quarta-feira, 18 de abril de 2012

América Latina Dá Um Ultimato Aos EUA - OEA Será Extinta Se Não Aceitar Cuba

Por Marco Fernandes 
Quando os chefes de estado das Américas encontraram-se para a sua Sexta Cúpula na Colômbia, uma questão chave foi finalmente posta com todas as letras sobre a mesa: ou Cuba é convidada à próxima Cúpula ou... não haverá uma próxima Cúpula. Oficialmente patrocinadas por um organismo sediado em Washington - a Organização dos Estados Americanos (OEA) - essas "Cúpulas" são convocadas a cada três anos, desde 1994. De forma geral, elas têm sido um instrumento para a promoção da hegemonia americana sobre o seu "quintal" ao sul do Texas.
Como a maioria das instituições multilaterais políticas, econômicas e financeiras - a ONU, o FMI, o Banco Mundial, o NAFTA (Acordo Norte-Americano de Livre Comércio) ou a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) - a OEA é um dos muitos instrumentos usados pelos chefões do poder global firmemente encastelados nas estruturas públicas e privadas dos Estados Unidos, para exercer um controle político, financeiro e até mesmo legal sobre todas as Américas.
Ao contrário dos anos anteriores, todavia, não houve consenso entre os participantes quanto a uma declaração oficial final, em grande parte por que os Estados Unidos e seus poucos aliados regionais opõem-se sequer a tocar nesses assuntos, e a Cúpula foi encerrada em meio a um pesado silêncio.
Cuba tem sido barrada de participar dessas Cúpulas, por que foi expulsa da OEA em 1963 no auge da Guerra Fria - logo após a Crise dos Mísseis Cubanos protagonizada por Kennedy e Khruschev, o momento mais próximo de um confronto nuclear já vivido pelo nosso planeta. Durante os anos da Guerra Fria, os EUA impuseram sobre a América Latina estratégias de segurança regional centradas na "guerra global contra o comunismo"; hoje essas estratégias foram atualizadas para o papel da região na "guerra global contra o terrorismo."
O fato de que há desde 1982 nas ilhas Malvinas uma base militar britânica armada de ogivas nucleares, ou de que George W. Bush reativou a 4ª Frota dos EUA no Atlântico Sul em 2008, ou de que nos últimos quarenta anos tem havido uma maciça presença, oficial ou não, de operadores militares americanos, britânicos e israelenses na Colômbia, Paraguai, México e Argentina, é completamente ignorado pela grande imprensa.
Nesse 6º e mais recente encontro dessa Cúpula, as coisas não correram nada bem para a política hemisférica dos Estados Unidos: para começar o anfitrião presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (foto), disse logo de cara na abertura formal do conclave que "será inaceitável a convocação de quaisquer futuras Cúpulas em que Cuba não esteja presente." Esse é sem dúvida um discurso que aponta para uma orientação bem diferente do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, um notório capacho de Washington que inundou o seu país com tropas americanas. Sob o pretexto da "guerra global contra as drogas," essas forças foram usadas sistematicamente para assassinar sindicalistas e opositores políticos.
Infelizmente o presidente Hugo Chávez da Venezuela, que vem sendo a voz mais veemente quando se trata de denunciar abertamente a ilegítima ingerência americana na região, não pôde comparecer à Cúpula por estar ainda em Cuba, submetendo-se a um tratamento contra o câncer. Os presidentes Daniel Ortega (Nicarágua) e Rafael Correa (Equador) boicotaram a Cúpula em protesto pela ausência de Cuba. Da sua parte, a secretária de Estado americana Hillary Clinton disse que "deve haver uma oportunidade de uma transição para uma democracia plena em Cuba," antes que este país possa ser recebido de novo na OEA.
Democracia plena? Ninguém pode afirmar que o regime cubano seja uma democracia ideal (seja lá o que isso signifique), mas o regime americano também está longe de ser um modelo edificante. Há por acaso uma "democracia plena" nos EUA (ou no Reino Unido, na Europa, no Brasil ou no México), onde a eleição de todos os seus presidentes, vice-presidentes, governadores, senadores, deputados e prefeitos é sistemática, direta e proporcionalmente ligada a quantas centenas de milhões - mesmo bilhões - de dólares são gastos em propaganda e campanhas eleitorais? Que tipo de "democracia" é essa?
