Por Mauro Santayana
Primeiro ministro da França entre l988 e 1991, Michel Rocard é homem respeitável em seu país. Ele, e um economista mais moço, Pierre Larrouturou, publicaram, segunda-feira, em Le Monde, artigo baseado em fontes americanas sobre os empréstimos concedidos pelo Tesouro dos Estados Unidos aos bancos, em 2008. De acordo com as denúncias – feitas pela agência de informações econômicas Bloomberg – os juros cobrados pelo FED aos bancos e seguradoras foram de apenas 0,01% ao ano, enquanto os bancos estão emprestando aos Estados europeus em dificuldades a juros de 6% a 9% ao ano – de seiscentas a 900 vezes mais. De acordo com as denúncias da Bloomberg, retomadas por Rocard e Larrouturou, o montante do socorro por Bush e Henry Paulson, seu secretário do Tesouro, aos banqueiros, chegou a um trilhão e duzentos bilhões de dólares, em operações secretas.
O artigo cita a cáustica conclusão de Roosevelt, durante sua luta para salvar os Estados Unidos depois da irresponsabilidade criminosa dos especuladores que haviam provocado a Grande Depressão: um governo dirigido pelo dinheiro organizado é igual a um governo dirigido pelo crime organizado.
Dentro do raciocínio de Roosevelt, podemos comparar a carreira de Henry Paulson à de qualquer grande boss de Chicago ou de Nova Iorque no crime organizado. Desde 1974 – quando tinha 28 anos – Paulson tem servido ao Goldman Sachs, a cuja presidência chegou em 1999. Nos sete anos seguintes, ele consolidou a posição do banco em sua atuação internacional – e foi convocado por Bush para ocupar a Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos em 2006. Poucos dias antes, ele deixou a presidência do banco, e preferiu converter a indenização a que teria direito (o famoso bônus), em participação acionária. Isso o manteve ligado, por interesse próprio, aos destinos do banco.
Uma das primeiras firmas a serem beneficiadas pela ajuda do Tesouro, por decisão de Paulson, durante a crise de 2008, foi a AIG - a maior seguradora norte-americana - com cerca de 80 bilhões de dólares. Ocorre que o principal credor da AIG, era o Goldman Sachs, que desse dinheiro, recebeu quase 30 bilhões, logo em seguida.
O Goldman foi multado, em julho de 2010, pela SEC (Securities and Exchanche Commission) por fraude, em 550 milhões de dólares, por ter atuado de má fé na questão das operações com papéis da dívida imobiliária. E são ex-diretores do Goldman Sachs (provavelmente ainda grandes acionistas do banco, como é o caso de Henry Paulson) que se encontram agora no controle do Banco Central Europeu (Mario Draghi), na chefia dos governos da Itália (Mario Monti) e da Grécia (Lucas Papademos). O que farão esses interventores do Goldman Sachs, no controle das finanças européias, a não ser defender os interesses dos bancos - e seus lucros fraudulentos? Se Roosevelt fosse vivo, naturalmente estaria pensando em sua advertência dos anos 30.
É brutal a semelhança entre a situação atual e a de 1929. Ao analisar os fatos daquele tempo, John Galbraight disse que “o outono de 1929 foi, talvez, a primeira ocasião em que os homens tiveram, em grande escala, a capacidade de enganar a si mesmos”. A escala do auto-engano parece ser ainda maior em nossos dias. Rocard lembra a observação de Paul Krugman, de que a Europa entrou em uma “espiral da morte” – mas não é apenas a Europa que corre esse risco.
Assim podemos explicar a advertência de Edgar Morin – também citada por Rocard – de que a civilização ocidental está entre a metamorfose e a morte. “O capitalismo sem regras é o suicídio da civilização”, como afirmam Morin e Stephane Hessel, em seu livro recente “Le Chemin de l’espérance”.
O ex-premier Rocard registra, em seu artigo de Le Monde, que as dívidas dos países europeus para com os grandes bancos são antigas, e sua solução não é difícil. Se o Tesouro americano foi capaz de emprestar a 0,01 aos bancos fraudadores e irresponsáveis, o Banco Central Europeu poderia emprestar, com as mesmas taxas, a instituições nacionais européias - seu estatuto veda o empréstimo direto aos estados-membros - como os bancos estatais de fomento e caixas econômicas. Essas instituições repassariam as somas aos estados, cobrando-lhes juros em dobro – a 0,02% ao ano. Se prevalecesse a razão e a ética, estaria resolvido o problema europeu da dívida pública.
