sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Blogueira e opositora cubana Yoani Sánchez é presa


Ela estava na cidade do julgamento de político espanhol envolvido no acidente que matou Oswaldo Payá
Yoani Sánchez
 GRANMA - A blogueira cubana opositora Yoani Sánchez foi presa na província de Granma nesta sexta-feira, 5, onde é realizado o julgamento de um político espanhol envolvido no acidente que matou o dissidente Oswaldo Payá. 

Sánchez, de 37 anos, é conhecida por publicar severas críticas ao governo comunista em seu blog "Geração Y". Ela também é colunista do 'Estado'.
"A blogueira pró-Estados Unidos Yoani Sánchez foi presa na quinta-feira, 4, na cidade de Bayamo, para onde viajou na intenção de fazer provocações e um show midiático no julgamento que aconteceria na sexta-feira", disse uma publicação no blog do governista Fontana Yohandry. 

Fontana citou em seu post o jornalista García Ginarte, que informou pelo Twitter que Sánchez tinha previsto "ações que violam a lei para impedir o julgamento.
Segundo a agência Reuters, as autoridades locais não confirmaram a informação e não foi possível localizar Sánchez ou familiares.

SÃO PAULO, ROMA REVISITADA - Ricardo Pantin


 Ricardo Ludwig Mariasaldi Pantin*

Está cada vez mais claro o papel das gestões estadual e municipal em relação à questão imobiliária em São Paulo a partir de episódios bem conhecidos de todos nós. Cerca de 70 favelas na cidade "pegaram fogo" na gestão do atual prefeito, sendo que nos últimos cinco anos o Corpo de Bombeiros registrou 530 incêndios em favelas. Exitoso programa de controle e de combate a incêndios em favelas, criado pela gestão Marta Suplicy, foi extinto pela gestão José Serra em 2005, quando assumiu a Prefeitura, política mantida pela atual gestão, que teve início após a renúncia de Serra antes do fim do segundo ano de mandato. 

Força bruta dos órgãos de segurança (bombas de efeito moral, balas e cachorros) em ação truculenta que não era vista desde o fim do regime de exceção, foi usada contra moradores de uma comunidade no interior de São Paulo com o intento de expulsá-los do local onde moravam há mais de 20 anos, com a notória intenção de favorecer um especulador. Os fatos que envolveram a desocupação violenta, com ofensa aos direitos humanos dos moradores daquela localidade e com a notícia do desaparecimento e do homicídio de moradores, além do estupro de uma jovem por soldados da ROTA, força de elite da Polícia Militar, estão sendo investigados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos e implica o Governador do Estado e a Cúpula do Poder Judiciário Paulista, que desrespeitou decisão do Judiciário Federal por pressão do Executivo local e, portanto, é corresponsável pelos crimes cometidos contra os integrantes daquela comunidade.

Novo incêndio em uma comunidade da Capital Paulista que já sofrera com as chamas há 9 meses atrás e quando, agora, os moradores tentam reconstruir suas casas, são impedidos pelas forças de segurança, sobretudo pela Guarda Civil Metropolitana, que imprime mais violência, física e psicológica, contra moradores de uma área cuja propriedade lhes pertence, pendente o título aquisitivo da propriedade tão somente de declaração judicial, impedida pela Prefeitura mediante o manejo de recursos manifestamente protelatórios. A atuação das forças de segurança sob a batuta dos chefes do Executivo, além de aviltar a dignidade daquelas pessoas, impede o exercício de um direito social que é a moradia, um dos pilares do pacto político fundamental assinado por nós.

É bom esclarecer não se pretende advogar que essas pessoas continuem morando em condições inadequadas como as existentes nas comunidades aqui mencionadas, uma no Centro de São Paulo e outra em São José dos Campos. Elas estão longe de atenderem ao direito fundamental a uma moradia digna. Também não se é contra as remoções, desde que, é claro, elas sejam feitas com respeito à dignidade dessas pessoas, assegurando prévio aviso, pagamento de aluguel social e moradia digna, dentro de programas habitacionais bem estruturados.

Por outro lado, mesmo sendo o Brasil a 6ª maior economia mundial, posto galgado pelo esforço de um governo que ao longo de 10 anos consolidou o país no cenário internacional e promoveu a inclusão social, é certo que a maior e mais rica cidade do país tem uma Administração que pretende se perpetuar aliada ao capital especulativo e imobiliário e que mantém as forças de segurança submissas a esses interesses, tanto assim que pessoas de baixa renda são expulsas de suas casas com fogo, método que lembra a idade média e as cruzadas – termo cujo emprego é bem oportuno, já que religião e política parecem atualmente andar de mãos dadas, numa era em que já foi declarada a laicidade do Estado.

