instituição, em 2011.
O
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo
Tribunal Federal (STF) que Cláudia Cruz e Danielle Cunha, mulher e filha do
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sejam processadas pelo juiz
federal Sérgio Moro, titular as investigações da Operação Lava Jato na primeira
instância da Justiça Federal em Curitiba. O pedido consta da denúncia contra
Cunha, apresentada nesta sexta-feira ao Supremo.
De acordo com o procurador, a mulher e a filha de Eduardo Cunha devem responder
às acusações na primeira instância da Justiça Federal por não terem foro
especial por prerrogativa de função. Segundo a denúncia apresentada contra o
presidente da Câmara, Cláudia e Danielle, que também são investigadas com o
marido e pai no Supremo, foram beneficiadas pelos recursos que estavam
depositados em contas na Suíça atribuídas a Cunha.
Segundo a
denúncia, US$ 165 mil foram encontrados em conta na Suíça atribuída à mulher de
Cunha. De acordo com as investigações, parte do valor foi usado para pagar
despesas do cartão de crédito de Danielle Cunha.
A defesa de
Cunha disse que não vai comentar a apresentação da nova denúncia.
A presidenta
Dilma Rousseff fez, nesta tarde, um pronunciamento em que se disse inconformada
e indignada com a notícia de um suposto acordo de delação premiada do senador
Delcídio do Amaral (PT-MS) e contestou as informações sobre o que teria dito o
parlamentar nos depoimentos. Dilma afirmou que é "absolutamente subjetiva
e insidiosa a fala do senador, se [é que] ela foi feita", e considerou
descabidos alguns fatos relatados por Delcídio, segundo a revista IstoÉ.
Dilma convocou
a imprensa para fazer uma forte defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, um dos alvos da 24ª etapa da Operação Lava Jato, deflagrada nesta
sexta-feira (4). No pronunciamento, a presidenta reafirmou o teor de nota
publicada na tarde de hoje, manifestando "absoluto inconformismo" com
a condução coercitiva do ex-presidente e classificando de
"desnecessária" a medida.
Pelo menos
três citações da revista IstoÉ sobre o suposto depoimento de Delcídio no âmbito
da Lava Jato foram contestadas pela presidenta. Dilma negou ter conversado com
o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, na tentativa de
"mudar os rumos" da Lava Jato. Disse que os esclarecimentos sobre a
compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras, em 2014, já foram devidamente
prestados, embasados em documentação do Conselho de Administração da Petrobras,
e que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento
da investigação.
A presidenta
considerou "lamentável" a ocorrência do vazamento ilegal de uma
hipotética delação premiada, que, se foi feita, teve como motivo único a
tentativa de atingir sua pessoa e seu governo. "Provavelmente, pelo imoral
e mesquinho desejo de vingança e de retaliação de quem não defendeu quem não
poderia ser defendido pelos atos que praticou", ressaltou.
Ela disse
também que não pediu ao senador petista para conversar com juristas antes de
indicá-los ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), com o objetivo de
convencê-los a votar a favor do governo. Dilma declarou ter nomeado três
ministros na turma do STJ a que teria se referido o senador, dos quais apenas
um votou favoravelmente a seu governo.
Dilma
enfatizou “jamais” ter falado com Delcídio sobre o assunto e negou ter tentado
negociar “de forma imoral” a nomeação dos ministros, com o objetivo de
conseguir a libertação de investigados da Lava Jato, que na época estavam
presos preventivamente.
“O ministro
Marcelo Navarro, o presidente do STJ, Francisco Falcão, os desembargadores
Newton Trisotto e Nelson Schaefer negaram peremptoriamente a existência de
quaisquer tratativas do governo a respeito. A afirmação atribuída ao senador,
assim, restou claramente desmentida”, afirmou Dilma.
A presidente
fez o pronunciamento ao lado de dez ministros de sua equipe. O assessor para
Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia,
também estava presente na hora do pronunciamento.
CPI dos Bingos
Dilma negou
ainda que o encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos,
no Congresso Nacional, tenha ocorrido para “beneficiar, de alguma forma”, a sua
campanha presidencial de 2010. Sobre esse assunto, a presidenta disse que a
afirmação “se desmente pela própria temporalidade”.