Registre-se, no entanto, que o lema do Goldman Sachs, creditado a um de seus antigos controladores, Gus Levy, nos anos 50, é auto-elucidativo: “long-term greedy”, ganância a longo prazo. O fato singelo é o de que, em tempos de crise – como disse Keynes em 1937, e Krugman relembrou também em texto recente – não cabe a austeridade, com corte de gastos sociais e de infraestrutura, mas, sim, é preciso investir e criar empregos. Os governantes de hoje, em sua maioria, não servem a seus povos, e em razão disso, desprezam pensadores como Keynes. Estão a serviço de grandes corporações, dirigidas por fraudadores, como os banqueiros do Goldman Sachs.
Talvez tenhamos que ir mais adiante ainda – e seguir o conselho de Morin: para não perecer, a civilização ocidental terá que sofrer a metamorfose necessária, encasular-se na razão e, nela, criar asas para o vôo.
Via: Maurosantayana.com
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Insanidade: soldados americanos profanam corpos de três afegãos
Por GRAHAM BOWLEY e MATTHEW ROSENBERG
Via 2 de janeiro de 2012, no New York Times
Cabul, Afeganistão — Um vídeo que mostra quatro fuzileiros navais dos Estados Unidos urinando nos corpos de três guerreiros mortos do talibã provocou fúria e condenações na quinta-feira no Afeganistão e em todo o mundo. Autoridades norte-americanas disseram temer que as imagens incitem sentimento antiamericano num momento delicado dos esforços de guerra.
O governo Obama está lutando para manter o presidente Hamid Karzai ao seu lado ao mesmo tempo em que cuidadosamente tenta abrir conversações com o talibã. Mas o vídeo demonstrando tal ato de desrespeito — um possível crime de guerra — provavelmente vai enfraquecer a posição norte-americana com ambos. O talibã e o presidente Karzai rapidamente usaram as imagens como prova da brutalidade norte-americana, uma mensagem com amplo apelo no Afeganistão, onde notícias sobre o vídeo estavam se espalhando vagarosamente na quinta-feira.
Autoridades militares sênior em Cabul e no Pentágono, que estavam avaliando o vídeo, confirmaram que ele é autêntico e identificaram pelo menos dois dos fuzileiros navais, que completaram seu serviço no Afeganistão durante o outono [no Hemisfério norte] antes de voltar para Camp Lejeune, na Carolina do Norte. As autoridades não divulgaram os nomes dos dois.
Mesmo antes que a autenticidade do vídeo fosse confirmada, expressões de ultraje e contrição do secretário de Defesa Leon E. Pannetta e da secretária de Estado Hillary Rodham Clinton e de outros autoridades não deixaram dúvidas de que todos consideravam o vídeo real.
Consciente do potencial do vídeo para enfraquecer a já frágil imagem dos Estados Unidos no Afeganistão, o sr. Panetta telefonou para o presidente Karzai para assegurar que uma investigação completa está em andamento para encontrar os responsáveis e puní-los. O sr. Panetta disse ao líder afegão que “a conduta retratada nas imagens é absolutamente deplorável e não reflete os valores que as tropas norte-americanas devem seguir sob juramento”, de acordo com George Little, um porta-voz do Pentágono.
O vídeo mostra quatro fuzileiros navais em seus distintos uniformes de camuflagem marrom urinando sobre três cadáveres — um coberto de sangue — que estão no chão diante deles. Os homens brincam uns com os outros, uma referência obscena é feita e um diz “tenha um bom dia, colega”.
O talibã disse inicialmente que as imagens não afetariam as negociações, se referindo ao vídeo como apenas mais prova do que o grupo enxerga como brutalidade e desrespeito contra afegãos por parte de norte-americanos. “Esta não é a primeira vez que vemos tal brutalidade”, um porta-voz do talibã, Zabihullah Mujahid, disse à Reuters.
Mas mais tarde, na quinta-feira, numa nota oficial enviada à mídia, o talibã não fez referência às conversações e enfatizou a brutalidade. “Nós condenamos fortemente o ato desumano de soldados norte-americanos selvagens e consideramos este ato em contradição com todas as normas humanas e éticas”, disse a nota.
