sábado, 10 de novembro de 2012

Ruídos intensos causam mais de 30% das perdas de audição



Brasília - No Dia Nacional de Combate e Prevenção à Surdez, lembrado hoje (10), a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial (Aborl-CCF) alerta que até 35% das perdas de audição ocorrem por causa da exposição aos sons intensos, como fones de ouvido em aparelhos de MP3 e ruídos no ambiente de trabalho. De acordo com a associação, a surdez causada pela exposição aos sons intensos vai acumulando ao longo dos anos.

O presidente da Associação de Otorrinolaringologia do Distrito Federal, Diderot Parreira, alerta que a prevenção é “a melhor arma para a gente lutar contra a perda auditiva”. “A audição perdida não volta mais. Prevenir é a melhor opção,” recomenda Parreira.
Parreira aponta qual o volume ideal para ouvir música: “O volume adequado [no uso de fones de ouvido] é aquele que enquanto você está escutando uma música, uma notícia, você também escuta outra pessoa falando com você normalmente.”
“Provavelmente, vamos ter mais velhinhos com problemas de audição na nossa geração do que na anterior, dos nossos pais, justamente por causa da exposição a ruídos intensos,” ressalta Parreira.
O uso de fones que são inseridos no canal auditivo levam o som diretamente à membrana timpânica, sem nenhuma barreira de proteção às delicadas estruturas que compõem a orelha interna. Os fones tipo concha são os mais indicados pelos médicos, desde usados em uma intensidade sonora adequada, informa a associação.
Com relação aos ruídos no trabalho, os trabalhadores da construção civil são os que correm maior risco de ter a audição comprometida. Os profissionais que atuam em aeroportos e, em alguns casos, motoristas de ônibus também são afetados. “Na nossa cidade [Brasília], os motores dos ônibus ficam na frente, próximo ao motorista, do lado direito dele. Imagina, ele fica horas e horas com aquele ruído, sem proteção nenhuma, já que no trânsito não se pode usar. Ele vai ter essa perda de audição”, explica Parreira.
Para o presidente, uma boa opção para proteger a audição desses profissionais é retirar o motor dos ônibus do lado do motorista, como já é feito em algumas cidades brasileiras com leis nesse sentido.
A poluição sonora também pode afetar a audição. De acordo com a associação, ruídos a partir de 85 decibéis (nível de pressão sonora), intensidade registrada em uma avenida movimentada, são prejudiciais. A orientação é não permanecer por mais de oito horas em ambientes com sons em torno de 85 decibéis. A partir de 95 decibéis, a permanência recomendada cai para duas horas, por exemplo, ambiente onde alguém está tocando piano bem alto.
Parreira lembra que os ruídos do dia a dia também podem alterar o lado emocional das pessoas. “A parte emotiva da pessoa vai ficar alterada. Chegando em casa, isso vai aflorar um pouquinho e pode fazer a pessoa ter diminuição de concentração, nervosismo, estresse, dificuldade pra dormir. Tudo isso pode estar relacionado à poluição sonora que a gente vive no dia a dia.”
Aline Leal - Agência Brasil - Edição: Carolina Pimentel 


Isolamento de idoso pode ser sinal de problema de audição

Brasília - Cerca de 10% dos brasileiros sofrem de algum tipo de problema de audição, conforme estimativas da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial (Aborl-CCF). Depois dos 65 anos de idade, eles se tornam mais comuns e podem levar à depressão.

“Do mesmo jeito que nossa pele vai envelhecendo, nossos olhos vão tendo dificuldade para acomodar o foco visual, o ouvido também vai envelhecendo. É importante a família saber que aquele idoso que está amuado, no canto, que não gosta de falar e de sair,  pode estar sofrendo de uma perda de audição,” diz Diderot Parreira, presidente da Associação de Otorrinolaringologia do Distrito Federal.
Nesses casos, a recomendação é que o idoso seja avaliado por um otorrinolaringologista. Se a perda for identificada, o ideal é usar um aparelho auditivo, que basicamente amplifica som. De acordo com Parreira, o idoso volta ao convívio social que tinha antes da perda.
“Um teste simples, audiometria, pode monitorar a necessidade daquele momento. Qualquer perda auditiva é passível de tratamento. Nós temos diversos tipos de exames pra detectar o tratamento que deve ser utilizado, que pode ser desde uma simples prótese auditiva até uma cirurgia de implante coclear, que é mais elaborada.”
No Dia Nacional de Combate e Prevenção à Surdez, lembrado hoje (10), Parreira adverte sobre o uso de cotonetes para a limpeza do ouvido. “Geralmente, as pessoas colocam o cotonete bem dentro do ouvido e isso pode lesar o tímpano, tira a proteção do ouvido que é a cera. Cera não é sujeira, é proteção. Isso deixa o ouvido mais exposto a infecções bacterianas ou fúngicas. A única limpeza que deve ser utilizada é a toalha depois do banho, só onde o dedo alcança,” aconselha.

