segunda-feira, 1 de abril de 2013

A educação na sociedade de classes: possibilidades e limites


Por Paulino José Orso*
Muito se tem discutido sobre o papel da educação na so­ciedade, se ela apenas reproduz a sociedade em que está inseri­da ou se ela é ou pode ser revolucionária a ponto de transfor­mar toda a sociedade. Entretanto, muitos, em vez de analisá-la e compreendê-la de acordo com a categoria da totalidade, caem na perspectiva positivista e simplesmente deslocam-na do con­junto das relações sociais de produção, embrenham-se pelo idealismo e apresentam-na como se fosse capaz de promover o desenvolvimento econômico, garantir o bem estar social e conduzir a todos à felicidade; fazem dela a responsável pelo sucesso ou fracasso de cada um.
Foto: site: IE - Instituto Educação
Analisando-a de forma abstrata, deslo­cada das contradições e dos antagonismos de classes, atribuem a ela um caráter redentor. Entretanto, existem "n" formas de educação; não é possí­vel para falar de educação abstratamente, nem desconsiderando a história. Além disso, as finalidades com que se educa também não são as mesmas em todas as épocas, em todos os lugares e em todas as sociedades. Simplificando, poder-se-ia dividir a educação em dois tipos: a formal e a informal. A primeira refere-se àquela ministrada em sala de aula, com professores, programas, conteúdos, objetivos definidos, que é realizada de forma sistemá­tica. A segunda diz respeito à realizada cotidianamente, basea­da nos costumes, nas leis, nas tradições, nas lutas do dia-a-dia, nas mobilizações, na aprendizagem durante a vida. Ambas são formas de educação e variam de acordo com a sociedade, com as relações de força envolvidas, com a época, com o estágio de desenvolvimento e o lugar em que ocorrem. Mas, afinal de con­tas, o que é ou em que consiste a educação? Se pudéssemos abar­cá-las numa mesma definição, poderia se dizer que a educação é a forma como a própria sociedade prepara seus membros para viverem nela mesma.
Foto site: IE - Instituto Educação
Ora, se a educação é a forma como a sociedade educa seus membros para viverem nela mesma, então, para compreender a educação precisamos compreender a sociedade. Assim, na me­dida em que a compreendermos, também entenderemos aquela. Partindo do princípio de que, após o surgimento da propriedade privada dos meios de produção, a história da humanidade tem sido a história das lutas de classes e que atualmente vivemos no modo de produção capitalista, baseado na extração da mais-valia, na exploração, na competição e na concorrência, a educação, submetendo-se às determinações da base material, no geral aca­ba contribuindo para a reprodução desta sociedade. Quanto à educação formal, ela geralmente se parece mais com uma forma de adestramento, disciplinarização, treinamento e docilização dos indivíduos, do que como meio de transforma­ção e de revolução social. Mesmo quando tem a preocupação, de ser crítica, de subverter a ordem acadêmica e de questionar o sistema vigente, o que é um tanto raro e incomum nos tempos atuais, é envolvida por um amplo aparato disciplinar e burocrá­tico deixando pouco espaço para a flexibilidade e para a reali­zação de experiências alternativas. Além disso, na maioria das vezes, os conteúdos estão mais voltados para ensinar que "a Eva viu a uva", ou seja, conteúdos abstratos, do que para compreen­der a vida concreta, isto é, a matemática da fome, o português da violência, a geografia e a história da exploração e dos problemas sociais, a ciência da história da vida real dos homens e voltam-se mais para a adaptação, para a alienação e para o conformismo do aluno ao meio do que para desmistificar, para questionar as condições de vida e o modo de produção capitalista.
 Por Paulino José Orso* (Docente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná)
Via Instituto de Educação. IE

Número de casamentos de homossexuais aumenta quase quatro vezes após nova norma de cartórios

Desde o início de março os casamentos entre homossexuais passaram a ter igualdade nos procedimentos em relação aos heterossexuais, após a nova regulamentação adotada pelos cartórios paulistas. Com isso, o numero desses casamentos em março foi quase quatro vezes maior do que a média mensal deste ano.
Segundo a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP), foram celebrados, no primeiro mês de vigência da norma, 41 casamentos entre homossexuais, enquanto a média era 11 por mês.
O crescimento das uniões era previsto pela Arpen. De acordo com a entidade, existe uma demanda reprimida de pessoas que querem se casar, mas acreditavam que a celebração depende de autorização judicial.
Antes da regulamentação, o casamento entre pessoas do mesmo sexo só era autorizado em alguns cartórios. Em outros era necessário recorrer à Corregedoria-Geral do Estado. Agora, os 832 cartórios de registro civil do estado de São Paulo celebram os casamentos entre homossexuais normalmente.
O primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo em São Paulo foi celebrado em junho de 2011, em Jacareí (SP). Desde 2012, foram celebrados na capital paulista 149 desses casamentos, 86 deles em 2012 e 63 neste ano.

Balança comercial tem superávit de US$ 164 milhões em março


Brasília - A balança comercial brasileira fechou março com superávit de US$ 164 milhões. O saldo foi consequência de exportações de US$ 19,323 bilhões e importações de US$ 19,159 bilhões. Apesar de superavitário, foi o resultado mais fraco para o mês desde março de 2001, quando houve déficit de US$ 274 milhões. Os números foram divulgados hoje (1°) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Tanto as vendas externas quanto as compras cresceram ante março do ano passado. As importações, no entanto, tiveram aumento mais expressivo na comparação anual. Enquanto a média diária das exportações, que ficou em US$ 966,2 milhões,  cresceu 1,6%, a das importações, que alcançou US$ 958 milhões, aumentou 11,6% em relação a março de 2012. Na comparação com fevereiro de 2013, o quadro foi inverso, com elevação de 11,8% das exportações e de 2,5% das importações.