“A CPI dos
Bingos teve início em 29 de junho de 2005 e foi encerrada em 20 de junho de
2006, ou seja, foi aberta praticamente a uma semana da minha posse como
ministra-chefe da Casa Civil e distante quatro anos da minha indicação à
Presidência da República. Sem dúvida, ninguém, em 2006, tinha a possibilidade
de supor que eu seria candidata à Presidência da República, e antever essa
situação. É, portanto, descabida, é, portanto, absurda qualquer associação
entre o encerramento dessa CPI com a minha campanha eleitoral de 2010”,
enfatizou Dilma.
Vídeo
Abaixo, veja
trechos do pronunciamento da presidenta Dilma no Palácio do Planalto após o
depoimento do ex-presidente Lula à Polícia Federal.
A 24ª etapa da
Operação Lava Jato movimentou os corredores da Câmara dos Deputados, bem como
os próprios partidos políticos, seja com a oposição defendendo o impeachment da
presidenta Dilma Rousseff ou a base aliada criticando a ação da Polícia Federal
e classificando-a de ação política.
Na Câmara dos
Deputados, lideranças oposicionistas manifestaram apoio à ação da Polícia
Federal de hoje (4), como a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Já os governistas defenderam o posicionamento de que a nova
etapa comprova o aspecto político da operação.
O PSB divulgou
nota em que reafirma a “sua postura crítica em relação ao governo federal”. O
partido reiterou sua intenção em “marchar em definitivo para a oposição a este
governo”, segundo nota assinada pelo presidente do partido, Carlos Siqueira,
para quem a mudança deverá ser aprovada pela Executiva Nacional.
O deputado
José Carlos Aleluia (DEM-BA) disse que esta sexta é um “dia histórico” que
representará o “renascimento da República Brasileira”, com o Brasil mostrando
ao mundo que “ninguém está acima da lei em nosso país”.
Também por
meio de nota, o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP),
defendeu a mobilização da oposição para votar o impeachment no Congresso
Nacional, e conclamou a população a sair às ruas para se posicionar em defesa
da investigação da Operação Lava Jato.
O líder do
PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), disse que a nova fase da Lava Jato
trouxe à luz “a existência de uma organização criminosa”, o que, segundo ele,
representa “o começo do fim desse projeto”. Para ele, há reforço tanto o
processo de impeachment da presidente Dilma em discussão na Câmara, como nas
ações que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral, que apuram o financiamento
da campanha da presidenta à reeleição.
Vice-presidente
nacional do PSDB, Carlos Sampaio (SP) disse que Lula “sempre foi o maior
responsável por esses anos todos de corrupção” e que agora chegou a hora dele
prestar contas à Justiça. O ex-líder da oposição na Câmara dos Deputados,
Bruno Araújo (PSDB-PE) defendeu a retomada do processo de impeachment da
presidenta Dilma na Câmara, antes mesmo de o Supremo Tribunal Federal concluir
sua avaliação sobre o caso.
Mais cedo, o
líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (PT-BA), disse que a condução
de Lula para prestar depoimento confirma que a Lava Jato é uma operação
política e ilegal. “Ilegal porque o ex-presidente Lula prestou depoimento
sucessivas vezes e não há nenhuma pista e nem prova contra ele”.
O petista
avalia que existe uma ação politicamente coordenada com a oposição porque a
tese do impeachment da presidente Dilma Rousseff teria perdido força.
“Estaremos em vigília em todos os estados durante o dia e tomaremos um conjunto
de iniciativas para defender a democracia e o presidente Lula”, adiantou.
Deputados e
senadores do PT foram a São Paulo para uma reunião no Diretório Nacional com o
presidente da legenda, Rui Falcão. A ideia é discutir o cenário político diante
da repercussão da suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral
(PT-MS) e para prestar solidariedade ao ex-presidente Lula. Uma das maiores
preocupações no partido, neste momento, é mobilizar a militância em defesa do
ex-presidente e da presidenta Dilma Rousseff.
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