Aline Leal - 
Agência Brasil - 
Edição: Carolina Pimentel

Fux manda incluir aumento do Judiciário na proposta orçamentária de 2013


Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal  (STF)
Brasília - O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Congresso Nacional inclua a proposta oficial do Poder Judiciário no Projeto de Lei Orçamentária para 2013. O documento previa aumento de 7,12% para o Judiciário da União, que teria impacto direto de R$ 285 milhões anuais.

A questão foi judicializada no início de setembro pelas três maiores entidades de classe de juízes do país. Elas contestaram o fato de o Executivo ter retirado o orçamento original elaborado pelo STF da proposta apresentada ao Congresso Nacional em agosto. Segundo as entidades, a interferência é uma afronta à autonomia entre os Poderes.
A Advocacia-Geral da União (AGU) saiu em defesa do Executivo argumentando que a proposta orçamentária do STF foi mantida, ainda que anexa ao documento principal. Segundo a AGU, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, justificou a necessidade de adequação devido ao complexo cenário econômico atual e a necessidade de manter a economia brasileira funcionando bem.
Os argumentos não convenceram o ministro Luiz Fux, que determinou a apreciação do orçamento do Judiciário tal como apresentado pelo STF. A decisão liminar deve ser cumprida enquanto o processo não foi apreciado definitivamente pelo plenário do STF.
O Ministério Público da União também acionou o STF, em setembro, para contestar os cortes do Executivo na proposta orçamentária encaminhada ao Congresso Nacional. A categoria previa reajuste de 29,53%. O processo está sob relatoria do ministro Joaquim Barbosa, mas ainda não houve decisão.
Débora Zampier - 
Agência Brasil - 
Edição: Talita Cavalcante 

A cada 15 segundos, um consumidor é vítima de tentativa de fraude, diz Serasa




São Paulo – A cada 15 segundos, um consumidor brasileiro é vítima da tentativa de furto de identidade, fraude em que dados pessoais obtidos ilegalmente por criminosos são usados para obter crédito ou para fechar negócios, transferindo a dívida para o titular dos documentos.
Entre janeiro e setembro, foram registrados 1.565.028 de tentativas de fraudes desse tipo, número recorde desde 2010, quando a medição começou. Em 2011, houve 1.478.397 registros entre janeiro e setembro e, em 2010, 1.377.033 no mesmo período. Os dados, divulgados hoje (9), são do Indicador Serasa Experian de Tentativas de Fraudes.
“Os golpistas usam os dados das vítimas para obter talões de cheque e cartões de crédito e também fazer empréstimos bancários. Depois, os cheques e cartões são utilizados em restaurantes, salões de beleza, na compra de pacotes turísticos, entre outras despesas", disse o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro.
As fraudes são mais comuns nos serviços de seguradoras, construtoras, imobiliárias e serviços em geral, como pacotes turísticos e salões de beleza: foram 563.323 registros, o correspondente a 36% do total. Em segundo lugar está o setor de telefonia, com 33% dos casos de 2012.
A Serasa aconselha o consumidor a adotar cuidados em seu dia a dia para se proteger das fraudes, como não fornecer dados pessoais para pessoas estranhas, não confirmar informações pessoais ou número de documentos pelo telefone, não perder de vista documentos de identificação, não informar os números dos documentos quando do preenchimento de cupons para participar de sorteios ou promoções de lojas.
Também é indicado evitar fazer cadastros em sites que não sejam de confiança, ter cuidado ao publicar dados pessoais nas redes sociais e manter atualizado o antivírus do computador. Deve-se fazer boletim de ocorrência logo após a perda ou o furto de documentos. O consumidor pode ainda cadastrar a ocorrência gratuitamente na base de dados da Serasa, informação que será disponibilizada ao mercado.
Bruno Bocchini - 
Agência Brasil - 
Edição: Davi Oliveira 