O presidente Karzai adotou o mesmo tom — ele, também, descreveu o vídeo como “desumano” — afirmando em uma nota que ficou profundamente chocado pelas imagens. Pediu que os norte-americanos punissem severamente os que tiverem cometido crimes. “Este ato de soldados norte-americanos é simplesmente desumano e condenável nos termos mais fortes”, disse.
Autoridades norte-americanas reagiram com remorso durante toda a quinta-feira, numa tentativa de evitar as repercussões do vídeo. A coalizão liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão e a Embaixada dos Estados Unidos em Cabul ofereceram condenações separadamente. As ações que aparecem no vídeo “parece que foram conduzidas por um pequeno grupo de indivíduos norte-americanos que já não estão no Afeganistão”, disse a coalizão em nota. O “comportamento desonra o sacrifício e os valores de todos os soldados que representam os cinquenta países da coalizão”.
A secretária Clinton, que um dia antes descreveu as tentativas do governo Obama de iniciar negociações com o talibã, expressou o que chamou de “decepção total”.
“É absolutamente inconsistente com os valores norte-americanos e com tudo o que se espera de nosso pessoal militar”, a sra. Clinton disse durante uma aparição com o ministro das Relações Exteriores da Argélia em Washington. Ela acrescentou que “qualquer pessoa, qualquer pessoa” que se envolveu ou que sabia sobre o incidente “deve responder por isso”.
O sr. Panetta disse em Washington que pediu aos Fuzileiros Navais e ao general John R. Allen, o oficial que lidera as forças de coalizão no Afeganistão, que investiguem imediatamente. “Vi as imagens e acho que descrevem um comportamento completamente deplorável”, o sr. Panetta disse em uma nota na quinta-feira. “Eu condeno nos termos mais fortes que seja possível condenar”.
O vídeo, postado em sites da internet como LiveLeak e YouTube, começou a ricochetear em sites internacionais na quarta-feira. Embora os militares não tenham dado detalhes adicionais sobre onde o vídeo foi feito ou quem foi o responsável por ele — ou quais as acusações que poderão ser feitas contra os responsáveis –, a maioria dos fuzileiros navais servindo no Afeganistão estão na província de Helmand, no sudoeste.
Se as condenações norte-americanas vão ou não reduzir o ódio dos afegãos, isso permanece incerto. As notícias se espalham lentamente no Afeganistão, onde aparelhos de TV e conexões de internet são raras. Mas para aqueles que viram o vídeo, as imagens parecem ter aprofundado o desgosto com os Estados Unidos, vistos amplamente como invasores depois de uma década de guerra.
“O talibã algumas vezes comete atos duros, mas era suficiente matá-los e não degradar ou humilhar os cadáveres”, disse Jawad, um estudante universitário em Cabul que só deu o primeiro nome.
Haji Ahmad Fareed, um ex-integrante do Parlamento, disse que as imagens confirmaram para eles que os Estados Unidos são adversários do islã e disse que a luta do talibã é “legítima”.
Os norte-americanos “nunca serão nossos amigos e nunca trarão a paz”, ele disse. “Eles urinaram no nosso sagrado Corão e agora eles urinam nos corpos de nossos muçulmanos”.
O sr. Fareed estava se referindo a uma notícia errônea da revista Newsweek de 2005, segundo a qual soldados norte-americanos baseados na prisão de Guantanamo Bay, em Cuba, tinham jogado o Corão num toalete. A notícia causou protestos e revoltas em várias partes do mundo muçulmano. Os piores foram no Afeganistão, onde pelo menos 17 pessoas foram mortas durante tumultos e as Nações Unidas e grupos de ajuda internacional sofreram ataques.
No ano passado, protestos irromperam depois que um Corão foi queimado numa igreja da Flórida, levando a várias mortes, inclusive de sete funcionários das Nações Unidas, quando uma multidão invadiu um escritório da ONU em Mazar-i-Sharif.
Autoridades norte-americanas no Afeganistão também lutam para conter a reação ao episódio em que um grupo de soldados norte-americanos, em 2010, matou por esporte três civis afegãos, num episódio que mexeu com a hierarquia militar e irritou o governo afegão. O acusado de liderar o bando, que patrulhava rodovias e pequenas vilas na região de Kandahar, foi condenado por três assassinatos por uma corte militar norte-americana em novembro.
As imagens, que se espalhavam na quinta-feira, também relembraram as chocantes imagens de abuso por parte de soldados norte-americanos na prisão de Abu Ghraib, em 2004.