O próprio presidente Barack Obama está sentindo o aquecimento da frigideira do "Poder Econômico" neste ano eleitoral ao enfrentar Mitt Romney, cuja maior virtude é ter acumulado uma formidável fortuna pessoal de mais de 250 milhões de dólares. Claramente, o debate político não é em torno de idéias, mas centrado em imensas pilhas de dinheiro ajuntadas em gabinetes de Washington e Nova York - seja ele o seu dinheiro pessoal como no caso de Romney e da dinastia Bush, ou dinheiro corporativo vindo dos cofres da Halliburton, Goldman Sachs, ExxonMobil, Enron, AIG e JPMorganChase em apoio ao candidato que melhor sirva os seus interesses. Então é essa a "democracia plena" da qual Hillary Clinton fala sem parar?
Como está amplamente provado pelos exemplos de todas as nações que a imitam, a "democracia" ao estilo americano geralmente resulta em governos grosseiramente corruptos ocupados por estelionatários e ladrões. Então o melhor que a "democracia plena" da Sra. Clinton tem a oferecer não passa de um "governo dos ricos, pelos ricos e para os ricos"? Não podemos negar, entretanto, que a "democracia plena" dos EUA é a "melhor democracia que o dinheiro pode comprar."
No caso da pequena ilha do Caribe, se você levar em conta que Cuba vem sendo continuamente ameaçada e agredida durante mais de meio século pela maior superpotência nuclear do planeta - incluindo invasão militar e repetidas tentativas de assassinato contra Fidel Castro - poderá facilmente entender a estratégia altamente defensiva da segurança nacional cubana. Vivendo sob um assédio dessa magnitude, quem é que pode desenvolver uma "democracia plena"?
Podemos realmente dizer que a democracia cubana é menos "plena" do que a americana? Na verdade, muitos poderiam acrescentar pesados adjetivos quanto a "plena de quê" a democracia americana realmente é. Quando se trata de pecados contra a Verdadeira Democracia, quem é capaz de atirar a primeira pedra?
E não se trata apenas da injusta e irracional exclusão de Cuba. Há ainda tópicos fundamentais como a ameaça à segurança regional representada pela militarização do Atlântico Sul e das Malvinas promovida por americanos e ingleses, ou o agravamento de problemas sociais decorrentes da pobreza, fome, relações comerciais distorcidas e injustas, uma perversa dominação cultural, e a assim-chamada "guerra às drogas." A narco-violência tomou conta de países produtores de drogas como o México, Colômbia e Bolívia, respingando nos demais países da região.
A abordagem dos EUA é enfrentá-la como um problema militar, policial e de segurança no interior desses países produtores, justificando assim a "assistência militar e de segurança" a regimes clientes dos EUA, como a Colômbia e o México. Ao mesmo tempo, os EUA ignoram inteiramente a real raiz do problema, representada pela astronômica e bilionária demanda por drogas existente nas sociedades americana e européia. Isso sem falar nos lucros também astronômicos auferidos pelo sistema bancário internacional, que funciona como uma gigantesca lavanderia para "reciclar e regurgitar" a renda do tráfico.
Isso reflete não apenas o quanto as sociedades dos EUA e da Europa são doentias, mas também o quanto o seu assim-chamado "soft power" (a dominação cultural) - filmes de Hollywood, séries de TV, rap music, MTV e outros instrumentos da Guerra Psicológica global - promove e instala uma cultura global pró-drogas, voltada principalmente para os jovens.
Tomemos a fome, a pobreza e problemas sociais conexos, por exemplo. Na Argentina, Equador, Bolívia, Paraguai, México e Brasil, eles estão intimamente ligados às muitas décadas de grosseira exploração por uma estrutura bancária-financeira global que engendrou, consolidou e administrou enormes, desnecessárias e ilegítimas fraudes de Dívidas Nacionais. Dessa maneira, centenas de bilhões de dólares foram drenados da região, graças a governos de generais comprados a bom preço, e rumaram para o Norte para financiar a "democracia plena" americana.