Filha de Camilo Cola entra na Justiça para afastar empresário do Grupo Itapemirim


O processo é sigiloso. Não foram divulgados detalhes do teor da ação, que tramita na Justiça e foi confirmada por advogados

Foto: Gabriel Lordêllo
Fontes ligadas ao empresário avaliaram que a 
ação na Justiça é mais uma manobra para que 
a filha tente ter maior parcela do patrimônio 
das empresas
Vinícius Valfré
A filha do empresário e suplente de deputado federal Camilo Cola (PMDB) entrou na Justiça para tentar afastar o pai da gestão das empresas do Grupo Itapemirim. Ana Maria Cola argumenta que a idade avançada de Camilo está o impossibilitando de gerir os negócios. A informação foi publicada, nesta quinta-feira (09) na coluna Radar Online, da Revista Veja, e confirmada por advogados de Ana Maria.

O processo é sigiloso. Não foram divulgados detalhes do teor da ação, mas fontes ligadas ao empresário avaliaram tratar-se de mais uma manobra para que a filha tente ter maior parcela do patrimônio das empresas.

Ana Maria Cola está alijada do cotidiano a família e das empresas desde 2008, quando morreu Ignez Cola, esposa do empresário. O patrimônio da empresa foi então repartido entre os filhos. Ana Maria chegou a considerar que as empresas do Grupo Itapemirim estão subavaliadas, o que diminuiria a parte dela nos bens.

Na ação judicial, ela argumentou que faltam condições ao pai para lidar com os negócios, em razão dos 89 anos de idade que tem. Camilo cola continua à frente dos negócios da família. Ele completa 90 anos no dia 26 de julho.

"Plena forma"
Um dos advogados do empresário Camilo Cola, Marcelo Miranda, considerou absurda a ação proposta pela filha do ex-deputado federal pedindo a intervenção nos negócios da família sob os argumentos de que Camilo não tem mais condições de gerir as empresas do Grupo Itapemirim, em virtude da idade avançada.

Marcelo afirmou ainda não ter tomado conhecimento da ação oficialmente, mas, afirma que o processo "está repleta de interesses contestáveis". Ele acredita que a ação seja uma manobra para que Ana Maria tente obter uma parte maior no inventário da empresa.

"Não tomamos conhecimento da ação e me parece que ela está sob segredo de Justiça. Ela é absurda. Camilo está em plena forma física e mental. Se em janeiro vai voltar a ser deputado federal, como está sem condições para os negócios? A ação é até patética", provocou.

O empresário deve voltar à Câmara dos Deputados no próximo ano, por causa da eleição do deputado federal Audifax Barcelos (PSB), à Prefeitura do Município da Serra.
A mobilização de Ana Maria na Justiça é apenas mais um capítulo do desentedimento jurídico e financeiro de pai e filha. Eles já brigam na Justiça há alguns anos pelo inventário das empresas.
Fonte: Rádio CBN Vitória (93,5 FM)

PF e MP arquivam inquérito envolvendo filho do ex-presidente Lula


Após sete anos de investigações, inquérito foi arquivado sem que ninguém tenha sido chamado a depor

Pauli Giandalia/AE - 04/03/2012 | Em 2004, Lulinha recebeu
 R$ 5 milhões 
da operadora de telefonia Telemar, atual Oi
Agência Estado
BRASÍLIA - Depois de sete anos sem avançar nas investigações, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal arquivaram o inquérito sobre possível tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2004, no segundo ano do governo do pai, Lulinha recebeu R$ 5 milhões da operadora de telefonia Telemar, atual Oi, uma concessionária pública. O dinheiro foi injetado na Gamercorp, uma empresa de jogos eletrônicos aberta no ano anterior com um capital de R$ 10 mil. O inquérito foi arquivado sem que ninguém tenha sido chamado a depor.

À época, o Ministério Público abriu a investigação porque a Telemar, além de ser uma concessionária pública, recebeu financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). O caso Gamecorp foi o maior escândalo envolvendo a família Lula nos oito anos de governo. O episódio ganhou grande dimensão porque, logo depois do repasse do dinheiro, o então presidente Lula assinou decreto permitindo a fusão da Telemar com a Brasil Telecom, que deu origem à Oi. Até então, a legislação não permitia o negócio. O caso Gamecorp chegou a ser analisado pela CPI dos Correios, em 2005, no Congresso, mas, por pressão do Planalto e da bancada do PT, os integrantes da comissão decidiram não convocar Lulinha e representantes da Telemar e do BNDES.

