sábado, 30 de janeiro de 2016

EUA aumentam monitoramento sobre Zika e apostam no desenvolvimento de vacina


Os Estados Unidos vão monitorar o avanço do vírus Zika nas Américas e adotar medidas mais eficazes para contê-lo, disse o porta-voz do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC ), Benjamin Haynes.

As medidas anunciadas pelo CDC revelam a importância que o governo norte-americano vem dando ao problema. Ontem (29), em conversa por telefone, o presidente Barack Obama e a presidenta Dilma Rousseff decidiram criar um grupo de pesquisa para o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Zika.

À Agência Brasil, o porta-voz acrescentou que o monitoramento será acompanhado de ações para equipar laboratórios de diagnóstico e apoiar programas de controle de mosquitos, tanto nos Estados Unidos quanto nos países em que se verificam a presença do mosquito Aedes aegypt. O mosquito é o agente transmissor do vírus Zika, da dengue e da chikungunya.

A pesquisa destinada a criar uma vacina contra o vírus Zika, que pode provocar malformação em recém-nascidos, deverá ser feita com base em uma cooperação já existente entre o Instituto Butantan e o Instituto Nacional de Saúde (NIH), uma agência governamental do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, com sede em Bethesda, no estado de Maryland.

Reunião
Antes da conversa com a presidenta Dilma, Obama orientou sua equipe de saúde para acelerar os esforços nas pesquisas para desenvolver vacinas e tratamentos para conter o vírus Zika. Em reunião, na terça-feira (26), na Casa Branca, com integrantes da área de Saúde e Segurança Nacional, Obama determinou que todos os americanos recebam informações sobre o vírus e as medidas que devem tomar para se proteger da infecção.

Hoje, existem 31 casos de Zika em 11 estados norte-americanos. O papel do CDC é evitar que aumentem os casos da doença. Por isso, o órgão faz constantes alertas destinados, principalmente, a americanos que possam ser infectados em viagens ao exterior.

Recentemente, o CDC alertou às mulheres grávidas que residem nos Estados Unidos a evitar que viajem para 23 países, a maioria na América o Sul e na América Central. Orientou também às mulheres que pretendem ficar grávidas que avaliem seus planos de viagem e que, caso resolvam mesmo viajar, se protejam contra os mosquitos nos lugares de destino.

Apesar de ressaltar que a epidemia do Zika se espalha muito rapidamente no Brasil e nas Américas, Benjamin Haynes disse que ainda é cedo para que o órgão publique uma lista de recomendações para que atletas e turistas se protejam durante o período das Olimpíadas, no Rio de Janeiro, de 5 a 21 de agosto deste ano. “Seria imprudente especular prematuramente o conteúdo de recomendações de cuidados ou proteção com uma antecedência de seis meses”, disse o porta-voz do CDC.

Haynes disse que o CDC tem conhecimento do vírus Zika há algum tempo e vem se preparando para sua chegada aos Estados Unidos. Laboratórios em muitos países já foram treinados para realizar testes para detectar a dengue e a febre chikungunya. “Essa especialização dos laboratórios agora será destinada para testes com o Zika”, acrescentou.


Por telefone, Dilma e Obama acertam parceria para vacina contra o vírus Zika

A presidenta Dilma Rousseff e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, decidiram criar um grupo de alto nível para o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Zika. Os dois conversaram hoje (29), por telefone, e concordaram em unir esforços para produzir a vacina e produtos terapêuticos contra o vírus. O Zika está relacionado à ocorrência de microcefalia em recém-nascidos. 

A base das pesquisas será a cooperação já existente entre o Instituto Butantan e o National Institute of Health (NIH), que já estudam uma vacina contra a dengue, também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Durante a ligação, Dilma e Obama determinaram que o ministro da Saúde brasileiro, Marcelo Castro, e o Departamento de Saúde dos Estados Unidos mantenham contato a fim de aprofundar a cooperação bilateral na área.

Nesta semana, o governo federal intensificou as ações de mobilização para eliminar criadouros do Aedes aegypti. Outro vírus transmitido pelo mosquito, o chikungunya, provocou a morte de uma pessoa no Recife. Danielle Santana, de 17 anos, teve miosite aguda, associada ao vírus.

José Dirceu presta depoimento e nega indicação de Duque para a Petrobras


O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, admitiu hoje (29), em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que o empresário Milton Pascowitch, um dos delatores do esquema de desvios da Petrobras, pagou a reforma de seu apartamento e de sua casa.

De acordo com seu advogado, Roberto Podval,  Dirceu negou que tenha indicado o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, apontado como indicação do PT, para o cargo. O ex-ministro foi interrogado na ação penal da Lava Jato na qual é réu. 

De acordo com a defesa do ex-ministro, José Dirceu não recebeu diretamente o dinheiro da reforma. Acrescentou que o custeio foi feito em razão da amizade entre Dirceu e Pascowitch. O ex-ministro e mais 15 investigados foram denunciados pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Além do ex-ministro, também prestou depoimento hoje Gerson Almada, ex-executivo da empreiteira Engevix.

A acusação contra Dirceu e os demais denunciados se baseou nas afirmações de Milton Pascowitch, em depoimento de delação premiada. O delator afirmou que fez pagamentos em favor de Dirceu e Fernando Moura, empresário ligado ao ex-ministro.