As ações dos fuzileiros navais que aparecem no vídeo podem ser uma violação da Convenção de Genebra, que proíbe vilipendiar os corpos dos mortos em guerra.
Embora as imagens tenham dominado as notícias no Afeganistão na quinta-feira, a aparente campanha de assassinatos do talibã continuou, quando um suicida usou um carro-bomba para matar o governador de um distrito chave da província sulista de Kandahar.
Said Fazluddin Agha, o governador do distrito, estava indo para casa depois do trabalho em seu carro blindado, quando foi atingido por um Suzuki lotado de explosivos, disse Zalmai Ayoubi, um porta-voz do governador de Kandahar. Os dois filhos dele também foram mortos e nove policias e um civil ficaram feridos. O sr. Agha tinha sobrevivido a uma tentativa anterior de assassinato, dois anos antes, quando os explosivos eram carregados por uma mula.
Reporting was contributed by Elisabeth Bumiller and John H. Cushman Jr. in Washington, Sangar Rahimi, Sharifullah Sahak and Jawad Sukhanyar in Kabul, an employee of The New York Times in Kandahar, and J. David Goodman in New York.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Desembarque de Milhares de Marines Americanos em Israel Parece Indicar que Ataque ao Irã Está Próximo
por: marco fernandes
O confronto tão anunciado, tão temido, e tantas vezes adiado, parece estar próximo. Em uma nova onda de sanções, Washington está organizando um boicote global ao petróleo iraniano, o maior produto de exportação daquele país. Teheran já respondeu que, caso os EUA e Israel sufoquem assim a sua economia, eles vão retaliar fechando o estratégico estreito de Hormuz ao tráfego comercial. Em outras palavras, "se sufocarem o Irã, nós sufocaremos o mundo," sabendo-se que Hormuz é um estreito gargalo por onde passam todos os dias cerca de 15 navios-petroleiros carregando 15.5 milhões de barris de óleo cru (20% do consumo mundial). A maior parte do petróleo da Arábia Saudita, Iraque, Kuwait (e do próprio Irã) passa obrigatoriamente por ali.
Fechar essa passagem de apenas 50 km de largura é uma tarefa relativamente fácil para os iranianos, afinal Hormuz é uma praia do território iraniano (veja no mapa abaixo), portanto eles não estão simplesmente blefando.

Apesar do silêncio da mídia americana sobre o assunto, eu acabo de assistir a notícias alarmantes pelo canal russo de TV a cabo Russia Today. Há vários indícios de que o Irã será atacado em breve por Israel e pelos Estados Unidos.
Com as tensões em torno do estreito de Hormuz em alta, os planos iranianos de conduzir "os maiores exercícios de guerra naval" da história do país poderão coincidir com exercícios conjuntos EUA-Israel no golfo Pérsico. Com os dois lados tomando posições, aumenta o risco de que esses "exercícios" transformem-se em uma batalha de verdade.
Oxalá esses exercícios maciços não passem de exercícios. Mas com três exércitos sobre o tabuleiro, uma fagulha pode bastar para deflagrar uma guerra total. Depois de realizar recentemente um exercício naval de 10 dias próximo ao estreito de Hormuz para demonstrar a sua proeza militar, o Irã está agora planejando novas e "maciças" manobras codinominadas O Grande Profeta. Essas manobras serão conduzidas pelas tropas de elite da Guarda Revolucionária, a qual tem as suas próprias forças de terra, ar e mar independentes do exército regular.
Na quinta-feira, a agência iraniana semi-oficial Fars citou o comandante naval da Guarda Revolucionária, almirante Ali Fadavi, dizendo que a próxima rodada de jogos de guerra será "diferente" das anteriores, relata a AP. Eventualmente, no mesmo dia, um porta-voz militar israelense declarou em off que o seu país está se preparando para o maior exercício naval conjunto EUA-Israel jamais realizado.
Codinominada Austero Desafio 12, essa manobra está agendada para acontecer nas próximas semanas. O seu propósito primário será testar múltiplos sistemas de defesa aérea americanos e israelenses, em particular o sistema Arrow, desenhado especialmente para interceptar mísseis iranianos. O que talvez mais esteja alarmando a liderança iraniana, é que milhares de soldados americanos serão desembarcados em Israel como parte da manobra.