Em 2010, o procurador Marcus Marcelo Goulart recomendou o arquivamento do inquérito 5a Câmara de Coordenação e Revisão (CCR), um órgão da Procuradoria Geral da República. A CCR, no entanto, manteve o inquérito aberto. O arquivamento ocorreu em agosto, segundo informou a Folha de S.Paulo, após novo pedido do procurador Bruno Vieira. Desta vez, a CCR aceitou a sugestão.

Em sete anos de inquérito, o Ministério Público e a Polícia Federal não ouviram Lulinha, o pai e outros citados no escândalo. Os procuradores se limitaram a enviar pedidos de informação por escrito à Gamecorp, à Telemar e ao BNDES. No pedido, o Ministério Público perguntou à Telemar e ao BNDES se sabiam que Lulinha era filho de Lula. O pedido de informação a Lulinha só foi feito em 2009. Na defesa do filho ex-presidente, o advogado Roberto Teixeira escreveu que não havia "impedimento legal" para Lulinha participar da sociedade da Gamecorp pelo fato de ele ser filho do presidente da República.

Após analisar as respostas e confrontar com reportagens de jornais, o Ministério Público decidiu arquivar as investigações. Na interpretação do órgão, Lulinha não fez tráfico de influência e o aporte de capital na Gamecorp não causou prejuízo para os sócios da operadora de telefonia. Nos últimos anos, a empresa criada por Lulinha acumulou prejuízos. Procurados na tarde de ontem para dar detalhes do arquivamento, o Ministério Público e a Polícia Federal não retornaram telefonemas e e-mails.

Pessoa física 'versus' corrupção pública


Iniciativas populares espalhadas pelo País lutam para fiscalizar governos municipais, denunciar prefeitos corruptos e aproximar debate centrado em Brasília da população que mais necessita

Dida Sampaio/AE | Fabio Oliva e Arimatéia Dantas, integrantes
de ONGs de combate à corrupção no País
BRASÍLIA - Muitas vezes o combate à corrupção não aparece apenas nas salas dos órgãos de controle oficial, como o Ministério Público, a Controladoria-Geral da União, o Tribunal de Contas ou a Polícia Federal. Aliás, é bem longe dessas salas, em cidades diminutas que muitos não sabem nem apontar no mapa, que pessoas comuns, munidas de um engajamento pouco comum, estão mudando a maneira de lidar com a corrupção - aproximando, assim, o debate concentrado em Brasília da população que mais necessita de ações contra os escândalos políticos.

São exemplos como o do mineiro Fábio Oliva e da sua Associação de Amigos de Januária (Asajan), que desde 2004 já derrubou quatro prefeitos da cidade do norte de Minas Gerais - ao todo sete pessoas já ocuparam a cadeira da administração municipal nesse período. Ou do "caminhante" Arimatéia Dantas, um advogado que comanda uma marcha contra a corrupção pelo sertão do Piauí. "Corrupção tem em toda parte", diz Dantas, que participou com Oliva da 15.ª Conferência Internacional Anticorrupção, que começou em Brasília na quarta-feira, 7, e termina neste sábado, 10. "O que temos que fazer é uma força-tarefa popular, porque só o povo está em todo lugar ao mesmo tempo. E é o olho do povo que vai impedir que o roubo aconteça."

A falta de combustível em uma ambulância no percurso entre Januária e Montes Claros deu menos tempo de vida ao pai de Fábio Oliva e desencadeou um processo de mudança. Um AVC e um hospital sem médicos, enfermeiros ou mesmo medicação levaram o patriarca da família Oliva a ter de ser transportado para outro centro de saúde.
Sem profissionais capacitados, ele foi acompanhado por um faxineiro da unidade de saúde. E sem combustível, o motorista da ambulância teve de parar na estrada e ser obrigado a recorrer à família do paciente, que abasteceu o veículo, mas não conseguiu salvar o pai a tempo.
"Meu pai faleceu não apenas por um problema de saúde, mas de corrupção. Ele poderia falecer de qualquer jeito, mas morreria em condições mais dignas, com menos sofrimento, com o correto atendimento", desabafa Fábio Oliva. Revoltados, os irmãos Oliva procuraram ONGs de combate à corrupção e decidiram fundar a Asajan.