Oportuno lembrar também nesse contexto que moradores das comunidades do Rio de Janeiro estão sendo expulsos de suas casas em razão das obras da Copa, política tal e qual a de São Paulo que vem sendo adotada pelo Governo daquele Estado sob a mesma ótica higienista e que reza a cartilha da gentrificação(1).

O que mais causa espécie é que esse tipo de política de segurança, atrelada a interesses imobiliários, tem o apoio de parcela considerável da população.

Um dado importante nesse cenário e que explica o apoio de cidadãos a essa política estatal de rearranjo dos espaços públicos, foi divulgado recentemente pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República: o de que 53% dos brasileiros formam hoje a classe média e são responsáveis por 38% do consumo nacional.

É certo que esse quadro se deve à inclusão da classe “C” no mercado de consumo, com acesso a bens e serviços antes inacessíveis, e cujo estilo de vida preconiza a doutrina do “self-made man”(2), a mesma que está embutida no pacote de congregações religiosas que hoje influencia o voto desse público – com evidente vantagem a candidatos apoiados por essas congregações, nem que isso custe a falta de lisura do pleito eleitoral –, público antes beneficiado por políticas de inclusão do Governo Federal e que agora, uma vez inserido no mercado de consumo e com a melhora do padrão de vida adere à política de exclusão daqueles que não se encontram no mesmo patamar sócio-econômico, legitimando a implementação dessa política em Estados como São Paulo e Rio de Janeiro, onde estão concentrados os meios de produção, os serviços e por onde circula a riqueza, portanto.

Essa marcha, de harmonização da velha política excludente (antes fomentada pela elite oligárquica) com a chamada nova classe média, é o que sustenta os subsistemas de repressão contra a população mais pobre e vulnerável que ainda se encontra excluída e mostra a ascensão conservadora em São Paulo como fenômeno político, tema que foi debatido na Universidade de São Paulo com a participação da Professora Marilena Chauí. No encontro, tratou a professora de falar que a sociedade brasileira é autoritária, e não se trata de falar do autoritarismo como aparelho do Estado, da ditadura, o autoritarismo é um fenômeno social. Nessa medida, a sociedade brasileira é autoritária, é vertical, hierarquizada, oligárquica, transforma todas as diferenças em desigualdades e naturaliza as desigualdades, opera com a discriminação e o preconceito de classe, religioso, de sexo, profissional e racial; é uma sociedade extremamente violenta e que tem a tendência de situar a violência apenas no campo da criminalidade e deixa de perceber que a violência é toda violação física ou psíquica que se faz contra a natureza de alguém e com isso não se reconhece a humanidade do outro.

Com essas observações bem de se ver como a classe média pensa, especialmente a classe média paulistana, daí dizer que como cidade próspera (ao menos do ponto vista competitivo defendido pelo neoliberalismo) São Paulo não permite nem quer permitir a mobilidade social, razão pela qual a cidade (assim como o Estado) vem elegendo o mesmo projeto há anos, um projeto que toma por base a militarização, a opressão e a desumanização; alia-se em torno do individualismo e tem nisso um postulado, ignorando que a construção de uma sociedade mais justa e verdadeiramente desenvolvida passa pela inclusão e pela horizontalização de direitos, sem o que o crescimento econômico não se sustenta a médio e longo prazos, perpetuando um individualismo que se consome nele mesmo, de forma autodestrutiva, não gerando distribuição de renda nem produzindo riqueza, base em que se assenta a prosperidade de uma nação.

É o que vem ocorrendo em São Paulo e nas principais capitais do país. A escolha de um projeto de culto ao individualismo, de coisificação patenteada pelo consumo em massa e que acaba por refletir na política como trato privado, que resulta no desvirtuamento e no desmonte de um Estado Social tal como aquele idealizado pela Carta Política de 1988, reconhecendo como válidas políticas higienistas e de segurança pública voltadas à criação e à manutenção de certos privilégios restritos a uma nova classe social que foi alçada à inclusão, em detrimento de um crescimento horizontal e sustentável a possibilitar a mobilidade como instrumento de justiça social e que está muito além do “self-made man”, posto que antes passa pela implementação de políticas como aquelas experimentadas pelo Brasil nos últimos 10 anos e que colocaram o país na rota do crescimento. 