Via PLN

terça-feira, 17 de abril de 2012

Um governo sem chefe é um bom exemplo a ser seguido!

Sala onde se reúne o Conselho Federal

Ao contrário da maioria dos outros países, o governo suíço não dispõe nem de primeiro-ministro, nem de chefe de Estado permanentes.

O executivo suíço é integrado, desde 1848, por apenas 7 membros que se revezam na presidência do país, pelo período de um ano.

Os primeiros ‘conselheiros federais’ (ministros) da história suíça foram eleitos em 16 de novembro de 1848, pela Assembléia Federal, constituída no mesmo ano. Na ocasião, foram escolhidos os sete primeiros ministros do país. A escolha estava alicerçada na Constituição Federal, adotada cinco meses antes, em 6 de junho, por três quartos dos cidadãos.

A Constituição estabelecia uma transferência de competências dos cantões ao poder central da Confederação. O governo tinha assim mais poderes que o executivo precedente.

Um só partido no poder

Durante várias décadas, o governo foi domínio exclusivo de uma única agremiação política: todos os ministros eram filiados ao Partido Radical Democrático (PRD/direita).

Mas, na composição do poder executivo levava-se em conta a estrutura federalista da Suíça. Geralmente, dois membros do governo eram católicos e dois não eram de língua alemã.

Em 1891 os radicais aceitaram liberar um posto para o partido conservador católico. Este, antecessor do Partido Democrata Cristão (PDC/centro), foi recompensado com uma segunda cadeira por sua atitude patriótica durante a Primeira Guerra Mundial.

Presente no cenário político desde 1919, o Partido dos Camponeses, Artesãos e Burgueses (PAB), que mais tarde deu origem à União Democrática do Centro (UDC/direita nacionalista - Schweizerische Volkspartei/SVP, em alemão), conseguiu uma cadeira no governo em 1929.

Surge uma fórmula de sucesso

Os socialistas, por sua vez, tiveram que esperar até 1943 para disporem da primeira cadeira. E, 1959, para um segundo mandato. Surgiu então a “fórmula mágica”, ainda em vigor, segundo a qual os partidos partilham o número de cadeiras em função da própria força eleitoral.

Durante mais de 40 anos, a composição ficou inalterada, com o ‘Conselho Federal’ reunindo dois radicais, dois democratas cristãos, dois socialistas e um democrata de centro.

Mas, em 2003, após um lento declínio, o PDC teve que ceder uma de suas cadeiras reivindicada pela UDC (SVP), cujo peso político crescia desde o início dos anos 90. A União tornara-se o primeiro partido do país e reclamava um segundo posto.

Até doze mil empregados

Cada um dos sete ministros dirige um departamento comparável a um ‘ministério’ de outros países. Desde 1848, excetuando pequenas alterações relativas a divisões ou a nomes, os departamentos sofreram poucas modificações. Merece assinalar que o Departamento Federal (Ministério) das Relações Exteriores se chamava Departamento Político.

Como chefe de ministério, um conselheiro federal encontra-se à frente de uma estrutura administrativa muito hierarquizada que pode contar até doze mil empregados. É o caso do Ministério da Defesa, da Proteção da População e dos Esportes.

Decisão colegiada

A Constituição Federal prevê que o Governo funcione como órgão coletivo, um “colégio” governamental. As decisões tomadas valem como decisões do conjunto da corporação.

Os comunicados oficiais expressam essa a opinião colegiada, indicando que “o Governo decidiu...” Trata-se, de fato, de uma decisão de sete pessoas. Uma vez votada, mesmo em caso de dissensões, a decisão deve ser respaldada pelos sete ministros.

O ministro ou a ministra que acede - por um ano, segundo um rodízio que leva em conta tempo no cargo - à presidência não dispõe de poderes suplementares. Ele ou ela torna-se apenas o primus inter pares, o primeiro ou a primeira entre seus pares, os seus iguais.

