"A realização de uma assembleia constituinte
exclusiva com representantes externos ao Congresso Nacional poderia abrir
precedentes para uma maior politização do debate acerca da reforma política,
algo muito inconveniente para o governo, a oposição de direita e a imprensa"
Por Danilo Enrico Martuscelli, no site Barsil de Fato
Os protestos recentes, que tomaram as ruas de
várias cidades do país, podem ser caracterizados como uma combinação de
espontaneísmo com movimento organizado. O espontaneísmo tem se manifestado por
meio de pautas difusas que questionam a malversação das verbas públicas, a
corrupção no sistema político, a legitimidade dos partidos políticos, entre
outros pontos. Trata-se de pautas com conteúdo progressista, mas facilmente
apropriadas pelas forças conservadoras, justamente por se fixarem no plano das
denúncias, sem apresentarem medidas concretas para solucionar as mazelas
apontadas. Já o movimento organizado tem se valido da reivindicação de pautas
concretas, frutos, na maioria das vezes, da experiência de lutas travadas por
diversos grupos políticos e movimentos sociais ao longo das últimas décadas.
Queremos ressaltar, com isso, que as lutas pelo passe livre, por mais verbas
para a educação e para a saúde, pela tributação das grandes fortunas, pela
redução da jornada de trabalho, pela democratização da mídia, não surgiram em
junho de 2013, mas são resultantes de muitos debates e embates realizados nas
ruas e nos mais variados espaços sociais. São exatamente as pautas concretas,
construídas nas lutas, que têm sido até agora vitoriosas, o que nos leva a
salientar a importância da mobilização e da organização na luta por direitos e
pela ampliação de conquistas democráticas.