No início, a população januarense, intimidada ou simplesmente, desarticulada, apoiou o projeto de forma apenas tímida. Só oito pessoas integraram a diretoria que instituiu a ONG. A primeira apuração da Asajan, no entanto, deu fôlego à caça de políticos. "Nos chamou a atenção alguns itens da licitação de compra de materiais escolares, como seis mil apagadores. Januária tem apenas 120 escolas", conta ele. A investigação levou à descoberta de empresas de fachada e culminou na prisão, em 2006, do ex-prefeito Josefino Lopes Viana (PP), que havia sido cassado em 2004. À época, ele ficou preso apenas seis dias, mas em dezembro do ano passado foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão por desvio e apropriação de recursos públicos federais. O ex-secretário de Finanças Fabrício Viana de Aquino recebeu a pena de 13 anos, 7 meses e 10 dias de detenção pelo envolvimento no escândalo.

Mais do que cassação de outros três prefeitos que fraudaram licitações, pressionaram testemunhas e fizeram propaganda eleitoral irregular, o fruto do trabalho da Asajan, acredita Oliva, é a mudança na mentalidade da população. "Antes da prisão (de Josefino), em 2006, só a nossa ONG apresentava denúncias ao Ministério Público. Hoje, o próprio cidadão criou coragem e começou a tomar conta da administração", explica.

A saga da Asajan não terminou, nem o troca-troca de prefeito de Januária. O atual prefeito, Maurílio Néris de Andrade Arruda (PTC), não se reelegeu em outubro e termina o mandato com seus bens bloqueados pelo Ministério Público. Pesa sobre ele a acusação de cometer irregularidades em repasses de recurso ao Instituto de Previdência de Januária, em 2009. A Justiça estima que Arruda causou um prejuízo de mais de R$ 6 milhões ao município.

Casa em casa. Era dia 23 de julho de 2012 e Arimatéia Dantas concluía mais uma marcha contra a corrupção. Era a 11.ª de sua "carreira". O protesto do advogado cearense, no entanto, não se parece em nada com as grandes manifestações que reúnem milhares de pessoas, a exemplo da 1.ª Marcha da Corrupção, que levou mais de 30 mil pessoas à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em setembro do ano passado. Ao contrário. Os manifestantes não passaram de dez. "As pessoas não têm coragem de caminhar", diz. A falta de coragem decorre, em grande parte, do esforço exigido na empreitada: pelo menos 100 quilômetros percorridos ao longo de aproximados 15 dias. Em 11 anos da caminhadas-protesto, que ocorrem sempre uma vez por ano, Dantas já percorreu exatos 2.608 km.

O percurso é escolhido com base em apurações prévias de problemas na administração de cidades do interior do Piauí. "Escolhemos as cidades por onde vamos passar, analisando aquelas que têm obras paradas, fraudes em licitações, desvios de verbas", explica. Para isso, a Lei de Acesso à Informação foi fundamental para o grupo, que usa também o Portal da Transparência e relatórios da Controladoria Geral da União (CGU).

Mais do que bater na porta das autoridades municipais, cobrar atitudes e denunciar as irregularidades, o grupo da Força Tarefa Popular - uma iniciativa do próprio Dantas - busca ampliar a rede de fiscalizadores, com dicas de como acompanhar e verificar o andamento da gestão municipal. "As aulas de cidadania, em que ensinamos como fiscalizar e mostramos em um telão as obras que estão pela metade, mudam a visão das pessoas. Não precisamos incentivar um ódio pelo poder público, só mostramos a realidade. O método funciona porque fazemos a população se perguntar porque as coisas não estão certas, e cada uma vai formatando o seu pensamento."

A iniciativa que começou anônima hoje já é conhecida no interior do Piauí. E rendeu melhorias significativas para a vida da população das cidades por onde passou. Calçadas pela metade foram concluídas, bem como ruas que deveriam ser asfaltadas e estavam com obras estagnadas. Escolas precárias ganharam novos equipamentos. "E o mais importante, começa um processo de conscientização contra a injustiça social causada pela corrupção", finaliza Dantas.

Débora Álvares, de O Estado de S. Paulo

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