Durante o ano presidencial, o presidente ou a presidente dirige as reuniões do governo e o representa na Suíça e no exterior. Na Suíça, não existe chefe de governo ou chefe de Estado.

Não existe a destituição

Os conselheiros federais não são eleitos pela população mas pelo Parlamento, por período de quatro anos. Nesse período, não está prevista a destituição por nenhum instrumento político. E o governo não pode dissolver o Parlamento.

De quatro em quatro anos, no início de dezembro, quando as duas câmaras do Parlamento são renovadas, ocorre também a confirmação dos ministros por eleição.

Em geral, tirando a perda de uma cadeira pelo PDC em 2003, os ministros têm sido reconduzidos ao cargo. O único objeto de comentários é o número de votos que recebem e que pode variar bastante.

Quando da sucessão no cargo de ministro, realizada também por intermédio do Parlamento, todos os cidadãos podem receber votos, mesmo não ocupando cargo político.

Representação feminina limitada

Em geral, os candidatos são deputados ou senadores, mas já aconteceu a eleição de membros de governos cantonais (estaduais) ao governo federal.

Até em 1999, os cantões podiam ter apenas um representante no governo federal. Mas essa disposição foi abolida através do voto popular. Hoje, a Constituição Federal se satisfaz em exigir que as regiões do país e as minorias lingüísticas sejam representadas eqüitativamente.

Quanto à representação feminina, até 2007 houve apenas cinco ministras. A primeira só foi eleita em 1984.

O EUA AINDA MERECE ATENÇÃO ESPECIAL DO BRASIL?



A secretária de Estado dos EUA, Hilary Clinton em sua visita ao Brasil nesta segunda-feira (16/04), afirmou no seu discurso de cerca de 25 minutos durante participação no evento: "Visão para a Parceria Econômica no Século 21", promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e pela Amcham (Câmara Americana de Comércio), que além da redução da bitributação, Brasil e Estados Unidos precisam considerar um acordo de livre comércio. Ela destacou que é possível aumentar o comércio entre os dois países. "Podemos fazer muito mais, há oportunidades e potencial para mais investimentos, mais comércio, mais emprego", disse.

Hilary Clinton falou de assuntos variados, indo de comércio exterior à necessidade de investimentos, passando por inovação tecnológica. 

A secretária reconheceu a necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), apesar de não fazer uma defesa clara à candidatura brasileira a um assento permanente no órgão.

Ela elogiou a disposição do Brasil em explorar a camada de petróleo no pré-sal, uma tarefa "complicada" e "cara", e finalmente, Hillary mostrou o verdadeiro motivo de sua vinda ao Brasil, mostrando a disposição de empresas e governo norte-americano em participarem da exploração do pré-sal. "Esse tema é estratégico e essa conversa continuará sendo aprofundada", afirmou Clinton. Nesta manhã 17/04, ela se encontrou em Brasília com a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

Enquanto isso, no "front" externo o Brasil demonstrando o não alinhamento com a maior economia do mundo perdia mais uma batalha contra os EUA, a sua candidata à presidência do Banco Mundial, a ministra Ngozi Okonjo-Iweala foi derrotada.  O Banco Mundial indicou nesta segunda-feira que o candidato apoiado pelos EUA, o médico e ativista Jim Yong Kim, será o próximo presidente da instituição, no lugar de Robert Zoellick.

Parece que o Brasil, ainda não percebeu que os EUA ainda é a maior economia do mundo, respondendo por aproximadamente 20% do PIB mundial. Mesmo considerando o dólar a R$1,70, o país tem economia seis vezes maior que a do Brasil. É interessante considerar que nos últimos dez anos, o comércio com aquele país diminuiu de 20% para cerca de 10% do comércio global que o Brasil mantém com o mundo. É um cálculo simples, se EUA representa 20% do PIB do mundo e o Brasil consegue vender apenas 10% da sua venda global, há uma distorção grande a ser recuperada.  

