sábado, 4 de agosto de 2012

Proteína na saliva de carrapato pode reduzir tumores cancerígenos, aponta estudo


Estudo conduzido pelo Instituto Butantan indica que uma proteína presente na saliva do carrapato-estrela (Amblyomma cajennense) pode reduzir tumores cancerígenos – sobretudo dos tipos melanoma, de pâncreas e renal.

De acordo com a coordenadora do estudo, Ana Maria Tavassi, os pesquisadores buscavam, inicialmente, encontrar capacidade anticoagulante na saliva do animal, mas perceberam que a proteína também agia diretamente nas células.

“Fizemos estudos em células normais e tumorais. A proteína não exercia ação em células normais, mas tinha uma atividade capaz de matar as células tumorais”, explicou.

Após testes in vitro e em animais e com o depósito da patente, o próximo passo, segundo Ana Maria, são os testes pré-clínicos, que vão avaliar a segurança farmacológica da próteína. A previsão é que, em dois anos, a pesquisa tenha o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Para desenvolver um medicamento, normalmente, se leva dez anos – do início dos testes até a fase clínica”, disse. “A gente avançou o máximo que podia avançar até aqui. O Brasil é carente no desenvolvimento de medicamentos, não tem histórico. Há uma dificuldade”, completou.

A pesquisadora lembrou que, no caso específico do câncer de pâncreas, não há tratamento terapêutico para combater a doença. A única chance do paciente, atualmente, é passar por uma cirurgia para a retirada do tumor, desde que ele seja operável.

“Quando você anuncia uma molécula com essa natureza, as pessoas que estão precisando ficam com uma expectativa muito grande, mas é preciso entender que, obrigatoriamente, ela tem que passar por todas essas fases de teste”, concluiu.

Justiça determina que PF divulgue endereço de Cesare Battisti


O juiz federal Alexandre Vidigal, titular da 20ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal, determinou na última quinta-feira, 2, a divulgação do endereço do italiano Cesare Battisti por parte da Polícia Federal em cinco dias.

Segundo a nota divulgada pela Justiça Federal, caso o ex-militante italiano que está no Brasil com status de refugiado político não seja encontrado no endereço fornecido, a PF ficará responsável por estabelecer seu paradeiro.

O magistrado informou em sua decisão que pelo artigo 102, da Lei 6.815/80, a manutenção do endereço atualizado do estrangeiro é "exigência que se impõe, podendo sua inobservância caracterizar-se como 'estada irregular', implicando, até mesmo, na possibilidade de deportação, na forma do artigo 57, 'caput', da referida lei". 

Serra e Russomanno ficam em empate técnico, com 26% e 25%; Haddad tem 6%


Tucano cai 5 pontos e ex-deputado sobe 9 após início da campanha; petista está em pelotão com Soninha, Chalita e Paulinho

A primeira pesquisa Ibope/TV Globo/Estado desde o início oficial da campanha pela Prefeitura de São Paulo mostra José Serra (PSDB) e Celso Russomanno (PRB) em situação de empate técnico, com 26% e 25% das intenções de voto.

Fernando Haddad, do PT, aparece com 6%, um índice ainda distante do desempenho histórico dos candidatos do partido na cidade. O ex-ministro está embolado com outros três adversários: Soninha Francine (PPS), com 7%, Gabriel Chalita (PMDB) e Paulinho da Força (PDT), ambos com 5%.
A pesquisa consolida Russomanno como candidato a zebra da eleição. Desde o início de maio, data da pesquisa anterior do Ibope, ele cresceu nove pontos porcentuais – tinha 16%. Em algumas áreas da cidade, ele lidera a corrida eleitoral.

Já Serra, que tinha 31% no Ibope de maio, caiu cinco pontos porcentuais desde então. Ele aparece pela primeira vez abaixo do patamar de 30% – taxa que havia obtido na pesquisa Datafolha feita nos dias 19 e 20 de julho.

Outro ponto preocupante para o tucano é o índice de rejeição, o mais alto entre os candidatos: 34% dos entrevistados afirmam que não votariam em Serra de jeito nenhum. Em maio, essa taxa era praticamente a mesma (35%), mas o ex-governador estava empatado tecnicamente com o vereador Netinho de Paula (PC do B, rejeição de 38%) que desistiu de se candidatar.

As taxas de intenção de voto se referem à pesquisa estimulada, aquela na qual os eleitores declaram sua preferência depois de ler a relação de candidatos. Na consulta espontânea, Serra aparece com 11% – é o único com porcentual de dois dígitos. Também nessa modalidade, Russomanno está em situação de empate técnico, com 9%.