Apesar de os militares israelenses insistirem que esses gigantescos exercícios não têm conexão com eventos recentes, Martin van Creveld, um historiador militar da Universidade Hebraica de Jerusalém, disse que a manobra seria usada para intimidar o Irã.
"A defesa contra eventuais ataques não é algo que você improvisa da noite para o dia. É preciso preparar-se, é preciso ensaiar... Este, entre outras coisa, é um exercício para mostrar ao Irã, à gente em Teheran, que Israel e os Estados Unidos estão prontos para contra-atacar," ele teria dito, ainda segundo a AP.
Mas Jamal Abdi do Conselho Nacional Iraniano-Americano em Washington disse ao canal russo que as ações da América e de Israel não são meramente preventivas. "Estamos mais e mais perto de uma guerra contra o Irã. Essa extraordinária confluência de eventos - os exercícios planejados pelos EUA e Israel, os exercícios do lado iraniano, muitas sanções e nenhuma diplomacia - coisas assim não terminam senão em confronto."
Via Portal LN
Fechar essa passagem de apenas 50 km de largura é uma tarefa relativamente fácil para os iranianos, afinal Hormuz é uma praia do território iraniano (veja no mapa abaixo), portanto eles não estão simplesmente blefando.
Apesar do silêncio da mídia americana sobre o assunto, eu acabo de assistir a notícias alarmantes pelo canal russo de TV a cabo Russia Today. Há vários indícios de que o Irã será atacado em breve por Israel e pelos Estados Unidos.
Com as tensões em torno do estreito de Hormuz em alta, os planos iranianos de conduzir "os maiores exercícios de guerra naval" da história do país poderão coincidir com exercícios conjuntos EUA-Israel no golfo Pérsico. Com os dois lados tomando posições, aumenta o risco de que esses "exercícios" transformem-se em uma batalha de verdade.
Oxalá esses exercícios maciços não passem de exercícios. Mas com três exércitos sobre o tabuleiro, uma fagulha pode bastar para deflagrar uma guerra total. Depois de realizar recentemente um exercício naval de 10 dias próximo ao estreito de Hormuz para demonstrar a sua proeza militar, o Irã está agora planejando novas e "maciças" manobras codinominadas O Grande Profeta. Essas manobras serão conduzidas pelas tropas de elite da Guarda Revolucionária, a qual tem as suas próprias forças de terra, ar e mar independentes do exército regular.
Na quinta-feira, a agência iraniana semi-oficial Fars citou o comandante naval da Guarda Revolucionária, almirante Ali Fadavi, dizendo que a próxima rodada de jogos de guerra será "diferente" das anteriores, relata a AP. Eventualmente, no mesmo dia, um porta-voz militar israelense declarou em off que o seu país está se preparando para o maior exercício naval conjunto EUA-Israel jamais realizado.
Codinominada Austero Desafio 12, essa manobra está agendada para acontecer nas próximas semanas. O seu propósito primário será testar múltiplos sistemas de defesa aérea americanos e israelenses, em particular o sistema Arrow, desenhado especialmente para interceptar mísseis iranianos. O que talvez mais esteja alarmando a liderança iraniana, é que milhares de soldados americanos serão desembarcados em Israel como parte da manobra.
Apesar de os militares israelenses insistirem que esses gigantescos exercícios não têm conexão com eventos recentes, Martin van Creveld, um historiador militar da Universidade Hebraica de Jerusalém, disse que a manobra seria usada para intimidar o Irã.
"A defesa contra eventuais ataques não é algo que você improvisa da noite para o dia. É preciso preparar-se, é preciso ensaiar... Este, entre outras coisa, é um exercício para mostrar ao Irã, à gente em Teheran, que Israel e os Estados Unidos estão prontos para contra-atacar," ele teria dito, ainda segundo a AP.
Mas Jamal Abdi do Conselho Nacional Iraniano-Americano em Washington disse ao canal russo que as ações da América e de Israel não são meramente preventivas. "Estamos mais e mais perto de uma guerra contra o Irã. Essa extraordinária confluência de eventos - os exercícios planejados pelos EUA e Israel, os exercícios do lado iraniano, muitas sanções e nenhuma diplomacia - coisas assim não terminam senão em confronto."