Obama é pragmático, sabe onde pisa e sabe o que quer. Mandou Hillary para o Brasil, não para oferecer "vaga no Conselho de Segurança da ONU", mas para vender o "turismo" e "equipamentos petrolíferos" para  o nosso país.  Enquanto isso oferecemos a cachaça brasileira cujo volume em 2011, foi um nanico US$19 milhões. Se antes vendíamos café e comprávamos automóveis americanos, agora vendemos cachaça e compramos equipamentos petrolíferos.

Por mais que tentemos provar para o mundo que o Brasil está “bombando”, vamos passando por governos de todos os matizes com a mesma agenda.

É tudo festa no país do carnaval!


O FIM DO FUNDAP


Por Dag Vulpi
O FIM DO FUNDAP ONTEM (16/04) ESTAVA PRÓXIMO, HOJE PRATICAMENTE FOI CONSUMADO

Apesar do empenho, e da união dos políticos capixabas em torno de um objetivo comum, prevaleceu a vontade do Governo Federal, com o apoio da maioria dos demais estados.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sugere aos estados envolvidos na "guerra dos portos" que eles devem investir na melhoria da infra-estrutura e não apenas se transformar em corredor de bens estrangeiros, promovendo incentivos fiscais para produtos importados.

Apesar das resistências dos Estados, que alegam ter perdas com a mudança, o governo fechou acordo com líderes partidários para votar até amanhã (18/04) no plenário do Senado a proposta que unifica as alíquotas do ICMS em 4%, sobre produtos importados, com objetivo de acabar com a chamada "guerra dos portos" promovida por Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás. Na qual os estados concedem incentivos fiscais para atrair mercadorias compradas do exterior e depois vendidas a outras regiões.

"Vamos ter votos contrários, mas acho que há votos suficientes para aprovar a resolução na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Aprovada na há tratativas para a proposta ser levada ao plenário até amanhã", disse a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

Para isso, foi apresentado um projeto que reduz de 12% para zero o ICMS cobrado pelo Estado de origem nas transações interestaduais de importados, dessa forma, a atração dos produtos deixa de ser vantajosa.
Apoiada pela indústria nacional, que critica os benefícios à concorrência externa, a medida sofre oposição de bancadas como as do Espírito Santo e de Santa Catarina, que perderiam receita. Para diminuir a resistência, o governo mudou sua proposta para fixar um ICMS interestadual de 4%, mas o máximo que conseguiu foi aprovar na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a constitucionalidade do texto.

Para Mantega, "é fundamental que preservemos o mercado para os produtos locais".´"Não tem nenhum sentido alguns Estados darem incentivo para essa importação", disse.
Segundo o ministro, o governo federal ofereceu linhas de financiamento via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como compensação aos Estados.
"Os Estados não terão falta de recursos para substituir eventuais perdas e realizar novos investimentos para atrair e fixar novas atividades econômicas no lugar dessas que eles estão praticando", afirmou.
"Eles precisam melhorar infraestrutura e as condições do Estado de modo que sejam atraentes para produção e não só para importação, sendo meramente um corredor de importação", emendou.
Na segunda-feira, Mantega se reuniu com os governadores dos três Estados na segunda-feira e rejeitou uma transição na proposta.
Dagmar Vulpi O deputado federal Lelo Coimbra (PMDB - ES) ao se pronunciar na tribuna da Câmara citou que o ES perde cerca de R$ 1 bilhão por ano de sua receita, e 50 mil empregos sem o Fundap (Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias). Ele criticou a falta de investimentos do governo federal no ES, e disse que o acordo com líderes do Senado para votação do projeto PRS 72/10, que reduz a 4% a alíquota do ICMS e acaba com o Fundap, é uma decisão autoritária. "Isto não é acordo, e sim uma postura autoritária, sem diálogo, que não permite quaisquer regras de transição, que substitua este importante instrumento de desenvolvimento para nosso estado e que resultará em ”morte súbita" de empregos, desenvolvimento. Não há acordo que recomponha a perda do estado", disse.
Lelo disse ainda que caso seja consumado o fim do Fundap ele se considera liberado de quaisquer votações em favor do governo. "Informo ao meu partido, o PMDB, que me considero liberado de quaisquer votações em favor do governo. Não posso apoiar um governo que não compreende seu papel federativo, que pactua com oligarquias e mantém o "status quo! das políticas do atraso do país." O deputado disse ainda que o argumento do governo federal de que o projeto é fundamental para a indústria do país não passa de lobby da indústria paulista.
"A discussão de desindustrialização, atribuída à concorrência dos importados busca, no atendimento ao lobby da indústria paulista, nesta decisão, uma suposta solução que é equivocada, pois mascara interesses de alguns segmentos. Preocupações com o Brasil não fazem parte desse debate, é um erro subtrair o direito dos estados ao seu desenvolvimento, através de uma decisão que não resolverá a desindustrialização, cujas causas não encontrarão solução neste caminho", afirmou.
O deputado critica ainda a presidenta Dilma pela falta de participação no debate e na negociação da votação da proposta. "Dilma, diferente do Lula, lava as mãos. Acha que concentrar recursos na União e definir como distribuir os pires, será suficiente. O que quer a Presidente Dilma? Desconstruir um pacto federativo, já bastante fragilizado? Suprimir o direito dos estados de fazerem política de desenvolvimento com o único instrumento que tem?", argumentou.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Conta tudo, Cachoeira



