segunda-feira, 19 de agosto de 2013

MC Anitta: embranquecimento e elitização do funk


Seja pelo preconceito de classe ou pela intolerância diante de letras com conteúdo sexual explícito, as mulheres do funk são grandes vítimas da misoginia e do racismo.
  • Blog Dag Vulpi

    Esse grande repúdio contra as artistas femininas do funk é intimamente relacionado a repulsa às mulheres negras, não somente porque a maioria das funkeiras são negras, mas porque o funk tem raízes históricas e é intimamente ligado à cultura negra brasileira.

    No entanto, há pelo menos um exemplo atual de mulher que veio do funk e é amplamente aceita e celebrada na mídia: a Anitta. Enquanto as outras artistas têm suas raízes no funk tradicional com letras explícitas, a Anitta é apresentada como uma funkeira voltada para a cultura pop, com uma produção higienizada e pronta para o consumo. Artistas como a Anitta são reposicionadas em uma nova classe social, que embranquece suas expressões artísticas e as torna muito mais “adequadas” para a televisão brasileira.

    Há divergências sobre os motivos que levam a Anitta a ter mais sucesso que outras artistas similares. Alguns ativistas acreditam ser devido a uma suposta branquitude. No entanto, enxergar Anitta como uma pessoa branca demonstra a naturalização do processo de embranquecimento racial. Em uma sociedade que tem como branca qualquer pessoa miscigenada de pele clara, o caso de Anitta merece no mínimo uma reflexão.

    É preciso entender que a identidade que Anitta ou outras artistas possuem sobre suas cores é algo subjetivo, construído ao longo dos anos sob influência da sociedade. Não adianta relativizar o reconhecimento racial e reduzi-lo a uma questão de afirmação, pois compreender-se como negra não é um fator decisivo para que alguém seja tratada como negra; para isso acontecer, é necessário que a sociedade também consiga ver a negritude nessa pessoa.

    A Anitta é um exemplo de uma mulher miscigenada que foi embraquecida e “enriquecida” para que o seu trabalho artístico fosse valorizado. A aparência de Anitta vem se tornando cada vez mais diferente desde a sua fama, com tratamentos de clareamento sobre uma imagem cada vez mais elitizada. Sabendo disso, vale a reflexão: será que Anitta é aceita por ser reconhecida como uma mulher branca ou terá embranquecido em busca de aceitação? Se outras funkeiras passassem por um processo de embranquecimento e elitização classial, seriam elas abraçadas pelos programas da televisão aberta nos mais diversos horários?

    Esse processo não diz respeito somente ao embranquecimento de características físicas, como cabelos lisos, pele clara e nariz fino, mas está também relacionado à repressão da sexualidade feminina. O funk bem aceito socialmente é aquele que constrói uma sensualidade feminina tolerável, que não intimida o machismo. E a sexualidade feminina que é aceita é aquela que não causa choques. A Valesca Popozuda é um bom exemplo: embora em sua aparência atual ela seja vista como uma mulher “morena clara”, ou em alguns casos até mesmo branca, o modo como lida com o sexo sem eufemismos faz com que sua expressão artística seja repudiada socialmente.

    Artistas femininas sofrem uma imposição de limite sobre a sensualidade, que só pode ser expressada de modo comedido e elitizado: uma mulher que rebola na MTV é muito mais aceita artisticamente do que aquela que rebola em um baile funk no morro. É extremamente importante notar, no entanto, que nenhuma mulher é plenamente aceita ao expressar sua sexualidade. Ao final do dia, todas essas mulheres têm algo em comum: todas elas são transformadas em objetos de consumo.

    Ser consumida, nesse caso, significa oferecer a sensação de controle ao público masculino. A mulher objeto de consumo deve expressar sensualidade, mas não ao ponto de fazer com o que o homem se sinta ameaçado, nem na eminência de ser “traído”. Caso a mulher expresse sua sexualidade de forma objetiva e direta, ela é tida como uma “vadia” indigna de valor e seriedade. A mulher negra, especificamente, carrega nos ombros o estereótipo de “mulher consumível” e descartável, para ser “usada” e jogada fora, ao contrário do produto mais cotado e duradouro: a mulher branca. Essa é a realidade da misoginia: as mulheres são tratadas como mercadorias, algumas mais valorizadas do que outras.

    Embora a questão da branquitude de Anitta seja debatível perante nossos olhos, o problema é muito mais profundo e está entranhado em diversas nuances da sociedade. A questão não é atribuir uma identidade a Anitta ou outras artistas brasileiras, mas sim levantar o questionamento sobre a possibilidade de sucesso e a aceitação social dependerem de uma branquitude, seja ela real ou imposta. Uma pele clara e um cabelo liso combinados com uma sexualidade moderada e restrita são necessários para o sucesso das mulheres.