Via Portal LN
Lista de Furnas: Advogado prova que deputado mentiu em entrevista
- por Luciana Caldeiras
Em nota à imprensa, divulgada na quarta-feira (04/01/12), o advogado Rogério Marcolini, que representa o ex-diretor de Furnas Dimas Fabiano Toledo no caso conhecido como “Lista de Furnas”, desmonta, de forma cabal, a tentativa desesperada por parte do deputado Rogério Correia (PT/MG) de atribuir credibilidade à “Lista de Furnas”, através da divulgação de declaração do deputado Antônio Júlio (PMDB/MG) de que, a pedido dele, Furnas, sob a presidência de Dimas, teria feito a doação de 150 mil reais a hospital do município de Três Pontas, no Sul de Minas, o que comprovaria o conteúdo da “Lista”.
A declaração do advogado prova que não tem fundamento a tentativa de confundir o que é uma doação legal, transparente, registrada em ata feita diretamente pela empresa Furnas para um hospital, com as supostas doações de Caixa Dois para políticos relacionadas nos papéis fraudados da “Lista de Furnas”. Nos papéis falsificados está escrito que as doações tinham origem em recursos não contabilizados de empresas fornecedoras de Furnas e não da própria empresa.
São várias as mentiras que constam da entrevista do deputado Antônio Júlio, que deve ser compreendida como parte do esforço de salvar o deputado Rogério Correia das graves acuações que pesam contra ele. Entre elas o uso de servidores da Assembleia, durante o expediente, para localizar documentos oficiais assinados por deputados e pelo diretor Furnas, para repassá-los a um falsário; a disponibilização de assessor jurídico para acompanhar, defender e orientar Nilton Monteiro, em depoimento; e uso de estrutura da Assembleia, como gabinete e linhas telefônicas para finalidades ilegais.
Não é verdade, por exemplo, que Dimas Toledo era o presidente da estatal na época em que foi aprovada a doação para o hospital.
Nota no Estado de Minas aborda contradição
A nota informa que realmente houve a doação por parte da empresa Furnas à Santa Casa de Misericórdia daquele município, mas que a iniciativa foi proposta por outro diretor da estatal e aprovada pelo presidente da companhia que antecedeu a Dimas no cargo, isso ainda em abril daquele ano, portanto fora do período eleitoral. Todo o processo de aprovação da doação, conforme a nota, foi comprovadamente oficial e, inclusive, registrado em ata de reunião da diretoria do dia 02 de abril de 2002.
Furnas, segundo informa a nota, tem dotação orçamentária própria para a doação de recursos financeiros para vários projetos sociais nas áreas onde atua, sendo que para o período de 2011/2012, estão reservados cinco milhões em investimentos sociais.
O advogado ressalta, ainda, que na verdade, o que se vê (na declaração do deputado) é o aproveitamento de valores coincidentes, já que tanto o valor doado pela estatal para o hospital quanto o valor que consta como repasse pra Antônio Júlio na “Lista de Furnas” são, por coincidência, os mesmos, “com o propósito de, mais uma vez, tentar emprestar artificiosamente credibilidade a documento material e ideologicamente falso a fim de atender objetivos puramente políticos. Como é natural, também convém à farsa a invocação de médico do hospital já falecido a título de suposta testemunha”.
A “Lista de Furnas”, como já demonstrado aqui, relaciona políticos brasileiros de vários partidos e de vários Estados que teriam recebido recursos em espécie para custearem as suas campanhas eleitorais, em 2002, e não se trata de repasse de recursos oficiais de apoio por parte da empresa para projetos sociais da estatal.
A “Lista” tem a sua origem no notório falsário Nilton Monteiro, atualmente preso e que responde a diversos processos por falsificação de documentos e de notas promissórias, que somam mais de trezentos milhões de reais.
Como o deputado Antônio Júlio declarou que conhece apenas um repasse financeiro, tendo como origem a empresa de Furnas e esse repasse foi feito de forma transparente, regular e registrada inclusive em ata, isso significa dizer que o outro repasse alegado na “Lista de Furnas”, que teria sido feito em espécie e teria tido como origem empresas fornecedoras de serviços para a estatal, não existiu. Essa é, portanto, mais uma prova da falsidade dos papéis.
Essa entrevista do deputado Antônio Júlio poderia, inclusive, servir como mais uma prova da falsificação dos papéis. Como dissemos em post anterior, quanto mais se mexe nesse assunto, mais mentiras vão surgindo e mais clara fica a fraude.