Em uma sociedade assim constituída e que compra como sinal de opulência e distinção para assegurar um status que antes não possuía, fica nítido que o voto segue a lógica do consumo – não sendo difícil entender por que o candidato que aponta como primeiro nas pesquisas em São Paulo é o “defensor” do consumidor e tem no serviço público um bem a ser colocado à disposição da população sob a ótima consumerista desejada por uma nova classe média que clama por credenciais educacionais como símbolo de poder, não fosse o fato de que esse poder não vem do conhecimento e sim do diploma como credencial, já que para esse público ter (=consumir) é mais importante do que o conhecimento como instrumento de transformação social e formação de capital humano que gera prosperidade. É inevitável reconhecer, portanto, que essa nova classe floresce no fértil terreno da corrida armamentista do consumo, como bem destacou o economista e filósofo Eduardo Giannetti, em excelente entrevista concedida ao Caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, em 19 de agosto de 2012.

Essa ascensão social percebida e sentida e, principalmente, consolidada com a experiência do mercado, exprime o sentimento de indiferença com as desigualdades, fomenta o preconceito e legitima a violência, daí decorrendo que políticas excludentes como as que se tem visto e os crimes cometidos pelo Estado contra a parcela economicamente mais frágil encontram a aprovação de parcela expressiva da população que ascendeu, a mesma que não quer ver ao lado do imóvel adquirido com a facilitação do crédito e com a baixa dos juros proporcionadas pela política macroeconômica, favelas ao seu lado. Enquanto isso, Roma pega fogo...

(1) Tradução literal do inglês "gentrification" que não consta nos dicionários de português. É um conjunto de processos de transformação do espaço urbano que, com ou sem intervenção governamental, busca o aburguesamento de áreas das grandes metrópoles que são tradicionalmente ocupadas pelos pobres, com a consequente expulsão dessas populações mais carentes, resultando na valorização imobiliária desses espaços (conf. HOFFMANN, Friederike. Istanbul: Living Together Separatly. Urban Action 2007, College of Behavioral and Social Sciences, San Francisco State University, 2007)

(2) A doutrina do “self-made man” está intrinsecamente ligada ao American Way of Life ou sonho americano e refere ao homem que nasceu em condições pouco promissoras e ascendeu social e economicamente por esforço próprio, sem qualquer intervenção do Estado ou condições externas que indiquem fatores determinantes para essa ascensão.

* Ricardo Ludwig Mariasaldi Pantin - É advogado e professor universitário

Deputados analisam possibilidade de transferir os feriados para a segundas ou sextas-feiras

Os feriados que caírem no meio da semana poderão ser transferidos para segundas ou sextas-feiras. 

deputada professora Dorinha Seabra (DEM -TO)




O objetivo é evitar que os dias entre os feriados e o final de semana sejam “enforcados”. Apenas os feriados de primeiro de janeiro, 7 de setembro, 25 de dezembro e dois de novembro não serão transferidos. 
A relatora na comissão, deputada professora Dorinha Seabra (DEM -TO), lembrou que o Brasil possui inúmeros feriados religiosos e civis que o prejudicam o fluxo escolar e o funcionamento de instituições financeiras por exemplo. 

Dorinha reconhece que a alteração deve encontrar resistência por parte dos brasileiros e pode levar um tempo para ser absorvida pela sociedade, mas deve ser implementada mesmo assim.”A tentativa aqui é tentar organizar, concentrando em dois dias- ou na segunda ou na sexta, dependendo do dia que o feriado caiu, antes de quarta ou depois de quarta-feira para forçar a crianção de uma cultura e criar uma cultura não é fácil”, disse.

Pela proposta, os feriados que caírem na terça-feira serão antecipados para a segunda-feira anterior ao feriado. Os feriados que caírem na quarta ou na quinta-feira serão comemorados na sexta-feira. 
Com informações da Agência Congresso

Cientista político diz que incerteza sobre candidaturas válidas para domingo prejudica eleitor


Thais Leitão | Agência Brasil
Brasília – Faltando dois dias para o pleito municipal, os eleitores brasileiros não sabem se 2.830 candidatos poderão assumir os cargos de prefeito ou vereador caso sejam eleitos no próximo domingo (7). Devido a isso, até mesmo eleições podem ser anuladas. Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto, a incerteza prejudica o eleitor que vai às urnas sem saber se sua escolha será válida.