Segundo os procuradores, o dinheiro saiu de contratos entre a Engevix e a Petrobras e teriam passado por Renato Duque e o empresário Fernando Moura, que assinou acordo de delação premiada. 

José Dirceu está preso preventivamente desde agosto do ano passado em um presídio em Curitiba. A defesa do ex-ministro disse que a denúncia é inepta, por falta de provas. Conforme os advogados, a acusação foi formada apenas com declarações de investigados que firmaram acordos de delação premiada.

Dólar cai e Bovespa tem a maior alta diária em 14 meses


Em um dia de otimismo no mercado financeiro, o dólar caiu para perto de R$ 4 e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve a maior alta em 14 meses. O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (29) em R$ 4,024, com queda de R$ 0,056 (-1,36%). A moeda está no menor valor desde o dia 6 (R$ 4,021).

O Ibovespa, índice da Bolsa de São Paulo, fechou o dia com alta de 4,34%, em 40.305 pontos. O indicador encerrou acima de 40 mil pontos pela primeira vez desde o último dia 8. A alta foi a maior registrada desde 21 de novembro de 2014, quando o índice tinha subido 5,02%.

As ações da Petrobras, as mais negociadas, também subiram. Os papéis ordinários da estatal, que dão direito a voto em assembleia, subiram 6,29% e fecharam a semana em R$ 6,93. As ações preferenciais, que dão preferência na distribuição de dividendos, encerraram em R$ 4,84, com alta de 5,22%.

Apesar do dia de euforia no mercado financeiro, a Bolsa encerrou janeiro com queda de 7,02%. O dólar fechou o primeiro mês do ano com alta de 1,93%.

O otimismo no mercado financeiro veio depois que o Banco Central do Japão decidiu adotar juros negativos na terceira maior economia do planeta. Também contribuiu a divulgação de dados que mostram que a economia dos Estados Unidos desacelerou no quarto trimestre e subiu 0,7%.

A adoção de juros negativos no Japão ajudou a impulsionar a cotação do petróleo no mercado internacional. Isso porque o país asiático é grande consumidor de matérias-primas, e medidas para estimular a economia japonesa favorecem países exportadores de commodities (bens agrícolas com cotação internacional), como o Brasil.

Em relação aos Estados Unidos, o crescimento abaixo do esperado reforça as expectativas de que o Federal Reserve, Banco Central do país, demore a aumentar os juros da maior economia do planeta. Taxas mais baixas nos países desenvolvidos ajudam a segurar dólares em países de juros mais altos, como o Brasil.

*Com informações complementares da Agência Lusa

Itália desaconselha viagens a países afetados pelo Zika

O Ministério da Saúde da Itália desaconselhou grávidas ou mulheres pensando em ter um filho a visitarem os países mais afetados pelo vírus Zika. O comunicado da pasta não menciona o nome de nenhuma nação, apenas fala em “adiar viagens não essenciais para essas áreas”.

O governo recomendou também a mesma precaução para indivíduos afetados por doenças no sistema imunológico ou com graves patologias crônicas. “Ainda que a OMS [Organização Mundial da Saúde], até o momento, não recomende a aplicação de restrições de viagens ou movimentos internacionais às áreas ligadas à transmissão do vírus zika, é oportuno, com base em um princípio de extrema precaução, pedir a todos os viajantes que adotem medidas de proteção individual para prevenir picadas de mosquito”, diz o aviso do Ministério da Saúde.

Além disso, nos próximos dias, serão colocados em portos e aeroportos painéis informativos sobre a doença pedindo para os turistas que retornarem à Itália ficarem atentos a sintomas como febre, dores musculares e nas articulações, erupções cutâneas e conjuntivite.


Venezuela tem 255 casos de síndrome neurológica relacionada ao Zika

As autoridades venezuelanas registraram 255 casos da síndrome neurológica de Guillain-Barré, relacionada com o vírus Zika e que em alguns casos pode causar paralisia ou debilidade muscular, segundo a ministra da Saúde da Venezuela, Luisana Melo.

“Ontem, tínhamos registros de 255 doentes com a síndrome de Guillain-Barré e, de entre eles, há 55 que estão na unidade de cuidados intensivos”, disse a ministra em entrevista à televisão estatal VTV.

Até agora, foram contabilizados na Venezuela 4.500 casos suspeitos do vírus Zika, de acordo com a governante, que descartou a ocorrência de casos de microcefalia em bebés associados ao vírus, que se propagou por 24 países americanos e do Caribe.

No entanto, Luisana Melo assinalou que aquele número não corresponde ao total de casos, uma vez que, segundo cálculos das autoridades, três em cada quatro pessoas com o vírus é assintomática, pelo que o número de casos pode ser muito superior.

Ainda de acordo com a ministra, foi concebido “um plano de abordagem com atividades de promoção e prevenção” relativas à doença para implantar em todo o país. Serão usados de cerca de 70.000 litros de inseticida em pulverizações.

O vírus Zika provoca uma doença caracterizada por um surto de erupções cutâneas que podem ser acompanhados de febre, artrite, conjuntivite, dores musculares e dores de cabeça, entre outros sintomas.

Nos últimos meses, o vírus espalhou-se velozmente pelo continente americano que, segundo estimativas da Organização Pan-Americana de Saúde, pode chegar 3 milhões a 4 milhões de casos da doença no espaço de um ano.

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