Geografia do voto. Candidato pelo minúsculo PRB, Russomanno, com seus programas de televisão de apelo popular, conseguiu chegar ao primeiro lugar isolado na disputa eleitoral em duas das sete regiões da cidade, segundo a divisão geográfica feita pelo Ibope.

Uma delas é a chamada Zona Leste 1 (veja mapa), onde estão bairros como Tatuapé e Mooca – este último, o local de nascimento de Serra. A outra é a Sul 2, que concentra os bairros mais periféricos da região e é um tradicional reduto do PT.

Facebook cria novo espaço para partilhar histórias


A rede social de Mark Zuckerberg desenvolveu um novo espaço ao qual os usuários do Facebook podem relatar suas histórias de como utilizam o meio para mudar as suas vidas.

A rede social de Mark Zuckerberg  desenvolveu um novo espaço ao qual os usuários do Facebook podem relatar suas histórias de como utilizam o meio para mudar as suas vidas. Intitulado como “Facebook Stories”, o site foi lançado nesta semana e de início, um conjunto de histórias dedicadas ao tema das recordações.

Como principal destaque, a história de um indiano de 29 anos, ao qual perdeu a memória após ter ficado gravemente doente. O rapaz  conta que através do Facebook conseguiu reatar suas antigas amizades, como também relembrar  alguns fatos do passado. Mayank  Sharma disse que conseguiu tudo isso através do envio de textos e mensagens sobre a sua vida com os amigos.

Conforme a apresentação do novo espaço, o exemplo de histórias “extraordinárias, peculiares e capazes de incentivar o pensamento e idéias dos mais de 950 milhões de pessoas de todo o mundo que compõem a comunidade do Facebook”.

O site irá apresentar um tema por mês e também contará com algumas áreas especiais onde será possível encontrar sugestões sobre vários assuntos, como livros, músicas, etc.

Registro de queimadas no país este ano é 61% maior do que em 2011

O registro de focos de incêndio no Brasil aumentou 61% de janeiro até hoje (4), em comparação com o mesmo período do ano passado, quando houve 20,2 mil ocorrências. Pelas imagens captadas por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde janeiro até hoje (3), foram identificadas 32,6 mil ocorrências no país.

A população do estado de Mato Grosso é a que tem sentido os maiores efeitos das queimadas, com o registro de mais de 6 mil ocorrências. No Maranhão, o número de focos de incêndio chega a 5,6 mil. Os casos no Piauí, na Bahia e no Tocantis mantêm-se em torno de 3 mil ocorrências mapeadas pelos 11 satélites do instituto.

O coordenador do Monitoramento de Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, explicou que, este ano, as condições climáticas estão mais propícias aos incêndios, diferentemente de 2011, cujo cenário foi mais úmido. No ano passado, o monitoramento de incêndios revelou um decréscimo de 56% das ocorrências em relação aos registros de 2010.

“O ano passado foi chuvoso. Mas, normalmente, neste período do ano, algumas regiões do Brasil Central ficam até três meses sem chuva e isso favorece a propagação do fogo. Algumas regiões de Mato Grosso e do Tocantins já estão há 30 dias sem chuvas”, explicou Setzer.

Apesar do clima seco, com temperaturas acima dos 30 graus Celsius e a baixa umidade [abaixo de 40%], o pesquisador do Inpe revela que praticamente todos os casos são provocados pela ação do humana. “Na seca, não tem ocorrência de raio que poderia começar o incêndio. A origem não é o clima. O problema é que, com a seca, as pessoas começam a colocar fogo”, disse.

Apesar de confirmar a lógica de que quanto maior a estiagem, maior o número de focos de incêndio detectados, Stezer acredita que o fator econômico exerce também forte influência. Em um primeiro cenário, há a influência da economia sobre a atividade agrícola. Quando o mercado acelera o ritmo, com produtos como a soja sendo vendidos a preços considerados atrativos, os produtores sentem-se estimulados a aumentar as fronteiras agrícolas. E essa ação é feita basicamente a partir de queimadas.
Outra situação em que o fator econômico exerce influência é a realidade agrícola de São Paulo, onde, por exemplo, são queimados, anualmente, 20 mil quilômetros quadrados nas áreas rurais para colheita manual da cana-de-açúcar. “É um processo que está sendo mecanizado, mas ainda 50% dos cultivares são colhidos manualmente, o que exige o uso do fogo”, disse o pesquisador.