Eis a história de um homem que quis comprar o Brasil inteiro e quase conseguiu.

Por Leonardo Attuch
Interpretado por Al Pacino, Michael Corleone não tinha lá muita vocação para o crime. Parecia ser o mais frágil dos irmãos e o menos apto a suceder Don Vito Corleone, vivido por Marlon Brando, no comando da máfia. Carlos Augusto Ramos, nosso Carlos Cachoeira, era também filho de bicheiro. Desde jovem, Carlinhos sentiu na pele o peso da rejeição social. Nasceu em Anápolis, uma cidade com seus próprios complexos, tida como rota de passagem entre duas capitais – Brasília e Goiânia –, e nunca se sentiu plenamente inserido na sociedade. Era rico, mas não tinha pedigree. Portanto, nunca foi devidamente respeitado.
Eis a raiz psicológica que explica os distúrbios do nosso Poderoso Chefão. Assim como Michael Corleone, Cachoeira tentou migrar do crime para atividades legais – ou, pelo menos, menos ilícitas. E, assim como o personagem do filme, ele também fracassou, ainda que tenha diversificado seus negócios para muito além do jogo. Cachoeira era fabricante de remédios, empreiteiro, dono de shopping centers e fazendeiro. Mas, em todas as atividades empresariais em que se envolveu, utilizou métodos de quadrilha, como grampos ilegais, extorsões, chantagens e propinas.
É por isso que o Brasil está prestes a experimentar a mais emocionante de todas as CPIs. Nunca antes na história deste país um contraventor foi tão audacioso. Com complexo de grandeza, Cachoeira se julgou capaz de se infiltrar no Congresso e de colocar de joelhos governos democraticamente eleitos. Quase conseguiu. Há rumores até de que vinha organizando o maior de todos os mensalões: a mesadinha parlamentar para liberar o jogo no Brasil, com o valor de tabela de cada deputado e senador.
Seu esquema parecia perfeito. Envolvia proteção policial, retaguarda política e uma montanha de dinheiro. Mas a ambição desmedida sempre cobra seu preço. Cachoeira produziu crises no governo Lula, com os filmes de Waldomiro Diniz e Maurício Marinho, infiltrou-se no governo goiano e tentou tomar conta também do Distrito Federal. O que mais ele pretendia?
Como consolo, eis agora a oportunidade de revelar os nomes de todos aqueles que estavam no seu bolso. Diante dele, na CPI, quantos inquisidores não terão sido favorecidos por suas doações? Conte tudo, Cachoeira. Dê nome e sobrenome. E, assim como na saga do Poderoso Chefão, cite a frase de Michael Corleone. A de quanto mais alto subiu na escala social, mais podridão descobriu.

Presidente da Câmara declara guerra à Veja

Foto: Dorivan Marinho/Folhapress_Divulgação

Marco Maia responde à reportagem desta semana em que a publicação acusa o PT de armar uma cortina de fumaça para ofuscar o mensalão; mais: ele promete um capítulo dedicado às relações de Cachoeira com a mídia e lembra o caso Murdoch.