Vamos esperar os próximos amigos do deputado Rogério Correia. O que será que eles vão inventar pra tentar ajudar o deputado?
Vamos mexer, vamos mexer, gente…
PS: Hoje faz 23 dias da publicação da reportagem da revista Veja com os diálogos comprometedores entre o deputado Rogério Correia, seu assessor Simeão de Oliveira e o falsário Nilton Monteiro, e ele continua no mais absoluto silêncio. Explica, Rogério!
Veja aqui os principais pontos da nota divulgada pelo advogado de Dimas Fabiano
“A declaração do deputado estadual contribui para comprovar a falsidade dos papéis conhecidos como a Lista de Furnas. Ora, nos papéis apresentados pelo falsário Nilton Monteiro são relacionadas diversas empresas que manteriam relação comercial com Furnas como supostas doadoras dos recursos que teriam sido entregues a políticos de diversos partidos e de vários estados brasileiros para custear as campanhas eleitorais no ano de 2002, de modo a sugerir que os recursos não teriam origem no caixa de Furnas. Seriam, portanto, “recursos não contabilizados”.”
“A doação ao Hospital de Três Pontas foi feita diretamente por FURNAS à Santa Casa de Misericórdia, a partir de verba da própria prevista no orçamento da companhia destinada a entidades filantrópicas. O processo de análise da referida doação teve tramitação absolutamente transparente, com a aprovação pela diretoria da estatal, registrada formalmente em ata de 02.abr.02. Mais: a proposta de doação partiu de outro diretor que não Dimas Fabiano Toledo e foi aprovada na gestão de seu antecessor na Presidência de Furnas.”
“A atuação de Furnas em projetos sociais é largamente conhecida, tanto é que agora, no período de 2011/2012, o Programa Eletrobrás Furnas Social destinará cinco milhões de reais para “as Instituições selecionadas e que estejam alinhadas com a Política de Responsabilidade Social de FURNAS”, conforme edital disponibilizado no site da empresa”.
“A doação foi feita fora do período eleitoral, sem qualquer relação com a campanha ou intermediação de Dimas Fabiano Toledo.”
“Outra incongruência evidente é que, nos papéis tidos como “Lista de Furnas”, os valores destinados à Minas Gerais teriam sido entregues ao que seria espécie de “tesoureiro” da campanha para repasse aos candidatos. Nesse contexto, ainda que por absurdo se desse crédito à malfadada lista, é absolutamente incoerente a afirmação do Deputado Antônio Júlio de que tivesse tratado do assunto diretamente com Dimas Fabiano Toledo.”
“Na verdade, o que se vê é o aproveitamento de valores coincidentes com o propósito de, mais uma vez, tentar emprestar artificiosamente credibilidade a documento material e ideologicamente falso a fim de atender objetivos puramente políticos. Como é natural, também convém à farsa a invocação de médico do hospital já falecido a título de suposta testemunha.”
PORQUE A INTERNAÇÃO COMPULSORIA DE DEPENDENTE DE CRACK É NECESSÁRIA
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| Ilustrativa |
Em geral, a decisão inicial de usar drogas é voluntária. No entanto, a dependência pode se estabelecer e, nesse momento, a capacidade de exercer autocontrole pode ficar seriamente comprometida. Nesse caso, sair das drogas deixa de ser um ato de vontade.
Estudos de imagens do cérebro de dependentes químicos mostram mudanças físicas em áreas do cérebro críticas para julgamento, tomada de decisão, aprendizagem, memória e controle do comportamento.
Acredita-se que essas mudanças alteram o funcionamento do cérebro, explicando, pois, os comportamentos compulsivos e destrutivos do dependente. Por isso, a dependência é considerada uma doença mental.
Se o dependente químico é um doente mental que não possui critério para decidir por si próprio porque não possui autocontrole, é preciso que alguém decida por ele. Isso dito, é preciso que existam mecanismos de internação compulsória.
Não bastam ações que mais parecem o jogo de “gato e rato” ou afirmar que há uma boa infra-estrutura de assistência hospitalar à disposição daquele que quer largar as drogas. Não se trata de uma decisão de vontade.
O fato é que, hoje, quem depende da rede pública para o atendimento de um familiar dependente de drogas enfrenta uma burocracia que não combina com urgência da situação. Um dependente em surto coloca em risco sua família e si próprio.