Setzer acrescenta a falta de fiscalização como fator responsável pelo aumento das queimadas no país. “As leis são boas e está tudo bom no papel, mas, na realidade, há milhares de focos e ninguém está monitorando.” Para ele, a receita para inverter a situação das queimadas nesta época do ano é uma “dobradinha educação-fiscalização. A única forma de prevenir [os incêndios] é as pessoas não usarem o fogo. A origem do fogo é claríssima. Não há dúvida que é a ação humana”.

Do total de focos identificados pelo Inpe, 55,5% estão concentrados nas regiões do bioma Cerrado, onde há registros, desde janeiro até hoje, de 18,1 mil ocorrências, seguidas pelas regiões do bioma Amazônia, onde estão concentrados 21,5% dos focos de incêndio, ou seja, pouco mais de 7 mil ocorrências.


Gurgel reafirma existência do mensalão e aponta José Dirceu como mentor do esquema


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, reafirmou a existência do mensalão, que, segundo ele, foi o “mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e desvio de dinheiro público” da política nacional. Na primeira metade de sua sustentação, no Supremo Tribunal Federal (STF), Gurgel citou o papel de cada integrante do esquema, dando destaque à atuação do ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, que, de acordo com o procurador, era o "mentor" da ação.

Mesmo com tempo limitado, o procurador dedicou os 20 minutos iniciais a considerações filosóficas sobre a relação entre ética e poder. Gurgel citou pensadores como Raymundo Faoro (brasileiro, autor do livro Os Donos do Poder), o italiano Norberto Bobbio e o alemão Max Weber. E, concluindo a etapa teórica da denúncia, deu os motivos pelos quais considerou o esquema criminoso. “Com base na prova reunida na ação penal, os fins não justificam os meios, quando ignoram, cabalmente, o que é moralmente correto e socialmente aceitável”.

O procurador ainda rebateu críticas dos advogados dos réus que figuram no processo, que consideraram o mensalão “uma criação de delírio” do Ministério Público. “A robusteza da prova colhida torna risível a assertiva”, argumentou Gurgel.

Segundo o procurador, o mensalão foi montado em 2003, logo no início do primeiro mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para cooptar apoio político. “Maculou-se a República, instituindo-se à custa do desvio de dinheiro público, um sistema de movimentação financeira à margem da legalidade, com o objetivo de comprar o voto de parlamentares em matérias relevantes para o governo”.
Gurgel disse que a base do esquema constituía na captação de verbas por parte do publicitário Marcos Valério, a mando da cúpula do PT, para distribuição entre parlamentares da base aliada.

O procurador tem direito a cinco horas para falar sobre os 38 réus, uma média de oito minutos para cada um. Na primeira parte de sua apresentação, ele optou por dar destaque a José Dirceu, primeiro da sequência acusatória, a quem dedicou quase 30 minutos de sua fala.

Gurgel concordou que há provas pouco robustas contra quem chamou de “principal figura de tudo que apuramos” e “o grande protagonista” do mensalão, mas atribuiu o fato ao papel de liderança que Dirceu exercia. “Como quase sempre ocorre com chefes de quadrilha, o acusado não aparece nos atos de execução do esquema”, justificou.

Ainda no núcleo político (os réus foram divididos em três núcleos: político, operacional e financeiro), Gurgel citou o ex-presidente do PT José Genoíno, o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira e o ex-tesoureiro da legenda Delúbio Soares, além dos parlamentares dos partidos beneficiados pelo esquema – PL (hoje PR), PTB e PP.

Do núcleo publicitário-financeiro, o destaque foi para Marcos Valério. “Dirceu foi o mentor do esquema enquanto Marcos Valério foi seu executor”, sintetizou Gurgel. O interesse desse núcleo, segundo o procurador, era se aproximar do governo a fim de obter vantagens em contratos publicitários e desvio de verba em benefício próprio.

Ainda segundo Gurgel, o núcleo financeiro – formado por dirigentes do Banco Rural à época – aceitou entrar no esquema para obter vantagens em transações envolvendo instituições financeiras. Segundo a denúncia, o grupo forjou empréstimos que não ocorreram na realidade, dissimulando a origem ilegal da verba. O procurador lembrou que representantes do Banco BMG não estão na ação penal do STF porque o caso está sendo tratado em outro processo, que tramita na Justiça de primeiro grau.

Na segunda fase da exposição, Gurgel passou a tratar dos crimes imputados a cada um dos réus e as provas que sustentam as acusações. Os crimes citados na denúncia – variáveis para cada réu – são formação de quadrilha (um a três anos de prisão), corrupção ativa e passiva (dois a 12 anos cada), peculato (dois a 12 anos), evasão de divisas (dois a seis anos), gestão fraudulenta de instituição financeira (três a 12 anos) e lavagem de dinheiro (três a dez anos).

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