Agora é guerra. O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, soltou uma nota contestando a reportagem de capa da revista Veja deste fim de semana, que acusa o PT de armar uma cortina de fumaça, com a CPI do caso Cachoeira, para abafar o escândalo do mensalão. Num texto duro, Maia garante que haverá uma investigação sobre as relações de jornalistas com grupos clandestinos de espionagem e lembrou o caso do News of the World, que fechou as portas após a descoberta de que publicava grampos ilícitos.

Leia, abaixo, a nota de Marco Maia (PT/RS):
Resposta de Marco Maia, Presidente da Câmara dos Deputados à Veja.
Por que a Veja é contra a CPMI do Cachoeira?
Tendo em vista a publicação, na edição desta semana, de mais uma matéria opinativa por parte da revista Veja do Grupo Abril, desferindo um novo ataque desrespeitoso e grosseiro contra minha pessoa, sinto-me no dever de prestar os esclarecimentos a seguir em respeito aos cidadãos brasileiros, em especial aos leitores da referida revista e aos meus eleitores:
- a decisão de instalação de uma CPMI, reunindo Senado e Câmara Federal, resultou do entendimento quase unânime por parte do conjunto de partidos políticos com representação no Congresso Nacional sobre a necessidade de investigar as denúncias que se tornaram públicas, envolvendo as relações entre o contraventor conhecido como Carlinhos Cachoeira com integrantes dos setores público e privado, entre eles a imprensa;
- não é verdadeira, portanto, a tese que a referida matéria tenta construir (de forma arrogante e totalitária) de que esta CPMI seja um ato que vise tão somente confundir a opinião pública no momento em que o judiciário prepara-se para julgar as responsabilidades de diversos políticos citados no processo conhecido como "Mensalão";
- também não é verdadeira a tese, que a revista Veja tenta construir (também de forma totalitária), de que esta CPMI tem como um dos objetivos realizar uma caça a jornalistas que tenham realizado denúncias contra este ou aquele partido ou pessoa. Mas posso assegurar que haverá, sim, investigações sobre as graves denúncias de que o contraventor Carlinhos Cachoeira abastecia jornalistas e veículos de imprensa com informações obtidas a partir de um esquema clandestino de arapongagem;
- vale lembrar que, há pouco tempo, um importante jornal inglês foi obrigado a fechar as portas por denúncias menos graves do que estas. Isto sem falar na defesa que a matéria da Veja faz da cartilha fascista de que os fins justificam os meios ao defender o uso de meios espúrios para alcançar seus objetivos;
- afinal, por que a revista Veja é tão crítica em relação à instalação desta CPMI? Por que a Veja ataca esta CPMI? Por que a Veja, há duas semanas, não publicou uma linha sequer sobre as denúncias que envolviam até então somente o senador Demóstenes Torres, quando todos (destaco "todos") os demais veículos da imprensa buscavam desvendar as denúncias? Por que não investigar possíveis desvios de conduta da imprensa? Vai mal a Veja!;
- o que mais surpreende é o fato de que, em nenhum momento nas minhas declarações durante a última semana, falei especificamente sobre a revista, apontei envolvidos, ou mesmo emiti juízo de valor sobre o que é certo ou errado no comportamento da imprensa ou de qualquer envolvido no esquema. Ao contrário, apenas afirmei a necessidade de investigar tudo o que diz respeito às relações criminosas apontadas pelas Operações Monte Carlo e Vegas;
- não é a primeira vez que a revista Veja realiza matérias, aparentemente jornalísticas, mas com cunho opinativo, exagerando nos adjetivos a mim, sem sequer, como manda qualquer manual de jornalismo, ouvir as partes, o que não aconteceu em relação à minha pessoa (confesso que não entendo o porquê), demonstrando o emprego de métodos pouco jornalísticos, o que não colabora com a consolidação da democracia que tanto depende do uso responsável da liberdade de imprensa.

Dep. Marco Maia,
Presidente da Câmara dos Deputados

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