O número de candidaturas sub judice refere-se à quantidade de recursos recebidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que ainda não têm decisão definitiva, todos envolvendo pedidos de impugnação de candidatura baseados na Lei da Ficha Limpa. Ao todo, foram recebidos pela corte 2.985 recursos referentes a registros de candidatura para as eleições deste ano. Desse total, 678 foram julgados pelos ministros do TSE, mas ainda cabe recurso por parte dos réus, enquanto 155 já têm decisão definitiva.

De acordo com o cientista político, criou-se uma situação de insegurança para o eleitor. “A consequência disto é muito ruim, porque o eleitor vota sem saber se seu candidato terá condições de assumir, caso eleito. O resultado prático desta dúvida é a possibilidade dele anular seu voto involuntariamente. A meu ver, é uma injustiça que se comete contra o eleitor”, avaliou.

Barreto defende que o ideal é os processos serem julgados antes de iniciado o período de campanha. O TSE, no entanto, se comprometeu a julgar todos os processos relativos à Lei da Ficha Limpa somente até o fim do prazo para a diplomação dos candidatos, em 19 de dezembro. Por causa disso, eleitores votarão domingo sem saber se seu candidato é ficha suja.
“Quando o eleitor vê um candidato fazendo campanha, ele acredita que está tudo certo com sua candidatura, que ele vai poder assumir o cargo se for eleito. Para evitar esta confusão na cabeça do eleitor, é preciso haver uma antecedência confortável em relação às eleições para divulgação do resultado dos julgamentos desses processos”, acrescentou.

O TSE informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que se trata de um volume muito grande de processos recebidos em um período próximo às eleições em função dos prazos processuais. A corte julga os recursos encaminhados pelos tribunais regionais eleitorais que, por sua vez, julgam recursos às decisões de juízes de primeira instância, caminho inicial para a impugnação de candidaturas.

Além disso, o tribunal tem que analisar processos relativos a outras questões, como o pedido de envio de tropas federais a municípios para garantir a segurança nas eleições.
Os candidatos cujas candidaturas não tiveram deliberação da Justiça Eleitoral concorrerão no próximo domingo sub judice e os votos serão computados normalmente. Se o candidato tiver posteriormente o registro impugnado pelo TSE, os votos serão considerados nulos. O procedimento nas situações em que o vencedor tenha seu registro cassado será analisado caso a caso pelo tribunal.

Entre as hipóteses, estão a diplomação do segundo mais votado ou até mesmo a realização de uma nova disputa, no caso de eleição majoritária. No caso dos vereadores, serão empossados os candidatos que tiverem o maior número de votos. Aprovada em 2010, a Lei Complementar 135, conhecida como Lei da Ficha Limpa, está valendo pela primeira vez para as eleições municipais deste ano.
Edição: Davi Oliveira

Crise provoca êxodo de europeus para América Latina; Brasil é um dos países mais procurados


Renata Giraldi | Agência Brasil
Brasília – A crise internacional, que atingiu principalmente os países da zona do euro, aumentou a procura de europeus pela América Latina e pelo Caribe. A conclusão está em um estudo divulgado hoje (5) pela Organização Internacional de Migrações (OIM). O documento revela que 107 mil europeus deixaram o continente, no período de 2008 a 2009.

Segundo o relatório, a migração envolve inclusive as pessoas com dupla nacionalidade. A maioria dos europeus procura o Brasil, a Argentina, a Venezuela e o México. Os principais países de origem são a Espanha (47.701), Alemanha (20.926), Holanda (17.168) e Itália (15.701).

Os imigrantes que saem da Europa rumo à América Latina e ao Caribe têm um perfil definido, segundo o estudo. A maioria é formada por homens jovens, solteiros, que têm formação superior, em geral em ciências sociais e engenharia civil. Já as mulheres foram as primeiras a deixar a América Latina com destino à União Europeia, aumentando as remessas de dinheiro para as famílias nos países de origem.

O estudo indica ainda que há uma migração intrarregional – cerca de 4 milhões de pessoas optaram por deixar seus países em direção aos vizinhos, em uma mesma região. A maioria é da Colômbia, da Nicarágua, do Paraguai, do Haiti, do Chile e da Bolívia. Os principais países de destino para os migrantes intrarregionais são a Argentina, a Venezuela, a Costa Rica e a República Dominicana.

As remessas de imigrantes da União Europeia para a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) atingiu US$ 7,25 bilhões, em 2010. Os repasses dos latino-americanos para a Europa somaram US$ 4,66 bilhões, no mesmo período. O fluxo de remessa dentro da América Latina atingiu US$ 4,57 bilhões, em 2010, beneficiando principalmente a Colômbia, a Nicarágua e o Paraguai, além da Venezuela, Costa Rica e Argentina.