Os mecanismos de internação compulsória adotados, atualmente, interferem na agilização que a situação exige. Sem eles, não é possível enfrentar o problema da cracolândia. Acresce que não há, em São Paulo, nenhum hospital de referência em atendimento aos dependentes químicos. Como é possível enfrentar esse problema sem uma infraestrutura que de suporte aos encaminhamentos?
Na verdade, muitos médicos e hospitais sequer sabem como proceder diante da situação e não atendem o paciente como um doente, mas como um marginal. O usuário é estigmatizado.
Pergunto às autoridades: o que fariam se tivessem um filho dependente químico na cracolândia? Deixá-lo-iam “perambular em busca de mais droga até que ele pedisse ajuda?” Não se trata apenas de um problema de segurança, mas também de saúde pública. Aceitem ou não é uma doença que precisa de tratamento especializado.
Às autoridades faltam compaixão e bom senso.
*Beatriz Silva Ferreira
Fundadora do Grupo Amor Exigente/São Luís
Especialista em Dependência química
Mediadora e terapeuta Famíliar
Autora dos livros Só Por Hoje Amor Exigente e Filhos que Amam Demais
Participação de um capítulo do livro “Aconselhamento em Dependência Química.”, organizado por Neliana Buzi Figlie, Selma Bordin e Ronaldo Laranjeira
Fernando Bezerra e as Bases Geopoliticas do Presidencialismo de Coalizão
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| Fernando Bezerra - Ministro da Integração Nacional fonte imagem: Google |
Por: José Roberto Bonifácio*
Examinando o caso do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e a decisão escandalosa de alocar 95% dos fundos para prevenção e mitigação de catástrofes naturais a seu estado natal, nos indagamos quais fatores e aspectos geram tal comportamento aberrante.
O episódio afeta um partido importante na base governista, o PSB, e um potencial presidenciável, o governador Eduardo Campos (PE). E ainda realça o fato de que aquele mesmo estado tornou-se um ator de peso na Federação, liderando a frente pela redistribuição de royalties do petróleo e obteve a indicação de uma Ministra para o Tribunal de Contas da União. Simultaneamente, o PSB registrou forte expansão nas regiões Norte e Nordeste (além do ES) nas eleições de 2010.
Tomando emprestado o titulo de um famoso artigo do cientista político Sérgio Abranches, vejamos como nosso sistema político desenvolveu aspectos que afetam o bem-estar do eleitor-cidadão-contribuinte.
Com o advento da republica e do federalismo, em 1889-92, findou o sistema unitário herdado da Colônia e do Império. Até ali o desenvolvimento desigual e combinado das regiões, ao longo dos históricos ciclos de valorização das commodities (cana, mineração, algodão, borracha, café), diferenciou as elites o bastante em termos de idéias e interesses. A cisão do corpo politico da União ganhou dimensões e consequencias realísticas, mas não reslpaldadas na doutrina patrimonialista insculpida em nosso Constitucionalismo. Tal arranjo juridico inibe separatismos mas não impediu as elites de travarem conflitos entre si, que ás vezes desestabilizaram a ordem política e induziram dramáticas transições de regime (1930, 1945, 1964, 1985).
Assim os estados federados emergem como atores geopolíticos de facto, ainda que não em direito próprio. Como previsto por Abranches, o multipartidarismo e o federalismo potencializam a projeção dos estados na arena nacional, de modo que o regionalismo oligárquico tende a se impor como clivagem no sistema político. Mas os estados vão além: tendem a conceber e executar projetos de poder autonomos e singulares.
Deputados e senadores, além de buscarem benefícios para suas bases, ainda engajam-se, sob as ordens dos governadores, em escambos com outras bancadas visando maximizar seus ganhos. Certos estados capturam órgãos e áreas de políticas do Governo Federal: assim MG “comanda” o DNIT, os nordestinos a ADENE, os do centro-oeste o Ministério da Agricultura...
A coordenação de politicas se torna assim precária e ineficiente, originando problemas de recursos fiscais comuns como este documentado anualmente em função do ciclo das chuvas e do emprego abusivo da dispensa e da inexigibilidade de licitações para contratar obras, bens e serviços demandados pelos desabrigados.
Por isso, a triste experiencia oferecida pela pasta da Integração Nacional torna evidentes e compreensíveis diversos aspectos da política brasileira.
*José Roberto Bonifácio é Sociólogo (UFES) e Cientista Político (IUPERJ). Email: bonifacio78@gmail.com
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