    Seja ao chamar mulheres negras de morenas ou ao aceitar o “branco” como padrão, o racismo articula com a violência imposta sobre as classes desfavorecidas e encontra seu apogeu quando atua de forma machista. É preciso trazer todas essas nuances para o debate e trabalhar para destruir essas violências. A forma como as opressões atuam não é sempre tão óbvia, tampouco tão simplista. São necessárias uma dialética e uma visão abrangente, não polarizada, para que possamos transformar nossa cultura e conquistar a dignidade que é usurpada de tantas mulheres.

    Jarid Arraes - Educadora sexual, feminista, ativista pelos Direitos Humanos e estudante de Psicologia. Trabalha voluntariamente com o grupo FEMICA – Feministas do Cariri e com o FQC – Feminismo Que Cola. Escreve no Mulher Dialética e no Guia Erógeno.
  • Texto publicado originalmente no site Blogueiras Negras

Embaixada britânica diz que detenção de brasileiro é de “responsabilidade da polícia”

Os ministros das Relações Exteriores do Brasil e do Reino Unido, Antonio Patriota e William Hague, conversaram na tarde desta segunda-feira (19), por telefone, sobre a detenção do brasileiro David Miranda no Aeroporto de Heathrow, em Londres. Patriota e Hague definiram que representantes dos dois países permanecerão em contato na busca de uma solução para o impasse envolvendo o assunto.

Cientistas querem provocar sistema imunológico a atacar câncer

Uma equipe de cientistas americanos do Hospital Infantil da Filadélfia descobriu uma forma de provocar o sistema imunológico a atacar células de tecidos do corpo e ajudar no combate ao câncer.


O sistema imunológico é delicadamente equilibrado para atacar invasores e não combater os próprios tecidos do corpo. Assim, existem muitas doenças autoimunes, tais como a diabetes do tipo 1 e a esclerose múltipla, que ocorrem quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano.

Imunoterapia
Pesquisas feitas com células T, que ajudam na produção de anticorpos no organismo, têm sido bastante populares na área de estudos do câncer e de doenças autoimunes. As células T fazem parte do sistema imunológico, e ajudam a equilibrá-lo impedindo que ataque o próprio corpo.

Australiano de 70 anos passa por cirurgia para retirar garfo de dentro do pênis


Um australiano de 70 anos precisou passar por uma cirurgia após inserir um garfo em seu pênis, informa o jornal britânico The Independent nesta segunda-feira. O caso foi divulgado inicialmente em um jornal médico no mês passado.
De acordo com a publicação, o homem se apresentou na emergência de um hospital de Canberra com sangramento em seu órgão sexual. Ele teria inserido o talher em seu pênis 12 horas antes em uma tentativa de "gratificação sexual", mas o garfo ficou preso. 
Após os médicos verificarem em um raio-x que o sangramento era motivado pelo corpo estranho, um fórceps e lubricação "abundante" foram necessários para retirar o garfo. O paciente estava sob anestesia geral.
Imagem do raio-x do australiano antes da cirurgia Foto: ReproduçãoImagem do raio-x do australiano antes da cirurgia Foto: Reprodução
Fonte: Terra

MP denuncia oito bombeiros no caso Kiss e pedirá revisão de alvarás

Entrevista coletiva foi realizada nesta segunda-feira, em Santa Maria.
Inquérito Policial Militar havia denunciado os oito bombeiros.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou nesta segunda-feira oito bombeiros por responsabilidades na tragédia que matou 242 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, na Região Central do estado. Além disso, o MP afirma que vai instaurar outro Inquérito Policial Militar para apurar questões de penúria (uso e condições de materiais) no incêndio.

Rei ordena hospitalização e tratamento de saudita de 610 quilos

Khaled Mohsen Shairi foi levado de sua cidade para a capital Riade.
Homem teve de ser retirado de casa com o auxílio de uma empilhadeira.

Um saudita pesando 610 kg e que perdeu a mobilidade foi hospitalizado por ordem do rei Abdullah, informou nesta segunda-feira (19) a imprensa local.

Khaled Mohsen Shairi foi levado de Jizane, sul da Arábia Saudita, para o hospital Rei Fahd, na capital Riad, e teve de ser retirado de casa por uma empilhadeira.


Uma equipe médica acompanhou a transferência para o hospital em Riad, segundo o ministro da Saúde, Abdullah al-Rabia, citado pelo jornal "Arab News". A natureza do tratamento a que será submetido não foi informada.


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