O estudo mostra que pelo menos 4,29 milhões de latino-americanos ainda moram na Espanha, no Reino Unido, nos Países Baixos, na Itália e na França. Segundo o documento, mais de 1,25 milhão de europeus residem em países da América Latina. Mais informações podem ser obtidas no site do IOM. 

Mensalão: Fux vota pela condenação de oito réus por compra de apoio político da base aliada


Quarto ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) a votar no capítulo sobre corrupção ativa na Ação Penal 470, Luiz Fux condenou oito réus por compra de apoio político da base aliada ao governo entre 2003 e 2004, esquema conhecido como mensalão. A sessão foi suspensa logo em seguida, ainda sem formação de maioria em relação aos réus desta etapa.
Para Fux, a análise conjunta das provas reunidas no processo, unidas à “lógica da vida e da experiência comum” evidenciam que o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu teve participação nos fatos. “Não creio na atuação isolada do réu Delúbio Soares”, disse, minimizando o papel atribuído ao ex-tesoureiro do PT.
Citando uma série de depoimentos, Fux destacou que o próprio Dirceu confirmou sua atuação para formar a base aliada, que, segundo o ministro, foi comprovadamente corrompida. “[Dirceu] Figura como articulador político desse caso penal que esta sendo colocado sob nossa observação por sua posição de proeminência e de destaque no governo”. E completou: “É inimaginável conceber que esses acordos eram só políticos”.
Fux também entendeu que é preciso valorar o depoimento do ex-deputado Roberto Jefferson, primeiro a denunciar a participação de Dirceu no esquema, como qualquer outra testemunha do processo. Segundo o ministro, as considerações do ex-presidente do PTB ganharam ainda mais importância porque foram confirmadas na prova colhida pelo Ministério Público.
Com o mesmo argumento, Fux deu valor às provas colhidas fora do processo penal, como em comissões parlamentares de inquérito, ainda que muitos depoimentos tenham sido alterados na frente do juiz. O ministro ainda destacou o fato de a ex-mulher de Dirceu Ângela Saragoça ter conseguido vantagens econômicas dos bancos e réus citados no processo. “A isso se quer atribuir à obra do acaso. Nada é fruto do acaso”, pontuou.
Fux disse que as provas demonstram “completa afinidade” entre o ex-presidente do PT José Genoino e Delúbio, sendo impossível que o ex-presidente do PT desconhecesse o que estava sendo articulado por seu tesoureiro. “Exatamente pelas reuniões de que participou, do empréstimo que ele avalizou junto com o operador do esquema, como líder da agremiação da partidária, não poderia desconhecer [o mensalão]”.
O ministro descartou o argumento de que a vida humilde de José Genoino é suficiente para excluir sua culpa por corrupção. “Há vários casos em que o interesse que move a corrupção não é econômico”.
Além de Delúbio Soares, Fux votou pela condenação dos publicitários Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz e da diretora financeira da SMP&B Simone Vasconcelos. Quanto a Rogério Tolentino, o ministro considerou que, a esta altura do processo, está provado que sua ligação com Valério era mais que relação de mero advogado, votando por sua condenação.
Fux ainda também aderiu à tese unânime pela absolvição de Geiza Dias, ex-gerente financeira da empresa de Valério, a SMP&B, por considerar que ela desconhecia a atuação do grupo criminoso. Ele também inocentou o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto por falta de provas.
O jugamento será retomado na próxima terça-feira (9) e, não, na segunda-feira, como o usual, devido às eleições municipais do próximo domingo (7). Ainda votarão neste capítulo os ministros Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto.
Confira placar parcial da segunda metade do Capítulo 6, que trata do crime de corrupção ativa entre políticos do PT e PL e no núcleo publicitário:
 
1) José Dirceu: 3 votos a 1 pela condenação (Divergência: Ricardo Lewandowski)
 
2) José Genoíno: 3 votos a 1 pela condenação (Divergência: Ricardo Lewandowski)
 
3) Delúbio Soares: 4 votos pela condenação
 
4) Anderson Adauto: 4 votos pela absolvição
 
5) Marcos Valério: 4 votos pela condenação
 
6) Ramon Hollerbach: 4 votos pela condenação
 
7) Cristiano Paz: 4 votos pela condenação
 
8) Rogério Tolentino: 3 votos a 1 pela condenação (Divergência: Ricardo Lewandowski)
 
9) Simone Vasconcelos: 4 votos pela condenação
 
10) Geiza Dias: 4 votos pela absolvição

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