Adiada reunião de líderes para discutir permanência de pastor na presidência da Comissão de Direitos Humanos

A reunião do Colégio de Líderes da Câmara dos Deputados para discutir a permanência do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), marcada para amanhã (2), foi transferida para a próxima semana. O adiamento ocorreu porque o presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ficará em repouso esta semana devido a uma operação de hérnia abdominal, feita na última quinta-feira (28), em São Paulo.
Depois de o presidente da Casa ter fracassado na tentativa de convencer Feliciano a deixar o cargo, os líderes vão tentar demovê-lo da ideia de permanecer na presidência do colegiado. Na semana passada, as lideranças discutiram a possibilidade de esvaziar a CDHM como forma de pressionar Feliciano a renunciar.
No entanto, como o número de evangélicos na comissão é suficiente para deliberações, os líderes decidiram que vão tentar o diálogo com o pastor para mostrar que ele não tem condições políticas de exercer o cargo. Marco Feliciano é acusado de homofobia e racismo por ter postado em redes socais comentários ofensivos a gays e negros.
Mesmo antes de sua eleição para a presidência da comissão, o parlamentar vem sendo alvo de protestos de grupos defensores dos direitos dos homossexuais, dos negros, artistas e políticos. O pastor pediu desculpas pelos comentários.

Estudantes negros têm maior probabilidade de insucesso na escola, dizem pesquisas


Brasília – Duas pesquisas da Universidade de São Paulo indicam que alunos negros têm maior possibilidade de fracassar na escola do que os brancos. Para os pesquisadores o menor êxito dos negros é resultado de condições socioeconômicas. Contribuem também fatores culturais. Um deles é o preconceito desenvolvido por professores. Pequena parte deles acredita que os alunos negros terão, naturalmente, desempenho pior do que os brancos.
Foto do site: Instituto de Educação
O conjunto de fatores determina que, quando os estudantes chegam ao 6º ano do ensino fundamental, 7% dos alunos brancos tenham mais de dois anos de atraso escolar, e entre os negros, o indicador chega a 14%. Os números são apresentados no artigo Fracasso Escolar e Desigualdade do Ensino Fundamental da pesquisadora Paula Louzano, publicado no relatório De Olho nas Metas de 2012, lançado pelo movimento Todos pela Educação.
O artigo é baseado no questionário socieconômico da Prova Brasil 2011, aplicada nacionalmente e respondido por 2,3 milhões de alunos do 5º ano. Dos alunos que responderam à questão de reprovação ou abandono da escola, um terço havia passado pela situação de insucesso na escola. Desses, 43% se autodeclararam pretos, 34% pardos e 27% brancos, segundo a denominação adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Paula Louzano afirma que os números gerais são alarmantes e o cenário se agrava mais para alguns grupos sociais. “A chance de isso [repetência ou abandono] acontecer não é distribuída igualmente entre grupos. Alguns tem processos mais tortuosos, o que está ligado também ao nível socioeconômico. A desigualdade que marca o Brasil se reproduz no sistema de educação”, diz a pesquisadora.

A CORAGEM DE ASSUMIR SEUS ATOS

Pedro Lobo de Oliveira em foto de Lucas Lacaz Ruiz

“Fomos lá e matamos Charles Chandler com vinte tiros. 
Era o justiçamento de um capitão norte-americano que estava no Brasil pra ensinar tortura e havia cometido crimes horríveis no Vietnã. 
Explodimos o Quartel General do Ibirapuera. 
Invadimos o hospital militar do Cambuci. 
Tomamos dinheiro dos bancos, na marra, é claro. 
Pusemos uma bomba no consulado dos Estados Unidos, outra na Sears. 
Era uma forma de propaganda para nossa luta. 
Só na minha casa tinha um estoque de 480 quilos de dinamite.”

     No último dia 19 de março, Pedro Lobo de Oliveira se apresentou à Comissão da Verdade para fazer um relato de sua atuação na luta contra a ditadura implantada no Brasil a ferro e a fogo a partir de 31 de março de 1964. 

   Em seu depoimento, o ex-sargento — cuja vida está retratada no livro Pedro e os Lobos - Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano — revelou sua militância no Partidão de Luís Carlos Prestes, no Movimento Nacional Revolucionário e na Vanguarda Popular Revolucionária, organização clandestina que abrigou o Capitão Carlos Lamarca.

   Por fim, Pedro contou como foi preso, barbaramente torturado e, depois de cumprir ano e meio de cadeia, banido para a Argélia na troca por um embaixador. (conheça a vida de Pedro em detalhes acessando www.osanosdechumbo.blogspot.com.br).

    “Fiz minha obrigação como brasileiro", diz o ex-guerrilheiro. "Narrei para a Comissão toda a participação que tive na luta contra os militares, porque foram ações em defesa da pátria e eu me orgulho delas". 

    Resta agora saber se os algozes do ex-sargento, e todos aqueles que, a serviço do Estado, prenderam, torturaram, mataram e sumiram com centenas de presos políticos, terão a coragem de fazer o mesmo.

    Só assim, vamos poder virar de vez a página deste que foi um dos períodos mais conturbados de nossa História.

    Se você quiser conhecer a fundo os Anos de Chumbo, narrados sempre pela ótica da guerrilha, e saber de todas as dezenas de ações que Pedro Lobo e seus companheiros de armas fizeram, compre o livro Pedro e os Lobos com 20% de desconto pelo e-mail:
laque@ibest.com.br.  

Via blog do Laque

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